Do Porto com Amor

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Super Copa Tecate e Cortinas de Fumo


Agora que a comitiva já deve estar a aterrar no Sá Carneiro, é o momento de fazer o balanço desta deslocação ao México.
 

Começando pela deslocação em si mesmo, sou dos que considerem inevitável passar a incorporar este tipo de digressões na pré-época. Os maiores clubes da Europa já o fazem há mais de uma década, fruto da sua enorme popularidade fora de portas, o que lhes tem permitido aumentar as receitas e a base de apoio em paragens tão distantes do velho continente como a China, a Austrália ou os Estados Unidos. 

Para um clube como o Porto, parece-me uma boa oportunidade para ir procurando escapar ao espartilho que a pequenez da nossa Liga nos impõe em termos de receitas. Além disso, são sempre oportunidades para estreitar relações com agentes do futebol noutras latitudes, que mais adiante se podem converter na descoberta privilegiada de novos talentos ou de preferência em potenciais negócios. Nunca fez mal a ninguém conhecer mais "mundo".

Disto isto, vamos ao que mais interessa. Os dois jogos disputados neste meio-torneio (a outra metade foi cancelada por desistência da Juve).



Dia de jogo: 18/07/2017, 3h00 GMT, Estadio Azul, Cruz Azul FC - FC Porto (0-0, 3-2 após gp).

Sérgio fez alinhar de início oito titulares do ano passado, fazendo entrar Ricardo Pereira para o lugar de Maxi e faltando apenas os "impedidos" Danilo e André Silva para completar esse onze mais utilizado. Alinhou Mikel na posição 6 e Corona em vez do avançado.

Foi mais interessante essa primeira parte, porque se conseguiu ver alguma ordem e lógica nas acções ofensivas, ainda que sem criar muitas ocasiões. Aliás, o Cruz Azul teve nessa altura o seu melhor período no jogo e causou alguns calafrios a Iker.

A segunda parte já foi mais caótica, culpas repartidas pelas muitas substituições que fomos fazendo e pela nova postura do adversário, que se desligou e começou a jogar mais no risco, deixando muito espaço nas costas da defesa. Nessa fase, tivemos vários contra-ataques que deveriam ter acabado em golo, com Galeno em destaque no desperdício.

Quanto à forma de jogar e à atitude em campo, notei mais velocidade nas acções, mais verticalidade pela "ganância" com que quisemos chegar a zonas de finalização. Faltou foi isso... finalizar. Vi jogadores entusiasmados e conscientes da responsabilidade de não poderem voltar a falhar. É certo que falharam nos penáltis e não deveriam, mas pelo que se "ouviu" do rescaldo do jogo, a equipa está bem ciente que não podem continuar a não-ganhar e que, para isso, é necessário readquirir esse hábito em cada jogo disputado, mesmo que se trate de pré-época.


Os novos e os regressados:

Ricardo Pereira - aos meus olhos, reconfirmou a opinião que já tinha dele antes do produtivo empréstimo ao Nice: não é um defesa lateral. Pode ser um winger excelente, quando coberto por uma defesa com três centrais, mas defesa lateral não é. Ou, se formos mais optimistas, ainda não é. Falta-lhe instinto de posicionamento defensivo e capacidade para antecipar os movimentos colectivos adversários. Esteve bem nos desarmes de 1 para 1, mas foi algumas vezes surpreendido nas costas. Já a atacar, a conversa é outra. Aí sim, tem muito para oferecer à equipa - mas, lá está, partindo de uma posição de lateral/defesa, porque não o vejo a fazer a diferença como extremo puro. Será curioso ver o que vai sair daqui. Ou se será o próprio a sair, dado o interesse crescente que tem sido ventilado.

Martins Indi - regresso positivo, exibindo aquela robustez que o caracteriza e lhe permite ganhar no corpo-a-corpo e nas alturas. Por mim, seria bom que ficasse. Mas a Premier chama por ele, pelo que suponho que partirá em definitivo.

Mikel Agu - também positiva a sua estreia, tendo em conta a posição onde joga e quem teve de substituir. Naturalmente um pouco "perdido" a espaços, mas sempre soube se recompor e seguir a lutar. Pode mesmo ser que tenha nova oportunidade (que, em verdade, será a primeira em boas condições).

Sérgio Oliveira - um dos meus "protegidos", mostrou em pouco tempo as qualidades e os defeitos que mais o caracterizam. Bem a ler o jogo e a endossar a bola, se lhe derem tempo para isso, e bom marcador de bolas paradas. Menos bem ao deixar-se antecipar quando com a bola controlada e em alguns momentos de menor concentração. Está no fio da navalha...

Hernáni - pouco feliz nesta primeira aparição, até porque marcada por dificuldades respiratórias que o condicionaram em definitivo. Venha o próximo jogo, se possível ao nível do mar...

Aboubakar - regresso positivo à equipa, muito voluntarioso e a desesperar por mostrar serviço. Já expliquei que acho inadmissível reintegrar um jogador que disse o que ele disse, mas se a opção do Clube é essa, então que seja como Carlos Tê escreveu um dia: "ao menos que valha a pena" sacrificar os nossos princípios (ou serão só meus, se calhar). Vincent tem qualidade, apesar de no seu último ano no Dragão se ter revelado demasiado perdulário. Pode ser que tenha evoluído nesse capítulo.

Galeno - muita vontade mas pouco acerto. Desperdiçou duas jogadas de golo "feito", que a serem concretizadas (por ele ou pelo desesperado Aboubakar), lhe dariam desde já outra credibilidade na difícil luta pela permanência no plantel principal. Veremos como responde nos próximos jogos.

Rafa Soares - desejava ardentemente que entrasse e se afirmasse de imediato como a alternativa a Telles, mas tal seria difícil de acontecer. Primeiro, porque Rafa teve o bom-senso de não complicar, procurando fazer apenas o que lhe competia e tudo certinho. Segundo, porque entrou num momento complicado do jogo, quando já muitos tinham saído e entrado e a desorganização reinava. Em resumo, não me deu para ver nada de relevante. Next, please.

Jorge Fernandes - o central de B que veio fazer uma perninha (porque será, senhores que acham que o plantel já está completo?) entrou para dar o merecido descanso a Felipe e esteve (aparentemente) tranquilo, integrando-se bem no sector defensivo.




Dia de jogo: 20/07/2017, 1h00 GMT, Estadio Chivas, CD Guadalajara - FC Porto (2-2).

Início com dois avançados, Soares e Aboubakar, que se traduziu quase de imediato no primeiro golo. Desatenção e perda de bola de um adversário em zona proibida e Aboubakar a receber bem, ganhar espaço e finalizar com categoria. Talvez impulsionado por esse conforto madrugador, a equipa partiu para uma exibição muito agradável na primeira parte, com muitas combinações vistosas e vários lances para ampliar o marcador, com destaque para um remate na trave, outra vez do camaronês. Ainda assim, conseguimos chegar ao segundo, após uma brilhante jogada colectiva finalizada por Otávio... de cabeça! Destaque para a boa exibição de Óliver, talvez o melhor nos 35 minutos que esteve em campo.

A segunda parte foi bem diferente, para pior. Brahimi, que desta vez não fez parte dos planos iniciais, entrou e assumiu o protagonismo, à semelhança do que tinha feito na primeira parte do jogo contra o Cruz Azul. O resto foi um pouco mais desorganizado, em especial em fases defensivas, o que nos custou dois golos. O primeiro foi uma desatenção colectiva, com o Chivas a marcar um livre de forma rápida e apanhar todos em contra-pé. O segundo foi um bom golo, mas igualmente iniciado fruto de alguma desconcentração nas marcações. 

Foi pena porque, tudo somado, fomos a melhor equipa. Voltamos a adiar o recomeço do hábito de ganhar. Entende-se o desgaste, as novas ideias e todas as demais atenuantes. Não é sequer preocupante, porque se viu coisas bem interessantes. Mas o hábito, a exigência de ganhar sempre, esses ficaram para outras núpcias. Que não demorem, é o que peço.


Os novos e os regressados:

Ricardo Pereira -Voltou a ser titular e esteve outra vez bem a atacar (sem ser exuberante) mas mais acertado a defender. Anseio pelos próximos capítulos, se os houver.

Martins Indi -Jogou toda a segunda parte, voltando a denotar segurança e acerto, com o devido desconto de ser pré-época. No entanto, também fez parte do conjunto de sonecas que se deixaram bater nos golos.

Mikel Agu - Só 15 minutos, para ganhar mais minutos e pernas. Pouco deu nas vistas, porque procurou equilibrar (e equilibrar-se).

Sérgio Oliveira -Entrou após o intervalo e desde logo procurou assumir as despesas do jogo, sempre disponível para atacar e recuperar a bola. Algumas movimentações interessantes, dono de quase todas as bolas paradas, mas sem conseguir verdadeiramente brilhar.

Hernáni - desta vez começou a titular e teve 35 minutos para mostrar serviço, mas ainda não foi desta. Nota-se que precisa de espaço e de tempo para se afirmar, mas temo que ambos escasseiem no que lhe diz respeito.

Aboubakar - o mais influente da equipa, com um bom golo, uma bola na trave e bons envolvimentos ofensivos. Parece estar mesmo apostado na redenção.

Galeno - substituiu Soares ao intervalo e voltou a mostrar-se muito disponível, ansioso até, para demonstrar que merece uma oportunidade. Não sei se o conseguiu, mas de falta de empenho ninguém o pode acusar.

Rafa Soares - Jogou o último quarto de hora e desde logo se envolveu nas acções ofensivas pelo seu flanco, onde teve Brahimi e JC Teixeira como companhia. Procurou jogar simples, o que se recomenda. Foi no seu território que nasceu o lance do segundo golo, ainda que a culpa maior seja de JC Teixeira.

Vaná - estreia absoluta mas algo ingrata, porque sofreu um golo que dificilmente poderia evitar. Fica o registo de uma boa intervenção.

Jorge Fernandes - dez minutos finais e voltou a não tremer, mas foi também no seu turno que chegou o empate. Haverá de ter mais oportunidades, num futuro não muito distante.


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Por cá, os tentáculos do octopus orelhudus ainda mexem. E muito.

No que toca aos delegados da Liga, Bernardino Barros tem andado em cima "deles" como um pitbull atiçado. É assim mesmo que se os desmascara. Recomendo a leitura dos seus vários posts sobre o tema, que apropriadamente apelidou de Purga, baptizou  nesta sua página de facebook. E que leiam também o que desabafaram os ex-delegados Ana dos Santos e César Pereira. Ataca BB!




Noutro plano, a propaganda candeeira continua a lançar granadas de fumo para enganar a populaça mais estupidificada pelo brilho dos tretas desta vida. Porque está bem explicado tal como está, reproduzo o que vem escrito no Dragões Diário de hoje:

"Manobras de diversão
 

A comunicação do Benfica tem procurado contaminar a opinião pública com uma ideia peregrina: era o Tribunal Arbitral do Desporto que tinha competência para julgar o recurso de Pinto da Costa no processo ‘Apito Final’. Fê-lo quer através das suas famosas “fontes oficiais” (que, até ver, permanecem anónimas), quer pela voz dos seus cartilheiros, como André Ventura. 

Julgamos que isto já ficou bem claro, mas voltamos a explicar para que os mais incautos não possam dizer que não foram informados: o que motivou a decisão de maio de 2011 do Tribunal Administrativo de Lisboa - que considerou inexistente o acórdão de 4 de julho de 2008 do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol que negava provimento ao recurso de uma deliberação da Comissão Disciplinar da Liga apresentado por Pinto da Costa - foi a ilegítima constituição e funcionamento daquele órgão da FPF a partir do momento em que o seu presidente, com toda a legitimidade, encerrou uma reunião que seria depois pretensamente continuada à sua revelia. Esta decisão em nada se relaciona com o teor do processo. 

Nesse sentido, considerou o Conselho de Justiça que, face à deliberação do Tribunal Administrativo, transitada em julgado em dezembro de 2016, lhe cabia reapreciar aquele recurso e produzir um acórdão que, ao contrário do anterior, não carecesse de legalidade. Foi isso que aconteceu. O Benfica alega que a apreciação desse recurso caberia ao Tribunal Arbitral do Desporto, ignorando (porventura deliberadamente) que essa instituição só entrou em funcionamento em 1 de outubro de  2015 e que a lei que a regula (lei n.º 74/2013) inclui uma norma transitória que é bastante clara em relação aos processos cujo julgamento é sua competência: “1 - A presente lei aplica-se aos processos iniciados após a sua entrada em vigor. 2 - A aplicação da presente lei aos litígios pendentes à data da sua entrada em vigor carece de acordo das partes”. 

Tendo isto em conta, o discurso que o Benfica tem produzido ao longo dos últimos dias sobre este assunto só pode ser lido de duas formas: 1) ou é revelador de uma profunda ignorância jurídica; 2) ou não passa da tentativa de criação de uma manobra de diversão que só pode ter como objetivo desviar o foco da opinião pública sobre o que verdadeiramente atormenta os dirigentes daquele clube – os esquemas de eventual corrupção e tráfico de influências que têm sido denunciados no Universo Porto da Bancada. Até porque, como eles bem sabem, o melhor ainda está para vir."


E assim vai o mundo. Há que continuar a cerrar fileiras e a destapar-lhes os podres. Recomendo o uso de máscaras de gás ou, no mínimo, de uma mola no nariz.




Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



 

terça-feira, 18 de julho de 2017

Análise da Época 2016/17: Parte Três - O Veredicto


Agora que já temos uma perspectiva mais condizente com a realidade sobre os desempenhos colectivo e individuais na época passada, é chegada a altura de separar os homens dos meninos, o trigo do joio e os craques dos pernas-de-pau. 

Quem fez o suficiente para continuar a merecer envergar a azulebranca? Quem se tornou indispensável? Quem não pode mesmo voltar a calçar no Dragão? É o que vamos já saber. Em minha opinião, naturalmente.
 



Ainda antes dos veredictos, a indispensável atribuição dos Pedrotos e os Lopeteguis do ano, que são os Óscares e os Razzies DPcA e que distinguem quem merece ser distinguido, para o bem para o mal:


Jogador do Ano DPcA: Marcano!

Continuo a minha via sacra penitencial, após ter desejado com todas as forças que o Iván tivesse guia de marcha no final de 2015/16. Sim, era ajustado, mas não, não lhe permitiria este notável renascimento e a vitória final no ranking DPcA. Pronto, mais dez chibatadas e a coisa faz-se. Parabéns hombre, que seja para continuar...

Candidato(s) vencido(s): Felipe, Alex Telles, Danilo, André Silva


MeC do Ano DPcA: André Silva!

Primeira metade da época em grande estilo, sendo o verdadeiro abono de família em tempos de míngua de golos. Deu sequência ao bom final de época anterior e confirmou-se como jogador de elite. Tanto que, mesmo com a quebra na segunda metade, foi o primeiro a ser comprado. Boa sorte menino AS, até um dia!

Candidato(s) vencido(s): Corona


Revelação do Ano DPcAAlex Telles e Felipe!

Desta vez optei por uma revelação sénior e em dose dupla, pela importância que ambos tiveram logo no seu ano de estreia. Empatados em pontos, não tinha como escolher um sobre outro...

Candidato(s) vencido(s): Soares, Diogo Jota, Rui Pedro 



"La Cucaracha" do Ano DPcA: Herrera!

E eu digo não dá... não dá, não dá, não dá... porque tu só fazes cacá... cacá, cacá, cacá... Too little, too slow, too strong, too wrong, too late. Adiós!

Candidato(s) vencido(s): Adrián, Depoitre (por uma lasca) 


Prémio DPcA "O Que É Que Estou Aqui a Fazer?"Depoitre!

"Pedido expresso do treinador". Ou talvez não. Pinheiro? Nããã, tronco mesmo. Obrigado, Huddersfield!

Candidato(s) vencido(s): Adrián 


Prémio DPcA "Quando For Grande Quero Ser Treinador"NES!

Amorfo. Flipcharter. Errático. Submisso. Idiota. Ponto.

Candidato(s) vencido(s): Gustavo Santos


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Arrumada a cerimónia, é tempo de vomitar o glitter (perdoem-me), mandar o smoking para a lavandaria e voltar a equipar calções e chuteiras. Vamos aos Veredictos DPcA!



Baliza


Rankings DPcA - médias do sector: 153 /2.220/ 6,21


Nota 1 - Legenda: pontos/minutos/pontos por jogo

Nota 2: entre parêntesis, as médias de 2015/16 para comparação

Nota 3: para as médias de sector, apenas entram jogadores com pelo menos 450 minutos disputados


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1 - Iker Casillas (36 anos)

Depois de mais uma boa época, a dúvida estava apenas na questão salarial. Resolveu-se graças à boa-fé de ambas as partes, pelo que obviamente continua. E capitão, de preferência.

Rankings DPcA: 269 / 3.870 / 6,26 (vs. 236 / 3.600 / 5,90 em 2015/16)

Veredicto: FICA

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12 - José Sá (24 anos)

Foi vítima dos afastamentos precoces nas taças nacionais, limitando-se assim seis jogos oficiais. Em todo o caso, as indicações foram positivas e tem muito para evoluir. Com Iker garantido e Vaná contratado, o melhor seria um empréstimo para jogar. E regressar um dia.

Rankings DPcA: 37 / 570 / 6,17 (sem utilização oficial)

Veredicto: TALVEZ

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24 - João Costa (21 anos) 

Deverá seguir a sua formação competitiva na B, garantindo uma terceira via e aproveitando os pontuais treinos na equipa principal para queimar etapas à custa da experiência de Casillas.

Rankings DPcA: sem utilização oficial

Veredicto: FICA (B)

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Saídas: (?) 

Entradas: Vaná
 
Conclusão: Casillas a titular e Vaná na rectaguarda, com oportunidades nas taças nacionais. Estou tranquilo.



Defesa


Rankings DPcA - médias do sector: 209,5 /2.908/ 6,07

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5 - Iván Marcano (30 anos)

Passou do "SAI" da época passada para o MVP da época. Fica sempre a dúvida sobre qual será o verdadeiro Marcano, mas para já está 2-1 em épocas positivas e assim eu aposto no 3-1 em 17/18.

Rankings DPcA: 300 / 4.170 / 6,52 (173 / 2.966 / 5,24)

Veredicto: FICA

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28 - Felipe (28 anos)

Chegou ao futebol europeu já madurinho, pelo que a inevitável adaptação se deu sem sobressalto de maior. Foi um reforço de luxo, contribuindo decisivamente para a solidez defensiva da equipa. Continua, pois claro.

Rankings DPcA: 279 / 4.080 / 6,20

Veredicto: FICA

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13 - Alex Telles (24 anos)

Muito boa época de estreia do ex-Galatasaray, fazendo esquecer (kind of) a partida de Alex Sandro. E o que mais me entusiasma, é que ficou a sensação de que ainda pode fazer bem melhor. Venha de lá!

Rankings DPcA: 279 / 4.017 / 6,20

Veredicto: FICA

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2 - Maxi Pereira (33 anos)

Teve mais dificuldades do que na época de estreia, a que não será alheia a passagem de mais um ano. Nota-se que lhe custa mais recuperar a forma após uma paragem e a velocidade já não é a mesma. Compensou com toda a experiência e fez uma época positiva. Fica a dúvida sobre como reagirá após mais uma volta ao sol. Fico bem se ficar, pouco preocupado se sair.

Rankings DPcA: 214 / 2.985 / 6,11 (267 / 3.732 / 6,36)

Veredicto: FICA

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21 - Miguel Layún (29 anos)

Depois de ser a surpresa, foi a decepção. Uma época muito irregular e errática, sugerindo macaquinhos no sótão; de que género, desconheço. Fiquei desgostoso com a sua atitude em alguns jogos, com a recepção ao Rio Ave à cabeça. Acredito na redenção, mas não estou seguro que aconteça, pelo que encaro com bons olhos uma boa transferência.

Rankings DPcA: 138 / 1.554 / 5,52 (260 / 3.610 / 6,34)

Veredicto: TALVEZ

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4 - Willy Boly (26 anos)

Utilização insuficiente para permitir qualquer tipo de conclusão, ainda que preliminar, sobre a sua real valia. Quando jogou, oscilou entre o bom (Turim) e sofrível (Tondela). Teria condições para continuar e mostrar quem é de facto, até porque custou uma boa maquia.

Rankings DPcA: 47 / 642 / 5,88

Veredicto: FICA (EMPRESTADO)

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45 - Inácio Santos (21 anos)

Noventa minutos num jogo ingrato na Taça da Liga que me deixaram com vontade de ver mais. Não vi, porque não houve oportunidade, mas deu a sensação de ter qualidade para se vir a impor mais adiante. Este ano, com o regresso de Rafa, também não deve ter grandes oportunidades, pelo que B ou empréstimo para rodar.

Rankings DPcA: 6 / 90 / 6,00

Veredicto: FICA (B)

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52 - Fernando Fonseca (20 anos)

Boa prestação quando foi chamado de recurso e em emergência para a deslocação aos Barreiros. Todavia, não sei se já estará pronto para assumir a equipa principal em definitivo, pelo que aposto em mais um ano de B ou eventual empréstimo com boas perspectivas de jogar.

Rankings DPcA: 6 / 85 / 6,00

Veredicto: FICA (B)

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Saídas: Boly 

Entradas: Rafa Soares, Ricardo Pereira (?), Diego Reyes (?), Martins Indi (?)


Conclusão: Muito para minha surpresa, o comportamento defensivo foi quase sempre de bom nível. Talvez não tanto como alguns de nós o pintaram, porque a sorte e o desacerto do adversário também contam, mas em todo o caso muito positivo. Neste momento, continua a faltar um bom central, que rivalize com Marcano e Felipe logo à chegada. E um quarto central, que poderá ser Indi ou Reyes, embora pareça improvável a continuidade de ambos no pós-estágio. Nas laterais, não havendo surpresas, parece tudo encaminhado. Saindo Ricardo Pereira, há que repensar.



Meio-Campo


Rankings DPcA - médias do sector: 199,7 /2.289/ 6,00

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22 - Danilo Pereira (25 anos)

Época de confirmação, se tal fosse preciso. Teve uma oscilação de rendimento na fase mais crítica e decisiva do campeonato, mas sabemos bem que não foi por ele (nem por nenhum outro jogador) que não acabamos campeões. Para amarrar bem amarrado durante muito tempo...

Rankings DPcA: 273 / 3.597 / 6,66 (282 / 3.558 / 6,41)

Veredicto: FICA

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30 - Óliver Torres (22 anos)

O regresso do menino pródigo ficou claramente aquém das expectativas, culpas repartidas pelas opções do treinador e pelo que fez aquando da primeira passagem. Tem uma margem imensa para melhorar e certamente vai fazê-lo.

Rankings DPcA: 238 / 2.777 / 6,10 

Veredicto: FICA 

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25 - Otávio (22 anos)

A rodagem fez-lhe muito bem, regressou um senhor jogador. A capacidade de penetração e desequilíbrio com a bola e sem ela são as suas melhores armas, mas creio que tem mais, se para isso for trabalhado. Começou em grande e caiu com uma lesão, regressando depois já sem o mesmo fulgor. Mas valeu como (excelente) amostra.

Rankings DPcA: 204 / 2.002 / 6,18

Veredicto: FICA

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20 - André André (27 anos)

Menos utilizado do que há dois anos, foi uma das decepções face ao que tinha projectado. Apareceu em bom nível já na fase final da temporada, o que reactivou a minha fé. Conseguirá ser digno dela?

Rankings DPcA: 198 / 2.294 / 6,00 (227 / 2.499 / 6,14) 

Veredicto: FICA 

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16 - Héctor Herrera (27 anos)

Para quem ainda tivesse esperança no chico, esta época deve ter sido o quanto baste para acabar com ela. Errou bastante, muito e ainda mais, até finalmente ser afastado da titularidade. Ironicamente, regressou mais adiante e em bom plano. Mas a questão é que só isto não chega, nem de perto, para ser jogador do Porto. Teve mais do que oportunidades, é tempo das despedidas. Sem olhar para trás.

Rankings DPcA: 178 / 2.151 / 5,09 (207 / 2.841 / 5,59)

Veredicto: SAI

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6 - Rúben Neves (20 anos)

Época na sombra de Danilo, porque a sua condição de "6" foi assumida sem reservas e quase sem excepções. Terá evoluído menos do que todos desejávamos, mas, note-se, ainda só tem vinte aninhos. Toda a carreira pela frente. Que deveria ser feita cá, mas não vai. Uma grande perda para o Portismo, digam o que disserem. Shame on them.

Rankings DPcA: 107 / 910 / 5,94 (201 / 2.277 / 5,74)

Veredicto: FICA (VENDIDO)

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18 - João Carlos Teixeira (24 anos)

Uma das surpresas no defeso passado, chegou como jovem talento desaproveitado (pelo próprio, imagino). Gostei do que lhe vi, ainda que pouco. Quero ver mais este ano, pode ser?

Rankings DPcA: 53 / 167 / 5,30

Veredicto: FICA

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15 - Evandro (30 anos)

Não conseguiu impor-se em nenhuma das épocas que passou no clube e nesta última quase não contou. Saiu naturalmente ainda em Janeiro. A melhor das sortes, porque sempre teve um comportamento exemplar.

Rankings DPcA: 21 / 131 / 5,25 (103 / 793 / 5,72)

Veredicto: SAI (VENDIDO)

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3 - Sérgio Oliveira (25 anos)

Foi preterido pelo treinador bem cedo na época e rumou a Nantes no mercado de Janeiro. Eu ainda acredito nele, mas parece-me que somos cada vez menos neste grupo restrito...

Rankings DPcA: 11 / 53 / 5,50 (106 / 1.240 / 6,24)

VeredictoTALVEZ

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Saídas: Rúben Neves

Entradas: Mikel (?), Sérgio Oliveira (?),

Conclusão: a saída de Rúben levanta a questão da sua substituição. Há quem aponte Mikel, eu simplesmente não o vi jogar o suficiente para ter uma opinião - e, portanto, tenho reservas. A saída de Danilo seria uma tragédia irreparável, pelo que vou assumir que não vai acontecer. A concretizar-se a imperiosa saída de Herrera, será obrigatório contratar um outro médio, mas desta vez em bom jogador, se possível.



Ataque


Rankings DPcA - médias do sector: 190,3 /1.935/ 6,00

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10 - André Silva (24 anos)

Início fulgurante de temporada, retomando onde tinha parado na época anterior. Foi, durante o longo inverno, o abono-de-equipa, parecendo por vezes ser o único com permissão para marcar. Entrou em quebra (mais psicológica do que física) e dela nunca conseguiu verdadeiramente recuperar, até porque Soares o empurrou para uma ala. Ok, não foi Soares, foi o idiota. Mas enfim, o resultado foi o mesmo. Tempo perdido e talento desperdiçado. Que agora já não voltam mais.

Rankings DPcA: 277 / 3.425 / 6,30 (69 / 800 / 5,75)

VeredictoFICA (VENDIDO)

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17 - Jesus Corona (24 anos)

Tenho a certeza que já vos confessei que sou um grande admirador do Jesús (note-se o acento no "u"). É daqueles que parece ter tanto futebol que não sabe como o ordenar dentro de si, de forma a exibi-lo ordeira e eficazmente para gáudio dos seus companheiros e adeptos. No entanto, mantenho intacta a esperança de ser ainda aqui no Porto que alguém o ajude a ser o que pode. Vamos a isso, Sérgio?

Rankings DPcA: 260 / 2.220 / 6,34 (207 / 2.311 / 5,91)

Veredicto: FICA

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19 - Diogo Jota (20 anos)

Um lampiãozito cheio de potencial, que ajudou bastante a equipa em vários momentos da época. Apesar da tenra idade. Uma pena que não seja possível (será?) chegar a acordo com o Atlético de Mendrid para o seu ingresso em definitivo. A mim, deixa saudades - sobretudo do muito que nunca chegou a fazer. 

Rankings DPcA: 230 / 1.960 / 6,05 

Veredicto: FICA (FIM EMPRÉSTIMO)

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8 - Yacine Brahimi (27 anos)

Começou a época a treinar à parte e depois foi miraculosamente reintegrado. Demorou a responder, mas reapareceu e não poucas vezes foi o único jogador que parecia capaz de desatar os nós das defesas contrárias (ou de NES, não sei bem). Voltou a ficar aquém do que poderia ser, mas fez uma época positiva. Eu defendia que fosse o primeiro a ser (bem) vendido, pelo histórico, mas voltando ao tema das redenções... quem sabe se?...

Rankings DPcA: 206 / 1.960 / 6,65 (262 / 3.215 / 6,24)

Veredicto: FICA

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29 - Soares (26 anos)

Chegado ao Dragão tão triunfal quanto inesperada e necessitada, com uma primeira meia-dúzia de aparições de fazer beliscar qualquer adepto. Enfim, regressou à Terra logo depois, mas a obra estava feita. Terá de provar este ano que não foi obra do Espírito Santo...

Rankings DPcA: 110 / 1.437 / 6,47

Veredicto: FICA

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59 - Rui Pedro (19 anos)

Depois de ser o milagreiro inesperado contra os matrafonas de Braga, regressou com naturalidade à sua condição de júnior e por vezes suplente. O que foi mau para ele, porque lhe retirou minutos de jogo preciosos na B - tanto mais que, na principal, foi quase sempre chamado em desespero de causa. Mas milagres não há sempre. Nem o Nhaga os consegue. Espero que continue a jogar regularmente pela B, porque não o vejo ainda pronto para dar o salto. E por baixo fica o abismo...


Rankings DPcA: 74 / 236 / 5,69

Veredicto: FICA (B)

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9 - Laurent Depoitre (28 anos)

O flop do ano, sem margem para dúvidas. A única coisa que se safa é aquele golo ao Chaves... e o facto de quase nos terem dado o mesmo que demos por ele há um ano. Aqui sim, milagre!

Rankings DPcA: 59 / 606 / 4,21

Veredicto: SAI (VENDIDO)

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11 - Adrián (29 anos)

Hum... não.

Rankings DPcA: 44 / 341 / 5,50

Veredicto: SAI (?)

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7 - Silvestre Varela (32 anos)

Um regresso sem nexo e que cedo se fez questão de demonstrar. Agradecido por tudo, Silvestre, mas o teu tempo no Clube já tinha terminado (como aliás bem sabias).

Rankings DPcA: 23 / 226 / 4,60 (166 / 1.728 / 5,35)

VeredictoSAI (DISPENSADO)

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23 - Kelvin (24 anos)

Peça de museu. Já está.

Rankings DPcA: 5 / 21 / 5,00

Veredicto: SAI (EMPRESTADO)

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Saídas:  André Silva, Varela, Kelvin, Bueno (?)

Entradas: Hernâni (?), Aboubakar (?), Marega (?), Galeno (?)


Conclusão:a saída de AS abre uma vaga para o artista principal de grande área. Será Soares o homem? Não se sabe, mas em todo o caso, será sempre preciso (pelo menos) mais um goleador. Sou totalmente contra o reingresso de Aboubakar, porque quando se trata de valores, nem sempre os financeiros podem falar mais alto. É um péssimo precedente que se (re)abre. E precisamos claramente de outro flanqueador, que não sei se poderá ser Hernâni.


Resumo: nesta fase da pré-época, parece claro que precisamos de um central, de um goleador e de um extremo, só para referir os mais prementes. Veremos se quem já cá está poderá dar conta de alguns desses recados (de todos, não me parece possível). E se ainda sairá algum dos "insubstituíveis"...

Entretanto, venha de lá a bola a rolar. Torneio no México, para começar. Que fominha de bola, senhores...



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



sexta-feira, 14 de julho de 2017

Análise da Época 2016/17: Parte Dois - Os Jogadores


Concluído o estudo do colectivo na primeira parte da análise, é tempo de saborear o filé: as análises aos desempenhos individuais.

Porque não há bela sem senão, comecemos por aparar as peles e as gorduras que circundam o naco de lombo. NES.




NES, o homem do "campeão justo", o homem que gosta de levar com brasileiros de meia-idade em cima, teve um desempenho à medida da sua imbecilidade, totalizando uns míseros 245 pontos DPcA em 49 partidas oficiais, o que lhe valeu a bonita média de 5,00 pontos por jogo. 

Por comparação, apenas Varela (quase não jogou) e Depoitre (escolha "sua") fizeram pior. Ficou ao nível de Kelvin. O de 2017. Tudo dito, verdade?


Vamos então ao que interessa. Os jogadores.

Pontapé de saída com a (1) utilização, uma perspectiva que nos permite perceber quais os jogadores mais e menos utilizados, entre outras "métricas" igualmente interessantes. Atente-se na figura 1.


Figura 1 (clicar para ampliar)

O quadro está ordenado pelo total de minutos jogados, medida primeira do grau de utilização. Sem surpresa, os quatro primeiros são 3 defesas e o GR titular. Marcano é o primeiro, com um jogo inteiro de avanço sobre Felipe. Segue-se o reforço Telles e Casillas

Danilo e AS são 5º e 6º, comprovando o seu estatuto de indispensáveis na equipa. Segue-se Maxi, que no início da época foi várias vezes preterido com benefício de Layún, uma das grandes desilusões do ano.

Óliver fecha o lote dos mais utilizados, porque a seguir vêm AA e Corona, com quase 500 minutos a menos nas pernas. A fechar o onze mais utilizado... Herrera, muito graças à lesão de Otávio e à teimosia de NES.

No lado negativo, destaque para a escassa utilização dos vários dos reforços: JC Teixeira, Depoitre e Boly. Rúben e Layún foram outros casos, embora por motivos diferentes. Enquanto o primeiro foi vítima das poucas oportunidades que recebeu, o segundo não as soube (ou não as quis) aproveitar.

Em termos da participação em jogos, jogos completos e maiores séries, algumas notas:

- AS, o sexto mais utilizado e com participação em 44 jogos, apenas fez os 90 minutos em 27 deles;

- Corona, apesar de utilizado em 41 jogos, só completou 7 (!). O mesmo sucedeu com Jota e Brahimi;

- Diogo Jota (13º mais utilizado), foi chamado a intervir durante 16 jogos consecutivos, o que lhe vale a 5ª maior série da temporada. Em sentido inverso, destaque para Maxi, que tendo completado 29 dos 35 jogos em que participou, teve como maior série apenas 9 partidas consecutivas.

[se detectar outros focos de análise interessantes, por favor partilhe connosco!]


Avancemos agora para a (2) análise qualitativa, sempre mais subjectiva e neste caso concretizada através das pontuações que fui atribuindo em cada um dos 49 encontros oficiais disputados em 2016/17. Quem não tiver presente qual o critério estabelecido para pontuar os jogadores, pode (e deve) consultar a Tabela de Pontuação DPcA. Observe-se a imagem seguinte.


Figura 2 (clicar para ampliar)


Também aqui Iván Marcano foi o vencedor. Quem diria, após a época desastrada de 15/16?... Eu não, certamente. Aliás, até "exigi" que recebesse guia de marcha. Justíssima nesse momento, mas um erro crasso em potência, como o cantábrico fez questão de demonstrar. Muitas e boas exibições, sempre com eficácia e discrição.

Felipe e Telles continuam no pódio, mas AS e Danilo invertem posições e ambos sobem um lugar. Casillas cai para sexto, o que se percebe bem pela razoável quantidade de vezes em que foi mero espectador, ao que equivale sempre e apenas a nota 6.

Em termos médios, Danilo foi o melhor quando utilizado o rácio "pontos/jogo", seguido de Brahimi e Marcano. Destaque também para o quarto lugar de Soares, que chegou apenas em Janeiro. 

Já quando recorremos ao rácio "pontos/cada 90 minutos jogados", as coisas alteram-se. Aqui, Rúben é rei. Surpresa? Para mim, foi. Mas, lá está, alguém "no" Wolves não anda a dormir... Não sendo Rúben dos mais utilizados, o grande destaque vai para dois jogadores: Diogo Jota e Corona. Estes sim, foram os verdadeiros reis da produtividade, retirando o melhor (em média) de cada minuto que passaram em campo.

Em rigor, JC Teixeira e Rui Pedro é que lideram este ranking, mas a sua condição de suplente pouco utilizado (apenas alguns minutos por jogo) enviesam e retiram alguma relevância aos seus resultados. Em todo o caso, diz-nos pelo menos que corresponderam quando foram chamados.

Olhemos ainda para as distinções de Melhor em Campo (MeC). André Silva foi o vencedor isolado, com 7 nomeações, fruto do seu grande arranque de época. Sintomático, pela negativa, é que 6 delas tenham sido conseguidas na primeira volta, o que bate certo com a quebra de rendimento que exibiu na segunda metade.

A acompanhá-lo no pódio, Corona (5) e Brahimi (4), o que demonstra bem a importância dos génios no futebol. Podem não estar sempre, podem andar escondidos durante boa parte do jogo, mas... quando chega o momento, aparecem e decidem (nem sempre, infelizmente, mas aparecem).

[outros pontos de interesse que queira destacar, já sabe...]


Passemos para a (3) produção ofensiva, consubstanciada através de golos e assistências. Eis, de novo, o magnífico quadro.


Figura 3 (clicar para ampliar)


Sem surpresa, AS foi o artilheiro-mor da equipa, registando 21 golos e ainda 7 assistências, um complemento que fica sempre bem a um goleador.

Em segundo, a surpresa Soares, que contabilizou 12 golos e um passe de morte. Se, por um lado, a distância é grande para AS, por outro, Soares foi bem mais eficaz. Para o comprovar, basta comparar os minutos de jogo de um e de outro: 3425 para o português e 1437 para o brasileiro. Isto significa que AS precisou, em média, de 163 minutos para fazer um golo, enquanto que Tiquinho só precisou de 119.

Em terceiro, Diogo Jota, que se destaca pela boa produção em ambos os parâmetros: 9 golos e 8 assistências no total, quase todos conseguidos no campeonato. Cada golo demorou cerca de 217 minutos a ser fabricado (em média).

Corona e Brahimi são os que se seguem, com 7 golos cada, o que não sendo mau, é algo curto para o que sabemos que podem fazer. Apesar da escassez na finalização, o mexicano acabou por se redimir ao oferecer 8 golos aos companheiros, enquanto que Yacine ficou também aquém, com apenas 4.

Por fim, destaco Marcano, que para lá do seu métier principal, ainda arranjou tempo para facturar por cinco vezes. Poderia ainda falar de Depoitre, mas nem vale a pena. Também já se foi.

Nas assistências, foi Alex Telles o mais produtivo, seguido por Jota e Corona (8 cada) e Otávio e AS (7). Muito bom registo para a época de estreia do lateral.


Esta segunda parte conclui-se com a observação à lupa dos reforços de 2016/17. Primeiro, o quadro.


Figura 4 (clicar para ampliar)

Em termos de utilização e pontos DPcA, Telles e Felipe são os melhores reforços da temporada, aqueles cujo valor ficou amplamente demonstrado logo na primeira época de dragão ao peito.

Se considerarmos também a produção ofensiva (capítulo onde Felipe fica logicamente em desvantagem), é imprescindível acrescentar Soares ao grupo. Teve um impacto imediato na equipa (estreia com dois golos, na vitória sobre o Sporting) e disfarçou a crise de confiança por que AS atravessava nesse momento. É certo que não conseguiu manter essa explosiva veia goleadora até final, mas isso talvez fosse esperar demasiado de um reforço de 26 anos vindo do V. Guimarães.

Para mim, este foi o trio que justificou em pleno a contratação, com a ressalva de que Soares terá de fazer uma época inteira para que a avaliação possa ser comparável e mais definitiva.

Um outro trio, composto por Óliver, Jota e Otávio, demonstram igualmente terem sido apostas correctas, ainda que tenham ficado a dever algo à casa. Pelo talento que sabemos que têm, esperava-se um pouco mais. Em todo o caso, tiveram épocas claramente positivas, pese algumas oscilações de rendimento.

Quanto a JC Teixeira e Boly, devo dizer que não cheguei a perceber o que podem valer. No caso do central, nunca saberei. Veremos se o médio tem nova oportunidade. Espero que sim, porque o pouco que vi, pareceu-me estar ao nível de um jogador do Porto. A confirmar.

Por último, o pinheiro belga. Desde o iniciozinho se percebeu que a contratação de Depoitre iria ser uma sucessão de equívocos. Claramente, não convenceu, chegando até a ser embaraçoso assistir a alguns dos seus momentos. E penalizador. Na memória, vou guardar aquela cabeçada contra o Chaves, pela qualidade excepcional (porque foi excepção) e por ter sido decisiva no resultado. O resto, já estou a tratar de apagar.

Rui Pedro e Inácio, sendo jogadores da B, não merecem serem analisados sob o mesmo critério. No futuro, espero avaliá-los como reforços efectivos.

Em jeito de resumo, 6 boas entradas, 2 incógnitas e um falhanço rotundo, o que resulta num saldo positivo. Note-se que aqui só me refiro aos jogadores que efectivamente reforçaram a equipa principal.


No último capítulo desta trilogia, olharei para cada um dos jogadores individualmente, argumentando a favor ou contra a sua continuidade em 2017/18. Até já.






Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Análise da Época 2016/17: Parte Um - A Equipa


É factual: 2016/17 não foi um bom ano para nós. Outra época em branco, sem um mísero título para acrescentar ao nosso riquíssimo palmarés. Tratando-se da terceira a zeros e a quarta sem conquistar o campeonato, o drama assume proporções dantescas. No meu caso, é mesmo o pior momento da vida do Clube a que assisti já com consciência.




As causas já são por todos sobejamente conhecidas:

1) A vergonha-nacional que é este polvo candeeiro, traficante e vigarista;
2) Nuno Espírito Santo;
3) Os responsáveis pela escolha de NES (e consequente exclusão de outros candidatos (muito) melhor qualificados).

Para além disto, houve também os jogadores. E os jogos por eles jogados. Sim, é jogo de palavras intencional. Para reforçar o que o futebol é - ou deveria ser - jogadores a jogarem jogos. É essencialmente sobre eles que me vou debruçar nesta análise de fim de temporada. Mas antes, uma breve pincelada sobre o colectivo.

Como equipa, os registos são eloquentes.

No total, o Porto disputou 49 partidas oficiais, divididas por Campeonato (34), Champions League (2+8), Taça da Liga (3) e Taça de Portugal (2). Somou 27 vitórias, 16(!) empates (o de Chaves transformou-se em derrota, após as g.p.) e 6 derrotas, assim repartidas pelas diferentes competições:


Campeonato:       22V - 10E - 2D  (11-5-1)

Champions:           4V - 3E - 3D  (4-3-1)

Taça Portugal:       1V - 1E - 0D  (1-1-0)

Taça da Liga:         0V - 2E - 1D  (1-2-1)


Este conjunto de resultados valeu-nos ficar fora das taças nacionais ainda durante a primeira volta, a eliminação nos oitavos da prova europeia e o amargo segundo lugar no campeonato.

Quanto às taças, reproduzo o que escrevi na mid-season review:

"(...) há que distinguir claramente o comportamento numa e noutra.

Na Taça de Portugal caímos, em casa do excelente Chaves, no desempate por grandes penalidades. E, portanto, há que o assumir: falhámos enquanto equipa. Os penáltis treinam-se, técnica e mentalmente, e tendo em conta o desfecho, não os treinámos o suficiente. Sim, que o Capela fez de tudo para nos empurrar até essa decisão e, não fosse por ele, provavelmente teríamos ganho durante o jogo jogado. É indiscutível e inaceitável, mas ainda assim não foi o árbitro quem nos eliminou: foi o Chaves, que marcou melhor os penáltis.

Na Taça da Liga, fomos "iguais a nós próprios", fazendo bom uso do luso-futebolês. Três jogos e nem uma vitória, contra adversários claramente inferiores em todos os parâmetros. Houve, uma vez mais, interferência ilícita e perniciosa das arbitragens em dois deles (Feirense e Moreirense), mas não há como negar que a nossa prestação foi indigna do Clube que somos. 

No entanto, aqui a má arbitragem foi mesmo decisiva. Este é um exemplo paradigmático daquilo que não me canso de repetir em contra-corrente da opinião fabricada pelos merdia e opinadeiros avençados:

"Mesmo a jogar assim tão mal, teríamos passado à Final Four, não fosse pelos claros e inegáveis prejuízos causados pela arbitragem".

Se gostaria que a minha equipa tivesse um comportamento melhor? Obviamente. Se isso tem alguma relação com o que acima se expôs? Nenhuma."


Na Champions, chegámos até onde tivemos capacidade para chegar - mesmo se em esforço.

Após uma fase de grupos medíocre ao nível exibicional, lá garantimos o apuramento no último jogo, com uma goleada caseira contra o Leicester B. Mas antes disso, as coisas estiveram muito tremidas. O momento-chave foi o bafejo de sorte que tivemos em Brugges, onde arrancámos uma vitória a ferros mesmo sobre o apito final.

Nos oitavos, a Juventus mostrou desde o primeiro minuto ser melhor em quase todos os aspectos. Foi pena não termos jogado nenhum dos jogos em igualdade numérica, porque assim seria mais visível a dimensão das diferenças entre as duas equipas.

Em todo o caso, a missão principal foi cumprida. E com a dificuldade extra de nos termos cruzado com uma boa equipa no play-off de acesso.


No Campeonato, mais do mesmo. Aliás, fizemos uma segunda volta exactamente igual à primeira em termos de resultados, conforme se poderá ver no quadro acima (entre parêntesis, os resultados da primeira metade da época).

O que se impunha era obviamente melhorar o registo, mas a recta final deitou tudo a perder. Empates nos Barreiros, Luz e Braga e em casa contra Setúbal e Feirense condenaram-nos, enquanto outros seguiram descontraídos, ao colo do andor salazarento. O fecho em Moreira de Cónegos foi simplesmente indigno, até para NES.


Na análise intercalar, listei os três grandes problemas que então nos assolavam:

1 - Arbitragens
2 - Inconsistência de Nuno, nas escolhas e na forma de jogar
3 - Gritante ineficácia na concretização

Face ao que escrevi na altura, houve um ponto que se resolveu e dois que se agravaram. 

No lado positivo, chegou Soares e a eficácia na finalização disparou em flecha. As suas primeiras seis jornadas foram simplesmente impressionantes, só se "engasgando" ao sétimo jogo, por azar logo nos Barreiros. A partir daí, nunca mais recuperou o fulgor inicial, mas não foi por "gritante ineficácia na finalização" que não acabámos em primeiro.

No dark side, as arbitragens e NES, o Idiota.

Não me vou repetir sobre os padres e as suas missas de encomenda, apenas listar algumas das alminhas beneficiárias: Bessa, Setúbal, Luz, Braga, Feirense. E insistir que não fosse por isto e os campeões seríamos nós. Mesmo com NES.

Quanto ao menino querido de Jorge Mendes, foi... ainda mais ele próprio. Incapaz de assumir os desafios e apostar claramente em ganhar os jogos decisivos (Luz como exemplo maior), foi-nos matando aos poucos com as suas indecisões e falta de tomates para enfrentar o polvo de frente. Killing us soflty... with his song... Foi-se, como não poderia deixar de ser.


Outro ano para (não) esquecer. Outra aposta falhada num treinador à partida pouco recomendável. Terá ficado uma base razoável, que não obrigará Sérgio Conceição a partir do zero uma vez mais. Veremos o que conseguirá fazer a partir dela.






Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco
 




segunda-feira, 10 de julho de 2017

Eu, Sérgio


Boa entrevista hoje, a de Sérgio Conceição no Porto Canal, que creio ser merecedora de breve análise, pelo que permite antecipar sobre o nosso novo treinador e pelas revelações importantes que fez.



Vamos então aos pontos-chave e às minhas notas, ordenados mais de forma cronológica do que em termos de relevância.


 - Saída do Nantes, havia acordo verbal para sair para clube grande. Palavra vale mais do que um papel - para mim também, meu caro. É bom saber.

 - Ligação forte ao Presidente, mas que só por si não justifica a sua contratação. Confiança no seu próprio trabalho, confessando até que esperava ter chegado mais cedo ao Dragão.

 - Competência não tem idade. Ainda não ganhou nada? Discorda, ganhou ao nível que treinou. Se agora não ganhar títulos, sim, ficará frustrado. Nós também, Sérgio, acredita.

 - Confiante e convicto em fazer um bom trabalho. Sem medos. Half way there...

 - A sempre presente marca da partida prematura dos seus pais, o facto que mais terá contribuído para lhe moldar o carácter, nos mixed feelings da apresentação, mas sabendo (ou dizendo saber, pelo menos) separar esse e outros eventos marcantes do enorme desafio que agora tem pela frente, que "vive" por si só. Maturidade, apesar do trauma. Bom.

 - A importância de um balneário forte, onde os jogadores se respeitam e se apoiam uns aos outros. A importância de dar tudo no treino e da frontalidade dentro do balneário. Vontade insuperável de conquista tem de ser interiorizada e demonstrada em treinos e jogos. Tudo boas intenções, mas já outros as anunciaram antes. Veremos se consegue concretizar.

 - A noção das diferenças entre o "ser Porto" de hoje e de quando era jogador, reconhecendo a dificuldade de passar o sentimento que "estava tão presente" na altura. Difícil mas possível. Afastou-se do cliché da mística, sem a renegar. O necessário upgrade aos tempos actuais. Bom.

 - "Jogar bonito é ganhar". Equipa objectiva e agressiva, intensa, sem perder o equilíbrio. Mas equilíbrio não pode significar ter medo de atacar, é importante fazê-lo em "número" para empurrar adversário.

 - Preparar a equipa para jogar em (pelo menos) dois sistemas diferentes, deduzo que 4-3-3 e 4-4-2, porque não se quis alongar sobre o tema (e bem). De novo, já outros o anunciaram. A ver como concretiza.

 - Não adianta fazer promessas nem dar desculpas, os adeptos querem é títulos. É isso, Sérgio, é (quase) só isso. Fazer felizes os adeptos, mas sem se preocupar com o que eles pensam em cada momento. Fundamental é deixar tudo em campo: "até se pode perder, mas depende de como se perde". Perfeito, mas o melhor é mesmo nem saber o que isso é.

 - O Presidente sabe quais são os imprescindíveis da época passada. Considera que não fomos campeões no ano passado "por um ou outro empate", pelo que a base de partida já é boa e não deve ser desbaratada. Conta com os emprestados para reforçar e aumentar soluções dentro do plantel. Daqui muito se poderia extrapolar, mas vou optar por me "ficar" pela letra do discurso: há sintonia entre treinador e administração; entendendo a questão do FFP mas sem abdicar do essencial para poder ter sucesso. Quais serão os emprestados em que Sérgio deposita esperança?

 - "O que podemos fazer que não fizemos o ano passado?". Interpretação do treinador do que se passa na cabeça dos jogadores, relevando o facto de muita coisa ter sido bem feita. Boa forma de abordar a questão - e correcta também.  

 - Interessado em saber o que se passa na formação, admitindo que alguns possam ter oportunidades porque reconhece haver talento e potencial na equipa B e escalões mais jovens. Que assim seja, mas de verdade.

 - Vídeo-árbitro e tecnologia sim, mas sem "roubar" a essência do jogo. Se ajudar a verdade desportiva, é bem-vindo.

 - Ser genuíno, aliado à competência de treino, é o mais importante para o sucesso de um treinador. Porque os jogadores sentem e correspondem. Compro.

 - Memória dos cinco secos na Luz e da imensa alegria que daí resultou. O regresso em 2004, contra o Vilafranquense de Rui Vitória, onde Sérgio marcou de penálti. Cinco secos na Luz - fiquei aí, a sorrir.

 - Acredita muito, está mesmo "plenamente convencido" de que vamos ganhar o Campeonato. So be it!


Entrevista muito bem conseguida e apelativa de assistir, pelo excelente trabalho de edição e pelo conteúdo sumarento. Gostei. Quem a quiser ler na íntegra, pode fazê-lo aqui.

Agora ao trabalho, que já faltou mais para a bola voltar a saltar. Got your back covered, vai-te a eles carago!



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco