Chegamos à ilha num vistoso paquete e saímos de lá numa jangada. Mas o mais importante é que sobrevivemos.
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| "No veo um carajo..." |
No jogo mais atípico da temporada, jogado em 5 partes assimétricas, conseguimos os três pontos. Enorme sensação de alívio. E regozijo, por saber que continuamos na luta e que - afinal - os árbitros também erram a nosso favor. Ufa, estava com receio que fosse sempre em favor do Sporting...
Conforme previsto na antevisão, chegámos a este jogo cheio de fantasmas de jogos passados. E que melhor embaixador para esses simpáticos gasparzinhos do futebol do que Ivan Marcano, o homem que nos dois primeiros passes que faz no jogo entrega a bola ao adversário, convidando-o a sair em contra-ataques perigosos e a assombrar ainda mais a equipa do Porto. Aliás, tenho para mim que o central espanhol era por essa altura mais do que um embaixador, era alguém já devidamente possuído por um qualquer diabrete que nunca havia dado um chuto numa bola... alguém que chame o Padre Fontes ao Dragão, por favor.
Ironicamente, foi um taconazo do Morc... de Marcano que nos deu o primeiro do jogo, na sequência de mais um canto apontado por Layún. Bem cedo no jogo, vantagem ideal para tranquilizar todo o mundo, incluindo o marcador do golo.
Dois minutos volvidos, canto para o Nacional e golo do empate. Um tal de Willyan (parece sina) foge a Brahimi e cabeceia à vontade, com Layún a desviar e Iker incapaz de a deter. Rico serviço. A sorte, quando nos bate à porta, é para ser bem tratada. Convidámo-la a entrar, sentámo-la confortavelmente no sofá (já de pantufas) e servimos-lhe um chá e uns bolinhos, ok? Não é para lhe dar um biqueiro no traseiro à primeira oportunidade, senhores! É certo que foi um lance (bem) trabalhado do nacional, mas seria suposto estarmos preparados. Foram todos atrás dos adversários ao primeiro poste e deixaram uma clareira para a entrada do foragido alvinegro. Marcação à zona totalmente desfeita... ou seria marcação individual?
A partir daqui, gostei. Não é piada, gostei mesmo. Está fácil de ver que não fizemos um grande jogo, mas também não eram essas as minhas expectativas. Eu, dos jogadores, só esperava atitude e alguma inteligência. Sofremos um golpe durinho ao consentir o empate dois minutos após o nosso golo mas não trememos. Fomos de imediato à procura do segundo. Sem fazer as coisas especialmente bem, mas fomos. E conseguimos. Aos 14' Brahimi emendou da melhor forma um remate de Herrera, após jogada de envolvimento e alguma sorte no primeiro ressalto em Corona. Daqui até ao intervalo, o jogo continuou repartido, com ataques de ambas as partes. Do Nacional, porque queria e sabia como; nossos, porque não tínhamos outro remédio: nesta fase, não temos arcaboiço mental para esconder a bola de uma equipa como esta... Dentro deste contexto, foi um resto de primeira parte agradável de seguir, com mais um par de oportunidades para fazer o terceiro, não fossem Herrera e Abou os protagonistas do último passe e da finalização...
E acabou. Aparentemente, a Ghost Team atacou em força durante o intervalo, porque no reatamento a nossa equipa parecia composta por onze almas penadas. Em menos de cinco minutos, três boas oportunidades para o Nacional. Como corolário, mais uma substituição do outro mundo: aos 49 minutos, sai Layún, entra Maicon. Como até agora não vi em lado nenhum que o mexicano estivesse lesionado, só posso assumir o pior: saiu por opção. QUATRO MINUTOS APÓS O INTERVALO! A sério Lopetegui? O Nacional (sim, o Nacional, não o Dortmund) faz 3 ataques perigosos e a resposta é tirar o lateral por onde ocorreram esses lances? Ou pior ainda, já estava previsto e aqueles quatro minutos foram só para chatear? Inacreditável.
Depois, chegou o nevoeiro. E a primeira paragem. E mais nevoeiro. E a segundo paragem. E o adiamento para hoje. Nesses períodos de jogo, ainda me pareceu ter visto Abou isolado a falhar um golo acessível e Herrera a fazer exactamente o mesmo (e outras coisas igualmente más). E o adversário a acreditar que conseguiria chegar ao empate. E nós com medo disso. Salvou-nos o nevoeiro...
Com uma noite inteira para dormir sobre o assunto, seria expectável que estes últimos minutos fossem abordados com outra calma e confiança. Estando sob ameaça de um KO, o árbitro parou a contagem até... ao dia seguinte. Mas não. Precisamente o oposto. Foi absolutamente confrangedor assistir a estes minutos. Miserável atitude (OBVIAMENTE resultante do planeamento), encolhidos atrás à espera que a sorte continuasse connosco. Postura de equipa pequena (tipo Sporting), inadmissível. Vergonhoso. Felizmente, a sorte continuou do nosso lado.
Quem sabe se agora possuído por mil demónios em simultâneo, o bom do Marcano resolveu fazer um dos penáltis mais estúpidos e despropositados de que tenho memória, uma coisa tão evidente e inacreditável que Jorge Sousa deve ter pensado que estava a ver mal. Penálti escandaloso por marcar. Para terminar, mais um pormenor do descontrolo de Lopetegui: a reacção de Brahimi ao tomar conhecimento de que iria ser substituído. Como é possível que os jogadores não soubessem de antemão o que iria ser feito no cenário A, B e C para estes minutos finais? Como é possível que o treinador não inclua os jogadores nos seus planos, para que se preparem para eles? Não havia plano? É o desnorte total.
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| Um dos momentos em que melhor se percebe a genialidade da táctica de Lopetegui |
Casillas (5): Mais inseguro do que o habitual, não ajudou a tranquilizar a equipa. Respondeu bem em vários lances, mas mal em alguns. Dele espero sempre mais. Não chegou.
<-49' Layún (6): Uma exibição atípica, em que demonstrou algum descontrole. Não sei que bicho lhe mordeu, mas levou um amarelo evidente e desnecessário e depois ainda foi de carrinho disputar uma bola com o GR que felizmente saltou por cima. No regresso do intervalo, foi pelo seu lado que o Nacional causou muito perigo. Não vi bem se por sua culpa (e se exclusiva), mas o que é certo é que foi tomar banho cinco minutos depois do recomeço. Deve ter encetado parceria com um fantasma recente, ainda a habituar-se ao além... Mas, mais uma vez, fez uma assistência.
Maxi (6): Continua apagado, resguardando-se e limitando-se a defender bem a sua zona, certamente consciente da sua actual incapacidade de fazer mais. Não sei o que tem, mas não está bem.
Marcano (1): O que foi isto, Ivan, O Terrível (central)? Depois da enorme cagada de Londres, um poço cheio de esterco com a tua assinatura? Estás burro ou quê? Só por milagre não nos derrotaste sozinho! Bancada, já. Ah, o 1 é pelo golo.
Martins Indi (7): É o patrãozinho, queiram ou não. Sóbrio, austero mas muito eficaz. Além de cumprir bem as suas funções, ainda se dedicou a limpar a porcaria que os outros iam fazendo. Teve muito trabalho e fez quase tudo bem (só aquele amarelo era desnecessário).
<-87' Danilo (5): Estava a cumprir, q.b. mas sem brilho, até que saiu por indisposição. Obrigado Dr. Puga, pelo seu bom senso.
Herrera (2): É desesperante, um suplício. Já não sei o que mais escrever sobre este jogador. Sem bola, revela alguma utilidade, sobretudo por andar a penar pelo campo e com isso ir surpreendendo os adversários (e companheiros, é certo). Mas com a bola no pé, faz quase sempre quase tudo mal. Desde o passe longo ao passe a dois metros, passando pelo cabeceamento para o sítio errado e o remate sem nexo. É caso de psicanálise. Internem-no p.f.
Rúben (6): Sempre o mais esclarecido do nosso meio-campo, a procurar equilibrar e emendar. Não brilhou mas foi importante para manter os cacos colados.
Corona (6): Foi, outra vez, um dos melhores da equipa. Não fez golos nem assistiu, mas procurou sempre descobrir espaços na defesa adversária. E ajudou a defender.
<-83' Melhor em Campo Brahimi (7): Outro golo decisivo e outro jogo onde se assume como o principal meio para incomodar o adversário e chegar à sua baliza. Só não pode é continuar a reagir às decisões do treinador, por muito que ache que tenha razão. A disciplina tem que ser para todos, sem excepção.
Aboubakar (4): Outro para quem já me faltam adjectivos. Não deixa de trabalhar, mas convenhamos que não chega. Se não acredita nas suas capacidades ou as pernas lhe falham neste momento, há que dar lugar a outros e continuar a trabalhar com ele para o recuperar.
->27' Imbula (6): Entrou bem no jogo, integrou-se na manobra da equipa e ajudou a segurar o resultado. Daquilo que vi, claro está.
->49' Maicon (6): Não lhe vi mais do que duas asneiras à Maicon e apenas de nível intermédio, o que na sua escala é muito aceitável. Muito aceitável.
->83' Evandro (-): Sem tempo útil para ser avaliado.
Lopetegui (3): Está em queda livre. Somando o apertão de que foi alvo e consequente vontade de abandonar (familiar até, pelo que se diz) à senda de más exibições e péssimas opções, não há muito que lhe valha neste momento. Olha-se para a sua postura, os seus gestos e até o que diz e percebe-se que perdeu o controlo. A substituição de Layún foi um sintoma. A forma vergonha como jogamos hoje o tempo em falta, é a própria doença. Está enfermo e nós por arrasto. Uma aspirina e muita fé. Ah, o 3 é pela vitória (um por cada ponto).
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| "Como não viste? Foi deste tamanho..." |
Outros intervenientes:
Como habitualmente, o Nacional revelou-se uma equipa difícil de bater em sua casa. Desta vez, foi até um pouco mais longe e esteve perto de assegurar o empate. Vários jogadores interessantes, mas nenhum se destacou no nevoeiro, pelo que destaco o lance estudado de Manuel Machado no seu golo.
Não gosto de Jorge Sousa. Já nos custou várias e amargar derrotas com algumas decisões gritantes e muitas, mesmo muitas pequenas decisões, daquelas que inclinam os campos. Além de que me parece um simplório sem auto-confiança que depois tenta esconder com aquela postura esfíngica e autoritarista. Um palerminha, como se diz na minha rua. Posto isto, devo reconhecer que neste jogo nos beneficiou clamorosamente, ao não marcar um penálti do tamanho do mundo já perto do fim. Quanto ao primeiro lance, com o mesmo protagonista do nosso lado, acho que ajuizou bem dentro daquilo que a lei respectiva lhe permite, o que não significa que se tivesse marcado tivesse errado. Por isso mais uma vez repito: estou aliviado por saber que também se erra a nosso favor.
O nevoeiro: não o próprio fenómeno em si mesmo, mas o seu impacto na competição. Parece-me inadiável uma decisão por parte da Liga que impeça que isto se volte a repetir. Como? Bem, das duas uma: ou se "descobre" com os meteorologistas uma época do ano em que não haja nevoeiro e os jogos neste estádio terão que se desenrolar obrigatoriamente nesse altura, ou - mais simples - considera-se o estádio como inadequado para a competição profissional e o Nacional que se arranje. É chato? É. Mas deviam ter pensado nisso antes de construírem ali um estádio (ou melhor, em fazer os melhoramentos que o tornaram naquilo que é hoje).
Continuamos sem tempo para nada que não seja descansar, recuperar e jogar o jogo seguinte. Que é já na quarta-feira, em Santa Maria da Feira para a taça. Até lá, se não for antes!
Do Porto com Amor










