Temos o mau hábito de a apelidar de tudo: "taça da cerveja", "taça dos correios, "taça lucílio baptista" e coisas ainda piores. Tudo porque nos "habitamos" a desvalorizar a Taça da Liga, não por acaso, a única prova nacional que nunca conquistámos. E sabe-se que o karma tende a ser uma cadela para quem o maltrata, não é assim?
Vi o jogo apenas hoje, naturalmente já sabedor do resultado, o que, de forma mais ou menos, acaba por condicionar a percepção com que fico do que se passou em campo. É tudo uma questão de expectativas, não me canso de repetir.
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| Catarina Morais / Kapta + |
Vi o jogo apenas hoje, naturalmente já sabedor do resultado, o que, de forma mais ou menos, acaba por condicionar a percepção com que fico do que se passou em campo. É tudo uma questão de expectativas, não me canso de repetir.
Neste caso, as expectativas não eram favoráveis para ninguém. Sabendo que não fomos capazes de fazer um único golo ao Leixões, sabendo que nas estatísticas finais aparece um singelo remate enquadrado com a baliza e só na segunda parte, não sobrava muito que esperar de positivo. "Deixa lá ver que espécie de cocó é que estes gajos fizeram...".
Visto o jogo à luz desta baixíssima exigência, as coisas não me pareceram assim tão más. Lá está, expectativas. Tivemos algumas oportunidades para marcar, muitas mais quase-oportunidades (que só não o foram por más decisões no último passe ou desmarcação) e o que realmente falhou foi a bola não ter entrado uma vez na baliza do Leixões. Mas não pode ser assim que se avalia este ou outro jogo qualquer. Somos o FC Porto, temos um patamar inamovível de exigência.
O que faltou então? A comparência em campo da nossa forma de jogar (e golear adversários). O que sobrou? Embirrações:
- Com o nosso onze. Se até contra o modestíssimo Lusitano aplaudi a apenas parcial descaracterização da equipa, mesmo tendo em conta o mundo de diferença entre ambos os contendores, jamais poderia achar correcta a opção de Sérgio Conceição para defrontar uma boa equipa da segunda liga. É uma embirração muito minha e de longa data, não há nada a fazer. Quando se mudam 5 em 6 dos jogadores-chave (Telles, Ricardo, Danilo, Brahimi, Marega e Abou, na minha modesta opinião), vão-se as rotinas e a tal forma habitual de jogar. Os treinos nunca são substitutos para os jogos neste aspecto.
- Com a própria competição, até há bem pouco tempo desdenhada pelo próprio Presidente, posição com que sempre discordei, mesmo nos tempos "áureos" de Lucílio Calabote Baptista. Entrar numa competição sem ser para a ganhar é a antítese do que é ser do Porto. Felizmente que o nosso treinador assumiu logo à partida (e ainda mais após este jogo) que é para ganhar, a primeira que temos a oportunidade de conquistar nesta temporada. Falta agora passar das palavras à acção... e que a própria competição deixe de embirrar connosco. Desculpa, Taça da Liga, sim? Sei que fomos mauzinhos contigo, mas já passou... agora já gostamos muito de ti.
- Com a falta de produtividade de alguns jogadores. Não é de empenho que se trata, pelo menos não me pareceu. Vi-os todos comprometidos com o jogo, a esforçarem-se por chegar ao golo. O que não vi foi a qualidade de jogo que se exige a quem joga no Porto. Até que ponto é justo exigir-se aos jogadores que consigam individualmente aquilo que a equipa não consegue, é outra questão. Mas, neste cenário dum onze "virgem", a equipa dificilmente poderia ser mais do que a soma das individualidades.
Não percebi, portanto, a quem se destinava a mensagem do treinador no final do jogo, ao dizer e repetir que estava muito atento a tudo. Também não sei o que Sérgio pediu a cada jogador, o que dificulta ainda mais essa "adivinhação". Fazendo o raciocínio simplista das substituições, os destinatários poderão ser (pelo menos) Hernani, Galeno e Otávio. Nenhum dos três esteve especialmente inspirado (longe disso), mas quem esteve? Se bem que Óliver também tem muita queda para bode respiratório...
Só de pensar que o último jogo que vencemos nesta competição foi ainda com Lopetegui, fico com calafrios. Não é, de todo, normal. De positivo, realço os 100% de eficácia de passe de Herrera. Nem um falhou. Excelente.
- Com a falta de produtividade de alguns jogadores. Não é de empenho que se trata, pelo menos não me pareceu. Vi-os todos comprometidos com o jogo, a esforçarem-se por chegar ao golo. O que não vi foi a qualidade de jogo que se exige a quem joga no Porto. Até que ponto é justo exigir-se aos jogadores que consigam individualmente aquilo que a equipa não consegue, é outra questão. Mas, neste cenário dum onze "virgem", a equipa dificilmente poderia ser mais do que a soma das individualidades.
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| Excelente moldura do povo leixonense, cujo clube que merece ser de Primeira (Catarina Morais/Kapta+) |
Não percebi, portanto, a quem se destinava a mensagem do treinador no final do jogo, ao dizer e repetir que estava muito atento a tudo. Também não sei o que Sérgio pediu a cada jogador, o que dificulta ainda mais essa "adivinhação". Fazendo o raciocínio simplista das substituições, os destinatários poderão ser (pelo menos) Hernani, Galeno e Otávio. Nenhum dos três esteve especialmente inspirado (longe disso), mas quem esteve? Se bem que Óliver também tem muita queda para bode respiratório...
Só de pensar que o último jogo que vencemos nesta competição foi ainda com Lopetegui, fico com calafrios. Não é, de todo, normal. De positivo, realço os 100% de eficácia de passe de Herrera. Nem um falhou. Excelente.
Notas DPcA
Dia de jogo: 24/10/2017, 20h15, Estádio do Dragão, FC Porto - Leixões SC (0-0)
Nota (6): José Sá, Maxi, Reyes, Óliver, Brahimi (>72'), Corona (> 66')
Nota (5): Layún, Felipe, André André, Otávio (<72'), Hernani (<66'), Aboubakar, Marega (>68')
Nota (5): Layún, Felipe, André André, Otávio (<72'), Hernani (<66'), Aboubakar, Marega (>68')
< 68' Galeno (5): Trapalhão, inconsequente e desacertado, continuo sem vislumbrar o porquê do hype à volta deste jogador, talvez por ser raro ver a equipa B. Mas, como aqui se trata da principal, sinceramente não detectei ainda qualidades que justifiquem a aposta. E não, aqui não é embirração: espero sinceramente estar enganado.
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| Catarina Morais / Kapta + |
Apesar do histórico, nada está hipotecado, evidentemente. Só que agora torna-se quase obrigatório vencer os dois jogos remanescentes. Um em casa e outro fora, contra equipas da Liga. Mais complicado do que seria suposto, numa competição feita à medida dos três grandes.
De seguida, regressa o campeonato, com a sempre complicada deslocação aos bons vizinhos do Bessa. E aí, a resposta tem mesmo de ser outra, entrar por lá dentro guns blazing, a disparar contra tudo o que mexer e sem ponta de piedade. Porque lá, é comer ou ser comido, já se sabe. Vamos lá, Porto.
Do Porto com Amor,
Lápis Azul e Branco









