terça-feira, 12 de abril de 2016

O Palermo do Baía e os Dragões de Guerrilha

 

 

Dragões de Guerrilha Diária



E finalmente, a 11 de Abril de 2016, o Dragões Diário (DD) deu um exemplo cabal daquilo que deveria justificar a sua existência. Informação q.b. sobre o quotidiano do clube, sim senhor, alguns salpicos de história - porque recordar é reviver - e depois, como prato forte, um ataque cerrado e objectivo a um dos nossos inimigos de estimação.




Os visados foram Paulo Fernandes e a sua Cofina (que aliás, estranhamente, apesar de todo o mal que nos têm tentado fazer ao longo dos anos, quase nunca deixaram de ser sistematicamente "poupados" pelos nossos dirigentes), por as suas dívidas fiscais alegadamente beneficiarem de um tratamento "especial" por parte do fisco. É assim mesmo! E agora, procurar mais detalhes e continuar a denunciar, revisitar o caso de tempos a tempos e registar a sua evolução. Quem tiver desistido da newsletter, pode lê-la aqui.

É evidente que não seria possível desenterrar um podre novo todos os dias, mas se for escavando um aqui, outro ali, e depois se esforçar por escavar ainda mais fundo em cada um deles, certamente que passará a incomodar muito mais gente, muito mais vezes. E assim ficam com menos tempo livre para se meterem com os donos do clube que lhes paga, os sócios.



Baía e a auditoria



Vítor Baía, o melhor guarda-redes que vi jogar no Porto, é por estes dias uma figura a que nenhum portista fica indiferente, mas desta vez sem unanimidade na apreciação das suas actuações. Há quem o despreze por ousar questionar o presidente, há quem se reveja na sua postura por ser a única voz que se levanta contra o status quo. E há aqueles que, como eu, não se importam especialmente que diga o que bem lhe apetecer, mas também não lhe reconhecem credibilidade para o fazer. Não que precise dela para opinar, entenda-se.

Hoje sugeriu que o presidente Pinto da Costa ordenasse uma auditoria externa às contas do clube. Disse-o não por estar verdadeiramente preocupado com a situação financeira do clube, mas antes porque sabe que é um pedido que nunca verá atendido e, com isso, reforça a nebulosidade que paira sobre a gestão do clube.

Baía foi um enorme jogador e é (e será sempre) um dos grandes símbolos do Porto que conquistou a Europa e o Mundo pela segunda vez. Enquanto jogador. O resto, dependerá do que quiser e souber fazer com esse estatuto. Até agora, está a fazer tudo errado. 

Baía seria credor do meu respeito se tivesse passado das palavras ocas aos actos, apresentando uma candidatura à presidência nas eleições do próximo domingo. Mesmo imaginando uma derrota copiosa (ou não, quem sabe...), teria pelo menos obrigado os portistas a debaterem o clube entre si e a comparar propostas. Seria provavelmente derrotado nas urnas, mas os portistas como eu guardariam na memória a sua coragem. 

Como não o fez, não passa de mais um bitaiteiro, como qualquer um de nós. Com a agravante de ter um passado no clube que o deveriam levar a ser mais criterioso nas companhias. Para muitos, não passa de mais um "ressabiado" a quem não foi dado "o tacho que ambicionava". Para outros, é apenas um sonho sebastiânico nunca consumado. Se quer algum dia vir a ser levado a sério enquanto possibilidade para liderar o clube, é bom que comece já a comportar-se de acordo. Afinal, quem vai querer para presidente alguém que alimenta a manha do correio?



No Palermo é que é!



Num momento que tão consensualmente é apelidado de conturbado no nosso universo, é sempre aconselhável olhar à nossa volta para que tudo se relativize com enorme rapidez. Mauricio Zamparini, o super-presidente (e dono) do Palermo, fez a oitava mudança de treinador... da temporada! O clube corre sérios riscos de descer de divisão (I wonder why...) e o irascível italiano não se consegue conter: se não entra a bola, a cabeça rola!



Do Porto com Amor



segunda-feira, 11 de abril de 2016

Sacana do Murphy


Ora cá está uma crónica difícil de começar. Hum... pronto, ficamos assim. Até à próxima.




Esperem, tive uma ideia. Vou reler o que escrevi sobre a entrevista da semana passada, a ver se encontro o fio à meada.

Qualidade e Carácter. Tudo muito espremido e compactado, sobram estas duas palavras. Será que consigo abordar o jogo deste domingo através destas duas "lentes"?


Qualidade (qua·li·da·de) - substantivo feminino
(...)
2. Superioridade, excelência.
3. Aptidão, disposição feliz.
4. Talento, bons predicados.
5. Título, categoria.
(...)

Já estamos mais do que conversados quanto ao desequilibro que caracteriza o plantel. Posições sobre-lotadas contrastam com outras de cacifos vazios. Gente que tem atributos para jogar de Dragão ao peito e gente que nem na segunda liga calçava. 

No entanto, centrando o foco apenas sobre os 14 que jogaram hoje em Paços, não há dúvida que deveria chegar e sobrar para sair do jogo com uma boa vitória. 

Não, não foi por falta de qualidade dos jogadores que perdemos.

Carácter ( ca·rác·ter |át| ou |áct|) -  substantivo masculino
1. O que faz com que os entes ou objectos se distingam entre os outros da sua espécie.
2. Marca, cunho, impressão.
3. Propriedade.
4. Qualidade distintiva.
5. Índole, génio.
6. Firmeza.
7. Dignidade.

Não, não nos faltou carácter hoje na capital do móvel.

Uma primeira parte agradável de assistir, com Sérgio e Corona em destaque, na qual desperdiçamos duas ou três oportunidades de marcar. O adversário mal se viu. A segunda começou menos bem e rapidamente piorou, uma vez que o Paços de Ferreira também quis jogar e nós - inexplicavelmente - deixamos no balneário o que de bom fizemos na primeira metade. O jogo passou a estar mais repartido e passou a ser jogado em todo o campo. Ainda assim, fizemos o suficiente para marcar e por mais do que uma vez.

No entanto, desde o início que vagueava discreta pelo campo a alma penada de um sacanita com o único intuito de nos tramar. Na primeira parte, não fossem os golos falhados e quase não se tinha dado por ele. Na segunda foi em crescendo, primeiro colocando macaquinhos nos sótãos azuis-e-brancos,  depois em forma de cisco no olho do árbitro quando Suk foi claramente agarrado na área pacense, finalmente ao disferir o golpe fatal, aos 80 minutos, atordoando Layún e carregando o Paços ao colo até ao golo caído do céu. Mas nem por isso sossegou; até ao final, ainda soprou 2 ou 3 vezes aos ouvidos de Defendi para que o guarda-redes "adivinhasse" onde teria que estar para defender aquelas bolas. 

E a quem pertenceu em vida esta alma penada? A Edward Murphy, obviamente. Não sabem quem é? Imagino que não, mas certamente conhecem aquele adágio que ficou conhecido como sendo a sua lei:

"Qualquer coisa que possa correr mal, correrá mal, no pior momento possível" (tradução livre)

É assim mesmo que resumo este jogo. Por esta altura, nada nos sai bem. Tudo o que pode correr mal, corre. Entrevistas e frases fortes podem motivar e responsabilizar, mas não fazem uma equipa começar a funcionar num par de dias. E quando o treinador e o árbitro complicam, mais difícil se torna.


"Vá, ponham-me os pregos..."


Notas DPcA:


Dia de jogo: 10/Abr/2016, 18h15, Estádio Capital do Móvel. FC Paços Ferreira - FCPorto (1-0).


Casillas (6): Sem possibilidades de intervir no lance do golo. E de resto, tudo normal. 

Maxi (5): Teve algumas falhas no passe que poderiam ter sido complicadas (mas não foram). No essencial, procurou ajudar a assaltar a baliza adversária e quase marcava.

< 86' Layún (5): Menos activo que Maxi e marcado pela falha da qual acabou por resultar o golo. Teria sido apenas uma falha normal, não fosse o desfecho atroz. Se a substituição foi castigo, não o merecia.

Indi (6): Jogo medianíssimo, acabou por levar com (e desviar) a bola no golo.

< 76' Chidozie (6): Continua a alternar abordagens seguras com hesitações comprometedoras. Tem que ser trabalhado, antes que seja proscrito.

Danilo (6): Menos exuberante do que habitualmente, mas ainda assim bem. É este o meu capitão para 2016/17.

Sérgio (7): Sem deslumbrar, foi o melhor da equipa, o único que parece ter futebol, aquele autêntico e imprevisível, nos pés. Tem coisas por corrigir e que ainda o vão impedindo de se tornar num grande jogador. Mas pode lá chegar.

Herrera (6): Exibição positiva. Não se pode esperar que faça passes de génio ou que tenha rasgos individuais, mas dentro do que pode dar esteve bem. Muito trabalho posicional e as desmarcações que o caracterizam.

Varela (5): O joker de Peseiro para este jogo que infelizmente acabou por não resultar. Não esteve especialmente mal, mas também não acrescentou nada de muito relevante ao jogo.

< 45' Corona (6): Boa exibição, como já não lhe via há bastante tempo, precocemente terminada ao intervalo. A sua saída foi para mim o maior mistério desta partida.

Suk (5): O homem correr, luta, bate, corre, luta, bate, corre, luta e bate tanto que até cansa. Infelizmente não chega para ser jogador do Porto. Até porque de tanta bravura os árbitros abdicam de marcar faltas sobre ele...

> 45' Brahimi (5): Seria o joker do segundo tempo, que entraria para resolver. Assim terá imaginado Peseiro. Não foi. E, coincidência ou não, esteve em campo nos piores 45 minutos. Cereja no topo do bolo, ainda se conseguiu excluir do jogo com o Nacional. 

> 76' André Silva (5): Teve no pé o empate e o tão ambicionado momento de glória na equipa principal. Mas ainda não foi desta. Um dia será, não desesperes (que nós... também não! Dragon Ball, Z Z Z...).

> 86' Ángel (-): Sem tempo de jogo suficiente para ser avaliado (wtf??).


Peseiro (4): Mais uma vitória moral, daquelas que correspondem a derrotas reais. Não ponho em causa as suas opções iniciais - seria sempre importante mudar após a derrota em casa e a entrevista do presidente, mas questiono a saída de Corona ao intervalo que  - coincidência ou não - se traduziu numa quebra significativa de rendimento da equipa. E questiono também a saída de Layún. Se foi para o castigar, foi uma parvoíce. E depois, questiono quem escolheu para entrar - aos '86 e a perder: porquê (glup) Ángel e não Marega?



Outros intervenientes:


Mais uma vez Diogo Jota demonstrou estar a mais no Paços de Ferreira, tal é o potencial que exibe. Quem surpreendeu foi Defendi que, fazendo jus ao nome, defendeu tudo e um par de botas. Sobre o idiota do treinador, recuso-me a falar (sofro das costas, custa-me baixar).

Quanto a Fábio Veríssimo e sus muchachos, o erro capital foi não marcar o penálti sobre Suk. Obviamente com influência no resultado final, mais uma vez em nosso desfavor. Mas não o vou crucificar por isso, falhou gravosamente nesse lance, é verdade, mas demonstra qualidade para apitar. Desde que não se deixe atrair pelo lado negro, obviamente.


Há dias assim. Pior, há semanas, meses, épocas assim. Fazer o quê, desistir? Nope, resistir, insistir e voltar a vencer. Para o ano.



Do Porto com Amor



P.S. - A Rodolfo Reis, sugiro que guarde a sua pena para quem precisar dela (ainda que não seja fácil de imaginar quem poderia estar assim tão desesperado). Pena tenho eu de quem se vende por um prato de lentilhas.



sexta-feira, 8 de abril de 2016

O Bom, o Mau e o Vilão


"Palavras Proibidas: Doyen, Xaninho, EuroAntas."

Terá sido este o recado entregue por um solícito membro da comissão de recandidatura ao bom do Juca Magalhães. Ou então foi apenas coincidência, ou impreparação do entrevistador, mas bem que poderia ter sido.

Porque qualquer uma delas colocaria o presidente Pinto da Costa numa posição, mais do que incómoda, quase indefensável. E como ninguém quer um presidente (ainda mais) enfraquecido logo no arranque do novo mandato, ficaram e bem por dizer. No entanto, muito foi dito. Vamos lá à análise, com a ajuda de Sergio Leone.




O Bom



Candidatura para o futuro. Na linha do que tenho defendido, o presidente afirmou alto e em bom tom que não quer ser eleito pelo que já fez mas sim pelo que se propõe fazer no novo mandato. Mesmo sem sabermos muito bem o quê, sabemos pelo menos que reconhece que "batemos no fundo", "que as coisas estão mal" e que "é preciso voltar a por as coisas como eram" e que se sente com capacidade para dar a volta já na próxima época, feita que está "a radiografia" para que se possa "corrigir o que está mal" e "não voltar a cometer os mesmos erros". 

Assumir finalmente a paternidade de um erro chamado Lopetegui. Foi bom, mas ficou curto, como veremos mais abaixo.

O presidente-adepto. Que por um lado, "se junta ao coro de protestos" e por outro, "aceita e compreende" esses protestos. Conseguiu reaproximar-se das pessoas com este discurso. E isso é importante para o clube.

O discurso para o balneário, colocando um ponto final imaginário nesta época e desafiando os jogadores a provarem que merecem cá continuar nos seis jogos que faltam. E treinador também, deduzo. Pelo caminho, renegando todos os que cá chegam já a pensar noutros voos. Excelente, se for levado à prática. Frases fortes:

"Queremos equipas com qualidade e carácter." 

"Para o ano vamos ter uma equipa a jogar à Porto."


"All-in" para o Jamor. Ficou bem claro que não admite outro cenário que não seja ganhar a Taça (e na minha opinião, é condição necessária para a continuidade de Peseiro - mas talvez não seja suficiente). Evidentemente mesmo que já tenha na sua cabeça a dispensa do treinador, não o poderia dizer. Não sem ter o próximo contratado e claro, sem antes ter disso avisado o actual. Eu já o disse e reafirmo, para mim não tem what it takes para ser treinador do Porto.

Reforço da mensagem na aposta "a sério" na formação, alicerçada no projecto do novo Centro de Treino. No imediato, os regressos de Rafa e Octávio na próxima época. Já sobre Josué, tenho sérias dúvidas. E ainda sem sair da Académica, então e o Gonçalo e o Leandro? E da equipa B, sobe alguém? Para esclarecer mais adiante.

Provedor do Adepto. Sendo a minha uma das muitas vozes que, por várias vezes, se insurgiram contra o tratamento frio e distante a que todos temos sido vetados enquanto sócios, só poderia ter ficado contente com o reconhecimento deste problema e pelo desenho de uma "solução" para o resolver. Não espero que este provedor faça magia de um dia para o outro, conforme já referi é sobretudo um problema de "cultura clubística" (ou da sua falta; e que se transmite de cima para baixo), mas pode ser um primeiro passo nesse sentido. Esperemos que a pessoa escolhida tenha sensibilidade para a coisa e real acesso às esferas de decisão.



O Mau



Comissões: a pior parte da entrevista, felizmente foi logo a primeira. Nada do muito que disse sobre o assunto me convenceu. Atribuiu o sucesso das contratações de Layún e Corona às comissões pagas (elevadas, infere-se do raciocínio), porque caso contrário não seria possível levar a melhor sobre "clubes ingleses que recebem 10x mais de direitos televisivos". Como assim, presidente? É a comissão que se paga aos intermediários que faz com que estes desistam de melhores condições oferecidas noutras paragens aos seus representados? Não bate certo. E na questão Rúben Neves então, enfim, "os pés pelas mãos". Decisivo só mesmo o que ficou por dizer.

Indisponível para enfrentar o #colinho. Questionado quanto a uma postura pouco interventiva, a resposta que saiu espontanea foi "não sei o que quer dizer", para de seguida discordar, justificando com o facto de o clube ter um vice-presidente na direcção da Liga... Ainda preso pelas algemas do infame Apito Encarnado? Se sim, (outro) alguém tem que dar a voz e a cara pelo clube. Se não... não sei. 

Não assumir o erro Lopetegui na sua plenitude. Faltou referir-se (ou melhor, faltou a pergunta) aos motivos que o levaram a renovar a aposta após o fracasso que foi a primeira temporada. E faltou também explicar por que motivo não o segurou até final desta, sobretudo considerando que não havia ninguém interessante pronto para o substituir. E já agora, como se chegou a este ponto, em que muitos treinadores, até mesmo com pouco curriculum, desdenham vir para o Porto. 

As "Palavras Proibidas". Pode ter sido importante para evitar um desgaste maior da imagem do presidente, mas o preço a pagar é continuarem a latejar nas veias dos portistas durante muito tempo, com o rótulo "culpado" bem à vista. 

 - "EuroAntas": a fórmula milagrosa para o aumento de capitais próprios e do activo no exercício passado. Referi-los sem explicar como foi feito e do que se abdicou por isso, é no mínimo pouco sério. Ou então percebi mal. Mas se não percebi, estamos a falar da incorporação do Estádio na SAD. Ou seja, é apenas e só um artifício (ou "ferramentas", segundo a versão do R&C) para adiar por mais uns tempos ficarmos sujeitos às penalizações introduzidas pelo Fair-Play Financeiro (F-PF) da UEFA. Necessário, conforme se deduz. Mas que significa que em última análise o Estádio deixou de estar directamente na esfera do Grupo FC Porto, passando a pertencer à SAD. No limite, se esta falir e fechar portas, bye bye estádio. Pouco provável? Talvez, mas possível.

 - "Doyen": para mim teria sido fundamental ouvir o presidente explicar com algum detalhe o tipo de relação que o clube (através da SAD) tem com estes "mecenas" do futebol moderno. Ok, talvez agiotas seja mais apropriado. Seja como for, assuntos como o scouting, os financiamentos (empréstimos) e o catálogo carecem de esclarecimento, para que todos possam perceber da bonomia ou da necessidade imperiosa da sua existência.

 - "Xaninho": já abordado aqui.



O Vilão



Lopetegui: a raíz de todos os males, fazendo fé no discurso do presidente. Como se não tivesse havido imediatamente antes outra aposta falhada e (também ela) incompleta. Quem me tem lido ao longo deste ano de vida, sabe bem que desde Munique rejeitei em definitivo o basco. E que fiquei desolado com a notícia da sua continuidade para nova temporada. Mas sabe também que defendi que, feita essa opção, deveria ter continuado até final desta época, para se poder avaliar em definitivo todos os seus "méritos" ou a falta deles.

Não aceito que agora impute todas as culpas ao treinador, exceptuando a sua por "ter confiado nele". Quem dirige o clube, quem foi eleito pelos sócios, é que tem a última palavra. Nas contratações e em tudo o resto. É que, infelizmente, os nossos problemas são muito maiores do que os flops Adrián Lopez e Campaña.


Sem grande interesse, assistimos à continuação da sua querela pessoal com Fernando Gomes (presidente da federação), a apresentação da lista para o próximo mandato (excepto provedor), os louros do negócio MEO e a desvalorização dos "blogues sem rosto". Fico feliz em saber que houve franca evolução desde a entrevista anterior e que o presidente já começou a reparar nos blogues "que lhe mostram de vez em quando". Ainda há esperança, portanto.


Em jeito de conclusão, não foi mau. Considerando o contexto, não foi mau. Hesitações (comissões) e "confusões" (contas) à parte, conseguiu projectar pujança e determinação. Mostrou-se confiante em dar a volta já no próximo ano e com isso devolveu alguma confiança aos portistas e terá acalmado os ânimos rumo ao acto eleitoral. Várias questões continuarão pendentes, mas se voltarmos a ganhar de imediato, muitas regressarão para segundo plano.

Está dito, agora faça-se.


Como nota final, não posso deixar de qualificar como uma canalhice os petardos e as tarjas, acrescentando que também eu tenho sérias dúvidas quanto à sua real origem.



Do Porto com Amor




terça-feira, 5 de abril de 2016

The Walking Dead


Se o caro leitor vem à procura de saber ou comentar o desfecho ainda pintado de fresco da sexta temporada da conhecida série norte-americana, peço desde já desculpa por tê-lo induzido em erro. O que aqui se vai abordar é um outro espectáculo, muito mais macabro, de verdadeiro horror e de horror verdadeiro.




No episódio de ontem desta nossa "série", assistimos ao que poderia um episódio-piloto da outra, a original. Um conjunto improvável de fracas figuras, com pouquíssimas hipóteses de sobrevivência, enfrentaram um poderosa horda de mortos-vivos mas, contra todas as probabilidades, saíram do episódio ilesos e a respirar mais saúde do antes do seu início. E por terem conseguido essa proeza, os meus parabéns ao Tondela e aos seus jogadores. 

Quanto aos figurantes desfigurados e decrépitos, não passaram disso mesmo. Zombies "sem razão e sem sentido", que vagueavam errantes pelo relvado do Dragão, envergando umas imaculadas camisolas azuis e brancas, apesar de por baixo delas tudo aparentar estar putrefacto. Noutro local do cenário, podia-se apreciar uma figura ainda mais desorientada e errante, que aparentava ter sido (em vida) o líder dos "utilizadores" daquele maravilhoso conjunto de camisolas

Para surpresa (not) do horrorizado público, até a zona mais V.I.P. do "estúdio" havia já sido invadida e contaminada por esse terrível vírus que não deixa os mortos descansar em paz. Aliás, no final do triste episódio, muitos foram os espectadores que não se contiveram e apontaram essa mesma zona V.I.P. como o foco inicial da contaminação. Foi portanto um verdadeiro show holográfico em 4D e em 360º. Quase todos saíram de lá de boca aberta, horrorizados e a temer que o pior ainda esteja para vir.

 
"Bis! Bis!" - ou seria outra coisa?



Notas DPcA:


Em cartaz: 4/Abr/2016, 19h00, Estúdio do Dragão. FCPorto - CD Tondela (0-1).

Danilo (6): O único sobrevivente entre os de azul-e-branco. Para ainda resistir, deve certamente ser geneticamente imune à doença. Obrigado por isso, miúdo. Podes levar a camisola contigo, mereces usá-la até a dormir.

Nota (5): Iker, Maxi, Layún, Chidozie, Indi, Herrera, Sérgio, Brahimi, Suk, Varela, Marega.

Nota (3): Corona, Aboubakar, Peseiro


Perdemos em casa com o Tondela, que antes deste jogo somava 14 pontos em 27 jogos. Ontem passamos a ser a pior equipa do campeonato (e até prova em contrário assim continuaremos). Não estou a exagerar nem a escrever a quente. Tive 350 kms desde que saí do Dragão para reflectir sobre isto. Não temos obviamente o pior plantel e muito menos os piores jogadores, mas somos a pior equipa. E pensar que já chegámos a ser a melhor.

Desta época só espero verdadeiramente que termine de vez. Mais uma vez. 

Pode ser que consigamos ganhar no Jamor, lá estarei como sempre a também fazer por isso. Mas sinceramente tenho dúvidas. O estado mental destes jogadores parece estar para lá de ressuscitável

O terceiro lugar é para mim uma evidência. Não acredito de todo que o Sporting perca 5 pontos e ainda perca no Dragão (ou 4 e que perca connosco por mais de 2-0). Mas mesmo que isso viesse a acontecer, não acredito mesmo que ganhemos todos os jogos que nos faltam disputar. Simplesmente não temos condições para tal. 


Antes do espectáculo começar, ainda o Sol brilhava sobre as cadeiras vazias

Nunca desisto do meu clube, não deixarei de ir aos jogos todos a que puder, mas já não acredito. Nem eu, nem ninguém, desconfio.

Escrevi há tempos que só faria a minha avaliação "exaustiva" do treinador José Peseiro no final da temporada e manterei o que disse. No entanto, avanço já com a conclusão definitiva: não serve para o Porto. Ponto. Se esta alegre direcção terá condições para conseguir melhor, é outra conversa, também para mais tarde.

E por falar em tarde, vou dormir. Uma boa noite a todos, se possível livre de pesadelos. 


Do Porto com Amor


 


sábado, 2 de abril de 2016

April Fools


Há dias assim. Em que o circo sai à rua, desfilando em alegre carnaval, que a todos contagia e inebria. A todos? Não. Nem todos gostamos de palhaçada.




Ontem jogou-se mais um jogo importante deste campeonato, onde o Benfica recebeu e derrotou o Braga por 5-1. Circo. Carnaval. Folia. Semos muita fortes. Incontestável. Ou parafraseando a Foca Fonseca, "quando se perde por números destes…".

Sabendo de antemão quem era o apitador - nada mais, nada menos que o soldadinho de chumbo (em pó branco) Nuno Almeida, decidi logo nem tentar ver. Até porque estava a dar wrestling à mesma hora e, desfecho combinado por desfecho combinado, o wrestling sempre parece mais verdadeiro.

Vi então um resumo de uns quatro minutos. Mais do que suficiente para confirmar a suspeita. Não sei se o Benfica venceria ou não, provavelmente sim, mas a condução por parte do árbitro, ah aquela maneira linda de conduzir o jogo num único sentido, não engana.

Faltas que não se marcam contra, faltas que se inventam a favor, umas mais discretas outras nem por isso, tudo na paz do senhor Almeida. Um santo, aquele homem. Enquanto o resultado não estava ainda a salvo de sobressaltos, muita cautela. Com tudo resolvido, teve ainda tempo para fazer o favor de acabar com essa escandaleira de estarem há mais de um ano sem penáltis contra e sem expulsões. Num lance caricato, que nem fora da área seria marcado, o palhacito pobre apitou decidido. 

"Acabou-se a conversa dos favorecimentos, vêem? Uns más-línguas, é o que vocês são. O be'fica é igual aos outros, oh, oh, penálti contra! A expulsão fica para outro dia... afinal, se não foi ainda no Restelo (Renato Sanches), em Alvalade (Renato Sanches) e no Bessa (Eliseu), ia ser agora em casa? Também não exagerem..."

São tão maus actores, tão reles farsantes, que chega a parecer impossível não ser mesmo tudo verdade. O que me preocupa em dobro, porque quem se arroga em exibir tão descaradamente os seus dotes tem que ter uma cobertura à prova de bala. Nós, Porto, andamos mesmo a dormir. Voltamos a ser comidos de cebolada, como antigamente.

Mas não. Uma mentira repetida muitas vezes nunca acaba por se tornar verdadeira.

Nem uma mais do que combinada entrada em campo de um descontrolado "fã" do novo Zébio, que por acaso até joga nas escolas do slb e assistiu ao jogo na tribuna.
 
Nem a tentativa diária de transformação de um simples vigarista (perdão, de um vigarista de grande gabarito) num magnânimo estadista.

Nem a caminhada triunfal de uma gloriosa equipa que como principal mérito tem o facto de ter sabido sobreviver para mais adiante poder beneficiar da via vermelha do #andor.

Continua naquelas cabeçorras arejadas a circular o mito de que pelo facto dos adversários não estarem tão bem como seria esperado (mais concretamente, o FC Porto), automaticamente se justifica que sejam eles a ganhar. Não. Não é assim, nem hoje, nem nunca.

Pode o Porto estar a jogar abaixo do que todos esperavam e alguns desejavam, perder e empatar de forma surpreendente e ainda assim justificar ganhar o campeonato. Não há relação directa de causalidade entre o desempenho decepcionante do Porto e os títulos do Benfica. Porque muitas vezes um Porto sofrível tem sido mais do que suficiente para um "super-Benfica". O ano passado foi assim. Só não fomos campeões porque eles foram de #colinho.

Este ano chegaram de #fininho, ao ponto de muitos os desprezarem. Não eu. Sei bem o que são e como são. E sobretudo como se movem. O seu presidente nunca deixou dúvidas a ninguém, desde que chegou ao trono disse ao que vinha - controlar as instituições que regulam o futebol, nomeadamente a arbitragem e a disciplina. 

O resultado são os quase-5 campeonatos que reclamam ter vencido neste século. Para mim não venceram nenhum, não por mérito próprio e não de forma legal. Foram o do Estoril-Gate, o do Túnel, o do Eusébio, o do #colinho e agora o do #xistra. Para mim, zero. Ah, e mais os três que ganharam de um dia para o outro (passaram de festejar o #27 directamente para o #31...).

Evidentemente, ajuda que o Porto esteja enfraquecido. Passam a ser necessários muito menos empurrões. Basta que sejam dados nos momentos certos, decisivos, para que a coisa se (des)equilibre. Para não recuar muito, este ano assistimos impávidos e serenos à bonita sequência do V. Guimarães-Benfica, Paços-Benfica e Braga-Porto. Foi o quanto baste. Com o Sporting evidentemente nunca se pode contar. Estão a viver um ponto alto da sua existência e em breve regressarão à sua deprimente normalidade.

E por tudo isto, aconteça o que acontecer daqui até final, mais uma vez não vou poder dar os parabéns aos meus amigos benfiquistas pela justa conquista de um campeonato. Aliás, a última vez que isso aconteceu corria o ano de 1994, onde venceram o tal 27º título. 

É esta a "magia" do futebol, conseguir por pessoas idóneas e bem formadas a festejar falsidades como se não as fossem. Sim, porque se a imensa maioria come a palha que lhe dão sem sequer levantar os olhos do chão, muitos há que têm a perfeita noção do que lhes é oferecido. Mas que ainda assim engolem como os demais.

Enfim. Dia das mentiras? Não, April fools' day. Deles, se julgam que nós também somos.



Do Porto com Amor



Adenda: entretido com o Barça-Real, esqueci-me de elogiar outro(s) fool(s), aquele(s) que define a calendarização dos jogos. Porto e Sporting jogam na segunda pela alma de quem?? Quantas pessoas esperam ter no Dragão às 19h00 de um dia de trabalho (no Porto)? Ah, pois, quantas menos, melhor.