Ganhámos. Era a única coisa que interessava hoje.
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E pela vitória conquistada felicito o treinador e os jogadores do Porto. Estes últimos porque conseguiram ganhar apesar do primeiro. O primeiro por não ser incompetente o suficiente para derrubar a vontade dos jogadores.
Mais um onze inicial difícil de compreender.
No jogo mais importante do campeonato, foi lançado o recém-chegado Corona em vez do já muito batido Varela, o que para mim condensa três erros num só: primeiro a aposta inicial no mexicano, que só por si já seria complicada para o jogador, mas que (segundo) ainda se tornou mais impossível ao ser posto a jogar ao lado de Aboubakar até à meia hora de jogo. Um extremo acabado de aterrar no Dragão e no futebol português é lançado de início como segundo avançado. Brilhante. E terceiro, deixou de o ter no banco para lançar se fosse preciso dar tudo para vencer o jogo, quando, aí sim, o pouco conhecimento que os adversários têm dele poderia ser um trunfo adicional. Resultado, Corona foi quase inexistente no primeiro modelo de jogo, um cordeiro a caminho da degola no altar sacrificial de Julen-Rá. Obviamente melhorou na sua posição natural, mas sem acrescentar muito ao jogo.
Quanto a Rúben em vez de Danilo, outro mistério. Num jogo em que seria sempre importante ter músculo e centímetros no meio-campo, a opção foi pela técnica e qualidade de passe. Numa equipa que não sabe como chegar de forma organizada e sistemática à baliza contrária, são sem dúvida qualidades muito bem aproveitadas...
Mas ok, fomos a jogo com esses. Como gostam de me lembrar, ele é quem melhor sabe como os jogadores estão.
E aconteceu o quê? A única coisa que poderia acontecer, numa equipa que não sabe como jogar em conjunto com o objectivo de chegar à baliza adversária. A habitual pasmaceira na zona do grande círculo, bola de um lado para o outro e a seguir ou "Maicon resolve" ou lá vem a tabela com o desgraçado Aboubakar, que tem que receber e devolver para trás, porque não tem como fazer diferente sem perder a bola. É isto o futebol de Lopetegui. O resto é o talento de Brahimi, a abnegação de Maxi, a raça de André, o sacrifício de Abou e o querer de todos. Só assim vamos chegando à baliza contrária. Palavra que não me lembro de equipa do Porto tão mal preparada para chegar à baliza adversária.
Mas como o pior cego é sempre o que não quer ver, ficaram os mesmos onze até aos 62 minutos. Pelo meio lá teve o lampejo de perceber que ter Corona ao lado de Abou ainda afunilava mais as opções de jogo e recuou para o esquema habitual.
Na primeira parte o que de melhor nos aconteceu foram as defesas de Casillas e a inoperância dos avançados lampiões, caso contrário iríamos para o balneário a perder.
Diz-se que a sorte protege os audazes, mas hoje protegeu a incompetência na primeira metade do jogo.
Regresso do balneário e felizmente, ao contrário do que é imagem de marca de Lopetegui, entramos melhor do que saímos. Não esperava que fosse pior, porque não era fácil, mas sim mais do mesmo. No entanto, a cabeçada de Aboubakar que bateu com estrondo no poste deu o mote para o nosso melhor período até então. Mas calma, não disse que foi bom, nem sequer perto disso. Apenas melhor.
Mesmo assim foram precisos 17 longos minutos para o treinador ter a decência de tirar Corona do jogo. Lançou Varela, o proscrito, que acabou por ser decisivo. Peço que não caiam na tentação fácil de por esta altura me questionarem se então não foi uma boa substituição, só possível por não o ter lançado de início... Seria como questionar se alguém que ignorou os sintomas da gripe durante um mês, ter depois ido ao hospital para curar uma pneumonia. Se tivesse curado a gripe aos primeiros sintomas, nunca chegaria a ter a pneumonia.
Mesmo sem uma entrada fulgurante, Varela começou logo por ser mais do que o mexicano tinha sido e melhorou o jogo da equipa. No entanto, não alterou a matriz do jogo: Porto sem soluções de construção ofensiva, optando por sucessivas lateralizações até a bola chegar ao nosso "número 10", o grande (!) Maicon, que logo tratava de a enviar para o extremo oposto. Não que a grande maioria dos passes não chegasse razoavelmente bem ao destino, mas ser este o nosso principal movimento de construção de jogo é simplesmente absurdo.
E o jogo lá foi correndo, com o Salgueiros a demorar o jogo o mais que podia, a segurar o empate e nós sem grande capacidade para o acelerar. Aos 78 minutos, mais uma substituição para não mudar nada. Ou será que não? Sai Rúben entra Danilo (o fatigado). Um simples refresh ou algo mais? Foi de facto algo mais, mas confesso que no estádio não me apercebi.
E assim sendo, chegamos ao ponto alto da sapiência de Lopetegui: a oito minutos do final e empatado a zero, o génio do futebol moderno decide fazer entrar Osvaldo para o lugar de... Aboubakar, o nosso homem-golo!
Escrevi isto enquanto revia o jogo na televisão... e em boa hora o fiz! Foi de facto questionável (e para mim errado) tirar Abou de jogo, simplesmente porque era o homem com maior probabilidade de fazer um golo. Contudo havia um plano... que dá a ideia de já vir a ser preparado desde a entrada de Varela e depois Danilo.
Passamos a jogar em 4-2-4 quando tínhamos a bola, com o meio do meio campo a ser assegurado por Danilo e Imbula e com André encostado ou em linha com Osvaldo. Ousado sem dúvida, e desconcertante para a defesa encarnada, como se veio a comprovar.
Quando perdíamos a bola, Varela e Brahimi recuavam e o que se via era um 4-4-1-1, com André atrás de Osvaldo. E se a equipa já vinha em crescendo anímico desde o regresso ao jogo, nesta fase acreditou ainda mais.
O resto, foi o que todos vimos e amamos. Um lance aos 86 minutos iniciado por Osvaldo, conduzido por Brahimi e genializado por Varela, que isolou o meu André que perguntou a Júlio César para que lado queria, finalizando com classe.
Goooolooooooooooooooo!
E depois disso, gestão bem feita até final e uma outra oportunidade para fazer o segundo.
Ganhamos. Era tudo o que interessava hoje.
Porque tivemos a felicidade daquele lance, mas sobretudo porque os nossos jogadores não se resignarem a um treinador pouco ambicioso, sem boas ideias e que só "arriscou" em cima da hora.
Nesta altura, é para mim claro que um de nós os dois percebe pouco de futebol. Tenho rezado aos deuses do futebol para que seja eu e talvez as minhas preces venham a ser atendidas... mas not just yet.
Lopetegui mostrou hoje que não aprendeu com os erros do ano passado. Mais uma vez aceitou passivamente durante largo período do jogo a forte possibilidade de não o ganhar.
Felizmente, ganhou.
Continuo a desejar-lhe, do fundo da minha alma portista, todo o sucesso do mundo. Que ganhe tudo e um par de patins (ofereço eu).
Notas DPcA:
Casillas (7): Jogo grande, GR à altura. Três defesas apertadas e fundamentais para evitar o naufrágio. É isto que todos esperamos dele.
Maxi (7): Não recuperou a forma física (nem tinha como), mas a raça e entrega suplantaram essa debilidade. Como sempre, arriscou-se a ser expulso, mas desta vez porque viu um primeiro amarelo totalmente exagerado. Esteve lá de princípio ao fim e ganhou ao Benfica. Ah! Ah! Ah!
Marcano (7): Regressou muito bem após a ausência forçada em Kiev. Discreto mas eficaz, como é seu timbre. Está a crescer como jogador e já lidera a defesa em bicos de pés.
Maicon
(7): "é o nosso número 10, não finta com nenhum dos pés, passa a bola de lés a lés, é o Maicon, olés, olés!" E a defender também esteve quase sempre bem. E quase aviava o Tonas, o que também o valoriza.
Layún (7): Mais um que beneficiou de eu ter revisto o jogo na TV. Fez de facto um jogo muito grande, nem sempre com qualidade, mas foi muita, muita quantidade. Esteve em todas no seu corredor. Não é lateral ofensivo mas ataca. E corre muito. Dá-lhes Miguel!
<-78' Rúben Neves (7): Esteve bem mais agressivo sobre a bola do que lhe é habitual, não só com os pés mas também a disputar bolas aéreas. No entanto, não é esse o seu perfil e portanto não se pode exceder ao fazê-lo. E também não tem culpa que não tenha a quem passar a bola, se não for para os lados ou para trás. É um Dragão e hoje precisávamos de todos. Para nossa sorte, ele disse "sim".
Imbula (6): Regressou sem surpresa (digo eu...) ao onze, mas continua longe daquilo que pode e vai fazer. Creio que ainda não descobriu qual a melhor forma de dosear as suas qualidades de progressão com bola para o benefício da equipa. E não parece estar no pico de forma. Contudo lutou sempre e melhorou (tal como a equipa) na segunda metade. Ça va marcher, Giannelli!
Melhor em Campo - André (9): Que alma imensa! E pulmão também, que a alma pesa. Grande, grande jogo do meu André (sim, adoptei-o). Entrega total durante os 93 minutos, incansável na recuperação e muitas vezes bem na construção. Fez, de facto, jogar os companheiros. E quando se libertou da ala, ganhou o jogo para nós, com os cumprimentos do Silvestre. Perfeito.
<-62' Corona (6): Foi o escolhido pelo treinador para mártir do encontro e estava prestes a ser sacrificado quando o magnânimo lhe permitiu continuar a viver... na ala. E aí tentou ser útil a fazer aquilo que sabe, mas não era o seu dia. E nem poderia ser, da forma como foi lançado, conforme já referi. Valeu pela entrega.
Brahimi (7): Ele tenta, ele finta, ele chuta. Mas poucas coisas lhe saem totalmente bem por estes dias. Para compensar, podia ajudar mais o seu lateral, o que só aconteceu na fase final do jogo. E deveria soltar mais a bola e mais cedo. Ainda assim, teve vários lances de perigo inventados por si e fez o passe para o momento supremo de Varela.
<-82' Aboubakar (8): Outro jogão do Rei Bakar, onde só faltou um pouco menos de pontaria naquele poste para o coroar com um golo. Entrega absoluta, dentro e fora do campo. Foi comovente vê-lo a vibrar com o golo, como um menino que acabou de receber a sua prenda mais desejada. Obrigado Abou, continua assim.
>62' Varela (8): Que bem regressado! Entrou devagar mas foi subindo gradualmente até ao momento de iluminação suprema: aquele toque de calcanhar que isolou por completo André na cara de JC. Sublime. E um ponto extra só por esse lance.
>78' Danilo (6): Entrou para agarrar o meio a meias com Imbula e fê-lo bem. Com André desterrado lá na frente, os dois chegaram e sobraram para as encomendas de um salgueiral que já só queria o pontinho. E ainda pode participar no cerco final à baliza do SCS. Enough for me.
>82' Osvaldo
(6): Hoje entrou dez minutos mais cedo face a Kiev, o que lhe rendeu 11 preciosos minutos em campo. E o que nos deu ele em retorno? O início da jogada do golo e mais dois ou três lances de perigo. Gracias, Dani! Hoje pede duas que eu também bebo.
Nota: (...) de 1 a 5 a prestação do jogador é considerada globalmente negativa e, inversamente, de 6 a 10 é globalmente positiva. Portanto, 6 é a nota de serviços mínimos e 5 a de "not quite enough, old chap".
Outros intervenientes:
Foi mais um Benfica pálido, à semelhança dos últimos anos, que se apresentou no Dragão. Fraco de ideias mas sobretudo de atitude. Sempre à espera dos erros alheios e das bolas paradas. Nada mais. Podiam ter marcado na primeira parte mas na segunda quase nada fizeram para poder ganhar. E assim sendo, perderam. Nice!
Nelson Semedo é um menino com muito talento, um bom substituto para quando o Maxi arrumar as bostas. Quando acaba o contrato dele mesmo?
E o eterno (porque ninguém lhe pega) Gáitan, é um bom jogador em qualquer parte do mundo e até no SLB.
O árbitro Soares Dias mais uma vez confirmou a má impressão que tinha dele. Quer mostrar autoridade mas só sabe ser autoritário. E depois a diferença de critérios na parte disciplinar durante 75 minutos, durante os quais as nossas faltas eram quase sempre brindadas com cartão e as deles apenas com vãs ameaças gestuais, para portista ver. Nos últimos quinze minutos lá começou a dar cartões ao adversário, obrigando-os a conterem-se e dando-nos a necessária liberdade para jogar. Por acaso correu bem, porque ganhámos, mas podia ter sido decisivo no desfecho do encontro.
Por tudo isto tenho também que fazer referência às patéticas declarações de Rui Vitória, culpando o árbitro por perdoar duas (!) expulsões ao Porto. Fala de um segundo cartão a Maxi mas esquece-se de explicar o primeiro. E em relação a Maicon, nem merece comentários. Eu sei que a turba precisa de sound bytes para as parangonas de amanhã, mas não insultes a nossa inteligência, ò Derrota. Sobretudo quando omites o segundo amarelo claríssimo que ficou por mostrar a André Almeida ao minuto 53.
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Ganhámos.
Não fizemos o suficiente para lhes deixar cicatrizes, mas estamos três pontos mais à frente em relação a eles. E isso é sempre bom.
Missão cumprida. Hoje vou dormir muito bem.
Do Porto com Amor