segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Dia de jogo: CD Nacional - FC Porto (1-2)


Chegamos à ilha num vistoso paquete e saímos de lá numa jangada. Mas o mais importante é que sobrevivemos.

"No veo um carajo..."

No jogo mais atípico da temporada, jogado em 5 partes assimétricas, conseguimos os três pontos. Enorme sensação de alívio. E regozijo, por saber que continuamos na luta e que - afinal - os árbitros também erram a nosso favor. Ufa, estava com receio que fosse sempre em favor do Sporting...

Conforme previsto na antevisão, chegámos a este jogo cheio de fantasmas de jogos passados. E que melhor embaixador para esses simpáticos gasparzinhos do futebol do que Ivan Marcano, o homem que nos dois primeiros passes que faz no jogo entrega a bola ao adversário, convidando-o a sair em contra-ataques perigosos e a assombrar ainda mais a equipa do Porto. Aliás, tenho para mim que o central espanhol era por essa altura mais do que um embaixador, era alguém já devidamente possuído por um qualquer diabrete que nunca havia dado um chuto numa bola... alguém que chame o Padre Fontes ao Dragão, por favor.

Ironicamente, foi um taconazo do Morc... de Marcano que nos deu o primeiro do jogo, na sequência de mais um canto apontado por Layún. Bem cedo no jogo, vantagem ideal para tranquilizar todo o mundo, incluindo o marcador do golo.

Dois minutos volvidos, canto para o Nacional e golo do empate. Um tal de Willyan (parece sina) foge a Brahimi e cabeceia à vontade, com Layún a desviar e Iker incapaz de a deter. Rico serviço. A sorte, quando nos bate à porta, é para ser bem tratada. Convidámo-la a entrar, sentámo-la confortavelmente no sofá (já de pantufas) e servimos-lhe um chá e uns bolinhos, ok? Não é para lhe dar um biqueiro no traseiro à primeira oportunidade, senhores! É certo que foi um lance (bem) trabalhado do nacional, mas seria suposto estarmos preparados. Foram todos atrás dos adversários ao primeiro poste e deixaram uma clareira para a entrada do foragido alvinegro. Marcação à zona totalmente desfeita... ou seria marcação individual?

A partir daqui, gostei. Não é piada, gostei mesmo. Está fácil de ver que não fizemos um grande jogo, mas também não eram essas as minhas expectativas. Eu, dos jogadores, só esperava atitude e alguma inteligência. Sofremos um golpe durinho ao consentir o empate dois minutos após o nosso golo mas não trememos. Fomos de imediato à procura do segundo. Sem fazer as coisas especialmente bem, mas fomos. E conseguimos. Aos 14' Brahimi emendou da melhor forma um remate de Herrera, após jogada de envolvimento e alguma sorte no primeiro ressalto em Corona. Daqui até ao intervalo, o jogo continuou repartido, com ataques de ambas as partes. Do Nacional, porque queria e sabia como; nossos, porque não tínhamos outro remédio: nesta fase, não temos arcaboiço mental para esconder a bola de uma equipa como esta... Dentro deste contexto, foi um resto de primeira parte agradável de seguir, com mais um par de oportunidades para fazer o terceiro, não fossem Herrera e Abou os protagonistas do último passe e da finalização...

E acabou. Aparentemente, a Ghost Team atacou em força durante o intervalo, porque no reatamento a nossa equipa parecia composta por onze almas penadas. Em menos de cinco minutos, três boas oportunidades para o Nacional. Como corolário, mais uma substituição do outro mundo: aos 49 minutos, sai Layún, entra Maicon. Como até agora não vi em lado nenhum que o mexicano estivesse lesionado, só posso assumir o pior: saiu por opção. QUATRO MINUTOS APÓS O INTERVALO! A sério Lopetegui? O Nacional (sim, o Nacional, não o Dortmund) faz 3 ataques perigosos e a resposta é tirar o lateral por onde ocorreram esses lances? Ou pior ainda, já estava previsto e aqueles quatro minutos foram só para chatear? Inacreditável.

Depois, chegou o nevoeiro. E a primeira paragem. E mais nevoeiro. E a segundo paragem. E o adiamento para hoje. Nesses períodos de jogo, ainda me pareceu ter visto Abou isolado a falhar um golo acessível e Herrera a fazer exactamente o mesmo (e outras coisas igualmente más). E o adversário a acreditar que conseguiria chegar ao empate. E nós com medo disso. Salvou-nos o nevoeiro...

Com uma noite inteira para dormir sobre o assunto, seria expectável que estes últimos minutos fossem abordados com outra calma e confiança. Estando sob ameaça de um KO, o árbitro parou a contagem até... ao dia seguinte. Mas não. Precisamente o oposto. Foi absolutamente confrangedor assistir a estes minutos. Miserável atitude (OBVIAMENTE resultante do planeamento), encolhidos atrás à espera que a sorte continuasse connosco. Postura de equipa pequena (tipo Sporting), inadmissível. Vergonhoso. Felizmente, a sorte continuou do nosso lado. 

Quem sabe se agora possuído por mil demónios em simultâneo, o bom do Marcano resolveu fazer um dos penáltis mais estúpidos e despropositados de que tenho memória, uma coisa tão evidente e inacreditável que Jorge Sousa deve ter pensado que estava a ver mal. Penálti escandaloso por marcar. Para terminar, mais um pormenor do descontrolo de Lopetegui: a reacção de Brahimi ao tomar conhecimento de que iria ser substituído. Como é possível que os jogadores não soubessem de antemão o que iria ser feito no cenário A, B e C para estes minutos finais? Como é possível que o treinador não inclua os jogadores nos seus planos, para que se preparem para eles? Não havia plano? É o desnorte total. 


Um dos momentos em que melhor se percebe a genialidade da táctica de Lopetegui


Notas DPcA: 


Casillas (5): Mais inseguro do que o habitual, não ajudou a tranquilizar a equipa. Respondeu bem em vários lances, mas mal em alguns. Dele espero sempre mais. Não chegou.

<-49' Layún (6): Uma exibição atípica, em que demonstrou algum descontrole. Não sei que bicho lhe mordeu, mas levou um amarelo evidente e desnecessário e depois ainda foi de carrinho disputar uma bola com o GR que felizmente saltou por cima. No regresso do intervalo, foi pelo seu lado que o Nacional causou muito perigo. Não vi bem se por sua culpa (e se exclusiva), mas o que é certo é que foi tomar banho cinco minutos depois do recomeço. Deve ter encetado parceria com um fantasma recente, ainda a habituar-se ao além... Mas, mais uma vez, fez uma assistência.

Maxi (6): Continua apagado, resguardando-se e limitando-se a defender bem a sua zona, certamente consciente da sua actual incapacidade de fazer mais. Não sei o que tem, mas não está bem.

Marcano (1): O que foi isto, Ivan, O Terrível (central)? Depois da enorme cagada de Londres, um poço cheio de esterco com a tua assinatura? Estás burro ou quê? Só por milagre não nos derrotaste sozinho! Bancada, já. Ah, o 1 é pelo golo.

Martins Indi (7): É o patrãozinho, queiram ou não. Sóbrio, austero mas muito eficaz. Além de cumprir bem as suas funções, ainda se dedicou a limpar a porcaria que os outros iam fazendo. Teve muito trabalho e fez quase tudo bem (só aquele amarelo era desnecessário).

<-87' Danilo (5): Estava a cumprir, q.b. mas sem brilho, até que saiu por indisposição. Obrigado Dr. Puga, pelo seu bom senso. 

Herrera (2): É desesperante, um suplício. Já não sei o que mais escrever sobre este jogador. Sem bola, revela alguma utilidade, sobretudo por andar a penar pelo campo e com isso ir surpreendendo os adversários (e companheiros, é certo). Mas com a bola no pé, faz quase sempre quase tudo mal. Desde o passe longo ao passe a dois metros, passando pelo cabeceamento para o sítio errado e o remate sem nexo. É caso de psicanálise. Internem-no p.f.

Rúben (6): Sempre o mais esclarecido do nosso meio-campo, a procurar equilibrar e emendar. Não brilhou mas foi importante para manter os cacos colados.

Corona (6): Foi, outra vez, um dos melhores da equipa. Não fez golos nem assistiu, mas procurou sempre descobrir espaços na defesa adversária. E ajudou a defender.

<-83' Melhor em Campo Brahimi (7): Outro golo decisivo e outro jogo onde se assume como o principal meio para incomodar o adversário e chegar à sua baliza. Só não pode é continuar a reagir às decisões do treinador, por muito que ache que tenha razão. A disciplina tem que ser para todos, sem excepção.

Aboubakar (4): Outro para quem já me faltam adjectivos. Não deixa de trabalhar, mas convenhamos que não chega. Se não acredita nas suas capacidades ou as pernas lhe falham neste momento, há que dar lugar a outros e continuar a trabalhar com ele para o recuperar.

->27' Imbula (6): Entrou bem no jogo, integrou-se na manobra da equipa e ajudou a segurar o resultado. Daquilo que vi, claro está.

->49' Maicon (6): Não lhe vi mais do que duas asneiras à Maicon e apenas de nível intermédio, o que na sua escala é muito aceitável. Muito aceitável.

->83' Evandro (-): Sem tempo útil para ser avaliado.

Lopetegui (3): Está em queda livre. Somando o apertão de que foi alvo e consequente vontade de abandonar (familiar até, pelo que se diz) à senda de más exibições e péssimas opções, não há muito que lhe valha neste momento. Olha-se para a sua postura, os seus gestos e até o que diz e percebe-se que perdeu o controlo. A substituição de Layún foi um sintoma. A forma vergonha como jogamos hoje o tempo em falta, é a própria doença. Está enfermo e nós por arrasto. Uma aspirina e muita fé. Ah, o 3 é pela vitória (um por cada ponto).

"Como não viste? Foi deste tamanho..."


Outros intervenientes:


Como habitualmente, o Nacional revelou-se uma equipa difícil de bater em sua casa. Desta vez, foi até um pouco mais longe e esteve perto de assegurar o empate. Vários jogadores interessantes, mas nenhum se destacou no nevoeiro, pelo que destaco o lance estudado de Manuel Machado no seu golo.


Não gosto de Jorge Sousa. Já nos custou várias e amargar derrotas com algumas decisões gritantes e muitas, mesmo muitas pequenas decisões, daquelas que inclinam os campos. Além de que me parece um simplório sem auto-confiança que depois tenta esconder com aquela postura esfíngica e autoritarista. Um palerminha, como se diz na minha rua. Posto isto, devo reconhecer que neste jogo nos beneficiou clamorosamente, ao não marcar um penálti do tamanho do mundo já perto do fim. Quanto ao primeiro lance, com o mesmo protagonista do nosso lado, acho que ajuizou bem dentro daquilo que a lei respectiva lhe permite, o que não significa que se tivesse marcado tivesse errado. Por isso mais uma vez repito: estou aliviado por saber que também se erra a nosso favor.


O nevoeiro: não o próprio fenómeno em si mesmo, mas o seu impacto na competição. Parece-me inadiável uma decisão por parte da Liga que impeça que isto se volte a repetir. Como? Bem, das duas uma: ou se "descobre" com os meteorologistas uma época do ano em que não haja nevoeiro e os jogos neste estádio terão que se desenrolar obrigatoriamente nesse altura, ou - mais simples - considera-se o estádio como inadequado para a competição profissional e o Nacional que se arranje. É chato? É. Mas deviam ter pensado nisso antes de construírem ali um estádio (ou melhor, em fazer os melhoramentos que o tornaram naquilo que é hoje).


Continuamos sem tempo para nada que não seja descansar, recuperar e jogar o jogo seguinte. Que é já na quarta-feira, em Santa Maria da Feira para a taça. Até lá, se não for antes!



Do Porto com Amor




domingo, 13 de dezembro de 2015

Hoje joga o Porto! (vs CD Nacional)


A pesada bagagem trazida de Londres já ficou para trás. Houve novo embarque, rumo à ilha agora bendita, o que serve na perfeição como metáfora de um novo começo.


Não há volta a dar, a Champions só regressa em Setembro de 2016. Antes disso, haveremos de voltar à Europa pela porta menor. Mas para já, apenas este jogo interessa. Este jogo, não o que virá com o ano novo. 

É com o Nacional da Madeira que vamos disputar "o jogo mais difícil do ano". E poderá mesmo vir a sê-lo, se não for encarado com a atitude certa. Com os fantasmas de Londres e outros que tais à espreita, prontos a assombrarem-nos ao primeiro sinal de fraqueza, dúvida ou desconfiança, será (mais uma vez) fundamental abordar o jogo com a força mental que caracteriza os campeões, assumindo sem hesitar a sua superioridade e demonstrando-o ao adversário.

Como sempre, caberá a Lopetegui dar o tiro de partida rumo a uma indispensável vitória. Mesmo que tenha desejado sair após a carinhosa recepção de que foi alvo no aeroporto, acabou por ficar, bem segurado por quem de direito. Por isso, terá de provar aos jogadores que continua merecedor da sua confiança. É um comandante que se dispôs a abandonar o barco ao primeiro sinal de tormenta e os seus marujos precisam de acreditar que ele não os abandonará antes de chegarem a porto seguro.

A minha sugestão é back to basics. KISS ( Keep It Simple Señor) como lema. Pôr os melhores nas suas posições naturais e jogar como sempre treinaram. E depois atitude. E mais atitude.

O meu onze para hoje:



Tudo dito.

Vamos a eles!


Do Porto com Amor 




sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Declaração de intenções


Para que não restem dúvidas e para memória futura.




Na sequência de tudo o que se tem passado, com particular foco no presente pico de contestação a Lopetegui pós-derrota em Londres e nos rumores que hoje circularam dando conta de o treinador ter colocado o lugar à disposição de Pinto da Costa, senti necessidade de clarificar ideias e tomar uma posição

É dessa tomada de posição - a oficial (e única) deste blogue - que darei conta no restante deste texto.

Logo à nascença deste vosso espaço, questionei-me sobre a anunciada renovação da aposta no basco, ainda com a época em andamento mas já depois de termos perdido tudo - ou melhor, com a garantida de já nada podermos ganhar. E sobre o tema escrevi que só entenderia a continuidade havendo "uma fé inabalável de PdC e seus pares nas qualidades do Julen, quando devidamente pesadas e comparadas com as possíveis alternativas".

Terminada a época, escrevi o post Verano Azul, onde expliquei detalhadamente a minha posição e depois resumi: época demasiado má para merecer uma segunda hipótese. No entanto, sabendo-se na altura que Lopetegui continuaria, resignei-me ao facto e apenas lhe pedi que deixasse de ser teimoso e aprendesse com os muitos erros cometidos, porque se o fizesse até passaríamos a ser os claros favoritos a vencer o campeonato, dadas as profundas alterações que sofreram os da segunda circular. 


Quem tiver curiosidade, tem à disposição a análise completa à época 2014/15, dividida em cinco partes: parte 1, parte 2, parte 3, parte 4 e parte 5 (arbitragem).


Umas semanas volvidas, voltei ao assunto abordando "A Segunda Vida de Lopetegui". Tendo já absorvido a sua continuação, coloquei-me de novo ao seu lado e até fiz de conta que o caso Quaresma já era passado (fiz de conta porque apesar de continuar bem presente, senti que devia guardar esse sentimento para mim). Terminei o post assim: "Concluindo, estou esperançado que o treinador tenha aprendido com os seus erros. Mal dele se não o tiver feito. Se dependesse de mim, não teria segunda vida aqui. Mas como não depende, estou com ele (de novo) até final da temporada. E como gostava de ter vontade de lhe dar um abraço nessa altura.".

Aconselho todos os leitores a ler (ou reler) com atenção estes dois posts, não só para que percebam com exactidão o que me levou a pedir a sua saída no final da época passada, como também para atestarem da coerência da minha posição desde então até hoje.

E um aparte antes de continuar: por esta altura já muitos dos "irredutíveis" defensores de Lopetegui começavam a olhar-me de soslaio, processo esse que aliás terminou com a minha ostracização daquela parte da bluegosfera. Não que seja relevante, mas confesso que me deu vontade de rir ao reler hoje o que os acérrimos comentaram nesse post (e noutros por essa altura). O tempo é tramado. Irrevogável até.


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Renovação de votos consumada, avançamos para a pré-época, onde me esforcei por desvalorizar por completo todo e qualquer indício de que o filme se começava a parecer com o anterior. Afinal, era pré-época...

Época a doer adentro, empate na Madeira, blá, blá, blá, mesmo futebol empastado, blá, blá, blá, Moreirense, blá, blá, blá, Benfica e Chelsea, "viva! viva!", Braga, Dynamo, Tondela por um triz e Londres. And all hell broke loose...


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E cá estamos, a 10 de Dezembro do ano da graça de 2015, a assistir a uma tremenda contestação de grande maioria dos adeptos, que aliás ameaça alastrar para além das fronteiras do treinador, invadindo as da "estrutura" e até as de Jorge Nuno Pinto da Costa


E é sobre este momento actual que me quero pronunciar.


1. Por esta altura, é para mim um facto consumado e praticamente irreversível (sou relativista, daí o praticamente) de que Lopetegui não tem qualidade suficiente para ser treinador do Porto. Nem técnica nem humana. Foi um claríssimo erro de casting repetido duas vezes.


2. Mesmo que, como eu espero e todos desejamos, consiga vencer o campeonato e que (a partir daqui já não espero, embora deseje) até lhe acrescente a conquista das taças nacionais e da europeia, não antevejo nenhuma possibilidade realística de vir a mudar de opinião: não por teimosia mas por convicção de que Lopetegui é isto e não vai (não quer) mudar. E não mudando, não serve para o meu clube.


3. Como regra, não acredito em mudanças de treinador a meio do percurso. Apenas se reunidas condições excepcionais e incontornáveis admito que a mudança possa trazer benefícios. E que condições poderão ser essas?

a) O treinador abandonar o clube unilateralmente;

b) Já não haver nada para ganhar na época desportiva;

c) A direcção decidir mudar de rumo, ter já encontrado o sucessor e ele estar disponível para assumir funções de imediato, começando já a preparar a época seguinte enquanto luta pelos objectivos ainda atingíveis da actual.

Mas - um enorme "mas" - no caso desta última alínea, esta opção representa para mim o assumir de um rotundo falhanço por parte da direcção. As ilações que cada sócio portista retirar do processo, deverão ser reflectidas no seguinte acto eleitoral. 


Todos reconhecemos imenso valor à obra imensa do presidente. Muitos ainda lhe reconhecem suficiente crédito acumulado para passar incólume a esta e eventualmente outras más decisões. Alguns inclusive continuarão a achá-lo credor de um eterno cheque em branco, tal a obra feita. Mas outros  estarão convencidos de que o seu tempo à frente do clube já expirou ou está prestes a expirar. Todas são posturas justificáveis e merecedoras de respeito de quem delas discorda.

Eu sou dos que lhe reconhece ainda capacidades para continuar a liderar o clube. Sem cheque em branco, obviamente (e muito menos sem data)


Como tal, faço-lhe aqui directamente um pedido, senhor presidente:

Não ceda. 

Mantenha Lopetegui até final da época, doa o que doer, a quem doer. 

Seja coerente com as suas ideias e palavras. 

Dê-lhe a oportunidade de mostrar tudo o que vale e não vale. Para que o resultado desta temporada lhe possa ser atribuído na totalidade e em exclusividade. Sem desculpas. 

E, no final, tire as suas conclusões. Aliás, tenho poucas dúvidas de que já não as tenha tirado. Sabe mais de futebol a dormir do que eu acordado. 

Por isso mesmo, contrate desde já um treinador à sua imagem - repito, à sua imagem, fechando a porta a quem o tem levado na conversa

Regresse às suas origens e estou certo de que voltará a fazer uma boa escolha. Pode ou não ter sucesso, mas isso serão outros quinhentos. Mas acredite, que se a escolha for boa, os portista saberão valorizá-la (e a si na mesma medida).


De um portista eternamente grato, mas nunca desatento e sempre crítico.



Do Porto com Amor




quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Dia de jogo: Chelsea FC - FC Porto (2-0)


Boa atitude, estratégia desastrosa, derrota normal.

"A este lorpa até eu ganho!"

É assim que resumo o jogo desta noite e a consequente eliminação da Champions League.

Costuma-se dizer que o maior cego é o que não quer ver. Eu aproveito e faço uma analogia: o maior burro é o que não quer aprender.

Em mais um jogo decisivo, de tudo ou nada, Lopetegui não quis aprender com erros passados. E assim sendo, voltou a cometê-los. Numa noite em que teríamos de estar perto da nossa máxima capacidade, o basco brindou-nos com mais uma inovação táctica e foi a jogo com três centrais. Pouco importa se era 3-5-2 com bola, 5-3-2 sem ela ou 11-0-0 nos cantos. É irrelevante. Porque sofrer do delírio de pensar que pode defrontar craques (mesmo que inseridos numa equipa que atravessa uma fase paupérrima) e um treinador que sabe tudo, com uma forma de jogar ensaiada meia dúzia de vezes antes, contra-natura face ao normal da equipa, aproxima-se já da demência. Ainda por cima acrescentada da habitual rotação sem nexo. Como única atenuante, o facto de não ser o primeiro nem o segundo a ser contaminado por tal doença. Mas espero que seja o último.

Foi pena, porque hoje notou-se que os jogadores entraram no jogo a acreditar nas suas possibilidades, cientes que o adversário por estes dias tem medo da própria sombra. Não lhes faltou atitude, não senhor. Faltou-lhes um treinador a sério. Cedo perceberam (e nós também) que a jogar assim não iam conseguir chegar à baliza de Courtois. Faltava sempre alguém a quem dar a bola para chegar lá perto com velocidade ou em situação vantajosa para finalizar. Brahimi a pegar no jogo na linha do meio-campo mas sem ninguém a quem tocar para subir. Corona junto à linha à procura de fintar o plantel inteiro do Chelsea, tal a distância que o separava dos companheiros. Layún a procurar chegar à zona de cruzamento mas sem ninguém para quem cruzar. Tudo isto muito espaçado, entenda-se. Pelo meio, roda e vira para o lado e para trás, até perder a bola.


censurado

Quis o destino que fossemos infelizes no primeiro golo. Infelizes por não ter centrais de categoria, obviamente, com destaque óbvio para Marcano. Detesto ter razão neste tipo de coisas, mas desde a pré-época que o digo: não temos um único central de topo no plantel e no meio da classe média-alta que caracteriza este sector, Indi é o melhor. By far. Um corte absurdamente falhado e Diego Costa na cara de Casillas, que consegue evitar o golo do avançado mas não o ressalto no central que falhou o carrinho. Há coisas do caraças.

Mas vá lá, pelo menos sofremos a infelicidade bem cedo no jogo. Havia muito tempo para os brilhantes planos A, B e C serem implementados e darem frutos. Infelizmente (outra vez), a resposta veio negativa de ambas as equipas, com Maicon a assumir o protagonismo da resposta (com o seu sotaque natal): "Não quero A, não quero B, não quero C... só si fô D". E se fo-D-u mesmo.
Ao intervalo: nosotros é que dominamos!

Ainda assim, a perder apenas por um (quando era obrigatório ganhar), para quê mexer? Afinal, a confiança na estratégia era tão grande que até ao intervalo, tudo na mesma. E no regresso também. Temos tempo, mais vale perder por um do que por dois (ai não, isso era no jogo passado...). Mas o malandro do segundo golo lá chegou, após várias ameaças em poucos minutos. Então sim, vamos lá (a contra-gosto) meter aqueles chatos que os ainda mais chatos querem que eu meta. Só para não dizerem que não tentei. Mas a seguir levam já com o Tello, ficam avisados. E pronto, fim do jogo.

Resumindo, porque a prosa já vai demasiado longa e sobretudo monótona, voltamos a perder em Inglaterra. Tudo normal. Desta vez entramos em campo (os jogadores) com uma boa atitude, o que nos poderia ter conduzido a dar um puñetazo na história. Mas afinal havia Lopetegui, que mesmo antes de o jogo começar se certificou que tal missão seria realmente impossível.





Notas DPcA: 


Nota prévia: todos os jogadores tem como atenuante o brilhantismo táctico do treinador.


Casillas (7): Esteve à altura do desafio, não fosse ele um jogador (exclusivamente) de Champions. Evitou à primeira o golo de Diego Costa e ainda teve mais um par de boas intervenções. Fez a sua parte para que pudéssemos ganhar o jogo, faltou-lhe o resto. 

<-57' Maxi (5): Está nitidamente em baixo e nem a sua garra consegue escondê-lo. Nunca deveria ter sido ele a sair (mesmo arriscando a expulsão), simplesmente porque sabe mais de futebol que os três centrais juntos com Herrera a cavalo.

Layún (6): Tentou. Na primeira parte chegou até a ser o nosso número dez (que medo), sendo o único que queria pegar na bola e entregá-la mais adiante num companheiro. Quase não havia era companheiros mais à frente. Tentou. Mas não conseguiu suplantar os adversários directos e muito menos a estratégia de Lopetegui.

Martins Indi (6): Uma vez mais um dos melhores, na sua discrição e eficácia. Não se pode alhear das ofensivas rápidas do Chelsea interpretadas por craques, mas foi outra vez o melhor do centro da defesa. Com tudo isto, deve ir para o banco no próximo jogo.

Marcano (3): O jogo "perfeito" para por a nu todas as suas debilidades. Frágil física e psicologicamente. Incapaz de recuperar do erro que deu o primeiro golo, até aos últimos cinco minutos. Aí, sentindo que já tudo estava perdido, relaxou porque sentiu como inevitável a eliminação. E recuperou o auto-controle. Não dá, Ivan, não dá... (nota 3 porque o resto é culpa de Lopetegui)

Maicon (5): É um tosco, parece que tem ferros a atravessá-lo longitudinalmente que lhe limitam os movimentos, impedindo de se assemelhar a um ser humano normal. E é lento. E pára-lhe o relógio várias vezes por jogo. Mas já todos sabíamos disto. É o que é. Nestes jogos é que se nota mais um pouco.

Danilo (6): Tentou cumprir a sua missão, entrou determinado e crente no apuramento. Esforçado mas sugado pelo furacão Lope. Acabou por ser apenas uma vítima.

<-56' Imbula (6): Conseguiu mostrar a espaços vislumbres daquilo que poderia justificar o investimento, quando vai atrás, pega na bola e acelera campo acima, galgando muitos metros em pouco tempo. Mesmo sem o conhecer doutros futebóis, nota-se que é por aqui que se pode evidenciar e ser uma mais-valia para a equipa. Mesmo não sendo brilhante, não foi por ele, seguramente. Não sei porque saiu, ficando Herrera em campo.

<-71' Herrera (4): O bom, velho Errera voltou. Completamente perdido no jogo, a atrapalhar mais do que a ajudar, foi no campo aquilo que Lopetegui é no banco. Um empecilho. Capitão e Dragão de Ouro, está certo...

Bom jogo DESTE mexicano
Brahimi (7): Assumiu a sua condição de único craque da actualidade portista e tentou pegar no jogo. Lamentavelmente, não é jogador para isso, sobretudo não havendo com quem jogar. Mas essa é uma questão que o transcende, lutou 90 minutos e esteve perto de fazer mais um golaço. Bom jogo, dentro das circunstâncias.

Corona (7): Muito boa partida do mexicano, sobretudo na segunda parte. Nunca teve medo de ir para cima dos adversários, mesmo exagerando várias vezes. Se alguém merecia ter marcado hoje, foi ele. Gostei sim senhor.

->56' Aboubakar (5): Já se sabia que não está no auge das suas capacidades, nomeadamente em termos anímicos. Deve-o ter ajudado imenso não ter sido titular... Entrou com o jogo já perdido e não conseguiu acrescentar nada.

->57' Rúben Neves (6): Veio dar alguma lógica e arrumação ao meio-campo, não sei se por mérito seu ou apenas pela saída de Herrera. Seja como for, fica com o crédito. Esteve a fazer o quê no banco durante 56 minutos, senhor treinador?

->71' Tello (4): Se Herrera é Lopetegui em campo, Tello é Lopetegui a entrar no jogo como suplente. Tudo dito.


Lopetegui (0): Palavra que não compreendo pessoas assim. Tem um emprego de sonho, que lhe caiu no colo sem nada ter feito para o merecer, falhou como um falhado na primeira época e ainda assim teve segunda oportunidade e ei-lo a fazer tudo para a desmerecer, com a displicência de quem se está pouco lixando para os portuguesinhos. Soltem foguetes, pintem-no de azul, cravem-lhe um superdragão nas costas, que a mim não me convencem. Pode até ser campeão, dado o plantel que tem à sua disposição. Desportivamente, nada me faria mais feliz. Mas dê por onde der, tem que sair no final da temporada. Zero. E tem sorte, se ainda estivesse na fase do Mortal Kombat, era Sub-Zero.



Outros intervenientes:


Feliz de quem tem Willian na equipa, pode dar-se ao luxo de estar em crise e vencer jogos, desde que haja um Lopetegui por perto. Claro que ter Óscar e H(azar)d também ajuda.

Até para o ano! ( hopefully )
O árbitro? Será que não dava treinador?

Só perdemos por dois, apesar de Lopetegui. Menos mal. Pobre Iker, que precisou de se cruzar com ele para ter a oportunidade de se estrear na Liga Europa.

Parabéns a Rebrov e ao Dynamo, passaram porque foram melhores, mesmo tendo um plantel (bem) inferior ao nosso. 



Continuemos para bingo. Jogo fundamental no Nacional já no próximo domingo. É tudo o que interessa por agora. 



Do Porto com Amor




terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Hoje joga o Porto! (vs Chelsea)


Tempo de decisões. Depois de "hoje", já não haverá volta atrás. Champions ou Europa, vocês decidem qual League preferem, rapazes.


Adrego Design


"(inspiração profunda)

Por que será que não jogamos sempre assim?

(nova inspiração, um pouco menos profunda)

Porque Chelseas só apanhamos 1 ou 2 por época. Um na fase de grupos e, a correr bem (que não optimamente), outro nos oitavos ou quartos. E regra geral não sobrevivemos ao segundo. 

De facto, quanto a "grandes" equipas europeias costuma ser isto. Grandes entre aspas porque o tipo de grandeza varia. Umas são grandes pelo seu historial, outras pelo poderia financeiro e outras ainda (as top dos top), por ambos os motivos."


Escrevi isto no rescaldo da vitória do joga da ida.

Pois este Chelsea da actualidade precisa mesmo de ser o único grande europeu ("grande" apenas a nível da capacidade financeira) que defrontamos nesta temporada. É o 14º (!) classificado do seu campeonato e joga menos do que pouco... Isto depois de já ter perdido a supertaça para o Arsenal logo a abrir a época.

No entanto, este seu estado "moribundo" só os torna mais perigosos. Aliás, descontando estarem numa superforma e a ganhar tudo de olhos fechados, esta é a segunda pior situação para os defrontar. Porquê? Porque estão a sufocar e nesta altura é o seu instinto de sobrevivência que vem ao de cima. E isso significa correr atrás da bola, disputar cada lance, dar tudo. E para nós, nada pior do que defrontar craques que ainda por cima lutam como se fossem uns meros caceteiros sem talento.

De facto, este futebol de Lopetegui quase só funciona "bem" na Champions precisamente porque é onde costuma haver tempo e espaço para que resulte. Por outras palavras, na maior montra do futebol mundial todos querem exibir as suas melhores qualidades, treinadores incluídos, pelo que raramente se vê um dos APF (Autocarros Paulo Fonseca). Ainda mais tratando-se das equipas maiores, cujos pergaminhos e/ou "vergonha na cara" os impede de não tentarem jogar futebol.

Mourinho sempre contrariou um pouco esta tendência, precisamente por não ter qualquer pejo em defender com doze (ele incluído). Curiosamente, nesta última passagem pelo Chelsea é onde menos se nota o seu cunho pessoal. Esta equipa é bem mais sobranceira e despreocupada com o adversário do que (todas?) as suas anteriores equipas. E isso notou-se bem no jogo do Dragão, onde - lá está - tivemos tempo e espaço para que aquele futebol enrolado e lateralizado acabasse por dar frutos.

Hoje não acredito que volte a ser assim. Hoje o Chelsea vai querer correr pelo menos tanto como nós, vai querer ter a bola como nós e vai querer fazer golos (como nós, espero), impondo o maior talento dos seus jogadores.


E o Porto, o que vai ser neste jogo?

É a pergunta do milhão (e meio) de euros. Indiscutivelmente, só teremos boas possibilidades de ganhar se a atitude for condizente com o objectivo. Uma postura amorfa ou demasiado expectante (para não dizer subserviente, como tantas vezes tem sido em terras de Sua Majestade) poderá resultar numa pequena tragédia, onde em cima da eliminação regressaremos a casa envergonhados com uma goleada.

No entanto, convém não confundir atitude com estratégia. Seria suicídio que a equipa tentasse fazer algo diferente daquilo que sabe. Mesmo sendo pouco, sabe. E portanto resta-nos jogar como sabemos (...), mudando a atitude.

A "solução" (como se eu a soubesse) passa por juntar ambição ao rigor e concentração. Aguentar os momentos de pressão do Chelsea, se ou quando não conseguirmos impor a nossa, e atacar a baliza de Courtois com crença e objectividade, para que eles sintam que a qualquer momento podem sofrer um golo (ou mais). Para tal, precisamos que todos estejam inspirados e disponíveis para a batalha. Treinador incluído. E se por acaso marcarmos primeiro ou estivermos em situação de apuramento já perto do final, que não se voltem a esconder do jogo. Antes, que assumam a contenda e o risco inerente, não deixando nunca de tentar criar (verdadeiro) perigo.

Começando pelo onze, onde Lopetegui dará o primeiro sinal (aos seus e ao adversário) daquilo a que vai. O meu seria este:




Acreditem em mim, se Mourinho puder, vai-nos humilhar. Cabe a nós impedi-lo, contribuindo decisivamente para mais um chorudo pé-de-meia antecipado, que lhe permitirá passar a consoada já entre os seus, saboreando o tradicional choco frito da quadra.

Vamos a eles!


Do Porto com Amor