Falhanço total. Não há outra forma de abordar estes noventa minutos de Guimarães.
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| "Isto é só um pesadelo, estou a sonhar acordado. Daqui a nada vou tirar as mãos e..." |
Aos 15 segundos de jogo surgiu a primeira jogada de perigo... para o Vitória. Estava escrito nas estrelas o fado que o destino nos tinha reservado?
De maneira alguma! Fado é bom e eu gosto, mas tocado e cantado. O resto... são cantigas.
O problema não é o destino mas o que temos feito com ele. Esta equipa não acredita em nada. É como o elefante de circo, que após muitos anos de vergastadas e cativeiro, já não necessita estar preso, porque já não acredita em nada diferente. Mesmo removendo os grilhões que durante muito tempo lhe prenderam as patas, ele não foge. Está preso àquele passado a que se habituou e dele já não consegue escapar.
(Aproveito a metáfora para apelar ao fim dos animais de circo em Portugal. Todos eles.)
Esta equipa é neste momento um velho elefante de circo, demasiado presa aos costumes da era lopeteguiana. O basco foi-se, mas o espartilho das suas ideias continua por cá. Este jogo foi todo ele uma desesperante caminhada rumo ao cadafalso, de princípio ao fim. Não posso acusar os jogadores de falta de esforço ou até atitude. Posso sim, afirmar sem receio que nenhum deles esteve à altura de ser um jogador do Porto. Porque nenhum teve a presença, a coragem e o discernimento para assumir as responsabilidades, gritar bem alto com os companheiros dizendo-lhes "Estamos livres! Vamos jogar futebol e ganhar esta merda!". Nem um. Todos se resignaram à falta de ideias, à falta de soluções tácticas, à falta de crença de que poderiam mesmo marcar golos. Que poderiam e que iam marcar, desse por onde desse! Vive-se um sentimento de orfandade tal na equipa que se nos parte o coração. De desespero.
Não me apetece analisar muito em detalhe o jogo porque acredito que nenhum de nós se importe muito com isso. Já passou. Apenas quero deixar escrito que assumimos todas as despesas do jogo, muito caudal ofensivo mas pouquíssimas oportunidades reais de marcar. Um tremendo desperdício de energia a fazer o cerco ofensivo, mas quase total incapacidade de entrar no castelo e salvar a princesa. Ah, e mais uma expulsão na equipa. Sintomático.
O que me interessa saber é quem e quando alguém da direção do meu clube vai parar de fazer de morto e dar a cara, explicando sem rodeios o que se passou com Lopetegui e o que pretendem fazer de imediato para estancar esta ferida aberta, que a cada dia que passa dá a sensação de sangrar mais. Pior do que este resultado, só mesmo não darem a cara no final. Lamentável, meus senhores.
Mesmo sem essas explicações, antecipo que este jogo foi o fim de linha para Rui Barros enquanto técnico principal, pelo que lhe quero agradecer por mais uma vez se ter sujeitado ao que acabou de acontecer, sem receio quanto ao seu próprio futuro no clube (ou tendo-o, fazendo de conta, ao colocar o pedido que lhe foi feito acima de si).
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| "FOD@-SE! É mesmo verdade..." |
Vamos rapidamente às notas DPcA:
Dia de jogo: 17/Jan/2016, 20h30, Estádio D. Afonso Henriques. Vitória SC - FC Porto (0-1).
Iker (1): Falhou por completo a sua missão. Foi ele quem pressionou o botão "eject" ainda o avião estava a levantar voo.
Maxi (6): Jogo de muito suor e foi dos mais esclarecidos em missões ofensivas. Merece ser salvo do naufrágio.
Layún (5): Mal, Miguel, muito mal. É o que dá criar expectativas tão elevadas... ter exibições em que nos levas a pensar que és sempre capaz de colocar a bola com açucar num dos teus colegas e de seguida abraçares-te a eles em festejo. Não és, mesmo descontando este Aboubakar.
Marcano (6): A imagem que me vem à cabeça sempre que penso nele é a dum pudim de gelatina. Abana por todo o lado ao mais pequeno sobressalto. Hoje até tentou ajudar a equipa a construir, quando nenhum dos médios parecia estar interessado em fazê-lo. Pena que a sua função principal não seja essa. Fica o esforço.
Martins Indi (6): Outro que se entregou ao jogo sem reservas mas não conseguiu ser realmente útil à equipa. Mas, lá está, garantiu serviços mínimos na sua função principal: defender.
Danilo (6): Foi o melhor do meio campo, sobretudo porque durou o jogo todo. Sem ser brilhante, foi importante nas recuperações que nos iam permitindo lançar uma vaga após a outra de tentativas de assalto.
<-86' André André (5): Foi dos melhores na primeira parte, mesmo sem ser exuberante. Mas o termo de comparação principal era Herrera e portanto, não lhe posso dar muito crédito por isso. O pior foi a segunda metade, em que se escondeu e não assumiu a pesada responsabilidade. Tens que assumir, André. Mesmo debilitado fisicamente, não te podes esconder. Já não estás em Guimarães...
<-72' Herrera (3): Enfim, lá voltou ele à sua normalidade de passes ridículos e más decisões. Tudo o que vai fazendo de bom acaba inevitavelmente por sucumbir a tanto disparate de amador. Alô Napoli?...
<-62' Corona (5): Lá tentar, tentou. Mas estava tão desinspirado que quase sempre fez mal. Precisamos de muito mais de ti, meu rapaz. Muito mais.
Brahimi (6): Mais um que merece um lugar no bote de salvamento. Fez muito ainda que com pouco acerto. Mas fez e merece ter esse crédito, sobretudo perante a impiedosa mediocridade que o rodeou.
Aboubakar (1): Desisto. Por agora, pelo menos. É neste momento uma autêntica nódoa negra, um bloqueador do jogo ofensivo da equipa. Não só não marca a dois metros da linha de golo como nega aos companheiros a possibilidade de o fazer. O primeiro amarelo é apenas mais um sintoma de uma cabeça avariada. O segundo pode até ter sido exagerado, mas pôs-se a jeito. Que bom que não vai poder jogar no próximo jogo.
->62' Varela (5): Não desgostei da sua entrada, mas infelizmente não foi o suficiente para ajudar a virar o rumo dos acontecimentos. Fica a intenção, Silvestre.
->72' André Silva (4): Mais uma vez chamado ao jogo em circunstâncias extremas. Deu umas corridas, uns tropeções na bola e já está. Insisto, estamos a atrasar o seu crescimento. Devolvam-no à equipa B!
->86' Sérgio Oliveira (-): Sem tempo para ser avaliado, mas suficiente para ainda ver o amarelo. Está tudo com os nervos à flor da pele...
Rui Barros (1): Uma despedida triste e inglória. Merecia melhor sorte e que os jogadores tivessem feito muito mais por isso. Certamente terá tido a sua quota-parte de culpa, mas seguramente é das mais reduzidas.
Nota: é evidente que todos os jogadores são capazes de muito mais do que isto. Todos, sem excepção. As notas reflectem, como não poderia deixar de ser, aquilo que fizeram hoje e não aquilo que sei que podem fazer. Isto para dizer que não será saudável começar agora a questionar o valor de toda a gente, nós sabemos que são bons jogadores (uns mais do que outros, é certo).
Outros intervenientes:
Parabéns ao Vitória que "das suas (muitas) fraquezas fez forças". Não os censuro minimamente por se terem começado a atirar para o chão desde o minuto 75, todos sentiram que estavam perto de fazer história para o seu clube e não quiseram desperdiçar a oportunidade. Conforme tinha referido na antevisão, têm alguns jogadores interessantes. Desde logo o seu jovem GR João Miguel, que parece ter demasiada qualidade para continuar em Guimarães para lá do verão. Tem pinta de craque. Ricardo Valente mostrou talento e os laterais merecem ser seguidos.
Quanto ao artista do apito Manuel Oliveira e seus muchachos, não tenho muito a comentar. Ficou claro desde cedo que não estavam lá para nos facilitar a vida, mas também não é essa a sua missão. Tenho uma dúvida imensa no golo, porque a incompetente/desonesta (riscar a que não interessa p.f.) realização da Sport TV não foi capaz de nos mostrar uma única repetição a partir da linha lateral. Nem uma. Não tem explicação nem se aceitam desculpas: incompetentes ou desonestos. Fora isso, pareceu-me desajustado o segundo cartão a Aboubakar. Não lhe descortinei um movimento suficientemente amplo do braço para que o árbitro pudesse considerar intencional.
Os próximos dias não serão fáceis.
Se não tiver um perfil insuspeito e um CV com provas dadas, o próximo treinador vai entrar já sob contestação e não lhe antevejo que lhe seja concedida grande margem de manobra pelo exigente Dragão. Ele sim, será uma perfeita vítima dos últimos falhanços desta direção, cujo futuro aliás parece ser cada vez mais curto.
Fico a aguardar ansiosamente a revelação do nome do nosso treinador (e até lá vou ignorar tudo o que me tem sido soprado, para não entrar em desespero), bem como da data das eleições do clube.
Do Porto com Amor