quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Ventoinhas, o Estadista


Que banho de bola levámos ontem. E nem sequer jogámos.



Duas horas de prime time dedicados pela TVI de Moniz ao presidente do Benfica. O ponto alto foi a comovente reportagem de vida, em que todos ficámos a saber que pai e filho Vieira se tratavam por "Fanã" e "Ventoinhas", enquanto no quadradinho pequeno se via, casualmente, o bom do Luís a enxugar as lágrimas. Que ternura.  Afinal os homens também choram.

Trata-se de uma estação privada, pelo que pode e deve fazer o que muito bem entender, dentro dos limites normais da sã convivência democrática. Se optassem por um big brother na primeira pessoa, com uma GoPro aparafusada numa das orelhas de Vieira, 24h por dia, por mim dava no mesmo. Não é o critério editorial ou "programático" da TVI que ponho em causa. Aliás, tenho a certeza que tanto a SIC como a "nossa" RTP (em especial esta) devem estar roídas de inveja. A ver se não aproveitam esta minha sugestão do big brother...

Mas todo o espectáculo foi cuidadosamente pensado e meticulosamente preparado




Já há tempos dei aqui conta do PREV: Processo Refundador do Estadista Vieira, um plano amplamente apoiado - tácita ou activamente - de forma transversal pelos vários quadrantes da sociedade lisboeta com o intuito de promover a metamorfose do presidente benfiquista de uma larva burgessa para uma maravilhosa borboleta com dotes e pose de estadista.

Não vou perder tempo a comentar as respostas do Luís, nem com a candura do grande jornalista que o entrevistou, nem com os três estarolas que lhe sucederam. Por certo são todos bons rapazes, mas quando se trata do SLB... perdem o norte, metem a dignidade na algibeira, deixam o cérebro em casa e viva o aisêlebê. Como muitos outros milhões, de resto.

O que me importa salientar é o efeito global que todo aquele show tem no subconsciente da nação, mesmo em quem não é do Benfica, se não tiver uma atitude crítica perante o que lhe é apresentado. 

Aos poucos, vão-se apagando da memória colectiva as trafulhices com os pneus, as vigarices com as obras, as portas 18 e os calotes astronómicos. Tudo isso se esbate, perante o super-competente, poderoso e implacável mas humano e solidário Vieira, a imagem que lhe estão a construir. Reescrever a história ainda com ela em curso. Notável. Mas mentirosa. Letra por letra, lágrima por lágrima.




A continuar por este caminho, não tardará a aparecer um qualquer lacaio a jurar que o apelido não era Gaddafi dos pneus, mas sim o Ghandi dos pneus.

Numa coisa LFV tem razão: na altura em que ele e Vilarinho chegaram ao clube, era "a pior coisa que tinha visto na vida". E só não se extinguiu para os distritais porque foi socorrido pelo Estado Português, por várias formas e em diferentes momentos. 

Quando a nata benfiquista se apercebeu da "capacidade táctica" do Gaddafi dos pneus e dos efeitos práticos que prometia alcançar para o ressurgimento do glorioso nacional-benfiquismo, o apoio começou a crescer. Com a chegada e obra feita por JJ, Vieira passou a ser o Querido Líder, a quem todos deveriam venerar. Que importa se pelo caminho roubou, vigarizou ou defraudou pessoas e instituições, se o SLB é tricampeão do #colinho?




Não termino sem dizer que Vieira tem sido um bom presidente para o Benfica. Mesmo que tenha sido no seu consulado que o Porto tenha infligido aos benfiquistas as maiores humilhações da sua história, Vieira conseguiu sobreviver e superar isso e apresenta hoje um clube em melhor forma do que o nosso. Como lá chegou, é o outro lado da estória. 


Tudo isto para chegar ao que me interessa: não podemos continuar a assistir a isto de braços cruzados. Bem sei que é uma força imensa e saltitante, mas não foi isso que nos impediu no passado. Se não conseguimos ter armas para lhes declarar "guerra" nos mesmos campos de batalha onde se movimentam, façamos guerrilha, que nisso sempre fomos bons.

Eu quero um futebol regenerado e profissional, liderado por uma organização acima e à prova dos interesses individuais dos clubes. E quero um Porto alinhado pelo mesmo paradigma. Mas esse passo só será possível de dar quando todos os outros também estiverem disponíveis. Com Vieira ao leme do Benfica, nunca será possível. Voltemos pois às trincheiras. Com quem tiver capacidade e vontade para o fazer - se não os actuais, que venham os próximos.


Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Ninguém Sai(u) Ileso


Saiu Antero Henrique.

Primeiro foi o benjamim, depois o delfim, entretanto o senhor director-geral, logo seguido pelo excelso CEO e finalmente o fugaz administrador. E agora, nada. Foi-se.


Gone baby, gone. What's next?

Não conheço Antero Henrique pessoalmente nem creio que releve para o caso. Evidentemente que se privasse com ele teria acesso à sua versão dos factos, podendo avaliar todo o processo sob essa luz parcial. Não conhecendo, limito-me a interpretar e a extrapolar.

Antero Henrique não esteve meia dúzia de meses no Porto, esteve 26 anos segundo o que se diz. Tempo mais do que suficiente para merecer o respeito de todos os Portistas, gostando ou não dele e da sua obra. Quem dedica um quarto de século (e possivelmente um terço da sua vida - esperando que seja menos!) a uma causa, merece respeito.

Por esta altura, muitos já terão interrompido a leitura, soltando um rápido "então se o Antero merece respeito, o que dizer do Presidente?". É bem verdade, aplica-se de igual modo mas não releva para o caso. Foquem-se no tema em questão.

Continuando a divagação, importa esclarecer não basta estar 26 anos em determinado sítio para se ser credor de respeito. Pode até justificar precisamente o sentimento oposto, tratando-se de um parasita que apenas se alimenta do seu hospedeiro. É preciso que durante esse tempo se tenha dado provas de estar lá para ajudar, de ter contribuído para a causa.

Sem conhecer Antero e ainda menos as responsabilidades directas que teve nos milhares de decisões que foram tomadas, seria sempre complicado individualizar o seu mérito nesta nossa epopeia de glórias sem igual. Mas ainda assim, não tenho dúvidas de que Antero tem a sua quota-parte de responsabilidade - nos sucessos e nos insucessos. E por isso merece o meu respeito e gratidão.


Nos bons, velhos tempos


Os motivos da sua saída só ele os poderá dar.

Até que isso aconteça, só se pode tentar adivinhar. E eu nunca fui grande adivinho.

Há quem jure que bateu finalmente com a porta após épocas sucessivas de "maus-tratos". Que a sua opinião foi sendo desvalorizada, a sua influência reduzida, a sua capacidade de acção coarctada e os seus méritos pouco valorizados internamente.

Sou capaz de conviver com essa ideia. Antero nunca foi de exteriorizar e isso inevitavelmente deixou-o mais exposto a fracturas internas, por falta do apoio exterior que apenas o reconhecimento dos seus méritos lhe poderia garantir. Para o bem e para o mal, a "culpa" é sempre de Pinto da Costa. Mas sobretudo para o bem (por enquanto).

26 anos é muito tempo.

Só por si pode explicar como o outrora aprendiz, que idolatrava e sonhava ser como o mestre, tenha entretanto amadurecido e mudado a sua perspectiva. Mas não creio que seja apenas o normal desgaste de uma relação longa a cobrar o seu preço.

Antero tinha até há dias um dos melhores empregos do mundo (tenho um amigo que diz mesmo ser o melhor deles todos, o tal de sonho). O que leva alguém a desistir do melhor?

Razões pessoais, como são todas aliás. Têm sempre a ver com a pessoa, que raio. Mas admitindo e desejando que não se tratem de problemas pessoais, não cola.

Outra hipótese, mais plausível, é a de querer mudar de ares. Compreensível, se dentro de dias for anunciado no City ou no PSG. Caso contrário, não me parece. Antero estava em casa (mesmo se não a dos seus sonhos de infância) e sabia que poderia sobreviver a Pinto da Costa. Ah! Será este o nervo? O ponto onde se toca e tudo treme?

Será que de facto Antero não estava de acordo com o rumo que o clube tem seguido (tal como eu não estou) e sentindo-se incapaz de alterar o rumo, decidiu afastar-se? Antes que o navio se afunde de vez. Para voltar mais tarde, ao comando de um salva-vidas?


Ou foram mesmo as decisivas interferências externas na gestão do clube que o levaram a sair por se sentir despeitado, sem considerar o seu futuro no clube? Saturado com mendicância nefasta do filho pródigo (há também quem jure que foi por ele que Rafa não veio, algo que me custa a acreditar - seria sinal de que tudo já está mesmo perdido e não sobrará pedra sobre pedra), com os danos infligidos pela Doyen e com o regresso da influência de Jorge Mendes, decidiu bater com a porta?



O suspeito do costume. Já chateia, não?


Claro que o facto de não se ter ganho nada durante três anos teve o seu peso. E bem pesado, não duvido. Sobretudo se na sua cabeça pairar a dúvida de que "se tivessem feito como eu disse, tudo tinha sido diferente".

Por último, sobra a explicação mais simples. Antero Henrique reconheceu o seu mau desempenho no último mandato e no actual defeso e saiu, num assomo de consciência tardio.

Simples mas pouco convincente. Antero tinha acabado de ser promovido a administrador, facto que leio como uma tentativa de Pinto da Costa de o fazer mudar de ideias. O que implica que esta "vontade" de sair já vinha a ganhar momento há algum tempo (anos, meses, semanas?) e que o Presidente estaria a par.


Seja como for, a realidade é que o homem que no clube mais sabia de futebol a seguir ao Presidente se foi embora. Poucos meses após se ter candidatado e ganho eleições pela lista (única) vencedora. Poucas semanas após ter sido nomeado administrador da SAD. Um dia depois de ter encerrado o mercado de verão, sem que a equipa tivesse sido convenientemente reforçada e sem conseguir uma única venda relevante. Sobrevivem-lhe os muitos títulos e alegrias que ajudou a forjar e uma nota de saída no tom correcto, fechando a porta às meretrizes do costume da capital. Não esperava outra coisa.

Se era para sair, deveria ter sido no final do mandato anterior. Com explicações plausíveis por parte do Presidente, que aliás seriam fáceis de encontrar (sendo verdadeiras e indesmentíveis) no mau rendimento da equipa de futebol.

Desta forma e neste contexto, ninguém sai ileso deste tiro no porta-aviões. Já veremos se saiu quem mais água metia ou se continua(m) a bordo.

Boa, toda a sorte a Luís Gonçalves, sei bem que vai precisar dela. E nós também.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor





terça-feira, 6 de setembro de 2016

Onde Está a Bola? #24 e #25 (e vencedor #23)


Cá está o regresso do Onde Está a Bola? com um formato especial (e excepcional) - a sessão dupla - dada a curta distância temporal entre o jogo contra o Vitória Sport Clube (20h30 de 10 de Setembro) e contra o FC Kobenhavn (14 de Setembro, 19h45). Desta vez, estão em jogo 4 bilhetes, dois para cada um dos jogos!

Assim sendo, o estimado leitor terá duas imagens para analisar e concorrer. A primeira correspondente à edição #24 (Guimarães) e a segunda à #25 (Copenhaga). Fácil, barato e dá bilhetes a dobrar!


Onde Está a Bola? #24


Onde Está a Bola? #25


Para se habilitar a ganhar os bilhetes, o estimado leitor apenas terá que observar com atenção a imagens acima e decifrar, em cada uma delas, onde está escondida a verdadeira bola das imagens originais (ou se não está lá de todo).


Respostas possíveis #24 (Guimarães):

A - Bola Azul
B - Bola Laranja
C - Bola Verde
D - Bola Púrpura
E - Não há nenhuma bola escondida


Respostas possíveis #25 (Copenhaga):


A - Bola Azul e Branca
B - Bola Laranja
C - Bola Verde
D - Bola Púrpura
E - Não há nenhuma bola escondida


Já descobriu? Então deixe o seu palpite na caixa de comentários, tendo em atenção as seguintes regras de participação:

1 - Escrever a(s) resposta(s) que considera acertada(s) na caixa de comentários deste post, indicando igualmente um nome e um email válido para contacto em caso de vitória (atenção: comentários anónimos já não são permitidos no blogue).

Exemplo: "#24: C - Bola Verde; #25: B - Laranja"

2 - Entre os que acertarem, serão sorteados os vencedores através da app Lucky Raffle (iOS).

3 - Para ser elegível para receber os bilhetes, deverá fazer o obséquio de:

   a) Comprometer-se a enviar-me duas ou mais fotos da sua ida ao estádio (com pelo menos uma selfie) nas 48h seguintes ao jogo;

   b) Registar e confirmar o seu email (nas "Cartas de Amor", na lateral direita do blogue);

   c) Seguir o FB e o Twitter do DPcA (basta clicar nos links e "gostar" ou "seguir"). 
   Quem não tiver conta nesta(s) rede(s) não será excluído, mas... cuidado porque o Lápis irá investigar :-)

4 - Apenas será aceite uma participação (a primeira) por cada email válido. Pode concorrer em simultâneo a ambas as edições ou fazê-lo em separado.

5 - Cumpridos todos os critérios, o vencedor sorteado será contactado através de um email onde encontrará instruções sobre como e quando levantar os bilhetes.

6 - Se já tiver Dragon Seat ou outro tipo de acesso, poderá oferecê-los a um amigo ou familiar que não tenha a mesma sorte.

7 - A edição #24 deste passatempo termina às 23h00 de 8 de Setembro e o vencedor será anunciado até às 14h00 de dia 9. A edição #25 termina às 23h00 de 12 de Setembro e o vencedor será anunciado até às 14h00 de dia 13.

8 - Se o vencedor não reclamar o prémio até à data e hora referidas no email que lhe será enviado, haverá novo sorteio entre todos os que tiverem acertado na resposta (e assim sucessivamente até se encontrar um vencedor que reclame o prémio).

E é só! Concorra e divulgue, queremos o Dragão sempre cheio!


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A edição #23 teve em Diogo Almeida o seu grande vencedor, finalmente sorteado de entre os (poucos) que acertaram na resposta. E digo finalmente porque o Diogo é um dos concorrentes que mais vezes participou - desta vez, a persistência foi recompensada.




E qual era a resposta correcta? Compare a foto original com a imagem do passatempo...



Nada mais, nada menos do que a sempre magnífica "Bola Azul"!


Cumpridas as formalidades, o Diogo recolheu os bilhetes e assistiu a um jogo complicado mas cujo desfecho final da contenda (a duas mãos) foi totalmente do nosso agrado. Segue-se uma compilação da sua foto-reportagem.



Obrigado Diogo, é assim mesmo que se faz! Espero que goste da edição à la Lápis...

Agora é o momento de se concentrar e deixar as suas respostas na caixa de comentários, para que se habilite a ser um dos próximos felizardos a ganhar os bilhetes. Campeonato e Champions, dois pássaros ainda a voar mas que podem aterrar na sua mão!



Do Porto com Amor



segunda-feira, 5 de setembro de 2016

A Lista de Mendes


Nota preliminar importante: nada me move contra o sucesso profissional de Jorge Mendes. Por linhas tortas ou direitas, a verdade é que partiu de quase nada para chegar ao muito que tem hoje. Mesmo não sendo o maior empresário do mundo como tanto gostam de o pintar por cá, é um dos mais influentes em várias ligas e clubes. Tem obra feita e portante deve merecer o sucesso que tem. Tudo o resto que se diga sobre a sua actividade, sem provas concretas, não passa de especulação.

 (e eu especulo)




A mim, enquanto Portista, apenas me interessa o impacto das suas acções (ou omissões) no sucesso do Clube. E, por essa perspectiva, Jorge Mendes é apenas mais um filho bastardo que se está perfeitamente a defecar para o Porto. Tenho a certeza que não se esqueceu de que foi no Dragão que passou de zé-ninguém a empresário de renome, ainda antes do jackpot CR7. Tanto o clube como o empresário lucraram com a relação. Depois, outros interesses se levantaram. 

Compreendo o afastamento no pós-Gelsenkirschen, tratando-se da internacionalização do seu negócio e de lançar a rede a peixes maiores, muito maiores (financeiramente falando) -  e também de certo deslumbramento que se viveu por cá. Até aqui, tudo imaculado. O problema começa quando Jorge Mendes decide regressar ao investimento local e promove a abertura da lavandaria da Luz. Tem todo o direito de trabalhar com quem quiser, tal como eu tenho de não gostar das suas opções. Mas enfim, cada um à sua vida.

No entanto, não foi só isso que aconteceu. Jorge Mendes nunca deixou de trabalhar com o Porto, e pouco importa se foi mais por vontade da SAD do que pela sua. Se aceitou manter ou reatar ou reforçar a ligação profissional, o que se lhe exigia era isso mesmo, que se comportasse como um bom profissional. Se não queria estar a dar-se ao trabalho de lidar com os tostões de cá, que o assumisse. Se queria apenas engordar vitelos no Seixal, que o assumisse. Como não o fez, mais uma vez tenho o direito, enquanto Portista, de o criticar. Tratar-nos como a parte fraca e descartável é que não. Quem não se sente...


Mais do que mil palavras


Aparentemente, três dos últimos quatro treinadores vieram pela mão do empresário ou, no mínimo, existe uma ligação forte entre eles. Só por aí, já lhe poderia apontar o dedo - no entanto, que eu saiba, ele no máximo "sugere". Quem decidiu foi o presidente Pinto da Costa e restante administração. Maus conselhos, ainda assim.

Bem mais grave se torna a questão quando passamos para os jogadores, a sua grande especialidade. Recentemente, Adrian é a contratação mais sonante que chegou pela sua mão. Neste defeso, abriu a porta 18 a Rafa e deixou Mangala escorregar para a lavandaria de Valência. Quase tudo dito, embora haja mais. 

Falta ainda acrescentar que as aproximações recentes foram sobretudo para fazer "raptos" cirúrgicos, de que Rúben Neves e André Silva são os melhores exemplos (também não ignoro a legítima vontade dos jogadores em pertencerem à sua lista de mercadorias, como é óbvio). Como diria a minha avozinha, é finório. Leva o lombo e deixa o resto para quem tiver interesse.

E vendas? Zero, zerinho. O super-agente de repente perdeu os seus super poderes quando se trata de jogadores do Porto. Em contraste e por comparação, observe-se o que o bom do Mendes tem feito pelo Benfica de Vieira. Quem despacha produtos seixalenses inacabados por 15 milhões aos magotes, perde depois o toque de Midas quando passa o Douro? Não me venham com a treta de que não temos jogadores vendáveis, eles também não tinham. Com parceiros de negócio assim, quem precisa de rivais? The North remembers.

Tenho realmente pena que os dirigentes eleitos do Porto não sejam capazes de impor o interesse do Clube acima de todos os demais, sejam eles pessoais ou de terceiros. Talvez seja tempo de regressar às origens, apostando mais numa rede eficaz de scouting, em vez de depositar cegamente todas as fichas (e responsabilidades) nas mãos de meia-dúzia de empresários meramente guiados pelo seu interesse. Talvez a chegada de Luís Gonçalves para o lugar deixado vago por Antero Henrique (próximo post) dê corpo a essa ideia. Talvez, mas duvido.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor



quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Amadores - Parte 2


Como se já não bastasse ter que o dizer uma vez, cá estou eu de novo apenas 22 dias depois a confirmar o óbvio: neste momento, o meu Porto é governado por amadores


Os reforços mais sonantes que acabaram por cair à última hora (excesso de cachaça)


E o mais grave é que todos sabemos que não o são: não apenas pelos pacotes salariais, mas sobretudo porque estão há demasiados anos no clube, grande parte com provas dadas (ou coladas).


Vamos lá então à cronologia de mais uma época terrivelmente preparada:

1) Em Janeiro de 2016 -  chega Peseiro, contra todas as expectativas. Um mês depois já era claro que se tratava de mais um gravíssimo erro de casting

2) Ainda assim, outros problemas se arrastavam já desde o início da época 2015/16 a nível do plantel e nada foi feito no mercado de inverno para os eliminar. Um central de qualidade (pelo menos um), um médio criativo, um avançado de créditos firmados. Entre outras menos graves, estas eram as três maiores lacunas do plantel. O que aconteceu? Chegaram Marega e Suk, que entretanto "já foram".

3) Em Abril, o presidente Pinto da Costa anunciou, na sua enésima entrevista ao Porto Canal, que a época havia terminado e que daí em diante seria tudo pré-época para ver quem merecia vestir a camisola azul e branca. Era o regresso anunciado das equipas e dos jogadores à Porto, dos negócios em benefício exclusivo do clube e claro, a conquista indispensável da Taça de Portugal. Falhou tudo, até ver.

4) Após a final perdida do Jamor (23 de Maio), consumou-se finalmente a inevitável saída de Peseiro. Contra todas as expectativas de quem já andava em pré-época há quase dois meses, o anúncio do novo treinador tardou. Tardou, tardou, tardou. Até já ser demasiado tarde para alguém poder acreditar que já havia sucessor alinhavado. Não havia. Nada. Ninguém. Zero.

5) No início de Junho foi apresentado Nuno Espírito Santo como treinador. Alguém que estava livre há meses, antes ainda do despedimento de Lopetegui, mas que só serviu para esta nova época. Um mimo. Com ele, ou aliás, acima dele chegou o mágico Mendes. Aquele que transforma qualquer produto inacabado do Seixal em €15 milhões. Aquele que tem novos amigos em todas as grandes ligas, todos eles muito, muito ricos e nada, nada recomendáveis. Tipo o melhor goleador de sempre do Benfica: "Golo do Benfica, é mais um golo do Vidoso". Aquele que conseguiu montar um esquema que fez corar de vergonha a OMO. Tudo limpinho. (Gosto tanto do que ele tem feito por nós que lhe vou dedicar um post exclusivo, já a seguir).

6) Sem créditos firmados, ficava evidente que para ter sucesso NES necessitava de um bom plantel. Equilibrado, pelo menos. Desde a sua chegada, coisas estranhas aconteceram. Titulares como Brahimi e Aboubakar foram relegados para a equipa B, sendo que o objectivo do clube era valorizá-los para os vender. Adrian regressou e foi também para a equipa B, até que por golpe de magia foi repescado a dois dias do final do estágio de pré-temporada. Indi ficou igualmente fora das contas do treinador, apesar da sufocante falta de centrais com o mínimo jeito para a bola no plantel.

7) Os dias sucederam-se, houve o sorteio da pré-eliminatória e nada. Excepto a aparente caça ao gambozino rafeiro (que acabou onde se esperava, após brilhante contribuição para o mais recente troféu de Carnide). Com muita sorte e algum engenho, conseguimos superar a eliminatória e asseguramos a entrada de dinheiro fresco com a presença na fase de grupos da Champions. Era "agora" que íamos finalmente rectificar o plantel.

8) Acto contínuo, chegaram Óliver e Jota (a proxy possível do rafeiro, suponho). Ok, boas contratações. Só ficava mesmo a faltar o essencial: dois (ou um, no mínimo) centrais de qualidade Champions e um avançado goleador. Pois eis que o mercado "normal" se encerrou e o tal central foi para Valência. Mais um grande golpe do Mendes, a enfiar o dedo no traseiro da SAD portista. E sou capaz de jurar que ouvi gemidos de prazer. E o avançado, nem sombra dele.

9) Chegou Boly, o "gajo" que o treinador rejeitou após a brilhante exibição na Supertaça que o rafeiro resolveu. Não sei se poderá atingir o tal nível Champions, mas garanto que não o tem ainda. E que nem sequer é líquido que se conseguirá impor como titular. O que vale é que veio por meia dúzia de tostões. 

10) Na frente, sobram André Silva e as incógnitas Depoitre e Adrian. O primeiro porque de facto não sei (saberá alguém?) do que pode ser capaz e o segundo porque me parece apenas mais um figurante de The Walking Dead. É com estes que vamos jogar campeonato, Champions e taças até Janeiro? Brilhante. Amadoramente brilhante. Brilhantemente amador. 

11) Ah, convém não esquecer Brahimi, que incrivelmente não conseguimos vender, após uma brilhante campanha promocional na equipa B! (Estou a imaginar NES em frente ao espelho, a treinar o engolimento de sapos). Aliás, note-se que não conseguimos vender NINGUÉM com valor de mercado razoável. NINGUÉM. E só precisávamos de uns €60 ou €70 milhões para equilibrar as contas, ficámos próximos...  E que ricos empresários são aqueles com quem trabalhamos. Que maravilha de relações. Quanto a aquisições, o mesmo cenário. Um imenso deserto de ideias e de tudo. Então o milionário contrato de scouting com o filho do presidente não deu para encontrar um único jogador de jeito? Ou terá sido o avançado de última hora que vem de Guimarães para a equipa B?




É isto o Porto actual.

Um clube gerido sabe-se lá por que princípios (é que não se consegue adivinhar, mesmo) e sobretudo, mal gerido. Uma casa em chamas em que os "curadores" se digladiam para ver quem leva o líquido com mais octanas para atiçar a fogueira linda. 

Diz-se que ainda é Pinto da Costa que dá a palavra final em tudo o que tem a ver com o futebol. Pois se é, está equivocado. São erros atrás de erros, falhas atrás de falhas, omissões atrás de omissões. E se não é, não está lá a fazer nada. Seria o primeiro a propô-lo para presidente honorário, mas como executivo o tempo já se esgotou. Quem muito bem resumiu este meu/nosso sentimento foi o Norte do Bibó Porto: "Basta... Estamos Fartos!". Recomendo a leitura.

Se por acaso viermos a ser campeões no final desta temporada, ninguém ficará mais feliz do que eu. Ninguém, porque a felicidade clubística não se mede em comissões. Mas - digo-o já - não será isso que me fará mudar de opinião. Essa, tendo em conta a cruel mas inexorável lei da vida, muito dificilmente se alterará. Não há fénixes a não ser nas mitologias.

Mais uma vez, partimos para uma época sem um plantel que dê garantias de (poder) ser campeão, sem um treinador que inspire confiança à grande maioria dos Portistas e sem uma direcção que se mostre capaz de combater, centímetro por centímetro, cada pedaço do lodo que constitui o lamaçal dos bastidores do futebol nacional. Estamos, uma vez mais, entregues à nossa sorte. Que ela nos sorria, por acaso e para variar.



Lápis Azul e Branco

Do Porto com Amor