Li há pouco o sempre interessante e não raras vezes surpreendente Silva sobre a sua posição a propósito das eleições no FC Porto. O estimado tasqueiro de petiscos mas gourmand da escrita apoia inequivocamente Pinto da Costa - para azar da concorrência - mas deixa ainda assim um pedido ao presidente: gostava de conhecer o seu programa eleitoral.
![]() |
| Bruno Sousa |
Gostava o Silva, gostava eu e, suspeito, gostava uma imensa minoria de sócios e até não-sócios do clube. Quer dizer, faz sentido. Que quando alguém se candidata a alguma coisa, diga ao que vai.
Mesmo quando se tem atrás de si uma obra de três décadas. Porque, afinal, essa já está feita. Dava jeito saber o que se propõe fazer o presidente Pinto da Costa e a sua lista no quadriénio a que agora se candidatam.
Não me canso de apelar a todos os putativos candidatos que se apresentem, agora, a eleições. A maioria (esmagadora, desta vez) diz-me que sou louco, que ninguém se atreve, que há medo, que há estratégia, há timings, há tudo e um par de botas (com pitões afiados). Pois. Deve haver. Mas, louco eu seja, não desisto de apelar. Porque o faço apenas pelo clube.
Gostaria de poder analisar diferentes ideias, diferentes projectos para o FC Porto e depois optar por um. Sou louco, pois. Antes louco que um são resignado (não confundir com São Bernardo - o primeiro tende a usufruir de maior longevidade, mas o último é mais fofo).
Neste momento, não tenho nenhum projecto para analisar.
Aliás, aquilo de que todos falam e em que parecem estar unicamente interessados é na(s) pessoa(s). A do presidente, as dos seus alistados e as dos ausentes. Pois desculpem-me mas não me seduz particularmente discutir as pessoas em si mesmas. Prefiro discutir aquilo que dizem, que pensam e sobretudo neste caso, o que pretendem para o clube. Em concreto.
Perante esta aparentemente insanável lacuna, resta-me uma única saída: a de elaborar o meu pequeno rascunho de programa eleitoral. Pois que seja, vamos a isso.
Eu, Lápis, me apresento. Ou melhor, ao que iria. Eis o meu programa eleitoral para o mandato 2016-20.
Programa Eleitoral Do Porto com Amor
Grandes Linhas do Programa
1 - Devolver o clube aos sócios
a) Trabalhar em prol dos associados para que se possam voltar a sentir parte integrante e essencial do clube; no fundo, que o clube é deles, de todos eles.
b) Desenvolver campanhas temáticas de valorização dos sócios, desde produtos oficiais a serviços de parceiros. Ter gente profissional e competente a estudar e desenvolver as ofertas adequadas a valorizar o eterno amor que os portistas sentem pelo seu Porto.
c) Criar programas de visitas exclusivos ao Centro de Treino e ao Estádio para promover a proximidade entre jogadores e adeptos.
d) Promover a criação de associações de adeptos independentes e externas ao clube que tenham por objectivo contribuir activamente para o melhoramento da gestão do clube.
e) Garantir o acesso imediato de todos os operadores ao Porto Canal. Aproveitar este meio para melhorar substancialmente a comunicação regular como os sócios, não apenas unidireccional mas promovendo o debate e as tertúlias entre adeptos, jornalistas e dirigentes. Desenvolver no seio do canal conteúdos próprios sobre o clube que possam igualmente ser atractivos fora do âmbito do próprio canal, servindo como meio de promoção do clube.
f) Propor a alteração dos estatutos no sentido de limitar o número de mandatos consecutivos. Termos concretos dessa limitação a serem debatidos em Assembleia Geral após ouvidos os sócios.
bonus track: garantir que no período máximo de uma época desportiva todos os espectadores regulares do Dragão ficam a saber cantar o hino do clube (passando a letra nos ecrãs do estádio em simultâneo). Para que todo o estádio possa receber a equipa cantando emocionadamente e em uníssono. Parecendo que não, são estes pequenos pormenores que dão energia positiva aos jogadores. Mística.
2 - Recuperar a hegemonia desportiva em Portugal e o prestígio internacional
a) Retomar o caminho das vitórias no futebol profissional e nas modalidades, recuperando bons hábitos do passado e bons exemplos do presente, mesmo se provenientes de outras paragens. Num mandato de quatro anos, é fundamental assegurar a conquista de pelo menos dois títulos de campeão nacional em todas as modalidades, com inequívoca prioridade para o futebol profissional.
b) Neutralizar por todos os meios as competições viciadas ou enviesadas no favorecimento de um ou vários emblemas, sejam eles o Benfica ou o Carcavelinhos. Nunca para os substituir nesse favorecimento, apenas para o terminar em definitivo. Fazendo o que for necessário para o conseguir.
c) Desenvolver uma nova cultura em todos os atletas, funcionários e dirigentes do clube que retome alguns dos traços essenciais do nosso passado vitorioso: sacrifício, competência, crença, raça, dignidade e coragem em todos os momentos e contra todos os adversários e abnegação: colocar sempre o clube acima das pessoas. E liderar pelo exemplo.
3 - Promover a regeneração do futebol português e a sua elevação ao "próximo nível"
a) Recuperar o modus operandi utilizado pelo presidente Pinto da Costa nas lendárias batalhas travadas para combater e finalmente destruir o regime de domínio do Benfica das instâncias que regulam o futebol português, que subverte a competição livre e justa e a transforma num jogo viciado.
b) Uma vez atingido esse primeiro objectivo, procurar aliados com objectivos semelhantes para em conjunto fazer evoluir o futebol profissional para um produto atractivo e rentável. Para tal, é indispensável que possa ser percebido como uma competição justa, interessante e equilibrada, o que só poderá ser conseguido quando todos os dirigentes de todos os clubes entenderem essa necessidade e compreenderem as vantagens que daí advirão, transferindo grande parte das suas actuais competências e poderes para uma nova estrutura directiva da Liga que seja profissional e ultra-competente.
4 - Gestão rigorosa, equilibrada e transparente
a) Reverter o modelo actual de gestão do futebol profissional para
níveis mais sustentáveis, reduzindo a massa salarial e outros encargos
operacionais para que os resultados a este nível passem a ser
regularmente positivos e assim reduzir a dependência da venda de passes
de jogadores para equilibrar os exercícios.
b) Desalavancar a gestão financeira do clube através da menor exposição ao risco, seja ele meramente financeiro ou desportivo. Promover os contratos por objectivos para que o sucesso seja a medida justa do aumento dos custos com a massa salarial.
c) Retomar os bons hábitos de aproveitar o trabalho de uma estrutura de scouting própria e de eleição para adquirir jogadores pouco cotados mas com potencial de vingar no futebol profissional de alto nível, reduzindo assim o risco em caso de insucesso desportivo dos jogadores adquiridos.
d) Reduzir substancialmente o número de jogadores contratados ao serviço do clube, procurando que os jogadores emprestados não ultrapassem os 50% dos jogadores ao serviço das equipas do clube.
e) Explicar publicamente com detalhe e rigor todas as operações relevantes, eliminando à partida qualquer dúvida sobre possíveis actos de má gestão, favorecimento indevido ou injustificado ou dolo.
e) Explicar publicamente com detalhe e rigor todas as operações relevantes, eliminando à partida qualquer dúvida sobre possíveis actos de má gestão, favorecimento indevido ou injustificado ou dolo.
5 - Explorar novas possibilidades de negócio
a)
Estudar a viabilidade de desenvolver outros negócios de risco
reduzido e receitas estáveis cujos resultados positivos revertam para a
gestão desportiva do clube.
c) Estudar com profundidade as melhores práticas promovidas pelos clubes de todo o planeta, com especial incidência naqueles que apresentem características mais aproximadas às nossas.
6 - Ser de novo a bandeira maior de um combate incessante e decisivo ao centralismo
a) Denunciar sempre todo e qualquer acto que vise aumentar ainda mais a assimetria que existe entre a região onde sita a capital e o resto do país. Sensibilizar círculos de influência e decisão locais e nacionais para a importância e os benefícios de um país desenvolvido por igual em toda a sua geografia.
b) Promover o desenvolvimento da economia regional através de parcerias com os actores locais.
bonus track: imprimir a Cartilha DPCA em papel reciclado e distribui-la no início de cada período lectivo em todas as escolas e estabelecimentos de ensino superior (está bem assim, senhora??) da região.
7 - Modalidades: Futsal
a) Garantir viabilidade económico-financeira para iniciar a modalidade nos próximos dois anos com vista a tornar-se na maior potência nacional no prazo de cinco anos.
E pronto, está apresentado. É modesto mas de boa vontade. E evidentemente, não é assunto encerrado. Bem pelo contrário, pretende ser apenas um início, desesperado por mais e melhores contributos.
Resta-me apenas dizer que não sou candidato (são lágrimas isso que vejo?). Pelo que desde já me disponho para dar à adopção o meu pequeno programa. Desde que o tratem bem e façam dele um programa de eleição, claro está.
Resta-me apenas dizer que não sou candidato (são lágrimas isso que vejo?). Pelo que desde já me disponho para dar à adopção o meu pequeno programa. Desde que o tratem bem e façam dele um programa de eleição, claro está.
Do Porto com Amor









