Do Porto com Amor

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Os Malucos das Máquinas Voadoras



Tudo fica bem quando acaba bem, não é assim? Nem sempre.


Alex e os amigos


O "acabar bem" é sem dúvida o mais relevante e a única coisa que não poderia falhar. Mas mais - muito mais - houve antes que chegasse o final feliz, presenciado por mais de 40 mil espectadores numa quase inédita soalheira tarde de sábado.

Logo à partida, deu a sensação de que Nuno "Dick Dastardly" Espírito Santo engendrou mais um plano maquiavélico para provocar uma síncope colectiva de dimensão IURDica na "fortaleza" do Dragão.

Tenho visto muita coisa inusitada nestes últimos anos, mas passar a maior parte de um jogo, em casa e contra "um" Rio Ave, a aliviar a bola para as couves, a recupera-la para logo a perder, tal a incapacidade revelada para a segurar e dar início à construção ofensiva, acho que foi a primeira vez.

Aliás, seria até capaz de jurar que a única coisa que Nuno se fartou de gritar para dentro do campo foi... 


Muttley, doooo something! 



E Alex Telles, o Muttley de ocasião, fez mesmo.

Ele foi o laser telescópico, os "olhos em terra" que guiaram a bola com extrema precisão para a intercepção perfeita pelas nossas máquinas voadoras: Felipe, Marcano, Danilo e Rui Pedro, todos marcaram de cabeça, os primeiros três a partir do segundo andar.

Mas este foi um jogo estranho, muito estranho, face àquilo que costumamos ser.

Fomos razoavelmente eficazes, encolhemo-nos atrás com medo que o céu nos voltasse a cair em cima, tivemos menos posse de bola que o adversário e, no final, ficámos com os três pontos no bolso. Uma mescla de ocorrências nada frequentes na nossa banda.

Regresso ao início do texto: tudo acabou em bem. E assim foi porque houve fibra, crença e vontade para recuperar de um penalti perfeitamente idiota provocado por Layún, que logo no recomeço nos deixou atrás no marcador. Em apenas 13 minutos demos a volta e isso foi o que de mais positivo sobrou deste jogo.

A primeira parte não deixou saudades a ninguém, especialmente a Casillas, Corona e (não sei se já o mencionei) ... Layún. O primeiro, deu uma contribuição generosa para o próximo Thanksgiving dos sobrinhos do Tio Trump; o segundo, lesionou-se mesmo a terminar e o terceiro... só fez asneira. Foram 45 minutos de jogo aberto, boa parte deles a ver jogar o Rio Ave. O empate era penalizador mas, enfim, aceitava-se.

A segunda parte recomeçou com... Layún, a desvantagem e a reviravolta, após a qual ainda sobrava cerca de meia hora para jogar. E aí a coisa voltou a ficar feia, com o já referido recuo, pareceu-me que fruto de um qualquer receio de voltar a sofrer um golo - como se recuar não fosse o primeiro passo nessa direcção. 

A tranquilidade só chegou aos '88, ironicamente na resposta à melhor oportunidade do Rio Ave para empatar. Sim, correu(-nos) bem. Felizmente. E justamente, também. Venha o próximo, que o sofrimento é já uma constante desta vida de Portista...

A festa do primeiro


Notas DPcA 

Dia de jogo: 21/01/2017, 16h00, Estádio do Dragão, FC Porto - Rio Ave FC (4-2). 


Casillas (4): Um frango embaraçoso e nenhuma oportunidade para se redimir.

< 56' Layún (1): Ponderei e "deixei arrefecer" antes de escrever... objectivamente, só fez cagada. Logo ao minuto '5 fez uma falta displicente junto à nossa área, como prenúncio do que se seguiria. Aos '24 pisou um adversário, aos '43 abalroou Cássio e viu o justo amarelo. No regresso fez aquele penalti e, não satisfeito, tentou expulsar-se por mais duas vezes antes de ser finalmente retirado do jogo. Ponderei e vou acreditar que foi apenas um dia muito mau, após uma ausência prolongada. E que a notícia da ESPN não teve nada a ver com isto - merece(-me) esse crédito pelo que já fez de Dragão ao peito. 

Melhor em Campo Alex Telles (8): Três assistências e outras tantas bolas perigosas, sempre a partir de livres laterais, foram a face mais visível da sua exibição, mas durante o resto do tempo esteve sempre activo e empenhado em conquistar a vitória. Não seria fácil fazer muito melhor.

Marcano (7): Jogo muito sólido e de raça, com dois pecadilhos (aquela entrada e um passe "perigoso") e um golo importante.

Felipe (7): Exibição muito semelhante à de Marcano (em termos da sua contribuição).

Danilo (8): Aquele momento em que, após perdemos a bola num canto ofensivo, galgou cem metros a toda a velocidade, ultrapassou o adversário que se isolava e acabou a sair com a bola para novo ataque, fez-me levantar da cadeira e define-o como homem. É cada vez mais um orgulho vê-lo de azul e branco. E marcou o terceiro, já agora.

Herrera (6): Ler e ouvir em diversos fóruns que foi dos melhores da equipa correspondeu ao meu ponto alto da noite (parte 2); para alguns (muitos?), o nível de exigência para com ele já é tão baixo que basta não ser incrivelmente mau para ser bom. Era doce... mas não. Vagabundeia pelo campo como alma penada, metade das vezes fora de tempo e posição, e com isso destabiliza o jogo colectivo, especialmente a defender. Foi preciso esperar 69 minutos para assistir a um bom passe de Herrera, altura em que já tinha recuado (e bem) para defesa direito, onde ficou amarradinho e jeitosinho, sem estragar noutras zonas. E cumpriu nessa posição. Iupi.


A justa aclamação do senhor Comendador

< 82' Óliver (7): Talvez o problema esteja nas minhas expectativas, mas uma vez mais falhou demasiados passes - não tipo Herrera, obviamente, mas daqueles que abrem espaços, criam rupturas e levam selo de golo. Fez um e outro, mas falhou vários. E eu sei que ele é capaz, todos sabemos. No resto, esteve incansável e foi importante nos equilíbrios, como sempre.

< 46' Corona (6): Saiu lesionado ao intervalo e o que ficou para trás não foi brilhante. Quer dizer, não foi mau, porque até construiu alguns lances relevantes, com destaque para o que Jota haveria de desperdiçar na trave. Antes disso, falhou o remate já na cara de Cássio. E foi-lhe sonegada uma segunda oportunidade, devido a uma má decisão arbitral.

Diogo Jota (7): Quase sempre discreto, porque não finalizou nem assistiu, mas teve bons momentos de qualidade individual e de entendimento colectivo. Está a crescer, ainda que a muitos possa passar despercebido. Pena a bola na trave.

André Silva (6): Desta vez, nem golos nem oportunidades flagrantes. Mas trabalhou muito, muito mesmo, e foi "para cima deles", quase sempre com critério. São os momentos de penumbra de um avançado, mas nem por isso obrigatoriamente maus - neste, não foi de certeza. 

> 56' Rui Pedro (7): O nosso júnior voltou a ser feliz em casa - e quando digo feliz, é literalmente, porque cabeceou mal e à figura no lance do seu golo. NES aparentemente acha que ele já está pronto, ainda que se contradiga na sala de imprensa. Eu acho que não está - mas, se continuar a marcar, ficará mais depressa, disso não tenho dúvidas. O problema é se não marca.

> 82' J.C. Teixeira (6): Deu uma lição práctica de como aproveitar ao máximo uma oportunidade escassa. Só precisou de seis minutos em campo para arrancar uma excelente jogada pela esquerda, ser feliz no passe (há ressalto no pé adversário) e assistir Rui Pedro. Nós e o júnior agradecemos, acrescentando eu que merece mais tempo de jogo. Já no próximo, sff.

> 46' André André (6): Entrou lento e sem a determinação necessária para ganhar ressaltos e bolas divididas, mesmo a pedir para ser emprestado. Foi subindo de produção com o jogo, ao ponto de se tornar relevante na última meia hora. É preciso mais, André, desde o primeiro segundo em campo até ao último. Para assistir ao jogo, é na bancada.

NES (6): Missão cumprida, outra vez aos solavancos (está bem, pode ser sempre assim até final, mas não me peçam para o glorificar por isso). Lançar Herrera no onze é sempre (em minha opinião) arriscar-se a surpresas. Desta vez não houve surpresa, "apenas" o normal do mexicano num dia mediano. E com isso, a equipa desequilibra-se, tem mais dificuldade em pressionar em conjunto e encontrar linhas de passe. A lesão de outro mexicano complicou-lhe as contas, de tal modo que preferiu substituí-lo por um médio pachorrento, que quase não dá profundidade e ainda menos criatividade (em especial nesta sua fase) - isto com o jogo empatado. A equipa reagiu por ele ao disparate do terceiro mexicano e aí sim, Nuno esteve bem ao tirá-lo do jogo, porque seria uma questão de minutos até ser finalmente expulso. Depois, creio que demorou muito a mexer quando nos encolhemos com medo do futuro. JC Teixeira deveria ter entrado bem mais cedo (aliás, ao intervalo, para o lugar de Corona). No final, teve "razão" porque ganhámos. Mas seria desonesto da minha parte não o criticar só porque ganhámos. 


Finalmente, a certeza da vitória



Outros Intervenientes:


Uma vez mais, foi Gil Dias quem mais reluziu no Rio Ave, agora de Luís Castro. Também em foco estiveram a motinha Héldon, Guedes e Felipe Augusto. É uma boa equipa este Rio Ave, e tem uma atitude positiva perante o jogo - a única que haveria de ser permitida. Perdeu, mas poderia ter ganho ou empatado. Perdeu, mas deixou boa imagem. Perdeu, mas o futebol ganhou. Viram, "Marafonas", o que são homens a jogar um jogo de homens? 

Jorge Sousa é um árbitro tecnicamente fraco, mas isso até nem se destaca muito quando comparado com o seu feitio, alinhavado por aquela mesquinhez recalcada de quem levou na tromba quando era petiz e só chorou em troca, e que agora parece ter escrito na testa "pelo menos nestas duas horas, posso, quero e mando". Deprimente, acima de tudo. Vários erros relevantes, desde a não-expulsão de Layún ao anulamento de duas jogadas em que Corona e Rui Pedro se isolavam perante o redes adversário. E alguns amarelos a menos, e um a mais a Telles. No nosso primeiro golo, pode haver offside fraccional - mas nem isso tenho como certo, porque mãos e braços já não contam para o fora-de-jogo desde Junho de 2016 - por isso a decisão de validar foi a mais correcta.


Segue-se a (não sei bem por que motivo) sempre difícil deslocação ao Estoril. Para ganhar, obviamente. Antes disso, publicarei as prometidas segunda e terceira parte da mid-season review. Stay tuned!


[Adenda]: por lapso, esqueci-me de registar o minuto de silêncio que se observou em memória de Carlos Alberto Silva, o nosso "professor Astromar". Foi a real encarnação do chegar, ver e vencer - duas vezes. Até sempre, bicampeão.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor






sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A Segunda Volta em Oitenta Linhas


Enquanto se apuram estatísticas e juízos sobre a primeira parte da temporada, aproveitemos para olhar com atenção para o que nos espera na derradeira metade, já quase totalmente focada no Campeonato, o nosso objectivo maior de todos os anos.

Se acha o estimado leitor que a primeira volta foi complicada, então prepare-se, porque a segunda vai ser bem mais... estimulante. Vejamos a lista de jogos completa (conhecida à data de hoje):




Desta feita, comecei por atribuir a cada jogo um grau de dificuldade, conforme se pode ler na tabela acima: 1 é o mais fácil, 5 o mais difícil e entre ambos se quedam os demais.

Comecemos já pela Juventus, com realismo. Serão necessários dois jogos extraordinários da nossa parte, aliados a alguns tiros no próprio pé por parte dos italianos (à lá Roma), para que seja possível estarmos no próximo sorteio da prova. À partida, são claros favoritos: melhor equipa, melhores valores individuais, melhor treinador e (muito) maior disponibilidade financeira. Não há como justificar a sua eliminação às nossas mãos. Só que... isto é futebol. Podemos sonhar, mas conscientes de que se trata de um sonho.

Vamos aproveitar estes dois jogos para nos ajudar a definir ciclos no campeonato. O primeiro, até ao jogo da primeira mão, apresenta-nos quatro ossos duros de roer e um mais acessível - precisamente o último, na recepção ao Tondela. Antes desse, o Rio Ave amanhã, o Estoril fora (sempre complicado), a recepção ao Sporting e o assalto ao castelo. Tudo muito exigente, para homens. Se conseguirmos cinco vitórias, estaremos em definitivo lançados para o título, faça o Benfica os resultados que fizer. E um possível brilharete contra o campeão italiano fica muito mais próximo...

O segundo ciclo compreende as três jornadas entre os dois jogos dos oitavos. Saídas ao Bessa e a Arouca e recepção ao Nacional. Em teoria mais acessível, mas o derby apresenta sempre dificuldades adicionais que convém acautelar.

Concluída a aventura europeia (esperando que assim não seja), segue-se uma recepção aos de Setúbal para ganhar moral para a ida à Luz, onde, com grande probabilidade e uma vez mais, jogaremos quase todas as nossas hipóteses de os ultrapassar.

Mas não se pense que as grandes dificuldades terminam aqui. Até final, ainda temos três saídas de grande exigência: Braga, Chaves e Marítimo (estas duas seguidas). Nem quero imaginar se tivermos uns quartos-de-final pelo meio...

Por outro lado, regressar da Madeira em primeiro lugar só pode significar o regresso ao título - Paços em casa e Moreirense fora não podem ser obstáculos intransponíveis.


Será, de facto, uma segunda volta para Homens. Mesmo se - como seria justo - estivéssemos nós com quatro pontos de avanço, seria um calendário desafiante. Com quatro de atraso, promete ser épico

Mas, foi disto que a nossa história se fez. E eu não vejo motivos para que assim não continue. 

E tudo começa já amanhã, contra o Rio Ave. Por isso... vamos a eles, c@r@lho!



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor



quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Mid-Season Review: Parte Um - A Equipa


Mid-Season Review foi a forma mais abreviada e ajustada para título que me ocorreu (que me desculpem os puristas da língua mater, ups... lá estou eu outra vez, deve ser patológico) para designar a análise de meio de época ao desempenho do FC Porto.

Pela sua extensão, justifica-se dividi-la em partes - três, para ser mais preciso. Nesta primeira vamos olhar para o desempenho da equipa como um todo, tendo por base as "estatísticas" que fui recolhendo jogo após jogo e, como não poderia deixar de ser, a minha perspectiva pessoal sobre a questão.

Antes de começar, estive cerca de uma hora em frente ao espelho a repetir incessantemente três frases, na tentativa de "purificar" as minhas opiniões pré-feitas:

"O Herrera não é assim tão feio"
"O Depoitre não é assim tão mau"
"O Nuno não é assim tão... tão!"

Se consegui ou não, caberá ao estimado leitor decidir quando terminar a leitura desta trilogia. Vamos então aos números.



Mid-Season Review: Parte Um - A Equipa


Jogos oficiais realizados (clicar para ampliar)

Nesta primeira metade da temporada, o Porto disputou 30 partidas oficiais, divididas por Campeonato (17), Champions League (2+6), Taça da Liga (3) e Taça de Portugal (2). Somou 16 vitórias, 11(!) empates (o de Chaves transformou-se em derrota, após as g.p.) e 3 derrotas, assim repartidas pelas diferentes competições:

Campeonato:       11V - 5E - 1D  
Champions:           4V - 3E - 1D
Taça Portugal:       1V - 1E - 0D
Taça da Liga:         0V - 2E - 1D

Este conjunto de resultados valeu-nos estar já arredados das duas taças nacionais, o apuramento para os oitavos da prova europeia e o segundo lugar no campeonato, com 4 pontos de atraso.


Começando pelas taças nacionais, há que distinguir claramente o comportamento numa e noutra. 

Na Taça de Portugal caímos, em casa do excelente Chaves, no desempate por grandes penalidades. E, portanto, há que o assumir: falhámos enquanto equipa. Os penaltis treinam-se, técnica e mentalmente, e tendo em conta o desfecho, não os treinámos o suficiente. Sim, que o Capela fez de tudo para nos empurrar até essa decisão e, não fosse por ele, provavelmente teríamos ganho durante o jogo jogado. É indiscutível e inaceitável, mas ainda assim não foi o árbitro quem nos eliminou: foi o Chaves, que marcou melhor os penaltis.

Na Taça da Liga, fomos "iguais a nós próprios", fazendo bom uso do luso-futebolês. Três jogos e nem uma vitória, contra adversários claramente inferiores em todos os parâmetros. Houve, uma vez mais, interferência ilícita e perniciosa das arbitragens em dois deles (Feirense e Moreirense), mas não há como negar que a nossa prestação foi indigna do Clube que somos. 

No entanto, aqui a má arbitragem foi mesmo decisiva. Este é um exemplo paradigmático daquilo que não me canso de repetir em contra-corrente da opinião fabricada pelos merdia e opinadeiros avençados:

"Mesmo a jogar assim tão mal, teríamos passado à Final Four, não fosse pelos claros e inegáveis prejuízos causados pela arbitragem".

Se gostaria que a minha equipa tivesse um comportamento melhor? Obviamente. Se isso tem alguma relação com o que acima se expôs? Nenhuma.


Senhoras e senhores, meninas e meninos: eis o Palhaço Internacional do Circo Octopus!


Avançando para a Champions League, o saldo até ao momento só pode ser considerado extremamente positivo

É importante nunca esquecer que tivemos de ultrapassar a AS Roma na pré-eliminatória e que esse foi, até ao momento, o maior (e único?) feito de Nuno Espírito Santo. Todas as probabilidades estavam contra nós. 

Na fase de grupos, tivemos a felicidade de cair num dos mais acessíveis (nunca fáceis) de sempre. E cumprimos, garantindo o apuramento. Se jogámos bem? Não, nem por isso. Aliás, o mais justo será dizer que mantivemos a estrelinha que já vinha da pré-eliminatória: a vitória em Brugge é disso o melhor exemplo. No final, o que mais interessa é estar apurado e não como o conseguimos. Por isso, parabéns equipa. Missão cumprida para esta época.


Para o final, deixei o mais importante: o Campeonato.

Arranque positivo, quebrado demasiado cedo pela derrota de Alvalade. A arbitragem tendenciosa foi a primeira amostra daquilo que haveria de ser o resto da primeira volta competição: em caso de dúvida (ou nem isso), sempre contra nós.

Apesar da incidência, uma derrota em Alvalade pode ser considerada normal, até pelo histórico de assaltos no Campo Grande. O que não foi, nem nunca poderá ser normal, foi o empate em Tondela, na jornada seguinte. Houve também "hesitações arbitrais", mas a nossa exibição foi paupérrima. Nuno promoveu uma pequena revolução no onze e, ainda por cima, falhamos golos feitos - as outras duas "cruzes que carregamos" durante toda a primeira volta e que em muito condicionaram o nosso destino.


Temos portanto uma outra trilogia, a dos problemas que nos flagelam impiedosamente:

1 - Arbitragens
2 - Inconsistência de Nuno, nas escolhas e na forma de jogar
3 - Gritante ineficácia na concretização

Aparentemente, estamos a fazer barulho suficiente para que o primeiro deixe de ser factor, ou que, pelo menos, seja menos evidente e o mal melhor distribuído. No entanto, note-se que o mal já está feito - não fossem as más arbitragens e com grande probabilidade seríamos lideres isolados do campeonato, mesmo a jogar assim tão mal.

O segundo só depende do treinador, que a meio do percurso até deu sinais de ter estabilizado, mas que entretanto voltou a baralhar e dar de novo. Não há equipa que consiga ser campeã de uma prova com 34 jornadas sem atravessar grande parte desse percurso de forma consistente, com ideias sólidas e conhecidas de todos, e com uma base fixa de jogadores. Estamos a meio, Nuno.

A terceira e última praga é de mais difícil resolução. Ou melhor, até seria a mais fácil, tivéssemos nós aforrado parte daquilo que torramos nos últimos anos. Não tendo, não se perspectiva fácil encontrar um goleador credenciado que se encaixe nas nossas possibilidades financeiras. Sim, porque não temos nenhum. AS é um avançado com grande talento e ainda maior futuro, mas não é (ainda?) um goleador. Rui Pedro é júnior ainda. Depoitre... é um pinheiro. E Adrián... quem é Adrián?


Momento '95


Continuando na análise da primeira volta, depois de Tondela tivemos o nosso melhor período na competição, interrompida apenas em Setúbal, na véspera da recepção ao Benfica. Um jogo onde a tal trilogia se revelou em todo o seu esplendor. Arbitragem a não assinalar um penalti claro já perto do fim, antecedido de um jogo mal jogado mas ainda assim com várias perdidas escandalosas. Teríamos marcado o penalti? Aposto que sim, mas ninguém o pode garantir.

Aqui começou o nosso pior momento, com seguimento no empate consentido no clássico (e outra vez uma arbitragem prejudicial), e que só terminou com a vitória milagrosa (pelo momento, não pelo merecimento) frente ao Braga. Para trás, ficaram 6 empates em 8 jogos (3 em 3, para o campeonato).

E quando tudo indicava que esse momento (o de Rui Pedro, aos '95) tinha marcado o ponto de viragem rumo a uma época de sucesso, eis que chega a pausa natalícia. Maldito Rodolfo (o nariz não esconde as suas preferências), que nos levou o ímpeto! No regresso, os desaires na Taça da Liga acabaram por condicionar também o nosso jogo em Paços de Ferreira, caindo no final dessa jornada para uns colossais seis pontos de atraso.

Por sorte, os nossos amigos do Bessa apanharam o polvo de cócoras e aguentaram um heróico empate até final. Estamos de novo a quatro pontos de distância do objectivo.

O caminho? Já o disse e repito:

Ganhar todos os jogos ou, no mínimo, fazer melhor do que o Benfica a cada jornada, e esperar que isso seja suficiente para que a ida à Luz seja feita com não-mais do que três pontos de atraso. E sair de lá na frente.

Vamos a isso, malta boa?


Já a seguir: Mid-Season Review: Parte Dois - Os Jogadores

 

Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

De Volta à Lu(t)a


O primeiro sinal de perigo surgiu cedo e na baliza errada. Perante uma equipa ainda ausente ou simplesmente atarantada, o Moreirense FC desenvolveu uma boa combinação colectiva que culminou num remate de Francisco Geraldes à entrada da área para uma boa defesa de Casillas.




Por volta dos 15 minutos, dei por mim a pensar que Inácio demorou apenas algumas semanas para fazer deste Moreirense uma equipa melhor do que esta de NES... É evidente que não está em causa a gritante diferença de valores entre ambos os plantéis - que aliás acabou por fazer (toda) a diferença - mas sim o jogo colectivo de uma e de outra equipa. Consegui ver mais e melhor organização nesse quarto de hora inicial no nosso adversário do que em nós. Nada de surpreendente, mas ainda assim revelador do trabalho que (não) tem sido feito.

O jogo seguiu em ritmo moderado, salpicado com as habituais acelerações dos nossos laterais e extremo(s?) como a melhor tentativa para desposicionar a defesa contrária. Como também tem sido habitual, o golo tardava já em chegar. Foi portanto enhorabuena que Óliver soube aproveitar um passe para o "desconhecido" de Marcano, ocasionalmente na linha de fundo, para inaugurar o marcador e aliviar a ansiedade que já se acumulava.

Já perto do intervalo, dois momentos sucessivos praticamente decidiram o jogo. Primeiro, foi AS a fazer o segundo, aproveitando - também ele - num salto de peixe e de cabeça, um desvio do redes a um remate de Corona. Um par de minutos volvidos, Geraldes comete uma infantilidade e recebe uma justa segunda advertência e correspondente expulsão. Com dois de avanço no marcador e um jogador a mais, poucos seriam os que ao intervalo ainda temiam um golpe de teatro.

A segunda parte foi (ainda) menos intensa, apesar de (em teoria) haver mais espaço para jogar. O Moreirense passou a jogar em 4-4-1, procurando sair em velocidade quando possível, sem deixar grandes buracos atrás. Nós fomos jogando, criando boas oportunidades para marcar (AS outra vez em destaque pela negativa), mas só à hora de jogo Marcano fez de cabeça o terceiro, após canto de Herrera(!). 

As três substituições nada trouxeram de relevante ao jogo, ficando apenas registado o re-regresso de Kelvin, o melhor amigo de Roderick. O jogo seguiu, tranquilo, com mais uma e outra oportunidade para ampliar, mas já não houve alterações no marcador. Missão cumprida, nada mais do que isso - mas chegou.





Notas DPcA 

Dia de jogo: 15/01/2017, 18h00, Estádio do Dragão, FC Porto - Moreirense FC (3-0).

Nota (7): Marcano, Óliver, Jota, AS
Nota (6): Iker, Maxi, Telles, Felipe, Danilo, Herrera, Corona
Nota (5): AA, Rui Pedro, Kelvin


Nuno Espírito Santo (6): Não há muito a dizer sobre este jogo no que toca ao treinador, a não ser que cumpriu a sua obrigação. Já nas conferências de imprensa, continuam as más exibições - mas ganhando, a malta releva. 

Parece ser este o fado que Nuno e os astros nos reservam, o do sobe e desce. Quando as coisas parecem rumar em definitivo para o abismo, eis que algo acontece e, de repente, temos a sensação de estar de novo na luta. Quando parece que vamos arrancar em definitivo para uma boa época, algo de sentido oposto volta a acontecer e tudo se desmorona. Por ora, estamos (outra vez) no primeiro momento, esperemos que desta vez para dar lugar a um terceiro: arrancar e não parar mais até que o título seja nosso. Eu estou sentado, pelo sim, pelo não.




Outros Intervenientes:


No Moreirense, foi Geraldes que se voltou a destacar, pelos melhores e piores motivos. Também me chamaram a atenção os laterais Rebocho e Sagna. E a equipa como um todo, até o primeiro se fazer expulsar.


Sobre a arbitragem de Fábio Veríssimo, nada de muito relevante a destacar, excepto a excessiva permissividade perante entradas demasiado duras (de ambas as partes). Deu-se muito destaque ao lance em que Felipe supostamente travou em falta um avançado que se isolava, mas não me pareceu falta - se o árbitro visse de forma diferente, até poderia ser vermelho directo. Mas importa dizer que o resultado estava já em 2-0 e ficariam a jogar dez contra dez. Se foi erro, não me parece capital para o desfecho final.




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Aproveito a falta de mais assunto sobre o relvado do Dragão para deixar duas notas relativas aos jogos dos rivais da segunda circular.

Surpreendente foi o empate cedido na Luz pelos da casa, perante um ainda mais surpreendente Boavista, a lançar nova linha de salvação a NES. Registo com agrado o fenómeno raríssimo de o Benfica ter sido prejudicado em lances capitais - no segundo golo do Boavista, há falta do marcador. Aceita-se, evidentemente, que o árbitro não tenha assinalado, mas houve falta; no terceiro, creio que o homem do calcanhar invalida o lance por offside, mas de novo não era um lance fácil de decidir. Já no primeiro, há de facto uma falta a preceder a jogada do golo, mas sobre o golo nada a dizer que não seja "golaço". Possivelmente, três más decisões da arbitragem, mas todas dentro da margem de erro aceitável, pela natureza dos lances.

Já a seu favor teve o assinalar daquele penalti absolutamente falso e que os recolocou na luta pelo resultado. Este sim, um lance ridículo, onde não dou o benefício da dúvida a um árbitro bem posicionado - e não sei se estava ou não. Em resumo (e apenas baseado no resumo do jogo), em minha opinião, quatro erros graves - três deles aceitáveis, um inadmissível - com prejuízo maior dos lisboetas. Parece que valeu a pena fazer barulho, pelo que o melhor é continuar no mesmo registo, "a ganhar ou a perder".

[Actualização: tive a oportunidade de ver outra repetição, de outro ângulo, do lance do penalti que favoreceu o Benfica e devo reconhecer que há de facto contacto entre Cervi e o defesa. Em minha opinião, a responsabilidade desse contacto pode ser atribuída a qualquer um dos jogadores, mas mantenho a ideia essencial de que o avançado "se atirou para o chão" por sua iniciativa. No entanto, não ficaria de consciência tranquila se não concluísse que errei ao não dar o benefício da dúvida ao árbitro - é mais do que justificável fazê-lo. E já agora, confirmando a minha tese de serem decisões aceitáveis, as que supostamente prejudicaram o Benfica, aqui deixo a opinião de alguém totalmente insuspeito: Duarte Gomes]

Sabedor desse resultado, o Sporting foi a Chaves defrontar a competente equipa local. Um jogo sempre difícil à partida, agravado pelo facto de serem os flavienses a marcar primeiro. No entanto, o Sporting conseguiu o mais difícil: deu a volta ao marcador já com apenas dez em campo. E depois deixou-se empatar. Não podiam ter falhado naquele momento. Bye bye em definitivo ao título? Cabe-nos a nós por ponto final nesta frase, quando os recebermos daqui a umas semanas.



O caminho a seguir só pode ser um. Ganhar todos os jogos ou, no mínimo, fazer melhor do que o Benfica a cada jornada, e esperar que isso seja suficiente para que a ida à Luz seja feita com não-mais do que três pontos de atraso. E sair de lá na frente. Durante esta semana vou olhar para a primeira volta do campeonato, porque, na verdade e apesar de tanto pessimismo (onde me vou incluindo, a espaços), a procissão ainda vai a meio. Falta saber se o andor e seus carregadores se mantêm firmes ou se finalmente prevalecerá a tal da verdade desportiva, ainda que apenas em metade da competição.




Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor



Onde Está a Bola? #36 (e vencedor #35)


Regressa o Onde Está a Bola? com a oferta de dois bilhetes para o importante jogo contra o Rio Ave FC, a ser disputado no próximo sábado dia 21 de Janeiro às 16h00.

Para se habilitar a ganhar os bilhetes, basta que o estimado leitor descubra onde está escondida a bola original na imagem seguinte (ou se não está lá de todo).


Onde Está a Bola? #36

 
Respostas possíveis #36 (Rio Ave):

A - Bola Azul
B - Bola Castanha
C - Bola Verde 
D - Bola Púrpura
E - Não há nenhuma bola escondida


Já descobriu? Então deixe o seu palpite na caixa de comentários, tendo em atenção as seguintes regras de participação:


1 - Escrever a resposta que considera acertada na caixa de comentários deste post, indicando igualmente um nome e um email válido para contacto em caso de vitória.

2 - Entre os que acertarem, serão sorteados os vencedores através da app Lucky Raffle (iOS).

3 - Para ser elegível para receber os bilhetes, deverá fazer o obséquio de:

   a) Comprometer-se a enviar-me duas ou mais fotos da sua ida ao estádio (com pelo menos uma selfie) nas 48h seguintes ao jogo;

   b) Registar e confirmar o seu email (nas "Cartas de Amor", na lateral direita do blogue);

   c) Seguir o FB e o Twitter do DPcA (basta clicar nos links e "gostar" ou "seguir"). 
   Quem não tiver conta nesta(s) rede(s) não será excluído, mas... cuidado porque o Lápis irá investigar :-)

4 - Apenas será aceite uma participação (a primeira) por cada email válido. Pode concorrer em simultâneo a ambas as edições ou fazê-lo em separado.

5 - Cumpridos todos os critérios, o vencedor sorteado será contactado através de um email onde encontrará instruções sobre como e quando levantar os bilhetes.

6 - Se já tiver Dragon Seat ou outro tipo de acesso, poderá oferecê-los a um amigo ou familiar que não tenha a mesma sorte.

7 - A edição #36 deste passatempo termina às 23h00 de 19 de Janeiro e o vencedor (a quem será enviado um email logo após o sorteio) terá de reclamar o seu prémio até às 13h00 de dia 20.

8 - Se o vencedor não reclamar o prémio até à data e hora referidas no ponto anterior, será contactado o primeiro suplente. Se o primeiro suplente não reclamar o prémio até ao prazo limite indicado no email de contacto, será contacto o segundo suplente (e assim sucessivamente até que um sorteado reclame o prémio).

E é só! Concorra e divulgue, queremos o Dragão sempre cheio!


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Falta apenas encerrar as contas da edição anterior, a #35.


Primeiro, a comparação entre imagem original e modificada.



E agora, o resultado do sorteio. Em oposição com "a norma", desta vez apenas três concorrentes acertaram na resposta!




#35 - Moreirense

 

Resposta certa: Bola Laranja

 

Vencedora: Sara Matos!




A Sara optou por uma selfie humorística, mas, na verdade, o que se pretende são selfies reais - fica o esclarecimento, para que não se repita. De resto, fica registada a "efeméride" do marcador e instantes de bons momentos passados no nosso Dragão!

Agora toca a concorrer, que o próximo jogo é fundamental e a equipa precisa do estádio cheio!



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor