terça-feira, 26 de maio de 2020

Lápis a Presidente!


Curiosamente - ou nem tanto - um dos textos mais lidos de sempre deste blogue tem como título "Eleições no FC Porto". Corriam os idos de Março do ano da graça do Dragão de 2016, faltava cerca de um mês para o acto eleitoral no Clube, mais um vazio de interesse, inócuo, para cumprir estatutos.

Escrevi na altura "Ninguém (portista) quer o caos. Ninguém. Só um irresponsável poderia preferir um clube desgovernado ou ingovernável a uma má liderança. Mas entre as duas coisas há alternativas. Tem que haver.". Na altura não houve, desta vez há - candidatos pelo menos.




Nesse texto fiz um brevíssimo resumo do que havia sido o mandato que então findava, fraquíssimo até à data da escrita mas ainda com possibilidade de melhorar (a época desportiva ainda decorria). Foi a época de Peseiro, que todos bem sabemos como acabou - a zero, após o afundanço no campeonato e a tragicomédia do Jamor contra o Braga. A actualização foi feita em Maio do mesmo ano e desta forma, de onde destaco o seguinte (embora todo o texto mereça uma (re)leitura):

"Em suma, a época 2015/16 foi das piores de sempre de que tenho memória.

Além de não termos vencido nenhuma competição, falhámos o fundamental acesso directo à Champions e deixamos uma péssima imagem daquilo que somos, que sempre fomos e do que queremos continuar a ser, ao ponto de terminarmos ridicularizados por uma tragicomédia no anfiteatro do Jamor.

Somando esta às duas anteriores, é fácil concluir que este foi o pior mandato de Pinto da Costa como presidente do clube. Um desfecho perfeitamente previsível por altura das eleições de Abril. E nem assim houve quem avançasse na defesa do clube. Algo vai muito mal no reino do Dragão - e somos nós, os portistas, os únicos responsáveis por esta inércia.
"

Quatro anos volvidos, o que mudou? Para melhor, quase nada. A começar pelo palmarés do futebol profissional:

2016/17
Liga: 2º
Taça: 4ª eliminatória (Chaves)
Taça Liga: fase grupos (último lugar)
Liga Campeões: 8vos (Juventus)

2017/18
Liga: Campeão
Taça: Meia-final (Sporting)
Taça Liga: Meia-final (Sporting)
Liga Campeões: 8vos (Liverpool)

2018/2019
Supertaça: Vencedor (Aves)
Liga: 2º
Taça: Final (Sporting)
Taça Liga: Final (Sporting)
Liga Campeões: Quartos (Liverpool)

2019/2020
Liga: a decorrer (1º após 24 jornadas)
Taça: na final
Taça Liga: Final (Braga)
Liga Campeões: playoff (Krasnodar)
Liga Europa: 16vos (Leverkusen)

Resumindo, mais um mandato que desportivamente será, na melhor e mais desejada das hipóteses, razoável. Vencendo o campeonato e a taça, somaremos 2 Ligas, uma TP e uma Supertaça em quatro anos, o que é apenas razoável. Não vencendo a TP, sofrível. Não vencendo o campeonato, será sempre mau.

E o combate ao #polvo? Zero (vírgula um). A décima chama-se Francisco J. Marques, que fez tudo o que podia para dar à administração as ferramentas necessárias para que pusessem mãos-à-obra e iniciassem a reparação do futebol português. Ou que lutassem por isso, no mínimo. Não podem, não querem? Não sei ao certo, sei que nada fizeram que se veja e sinta na práctica.

No clientelismo e relações promiscuas, houve melhorias? No mínimo, parece haver mais recato, menos mal.

Já o distanciamento entre Clube e adeptos continuou a aumentar, mesmo considerando as boas iniciativas comerciais e de marketing que foram lançadas, porque do lado de cá se sente cada vez mais que, tirando o momento da renovação dos lugares anuais, os únicos adeptos que contam para a administração da SAD são as claques e os FSEs que esta(s) lhe(s) presta(m). Quem quer ir ver o Porto fora mas não se quer sujeitar ao enjaulamento das claques, mais vale é ficar em casa.

Somando a tudo isto a falência económico-financeira em que o Clube se encontra, conclui-se sem dificuldade que tirando termos conseguido evitar o pe(n)ta dos sem-vergonha, somamos mais quatro épocas a cantarolar alegremente rumo ao abismo.

Só isto, mesmo ignorando o descalabro do mandato anterior, deveria ser motivo suficiente para haver concorrência nestas eleições. Desta vez sim, houve quem corajosamente se dispusesse a ver a sua vida devassada e avançasse com candidaturas, mais concretamente duas à Presidência e uma terceira apenas ao Conselho Superior. Mas concorrência efectiva? Está por demonstrar.

Li o manifesto e ouvi a conversa de José Fernando Rio (lista C) com os Cavanis e reforcei as ideias que já vinha formando: que é uma candidatura útil ao Clube e merece o respeito de todo o universo Portista, não apenas pela coragem de ser a primeiro em décadas, mas também por conseguir articular um conjunto de ideias e princípios que considero coerentes, positivos e necessários, muitos dos quais elenquei já há quatro anos. Falta saber como e com quem as pretende concretizar, é certo, mas no mínimo fomentou a discussão sobre os temas.

Também li o que encontrei e ouvi Nuno Lobo (lista B) no mesmo registo e o que de mais positivo posso dizer é que é alguém genuinamente apaixonado pelo Clube, farto de sofrer com o declínio e a inoperância confrangedora dos incumbentes, um Portista de corpo e alma. E por aí me fico.

Não sendo concorrência, há uma outra lista (D) que se candidata apenas ao Conselho Superior, um órgão "faculto-consultivo" que poderia ser uma oportunidade soberana de reunir e discutir com os vários stakeholders do Clube, mas que na prática tem sido apenas um órgão de fachada e de premiação dos homens do presidente. Só pelo facto de esta lista não pertencer ao status quo já seria interessante, mas mais se torna quando se lê aquilo a que se propõe - mesmo sabendo que nada "podem" (porque nada mandam), poderão pelo menos questionar e dar conta das respostas ou do silêncio que vier de volta.

Quanto ao passeio pelo parque de Pinto da Costa (lista A), destaco o facto de existir um site de candidatura, cuja composição é 95% Passado e 5% variados: a já antes prometida Academia, agora em esteróides, e mais umas coisas que não passam de aborrecidas palavras de circunstância como melhorar, lutar e outras para rimar. NADA de novo, obviamente.

Minto, há Vítor Baía. Um dos mais acarinhados ídolos Portistas, que havia sido chutado para a sarjeta quando se atreveu a sair do guião de figurante que lhe tinha sido atribuído. Voltou agora porquê e para fazer o quê? Entendo obviamente o seu lado e a autenticidade da alegria em voltar a casa, mas tenho muita dificuldade em entender os motivos de Pinto da Costa. Não acredito que lhe passe pela cabeça ter a reeleição em risco, pelo que... porquê, agora, Baía?

Não falta quem adivinhe uma sucessão, quiçá ainda durante o próximo mandato (se se vier a concretizar), ao que eu respondo com um estrondoso e trocista AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH. Não que Baía não possa aspirar legitimamente a sê-lo, mas que Pinto da Costa o queira endossar por ver nele um digno sucessor. E porque não?

Primeiro, porque acho que já passaram demasiados anos para que o presidente ainda consiga ver alguém como sendo digno de o suceder; segundo, porque apesar da sua popularidade, Baía está numa posição de fragilidade (pelo sucedido e pelos caminhos que tomou a seguir) e PdC sabe-o bem; terceiro, porque aposto que o presidente teria outra(s) preferência(s) muito mais... umbilical.

Por aqui talvez se possa perceber alguma coisa. Talvez, mais do que querer que Baía o suceda, quer "alinhavar" uma lista vencedora, encabeçada por alguém popular, capaz de duas coisas: 1) incluir nessa lista quem (PdC) bem entender (negociado de antemão) e 2) impedir ou diminuir consideravelmente a probabilidade de sucesso de "outras" candidaturas. Isto tudo à la longue, obviamente, porque no continuar é que está o ganho.

Aguardo curioso por saber que papel terá Baía na "nova" estrutura (se eleita) e quem mais o acompanhará, bem como quem serão as "notáveis" ausências (Fernando Gomes não conta, obviamente). Se Baía ficar fora da SAD, será mais um gnomo azul para enfeitar o Dragão; se entrar como administrador, há mesmo mouro na costa (salvo seja).


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AGORA A SÉRIO

Retiradas estas questões menores do caminho, é tempo do que interessa verdadeiramente. Após muito zunzum e rumores, confirmo, para vossa imensa alegria, que mais uma vez volto a não ser candidato e - mantendo a coerência - com o mesmíssimo programa eleitoral.

Programa Eleitoral Do Porto com Amor


>>click>> Grandes Linhas do Programa <<click<<


É clicar e ler, boa gente, clicar e ler.


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco (a presidente!)



quarta-feira, 13 de maio de 2020

O Elefante na Sala


Este será um texto curto e grosso, mas para que se compreenda na íntegra é importante que a sua leitura seja antecedida do texto que o antecede. Se por inacreditável e inexplicável coincidência ainda não o leu, clique já a seguir e comece pelo Futebol nos Tempos da Pandemia.




Agora que tiramos de caminho uma série de pontos prévios e estamos no mesmo nível de entendimento, vamos ao tema que parece continuar tabu para todos os envolvidos, a começar e a acabar no meu clube, o Futebol Clube do Porto (que, por acaso, deveria ser o mais interessado).

Os dias vão passando, os contornos do regresso da Liga vão sendo divulgados a conta-gotas, mas no ninguém se atreve a apontar o enorme paquiderme que está na sala desta liga. Ui ui que nisso não se fala. Soubemos hoje que 4 de Junho é a data do regresso, saberemos já a seguir em que estádios se jogarão as dez jornadas remanescentes e tudo o mais que se exige saber - tudo, menos o tabu.

Sobra tempo para falar de aversão ao azul, dos "instas" dos jogadores, do corte da relva e do sal na comida, mas para interrogar, alto e em bom som, o que a fará a Liga caso a competição venha a ser de novo interrompida e não se conclua em termos da classificação final, não parece sobrar. Nada, nem um comentário jocoso, nem um tweetzinho, nada.

Sabemos o que o escroque que escandalosamente ainda ocupa a pasta de secretário de Estado do Desporto deseja ardentemente, aliás tanto que já nem se contém na diarreia verbal, tal como adivinhamos que coincide com o que um largo espectro da sociedade - essa gangrena de que padecemos - também anseia.

Parecemos um condenado a caminho do cadafalso, limitando-nos a caminhar ao ritmo do carrasco, perante a turba extasiada de antecipação.

Paremos por um instante com a declamação inflamada para analisar com objectividade a situação.

Um campeonato de 34 jornadas, das quais já se disputaram 24, o que corresponde a cerca de 70% do total. Ideal para atribuir um campeão e uma classificação final a todos os participantes? Não. Suficiente para que reflicta minimamente o mérito desportivo? Sim. No caso do apuramento do campeão ainda mais, porque os dois jogos entre os dois candidatos já se realizaram e com vitória em ambos para o líder FC Porto. Ideal? Não. Suficiente? Sim.

No entanto, como já vimos, o futebol não se resume à própria competição e ao mérito desportivo per se, há toda uma vertente de negócio que não pode ser desconsiderada porque dela depende a sobrevivência do sector como um todo. Por isso, compreende que se envidem todos os esforços para que se jogue. Mas acautelem-se também, por antecipação, todos os cenários possíveis.

O que acontecerá se a situação sanitária do país regredir e a competição for declarada terminada antes que se concluam as dez jornadas em falta?

O que acontecerá se uma ou várias equipas registarem um número de infectados que as impeça de competir em um, dois ou mais jogos?

Em meu entender, dois desfechos admissíveis para o apuramento da classificação final desta Liga:

 - Ou se considera a actual, que resulta da paragem forçada em face de uma situação de todo imprevista à altura em que se iniciou a competição

 - Ou se cumpre integralmente o calendário com todos os competidores e a classificação final será a que dela resultar.

Qualquer in between será sempre uma deturpação do espírito da competição e uma grosseira adulteração da verdade desportiva. Porquê?

Pela simples razão de que, à data de hoje em que se define um dia para o recomeço, já se sabe do panorama sanitário e dos riscos envolvidos nesse recomeço, não só em termos da saúde dos jogadores e demais envolvidos, mas também da consequente impossibilidade de terminar a competição caso haja uma evolução desfavorável na primeira.

Ora daqui se depreende que só faz sentido alterar a classificação actual - a que corresponde ao momento da forçada e inesperada interrupção - se for possível cumprir tudo o que falta ainda jogar, porque este recomeço é assumido sabendo-se que existe uma razoável probabilidade de não ser possível de concluir. Logo, se não for possível uma classificação completa da prova, deve valer a que se registou durante a fase "saudável", porque não faz sentido trocá-la por uma intermédia que será sempre resultante do facto da espada do Covid19 ter caído de forma abrupta sobre a cabeça da competição.

Por este motivo, deve ser dito e assumido pelo organizador da competição que apenas estes dois cenários serão admissíveis.

(regresso à tese conspirativa)

Que a Liga e a Federação se calem bem caladinhas enquanto os habituais lacaios vão lançando "pistas" sobre o que vai acontecer, não pode surpreender ninguém, mas que o mais interessado de todos, o FC Porto, não levante esta questão de forma pública, clara e concisa e se recuse a participar antes de obter uma resposta, é algo que não consigo compreender (apenas mais uma entre tantas, admito, mas este de especial relevância até para o futuro do Clube).

Meus caros Portistas, se outros calam, falemos nós. Façamos o barulho possível para que o silêncio deles todos se torne ensurdecedor. O tempo urge.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




quinta-feira, 7 de maio de 2020

O Futebol nos Tempos de Pandemia

"Quanto tempo esperaria pela pessoa que ama?"

É assim que a famosa obra de Gabriel García Márquez, em que o título deste texto se inspira, é promovida numa das livrarias online da nossa praça. Se ainda não sabe de que livro se trata, investigue, pela sua "saúde". Quanto tempo estaríamos nós dispostos a esperar pelo regresso do Futebol Clube do Porto aos relvados?

Por certo toda a eternidade, se em causa estivesse somente o amor ao Clube, mas é a coisas mais práticas e objectivas a que me quero referir, nomeadamente ao tempo a que teríamos de esperar se, por motivo de uma longa e irrecuperável paragem, fosse forçado a declarar insolvência da SAD, perdesse todos ou quase todos os seus activos com valor (jogadores) e fosse assim forçado a recomeçar do zero, nos distritais ou coisa que o valha. Sim, meus caros, porque pode bem ser disto que estamos a falar quando opinamos apaixonada e ignorantemente sobre a retoma ou não do actual campeonato e final da Taça.


imagem: Bruno Sousa


É também bem possível que apenas por não se retomar a época em curso, regressando na próxima, tal cenário apocalíptico quedasse ainda longe de se concretizar. No entanto, sabendo-se o que hoje se sabe desta doença e da distância a que se diz ainda estarmos de uma vacina pronta, produzida e distribuída para ser administrada a toda a população, que lógica ou argumento se pode encontrar em não jogar agora que a temperatura vai naturalmente subir e fazê-lo quando voltar outra vez a descer e atravessar a próxima estação de gripe que, inevitavelmente, chegará na sua habitual cadência anual?

Não encontro, de facto, justificação racional para não se jogar o que falta, se o objectivo é manter vivo o futebol (leia-se, retomar na próxima época). E até recorro a um argumento do presidente do Sporting (sim, assumo o risco) para reforçar a ideia: se o futebol, com todas as condições que oferece aos seus "colaboradores", não pode regressar, que área da economia poderá? Bem sei que o futebol é um jogo de contacto, mas sendo os jogadores testados regularmente e antes dos jogos, o risco será infinitamente menor do que ir ao supermercado ou trabalhar numa pastelaria, por exemplo.

Será diferente? Pois claro que sim e inevitavelmente para pior, até que se resolva o Covid ou se encontre uma forma dos espectadores poderem entrar e sair dos estádios com dois metros de distância entre si... Será estranho, triste até, incluindo para os jogadores, mas antes isso que perderem o emprego e nós a equipa. Jogue-se pois.

Outros quinhentos são os motivos perversos e escondidos (com as penas da cauda de fora) que muitos de nós suspeitamos estarem na base da decisão da Federação, apoiada pelo Governo - e com toda a legitimidade, dado o conspurcado passado recente - de retomar as dez jornadas que faltam disputar. E que não estivesse o Porto em primeiro, já há muito se tinha dado por encerrada a temporada. E ainda os válidos receios de que, se e quando os sem-vergonha passarem para a frente (benzo-me repetida e freneticamente), o Covid "regresse" em força e se dê por terminada a competição por "falta de condições". Percebo e partilho parcialmente destas suspeitas e receios, mas não acho que sirva de justificação para não querermos jogar, desde que se garantam condições de igualdade para os dois candidatos ao título. Condições de que cabe à direcção da SAD obter garantias irrevogáveis por parte da Liga e Federação.

Refiro-me em concreto à questão dos jogos fora de casa. Parece já posta de parte a ideia peregrina de se disputar todos os jogos numa mesma região ou até estádio, de tão estapafúrdia que era, mas ainda subsiste a de reduzir os estádios aos que oferecem "mais condições de segurança" covídica, o que me continua a parecer uma palermice (ou vigarice, se preferirem). Com os estádios vazios, não encontro motivos válidos para cada clube não jogar em sua casa. Mas, se de facto assim for, então que haja simétrica igualdade entre Porto e Benfica naquilo que é possível.

O cozinhado que se diz estar a ser preparado fará com que, por exemplo, o Porto defronte o Braga na Pedreira, como deveria ser, mas que o Marítimo-Benfica não se dispute nos Barreiros, antes num Estorilgate qualquer de conveniência. Isto, evidentemente, é desvirtuar a competição ainda mais, por coincidência em prejuízo do Porto. Posso aceitar o argumento de se querer evitar as viagens de avião (embora os aviões e aeroportos hoje estejam tudo menos cheios de gente), trazendo o Marítimo e o Santa Clara para o continente para disputar o que falta, mas entenda-se que a fórmula final tem de minorar ao máximo estes desequilíbrios competitivos. Como? Adoptando um critério compreensível de escolha dos estádios a que os "despejados" vão chamar de casa (se puserem o Marítimo a jogar no Algarve, estamos conversados) e que seja sempre o mesmo estádio até final e garantindo transmissões de todos os jogos de Porto e Slb em sinal aberto, incluindo e sobretudo os da BTV.

Dito isto, venha à bola! Mesmo sem poder estar lá, onde mais gosto, venha ela. Espero que o @CoachConceicao e o plantel se inspirem na magnífica prestação de Rui Cerqueira e Miguel Marques Mendes na criação do "FC Porto em Casa" - entretenimento de altíssima qualidade - e percebam desde o primeiro segundo após o primeiro apito que só eles poderão fazer o seu destino e evitar o fado bolorento que se está a ensaiar na sarjeta... que não duvidem que vão mesmo ter de ser muito melhores nestes dez jogos para acabarem a Liga como os campeões que acredito que são e serão. Tudo e todos, excepto nós, estarão a torcer para que assim não seja, resta-nos mostrar-lhes, uma vez mais, de que somos feitos.


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Até aqui falei apenas da Primeira Liga, porque é onde está o meu amor, mas não consigo encontrar nenhuma justificação que não seja a económico-financeira para não se disputar igualmente o que falta da Segunda Liga. E não me venham com a treta dos quatro balneários, porque ninguém me convence que não foi apenas um argumento fabricado para validar a conclusão que queriam obter. Condições de segurança para atletas, treinadores e staff seria sempre possível de garantir, nem que jogassem em estádios fantasma (Aveiro, Leiria, Algarve) e/ou da primeira Liga. Houvesse vontade, havia maneira.

Resumindo, money talks (yet again):

 - De um lado, a necessidade dos 3 grandes (sim, porque é apenas por causa deles tudo isto) de jogarem para recuperar parte das suas receitas e retomar a valorização, mesmo se parcial, dos seus melhores jogadores, lembrar aos compradores não só que existem mas que estão de boa saúde e com as qualidades intactas; em face desta necessidade, todos os demais clubes da primeira são chamados a jogar, para que a competição seja real e para que o efeito em cadeia propague, dos grandes para os outros, as migalhas de que tanto necessitam para sobreviver.

 - Do outro lado, suponho que a constatação de que os orçamentos da segunda liga se "fazem" com os tostões que a Federação libertará para o efeito, assegurando também a continuidade da maioria. E então o mérito desportivo? Bem, fica para depois. Até se deu a coincidência do SC Farense ser um dos felizes contemplados com a subida, vejam lá, poucos anos volvidos após o escândalo Harramiz que, num país sério, teria determinado a relegação de ambos os envolvidos para os escalões amadores. Mas se aqui até se encontra alguma lógica na decisão - os dois primeiros e os dois últimos tinham vantagens razoáveis sobre os "perseguidores" (ainda que completamente anuláveis), o que se fez no escalão não-profissional é de bradar aos céus.


Detectam alguma coincidência na carreira de Harramiz?


Chocante e vergonhosa são os adjectivos que encontro para qualificar a forma como as subidas do Campeonato de Portugal à Segunda Liga foram decretadas, sem ponta de critério que se possa defender. Para quem não sabe, o Campeonato de Portugal é disputado numa fase regular em quatro séries (A, B, C e D), da qual se apuram os dois primeiros de cada série para um playoff final de subida. E o que foi decidido quando a competição foi interrompida ainda na fase regular? Subiram os dois líderes com maior vantagem pontual nas quatro séries. A sério, foi mesmo assim. Como se a vantagem pontual em 4 competições diferentes, onde os clubes jogam apenas contra os da sua série, pudesse justificar alguma coisa! Obviamente seria possível pegar nos 8 clubes melhor classificados e fazer já o playoff, muito mais justo e inclusivo do que "isto". Aberrante, vergonhoso e insultuoso para os prejudicados e para todo o futebol. Mais do que protestar, espero bem que os clubes se unam e reúnam fundos para interpor acções legais que bloqueiem esta pessegada toda. VERGONHOSO.

Não, meus caros, este país não é para gente séria e não seria agora que iria mudar. Mas ainda assim há algo que nos une a todos, a necessidade de sobreviver, individual e colectivamente, pelo que o barco que nos transporta não pode afundar e isto aplica-se tanto ao futebol como à nação valente e imoral. É remar para a frente ou servir de comida para os tubarões.


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



Outro tema, para fechar: regozijei-me, como qualquer pessoa civilizada, com a sentida reacção de RQ7 a propósito de mais uma descarga do esgoto a céu aberto que dá pelo nome de Ventura. Fê-lo porque é bem formado e provavelmente porque, apesar dos privilégios que conquistou para si, nunca terá deixado de sentir os olhares de soslaio e a desconfiança (no mínimo) apenas porque é cigano (e n vezes mais em relação a outros ciganos que são anónimos cidadãos). Muito bem, fez o que achou correcto e - digo eu - lhe competia.

Não se pode é confundir os pus libertados pela chaga de forma aparentemente humana com aquilo a que o deputado benfiquista se refere a propósito do desrespeito pela Lei. Porque esta, tal como o sol quando nasce, tem de ser para todos e todos a têm de respeitar sem excepções ou wildcards, independentemente do estatuto social, raça ou credo. Sendo ainda mais claro e referindo-me no caso à etnia cigana: por serem cidadãos de pleno direito, tem não só os mesmos direitos de todos os demais - incluindo o de verem respeitadas as suas tradições e costumes - como também as mesmas obrigações - incluindo o de os seus costumes e tradições não se poderem nunca sobrepor ou contrariar as leis do Estado de Direito. É tão simples (e tão complicado) como isto, mas tem de ser assim: nem exclusão, nem excepção.



segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

De Racismo e De Hipocrisia


Escrevo sabendo que trilho um caminho perigoso, porque estruturo o meu raciocínio da mesma forma que o pobre coitado do Rui Santos o fez (ontem, em directo no palco da Sic Notícias), começando por me declarar contra qualquer tipo de racismo ou discriminação de outro tipo. Espero manter a lucidez e não acabar como ele, provando-me racista e imbecil.



Portugal é um país predominantemente racista, todos o sabemos. Talvez as gerações mais recentes, dos teens, dos "vintes" e de alguns "trintas" o sejam menos, por força da tecno-multiculturalidade geracional que os absorve desde o berço. Talvez, mas não o tenho por garantido.

Facto é que nós, os dos "entas", estamos impregnados com um perfume de cariz discriminatório, muitas vezes direccionado para a raça mas não só, também por força da mentalidade "português suave" que evoluiu (livremente) desde o tempo colonial. Sempre (ou quase) tácito, implícito, assumido mas nunca reconhecido. E há boas razões para isso.

(Sei que não há boas razões para justificar qualquer espécie de racismo ou discriminação outra, mas acompanhem-me por mais um pouco, por bondade ou condescendência)

Eu sou, em certa medida, praticante de discriminação. Não por acreditar ou defender a superioridade de uma (qualquer) raça face a outra ou às demais, não por pretender evitar o (inevitável) cruzamento de raças (na defesa do "bacteriologicamente puro", como o pateta Santos dizia enquanto tropeçava na armadilha que o próprio subconsciente lhe montara) nem nenhuma das outras baboseiras que nos tentam impingir os Venturas desta vida, nada disso. Nunca, jamais.

Basta ter o mínimo de formação cívica e de humanidade para que qualquer pessoa se situe nos antípodas deste posicionamento, não é sequer nada de excepcional. Mas sou sim um pouco racista, no sentido em que me habituei a ver, ouvir e finalmente replicar, sem sequer me questionar ou reflectir sobre, comportamentos que objectivamente são discriminatórios. Há maldade, vontade de segregar ou inferiorizar alguém nesses comportamentos? Não, não da forma a que hoje se cola instantaneamente o rótulo de "porco racista". 

Exemplifico, sem meias-palavras. Situação vulgar, infelizmente, estar ao volante e um(a) condutor(a) fazer uma asneira cabeluda. Se o condutor for negro, a minha reacção instintiva é a de soltar algo como "és burro, ó preto do caralho??". Eu sei, assim escrito choca ainda mais, mas quem é do Porto ou do norte do país, entende bem a inocência dos palavrões. Esta frase, em si mesma, aparentemente denuncia o óbvio: quando perante a necessidade de insultar/agredir, recorro à palavra "preto" como se de um insulto se tratasse. Porque é fácil, imediato, instintivo. Mas é por ser racista, por acreditar que é pior ser preto do que ser branco ou amarelo? Claro que não, não da forma como pensarão que possa ser os menos avisados/mais desonestos. 

Da mesma maneira, conforme as características "salientes" de quem comete a tal asneira, facilmente mudaria para "és burro, ó gordo do car...??", "és cego, ó caixa d'óculos do car...??", "és burra, ó vaca do car...??" e assim sucessivamente (nem vos conto quando leva o galhardete do milhafre no retrovisor). Até quando se trata de um homem branco, elegante e de boa visão, é fácil e instintivo o insulto "és burro, ó corno do car...??". Sou um Lucky Luke do insulto, eu sei. Mas, no fundo, o que une todos estes "adjectivos" é a diferença que estabelecem perante eles e quem os profere: "tu não és como eu, toma lá que é para aprenderes, já que és um nabo a conduzir". Não é inocente, mas tão pouco é uma discriminação consciente e voluntária. É, na maioria das vezes, apenas um desabafo que alivia a tensão.

Imagino que muitos por esta altura dêem por garantido que sou um cretino altamente preconceituoso e discriminador perante os vários grupos... tipicamente discriminados ("não-brancos", mulheres, obesos, traídos, etc.), em súmula, um candidato natural ao Chega. Na verdade não sou nem nunca serei e seria incapaz de discriminar alguém, de forma consciente e reiterada, que não fosse por critérios objectivos e intencionais como os da boçalidade, da estupidez ou da desumanidade. Já a parte do cretino, deixo à consideração de quem me conhece. Quem quiser ver isto como preto ou branco, ou se é racista ou não se é, que me crucifique (também sou bom a desenferrujar pregos).

No fundo, há preconceito subjacente, obviamente, mas é "benigno", tanto quanto possa ser, pelo menos. Diz que é uma espécie de racismo, este racismo português de Portugal. Não quer matar, mas mói. E sim, deve desaparecer, mas não adianta decretá-lo, terá de ser conscientemente reflectido e afastado.

E isto tudo para chegar a Marega.

Um jogador que me comove, literalmente, pela alergia que têm à bola, como se ambos tivessem a mesma carga eléctrica e se repelissem constantemente. Desespera-me. Tal como muitos outros, diga-se. E ao contrário de uns quantos, que admiro. Como qualquer um que goste de futebol. Mas isso é irrelevante, porque não estamos a tratar de futebol. Eu não gosto do jogador e nem sequer conheço a pessoa. O facto de vestir a azulebranca dá-lhe crédito a meus olhos, logicamente, mas limitado e com juros altos. 

Como já perceberam, não sou fã de Marega. Nem eu, nem muitos milhares de adeptos do Vitória, suponho. E mesmo os que possam ser, num dia em que ele defronta a sua equipa, é normal que desejem que tudo lhe saia pelo pior e - podendo - não hesitem em criar as condições para que isso aconteça. Assobiar, chamar nomes, fazer gestos feios, insultar. Tudo isto é normal nos estádios portugueses - quem disser o contrário, é mentiroso. Normal porque recorrente, não porque correcto ou aceitável.

Mesmo os agora infames "uh uh uh uh uh uh" são "normais", saibam disso ou não. Menos frequentes hoje, é verdade, mas subsistem e vêm pelo menos desde que vou a estádios de norte a sul do país, uns trinta e muitos aninhos bem medidos, na estrada da bola. Quem disser o contrário, mente ou não conhece. Aconteceu e ainda acontece. Menos hoje, repito, muito também por conta das campanhas anti-racismo que o futebol tem promovido e da própria evolução da sociedade.

Ontem, Marega fez questão de nos dizer que não é normal, que não pode ser normal e que ele - em nome de muitos, seguramente - não está disponível para os continuar a ouvir. Eu, que não faço nem me lembro de ter feito os "uh uh uh", senti-me visado pelo seu statement, como se os fizesse também. Porque reconheço que, ainda que mentalmente, já os fiz ou tive vontade de, pelo menos. E porque é uma indignidade, se visto pela perspectiva dele - a única que conta, em minha opinião.

É chocante que em 2020, em Portugal, este tipo de atitude seja ainda "normal" ou normalizada. Reconheço a minha quota-parte de culpa, quanto mais não seja pelo estado de dormência em que me deixo navegar na espuma dos dias. Por isso, desculpa-me Marega, foi mau mas nunca foi por mal. Arrisco-me a dizer que alguns/muitos dos que ontem tiveram aquele comportamento indecente pensarão hoje da mesma forma. Não serei eu a desculpabiliza-los das consequências, com que devem arcar, mas ajudo-os a enquadrar a situação se tal fizer sentido.

Este episódio já serviu para nos pôr, enquanto indivíduos e enquanto sociedade, a reflectir um pouco sobre o tema. Pelo menos isso teve de positivo, se nada mais. No entanto, aproveitando o embalo, deveria também para nos fazer reflectir sobre a profunda e nojenta hipocrisia que comanda o desporto e em particular o circo mediático que rodeia o futebol em Portugal.

Os moralistas de ocasião, palhaços deste circo, que ontem puseram a sua cara (de pau) mais séria e institucional e fizeram juras de amor a Marega contra o racismo, deveriam ter vergonha do que são e do que representam. Toda essa corja de invertebrados que infecta diariamente televisões, rádios, jornais e redes sociais, sob a capa do especialista, do comentador, do jornalista e do dirigente, estendeu ontem uma das mãos enquanto recarregava a outra com mais pedras para atirar já de seguida, no fundo o seu verdadeiro desporto-rei.

Fazem-se de indignados perante o "caso" Marega, mas andam há anos, décadas, diariamente a espalhar a insídia e a calúnia, a mentir e a omitir, normalmente em nome de um amor cego e sem-vergonha

Perante o encarceramento imoral de um denunciante da mais variada panóplia de crimes que lesam e empobrecem nações e povos, fazer o quê? Apoiam e justificam a imoralidade, apenas porque no meio da lama estará a prova dos delitos do seu slb.

Perante os graves actos de violência perpetrados por delinquentes das claques benfiquistas, semana após semana, em que pessoas são agredidas (crianças e idosos incluídos), bens são destruídos, forças da autoridade são desrespeitadas, ameaçadas e agredidas, fazem o quê? Silenciam, omitem, ocultam, desviam as atenções.

Perante a maior farsa de sempre do futebol mundial, em que o slb corrompe tudo e todos para no fim roubar os títulos, fazem o quê? Glorificam, festejam e ainda gozam com os espoliados, mesmo perante uma infinidade de provas e testemunhos dessa corrupção.

Perante o caso semelhante com Hulk na Luz fizeram o quê? Esgotaram as pastilhas Rennie das farmácias e esconderam-se nas suas tocas, seguindo a preceito o manual do bom verme.

Sabem a diferença entre o que aconteceu ontem em Guimarães e antes noutros palcos portugueses? É que ontem, por força da atitude de Marega e da era da informação instantânea, o caso chegou rapidamente aos quatro cantos do mundo. E se há coisa que o aldrabão pacóvio português não admite é ficar mal-visto fora de portas. Cá dentro, espinha partida, desde que o slb ganhe. Mas se os estrangeiros estiverem a ver, ai que temos de parecer dignos e íntegros.

Nojo, nojo absoluto por esta gentalha, que nada mais tem feito do que destruir a paixão natural com que se vive o futebol em Portugal, sempre com a alto patrocínio de presidentes da repúblicas, primeiros-ministros e secretários de estados dos mirtilos e a conivência transversal a toda a sociedade, desde juízes a magistrados e procuradores-gerais da república, de directores de estações de media a accionistas de referência, de bancários a banqueiros. Tudo em nome de uma doença que putrifica tudo aquilo em que toca, este slb do ladrão de camiões e seus acólitos. Até mesmo o Benfica merecia melhor.

Se o racismo não pode ser tolerado nem relativizado, a hipocrisia também o não deveria ser.

Força Marega!



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




quarta-feira, 13 de novembro de 2019

#ForSama


Sama é uma criança, igual a tantas outras, mas com uma história de início de vida absolutamente aterradora, que facilmente poderia ter terminado ali, no meio de um dos infernos que um punhado de vermes decidiu criar à face da Terra. Como terminou a de demasiadas outras que não tiveram a sua sorte.




Sama, o pequeno anjo que se vê na imagem, é uma criança como eu fui, como as minhas e as vossas - já criadas, nascidas ou ainda por nascer - foram, são ou serão, mas veio ao mundo por entre bombardeamentos, dor, sofrimento, terror e morte. Nasceu em Aleppo, cidade-mártir síria, onde civis inocentes são vítimas do seu próprio regime, dos jogos de poder e da indiferença de todos os demais, que podiam e deviam interceder em seu nome.

Aconteceu em Aleppo e em muitos outros lugares, em muitos outros tempos, e continua a acontecer seguramente neste momento em que escrevo e no momento em que cada um ler este texto. Acontece. Continuam a sofrer e a morrer milhares de crianças, homens e mulheres inocentes, vítimas da loucura de alguns e do desinteresse de muitos mais. 

É a história do mundo, pensarão alguns. De facto, é também disto que é feita a nossa improvável História. Todavia, temos de acreditar que a passagem do Tempo nos faz evoluir e melhorar enquanto espécie e, como tal, não podemos simplesmente ignorar e aceitar que terá de ser sempre assim.

Não tenho, não temos o poder para acabar com isto de imediato - muito provavelmente, nem a disposição de sair das nossas bolhas de felicidade e tentar - mas temos todos a obrigação de ver e de sentir, de princípio a fim, este testemunho que a mãe de Sama filmou durante mais de cinco anos e especialmente durante o cerco de 2016, para que um dia a sua filha pudesse saber de onde veio e porquê.

Não há moral nesta estória, há apenas a vida que fazemos, à rebelia das de encantar. O Homem, capaz do melhor e do pior - e de ambos em cada momento. Não há um final feliz, há sobrevivência e coragem. Já assistir ao documentário não é coragem, não se enganem, é apenas necessidade e agradecimento, pago em uma hora e pico de inquietação e angústia, intercalados com alguns sorrisos de esperança. Uma gota insignificante comparado com o que esta gente experimentou.

Ver #ForSama não vai devolver às mães vazias os filhos que lhes foram roubados, pode até não salvar ninguém, mas é uma obrigação que todos nós temos. Ver, indignar, sentir náuseas, chorar, chorar muito ou simplesmente ver. Obrigar o subconsciente a tornar-se consciente - e sentir aquilo que diariamente sabemos que acontece mas que, por mecanismos de auto-defesa, nos forçamos a ignorar.

Como de forma muito bela se pode ler no site oficial, For Sama é uma carta de amor de uma jovem mãe à sua filha recém-nascida. Vejam, pela vossa humanidade. Vejam #ForSama e passem a palavra, por amor aos nossos filhos.


Lápis