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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Ontei sonhei que... #2


... a zanga das comadres da segunda circular era, afinal, uma enorme farsa mediática montada pelos seus astutos líderes, com o intuito de entorpecer o espírito combativo que sempre nos caracterizou, assistindo de poltrona à peixeirada pública com que águias e leões nos têm presenteado dia sim dia sim.

O eixo do mal ?


Em detalhe, ontem sonhei que, a altas horas da madrugada, tinha entrado num qualquer prostíbulo da noite alfacinha (ao engano, claro está) e que o primo do Luisão me tinha indicado e conduzido a uma mesa recatada num dos cantos mais escuros do decadente estabelecimento. Ao sentar-me, qual não foi o meu espanto ao reconhecer dois vultos na mesa adjacente, num recanto ainda mais escuro do que o meu. 

Enquanto via os dentes do primo do Luisão a afastarem-se e a sua mão a estalar os dedos a duas jovens casadoiras, realizei que quem se sentava na mesa ao lado, quase ao colo um do outro, eram nada mais nada menos do que os digníssimos presidentes de Benfica e Sporting. 

Contaram-me que nestes locais do demo raramente se consegue conversar sem ser ao ouvido e com uma garrafa de espumante (paga ao preço de champagne) já servida, mas por sorte o pigarro de Bruno de Carvalho sobrepôs-se à musica ambiente e lá consegui ouvir metade da conversa.


BdC - Mas você acha que isso pode resultar? Olhe que eles lá em cima não são parvos...

LFV - ...

BdC - Eu sei que você come as papas na cabeça do Vitor Pereira, aliás toda a gente sabe, mas...

LFV - ...

BdC - Três para vocês e dois para nós porquê? Nem pensar, como o Sporting ninguém se m...

LFV - ...

BdC - Sim, tem razão, desculpe lá a lenga-lenga, é o hábito. Ok, têm mais adeptos, pode ser... Mas como é que vamos fazer isto? Estamos sem cheta, sem jogadores... o Marco é um chato do car...

LFV - ...

BdC - O Octávio? Você quer matar-me de riso? Nem para adjunto!

LFV - ...

BdC - O Inácio também não, é um mitra... deixe-me pensar... só se fosse o Jesus!

LFV - ...

BdC - Você até "agardece"? Isso é que é confiança... Queima o Vitória e daqui a dois anos mete um a sério? Você lá sabe...

LFV - ...

BdC - Mas e o Vitinho alinha nisto?

LFV - ...

BdC - Está lá dentro no privado? Maland... Ah... com o Reinaldo... porra pá, que gajo esquisito...

LFV - ...

BdC - Certo! Vamos fazer de conta que nós vos gamamos o JJ (sem ele saber, claro) e depois passamos a vida com comunicados e queixas uns contra os outros! Olhe, se me der na gana até me pego com aquele gordo asqueroso...

LFV - ...

BdC - Ah! Ah! Ah! Não é o Barroso, é o vosso! Combinado então! Aqueles morcões nem vão perceber o que lhes acertou!


De repente senti-me enjoado - não sei se pela visualização mental do ninho de amor do Vitinho e do Reinaldo ou se pelo espumante barato que entretanto uma das casadoiras me foi despejando pela goela abaixo - e senti a inadiável necessidade de ir arejar.

Enquanto me dirigia para a saída, ocorreu-me que ali se estava a escrever outra das páginas mais negras do futebol português, como se o Sr. Oliveira ainda não tivesse caído da cadeira. E também que foi dos melhores discursos que havia ouvido de LFV. 

Ao passar pela escadaria de acesso aos privados, vi alguém descer e passar por mim a grande velocidade, semi-nu, e logo atrás outro vulto, o de um finguelinhas, a gritar "Não fujas meu Reizinho, a noite ainda é uma criança!", mas que com a excitação tropeçou e vinha estatelar-se mesmo em cima de mim... 

"Acorda, tens que levar as crianças à escola!"

Ufa. Salvo pelas crianças.


Obviamente, foi apenas um pesadelo. Obviamente, a Liga Aliança não passou de um tentativa falhada de LFV se tentar perpetuar no SLB, a salvo de qualquer efeito nefasto de qualquer pó incriminador. Obviamente, o #colinho não passou a #colinho. Obviamente, o primo do Luisão não sabe estalar os dedos.


Obviamente. Mas e se não fosse apenas um pesadelo?



Do Porto com Amor




quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Ontem sonhei que...


...andava a deambular por Lisboa com 3 amigos, não sei muito bem por que motivo. Do que me lembro, é que quando o sol se começou a pôr e a barriga a dar um pré-aviso, percebemos que era altura de decidir onde jantar. 




 - Sashimi - disse um deles, que tem a mania que é descendente de focas ou de pinguins.

 - Nem penses, muita guita... um prego e um fino e está feito... - contrapôs outro, o mais lesado pelo(s) Espírito Santo.

 - Então e se jantássemos os quatro como reis, com tudo à descrição... por meia dúzia de tostões? - sugeriu o terceiro, um gajo porreiríssimo mas com longo historial de problemas mentais.

 Eu mantive-me calado.

 - Comer à patrão e barato? Isso não existe, palerma! - retorquiu o novo teso.

 - Claro que existe... venham daí!

Olhámos uns para os outros, sabendo que daquela cabeça poderia sair qualquer coisa, menos algo decente. Ainda assim, como sempre, segui-mo-lo. Entramos no Uber e lá fomos. 

- Onde vamos, carago?

- Ao Colombo. 

- Quê?? Àquela merda? Com a cesta do pão mesmo ali ao lado? Parece Estarreja, nem se consegue comer! - protestou de imediato o tataki de atum.

- Queres comer como um Lord quase sem pagar ou não? AAAAH??

...

Rossio acima, Restauradores, Av. Liberdade, Marquês, Fontes Pereira de Melo, Saldanha and so on, so on... até ao final do Campo Grande, onde entramos na Segunda Circular. No processo, ainda conseguimos vislumbrar dois gordos à bofetada numa das escadarias exteriores do Alvalade XXI, aparentemente a disputar um qualquer dossier, cujas páginas se iam soltando em magotes e esvoaçando ao vento, a cada murraça ou biqueiro mal empregue. A assistir e a torcer pelo balofo verde, um indivíduo de bata branca e estetoscópio esbracejava efusivamente a cada milho que aterrava em cheio no gordo encarnado. Uma espécie de cruzamento entre Dr. Mengele e um símio de grande porte, que dava a sensação de poder a qualquer momento começar a bater no peito e pendurar-se num galho vizinho. Estando o vidro do carro aberto, conseguia-se ainda sentir um desagradável odor a um qualquer destilado barato proveniente da inusitada cena.

Como a malta da Uber tem mais o que fazer do que andar a engonhar para aumentar a corrida, não tivemos oportunidade de assistir aos desfecho da contenda. Mas reparamos no representante da Federação Portuguesa de Sumo que se aproximava do local, bem como alguns tratadores do Jardim Zoológico. 

Adiante. Lá continuamos, negociando o trânsito rumo ao centro comercial. Confesso que não fazia ideia sobre o que o nosso Goofy de estimação nos estava a preparar. Vindo dele, tudo seria expectável... excepto alguma coisa normal.

A pouco mais de 500 metros da nossa saída, o trânsito parou. Por completo. Passaram uns bons 10 minutos e nem um centímetro se avançou. O "lesado" não aguentou e saiu do carro para ver o que se passava. Foi caminhando por entre os carros imobilizados até que deixamos de o conseguir ver.

De repente, voltamos a vislumbra-lo a correr de volta e a chamar-nos com os braços. Saímos em sobressalto e fomos ter com ele (o Uber man, porque civilizado, percebeu que voltaríamos e apenas acenou em anuência).

- É o Taaaraaaaaabt! É o Taaaraaaaabt! - gritava ele à distância, já parado à nossa espera.

- Ui, o que é que lhe aconteceu? Parece um papagaio com o cio...

- Acho que se refere ao enorme jogador dos lampiões. 

- É o Taraabt! Dizem que vinha do treino do Seixal, mas que parou em todos os tascos e apeadeiros pelo caminho, pelo que ficou grosso que nem um Gobern e espatifou o terceiro carro!

- Desde que chegou ao Benfica? - interrompi.

- Não carago, esta semana. E agora está a fazer imitações de animais no meio da estrada e o pessoal à volta a ver. Até já chegou um gajo de bigode com um carrinho a vender couratos e garrafões de cinco. 

Deliciados com a descrição, corremos até ao local do espetáculo.
 ...

- Cóooo! Có! Có! Cóoooooooo! Quem ser eu? Quem ser hiuc? Hic! Hic!
- Um burro!
- Um porco!
- Um ruipatrício!

Enquanto durava a tentativa popular de deslindar a complicada charada, eis que furam por entre a multidão um careca que só lhe falta ser amarelo para queimar e um... bem, um coiso com voz de pigarro acumulado durante 3 vidas e colete da CMTV, que de imediato tentam agarrar o jogador e convencê-lo a sair do local.

Ao rubro, a populaça gritava:

- Os três porquinhos!
- As Doce!
- Cocó, Ranheta e Facada!
- Pede dois que eu também bebo!

Taaraabt ria-se como um perdido, rebentando em gargalhada sempre que ouvia a voz rouca ou olhava para o careca. 

Começamos a ouvir sirenes a aproximarem-se e resolvemos voltar ao nosso transporte ilegal. Não tínhamos comido nada ainda mas já estávamos de barriginha cheia. Ao contrário do craque marroquino, cujo estômago se tinha finalmente revoltado e descarregado os seus maus fígados sobre o impecável blazer listado do careca. E depois aninhou-se aos seus pés, a chorar compulsivamente, detendo-se apenas para limpar os cantos da boca à impecável calça listada.
...

Uns 20 minutos depois conseguimos finalmente chegar ao famigerado Colombo. Já refeitos daquela cena final e portanto, com uma certa larica.

- E agora? - perguntei após passarmos a porta de entrada.

- Venham comigo - disse o querido líder sem hesitar.

E lá foi ele à frente, claramente à procura de uma loja específica, e nós atrás, a ver no que ia dar. Uns corredores mais tarde, entra finalmente numa loja de desporto. 

 - Esperem aí! - ordenou antes que conseguíssemos entrar também. Voltamos a entreolhar-nos e achamos por bem não o contrariar, não só porque são essas as recomendações do médico, mas também porque se fosse chamada a segurança ao local, teríamos melhores hipóteses de o ajudar não estando metidos ao barulho.

Uns minutos depois, lá voltou ele com dois sacos. Todo inchado e orgulhoso de si.

- Então, pá? Vamos comer roupa? Ou vamos fazer um strip desportivo a ver se nos alimentam?

- É mais ou menos isso. Venham comigo.

Sem nos dar tempo para sequer questionar, avançou destemido para o W.C. do shopping.

- Já volto!
...


- Tcharáaam! Então que tal? É genial ou não?

- Fod... Qu... Filh... Oh meu cara*ho, que merda é essa?? - Soltámos em coro.

O animal estava equipado à árbitro da cabeça aos pés, ali, no meio do centro. Até uma bandeirola tinha debaixo do braço...

- Então, seus burroooos? Não sabem onde estamos? É só atravessar a estrada e temos jantar para quatro à borla! Com tudo à discrição!



Do Porto com Amor