Do Porto com Amor

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Vendaval Azul e Branco


Há não muito tempo, houve quem tentasse justificar uma derrota inesperada com o vento. Sim, foi mesmo verdade. Como se as duas equipas não o tivessem de enfrentar (e dele beneficiar, na outra parte do jogo). 

Pois bem, deixem-me que vos diga: ontem estava uma ventania tramada no Estoril (como a minha garganta não pára de me lembrar) e, mesmo assim, o Porto conseguiu virar um resultado desfavorável em apenas 45 minutos, contra o vento, alargando a vantagem para cinco pontos face aos muito-favorecidos perseguidores da Segunda Circular.




A intensidade e a determinação com que a equipa entrou em campo foram decisivas para a reviravolta, até porque o adversário deu a sensação de estar conformado com tudo o que de mal lhe viria a acontecer. Estranho, para quem está a vencer ao intervalo, mas em sintonia com as declarações de Ivo Vieira, muito duras e contundentes para com a sua equipa. Problema deles, anyway.

Não há muito para contar sobre estes 45 minutos de sentido único. Pressão intensa logo na saída de bola do Estoril e quase todos os duelos aéreos e segundas bolas ganhos no miolo. Recuperar a bola e partir de imediato para cima do Estoril.

Os golos surgiram com naturalidade e apenas a falta de pontaria inibiu o marcador de ser (justamente) mais ampliado. Cinco, seis, sete... qualquer um destes cenários se poderia ter verificado se a eficácia de Herrera, Marega, Hernáni e companhia fosse um pouco superior.

As más notícias do fim de tarde foram as lesões, em particular a de Alex Telles, pela possível gravidade e pela importância nuclear que tem no rendimento ofensivo da equipa. Alex, as tuas lágrimas são as nossas, nada temas: voltarás em breve e ainda mais forte! O mexicano Corona também fará falta, mas por certo regressará muito em breve, talvez até já em Portimão.

Para lá da atitude dos que estiveram em campo, impressionou-me ver, a poucos metros de onde estava sentado, todos os não-convocados a sofrerem e vibrarem com o que os companheiros iam fazendo em campo. E a sua paciente simpatia, no final, para atender a todos os pedidos de selfies e autógrafos (Daniiiilo, faz-me um fiiilho :-)). São detalhes, mas é de muitos detalhes destes que se faz uma equipa vencedora.

No final, melões e melancias (verdes e vermelhas) para todos os que sonhavam com uma resistência inquebrantável do pobre Estoril, que nem sequer sabe receber condignamente os seus visitantes, e a imensa alegria de quem tem consciência da importância que estes três pontos podem ter para as contas finais.


Notas DPcA 



Dia de jogo: 21/02/2018, 18h00, Estádio António Coimbra da Mota, GD Estoril-Praia - FC Porto (1-3)


José Sá (4): Um peru de tamanho suficiente para alegrar o Natal de uma família numerosa e a intranquilidade que se lhe seguiu.

Maxi (6): Cumpriu discretamente em ambas as partes.

< 45' Ricardo (5): Primeira parte francamente abaixo do seu normal, à imagem do resto da equipa. Lesionado, não pode participar na reviravolta.

< 58' Alex Telles (7): Igualmente mal na primeira parte (ainda assim, dos melhores) e decisivo ontem ao marcar o primeiro golo. Saiu lesionado.

< 45' Reyes (5): Francamente mal, inseguro e a chegar tarde aos lances (a falta que deu origem ao golo estorilista é de sua autoria e perfeitamente desnecessária).

Felipe (6): Não comprometeu na primeira e ajudou ao assalto na segunda parte.

< 45' Danilo (5): Foi subjugado pela força do meio-campo canarinho na primeira metade. Lesionado na segunda.

Herrera (6): Mal na primeira parte, melhor na segunda, muito envolvido em todos os lances e na pressão ofensiva. Trapalhão mas a conseguir levar água ao moinho azul-e-branco.

< 45' Layún (5): Aposta falhada do treinador, não conseguiu ser mais do que medíocre naqueles primeiros 45 minutos.

Marega (7): Foi o rei do desperdício na primeira metade, mas ajudou decisivamente à reviravolta, mesmo sem marcar.

< 45' Aboubakar (5): Outro que foi forçado a falhar a segunda parte por lesão e não ficou com saudades do que (não) fez na primeira, com destaque para o golo desperdiçado à boca da baliza.
- - -

> 45' Iker (6): Com pouco que fazer, disse "presente" nos momentos em que foi chamado.

> 45' Marcano (6): Pouco trabalho mas atento e rápido a anular as investidas adversárias.

> 45' Sérgio Oliveira (7): O cérebro da equipa, num jogo onde esse órgão até parecia ser dispensável. Mas não era, foi importante para ir pautando os movimentos e na disputa de bolas no meio.

> 45' < 77' Corona  (6): Alguns bons movimentos mas pouco inspirado, até que saiu por... (sim, adivinharam) lesão.

> 45' < 87' Brahimi (6): Ainda na fase lunar, tentou agitar as águas desde o primeiro apito. Mesmo desinspirado como anda, é sempre uma fonte de preocupação para um par de adversários. Uma picardia quase lhe custava a expulsão...

foto Lusa

> 45' Melhor em Campo Soares (8): Só chegou para o segundo andamento mas muito a tempo de ser, uma vez mais, o mais decisivo para o resultado final. Dois golos fruto de um bom posicionamento para encostar. Está num grande momento.

> 74' Dalot (6): Depois de estreia, uma chamada inesperada pela lesão de Alex. Adaptou-se bem ao jogo e ao lado contra-natura, cumprindo sem deixar mácula, como se já andasse nisto há muito tempo.

> 77' Hernáni  (5): O lance em que remata em vez de tentar o passe para um dos dois companheiros isolados no centro da área define-o na perfeição: quer fazer tudo de uma vez e acaba por não fazer nada de jeito. Cabecinha...

> 87' André André (-): Nada a declarar

Sérgio Conceição (7): Bem, Serginho, muito bem. Os jogadores foram exactamente aquilo que deveriam ter sido e esse mérito tem de ser partilhado contigo. Excelente. Agora tratemos de não borrar a pintura em Portimão, ok? 



Outros Intervenientes:



Diferença do dia para a noite na prestação do Estoril, tão fraquinha que nem Evangelista escapou a mediocridade.


Arbitragem complicada e polémica de Vasco Santos e sus muchachos (VARes incluídos), dada a pressão intensa do Porto e os muitos lances no limite do fora-de-jogo. No estádio, não festejei nenhum dos dois primeiros golos antes que o VAR os confirmasse, pelas naturais dúvidas quanto à legalidade dos lances. Recorrendo depois à televisão, eis a minha opinião:

- Golo de Alex Telles: fora-de-jogo. Mesmo sem tocar na bola, Soares e até os demais que se faziam ao lance claramente condicionam a percepção que o GR tem do lance e a forma como a ele se fez. Admito que esteja coberto pela letra da lei, mas para mim, que vejo futebol há muitos anos, é offside e não deveria ter sido validado. E não, não me esqueço da forte probabilidade de os "rivais" já terem beneficiado de muitos lances idênticos. Mas eu não quero ser como eles, certo?

- Golo de Soares: golo limpo, sem mácula, Soares está atrás do penúltimo defesa.

Dito isto, não faltará quem conclua que o Porto foi beneficiado de forma decisiva para conseguir a vitória. Eu discordo. Pelo mesmo motivo de já ter visto muito futebol, infiro que a postura de ambas as equipas indiciava uma única e a mesma coisa: o Porto ia marcar e virar o jogo seria uma questão de tempo. Em todo o caso, fomos beneficiados com a validação de um golo irregular. Uma pequena gota que se dilui de imediato no oceano de benefícios decisivos (esses sim, que têm valido pontos) de que Sporting e Benfica têm beneficiado.




Agora, há que ir a Portimão buscar mais três pontos e assim consolidar esta vantagem, para que na jornada seguinte estejamos em condições de mandar um dos dois perseguidores às malvas. Vamos lá, malta, não se distraiam com o quentinho bom dos nossos Algarves.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Ligas DPcM: Actualização #3 - O Regresso das Competições Europeias


A tentar recuperar do ligeiríssimo atraso face ao programado, aqui está a necessária actualização sobre o andamento das melhores ligas fantasy do universo e arrabaldes - Ligas Do Porto com Mística, em parceria com o blogue A Mística Azul e Branca. A ideia era aproveitar o reinício das competições europeias para fazer o ponto de situação, mas... outros valores se alevantaram.


 

Seja como for, aqui fica a actualização devida, apenas com a informação relativa à Champions ainda por completar (estamos a meio da jornada, no seu final reedito o post). Apreciem então quem se destacou nestes últimos meses em cada uma das ligas e tomem nota dos respectivos vencedores semanais desde o último updating post.



Champions Fantasy League



A - RealFevr  


Ainda com a primeira-mão dos 8vos por completar, fica a tabela relativa à fase de grupos, liderada pelos Semos Cão Piões Europeus de Just-do-it (and he did), seguidos de muito perto pelos Salvador & Santiago e pelo vosso semi-deus das fantasias (salvo seja), moi même.


(clicar para ampliar)

Líder actual (J6): "Semos Cão Piões Europeus" (Just-do-it) - 490 pts.

Vencedores semanais:

J5 - Icesa_city (vitorgaspar) & JDBayern (jdguez)- 92 pts.
J6 - Do Porto com Amor (LAeB) - 105 pts.
J7 - em andamento



B - Site UEFA


Na spitting image do sítio oficial, os vencedores da fase de grupos foram os Ricardense 04, do soldado desconhecido :-), que garantiram ainda uma vantagem muito agradável sobre os Rissóis Goleada e os To Sem Pts. Agradável mas longe de decisiva, pelo que ainda muitas equipas sonham legitimamente com a vitória final. Vamos lá mostrar ao mundo aquilo de que são feitos!


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Líder actual: Ricardense 04 (Ricabrantes) - 425 pts.

Vencedores semanais:

MD5 - FCPorto-Fafe (Sérgio Castro) - 83 pts.
MD6 - Ricardense 04 (Ricabrantes) - 84 pts. 
MD7 - em andamento



Europa Fantasy League



Segue tranquilo na frente ABptista84, o nosso Jax Teller da Fantasy, com os seus Sons of Anarchy, tendo inclusive visto a margem alargada após a primeira ronda de 2018, dado que Vintage 2017 e os rapazes do world famous guru LAeB se atrasaram consideravelmente. Nada decidido, é certo, mas que para lá caminha...


(clicar para ampliar)

Líder actual: Sons of Anarchy (ABaptista84) - 447 pts.

Vencedores semanais:

J5 - Sons of Anarchy (ABaptista84) & FK Dinamo Moskva (pedro_silva_27) - 74 pts.
J6 - AOCC3 (botaquartilho) - 85 pts.
J7 - 1893FCP (Paulo Ferreira) - 75 pts.



Fantasy Liga Portuguesa



Mesmo quando o sistema ainda faz as continhas finais à J23, já é possível afirmar que estes Vintage de nbmateus são de uma safra especial, tal a vantagem que têm conquistado nas últimas jornadas. Vindos de trás, apanharam todos de surpresa e agora dedicam-se a consolidar a liderança. Na perseguição, estão agora os Mancos Surdos e Cegos (com a ajuda de um cão-guia, certo?) e os Canela1992. Estarão as outras "casas" pelos ajustes? Aposto que não!


(clicar para ampliar)


Líder actual: Vintage (nbmateus) - 1611 pts.

Vencedores semanais:

J16 - Zaire Boys FC (tiago_freitas_43) - 79 pts.
J17 - ArrebentaCanelas (Just-do-it) - 97 pts.
J18 - * em suspenso até 21/2
J19 - ArrebentaCanelas (Just-do-it) & Vintage (nbmateus) - 81 pts.
J20 - Vintage (nbmateus) - 98 pts.
J21 - Vintage (nbmateus) - 96 pts.
J22 - OrnitologoPortista (eugénio_sousa) - 91 pts.
J23 - SALVADOR & SANTIAGO FC (hbaguiar) - 115 pts.




Fantasy La Liga



Na liga de nuestros hermanos, nada de novo, a não ser uma vantagem cada vez menos recuperável dos CaciquesFX de JCFX, que já somam quase 100 pontos de avanço sobre o segundo classificado, os Draconian FC e "muitos" sobre o terceiro, my sorry ass.


(clicar para ampliar)


Líder actual: CaciquesFX (JCFX)1610 pts.

Vencedores semanais:

J18 - DracarysFC (LordGomes36) - 83 pts.
J19 - CaciquesFX (JCFX) - 82 pts.
J20 - CaciquesFX (JCFX) - 95 pts.
J21 - CaciquesFX (JCFX) - 77 pts.
J22 - Do Porto com Amor (LAeB) - 74 pts.
J23 - Recreativo San Mamés (joaquim_nisa) - 96 pts.
J24 - CaciquesFX (JCFX) - 93 pts.



Fantasy Premier League



Na liga das terras de Her Majesty, os Parrampeiros de Luis Pereira assumiram a frente da corrida após uma última ronda espectacular, relegando os Limianos para segundo. A segurar o bronze estão nesta altura os Salvador & Santiago, já um pouco distantes do duo que lidera. Tudo por decidir nesta competição, que promete emoção até ao último apito da última gameweek!


(clicar para ampliar)


Líder actual:  Parrampeiros (Luis Pereira) - 1568 pts.

Vencedores semanais:

GW22 - Sons of Anarchy (André Baptista) - 66 pts.
GW23 - Parrampeiros (Luis Pereira) - 95 pts.
GW24 - Parrampeiros (Luis Pereira) - 80 pts.
GW25 - Portugal_rulez (Marco_M) & NOIXXQUETA (ADALBERTO JUNIOR ) - 66 pts.
GW26 - PACHOLLA PHOÊNIX FC (Marcos Gomes) - 65 pts.
GW27 - Parrampeiros (Luis Pereira) - 113 pts.



E pronto, já está!  

Voltarei, de novo, algures num futuro não muito distante (nem muito próximo). Até lá, continuem a esforçar-se para merecer honras de "primeira página" :-)




Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Adivinha Quem Voltou (Yooo)


Faltava ainda uma hora para começar o jogo contra o Rio Ave e já estávamos a ganhar. Impossível? Not really, quando se trata de um treinador abraçar essa condição na sua plenitude: assumir os erros e tratar de os corrigir, quando finalmente já só ele não os queria reconhecer.

#AMINHATAMBÉM (Foto de Vítor Parente / Kapta+)

Aos meus olhos, Sérgio Conceição cresceu mais um pouco como treinador. Devolver Iker à titularidade foi um acto de justiça mas também de humildade. Não esperaria que o reconhecesse tal e qual, porque deve preservar-se dos abutres esfomeados que o rodeiam, disfarçados de pombas da paz, mas o acto falou por si e mais alto do que qualquer conjunto circunstancial de palavras.

E foi assim que entrámos em campo, com confiança renovada no que à segurança entre os postes diz respeito. Parecendo que não, é um excelente ponto de partida para os companheiros se sintam mais à vontade para tentar todo o tipo de "truques especiais", mais adiante no terreno de jogo. Coincidência ou não, ao segundo minuto já vencíamos.

Todo o jogo foi uma sequência mais ou menos lógica, no que à evolução do marcador diz respeito. Corajosamente fiel à sua filosofia, o Rio Ave de Miguel Cardoso voltou a apresentar-se no Dragão igual a si próprio, apenas focado em jogar o seu futebol, sem receio do peso dos números que pudessem castigar a ousadia. 

Não vou ser hipócrita e escrever que assim é que é bonito - e é! - porque eu, treinador do Rio Ave, não me atreveria a fazê-lo. Não por receio, mas por pensar que a defender (um bocadinho mais do que o "meu" normal) teria mais hipóteses de conseguir um resultado positivo. Para ser claro: admiro a postura e lamento que não haja mais quem o faça, mas não o faria. Bastard me...

Em todo o caso, neste cenário em concreto, duvido que, qualquer que fosse a estratégia, tivesse produzido outra distribuição de pontos ou até um menor volume no marcador. Porquê? Porque do outro lado estava um dragão ferido e furioso com isso. Havia que reparar os (irreparáveis?!) danos da derrota com o Liverpool.

Ficou claro que todos os jogadores estavam imbuídos desse espírito de missão, rescue workers a procurar resgatar tudo o que ainda fosse possível salvar do monte de escombros em que se havia transformado o seu próprio quartel-general.

Com um achado valioso logo no início das buscas, pelos pés de Sérgio Oliveira, a moral das tropas elevou-se e todos pareciam convencidos de que havia ali muito mais para encontrar. A operação de busca e salvamento foi interessante e agradável de assistir, fluindo com uma certa naturalidade (ou até inevitabilidade), tal a sequência "lógica" dos eventos.

Ao fim da tarde (que bom que é ver jogos no Dragão ao fim da tarde), liderança recuperada e desinfectada, após algumas horas em mãos sujas, e o povo voltou descansado para casa: descontando o marco histórico negro, nada se perdeu, apenas se transformou. E não foi para pior. Seguimos intactos rumo ao objectivo principal. Let's go!




Notas DPcA 


Dia de jogo: 18/02/2018, 18h00, Estádio do Dragão, FC Porto - Rio Ave FC (5-0)


Iker (6): Ei-lo que regressa ao lugar de onde nunca deveria ter saído, com a tranquilidade normal de quem tem a bagagem que ele tem. Que seja para ficar até ao fim e em grande estilo.

Maxi (6): O "velhinho" ainda mexe (sobretudo se mexerem com ele) e ontem substitui sem perdas assinaláveis o seu mais jovem concorrente ao lugar.

< 81' Alex Telles (8): O senhor assistências voltou ao seu elevado nível normal e, claro, às assistências. Trabalhinho feito, teve finalmente a oportunidade de ir descansar um pouco mais cedo. Será um caso muito bicudo com que a SAD terá de lidar no verão...
Marcano (7): Teve muito mais trabalho do que o resultado sugere, precisamente porque o adversário quis jogar futebol durante todos os noventa minutos. Fê-lo bem feito.

Felipe (7): Ipsis verbis Marcano.
Sérgio Oliveira (7): Foi o primeiro a apaziguar os espíritos ansiosos pós-Liverpool, logo na aurora do jogo, e isso foi fundamental para tudo o que se seguiu. Depois, não esteve particularmente inspirado, mas foi importante na manobra da equipa, denotando mais dificuldades em termos do posicionamento defensivo.

Herrera (6): Não atrapalhou muito, apesar de ter andado o jogo todo a suplicar por um amarelo. Bem bom.

< 80' Corona (7): Muito boa primeira parte, pela intensidade e qualidade do seu trabalho. Na segunda ainda deu alguma sequência, mas foi extinguindo até à habitual substituição.

Brahimi (6): Nem um resultado gordo como este permite disfarçar o mau período de forma que agora atravessa, em especial quando se trata de decidir como definir as jogadas. Mesmo assim, esteve sempre muito envolvido no jogo da equipa e globalmente foi uma exibição positiva. O problema é que dele se espera sempre mais do que um simples "positivo".

Marega (7): Também está a meio-gás, certamente como resultado do grande desgaste a que foi sujeito desde o início da temporada. Ainda assim, esteve directamente envolvido em dois golos, marcando um e "assistindo" no outro, o que significa que a "produtividade" se manteve muito elevada.

Foto de Vítor Parente / Kapta+

< 85' Melhor em Campo Soares (8): Até nem foi o seu melhor jogo, mas marcou dois dos cinco golos e isso, num desafio em que ninguém se destacou com grande relevo face aos demais, acabou por ser decisivo na atribuição da distinção. O que realmente importa é que está a assumir a ausência de Abou com grande capacidade e sem que a equipa se ressinta da ausência do camaronês.

> 72' Óliver (7): Talvez a sua melhor entrada a partir do banco da temporada, muito escorreito e esclarecido nas decisões e execuções. Fica a dúvida se só o consegue fazer quando o jogo já está resolvido a nosso favor...

> 74' Diogo Dalot (6): Pode não ter sido a dos seus sonhos, mas foi a estreia onde sempre sonhou. À pressão normal dessa estreia, ainda lhe acrescentaram ter de a fazer no lado oposto àquele onde conquistou a fama que o trouxe até esta premier. Por muito que digam que está a jogar bem à esquerda na B, o seu lado é o direito e deve ser nele que deve ter as oportunidades. Ontem foi necessário dar descanso a Telles, percebe-se, mas o futuro deverá ser mais justo para com Dalot.


> 80' Hernáni (6): Boa entrada também, estando directamente envolvido no último golo do jogo. Sobra a mesma pergunta feita sobre Oli.

Sérgio Conceição (8): Resumo "tudo" a dois pontos fulcrais: 1) Conseguiu devolver a equipa às vitórias, em estilo e com grande reboost de confiança e 2) Devolveu justamente a Casillas a titularidade que injustamente lhe tinha retirado. Para mim, é mais do que suficiente para lhe tecer um rasgado elogio.

A Estreia (foto Vítor Parente / Kapta+)



Outros Intervenientes:



O Rio Ave de Miguel Cardoso voltou a defraudar as expectativas dos muitos milhões de melões portugueses, ao apresentar-se igual ao que sempre é para defrontar o Porto. Foi traído por um golo madrugador e pela "raiva" acumulada do adversário, mas nem assim mudou para o plano B. Concorde-se ou não, é de admirar. Geraldes teve espaço para mostrar alguma da sua qualidade e Pelé voltou a "gritar" bem alto que deveria ter sido trazido agora em Janeiro para colmatar a ausência de Danilo.


Muito assobiado por fantasmas de "natais" passados, o mau do Xistra até nem esteve assim tão mal. O que mais se notou foi mesmo a sua fraca qualidade técnica e de condução de indivíduos, de resto não me apercebi de nenhum dano crítico para a verdade do jogo. Aceito o "apenas amarelo" a Tarantini mas mais adiante deveria ter visto o segundo amarelo. Do nosso lado, Herrera fez demasiadas faltas para sair do campo sem advertência. 




Está atirada para as nossas costas a derrota com o Liverpool, agora falta aquele small step em tempo de jogo, mas gigante para a conquista do campeonato: em 45 minutos, dar a volta ao resultado no Estoril. Só isso interessa. Vamos lá, carago!



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

You'll Never Suck Alone


Pois é, chegou finalmente o dia porque biliões de pessoinhas amarelinhas aguardam ansiosamente durante trezentos e tal dias a cada volta ao Sol do nosso planetinha: começou o novo ano chinês, como sempre ao sabor dos caprichos da Lua. Que desfrutem. E pronto, por hoje é tudo. Adeus.
 
O quê? Falhei a crónica do jogo de Chaves? Pois foi. Estava tão bem de férias, que nem me apeteceu. Na verdade, até apeteceu um bocadinho, mas como não vi o jogo em condições nem por inteiro até ontem, não podia ser. Há que manter o elevado padrão de objectividade subjectiva deste blogue. Se avançarem já para a última parte deste post - o que recomendo vivamente - podem lá encontrar uma versão reduzida de crónica, com notas e tudo. Pronto. Agora sim, adeusinho.


via Marquinho


Chatos, pá. Tenho mesmo de escrever sobre ontem à noite? Olhem que não estou nada recomendável. Vou embirrar com alguém - muitos alguéns, até. E não, não vai ser com os jogadores do Porto, nem sequer com o treinador. Porque sobre esses, tudo o que vier a escrever, não vai ser embirração, apenas uma descrição muito suave da realidade. Vou é embirrar com vocês! Não com todos, mas com uma boa parte de vocês! Ainda por cima com vocês, os que se acham os defensores máximos do Portismo. Avancem já para a secção do Chaves, malta ferida. You've been warned.


Se tem mesmo de ser, vamos lá. Com notas prévias:

- Salvo uma excepção, não vou comentar as notas aos jogadores, por respeito a mim mesmo;

- Não me vou pôr a medir o tamanho do nosso fracasso por comparação com os fracassos alheios, como putativo bálsamo para acalmar o ardor que me apoquenta; se o fizesse, estaria - agora sim! - a humilhar o nosso Clube;

- Vou escrever em inglês até me fartar. É the least que eles podem fazer depois de ontem, emprestar-me a fucking language para desabafar.


O que é que aconteceu ontem, hum? Uma goleada à antiga, inédita em casa nossa, foi o que foi. À antiga, mas que acontece every other day, seja a grandes, médias ou pequenas equipas. Barça, Real, Bayern, Juve, Liverpool, you name it. Todos já ganharam e perderam por cinco. Boa parte deles em casa e fora, para não haver discriminação. O que os distingue dos outros, é a quantidade de vezes que isso acontece - ou que não acontece, para ser mais preciso. São eventos raros. Como no nosso caso. Só não acontece a quem não joga.

Estão a ver como até não custa assim tanto?

Não custa o carvalho. Custa pois. Mau seria se não custasse, se não desse uma noite mal dormida e um acordar às portas da criação do amigo Dante. Aliás, para piorar os efeitos devastadores de alma do evento catastrófico, só mesmo ser forçado e ler e a ouvir coisas do género:

"hoje sou ainda mais portista do que era ontem"
"quem te ama não te abandona"
"ontem era portista a 100%, hoje sou a 200%"
"que orgulho ver os verdadeiros adeptos a aplaudir no final" (os pipoqueiros tinham saído aos 60 minutos)

Porra, senhores. Há assim tanta crise de identidade, de certeza quanto ao amor ao Clube, para que se sintam tão obrigados a torturar os demais com estas pérolas? Ou será apenas bad portuguese? God willing, será a segunda.

Ajudem-me a perceber o que se passa nas vossas cabeças, por caridade. Acham que a maioria das pessoas está ali à beirinha do abismo clubístico, apenas à espera do próximo passo em falso para deixar de ser do seu clube? Para mudar para outro? Ou acham que são só os outros, porque vocês jamais? Ou será que são só vocês e ainda nem se tinha apercebido disso (não precisam de agradecer)?

E já agora, aplaudir depois de levar cinco em casa? Só por reflexo se entende. Eu próprio dei por mim a fazê-lo, compulsivamente, no final. Mas raciocinando um pouco e já a frio, não será o desespero de quatro anos sem ser campeão a comandar os impulsos? Ou teremos baixado assim tanto a famosa exigência? Ou será que nunca a tivemos de todo?

Porra gente, assim não consigo deixar de embirrar com vocês num dia diluviano pós-apocalíptico como este, em que me entra pelas narinas o distinto odor das cinzas agora encharcadas. Não era necessário... 

E o jogo? E o jogo o quê? What? Querem uma efabulação sobre o que aconteceu? Está bem, aqui vai. 

Entrámos no jogo de peito-feito, a olhar o Liverpool nos olhos e a fazer crer que estávamos prontos para discutir e vencer o jogo. As coisas estavam equilibradas, podendo até já estar a nosso favor, quando um erro individual, seguido de outro, nos deixaram a perder. 

Valentes, fomos para cima deles, na busca da igualdade. Tentamos ir, porque antes disso, voltamos a sofrer outro golo, desta vez fruto de um erro colectivo grosseiro.

Ainda mais valentes, partimos decididos para o regaste da eliminatória e foi por manifesta infelicidade que não chegámos ao intervalo a perder pela margem mínima. Ou até empatados, se a nossa eficácia se começasse a aproximar da deles.

No segundo tempo, as coisas foram mais compl... hum, lamento mas não vai dar. Nem com toda a boa vontade consigo efabular sobre aquela segunda parte. Não faltará quem o consiga, não duvido, not me.

Se querem mesmo saber, o que eu vi foi isto: uma equipa iludida com uma mania de grandeza que não se adequa à sua realidade (disse equipa, não Clube, nada de confusões, seus defensores inabaláveis do Portismo), entrou no jogo a fazer de conta que era o que não é. Ao sofrer o primeiro golo, com a confrangedora cortesia de José Sá - o homem que Sérgio Conceição escolheu para sentar Iker Casillas no banco - os foliões de azulebranco deixaram cair a frágil máscara, coraram de vergonha e fizeram-se bem menores do que na verdade são. Tudo o que se seguiu, deriva desse momento. Solidários como nunca, os outros dez jogadores (uns mais do que outros, como sempre) viraram-se para o bom do Sá e gritaram em uníssono: "YOU'LL NEEEEVER SUCK ALONE!". E logo meteram pés à obra...

What really puzzled me foi o "momento intervalo" e o que se lhe seguiu. O que quer que tenha sido dito e pensado para tentar inverter o rumo ao sinking ship, falhou por completo. Só consigo imaginar o skipper Conceição a olhar embasbacado para um painel cheio de botões e alavancas, rezar baixinho algo imperceptível ao beijar o crucifixo ao peito, fechar os olhos e carregar à sorte no botão que dizia "flood lower decks".

O filme da segunda metade foi tão, mas tão mau, que até tenho medo de o rever. A sério. Os jogadores pareciam tresloucados, incrédulos com o que se estava a passar, entrando talvez em negação e atirando-se abismo abaixo a cada oportunidade. Perdido por cem, perdido por mil, parecia que entoavam, enquanto insistiam em fazer o que tão mau resultado já tinha dado. Avançar descontroladamente para cima do Liverpool, abrindo autênticas auto-estradas para os garantidos contra-atques que haveriam de surgir, estradas tão, mas tão boas que até o idoso Milner conseguia bater em velocidade as nossas jovens e tenras gazelas.

No penoso regresso a casa, imaginei também a lapidar pergunta que me seria atirada pela cria mais velha da minha prole: "Pai, porque é que perdemos por cinco?". A única resposta genuína que me ocorreu: "Olha, filha, porque eles não quiseram que fosse por seis". 





Níveis de Solidariedade para com José Sá


Dia de jogo: 14/02/2018, 19h45, Estádio do Dragão, FC Porto - Liverpool FC (0-5)


José Sá (2): You'll Never Suck Alone (but you'll always suck more than everyone else...except for the coach)

Ricardo (3):

Alex Telles (4):

Reyes (3):

Marcano (4):

Sérgio Oliveira (5):
 
Herrera (3):

< 46' Otávio (6):

< 62' Brahimi (3):

Marega (4):

< 74' Soares (5):

> 46' Corona (5):

> 62' Waris (4):

> 74' Gonçalo (4):

Sérgio Conceição (1): Tudo errado, certo? Certo. O seu pós-jogo foi realmente confrangedor de assistir, fez-me lembrar um lutador de MMA que levou uma pancada too many na cabeça e queimou alguns fusíveis. Pudera, a situação não foi para menos. E agora?

Get yourself up, dust yourself off and start over again


Neste caso, continuar onde tinha parado, a nível interno. Devolve o Iker à equipa e trata de nos refazer campeões!



Outros Intervenientes:



Mais do que referir a óbvia qualidade individual do trio ofensivo, parece-me pertinente referir a velocidade e a intensidade de toda a equipa do Liverpool, muito alicerçado nos jogadores de meio-campo Milner, Henderson e Wjnaldum (que grande jogador). Foi uma noite em que tudo lhes saiu na perfeição, a começar pelo adversário, mas que nem lhes é assim tão frequente. São claramente melhores do que nós, mas não tanto como ontem quis parecer. Mérito de Klopp, desmérito de Conceição.

Nem vale a pena falar do árbitro, que aparentemente validou um golo irregular em offside (o segundo). [Editado: nem isso aconteceu, golo limpo]





Estes jogadores e treinador já entraram em definitivo na história do Futebol Clube do Porto, pelas piores razões (aliás, alguns são repetentes, tendo já perdido a "inocência" em Munique). Não há nada que possam fazer quanto a isso. 

O que podem, devem e têm de fazer é fazer um doloroso, profundo e catártico luto do jogo de ontem, assumir a feiura que a nova cicatriz lhes acrescenta (no caso do Herrera, embeleza) e encarar o resto da época com a confiança e a certeza de que são a melhor equipa de Portugal. E prová-lo, jornada após jornada, até final do campeonato. E da Taça.

Já entraram na história pelos piores motivos, mas têm ainda a possibilidade de nela entrarem também pelos melhores. Como os campeões nacionais que acredito que serão. E já agora, fazendo o que ainda não foi feito: vencer em Inglaterra, contra um já descansado e poupado Liverpool. Vamos lá.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



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Em Chaves, o resultado parece ter sido melhor do que a exibição. Comecei a ver o jogo em directo após o intervalo, com uma agradável vantagem de dois golos, e, dez minutos volvidos, dei por mim a pensar que estávamos a facilitar em demasia, a expor o flanco para que o adversário pudesse ainda aspirar em lutar pelos pontos em disputa. "Calhou" de termos feito o terceiro no momento certo, pondo fim à resistência flaviense. No meio disto, viu-se ainda algum bom futebol e belos golos.

Quando vi a primeira parte do jogo, uns dias depois, mais convencido fiquei da bondade do resultado. Tivemos a fortuna e a eficácia que nos têm faltado noutros jogos...


Foto de Rogério Ferreira / Kapta+
 

Notas DPcA 


Dia de jogo: 11/02/2018, 16h00, Estádio Municipal de Chaves, GD Chaves - FC Porto (0-4)


Nota (8): Sérgio OliveiraSoares
Nota (7): , Otávio (< 68'),
Nota (6): Maxi, Telles, Reyes, Felipe, Herrera, Marega (<62'), Corona (<73'), Waris (>62'), Óliver (>68'), Ricardo (>73')


Outros Intervenientes:



No Chaves, gostei de ver o endiabrado Matheus Pereira, mas gostei sobretudo do jogo colectivo da equipa de Luís Castro.


Quanto à arbitragem de Soares Dias e sus muchachos, parece que a coisa não lhe correu de feição, como aliás é regra quando nos apita. Só que desta vez, a regra não se cumpriu no sentido habitual do prejuízo. Desta vez, parece que se enganou a nosso favor. Nada do que se gritou por aí pelos sem-vergonha e labregos do costume, mas ainda assim eventual prejuízo para o Chaves num lance capital: possível penálti aos 6 minutos de jogo de Maxi sobre Djavan, com resultado ainda em branco. Para mim, não é. Mas admito que poderia ser interpretado doutra forma e assinalado. Suficiente para questionar a justeza da distribuição dos pontos? Nunca se pode garantir com certeza absoluta, mas probabilisticamente falando, claramente que não. Em todo o caso, fica o registo de um penálti perdoado a nosso favor - aleluia!


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco