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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

O Porto de Conceição


Estava mortinho que este jogo acontecesse (e acontecesse assim!) para poder finalmente tecer as justas loas a Sérgio Conceição. Quem me segue sabe dos muitos reparos que lhe fui fazendo, a maioria de pormenor mas uma mão deles bem relevantes. Sinto-me por isso bem à vontade para o que agora vou escrever.




À quinta jornada, o Porto garantiu o primeiro lugar do grupo da Champions. O Porto, este Porto de Sérgio Conceição, está nos oitavos com uma jornada ainda por cumprir e no lote dos primeiros classificados no sorteio que há-de vir. Sob qualquer ponto de vista, resume-se numa palavra este desempenho: brilhante.

Não me esqueço nem por um segundo da muita "sorte" que tivemos nos primeiros quatro jogos: o penálti caído do céu em Gelsenkirschen, os inúmeros desperdícios dos turcos no Dragão e igual dose - a dobrar - no confronto duplo com os russos, somando-lhes ainda a penalidade defendida por Casillas. Em todos esses quatro jogos fiquei com a sensação que facilmente o desfecho final poderia ter sido diferente. Poderia... mas não foi.

Até porque me lembro bem do que "foi" Conceição na fase de grupos do ano passado - o ano da sua estreia na competição. Evoluiu depressa e bem, como se lhe exigia. Mas não é para todos, é só para quem tem essa capacidade.

Regressando ao presente, uma série de quatro jogos já tem de servir como "prova" de que há mais (bem mais) do que apenas ter caído nas boas graças da Dona Fortuna. Esta equipa está transformada num grupo muito resiliente, persistente e inamovível na persecução dos seus objectivos. Parece ter sempre seis vidas extra para sobreviver a cada uma das armadilhas que lhe são colocadas no caminho. E isto, meus amigos, mais do que outra coisa qualquer, é mérito do treinador.

Recuemos até ao defeso. O grupo a caminho do estágio em Portimão, convulsão interna, reforços que nunca o chegaram a ser e a conversa decisiva com o presidente. Conceição soube controlar a sua fúria e entender que o melhor caminho - o único caminho - era este, o de seguir viagem com aqueles que tinha à disposição, mas ainda assim sem permitir que outros sem qualquer valor acrescentado (na sua óptica) viessem para fazer número.

Engoliu em seco, contou até dez (milhões?) e seguiu em frente. Perdeu dois jogadores nucleares na defesa e apenas recebeu Militão em troca (até ver, pelo menos). Na direita, só há mesmo Maxi e em algumas ocasiões Corona pode chegar.



Início tremido, derrota caseira com o Guimarães e futebol pouco esclarecido, com poucas soluções para chegar às balizas contrárias. De vitória em vitória até à desesperante exibição que se concluiu com a derrota na Luz. Ponto mais baixo, disse Sérgio. E bem. Foi mesmo, mesmo rasteirinho. 

Aboubakar de fora por vários meses, Soares fora da Champions por má decisão técnica. Só com Marega na frente e André Pereira como enésima opção, a equipa conseguiu este registo próximo da perfeição nestes cinco encontros, sem com isso ter de sacrificar qualquer outra das provas em que está envolvido: liderança no campeonato, apurado na Taça de Portugal e "vivo" na da Liga. E com a Supertaça já conquistada, convém não esquecer.

Nada disto é especialmente diferente do que se exige sempre neste Clube, mas a diferença entre a exigência e a realidade tem sido bem significativa, tal como as quatro épocas antes eloquentemente comprovam. E é aqui que Conceição tem o seu imenso mérito: o de voltar a fazer coincidir as expectativas com a realidade dos números. 

Sobre a conquista da época passada já tudo foi dito, em relação ao que irá suceder nesta ainda é cedo para dizer em definitivo mas uma coisa é certa: tudo o que de positivo vier a suceder terá como principal responsável o nosso treinador. Insisto, o nosso treinador, não a "nossa" administração e nem o nosso presidente.

Sem Ricardo Pereira e sem Marcano, com Herrera outra vez "Errera", Telles eclipsado, Oliveira de volta à penumbra e sem Aboubakar. Logo no final da época disse em entrevista que este ano iria exigira mais a Corona e Otávio. Dito e feito, ei-los que nos enchem de golos, assistências e ainda mais esperança. E o craque Militão, que o é mas ainda agora chegou. E Maxi a dar tudo o que já não tem. E Óliver a tentar provar que merece mais. Isto, meus amigos, é "só" trabalho da equipa técnica.

Desde que a época começou e até aqui chegar, já muitos (poucos...) cabelos se esbranquiçaram à custa do bom do Sérgio. As exibições cinzentas, as vitórias sofridas e as tiradas descabidas. Destaco obviamente a rábula dos pseudo-adeptos, do Sá da Bandeira e quejandos: num primeiro momento profundamente errado e a dar nota de não saber lidar com a (justa) crítica, o treinador não tardou mais do que uns dias a ter a inteligência e o bom-senso de recuar, reduzindo ao mínimo o tom da contenda e assim pondo ponto final nesse não-assunto. Parece óbvio agora, mas na altura não seria tanto. 

E assim conservou atrás de si todo o Mar Azul, ciente do muito que havia conquistado e esperançoso no muito que ainda há para conquistar. E assim, já a entrar em Dezembro, seguimos. Felizes, líderes, esperançosos.



Notas DPcA 

(por ordem cronológica)



Dia de jogo: 31/10/2018, 19h00, Estádio do Dragão, FC Porto - Varzim SC (4-2)




Jogo bem mais acidentado do que se previa, com o Varzim a conseguir molhar a sopa por duas vezes (a última delas graças a uma mega-oferta de Sérgio Oliveira). No final, a vitória que se exigia apesar do susto. Na memória perdurará apenas a jogada mágica de Corona que ofereceu o golo a André Pereira.

Nota (8): Corona (>45')

Nota (7): Bazoer (<77'), Otávio, Soares (>65'), André Pereira

Nota (6): Vaná, Mbemba, João Pedro (<65'), Hernáni, Adrián, Óliver (>77')

Nota (5): Chidozie, Jorge (<45'), Oliveira

Sérgio Conceição (6): Deu lugar aos menos utilizados (e bem), apesar de ter exagerado na quantidade. Uma equipa que nunca joga junta (treinar não é jogar) não pode ter rotinas e nenhum adversário se pode menosprezar hoje em dia. No final, cumpriu o objectivo e por isso ganhou a sua aposta. Mas mais cuidado de futuro.


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Dia de jogo: 03/11/2018, 18h00, Estádio da Madeira, CS Marítimo - FC Porto (0-2)



Jogo tradicionalmente complicado e que se foi complicando ainda mais à medida que o cronómetro avançava (e muito pela nossa inabilidade) até que o desespero se parecia ter instalado com o penálti infantilmente desperdiçado por Marega.

Felizmente nas estrelas estava escrito um final feliz e quase foi preciso um prospecto para poder apreciar a obra de arte colectiva de onde resultou o primeiro golo do encontro, magnífico. O maestro foi Otávio, vindo do banco. Vitória muito importante e totalmente merecida.

Nota (8): Otávio (>67')

Nota (7): Militão, Danilo, Brahimi (<79'), Marega

Nota (6): Iker, Felipe, Óliver, Corona, Soares (<74'), Herrera (>74'), Mbemba (>79')

Nota (5): Maxi (<67'), Telles


Sérgio Conceição (7): Mais de uma hora de jogo nada brilhante que no entanto não comprometeu objectivo último dos três pontos. Bem ao "não deixar" a equipa esmorecer após o penálti falhado, mexendo de imediato e de forma decisiva com o lançamento de Otávio. Se a vitória esteve em dúvida, foi Conceição quem mais ajudou a desfazê-la.


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Dia de jogo: 06/11/2018, 20h00, Estádio do Dragão, FC Porto - Lokomotiv (4-1)



Outra exibição no "limite" com a fortuna a favorecer-nos uma vez mais. O Lokomotiv teve várias oportunidades para fazer duvidar o desfecho até final mas acabou por as desperdiçar. Ainda bem para nós, que assim seguimos na liderança do grupo. Reconfortante e merecida a standing ovation ao herói da pátria Éder.


Nota (7): Iker, Danilo, Herrera, Óliver (<84'), Brahimi (<68'), Corona (<77'), Marega, Otávio (>68')

Nota (6): Maxi, Militão, Felipe 

Nota (5): Telles, Hernáni (>77')

Nota (-): Oliveira (>84')

Sérgio Conceição (7): Outro jogo a demonstrar o quanto o treinador evoluiu a este nível, procurando dotar a equipa dos fundamentais equilíbrios em todos os momentos. Nada de euforias, nada de loucuras, saber jogar com o relógio e com paciência deu os frutos desejados. Ainda que pudesse ter sido diferente o resultado... só que não foi.


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Dia de jogo: 10/11/2018, 20h30, Estádio do Dragão, FC Porto - SC Braga (1-0)




Bom jogo de futebol, do melhor que se tem visto por cá, com a fortuna de novo a sorrir-nos no final. Abomino o estilo de Abel mas devo reconhecer que a sua equipa fez um belo jogo no Dragão e que, com a tal sorte do seu lado, até poderia ter vencido. O empate nunca ficaria mal a nenhuma das equipas. Felizmente ganhámos nós e assim passamos a líderes isolados do campeonato. Como mais gostamos de estar.

Nota (8): Soares

Nota (7): Iker, Militão, Danilo, Óliver, Brahimi (<72'), Corona (<64') Otávio (>63')

Nota (6): Maxi, Telles, Felipe, Marega (<89'), Herrera (>72')

Nota (5): Hernáni (>83')


Sérgio Conceição (7): Boa postura desde o início, ainda que o jogo jogado nem sempre lhe tenha feito justiça. O melhor foi mesmo quando decidiu mexer, porque foi assim que desbloqueou o impasse e ganhou o jogo. A equipa "soube" resistir às boas investidas do adversário e acabou com xeque-mate. Que bela é a vida...


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Dia de jogo: 24/11/2018, 20h45, Estádio do Dragão, FC Porto - CF Belenenses (2-0)



Jogo de taça... desta vez o treinador foi mais prudente e reduziu a quantidade de mudanças no onze. o que se notou na fluidez do jogo colectivo, muito mais próximo da nossa normalidade. Vitória segura rumo à eliminatória seguinte e sempre com o Jamor em fundo.

Nota (7): Adrián, Óliver (<86'), Corona, Soares

Nota (6): Fabiano, Telles, Militão, Felipe , Herrera, Otávio (<66'), André Pereira (<76')

Nota (5): Oliveira (>66'), Marega (>76')

Nota (-): Mbemba (>86')

Sérgio Conceição (6): Sem deslumbrar e sem tremer, a equipa assegurou o único objectivo da partida. Missão cumprida.


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Dia de jogo: 28/11/2018, 20h00, Estádio do Dragão, FC Porto - Schalke 04 (3-1)



O jogo que o treinador classificou como o mais complicado do grupo - não o sendo, entende-se bem o propósito. Era o que bastava para garantir o apuramento em primeiro e assim ficar melhor posicionado para o sorteio dos oitavos, feito raro para as equipas deste rectângulo do vale-tudo. Jogo bem encarado, sem precipitações ou ansiedades prematuras e as coisas acabaram por acontecer com alguma naturalidade, depois de uma vez mais a equipa saber resistir a alguns momentos complicados.

É a tal da resiliência, do "calo" que vai crescendo na mentalidade deste grupo. Tudo pode ser possível, se trabalharem para isso. E uma equipa que acredita nisto é sempre mais difícil de derrubar. E a estreia do menino-craque a marcar na Champions a ficar para a posteridade.

Nota (8): Militão

Nota (7): Iker, Danilo, Corona (<79'), Marega

Nota (6): Telles, Felipe, Herrera (<85'), Óliver, Otávio (>79')

Nota (5): Maxi, Brahimi (<74') Adrián (>74') 

Nota (-): Hernáni (>85')

Sérgio Conceição (8): Nova prova de maturidade (prematura) do treinador, demonstrando que claramente entende como se disputa e se vencem jogos nesta competição. Claro que fomos felizes, mas desta vez sem nada de muito relevante e de que o adversário se possa queixar (a não ser de si mesmo). Este jogo e esta vitória foram o corolário de uma campanha quase perfeita e a nota também reflecte isso mesmo. Parabéns mister.


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Termino voltando à resiliência. É mesmo disto que os campeões, os vencedores das corridas de fundo são feitos. Sobretudo os que à partida não sugeriam grande capacidade para o ser. Sérgio Conceição não é perfeito - longe disso - mas foi o melhor que nos poderia ter acontecido neste momento do tempo. Por isso e quase só por isso, um outro e renovado agradecimento ao presidente Pinto da Costa por ter voltado a acertar ao fim de tantos falhanços sucessivos. 

Siga para campeonato, na batalha campal do Bessa. Lá estarei, como sempre.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco






domingo, 26 de agosto de 2018

A Conspiração dos Sérgios


Eu sabia. Eu sabia que tinha de haver outra razão para lá da merecida preguiça de férias para ter decidido adiar a crónica do jogo do Jamor e condensá-la na do jogo de hoje no Dragão. Eu sabia.




Isto de ser doentinho pelo Clube, antecipando a descida rumo ao paraíso só para parar a meio, no inferno, e ver o jogo do Porto, tem que se lhe diga. Fui, vi, sofri, injuriei e finalmente - sem saber bem como - festejei aliviado. Ainda não era dessa - à segunda jornada - que iríamos desperdiçar pontos, o que somado ao facto de se tratar de uma deslocação que se tem tornado complicada, poderia dar alento e aumentar a crença de que devagar, devagarinho, lá íamos indo. Só que...

Só que, o que se passou no Jamor - corrijo, o que eu vi no Jamor - foi pouco menos do que assustador. A equipa escolhida do plantel campeão nacional, descontando dois ou três titulares essenciais desbaratados sem eira nem beira, teve um comportamento muito preocupante para o muito que se segue. 

Mesmo com a sorte do jogo a soprar na nossa direcção, fomos incapazes de guardar uma confortável vantagem de dois golos, fruto de uma gritante incapacidade de controlar a bola e o jogo rápido do adversário (um bom adversário, diga-se, mas a lutar por uma época tranquila e pouco mais). O lance do segundo golo (estou ainda no Belenenses-Porto, ok?) é simplesmente uma inadmissível sequência de erros grosseiros, individuais mas também colectivo e sintomática de uma equipa à deriva, sem confiança no seu plano de jogo.

Como sabemos, no final tudo acabou em bem. O VAR deu-nos um penálti, da mesma maneira que tinha dado um ao adversário, e Telles teve a classe necessária para marcar o golo da vitória. Os três pontos foram para o Dragão, mas o amargo de boca ficou. 




Fast-forward para esta noite desconcertada no Dragão, frente ao até então sem-pontos Vitória de Guimarães. Em teoria, um adversário na mó de baixo, presa ideal para mais uma festança em família com a casa cheia. Mesmo onze da semana passada (...) e vamos a isso. 

Uma primeira parte sem grandes coisas para contar, para lá de um golaço de Brahimi e de um inacreditável erro da arbitragem ao validar o segundo golo ao estreante André Pereira, claramente em fora-de-jogo. Sim que a equipa esteve longe de ser brilhante, mas nem assim encontro respaldo para as "francas" declarações do treinador no final, ao carregar na tecla de que já na primeira parte as coisas não tinham estado bem. Não tinham, é certo, mas em que primeira parte desta época já estiveram? Houve assim uma quebra tão acentuada face as anteriores para merecer esse destaque? Não creio.

Quem assistiu, de forma privilegiada como Sérgio Conceição o fez, à segunda parte tenebrosa da sua equipa, só tem é de relevar o que aconteceu na primeira. O descalabro começou na burrice infantil de outro Sérgio, o Oliveira, que tal como na jornada passada, foi de longe o pior em campo e nem assim o treinador teve a inteligência de o mandar tomar banho mais cedo (muito mais cedo). Sim que as lesões alteraram os planos, mas mesmo ANTES delas já se justificava a "expulsão" do médio - demasiado fraco para jogar (para ser convocado) no Porto nesta forma actual. 

Acreditem ou não, uns 10 segundos antes da burrice que deu o penálti e consequente 2-1, já eu pensava para mim mesmo que ia dar asneira da grossa. É que não é preciso muito mais que dois olhos e uns anitos a ver futebol para o intuir. E já vinha do Jamor, insisto. Num meio-campo assente em apenas dois jogadores (Otávio é um "extra", não vem de "série"), quando um deles simplesmente não rende, tudo se tende a desmoronar.

[Para quem não me lê há pelo menos uma época, esclareço que sou um dos "fãs" de Sérgio Oliveira, um dos poucos que nunca deixaram de acreditar que ainda poderia "dar jogador", como tal sinto-me perfeitamente à vontade para agora escrever o que escrevo]

Compreendo, até certo ponto, o dilema do treinador, quando olha para o banco e não vê nem um jogador com o "perfil" adequado para substituir Oliveira e pedir-lhe que assuma as mesmas tarefas; mas caramba, há um limite que se traça quando o "original" passa a comprometer a equipa lance após lance defensivo: aí, não tendo cão, é mesmo preciso ir ao saco de gatos e confiar que um deles acabará a latir.




Os outros dois golos sofridos foram exemplos do descontrolo e da desorganização que reinava na equipa. Vários erros individuais nas marcações e no posicionamento, dificuldade em reagir, incapacidade para deter a bola e/ou os adversários. Como se explica isto, em jogadores com a experiência de Maxi (falhou hoje e no Jamor)? Ou Felipe, que desde que soube que ia à Canarinha só tem metido água? Ou? Ou? Ou?... 

Claramente, a equipa não está bem. Hoje, mal saiu Brahimi, o nosso íman de estimação, a equipa encolheu-se e perdeu a direcção da baliza adversária. Não por o argelino ser peça-chave no jogo colectivo, mas precisamente por ser peça-chave (e quase única, por estes dias) para individualmente manter uma mão cheia de adversários em sentido permanente. Sabendo-se da Maregodependência da época passada e da actual correspondente "ressaca", perder também Brahimi parece resultar no esmigalhar completo da equipa, perdendo o sentido colectivo e a necessária coesão para um bom funcionamento.

E por mais voltas que se dê - algumas bem justificadas, como a ausência de reforços, dignos do nome, para no mínimo compensar as saídas - é mesmo a Sérgio Conceição que devemos pedir explicações. O que se passa com a equipa, dentro da equipa, que possa explicar estas duas exibições tão, mas tão fracas?

Mais, o que se passa com o próprio treinador, que no Jamor tão mal mexeu na equipa? Má leitura do jogo? Achar que não tem soluções melhores no banco para o que pretende? Difícil de descodificar. Inegáveis são os factos. Por duas vezes a ganhar por 2-0, deixámo-nos empatar já perto do final. Na primeira, conseguimos vencer. Nesta segunda, acabámos inapelavelmente derrotados.

Parece-me que há uma conspiração momentânea dos Sérgios, ou melhor, contra os Sérgios. Os astros, os administradores e os adversários, todos se conjugam em conluio para lhes tramar a vida. E os pobres, atraídos pela luz brilhante, acabam por lhes fazer a vontade. Deixam-se levar, perdem o Norte e acabam a decidir mal, dentro e fora das quatro linhas. 

A solução? O reequilíbrio. Parar para analisar e pensar. Reflectir. Concluir e depois fazer de acordo. Pode cair bem no goto do adepto aquela postura frontal e coisa e tal após a derrota, mas na verdade de pouco vale se a seguir não se for ao fundo das questões com o objectivo único de as resolver. 

Esta equipa joga pouco futebol. E quando não tem a bola, parece não saber o que fazer, o que ainda assusta mais. Acredito que esteja tudo relacionado, faz sentido que assim seja. Mas já é tempo de encontrar o caminho, outro caminho e de o percorrer. Antes que seja tarde demais. 

Em simultâneo, continuar "irredutível" a fazer ver à direcção que faltam jogadores de qualidade para várias posições. Mas ir fazendo pela vida com os que cá estão, just in case. Assim é muito pouco. Assim não chega.




Notas DPcA 

(por ordem cronológica)


Dia de jogo: 19/08/2018, 18h00, Estádio do Jamor, Belenenses SAD - FC Porto (2-3)


Nota (7)Alex Telles, Herrera 

Nota (6): Iker, Diogo Leite, Otávio (<73'), Brahimi (<81'), Aboubakar, André Pereira (<64') 

Nota (5): Maxi, Felipe, Óliver (>73'), Corona (>64')Hernáni (>81')

Nota (4): Sérgio Oliveira

Sérgio Conceição (5)

Ganhou, é um facto, mas foi por pura sorte. Foi um tal de Capela que o safou, que nos safou do empate, já em plenos descontos. Não se compreende como é que uma equipa que recebe uma oferta adversária e se apanha a vencer por dois logo no recomeço da segunda parte, se deixa depois voltar a empatar já perto do final. Um autêntico hara-kiri de que o treinador tem de ser o principal responsável. 

Não compreendi a "bondade" das duas últimas, não só pelos "nomes" mas pelos respectivos momentos que o jogo atravessava. Creio que cada uma delas contribuiu para agravar o estado da nossa equipa, sobretudo por subtrair Otávio e Brahimi ao jogo, mantendo o morto-vivo Oliveira nas quatro linhas. Algo vai mal na cabeça de Sérgio (ou na minha).


Outros Intervenientes:


Outro bom jogo deste Belenenses de Silas contra nós, nomeadamente na forma como alterou a equipa durante o jogo. Destaque natural para Fredy, mas houve mais quem desse nas vistas.

Vi o jogo apenas no estádio e poucas repetições dos lances críticos à posteriori, mas fico com a ideia de que houve uniformidade do VAR no critério das grandes penalidades. Não que sejam lances iguais, mas o princípio subjacente parece coerente. Na minha forma de ver futebol e interpretar as leis, não marcaria nenhum deles, o que também me sugere haver proximidade entre os dois lances. No restante, foi Xistra.






Dia de jogo: 25/08/2018, 21h00, Estádio do Dragão, FC Porto - Vitória SC (2-3)


Nota (7): Brahimi (<51')

Nota (6): Telles, Otávio, Herrera, Aboubakar (<62'), André Pereira 

Nota (5): Maxi, Diogo Leite, Felipe, Óliver (>74'), Marega (>62')

Nota (4): Sérgio Oliveira

Nota (-): Corona (>51') (<74')

Sérgio Conceição (4)

Mesmo filme, final diferente: desta vez foi de terror. Indo directo aos assuntos, porquê manter Oliveira em campo para lá dos 50 e poucos minutos, de tão flagrante que já era o seu desacerto e falta de pulmão? Porquê retirar Aboubakar do jogo, fosse a troca por quem fosse (sim, sofremos três golinhos desde a sua saída)? 

O que explica esta fragmentação da equipa nos últimos trinta minutos dos encontros? Questões físicas? Mentais? E por que motivo temos sido fustigados com tantas lesões musculares, desde a Supertaça até agora? Não haverá aqui um padrão de treino com urgência de revisão? Muitas perguntas sem resposta (conhecida). Veremos o que se segue.


Outros Intervenientes:


Não sou capaz de alinhar no discurso dos parabéns a este Vitória de Luís Castro, que pelo que vi pouco mais fez do que aproveitar as escassas ocasiões que teve e depois resistir com a ajuda de todos os santinhos. Teve a sorte do jogo, depois de ter sido severamente prejudicado num golo pela arbitragem ausente. Não lhes tiro o mérito da resiliência, mas não me atirem com "vitórias justas" porque não foi o caso. O empate era o mais correcto.

Gritante o erro da validação do segundo golo, o de André Pereira, que depois se veio a saber devido a não ter havido VAR durante meia-hora. Coisas do arco da federação, já se sabe. Uma vergonha. O suposto penálti sobre JCT seria forçadíssimo, houve contacto mas de "ponta com ponta", nada que o derrubasse, acho acertada a decisão. Outros lances não posso comentar, porque não pude rever ainda.

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O Twitter, ah o Twitter. Quem acha que não há nada pior do que uma derrota caseira, que experimente navegar pelo pássaro azul nos momentos subsequentes. É vê-los, aos baluartes do portismo, a disparar alarvidades de todo o feitio e em todas as direcções. O meu top 10, injusto pelos outros 10 que mereciam igualmente estar na lista, mas enfim, a vida é tramada:

1) Pronto, já vêm (ou veem, FJM?) os abutres, os portistas de merda, criticar logo à primeira oportunidade [medalha de ouro, every time]
2) Agora é que temos de estar todos juntos, somos todos importantes, mar azul, sieg heil
3) A SAD é que é uma merda
4) Não, o treinador é que é uma merda
5) Não, não, os jogadores é que não valem nada: menos o André André e o Tozé, que faltinha nos fazem
6) E os gajos que comem pipocas no estádio? A culpa é deles, claro. Mais dos que saem antes de acabar, traidores!
7) Grande Vitória, derrota justíssima (mesmo perante stats que escancaram o oposto)
8) Isto sem o Marega não vai lá!
9) #MeteOMarega (e o Óliver)
10) Isto nem com o Marega lá vai!

Enfim, já desabafei também. Vou regressar às minhas férias. 



Não vou, não, que isto não se evapora assim. Amanhã vou passar ainda mais tempo dentro do mar salgado, diz que desincha mais rápido. Depois confirmo.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco