Tal como a grande maioria dos Portistas, assisti ontem ao primeiro jogo do FC Porto versão 2018/19. Por azar - ou por sorte, conforme já explicarei - começamos com uma derrota, às mãos de um renovado mas muito desfalcado SC Portimonense.
![]() |
| Foto de Catarina Morais / Kapta + |
Foi o primeiro de três jogos a realizar em terras algarvias, e, longe de ter sido brilhante, também não foi particularmente preocupante de ver, no que aos processos da equipa diz respeito. Conforme se previa, Sérgio Conceição deverá manter as suas "apostas" tácticas e estratégicas, possivelmente reforçando-as com uma ou outra versão alternativa.
Dentro dos normais condicionalismos da pré-época, o que se pode retirar de mais relevante deste jogo é que ainda há muito para fazer, dentro e sobretudo fora do campo.
Lá dentro, viu-se que grande parte dos jogadores ainda está longe do seu pico de forma. Tudo normal, digo eu. O meu destaque positivo neste capítulo vai para Soares, que parece estar dois degraus acima dos demais. Pela negativa, Telles & Marega, ainda muito "gordinhos", facto que se nota ainda mais pela sua importância acrescida no jogo colectivo. Os demais, estão "na média", uns melhores, outros piores, mas todos num evidente estado de work in progress. Nota apenas para a fraca prestação conjunta da dupla de meio-campo, Óliver e Sérgio Oliveira.
Apertando a malha para fisgar apenas os reforços, reais ou temporários (equipa B), o cenário escurece e as fragilidades do plantel campeão, já depois de desfalcado pelas saídas (Ricardo, Marcano, Dalot, etc.), saltam à vista de qualquer um que não se recuse a vê-las.
Foram boas as indicações deixadas por André Pereira, Oleg e sobretudo Diogo Leite - que parece estar pronto para ficar no plantel principal - mas quase tudo o resto pareceu muito curto para jogar no representante português na Champions League.
João Pedro não me agradou e, ao contrário do que tenho lido hoje, não parece estar pronto para ser opção principal nem secundária sequer. Saidy ainda menos, mas o tempo que esteve em campo foi insuficiente para avaliar com precisão. Aliás, como sempre digo, é insuficiente para avaliar qualquer nova entrada no plantel. E não se trata sequer do potencial dos jogadores, mas sim daquilo que conseguem oferecer no momento - duas coisas bem distintas.
Chidozie fez-me regressar à final do Jamor com Peseiro ao leme, e mais não digo. Mikel continua excessivamente agressivo e pouco assertivo, tal como Bruno Costa o foi. Ewerton não deu para perceber muito, apesar de alguns bons pormenores. Adrian é um peso morto.
Pelo meio, os pseudo-reforços de janeiro passado sobreviventes continuam a não demonstrar o porquê das suas comissões, perdão, contratações. Paulinho e Waris entraram já na fase das múltiplas substituições, é certo, mas nada conseguiram individualmente que os fizesse sobressair pela positiva.
No final, uma sempre irritante derrota, fruto de duas auto-estradas na nossa defesa (ou seria a mesma?) e da baixa eficácia ofensiva. De bom, sobrou o cheirinho inicial ao futebol do campeão e a entrega ao jogo com que a maioria dos jogadores nos brindou.
![]() |
| Catarina Morais / Kapta + |
Dito isto, o que realmente importa salientar neste momento da época?
- Que o sangue quente de Sérgio Conceição é a minha única esperança de que o plantel deste ano seja, se não melhor, pelo menos mais equilibrado do que o do ano passado;
- Que as saídas de Marcano e Ricardo Pereira (+Dalot) estão por preencher. Não há outra forma de o dizer. Quem já chegou parece estar a milhas de poder ser opção no imediato. Como as coisas estão, Maxi será titular absoluto e sem substituto, tal como Telles. Dois acidentes à espera de acontecer, que exigem duas boas contratações para concorrer pelas posições.
- A isto acresce o facto do que, no centro da defesa, saiu também o único backup que era Reyes (e já não era grande coisa), pelo que apenas temos um central de momento e uma boa promessa que, em último recurso, poderá ser o tal backup. Mas falta um titular indiscutível para parceiro de Felipe e um outro para lutar pelo lugar.
- No meio, não se pode avaliar grande coisa, porque não estão ainda os dois mais influentes do grupo, Danilo e Herrera (eu sei, eu sei). Claro parece ser que, continuando assim, o máximo que conseguiremos será igualar o que tínhamos no ano passado. O que é curto. É essencial um sósia para Danilo e, se possível, um André Gomes com opção de compra (bombs away).
- Na frente, não vejo a propalada urgência em contratar um outro goleador, ficando Marega, Abou e Soares. Muito mais importante seria reforçar as alas com titulares ou fortes candidatos a tal.
E pronto, por agora é só isto. Reforço a mensagem de que todas as análises sobre a valia dos jogadores nesta fase são prematuras e susceptíveis de serem desmentidas mais adiante. Mas são o que são, porque mais não há para ver.
Sinto enorme vontade de abordar a política de contratações da SAD, mas vou conter-me até final do mercado. Ou até ao final do primeiro jogo oficial, a Supertaça, dia 4 de Agosto. Entretanto, vamos vendo o que houver para ver e acreditar que os muitos erros do passado, intencionais e involuntários, não se repetirão. Haja fé.
Lápis Azul e Branco





