Um eterno e quase-exacto mês depois, estamos de volta a casa. E é sempre bom regressar a casa, não é?
![]() |
| Catarina Morais / Kapta + |
Depois de uma semana atribulada, nada como um adversário tenrinho como foi este FC Paços de Ferreira para facilitar a reposição desta nova normalidade. Um adversário que até se esforçou (por uma única vez) por criar alguma dúvida, ao conseguir empatar o jogo logo a seguir ao golo inaugural. Mas foi só isso - e "isso" é muito pouco, em especial para um Dragão intenso e rápido, esfomeado por golos e pontos.
A história do jogo é a dos nossos golos. Quatro na primeira, outros dois na segunda e vários outros por concretizar. Um jogo de sentido único, como vão sendo cada vez mais neste campeonato, dada a colossal diferença de qualidade entre os três maiores e quase todos os demais.
No entanto, é preciso esclarecer que só foi deste modo porque o Porto assim o impôs. Não há como desvalorizar a boa exibição colectiva, muito alicerçada em várias individuais. Deu para tudo, até para tentar relançar André André, Hernáni e estrear Galeno. Só não deu para ver Óliver, mas enfim, boas razões existirão para isso, certamente.
Notas DPcA
Dia de jogo: 21/10/2017, 20h30, Estádio do Dragão, FC Porto - FC Paços de Ferreira (6-1)
José Sá (5): Outra "estreia" ingrata, desta vez no (des)conforto do lar. Logo na primeira intervenção, sofre um golo onde fica a impressão de ser mal batido, aparentemente por ter escorregado no momento de se fazer à bola. Depois, teve ainda um par de más decisões com os pés, mas felizmente sem consequências. Brilhou com intensidade numa boa defesa para canto. A ver o que se segue...
Melhor em Campo Ricardo (8): Um golo, duas assistências e muito, muito jogo de qualidade que poderia ter rendido ainda mais. Uma grande resposta após a ausência (forçada, disse SC) de Leipzig. Quando não tem pela frente um atacante poderoso, solta-se para níveis ofensivos muito difíceis de parar.
Alex Telles (7): Bom jogo, mas para sempre ofuscado pelo brilho do parceiro do outro flanco. A rectificar, o acerto na marcação de livres e cantos, porque apenas num proporcionou verdadeira oportunidade para golo.
Marcano (6): Seguro e tranquilo, num jogo sem grande dificuldade.
Felipe (7): Fez um golaço a ponta-de-lança e ainda marcou por mais uma vez, mas o vídeo-coiso anulou e creio que bem. Teve um par de momentos onde complicou sem necessidade, mas no geral esteve seguro no pouco trabalho que lhe tocou em sorte.
< 71' Danilo (7): Primeira parte de boa qualidade, com uma intensidade que lhe tem andado fugida desde o início da época. Está, finalmente, a aproximar-se da sua forma normal, o que é boa notícia para toda a equipa.
Herrera (6): Tenho de me abstrair dos últimos vinte minutos, durante os quais praticamente não acertou um passe, para me concentrar dos outros setenta, onde atingiu os mínimos para "justificar" uma nota positiva. Enfim, já não me sobra saliva nem paciência para aprofundar.
< 76' Corona (7): Bem mais solto e "acertado" do que vinha sendo regra, em especial na segunda parte em que foi desequilibrador e conseguiu marcar e assistir.
Brahimi (7): Mesmo sem conseguir facturar, esteve especialmente bem na construção, com um grau de objectividade bem superior ao que lhe é habitual. Boa exibição, uma das que mais contribuiu "pela calada" para a grandeza final do marcador.
Aboubakar (7): Marcou o seu golo, mas para mim o seu melhor momento no jogo foi a deliciosa assistência para Marega facturar o terceiro da equipa. No demais, esteve envolvido e solidário com o jogo colectivo.
< 80' Marega (8): O outro lado do espelho de Ricardo, com dois golos e uma "meia" assistência. Possante e demolidor como é seu timbre, atropelou e voltou a atropelar a frágil defesa pacense.
> 71' André André (5): Seria porventura injusto responsabilizá-lo em exclusivo por isso, mas a verdade é que o nosso jogo praticamente acabou quando ele entrou. Seja como for, não impressionou.
> 76' Hernani (5): Chegou quando o jogo já tinha "acabado", pelo que não se poderia esperar que fizesse grande coisa sozinho. E não fez.
> 80' Galeno (5): Registo para a estreia e nada mais.
Outros Intervenientes:
Muito frágil este Paços que se apresentou hoje no Dragão, provável candidato à descida se assim continuar. A destacar alguém, só poderá ser Whelton, pelo bom remate e consequente golo e pelo trabalho que ainda conseguiu dar à nossa defesa.
Quanto a Manuel Oliveira e sus muchachos, demasiados erros num jogo simples de conduzir. Foram realmente muitos desacertos, com destaque para um penálti por marcar por mão na bola num remate de Brahimi e uma provável falta de Corona antes de assistir Abou para o sexto e último golo do jogo. Uma arbitragem fraca, bem à sua medida. Felizmente sem margem para sequer tentar influenciar o desfecho final.
Para fechar, uma nota em discurso directo com o nosso venerável treinador.
Caro Sérgio, permite-me um reparo: para não sobrar margem para especulações, só há um caminho possível: explicar cabalmente as decisões mais relevantes. Se Ricardo não estava em condições ou havia necessidade de o poupar, bastava tê-lo dito após o jogo. E quanto a Iker/Sá, já gastei todo o latim disponível. Nenhum Portista de bom senso tem o mínimo interesse em subtrair em vez de acrescentar à nobre causa que é a nossa, mas a confiança é uma avenida de dois sentidos, convém respeitar ambos. E pelo pouco que conheço de V. Exa., não me parece que se regozije com os auto-intitulados baluartes que só dizem amém. Seguimos juntos, sempre e até ao fim, mas com espírito crítico.
Segue-se a estreia na Taça da Liga, contra o Leixões, já na próxima terça. Bilhetes para o jogo aqui. Até já...
Do Porto com Amor,
Lápis Azul e Branco











