terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Señor Lopetegui, un momentito porfa




Senhor Lopetegui

Por uma vez, dirijo-me directamente a si. Para o ajudar a ajudar-nos. Certamente tem recebido dezenas de apelos nos últimos tempos, mas ainda assim devo insistir em pedir-lhe um momentito do seu tempo. Prometo que não o dará por perdido!

Começo com uma pergunta: o que faz aqui no FC Porto? Por que motivo veio para cá? 

Aposto que foi para ter sucesso. Para ganhar. Para ser reconhecido como um bom treinador, ser acarinhado pelas pessoas e, como consequência, habilitar-se a voos mais altos noutras paragens.

Presumindo ter acertado nas respostas, permita que lhe diga isto: está a falhar redondamente! 

Eu sei que veio de outra realidade, onde Portugal, os portugueses e os seus clubes são vistos como filhos de um deus menor. Eu sei que sim, não se envergonhe por isso. As coisas são como são. No entanto, após um ano e meio no FC Porto, com certeza já percebeu que afinal os portuenses são mais parecidos com os bascos do que supunha. Aguerridos, ciosos da sua terra, protectores dos seus símbolos mas ainda assim civilizados. Gente simples, é o que somos. 

E foi com esta gente simples que se fez este clube que é dos melhor organizados do planeta (se não sabe, por não ter termo de comparação anterior, acredite na minha palavra), "pobre" mas orgulhoso do seu passado glorioso que inclui conquistas maiores do que se imaginaria possível.

Esta gente é simples mas não é estúpida. É atenta e muito conhecedora de futebol. Pode pensar que estou a disparatar, que 99% dos adeptos não faz nenhuma ideia de como se treina uma equipa, de como se prepara um jogo ou de como gere um balneário. Pode pensar e com toda a razão! De facto, as pessoas que vão ao estádio ou assistem pela televisão ao seu Porto não sabem desses assuntos.

Mas o que essa gente sabe, tão bem como qualquer treinador, é avaliar o futebol que vê. Porque temos uma vida inteira de experiência a vê-lo. No meu caso, são já três décadas consecutivas a assistir religiosamente a todos os jogos do Porto. Milhares de jogos, milhares de jogadores e algumas dezenas de treinadores. Podemos não saber o que se passa no dia-a-dia nem como se chega lá, mas somos especialistas a avaliar o resultado final de todo o seu trabalho: os jogos.

E é por ter este conhecimento acumulado pela experiência que nós, os adeptos portistas, estamos profundamente desiludidos consigo. Magoados até. Porque após 18 meses no clube continua a dar sinais de ainda não ter percebido nada do que é o Porto! Nada. E seria tão fácil ter-nos a todos na sua rectaguarda, a defendê-lo incondicionalmente...

Evidentemente que o que todos queremos, mais do que tudo, é ganhar títulos e, em particular, ser campeões de Portugal. Mas acha que mesmo que o tivesse conseguido na época passada, estaríamos todos felizes consigo? Se acha, acha mal. Não estaríamos.

Porque aquilo que os jogadores fazem dentro de campo não nos representa, nem aos nossos valores. Não nos revemos em nenhuma das duas equipas que já orientou. E porquê? Porque saímos da grande maioria dos jogos com a sensação de que aqueles onze, doze, treze ou catorze jogadores não deram tudo o que tinham, não fizeram tudo o que podiam, não jogaram tudo o que sabem. E não é num jogo ou noutro, é em (quase) todos! 

E na nossa cabeça de especialistas a ver o Porto jogar, o principal culpado é o senhor. Pela insistência nessa forma de jogar inócua, obcecada com a segurança e a posse, pela inconsistência que revela, pela descrença que notoriamente causa nos jogadores, pela incapacidade de apresentar uma equipa que valha mais do que a soma dos seus jogadores e não menos.

Eu percebo e respeito que tenha convicções fortes sobre a forma como entende o futebol. Possivelmente, se um dia conseguir chegar a um Barcelona ou Bayern, terá à disposição os jogadores de excepção de que necessita para que o seu modelo funcione. E todos nós aplaudiremos com orgulho, dizendo que Lopetegui já foi nosso treinador. 

Mas, se quer ter alguma hipótese de lá chegar um dia, tem que começar já hoje a demonstrar que merece essa oportunidade. E na minha opinião, só o conseguirá se tiver a humildade e a inteligência de olhar à sua volta e perceber o contexto em que se insere. O que é o Porto, que jogadores tem à disposição, que adversários vai encontrar pelo campeonato fora e como actuam os treinadores dos nossos rivais que consigo disputam os títulos. E uma vez feita essa análise, adaptar-se! Abdicar das suas ideias teóricas em detrimento da realidade e pondo a equipa a jogar de acordo com ela.

Outra coisa, imagino que um dos primeiros avisos que o presidente e o seu amigo Antero lhe fizeram foi que teria de ter pulso para dominar o balneário. Ser autoritário e fazer-se respeitar. Por oposição ao que tinha acontecido com o seu antecessor, está a ver?

Mas a autoridade não se impõe, conquista-se. Mostrando um caminho em que os outros acreditem o suficiente para o seguir sem restrições. Naturalmente não pode permitir que algum dos seus subordinados lhe falte ao respeito sem consequências, mas acredite, nenhum castigo é suficientemente regenerador se não for acompanhado de uma esperança.

Quando um jogador lhe diz, com maior ou menor exaltação, que não está de acordo com o que propôs que a equipa fizesse, resista a seguir a via mais simples do castigo e exclusão. Pelo contrário, tenha a humildade de saber por que motivos estão em desacordo. E pense sobre isso. Pode ser que lhes reconheça alguma razão. Ou não. Mas pelo menos demonstra que é um líder sem medo, que confia no seu plano mas está sempre disposto a ouvir o que lhe dizem os que, em última análise, farão de si um vencedor ou um derrotado.

Dirijo-me a si neste preciso momento porque acredito ser o ideal para dar início a um novo tempo. Este mês de janeiro teremos tantos jogos que quase tudo poderá ficar decidido, se falharmos em alguns dos compromissos. Não terá logicamente tempo para treinar nada de diferente, mas também não me parece necessário. É só a atitude que tem que mudar. A sua, para começar. Libertar os jogadores desse colete de forças que os impede de se expressarem como sabem. Dar-lhes confiança, respeitando-os e garantindo-lhes que estará com eles até ao fim. Sendo o último a sair de campo quando as coisas não correrem bem. Reconhecendo as suas falhas quando acontecerem.

Neste momento, o seu futuro no Porto está traçado. Acredite, está mesmo. Bateu no fundo. Está no nível mais baixo em que algum treinador pode estar. Ainda assim, sobram-lhe dois caminhos distintos:

a) Continuar como até aqui, que terá como consequência não ser campeão, talvez até nem segundo, e possivelmente nem a Taça ganhar. Sair do clube pela porta do cão, enxovalhado, como persona non grata, algo que terá eco no seu país e lhe condicionará o acesso a um clube de menor expressão, sem Champions, sem possibilidade de lutar por títulos. E recomeçar quase do zero, a ver no que dá.

ou

b) Engolir esse seu orgulho tonto, ouvir quem o pode ajudar, quem conhece o futebol português, Jorge Jesus e Vitor Pereira e mudar por completo a filosofia por que a equipa se rege, devolvendo-lhe a alegria, a raça, a vontade de correr mais do que qualquer adversário. Dê-lhes confiança e um bom plano e vai ver que os jogadores se vão unir à sua volta e dar-lhe o dobro. O triplo. O que quiser. E assim talvez consiga mesmo ser campeão pelo FC Porto. E mesmo não o conseguindo, recuperar parte do respeito que hoje os portistas já não têm por si.

Sim, é possível. Somos especialistas em avaliar o futebol que jogamos, lembra-se? Se começarmos a sentir, jogo após jogo, que há uma nova forma de encarar o jogo, uma nova atitude; se começarmos a sair do estádio com a sensação de que os jogadores fizeram tudo o que estava ao seu alcance, então possivelmente voltaremos, aos poucos, uns atrás dos outros, a apoiá-lo e a defendê-lo dos nossos "inimigos". Não prometo, mas é possível. E assim sair do Porto como campeão, pela porta dos vencedores, sem receio de olhar de frente qualquer um de nós e dizer "eu consegui, respeitem-me". E, quem sabe, ter acesso a um clube com aspirações ainda maiores do que as nossas.

Já vai longa a exposição e eu só lhe pedi um momentito. Enganei-o mas não foi por mal. Termino pois com uma última chamada de atenção e um voto de confiança.

Começando pelo pior, "Oporto" é "o raio que o parta". Percebo que nos seus países (o basco e o espanhol) estejam habituados a dizê-lo assim, mas após 18 meses por cá fica-lhe muito mal continuar a repetir o erro. O senhor treina o FC Porto (ou Porto, se preferir), que é o emblema maior da cidade que lhe dá o nome, a cidade do Porto. É também nestes pormenores que se cria (ou não) empatia com as pessoas.

Seja generoso com as gentes portistas e vai ver que receberá de volta muito mais do que algum dia imaginou. Reinvente-se ou, se preferir, deixe de querer inventar o que já foi inventado. Simplifique. Mas seja rápido a fazê-lo, porque os jogos sucedem-se a um ritmo infernal e não há comunicado que segure uma claque após novo desaire.

Se achar que lhe posso ser útil, estou à disposição para lhe explicar com mais detalhe o que é ser do Porto, enquanto saboreamos um marmitako bem regado por um bom txacoli. Paga o señor, naturalmente.

Um abraço portista,

Lápis e Azul e Branco


Do Porto com Amor
      



Señor Lopetegui, un momentito porfa (castellano)


Versão portuguesa aqui.



Señor Lopetegui

Por una vez, me dirijo directamente a usted. Para ayudarle a ayudarnos. Sin duda ha recibido decenas de apelaciones en los últimos días, pero todavía debo insistir en pedirle un momentito. Prometo que no lo dará por perdido.

Empiezo con una pregunta: ¿Qué está haciendo usted aquí en FC Porto? ¿Por qué ha venido acá?

Apuesto que para tener éxito. Para ganar. Para ser reconocido como un buen entrenador, ser apreciado por el pueblo y, como consecuencia, se calificar para vuelos más altos en otras partes.

Suponiendo que las respuestas son correctas, le diré esto: ¡está fracasando miserablemente!

Sé que vino de otra realidad, donde Portugal, los portugueses y sus clubes son vistos como hijos de un dios menor. Sé que es así, no se avergüence por eso. Las cosas son como son. Sin embargo, después de un año y medio en FC Porto, seguramente usted ha notado que los portuenses son más parecidos a los bascos que suponía. Ferozmente celoso de su tierra, protectores de sus símbolos pero todavía civilizados. Gente sencilla, que es lo que somos.

Y fue con esta gente sencilla que hice este Club, uno de los mejores organizados del planeta (si no lo sabía, por no tener comparación anterior, tome mi palabra para ella), "pobres” pero orgullosos de su glorioso pasado que incluye logros más grandes que uno imagino posible.

Esta gente es sencilla pero no estúpida. Es atenta y muy conocedora de fútbol. Usted puede pensar estoy diciendo tonterías, que el 99% de las personas no tienen ni idea de cómo entrenar un equipo, cómo preparar un juego o como gestionar un vestuario. ¡Usted puede pensarlo y con toda la razón! De hecho, la gente que va en el estadio o lo ve en televisión a su Porto no sabe de estos asuntos.

Pero lo que esa gente sabe, tan bien como cualquier entrenador, es evaluar el fútbol que ve. Porque tenemos una vida de experiencia a verlo. En mi caso, son ya tres décadas consecutivas a ver religiosamente cada partido de Porto. Miles de partidos, miles de jugadores y algunas docenas de entrenadores. No podemos saber lo que está pasando en la vida cotidiana o cómo llegar al resultado, pero somos expertos para evaluar ese mismo resultado final de todo su trabajo: los partidos.

Y es por tener este conocimiento, acumulado por la experiencia que nosotros, los adeptos portistas, somos profundamente decepcionados con usted. Nos duele. Porque después de 18 meses en el Club usted sigue dando muestras de no haber comprendido nada de que es el Porto. Nada. Y sería tan fácil tenernos a todos “en su espalda”, a defenderlo incondicionalmente…

Por supuesto, lo que todos queremos, más que nada, es ganar títulos y, en particular, ser campeones de Portugal. ¿Pero cree que si lo había logrado la temporada pasada, todos estaríamos contentos con usted? Si lo cree, se equivoca. No sería así. Por qué lo que los jugadores hacen en la cancha no nos representa, ni nuestros valores. No nos revemos en ningún de los dos equipos que usted he dirigido.

¿Por qué? Porque salimos de la gran mayoría de los partidos con la sensación de que esos once, doce, trece o catorce jugadores no dieron todo lo que tenían, no hicieron todo lo que pudieron, no jugaron todo lo que saben. Y no es un partido u otro, es en (casi) todos.

Y en nuestra mente de expertos a ver Porto jugar, el principal culpable es el señor. Por la insistencia en esa forma inocua de jugar, obsesionado con la seguridad y la posesión; por la inconsistencia que revela; por la incredulidad que notoriamente causa en los jugadores; por la incapacidad de presentar un equipo que vale más que la suma de sus jugadores y no menos.

Entiendo y respeto que tenga convicciones firmes acerca de cómo entender el fútbol. Posiblemente, si un día pueda conseguir entrenar a un Barcelona o un Bayern, tendrá a su disposición los jugadores de excepción que necesita para que su modelo funcione. Y nosotros aplaudiremos con orgullo, diciendo que Lopetegui ha sido nuestro entrenador.

Sin embargo, si usted quiere tener la oportunidad de ahí llegar un día, tiene que empezar hoy a demostrar que merece esa oportunidad. Y en mi opinión, solamente podrá hacerlo teniendo la humildad y la inteligencia para mirar alrededor y darse cuenta del contexto en el que opera. Qué es el Porto, que jugadores tiene disponible, que opositores encontrará en el campeonato y cómo piensan los entrenadores de nuestros rivales que compiten con nosotros por los títulos. ¡Y una vez terminada esa análisis, adaptar-se! Abdicar de sus ideas teóricas en detrimento de la realidad y poner el equipo para jugar según ella.

Otra cosa, me imagino que una de las primeras advertencias que el Presidente y su amigo Antero le hicieron fue que tendría que asumir el control el vestuario. Autoridad y respeto. En contraste con lo ocurrido con su predecesor ¿comprende? Pero la autoridad no se impone, se conquista. Mostrando un camino en que los otros creen lo suficiente para seguirlo sin restricciones. Por supuesto usted no puede permitir que cualquiera de sus subordinados le falten al respeto sin consecuencias, pero créeme, ningún castigo es suficiente regenerador si no acompañado de una esperanza.

Cuando un jugador le dice, con mayor o menor exaltación, que no está de acuerdo con lo que usted propone como plano de juego al equipo, debe resistir a seguir la vía más fácil del castigo y de la exclusión. En contrario, debe tener la humildad de querer saber por qué razones están en desacuerdo. Y pensar en ellas. Puede ser que le reconozca alguna razón. O no. Pero al menos demuestra que es un líder sin miedo, que confías en su plan pero está siempre dispuesto a escuchar lo que dicen aquellos que, en última instancia, te harán un ganador o un perdedor.

Me dirijo a usted en este preciso momento porque creo que es ideal para iniciar una nueva era. Este mes de enero vamos a tener tantos partidos que casi todo se puede decidir, si fallamos en algunos de ellos. Lógicamente no habrá tiempo para entrenar algo diferente, pero también no parece necesario. Es simplemente la actitud que tiene que cambiar. La suya, para comenzar. Libertar los jugadores de esa camisa de fuerza que les impide expresarse como ellos saben. Darles confianza, respetando les y garantizándoles que estará con ellos hasta el final. Siendo el último a abandonar el campo cuando las cosas no van bien. Reconocer sus faltas cuando suceden.

En este momento, su futuro en Porto está determinado. Créame que lo está. Usted ha tocado el fondo. Está en el nivel más bajo en que puede estar un entrenador de nuestro club. Sin embargo, le quedan dos caminos totalmente distintos: 

a) Continuar como hasta aquí, y seguro que no será campeón, incluso ni segundo y posiblemente ni la Copa ganará. Dejar el Club por “la puerta de atrás”, martillado, como persona no grata, algo que tenderá eco en su país e le condicionará el futuro, que pasará tal vez por un club de menor expresión, sin Champions e sin posibilidad de luchar por títulos. Y empezar casi desde cero, a ver dónde va.

O 

b) Tragar su orgullo tonto, escuchar a quien le puede ayudar, quien conoce el fútbol portugués, a Jorge Jesús y a Vítor Pereira y cambiar completamente la filosofía por que el equipo si mueve, devolver la alegría, la raza, la voluntad de correr más que cualquier oponente. Darles confianza y un buen plan y verá que los jugadores se unirán alrededor de usted y le darán el doble. El triple. Lo que quiera. Y así quizás pueda quedarse campeón con el FC Porto. Y aún que no se quede campeón, recuperar parte del respeto que los portistas ahora mismo no tienen por usted.

Sí, es posible. Somos expertos en la evaluación del fútbol que jugamos ¿se recuerda? Si empezamos a sentir, partido tras partido, que hay una nueva forma de mirar el juego, una nueva actitud; si empezamos a salir del estadio con la sensación de que los jugadores hicieron todo lo que estaba en su poder, entonces tal vez, poco a poco, uno tras otro, nos tendrá para apoyarlo y defenderlo de nuestros "enemigos". No prometo, pero es posible. Y así salir de Porto como campeón, por la puerta de los ganadores, sin temor de mirarse delante de nosotros y decir "Yo lo logré, me respeten". Y, quién sabe, tener acceso a un club con aún más aspiraciones que el nuestro.

Ha sido larga la exposición y sólo le pedí un momentito. Lo engañé, pero no fue intencional. Termino con una advertencia final y un voto de confianza.

Empezando por lo peor, "Oporto" es "o raio que o parta". Me doy cuenta de que en sus dos países (Euskadi y España) es costumbre decirlo de esa manera, pero después de 18 meses le queda muy mal seguir repitiendo el error. El señor entrena a FC Porto (o Porto, si se quiere), que es el más grande emblema de la ciudad que le da el nombre, la ciudad de Porto. Es también en estos detalles que creas (o no) la empatía con la gente.

Sea generoso con las gentes portistas y verá que obtendrá de vuelta mucho más de lo que alguna vez ha imaginado. Re-invéntese o, si lo prefiere, deje de querer inventar lo que ya está inventado. Simplifique. Pero rápido, porque los partidos ahora se suceden a un ritmo infernal y no hay ninguna declaración que sostenga una peña ultra después de un nuevo debacle.

Si cree que le pueda ser útil, estoy disponible para explicar más detalladamente lo que es “ser do Porto”, mientras disfrutamos de un marmitako bien regado por un buen txacoli. Pagará el señor, por supuesto. Y lo siento por el malo castellano, pero creo que no será peor que su portugués.

Un sincero abrazo portista,

Lápis e Azul e Branco 


Do Porto com Amor


Toque a reunir


Aproveitando este curto espaço entre jogos, aqui fica uma igualmente curta reflexão sobre o estado da nação portista e dos seus "queridos inimigos".


O Porto somos todos nós! - Bruno Sousa


Começo já pelo final, o comunicado dos Super Dragões. Gostei de ler e concordo com a substância do que é dito. No fundo, é mais ou menos aquilo que tenho defendido - manter Lopetegui até final da época e não assobiar durante os jogos - ainda que com muito mais palavras a adornar. Dou obviamente de barato os exageros e incongruências que contém pelo meio e prefiro focar-me numa das frases, para mim lapidar (salvo seja):

"O Futebol Clube do Porto tem que ser maior que tudo isso, tem que ser superior a todo o resto."

Pois tem. É isso mesmo. Mas maior do que todos, mesmo todos, super dragões e dirigentes incluídos. É bom que nunca se esqueçam disso, se ou quando tiverem por obrigação confrontar quem escolhe mal os treinadores ou contrata jogadores sem nexo, mesmo que isso lhes custe abdicar das mordomias de que hoje beneficiam.


Nota: o debate sobre a relação clube/claques terá que ficar para outra altura, mas aproveito para levantar a ponta do véu sobre o meu pensamento. Não tenho nada contra o facto de que os ultras beneficiem de condições especiais, diferentes dos sócios ordinários, pelo apoio único que dão às diversas equipas das diferentes modalidades. Aliás, sou até favorável porque me parece da mais elementar justiça. No entanto, traço uma linha limite bem vincada: a relação entre os membros da claque e os dirigentes deve mover-se exclusivamente com o objectivo de maximizar o apoio ao clube. Qualquer tipo de benefício pessoal (para qualquer uma das partes), que em nada beneficie o clube, é totalmente inaceitável. Quem apoia o clube, deve fazê-lo incondicionalmente e sem esperar receber nada em troca que não seja festejar nos Aliados. Mais do que isso, já não é apoiar, é aproveitar-se de um clube que não é (apenas) seu, mas de todos os sócios. 


Regressando ao tema principal, acrescento que para mim esta é uma jogada bem concertada entre SD e direção, mas de onde só sai realmente bem a claque. O silêncio ensurdecedor de Pinto da Costa - que mal chegou à liderança se desdobrou em entrevistas - e/ou de qualquer outro membro da administração faz-se ouvir bem mais alto do que os Super a gritar slbbbbbbbbb... 

Fico contente que tenham sabido sensibilizar o núcleo duro da claque, recuperando-os para o lado bom da Força, mas só isso não chega. Quero ouvir o presidente a reconhecer que nem tudo está a correr conforme planeado, mas que mantém total confiança no treinador para liderar a equipa rumo à conquista do campeonato. E que o plantel tem espaço para ser melhorado neste mercado de inverno. É por demais evidente a falta de um central de categoria indiscutível e de um avançado, para colmatar a saída de Osvaldo. Já nem insisto num Óliver, porque não será fácil encontrar um e tenho visto muito talento a despontar na equipa B.

Janeiro vai ser absolutamente decisivo para nos mantermos firmemente na corrida ao título. Nunca o vamos ganhar neste mês, mas facilmente podemos perdê-lo. E temos a Taça em jogo também. Por isto, fico genuinamente satisfeito com esta atitude reconciliadora dos SD. Da minha parte, continuarei como sempre a apoiar nos jogos e a analisar sem mordaças aqui no blogue. Assobiar nem sei. EU ACREDITO. 

Mas se continuar a haver quem não acredite e se pretenda exprimir assobiando ou exibindo lenços brancos, que NINGUÉM ouse tentar silenciá-los. É um direito que lhes assiste. Tal como de serem criticados por isso, mas nunca impedidos de o fazer.


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Quem também parece acreditar muito na incompetência de Lopetegui é a trupe de Bruno de Carvalho, que nos últimos dias se têm desdobrado em cândidas afirmações de apoio e reconhecimento de enormes capacidades ao nosso treinador, todos sincronizados como macaquinhos amestrados ao som do realejo. Nem sei se hei-de rir ou chorar. Será mesmo possível que esta cambada de perdedores profissionais (no que ao futebol diz respeito, obviamente) acredite que nos pode influenciar a manter Lopetegui se não for esse o "nosso" desejo? Que de alguma forma conseguem condicionar qualquer decisão de Pinto da Costa?

- Respeitável público, mininos e mininas, eis o momento por que todos esperavam. O vosso forte aplauso para os PALHAÇOS!

Já não bastava o enchido regional Pedro Guerra? Ridículo.


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E lá segue o SLB, discreto e aflito, devidamente amparado pelos mesmos do costume. Estamos atentos. Pelo menos o Sporting está. Mesmo tendo ganho àquele que teoricamente será o seu maior rival na luta pelo título, não perdeu tempo a disparar para a outra banda da segunda circular. Muito justamente, diga-se. E da nossa parte, haverá quem se digne a dizer alguma coisa?



Do Porto com Amor


domingo, 3 de janeiro de 2016

Impotentes...


...Para recuperar da felicidade alheia. Para sobreviver à Macron. Para demonstrar que somos melhores.



Erros nossos, Má fortuna, Macron ardente.


Assim se explica e resume a derrota de hoje. Vamos por partes. 


Erros nossos

Falha de marcação inadmissível no primeiro golo. Segunda parte absolutamente abaixo do mínimo exigível a um líder do campeonato que se encontra em desvantagem no marcador. Não conseguimos. Houve empenho e vontade, mas não havia um bom plano para chegar ao golo. Demasiado inconsequentes e ingénuos, uma combinação fatal face a um adversário rafeiro, agora versado no jogo sujo da luta de rua, nos antípodas da nobreza de carácter (falida) de que a nação calimera tanto se orgulha(va). Goste-se ou não, Jorge Jesus dá sempre isto às suas equipas: a capacidade de jogar no limite e para além das regras do jogo. Faltas sujas, paragens cirúrgicas, provocações contínuas e jogo rasteiro. Tudo predicados do mestre da táctica. E com Capelas e Migueis Macrons, passa tudo.


Má fortuna

Num jogo em que entrámos razoavelmente bem, sofremos um golo vindo do nada (ou melhor, vindo de um erro defensivo primário) e não tivemos a sorte nem o engenho para concretizar por duas vezes isolados frente à Patrício (o da churrasqueira do campo grande). Num outro dia qualquer, poderíamos ter chegado ao intervalo a vencer. E tudo poderia ser diferente.


Macron ardente

 - Minuto 5, penálti claro por marcar a nosso favor;
 - Fora de jogo a Corona na linha de offside, quando o mexicano se isolava na cara do Patrício dos Frangos;
 - Vários amarelos evidentes por mostrar a Naldo, Slimani (duas vezes) e Adrien, só para mencionar os mais descarados;

Tudo isto na primeira parte. Suficiente para determinar o resultado final? Será sempre especulativo dizer que sim ou que não, mas o que é factual é que beneficiou largamente a equipa cujos equipamentos são da marca de que Hugo Miguel é vendedor. Sem extrapolações, apenas factos. A certa altura, o campo de Alvalade parecia a rampa da Falperra.


É golo! Ai não, não foi...


Notas DPcA:
 


Casillas (6): Sem culpa alguma nos golos, procurou repor rápido a bola em jogo e incentivar os companheiros. Nada a ver com ele este desaire. 

Maxi (5): Tentou remar contra a corrente, socorrendo-se da sua raça. Mas quase nunca o conseguiu, até porque a sabujice de JJ lhe dedicou especial atenção. 

Layún (5): Hoje não conseguiu ser eficiente nas várias bolas paradas de que dispôs, pelo que não se evidenciou. Foi cumprindo defensivamente, mas precisávamos de mais. 

Maicon (4): É fraco. E pouco esperto (para ser diplomático). Não tem qualidade para ser titular. Ponto. 

Martins Indi (5): Parece-me ter sido o segundo maior culpado no primeiro golo sofrido (o maior é aquele ridículo sistema de marcação, que já contra o Marítimo nos tinha custado muito caro). No resto do jogo, esteve quase sempre bem a anular as investidas sabujas de Slimani & Ca. [adenda] Foi igualmente facilitador do segundo golo, ao ficar para trás e quebrar a linha de offside, e assim acabou por colocar o argelino em jogo. 

Danilo (6): Foi para mim o melhor do Porto. Quase sempre bem na sua missão defensiva e muito voluntarioso e capaz a empurrar a equipa para a frente, através de transportes de bola "à Imbula". 

<-54' Rúben Neves (4): Provavelmente, o seu pior jogo de dragão ao peito. Muito impreciso no passe e com dificuldade em entender as movimentações ofensivas do adversário. Há dias assim, foi pena ter sido logo hoje. 

<-80' Herrera (5): A minha surpresa no onze, mas que ainda assim começou em bom estilo e fez uma primeira parte positiva. No regresso, voltou infeliz como quase todos e saiu com naturalidade. 

Corona (6): Não foi constante, mas nos melhores períodos foi dos que mais por ficou. Teve uma meia-oportunidade que desperdiçou com uma finta imprecisa. Continua a ser dos melhores a morar no Dragão. 

Brahimi (6): Foi sempre o mais inconformado, chegando ao ponto de ir junto dos centrais pegar no jogo, mas a realidade é que não conseguiu nunca ser decisivo, nem a assistir, nem a marcar. Faltou-lhe sempre o último. 

<-71' Aboubakar (4): Bem sei que a vida de ponta-de-lança é feita isto, mas confesso que se me esgota a paciência. Mais duas perdidas, a segunda escandalosa, a penalizar em demasia as probabilidades de sair deste jogo com um resultado não negativo. 

->54' André André (4): Está fora de forma e nem sequer conseguiu encaixar no jogo colectivo. Não sei se por debilidade física ou desconfiança técnica, mas o facto é que não deu à equipa o que ela precisava. Uma pequena desilusão. 

->71' André Silva (4): Não tem culpa nenhuma de ter sido lançado às feras sem um plano de caça, mas também não conseguiu construir nenhum de sua autoria. Passou pelo jogo sem deixar marca. Insisto, deixem-no sossegado a crescer na equipa B... 

->80' Tello (4): Entrou numa altura em que a equipa já estava de cabeça perdida e não conseguiu acrescentar nada de relevante. 




Lopetegui (4): Escolheu um onze que me agradou, excepto pela opção de relegar André para o banco. Mesmo assim, gostei do onze inicial. A primeira parte foi interessante e nenhum treinador tem culpa de que o seu avançado falhe duas vezes em frente ao GR adversário. Por isso mesmo, durante o intervalo reflectia que mantendo a mesma atitude competitiva, teríamos boas hipóteses de pelo menos empatar. Infelizmente, a segunda parte desmentiu por inteiro a minha reflexão. Pareceu-me acertada a saída de Rúben e normal a de Herrera. Já tirar Abou do jogo para confiar o centro do ataque a um miúdo com apenas um jogo na primeira equipa, pareceu-me duplamente errado: pela falta de estofo de André Silva e pela necessidade imperiosa de marcar para não perder. A única solução, nesse momento e fazendo questão de meter André Silva no jogo, seria fazer coabitar ambos na equipa. Eu teria optado por Tello ou Varela naquele momento e guardado o avançado para ultima substituição (a do tudo ou nada). Mas para além das substituições, o que ressalta da segunda parte é a enorme impotência do Porto para conseguir chegar ao golo. Tive quase sempre a sensação de que seria o Sporting a fazer o 2-0 em vez do nosso 1-1. E isso diz quase tudo. Mais um enorme falhanço de Lopetegui, mesmo que ponderado pelas outras condicionantes já referidas. 



Outros intervenientes: 


Impossível não relevar Slimani como o melhor em campo, pelos dois golos e pela capacidade de dar lenha a torto e a direito e não ser expulso. E claro, mesmo apesar de todas as ajudas ilícitas e jogo sujo, devo reconhecer que o Sporting foi globalmente melhor. Empurrado, mas soube aproveitar. O que não é de somenos...

E claro, o segundo homem do jogo, o bom do Hugo Miguel, que em apenas 45 minutos fez o suficiente para nos afundar. Grande exibição, grande experiência de team building, go Team Macron!


A humildade de Brahimi, curvado perante um artista maior



E pronto, aguentamos a liderança durante uma mísera jornada. Este Sporting é uma equipinha mediana, orientada para o jogo sujo e abençoada pela conivência dos árbitros. Hoje bastou uma parte Macron para nos pôr fora de combate, tal é a nossa incapacidade de recuperar e ultrapassar as adversidades.

Curiosamente, continuamos a depender apenas da nossa competência para sermos campeões. E ainda nem a meio estamos. Isto para dizer que ainda há muito para jogar e tudo para decidir. O problema não vem daí. O problema vem da impotência que vamos revelando, jogo após jogo, para nos afirmarmos como a melhor equipa de Portugal. Jogadores para isso não faltam...

Não vou voltar ao tema Lopetegui porque não mudo de opinião ao sabor do vento. Mas devo reconhecer que neste momento tenho dúvidas de que o técnico ainda o seja no final de Janeiro. É que ainda iremos disputar oito jogos antes de Fevereiro chegar. Oito. É muita chicha para tão pouca dentadura. E até JJ já faz campanha para ele ficar... Mas repito: a avaliação faz-se no fim da época. Até lá, tudo será prematuro.

P.S. - faz-me confusão a quantidade de comentários que pululam pelas redes sociais e afins apelando ao portismo e questionando a dificuldade em apoiar, ter orgulho ou mesmo em ser portista quando se perde "assim". Ou é demasiada confusão de conceitos ou é simples inexperiência. Há que distinguir treinadores, equipas e dirigentes do clube, meus amigos! Jamais se pode questionar o amor ao clube, é absurdo e indiscutível. Os que por ele passam, podem e devem ser questionados, "enxotados" se for esse o caso, mas perder ou ganhar nada tem a ver com ser portista. Ser portista é ser. Sem "ses" nem "mas". Cresçam ou calem-se, por favor.



Do Porto com Amor



P.P.S. - só agora vi com atenção os lances "polémicos" (entre aspas, porque de polémicos não têm nada, são cristalinos como a água impoluta) do Vitória-SLB e obviamente que não poderia deixar passar em claro mais um terrífica jornada do #colinho que tão bons frutos deu na(s) época(s) passada(s). Nos 75 minutos que vi em directo já me tinha apercebido da obscena dualidade de critérios nas faltas e faltinhas, daquelas que empurram uma equipa e travam a outra, mas as três grandes penalidades contra o Benfica que confirmei no resumo atingem já níveis capelescos de patrocínio ilícito. Contando com o jogo da Taça da Liga, já são dois seguidos. Cuidado que eles não andam a dormir, só andam a fazer de conta...



sábado, 2 de janeiro de 2016

Hoje joga o Porto! (vs Sporting)


Aí está o primeiro jogo de 2016, um que promete marcar o ritmo para os tempos mais próximos.

Bruno Sousa

Chegou o momento.

Por muito que se apregoe aos sete ventos que se faz isto e aquilo, agora é o momento da verdade. Walk the talk. Agora, de nada valem as promessas de peito feito que se vêm fazendo desde o início da temporada, garantindo estar-se no caminho certo rumo à glória.

Agora é o momento de se apurar dentro do campo quem realmente tem, nesta fase da época, melhores condições de ser campeão. E o cenário é mesmo o ideal para o demonstrar. Porquê? Passo a explicar.

De um lado, temos o Sporting. Atrás na classificação mas beneficiando da vantagem de jogar em casa, que acrescenta sempre alguma coisa em termos anímicos. E da possibilidade de recuperar a liderança, que acrescenta ainda mais.

Do outro, o invicto líder Porto. Mesmo atravessando um período pouco pacífico a nível interno, chega a Alvalade na frente e por conseguinte, "disponível" para saber viver com um eventual empate.

Ambas as equipas tem a liderança ao seu alcance, o que equivale a dizer que dependem apenas daquilo que conseguirem (ou não) fazer, de amanhã até ao fim do campeonato.

Temos portanto, em teoria, todas as condições reunidas para que se assista a um intenso e vibrante duelo entre primeiro e segundo. Quem tiver as maiores unhas, tocará certamente a música que mais lhe convém.

Com a derrota caseira frente ao Marítimo ainda no retrovisor, teremos uma pressão adicional para não falhar. Por muito que Lopetegui queira separar as águas (leia-se competições), os jogadores sabem perfeitamente que o seu treinador vive num limbo que não beneficia ninguém no clube e, como tal, sairá sempre da sua atitude o factor mais determinante do comportamento que a equipa virá a evidenciar nesta partida.

O adversário vai querer mostrar a toda a gente e a si próprio que é de facto um sério candidato, assegurando uma saborosa vitória caseira. Vão entrar determinados e cheios de ganas, ainda que "temperados" pela prudência essencial a qualquer candidato que se preze. Algo que Jesus aprendeu a expensas próprias e por sinal muito dolorosas, quer para si, quer para o seu anterior clube.

A nós, cabe-nos ter a coragem de abordar o encontro sem receio de o perder. Jogar para fazer golos e ganhar. Avaliando o adversário em cada momento mas sem nos encolhermos ao sabor das suas variações de humor. Nem é preciso mandar no jogo, basta assumir uma identidade e não se submeter. Ter coragem de fazer aquilo que se treina diariamente.

E para o conseguir, nada como pôr em campo os onze melhores logo de início:


Estou razoavelmente confiante na possibilidade de sairmos do covil dos leões com quatro pontos de vantagem. E nem será preciso estarmos magníficos no jogo, apenas focados e determinados. Se assim for, creio com venceremos. Com ou apesar de Lopetegui. Com ou apesar de Hugo "agente Macron que equipa o Sporting" Miguel. Estou confiante.


Vamos a eles Porto! Até os comemos carago!



Do Porto com Amor