quarta-feira, 11 de setembro de 2019

A Derrocada do Estado de Direito

Soa a exagero e a frustração. Ainda bem, porque (se um qualquer deus quiser e permitir) será apenas isso: exagero e frustração.



Não me vou debruçar sobre tecnicalidades (que em Português correcto se diz "expedientes legais criados pelo legislador com o exacto propósito de permitir que quem pode se escape"). Quem tiver paciência e sapiência, que o faça. 

A mim apenas me interessa o que o bom-senso me revela - a mim e a qualquer um que o possua, independente de credo, afiliação política ou clubística: hoje, uma vez mais, fez-se tudo menos Justiça em Portugal.

Um resumo muito ligeiro da situação:

- Todos reconhecem (por força das evidências) da autenticidade dos emails;

- Todos sabemos das provas irrefutáveis das violações do segredo de justiça e outros atropelos cometidos;

- Todos percebemos o irrefutável nexo de causalidade entre o benfica dos sem-vergonha e essas violações;

- Todos sabemos que Paulo Gonçalves era um dos dirigentes máximos dos sem-vergonha, independente do estatuto formal.

Corolário: o benfica dos sem-vergonha cometeu crimes gravíssimos que atentam ao Estado de Direito e obrigatoriamente haveria de ter sido punido por isso. No limite, pelo menos os seus dirigentes haveriam de ser responsabilizados criminalmente - e depois, a "justiça desportiva" que seguisse o óbvio caminho.

Sou Portuense e Portista indefectível, como todos os que me leram sabem. Indefectível. O que a maior parte não saberá é que, acima disso, sou um defensor ainda mais acérrimo da civilidade, da solidariedade, da honorabilidade, da Lei e do Estado de Direito democrático.

O que hoje a "justiça" portuguesa confirmou é um atentado mortal a todas estas minhas inabaláveis crenças. Hoje, ainda mais do que antes, temo pelo futuro do país mas - muito mais - pelo futuro dos meus filhos neste país.

Desenganem-se os Portistas, de que isto é apenas e só sobre o nojento polvo encarnado. Infelizmente, é muito mais do que isso. Neste momento do tempo, o benfica sem-vergonha de Vieira é apenas mais um instrumento/faceta de um grupelho mais ou menos visível mas quase sempre inimputável de bandalhos e BANDIDOS (com todas as letras) que se une por e para proveito próprio, em conluio criminoso e execrável para dominar e viver acima da Lei e do Estado, servindo-se deles apenas e só para a persecução dos seus interesses, em detrimento da tal civilidade e da idealizada persecução do BEM COMUM que cabe a um regime democrático.

Isto é uma espécie de desleixo do grupelho que se sente já fora do alcance de qualquer punição e se dá ao desplante de fazer as coisas assim, em plena luz do dia e sem o mínimo de pudor. Falo de juízes, oficiais de justiça, investigadores do ministério público, PGR, mas também de primeiros-ministros, ministros, deputados, dirigentes partidários, empresários, banqueiros e bancários, directores de informação, jornalistas e jornaleiros, que navegam tranquilamente na infâmia, na insídia e na dissimulação e no encobrimento perante o desinteresse e passividade de todos nós pessoas de bem, desde os mesmos magistrados, políticos e empresários até aos mais humildes varredores de rua (que muito prezo e respeito). 

Isto, meus caros, é uma ameaça ferocíssima ao que pensamos ainda existir em Portugal como Estado de Direito. É a subversão completa das prioridades e das missões mais básicas e fundamentais das instituições e organismos que existem com a única missão de assegurar o cumprimento das leis da República e de punir quem não o faz. 

Isto, meus caros, é a abertura da supostamente intransponível comporta da Justiça para permitir passagem de todo o tipo de banditismo e criminalidade. O que se pode seguir ninguém pode antever. Está escancarada a caixa de Pandora (porque aberta já estava há muito) e o que de lá sairá nem Asimov nem Philip K. Dick poderiam imaginar. 

Na prática, isto leva-me a temer que a justiça passe a ser apenas mais um instrumento ao serviço dos bandidos e contra os portugueses. Quem tiver o azar de afrontar os seus interesses, sofrerá as consequências sem hipótese de defesa ou contraditório. Sei bem que soa a exagero profundo, mas acredito piamente que este é um dos caminhos possíveis de serem trilhados daqui em diante. 

Hoje passei a ter sérias dúvidas quanto à justeza da Justiça neste país. Hoje fiquei com a certeza de que não só não é cega, como vê muito bem ao longe e escolhe a dedo os seus alvos. Hoje, mais do que em qualquer outro dia passado, ganhei medo de criar os meus filhos em Portugal. Pode parecer exagero - espero que seja exagero - mas talvez não o seja.

Aceitar, desistir, emigrar, todas hipóteses possíveis e até apetecíveis. Resistir, contrariar e lutar é muito mais complicado, difícil, incómodo e aparentemente impossível: mas é a única solução que nos sobra enquanto cidadãos desta nação que desejámos continuem a ser de Direito. 

QUANTO A MIM E NO IMEDIATO, UMA COISA VOS GARANTO: ANTÓNIO COSTA E A CORJA QUE REPRESENTA NUNCA, MAS NUNCA MAIS.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Vamos para Nulos


Não esperava voltar a escrever antes de Setembro. De todo. Depois de conhecer os sorteios, fiquei muito confiante de que eventuais desaires iniciais no campeonato (sem sonhar ainda mas a temer o que se veio a passar em Barcelos) seriam amortecidos pela conquista de um lugar na Champions 19/20. 




Se já na época passada, aquando dos oitavos contra a Roma isso aconteceu, era (ainda mais) previsível que Sérgio Conceição, com bênção total da SAD, se focasse em garantir o primeiro e mais imediato objectivo da temporada, mesmo que isso pudesse custar alguns dissabores na Liga do faz-de-conta. É que o campeonato dura nove meses e há salários, prémios e benefícios para pagar entretanto. Havia... ou melhor, ainda há, não sei é se haverá como.

A primeira mão em Krasnodar correu-nos de feição. Um jogo tremido mas q.b. para garantir um nulo, salvo por um lance de felicidade mesmo a acabar. Tudo bem encaminhado, mas longe de garantido. Ainda assim, impossível imaginar o que se viria a passar ontem no Dragão

Pelo meio, uma entrada calamitosa no campeonato. Primeiro e último responsável, Sérgio Conceição. Equipa muito alterada face à da Rússia, sem motivo aparente que não seja a convicção do treinador. E mais certo fiquei quando soube do onze para esta segunda mão: depois de já ter mudado três titulares da Rússia para Barcelos (dois deles do meio-campo, sector fulcral para o funcionamento das equipas como tal), voltou a mudar, desta vez quatro jogadores, incluindo o já caído em desgraça Saravia e duas estreias, Diaz a titular e Nakajima em absoluto.

Isto para dizer uma coisa e concluir outra. Primeiro, é dos livros e do bom-senso que quando se está a construir uma equipa nova é preciso dar prioridade às rotinas e ao conhecimento entre os jogadores, o que não se consegue mudando tanto e tantas vezes o onze titular. Segundo, Sérgio Conceição não tem ideias claras sobre quem tem à disposição e o que quer para a equipa (se tem, pior ainda, porque significa que nada evoluiu em três anos como treinador).

E esta é que é a pergunta fulcral que deve ser colocada: 

O que se passa com Sérgio Conceição? 

Visto de fora e dando eco ao que se diz (em parte confirmado pelo próprio), o treinador recebeu - ainda que tardiamente - os reforços que pediu. Seguramente nem todos são as primeiras escolhas, mas ainda assim escolhas, suas. Deveria estar mais confiante e bem-disposto do que nunca, entusiasmado por poder finalmente trabalhar focado nas suas ideias e com a sua matéria-prima de eleição.

O que se tem visto desde o regresso aos trabalhos é bem diferente, não é? Tensão, rostos fechados, desconforto, postura de acossado. E até o é, pelo corja do costume, mas isso não é novidade. Já foi campeão apesar deles, porquê ceder agora? Tem de haver mais.

Não tenho as respostas, mas tenho - temos todos - os resultados à vista. Bem-vindos à Liga Europa e ao incumprimento do orçamento (venha de lá um já rectificado p.f.).

Podemos sempre optar por pensar que foi uma série de infortúnios que raramente coincidem no mesmo jogo, mas a verdade é que os factos parecem querer demonstrar algo diferente. De nenhum dos três jogos oficiais se pode dizer que a equipa jogou bem. Pior, que a equipa se comportou como tal, que se viram rotinas ou que se detecta alguma evolução no jogo colectivo. Bem pelo contrário.

E se em parte se compreende alguns dos retrocessos pelas saídas do final de época, nem tudo é justificável, até porque os adversários não eram dos mais cotados - longe disso. Mesmo em reconstrução, era exigível muito mais e muito melhor.  Muito melhor.

Sérgio Conceição não está equilibrado e o Clube é que pagou e vai continuar a pagar a(s) factura(s). E agora?

Agora nada, vamos para nulos*. Por um lado, temos um presidente que ainda há dias desejou/comprometeu que Conceição fosse o seu último treinador. Por outro, temos um treinador que termina a conferência de imprensa pós-eliminação a reconhecer que errou mas que faria tudo igual se tivesse a oportunidade. Mind blowing.

Portanto, a solução única que se vislumbra e se aceita é a continuidade de Sérgio Conceição até final da temporada, dê por onde der. Mas mesmo por onde der - se por infelicidade estivermos a 15 pontos do líder em Dezembro, por exemplo. Até Maio, dê por onde der. Comigo a apoiar, concordando ou não com as opções.

E então que cada um tire as suas ilações, a começar pelo presidente Pinto da Costa. Se a época falhar a ponto de não permitir a continuidade do treinador, o presidente terá a obrigação de tirar as devidas conclusões. Fáceis de subentender. Dou uma ajuda: falhar será tudo o que não seja ser campeão e/ou voltar a incumprir com as regras do FPF.

A aposta inicial falhou redondamente. Marcano foi uma má aposta, tal como todas as que visavam o "lucro imediato". Espero que agora haja o mínimo de bom-senso para reequacionar a estratégia desportiva do Clube e dar mais espaço (e tempo) aos bons valores que saíram da formação campeã da Europa de clubes, integrando igualmente as boas contratações que foram feitas. No mínimo, isso, porque, insisto, temos matéria-prima para fazer uma bela(!) temporada.

Uma palavra de admiração e agradecimento para Pepe. Não foi o único, mas foi o melhor, o líder incontestado e inconformado, um monstro dentro de campo a defender, a construir e a liderar. 

O futuro imediato passa pela recepção ao Vitória e pela deslocação ao antro dos criminosos sem-vergonha e é nisso que todos se terão de focar a partir de amanhã. Agora é para digerir e desinchar. E depois voltar a apoiar. Como sempre.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



* Para quem não sabe jogar King, ir para nulos acontece quando o dono da "festa" ou o vencedor do leilão tem um jogo tão baixo que prefere jogar sem trunfo e com o objectivo de não fazer vazas, o oposto do normal em 99% dos jogos de cartas, desde a lerpa à bisca lambida. Eu sei que não faz muito sentido para quem não conhece o jogo, mas aqui está o desafio para aprenderem, que vale bem a pena e distrai das maleitas...



segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Agora a Doer


É já depois de amanhã, na longínqua Krasnodar, que o FC Porto entra na época oficial 2019/20 e logo contra um obstáculo com cara de poucos amigos. E não é por serem russos, é por - dizem por aí - jogarem bem à bola. É assim, a frio e logo a doer, contra um adversário que já vai na quarta jornada do seu campeonato (2V-1E-1D). 




Depois da boa imagem que deixou na Liga Europa da época anterior, onde foi eliminado e por muito pouco pelo Valência nos oitavos, o FK Krasnodar chega a esta pré-eliminatória por via do terceiro lugar que conquistou na liga russa. Não os vi jogar ainda este ano, mas quem viu (e percebe da poda) garante que vão vender cara uma eventual eliminação.

Não vale sequer o esforço de atirar com o nosso palmarés para a arena argumentativa, primeiro porque o palmarés não joga e segundo porque já vai sendo tempo de os Portistas aceitarem que o Porto actual já não é o que nos fez orgulhosos à conta da sua insuperável competência e espírito de conquista.

(Para que ninguém se confunda, o (meu) orgulho de ser Portista é inatacável e imutável, o que desapareceu foi aquela dose suplementar que advinha da superioridade competitiva que evidenciou durante várias décadas) 

Hoje temos uma equipa profissional de futebol que se está a refazer, aparentemente a pensar no imediato - o acesso ao "milagre" financeiro da Champions, o único que permite continuar a suportar este tipo de gestão - e cujo princípio único parece ser o de satisfazer os desejos de Sérgio Conceição. Se há uma política desportiva estruturante, eu não a consigo detectar.

A prova provada chega pelo conjunto de entradas e saídas deste defeso. Sem questionar ainda a valia de quem chegou e o saldo teórico face ao plantel que sucede, o que se constata é a chegada de jogadores "feitos", para darem rendimento desportivo de imediato e forçosamente sem aspirar vendas futuras com relevantes mais-valias. É verdade que parece também sobrar algum espaço para os miúdos da formação, mas é preciso esperar para ver se e quem vai ter reais oportunidades para evoluir, espaço para errar e confiança para começar a mostrar as suas qualidades.

Já há muito que deixei de me afeiçoar a jogadores (Lucho e Quaresma foram os últimos), até porque deixou de fazer sentido. Hoje os jogadores são verdadeiramente profissionais, pensam apenas na sua profissão e em como dela retirar o máximo rendimento. E é também por isso que cada vez mais pessoas se desencantam com o que sobrou do futebol original.

Hoje, em 99,99% dos casos, os exemplos de amor ao clube apenas acontece em duas situações: quando o jogador já está num dos clubes de topo (e que mais paga) ou quando o jogador não tem qualidade suficiente para atrair o interesse desses "tubarões" (os Luisões desta vida). Nós é que ainda não nos convencemos disso e continuamos a sonhar com um futebol que já não existe...

Isto para dizer que os "miúdos" me interessam sobretudo na perspectiva do rendimento e das mais-valias futuras que podem gerar, que é como quem diz que o que me interessa é a política desportiva do Clube, sem olhar a nomes ou proveniências. Claro que - como sonhador que ainda sou - adorava ter na equipa principal e por muitos anos jogadores com formação no Porto, mas sei bem da utopia que isso representa.

Regressando a Krasnodar, o Porto terá de demonstrar competência suficiente para poder garantir no Dragão a passagem ao playoff, onde terá outro osso duro de roer (seja turco ou grego). As chegadas tardias de Marchesin e Uribe (dois negócios com muito para explorar) condicionam desde logo o seu potencial contributo nesta primeira mão e provavelmente na segunda também. E do que pouco que se pode ver contra o Mónaco, o resto também tem ainda muito que pedalar.

Seja como for, na quarta têm de estar todos prontos. O estatuto e o palmarés não jogam, mas quem vestir a azulebranca tem de provar merecer ser herdeiro de todos esses monstros do passado. E quem está ao leme tem também de honrar a memória do eterno Mestre. 

O primeiro balanço desta nova temporada será feito assim que for conhecido o destino europeu do Clube - até la, sigo com rigor (possível...) a minha receita de sobrevivência.

Acabou a pré-época, agora é mesmo a doer. E falhar o acesso à Champions pode mesmo revelar-se uma dor insuportável para o Clube e em particular para Sérgio Conceição. Por isso façam o favor de ser felizes.


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco


P.S. para os fãs das ligas Do Porto com Mística: vão acontecer! Já podem inscrever-se na Liga Portuguesa (token b5089773) e na FPL (código 8un4o1) que começam já na próxima sexta.



 

terça-feira, 2 de julho de 2019

Pré-Época 19/20: Guia de Sobrevivência


Está tudo louco. Em cada recanto, seja em cada um dos media ou em cada uma das redes sociais relevantes, está tudo louco. Louco de ansiedade, louco de desinformação, louco de angústias, louco de certezas e da falta delas, louco. Louca, louco, loucos. Nos casos mais graves, chegam ao ponto de escrever textos onde não conseguem evitar de repetir desenfreadamente a palavra louco. Pobres coitados. Loucos.




É o Zé Nakajima que esteve a comprar tripa enfarinhada no Bolhão, é a SAD que não compra tripa enfarinhada, é o "Saraiba" que é pior que a peste bubónica, é a SAD que não vende o "Saraiba" - enfim, é o fim dos tempos em calções de praia.

Pois, não é, not just yet. Seria bom que fosse o fim do tempo que já se esgotou de quem ainda nos lidera, mas nem isso. Garrote financeiro à parte, continua - e continuará - tudo na paz do senhor Presidente e seus escolhidos para o muito que já delega (e tanto que é). 

Por outro lado, o jurado inimigo mortal. Tentacular, sujo, reles, ardiloso, megalómano. Tudo quanto de mal se apregoa para a nossa casa, só pode ter origem (única!) na maldade do cefalópode sem-vergonha. Por cá, os resistentes da aldeia, só se podem dar por felizes por ainda ter o Grande Chefe à sua frente, caso contrário tudo seria pior. Muito pior. Tão, mas tão pior, que até inimaginável e indizível.

Entretanto, enquanto o tedioso e surdo "debate" prossegue em cada um desses recantos, a equipa profissional do querido Futebol Clube do Porto abriu a oficina e regressou ao trabalho. Com Sérgio Conceição ao leme, obviamente, e uma carrinha cheia de miúdos também. Parece que iam para a colónia de férias em Francelos mas se enganaram no caminho. Ainda bem. Mais do que estes, não se sabe bem. Há uma malta que se foi, outra que talvez ainda se vá e uns tantos que continuam. Agora chegar é que nada. Ainda nada, entenda-se, porque o tempo urge.

Antes, bem antes do estapafúrdio mercado de verão fechar portas, muito se jogará do sucesso da época e até das vindouras. Uns quantos jogos de treino, algumas jornadas da Liga fajuta mas primordialmente as duas eliminatórias de acesso à Champions League. Terceira pré-eliminatória a 6/7 e 13 de Agosto e play-off a 20/21 e 27/28 do mesmo mês. Quatro datas em absoluto decisivas para o futuro próximo do Clube, não só a nível desportivo mas sobretudo financeiro. 

Dia 29 de Agosto já se poderá dizer - com propriedade e para lá de todo este turbilhão de "notícias" - se o planeamento e a política de contratações foram os suficientes e os necessários para o arranque da época. Antes disso, pura especulação. Depois só em Maio de 2020.

Não significa isto que, entretanto, não se consiga filtrar algumas ideias do lixo mediático pela observação atenta dos factos (insisto, factos) que se vão desenrolando. E factual é que a oficina abriu com um reforço confirmado, por oposição a cinco saídas igualmente confirmadas. Como também é factual que Sérgio Conceição quer Zé Luís e ainda não o tem a treinar às suas ordens.

Para que ninguém tenha a vertigem de se imolar perante tanta desgraça anunciada, deixo-vos a minha lista de recomendações para sobreviver com sanidade (quem ainda a possa ter) a esta pré-época:

> Não ver/ouvir/cheirar/lamber(?!) programas de "debate" futebolístico de nenhuma espécie. Nem os sofríveis, nem os maus, nem os freak-shows.

> Ignorar todo e qualquer rumor de contratação. A sério, não queiram saber. Tentem nem ouvir ou ler, mas se por acaso o fizerem, sorriam como se estivessem perante um membro da Flat Earth Society ou da Lampiões Honestos (esta última está ainda por criar).

> No jornal desportivo (só conheço um em Portugal que mereça a designação de jornal), dar apenas relevância aos factos e ler com espírito crítico as crónicas e editoriais (em particular do JMR); Quanto aos pasquins folclóricos, recomendo nem tocar e jamais usar para embrulhar peixe, sob pena de o tornar não comestível por envenenamento.

> Ignorar tudo o que é CM. Não se brinca com o lixo, recicla-se ou enterra-se. A correr bem num futuro não muito distante, manda-se para o espaço sideral.

> Não entrar em "debate" com ninguém que se posicione (sabendo-o ou não) em qualquer dos extremos, qualquer que seja o tópico. Se em algum momento o caro leitor tiver a noção de estar num desses extremos, tenha o bom senso de se isolar para meditação.

> Em particular no Twitter:

        * Ignorar tudo o que não é facto (verificável);

      * Ignorar todos os que confundem opiniões com factos e mais ainda os que acham que opiniões valem tanto ou mais do que factos;

       * Fazer diariamente uma saudável dose de "unfollow" e "block" a quem origina os dois pontos anteriores;

        * Não insultar (ninguém) e ignorar insultos recorrendo ao ponto prévio;

     Não retwittar a diarreia programática da corja sem-vergonha, mesmo que seja para a criticar/denunciar. Tirando casos muito pontuais em que a denúncia possa sortir algum tipo de efeito positivo, apenas se está a jogar o jogo deles, aumentando o seu alcance.

> Fazer desporto com regularidade

> Respirar ar puro

> Comer bem e beber melhor

> Contemplar

> Não fazer nada

> Last but never the least, praticar o Amor


Seguindo à letra esta prescrição do Doutor Lápis, vão ver como rapidamente melhora a vossa higiene mental e a disposição para enfrentar este mundo virado de pernas para o ar. Vão por mim, desliguem-se deste circo até (pelo menos) à apresentação no Dragão e depois falamos. Mas se fizerem mesmo questão de continuar ligados e a "lutar" pelo nosso Porto, então juntem-se a outros com a mesma vontade e - em sossego - discutam ideias e planos para o futuro. Algum dia terá de ser feito, mais vale começar já.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




quinta-feira, 13 de junho de 2019

Momentos Marcantes de 2018/19


Este texto já vem um pouco fora de contexto, porque atrasado, mas ainda assim não quis deixar de gravar em pedra digital o resultado da minha reflexão sobre os momentos mais marcantes da época que já terminou. 




Não encontrarão nada de transcendental, por certo concordarão com a grande maioria deles, mas aposto que quase ninguém me apoiará naquele que considero o mais decisivo de todos. Já lá iremos.

Procurando apresentar estes momentos de forma cronológica:

1) Continuidade de Sérgio Conceição (Junho 2018)


A melhor notícia que o Clube nos poderia dar, garantir que o herói de 17/18 seguiria ao leme da nossa nau. Fosse qual fosse o motivo, perder Conceição e colocar novo treinador no seu lugar implicaria recomeçar do zero, o que por si só é sempre um retrocesso, mais ainda quando o FPF ainda apertava o pescoço azul e branco. Mas tardou um pouco a confirmação, como tardou também a SAD a dar resposta ao plano apresentado pelo treinador para a próxima época. Mas disso falaremos no ponto seguinte.


2) Contratações de verão (Agosto 2018)


Primeiro sinal de que a época iria ser turbulenta. Um mini-verão quente, com o treinador a ameaçar sair a caminho do estágio de pré-temporada e jogadores a serem devolvidos à proveniência sem sequer poderem mostrar o seu (eventual) valor. Como e porquê, só quem viu e ouviu pode dizer. Deste lado, apenas especular e deduzir (especulando). Mas o que realmente importa são as consequências. 

Quando o mercado finalmente fechou, o que se viu foi a saída de Ricardo e Dalot a não serem devidamente compensadas, facto aliás que foi também ele determinante na época, como a chegada de Pepe bem demonstrou. A ausência de um titular indiscutível - um Telles à direita - obrigou o treinador a improvisar e nem sempre se saiu bem. O mesmo se poderia dizer à esquerda, embora Alex tenha disfarçado, mesmo jogando em sub-rendimento durante grande parte da temporada.

Chegou Militão, a contratação da época. A única, digo eu.  Chegou, viu, venceu e... foi para a direita!


3) Lesão de Aboubakar (Setembro 2018)


Momento dramático para o jogador e para a equipa. Sem possibilidade de recrutar um substituto, todo o esforço de concretização se concentrou em Soares e Marega. Deu m*rda. Soares continuou irregular, a marcar um a cada cinco oportunidades e o Super-Marega da época anterior já tinha dado de sola, ficando no seu lugar um tosco-premium mal-amanhado, que ainda assim tem os seus seguidores e interessados (venham, por favor, não sejam tímidos). O que é factual é que a capacidade de finalização da equipa foi, no mínimo, insuficiente - sobretudo nos jogos "grandes". Mesmo alegando que Abou também não é um matador, a verdade é que três seria muito melhor que dois (sim, Fernando, não conto contigo rapaz).


4) Derrota na Luz (Outubro 2018)


Um jogo mal jogado da nossa parte (como quase todos os Clássicos) em que desta vez a sorte sorriu ao adversário, que pouco melhor foi. A importância deste desfecho verteu para os dois lados da contenda: para nós, deixou-nos a duvidar se seríamos melhores; para eles, deu-lhes a possibilidade de admitir que talvez não fossem piores. Em termos de campeonato, deixou-nos em desvantagem no confronto directo, algo que talvez tenha pesado durante o jogo de retorno, sobretudo quando o resultado já nos era desfavorável.


5) E-toupeira (Dezembro 2018)


Numa decisão que nenhum comum mortal, leigo mas bem-intencionado, consegue entender, uma tal de Ana Peres, por acaso juíza, por acaso lampiã, decidiu que a SAD sem-vergonha não iria a julgamento, optando por levar apenas o seu funcionário Paulo Gonçalves. Haveria tanto para dizer sobre isto que um post inteiro não chegaria, pelo que me limito a afirmar convictamente que não se fez Justiça. Caso até para dizer que a toupeira pariu uma rata.

Na prática, este foi o foguete luminoso lançado sobre os céus da podridão encarnada, anunciando a todos que poderiam retomar as suas vergonhosas vidinhas a beneficiar ilegitimamente os sem-vergonha sem que nada lhes acontecesse. Se durante a primeira metade da época se viram arbitragens más (sempre más) mas equilibradas nos benefícios e prejuízos, daí em diante foi o fartar lampionagem do costume. Um dos campeonatos mais vergonhosos de que tenho memória, a par com o do túnel.


6) Final Four Taça da Liga (Janeiro 2019) 


Desses dois jogos que disputámos resultaram três consequências importantes:

a) Vitória sobre os sem-vergonha. Vindos de uma mudança de treinador e com atraso significativo no campeonato, creio que essa vitória confirmou a ideia de sermos muito superiores e de estarmos a salvo de qualquer percalço no jogo do Dragão. Não creio que daí tenha resultado algum tipo de sobranceria nem nenhum facilitismo de forma consciente, mas admito que no subconsciente de jogadores e sobretudo equipa técnica se tenha catalogado como "arrumados".

b) Derrota nos penáltis na final. Uma vez mais, mas não a última, como todos sabemos. Arrisco, portanto, dizer que a final do Jamor se perdeu em Braga. É já um trauma que é urgente tratar e eliminar de vez. Contra mancos...

c) Sobrecarga dos jogadores mais utilizados, que poderá ter penalizado o desempenho da equipa no restante da temporada. Note-se que não sou dos que discordam dessa decisão, acho que fizemos o que era nossa obrigação, jogar na máxima força para ganhar. Se faltou profundidade ao plantel, a questão é outra e a origem das responsabilidades também.


7) Derrota no Dragão contra os sem-vergonha (Março 2019)


Desportivamente, no que aos nossos jogos diz respeito, foi o falhanço da temporada que determinou quem seria o novo campeão. Não porque não fosse possível ou provável que os sem-vergonha perdessem pontos, mas sim porque jamais seria permitido que perdessem. Como ficou demonstrado.

Uma derrota que se consumou pela falta de objectividade e eficácia na procura da baliza, mas em minha opinião muito alicerçada em dois pilares condenados a ruir: 1) o foco na Champions e 2) o tal subconsciente colectivo de que jamais perderíamos aquele jogo e muito provavelmente ganharíamos, mesmo com o "Quim das Couves" a titular. Correu mal e foi Sérgio Conceição quem mais falhou, sentado no banco e sem poder chutar à baliza.



Então e qual destes foi o mais decisivo? Todos impactantes, mas... nenhum deles. Para mim, o momento decisivo de 2018/19 foi a não contratação de Bruno Fernandes.

Um jogador brilhante, Portista por opção, que só estava à espera do "sinal" para rumar ao Dragão (digo eu). Teria certamente feito toda a diferença: no campeonato perdido, nas taças perdidas e até no "peito" com que poderíamos ter enfrentado o agora campeão europeu Liverpool. Mas a parte europeia pouco importa, porque não acredito que alguma vez pudéssemos ser nós os vencedores da competição. O que me importa mais (sempre e em cada ano) é o campeonato e depois as taças. E aí creio que Bruno Fernandes teria acrescentado um valor fundamental para os conquistar, além de naturalmente enfraquecer brutalmente o Sporting.

Recuemos até ao ataque a Alcochete, que legitimamente despoletou a rescisão de contrato por parte de um conjunto relevante de jogadores do Sporting. Insisto, legitimamente, por muito que isso doa aos sportinguistas e certamente nos doeria a nós, caso tivesse sido no Olival. Sem entrar em tecnicidades jurídicas, que desconheço, parece-me evidente que qualquer jogador que alegasse não ter condições psicológicas para continuar a trabalhar no clube veria as suas pretensões atendidas em tribunal.

Esta "introdução ao tema" interessa por é daí que vem a minha convicção de o erro histórico cometido por Pinto da Costa não tem sustentação na defesa que dele fez. A em condições normais louvável postura de não se aproveitar de um adversário em momento de fraqueza não vinga nem poderá vingar no desporto em Portugal enquanto a mentalidade dominante imperar. 

O Sporting não é em nada menos "nocivo" que os sem-vergonha, simplesmente não têm a competência suficiente para o poder demonstrar. Explico: tanto uns como outros, abominam a ideia de um Clube da província, ainda por cima do "Norte", sequer disputar com eles a hegemonia do desporto nacional, quanto mais apresentar um currículo nas últimas décadas muitíssimo melhor do que os seus (combinados). Acontece que o Sporting é uma coisa tão ingovernável (olá Portugal, somos a tua proxy) que nem chegam a poder destilar essa inveja, excepto a espaços. E quando o conseguem... veja-se o que aconteceu no andebol e depois no hóquei. Same shit, different colour. Não se pode travar uma guerra suja com as mãos limpas.

Se isto não fosse suficiente para convencer o "agora-ingénuo" nosso presidente, o facto de Bruno Fernandes ter rescindido e estar livre durante umas semanas deveria ter sido. Muitos discordarão de mim, mas insisto e assim termino: COLOSSAL ERRO HISTÓRICO.

Já a seguir, umas luzes sobre a nova temporada.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco