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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Autofagia para Dummies


Conhecem aquela sensação de quando tudo parece a estar a correr demasiado bem para ser verdade? Si, si, esa mismo. 

A alma lusitana carrega no seu ADN esta particularidade de se achar sempre vítima do infortúnio cósmico, de ser eternamente uma pobre infeliz porque nunca abençoada. Vai daí que, se a vida lhe começa a correr bem para lá de um esporádico episódio, começa a desconfiar de tudo e de todos - hum, deve estar para me acontecer alguma... - e especialmente de si mesmo.

Consequência? Trata ela própria de transformar uma cisma patética numa realidade insofismável. E depois, surpreende-se com isso, ao mesmo tempo que se congratula por ter antecipado tal desfecho. Eu sabia que isto não ia durar! Não fui feito para ter sorte - isso é para os outros!

E pronto, assim se explica como se transforma algo bom em algo negativo, sem nenhum motivo para a transformação que não seja a palermice. É estúpido, não é?


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Achava que não seria necessário ou sequer oportuno retomar o assunto Casillas antes do jogo de sábado, contra o Paços. Porque, enfim, tinha a expectativa de ver reposta a normalidade - o regresso de Iker à titularidade - e, com isso, que o episódio de Leipzig se transformasse rapidamente numa ferida curada, de preferência sem deixar cicatriz no corpo (leia-se balneário).




Ao ver a capa de hoje d' O Jogo, sou forçado a mudar de opinião. Sabendo-se da proximidade do jornal com o Clube, não posso crer que uma capa destas saísse para a rua sem haver uma grande certeza sobre o tema. Admito até que o processo da sua formação tenha sido o inverso - do Clube para o jornal.

Assim sendo, deixaremos de ter um assunto para passar a ter um problema. Porquê? Vamos por partes:

1) Sérgio Conceição foi o escolhido para treinador, ou seja, liderar o conjunto de homens que tem à sua disposição com o propósito de obter o máximo sucesso desportivo. Dentro deste pressuposto, deverá agir como muito bem entender ser o mais apropriado para o conseguir.

2) Iker Casillas é um jogador do Clube e, no que a deveres e direitos diz respeito, deve ser tratado exactamente da mesma forma que qualquer outro jogador do plantel. Aliás, ele próprio deverá ter a consciência de perceber que o seu estatuto de estrela internacional lhe exige ainda maior obrigação de ter um comportamento que seja exemplar e inspirador para os companheiros mais novos e menos experimentados na alta roda do futebol.

3) Não creio que Casillas se tenha feito contratar pelo Porto. Foi certamente o Clube que o convenceu a vir para o Dragão, oferecendo-lhe as condições que achou adequadas - incluindo a prerrogativa de renovação "semi-automática". Uma vez assumido o compromisso, só tem de o honrar. Se não o queria fazer - o que poderia acontecer por razões perfeitamente válidas - teria de, em tempo útil, ter conversado com o jogador e assumir publicamente a intenção de quebrar a ligação.

Somadas estas três premissas, temos um treinador que tem como jogador mais caro e mais experiente o guarda-redes Iker Casillas. Começa a época e Sérgio opta por lhe dar a titularidade. Expectável. Por ser o mais caro e experiente? Também, claro, mas sobretudo por achar que é o melhor que tem à disposição.

Daí até Leipzig, esteve Casillas abaixo do que seria exigível entre os postes? Não. Alguém questionou a sua titularidade fruto de um suposto mau rendimento? Não. Então como pode Sérgio justificar a sua mudança de opinião, sabendo-se que os dois últimos jogos onde Iker participou (Mónaco e Sporting) foram de grande exigência e esteve perfeitamente à altura dos desafios?

Nunca com uma "opção técnica". Objectivamente, não há quase nada a apontar às exibições do espanhol, excepto no jogo com o Besiktas. Mas se fosse esse o motivo, então a mudança teria de ter ocorrido logo a seguir ou até no Mónaco, não agora. 

Se quisermos alargar o conceito de opção técnica aos treinos e estágios - e devemos fazê-lo, diga-se, só que não posso opinar porque a eles não tenho acesso -  então admite-se que possam existir motivos para sentar Casillas no banco. Se Sérgio privilegiar a disciplina de grupo sobre as exibições em campo, é compreensível que "castigue" alguém se não treinar intensamente ou não se comportar de acordo com as regras. Não faço ideia se isso se passou, embora seja o que o jornal sugere como motivos para a decisão.

Para mim, o mais importante nisto tudo não é o Sérgio nem o Iker. É o balneário. O espírito de grupo que se vinha construindo e cimentando a cada nova "batalha" ganha em campo. Aquela simbiose que permite que o todo seja muito mais do que a soma das partes. A génese do Mar Azul.

Que tudo isto seja posto em causa é que realmente me aflige. Desejo ardentemente que o treinador o tenha considerado. E correctamente avaliado o impacto no seio do grupo desta sua decisão. E claro, que Casillas saiba estar à altura do seu impecável estatuto. Da sua postura poderá depender a forma como o balneário (ou parte dele) reagirá. E até o próprio Sá.

Por último mas não menos relevante, temos José Sá, o sucessor em quem "a SAD deposita enorme confiança". Que entrou com o pé esquerdo. E que, até agora, não teve ainda oportunidade de demonstrar que tem o que é preciso para se assumir como titular do Porto. Nem sequer de o sugerir, digo eu. Por outro lado, quando se observa o que os mérdia escrevem e dizem sobre o mai'novo GR de sempre a fazer um autogolo na Champions, talvez Sá esteja no caminho certo. Esperemos que sim.


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Visto de fora, parece-me que Sérgio - e por consequência, todos nós - tem mais a perder do que a ganhar com esta opção. Pode correr mal de várias maneiras: balneário fracturado, más exibições de Sá, Mar Azul para o galheiro. Se lhe correr tudo bem, ficará pelo menos a sensação que arriscou sem necessidade. 

Se queria mudar o titular da baliza, esperava que Iker comprometesse - e se não comprometesse, aguentava. Fosse uma questão mais invisível ao público, como o comportamento no treino ou até do foro disciplinar, teria de a assumir frontalmente, para que não sobrasse dúvida sobre o motivo da sua decisão. Assim, fica a dúvida se não está simplesmente a querer mostrar que é o macho alfa da matilha.

Antecipando já comentários do tipo "és do FC Porto ou do FC Casillas?" ou "temos de estar juntos e unidos" (e apoiar tudinho de boca e olhos fechados), poupo-vos o trabalho de teclar explicando que é precisamente por estar preocupado com o sucesso do Clube e em particular desta equipa que estou a abordar este assunto. Porque tem todo o potencial para desestabilizar a paz perfeita que reinou até agora.

Do meu ponto de vista, é autofagia, pura e dura. Espero estar a ver mal.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




sábado, 17 de dezembro de 2016

Rogue One: Uma História de Inviolabilidade


Acabou-se a conversa dos recordes e dos minutos sem sofrer golos. E num jogo em que assegurámos o essencial: vencer. Perfeito.



 
Já andava tudo numa histeria danada a propósito da sequência de jogos sem sofrer golos, em particular os media do costume - a dar eco e a rezar em simultâneo para que a bola entrasse, para finalmente poderem anunciar que a série chegou ao fim, eles são só humanos e ainda por cima não bateram os recordes do tempo da Maria Cachucha. Típico.

No que realmente nos interessava, conseguimos uma vitória justa, justíssima, que apenas se distingue pela escassez de golos face à "produção", já que mais uma vez tivemos que superar a costela de toupeira da equipa de arbitragem - mais um (pelo menos) penalti claríssimo que ficou por marcar a nosso favor com o resultado ainda em branco. 

O Marítimo apareceu no Dragão bem organizado e com uma missão perfeitamente definida: defender bem atrás, compactos, e depois procurar sair rápido nas recuperações de bola e com "bastante" gente se possível. Muito bem estiveram sempre os nossos centrais, laterais, Danilo e Óliver a pôr cobro a essas investidas.

Não estando disponível um árbitro atento para assinalar as devidas infracções dentro da área maritimista, foi preciso esperar quase até ao descanso para que a gazua argelina que dá pelo nome de Brahimi conseguisse, após um ressalto feliz "provocado" por Jota, inventar sozinho o primeiro golo.

A segunda parte não trouxe grande mudança ao cariz do jogo, pelo menos até que AS fizesse o segundo, novamente após intervenção decisiva de Brahimi que saiu cinco minutos depois, por troca com Herrera. Aí sim o nosso jogo perdeu alguma intensidade e os da Madeira sentiram-se mais confortáveis sem o argelino por perto. Dez minutos volvidos, dupla alteração e substituições esgotadas. 

Para azar dos recém-entrados, um tal de de Donald Djoussé resolveu fazer um dos golos do campeonato. Ganhou na luta com Felipe, ultrapassou Marcano e fuzilou Casillas. Um tiro de sniper mesmo ao ângulo. Indefensável. Um golo matreiro, sem princípios, vindo do nada - o verdadeiro Rogue One que deu cabo da tal inviolabilidade da nossa baliza.

Sim, este contorcionismo todo apenas para conseguir justificar o título-tributo à estreia do novo filme da saga Star Wars, desta vez em modo spin-off. Uma espécie de segunda religião, que neste caso até se sobrepôs à primeira: é que não há muitas coisas que me afastem do Dragão em dia de jogo. E sim, valeu a pena (e o culpado é do mordomo).


Directamente do escurinho do cinema...



Notas DPcA 

Dia de jogo: 15/12/2016, 20h30, Estádio do Dragão, FC Porto - CS Marítimo (2-1). 


Qui-Gon Jinn (6): Pouco mais do que um mero espectador, em perspectiva fisrt-person shooter para apreciar o golo maritimista.

Anakin Skywalker (7): Continua a sua saga de pujança ofensiva, sem descurar a defesa. Desta vez até arrancou um penalti, que lamentavelmente não foi assinalado. Está bem e recomenda-se. (nota: ao contrário do Anakin original, esteve começou pelo Mal para depois se juntar ao lado Bom da Força)

R2-D2 (6): Tal como Maxi, em bom plano a atacar e a defender. Pequeno, ágil, tecnicista e inteligente, é de facto uma aquisição muito boa (kudos para quem o trouxe). Happy birthday! 

C-3PO (6): Teve um pequeno deslize, entregando a bola a um adversário, mas fora isso manteve-se impecável. Um robot de segurança defensiva. Esperemos que não volte a sofrer mais nenhum curto-circuito como os da temporada passada.

Finn (6): Ficou a milímetros do merecido golo, de resto quase sempre bem a limpar e a entregar. Perdeu a disputa no lance que resultou no golo adversário, mas não vejo como possa ser penalizado por isso - foi um lance normal, onde ainda por cima escorregou, em que o adversário (fresquinho) foi mais possante.

Chewbacca (7): Outro jogo de qualidade, impondo a sua pujança física para manter a sua zona "limpa" de stormtroopers, mas procurando ir mais além, conduzindo a bola campo acima e procurando facturar em lances de bola parada.

< 84' Ben Obi-Wan Kenobi (7): O mestre que pensa o jogo e liga os companheiros a uma causa comum. Desta vez esteve ainda melhor nos passes "a rasgar", fazendo lembrar os que fazia aquando da primeira passagem pelo Dragão. Igualmente bem a parar as incursões adversárias.

< 84' BB-8 (7): Está numa fase endiabrada este nosso Speedy Gonzalez. Em boa forma física e carregado de confiança, atira-se para cima dos adversários sem medo de falhar e muitas vezes sai vencedor. Um caso sério, se se tornar consistente.

< 73' Melhor em Campo Han Solo (8): É um desalinhado, joga pelos seus próprios objectivos, mas quando quer é um terror para qualquer defesa. Sobretudo agora que parece ter finalmente aprendido a passar a bola e a lutar por ela quando a perde. Um golo providencial, uma assistência e muitas dores de cabeça aos da Madeira. Quem sabe se ainda vai a tempo de sentir o apelo da Força...


"Never tell me the odds!"

 
Luke Skywalker (8): Golo à matador, num momento importante do jogo (e que no final se revelou decisivo). Mas deu muito mais do que o golo, como é de seu timbre. Sempre disponível para receber a bola, ganhando tempo para os companheiros progredirem. Uma chamada de atenção para as picardias: até que foi muito bem aviado aquele encosto ao provocador Raúl Silva, mas o ponto é que não se pode deixar levar em provocações ou inevitavelmente acabará expulso e a prejudicar a equipa. Além disso, está lá o Maxi para fazer o acerto de contas de forma discreta.

Red Leader (6): Melhor do que tem sido norma, mas ainda assim pouco para o que se antecipa que pode dar (e já mostrou em alguns jogos). Falta sobretudo mais objectividade no momento da decisão, seja a passar ou finalizar. Lá chegará, suponho.

> 73' Jar Jar Binks (6): Entrou e não causou estragos. Aliás, até se integrou sem dar nas vistas. Mins very happy!

> 84' Lando Calrissian (6): Primeiros minutos no campeonato e bem interessantes. Terá mais oportunidades com a partida de Brahimi para a CAN ou rumará a Inglaterra por empréstimo? Eu ficava com ele, a ver no que poderia dar...

> 84' Poe Dameron (6): Rendeu Óliver com Danilo ainda em jogo, o que significou poder jogar um pouco mais adiantado. Sem nada de deslumbrante, também não se deu mal. Precisa de mais tempo em campo, pois claro.

Mestre Yoda (7): Vitória fundamental, como são todas por estes dias. Conseguiu que a equipa se mantivesse focada e determinada, mesmo se - tal como na Feira - aquele jogo pastoso e sem ideias se tenha manifestado a espaços. Mas o importante mesmo foi ter assegurado mais três pontos, pelo que sai daqui de bem com a Força.


Já sinto a Força, Anakin... ou então é das tripas...



Outros Intervenientes:


Uma vez mais, foi em Xavier que mais reparei na equipa maritimista. Boa técnica e velocidade pelo flanco, falta-lhe ser mais eficaz (sobretudo a cruzar). E claro, fui obrigado a aprender o nome do autor daquele golaço, o senhor Djoussé.

Quanto à equipa de arbitragem liderada por Bruno Esteves, por certo que já receberam as habituais palmadinhas nas costas pela vista grossa que fizeram. Até percebo que Maxi se tenha deixado cair, mas o contacto é indiscutível e fácil de observar pelo árbitro. Houve também uma possível mão na bola de Edgar Costa (não consegui rever o lance) e um fora de jogo mal ajuizado a Maxi (seria sina?) em situação de golo provável, mas enfim, aceita-se (que remédio). 


Missão cumprida, segue-se o Chaves e o seu execrável treinador (bilhetes grátis aqui). No mercy.



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Uma nota final para a excelente entrevista dada por Iker ao Porto Canal, conduzida por Juca Magalhães. Não sou pessoa de ter muitos ídolos (muito menos falsos), mas mesmo assim senti-me tocado (salvo seja) pelas suas palavras.

A tranquilidade que exala, a simplicidade apesar do estatuto e a ponderação de que não abdica dão-lhe credibilidade para liderar mais até do que o balneário. Não se esconde de temas menos confortáveis nem se deixa levar pelo elogio fácil mas facilmente desmascarável.

Como pessoa inteligente que parece ser, não dirá tudo o que pensa (nem pensará tudo tal qual o diz), mas consegue passar a mensagem, cativar a audiência e amealhar ainda mais simpatia entre Portistas. Um senhor. E que contraste com outras entrevistas recentes.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Ouro sobre Azul


São os meus votos para a temporada que começa no próximo sábado.



Nota: interessante o fenómeno de curiosidade que a vinda de Iker despoletou entre os espanhóis. Pode que seja de pequena escala e efémero, mas existe. E não me lembro de já ter existido antes. Que bom seria se a nossa Liga soubesse tirar partido.



Do Mar com Amor



domingo, 12 de julho de 2015

Iker Casillas


Hesitei em dizer já alguma coisa sobre o novo guardião do templo portista.

O plano era escrever sobre todos os novos reforços quando o mercado fechasse e após observa-los em alguns particulares.

No entanto, acabei por concluir que Iker Casillas justifica um post apenas dedicado a si, agora que está a chegar ao F.C. Porto.

Por ele e pelo que esta contratação pode significar, no imediato e no futuro próximo.

O incrível palmarés de Iker quase fala por si. 25 anos no Real Madrid, 16 desses na equipa principal do colosso madrileno e quase sempre titular indiscutível e depois capitão, até ter a infelicidade de se cruzar com Mourinho. E digo infelicidade porque todos conhecemos o modus operandi de Mourinho, na sua interminável cruzada psicológica pela conquista dos balneários, sacrificando tudo e todos os que entenda que lhe possam estorvar o processo. Não interessa agora aprofundar mais este tema, tendo como certeza que o próprio Iker se pôs a jeito ao não se submeter ao todo-poderoso e, já agora, com uma série de exibições longe de perfeitas. No entanto, neste fantástico percurso que tem sido a sua carreira, este foi apenas um pequeno episódio (e nem sequer o primeiro, diga-se em abono de Mourinho).

O que é (quase) certo, é que foi essa batalha perdida com Mourinho que o trouxe até nós. E isso é que verdadeiramente me interessa, o que vai ser Casillas daqui em diante. Por muito carregado que aqui chegue de louros e conquistas, para os portistas serão realmente relevantes aqueles que conseguir acrescentar ao seu palmarés enquanto vestir de dragão ao peito.

Sou um fã moderado de Helton (um dos tais que me fez mudar positivamente de opinião ao longo do seu percurso), mas Iker está num patamar superior. Diria mesmo sem pestanejar que desde Baía não houve mais nenhum deste nível.

Também devo dizer que nunca fui um enorme fã de Casillas, dentro do contexto dos monstros sagrados das balizas. Por outras palavras, nunca foi dos meus preferidos entre os que se encontram nesse exclusivo patamar superior que é o Olimpo dos guardiões. Nunca foi brilhante em termos técnicos, com as normais dificuldades nas bolas aéreas a que só escapam com regularidade os excepcionalmente dotados. O que mais gosto nele é a sua atitude, a sua crença, a emotividade que acrescenta ao jogo. As ganas portanto. Que em campo muitas vezes se traduziram naquelas defesas impossíveis, no "defende, levanta e volta a defender", no grito de revolta que desperta os companheiros que já se davam por vencidos.

Dentro de campo, é isto que espero dele. Tudo isto, o bom e o menos bom, e que somados dêem um saldo largamente positivo.

Imagem Bruno Sousa

Mas a vinda de Casillas acrescenta mais do que um experiente guarda-redes de classe mundial.

Logo à partida, um orgulho ligeiramente provinciano (de que partilho) de conseguir trazê-lo para o Porto. Não estamos a falar de um GR proscrito que andou exilado pelo Canadá até cá chegar (mas que ainda assim foi uma belíssima contratação). Estamos a falar do capitão do Real Madrid que se transfere para o Porto. Ponto. Carago. Ponto de exclamação.

Com a sua vinda, chegam também milhares de novos adeptos. De Casillas, evidentemente. Mas que enquanto jogar no Dragão, serão por extensão adeptos do Porto. E ainda mais, muitos mais adeptos de todas as partes do mundo, que apenas por se interessarem por futebol e pelas suas estrelas mais cintilantes, terão incontrolável curiosidade em conhecer ainda melhor o F.C.Porto. Quem sabe se entretanto não desenvolvem um ligeiro afecto pelo clube, que os leve a segui-lo com maior proximidade.

Isto pode parecer pouco em termos reais, mas na verdade eu acredito que pode ser monetizado pelo clube. Desde logo pela venda de camisolas, calções, t-shirts, cachecóis e qualquer outro artigo de merchandising. Nem que seja apenas pela curiosidade. E logo de seguida, mais visitas ao museu, sobretudo de espanhóis (mas não só).

Menos directo mas talvez mais importante, este acréscimo de "novos cristãos" um pouco por todo o lado pode ajudar a conseguir melhores contratos de patrocínio, desde o naming do estádio às camisolas. E até ajudar ajudando a própria liga portuguesa a vender os seus conteúdos em novos mercados (se tiverem a competência para desenvolver um produto apetecível, claro está).

E por último, mas também muito relevante, conseguir atrair outros grandes jogadores para o Porto. Não haja dúvida de que a vinda de Iker será como um gigantesco íman de bons jogadores, que de outro maneira desdenhariam aceitar jogar num liga com tão pouca projeção. Isto não é novo, tem acontecido noutras ligas de segunda, com a turca em destaque. Obviamente que na Turquia há muito mais dinheiro, mas por outro lado, em Portugal há mais ocidentalidade, se é que me faço entender.

Portanto, a vinda de Iker Casillas é muito mais do que a vinda de um jogador. É a vinda de uma lenda viva do futebol mundial e com ela novas oportunidades, sejam de negócio, sejam de recrutamento de matéria-prima.

Por tudo isto e pela Sara, que seas muy bienvenido Iker!