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segunda-feira, 12 de março de 2018

Tiro No Porta-Aviões


Hoje está a ser difícil começar esta crónica. Conflito de interesses que me dividem ao ponto de hesitar sobre como abordar esta derrota inesperada e difícil de digerir em Paços de Ferreira, encurtando drasticamente a margem de avanço sobre o segundo classificado e deixando-o também a depender de si próprio para chegar ao título. Pode parecer pouco, mas não é.




E então, como é que foi possível perder este jogo?

 - Má entrada no jogo (em ambas as partes, por sinal), sem a convicção necessária para mostrar ao adversário que só poderia haver um vencedor e que esse vencedor seria o Porto;

 - Tremendo desperdício de ocasiões flagrantes (creio que contei sete, onde se inclui um penálti);

 - A falta de profissionalismo e de vergonha na cara de treinador e jogadores do Paços, que nunca se preocuparam muito em jogar futebol e apenas se concentraram em que nós não tivéssemos a possibilidade de o fazer;

 - Más opções de Sérgio Conceição para aquele campo e aquela meteorologia, mesmo se muito condicionado pela terrível onda de lesões que nos assola desde o início de 2018.

Apesar da ordem de listagem, o motivo que me parece mais decisivo foi mesmo o segundo: a tremenda falta de eficácia na altura de finalizar.

Porque mesmo a jogar pouco e durante pouco tempo, sob o signo das opções discutíveis do treinador, conseguimos criar essas sete ocasiões flagrantes. A serem todas concretizadas, teríamos vencido por 1-7 e ninguém se lembraria sequer de mencionas as demais (o anti-jogo do adversário nem chegaria a acontecer). Tivesse Brahimi feito o mais "fácil" e sido concretizada uma outra oportunidade a seguir, a vitória seria igualmente nossa e - mesmo apontando dedos pela tangência da vitória - nenhum dano resultaria deste jogo.

A questão é, como sempre é, que o futebol não é matemática e ninguém consegue prever ou garantir que um jogador vai concretizar ou falhar. Batoteiros e vendidos à parte, é uma questão do momento. Faz parte do jogo e é um dos motivos porque apaixona tanta gente.

O que está errado não é a derrota de ontem na Mata Real. Foi uma pena e seria evitável, mas acontece. O que está realmente errado é que forças estranhas não permitam que estas derrotas aconteçam aos outros candidatos, em particular aos sem-vergonha. Sempre que em dificuldades, algo ou alguém chega para lhes salvar o dia. É a chamada vigarice imensa da Segunda Circular, seja qual for o lado, é sempre a facilitar.

Sobre o jogo propriamente dito, foi daqueles em que senti, desde o início, que tinha tudo para não correr bem. 

Primeiro e à cabeça, pela dupla-maravilha cirurgicamente designada para apitar, num inacreditável acto de provocação e gozo. Ter os conquistadores de campeonatos vermelhos Paixão e Xistra a decidir um jogo nosso em simultâneo é o suficiente para a equipa entrar desconfiada e até nervosa. 

Depois, a nossa atitude logo desde o primeiro apito. Expectante, macia, pouco afoita e nada impositiva. Mais uma vez, a "dizer" ao adversário que admitíamos qualquer resultado, que tudo estava em aberto. Que saudades de João Pinto, Jorge Costa e... Pinto da Costa. Quando estavam ainda no activo, isto nunca, mas nunca aconteceria, desse por onde desse.

Sérgio Conceição tem esse espírito, ninguém duvida, mas já não joga e como treinador é ainda um work in progress, com preocupações e responsabilidades maiores do que essa. A primeira delas, a de treinar e desenhar a melhor estratégia para cada jogo. 

Num campo ensopado e pesado como o de ontem, fez-me confusão que fizesse alinhar tantas "bailarinas" de início, desprezando a importância da fibra e do poderio físico de jogadores como Maxi e Gonçalo Paciência. Não me interpretem mal, aprecio muito o bailado que em condições normais conseguimos apresentar, mas ontem claramente nunca haveria condições para o fazer.

Os da casa sentiram as nossas fraquezas e hesitações e procuraram a sua felicidade, que acabaram por ter (após alguns avisos prévios), ainda o jogo ia no minuto 35. Desatenção colectiva e pouca convicção nas marcações após um canto mal "aliviado" permitiram um cruzamento para uma finalização fácil. Fácil para alguns, como se veio a demonstrar a seguir... Ainda antes do intervalo, Abou não conseguiu o mais fácil e mandou-nos para as cabines em desvantagem.

No regresso, uma entrada incompreensível que permitiu que fosse o Paços a ter os primeiros ataques e lances de algum perigo. Demoramos a pegar na batuta do jogo, mas lá conseguimos chegar ao momento decisivo do jogo: ao minuto 66, penálti por falta sobre Felipe. Constou após o jogo que o marcador designado Sérgio Oliveira acedeu ao pedido de Brahimi para bater. Em péssima hora o fez, porque o argelino decidiu simplesmente passar a bola ao sem-vergonha que estava na baliza pacense.

A equipa nunca mais se recompôs do choque e passou a jogar quase só com o coração. Ainda assim, foram várias as oportunidades desperdiçadas por Hernáni, Gonçalo, Abou e Felipe mesmo a fechar. Oportunidades estas conseguidas no pouquíssimo jogo jogado que houve a partir do penálti falhado, fruto do vergonhoso e descarado anti-jogo dos da casa, sempre devidamente acarinhado por Bruno Paixão

Resultado injusto numa jornada inglória, muito marcada por uma culpa própria bem acima das alheias. Um tiro no porta-aviões Azul e Branco. Mas foi só um tiro. Podemos ter metido água, mas continuamos operacionais. Que se sigam rápidas reparações em doca seca e o regresso às inevitáveis batalhas ao ritmo deste Mar Azul.


Já a treinar para a próxima profissão: caçador de toupeiras



Notas DPcA 



Dia de jogo: 11/03/2018, 20h15, Estádio da Mata Real, FC Paços Ferreira - FC Porto (1-0)


Iker (6): Sem hipótese no golo, esteve bem nas demais intervenções.

Ricardo (5): Terreno complicado para o seu futebol, tentou fazer-lhe frente mas acabou por não ser muito feliz. 

Dalot (5): Jogo regular, sem nada que o distinga da vulgaridade. Excepto que é um menino ainda e está a jogar no lado contrário ao seu...

Felipe (6): Talvez o melhor dos nossos, foi pena não ter marcado (outra vez).

Marcano (5): Fez-lhe mal o descanso em Anfield, porque regressou "a frio". Foi cumprindo mas teve algumas abordagens pouco ortodoxas, como a do lance de onde resultou o único golo do jogo.

< 63' André André (1): A-B-S-O-L-U-T-A-N-U-L-I-D-A-D-E. Uma vez mais. "Tem treinador que é cego"...

Sérgio Oliveira (5): Muito trabalho para um homem só? Talvez e disso não pode ser culpado, mas ainda assim soube a pouco no que só a ele lhe dizia respeito, em particular nos lances de bola parada-

< 76' Corona (5): Sem campo para o seu jogo, insistiu em fazer como se nada fosse (talvez por não saber fazer diferente) e naturalmente pouco lhe saiu bem. 



Brahimi (4): Foi o homem do jogo pela negativa, ao não conseguir marcar o penálti no momento decisivo. Fora isso, também não foi grande espingarda, não deixando no entanto de tentar e tentar, com e sem bola.

Aboubakar (3): Um dos grandes responsáveis pelo nulo no nosso lado do marcador. Não se pode falhar "tantas" e todas as ocasiões flagrantes como ontem teve. Ele não pode.

< 54' Waris (4): Juro que continuo sem saber o que vale ou o que faz. Juro.

> 54' Otávio (6): A sua entrada coincidiu com o momento em que a equipa "pegou" finalmente no jogo, o que em boa parte se deveu à sua contribuição individual. Não chegou para marcar a diferença em definitivo, mas ajudou a "ligar os motores" que permitiu que se voltasse a criar oportunidades para marcar.

> 63' Gonçalo (6): Também entrou bem, acrescentando muito no sentido em que substituiu um fantasma. Com Otávio a recuar, assumiu posição ao lado de Abou e onde mais fosse solicitado, tendo também ele uma oportunidade (menos flagrante) para marcar.

> 76' Hernáni (3): Esteve em campo o tempo suficiente para demonstrar cabalmente que não cabe neste plantel nem em nenhum outro do Porto. Não dá, lamento. 

Sérgio Conceição (4): Perdemos um jogo que jamais esperaríamos perder, fruto da falta de eficácia mas também (possivelmente) das opções iniciais menos acertadas, que acabaram por resultar num jogo pouco intenso e mal conseguido, muito relacionado com todo o tempo que André André se arrastou em campo. Apesar do desperdício, ontem também nos faltou "mais treinador" para conseguir navegar aquele dilúvio de água e anti-jogo. 




Outros Intervenientes:



Compreendo que uma equipa a lutar pela permanência recorra a todos os meios de que dispõe para sobreviver, mas o Paços dum tal de João Henriques fez muito mais (menos!) do que isso: impediu  deliberada e reiteradamente que houvesse jogo, através dos habituais expedientes que definem a falta de carácter e de fair-play de quem os pratica, incentiva ou encomenda. Os expoentes máximos dessa estratégia foram os bandalhos Assis e M. Felgueiras, o novo Matrafona. Que ambos tenham a mesma sorte do original.


Com a passagem dos anos, até um traste vendido como Bruno Paixão se vai refinando. E não é só porque cada vez tem menos pernas e pulmão para se mexer no campo, é mesmo tarimba adquirida. Agora já não precisa daqueles lances de máxima polémica para brilhar encarnado. Já percebeu que é também nos lances aparentemente inócuos, todos somados, que se vai inclinando o campo e empurrando uma das equipas para o descontrolo mental. Assim, até já se pode dar ao luxo de marcar penáltis a nosso favor. Está um senhor, o Bruno. 


"Eu sei, eu sei, a mim também me custa marcar, mas o Xistra diz que é descarado... tenham fé..."


Sim, somos nós quem continua na frente e sim, é melhor estar dois pontos à frente do que dois atrás. Óbvio. O que não se consegue já medir é o impacto que este resultado terá sobre ambas as equipas, nomeadamente quando se depararem com novas situações de dificuldade nos jogos que se seguem e, em particular, nos que antecedem o Clássico da Luz:

O Porto recebe o Boavista, vai a Belém e recebe o Aves;

Os sem-vergonha vão à Feira, recebem o Guimarães e vão a Setúbal.

Em teoria, o Porto tem o seu jogo mais complicado na deslocação ao Benfica R (de Restelo), pela normal dificuldade que sentimos nesse jogo e por tudo o que os da filial vão querer oferecer à casa-meretriz. 

eles, certamente conquistarão os nove pontos em disputa, por muitas ou poucas dificuldades que venham a encontrar pelo caminho. Há sempre uma mão suja que carrega o andor.

Evidentemente que o campeonato não se encerra no jogo da Luz, seja qual for o resultado, mas uma vitória nossa será passo fundamental para que o campeonato português possa, cinco anos volvidos, voltar a ter um campeão verdadeiro e justo.

Para que isso possa acontecer, é imprescindível chegar à Luz em primeiro lugar. E para isso acontecer, só nos sobra um caminho: vencer os três próximos jogos. Acabou-se a folga, agora é só para homens.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




domingo, 31 de dezembro de 2017

EXTRA! EXTRA! Passámos à Final Four da Taça da Liga...


Tem mesmo de ser assim, um grande cabeçalho a bold gritado a plenos pulmões pelo ardina de outrora: afinal, é de uma extrema raridade chegarmos a um estágio tão avançado nesta competição...


Homenagem póstuma a Edu Machado


Sim, é a Taça da Liga, aquela competição que nunca vencemos e que (talvez por isso) muitos de nós desdenham de dentes cerrados. Já eu, nunca me revi nessa posição. Defendo sempre que TODAS as competições onde entramos são para levar a sério e, sendo nacionais, são para ganhar o respectivo troféu.

O empate caseiro frente ao Leixões, logo na jornada inaugural, deixou antever mais uma participação medíocre na prova, ao nível das mais recentes dos lorpas e dos nestums. Felizmente, este ano temos um treinador a sério, daqueles que, errando ou acertando nas decisões, tem sempre como firme propósito vencer tudo e todos. Daí termos derrotado o Rio Ave no segundo jogo, deixando tudo em aberto (mas bem encaminhado) para o jogo de ontem. Faltava saber como seria a nossa postura neste jogo final

A resposta foi a melhor possível, a começar com um onze de primeira escolha (pesem algumas mudanças naturais e até desejáveis) e tendo sequência com uma atitude competitiva e profissional desde o primeiro apito.

Os nossos dois primeiros golos surgiram assim com extrema naturalidade, perante um Paços de Ferreira incapaz de responder às múltiplas e diferenciadas investidas dos de azulebranco. O primeiro de cabeça, com Reyes a aproveitar bem mais um canto de Telles. O segundo, uma jogada magistral de Brahimi, que pegou na bola antes do meio-campo e só parou depois de fuzilar o redes dos castores.

Foi preciso que se instalasse uma desnecessária descontração após o 0-2 para que o adversário começasse a fazer o seu jogo (bem feito a espaços, sim senhor) e nos penalizasse com uma grande eficácia, que se traduziu num empate a dois ao intervalo. Duas boas jogadas colectivas dos pacenses, em particular a do segundo golo, mas sempre muito consentidas e fruto de um certo alheamento do jogo dos nossos meninos.

Assumindo em pleno a sua missão de treinador, Sérgio mudou muito e bem logo no descanso, fazendo entrar Abou e Corona para o lugar de Soares e Maxi. Como recompensa, o golo da vitória foi fabricado precisamente pelos dois reforços de intervalo. Ficamos a dever-nos mais um par (ou dois) de golos, que dariam a merecida tranquilidade até ao apito final. 

A manchar a noite, apenas a expulsão de Herrera, num gesto irreflectido e inédito da sua parte. Parecendo que não, já são duas expulsões em dois jogos consecutivos. Pode ser apenas coincidência... ou não. Talvez até ajude a perceber um pouco da postura do treinador na conferência de imprensa pós-jogo, quando questionado sobre o destapar da careca do polvo orelhudo.
Ainda assim, missão bem cumprida e o ano fechado em beleza. Clap! Clap!




Notas DPcA 


Dia de jogo: 30/12/2017, 20h15, Estádio da Mata Real, FC Paços Ferreira - FC Porto (2-3)


Nota (7): Telles, Marega

Nota (6): Iker, Marcano, Ricardo, Maxi(<46'), André André, Corona(>46'), Aboubakar(>46'), Layún(> 77')

Nota (5): Soares(<46')

Reyes (5): Marcou o primeiro golo do jogo, mas não é por isso que isolo aqui o mexicano, antes para explicar que não gostei (nada) da forma como se bateu ontem, em particular nos despiques individuais - em particular, no lance do primeiro golo sofrido - revelando-se demasiado ingénuo (ou simplesmente desconcentrado). E se isto acontece com os avançados do Paços, o que será de nós contra os do Liverpool... Há que melhorar, señor Diego, a concentração tem de ser uma constante durante todo o jogo - em todos os jogos.


88' Herrera (4): Estava a fazer um bom jogo e, vindo do "nada" e contra tudo o que conhecemos da sua forma de ser, perdeu a cabeça num momento irreflectido. Acabou por não ser grave - neste jogo, porque vencemos na mesma. Veremos o que significará na Feira...

<77' MeC Brahimi (8): Não precisou de fazer um jogo extraordinário ou muito completo para ser - de longe - o melhor em campo. Bastou-lhe ser Brahimi, arrastando adversário e criando oportunidades para os companheiros, e fazer um golo soberbo, daqueles com que muitos sonham mas só alguns sabem como fazer. Merci, Yacine.

Sérgio Conceição (7): Bem na mensagem que passou com aquela escolha do onze e ainda melhor ao reforçá-la com a dupla troca ao intervalo. Um treinador a sério.






Outros Intervenientes:



Tenho estado atento ao jovem Mabil, um homem com uma extraordinária história de vida, mas ontem, quem me chamou a atenção, foi um tal de Diego Medeiros: bons pés, confiança no seu jogo e sempre de cabeça levantada. E, inevitavelmente, aquele grupelho de arruaceiros que se sentou no banco do Paços, liderado pelo pequeno Armando, que sofrem de alergia ao azulebranco. Que se forniquem...

Bruno Esteves é um dos árbitros mais fracos em actividade, talvez até o primus interfracus, pelo que nada mais espero que não seja não influenciar decisivamente o desfecho do jogo. E isso não fez, honra lhe seja feita. Pelo caminho, demasiados erros e parvoíces.
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O caminho para a glória não será simples, tendo como próximo adversário o Sporting, mas a confiança só pode estar em alta. Iremos pois, para a Final Four de Braga com a legítima esperança de sair de lá com o caneco. Pela primeira vez.

Mas antes que chegue esse momento, temos um mês inteiro de jogos muito importantes para campeonato e taça. O primeiro deles, para o ano que vem (tinha que meter isto em qualquer lado), é na Feira e obrigatoriamente para ganhar. Entretanto, boas entradas em 2018 e que este seja (mais) um ano do Dragão. Do nosso Dragão.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




domingo, 8 de janeiro de 2017

Revolta Congelada com NEStum


Tudo indicava que ontem iríamos ter caldeirada de polvo, tal era a conjugação de factores prevista: os sem-mérito com uma deslocação que sugeria ser difícil, nós em polvorosa e no auge da nossa revolta, carregadinhos até cima de "até os comemos, carago".


Deixa que eu falho!

Ao final da noite futebolística não havia caldeirada para ninguém. Nem sequer uma entradinha à galega. Nada. Restou-nos engolir em seco, enquanto o polvo sorridente nos esticava o tentáculo do meio - que com o briol que se fazia sentir, rapidamente se transformou em picolé de polvo. Mas não vi ninguém com vontade de o provar, fomos todos embora para casa a chupar no dedo (sim, sim, também ele enregelado).

A entrada em jogo foi positiva, dentro dos parâmetros habituais desta equipa: sem grandes ideias de jogo colectivo, mas ainda assim a pressionar e a criar perigo através das pequenas e fugazes parcerias entre dois ou três jogadores.

Se fizermos um pódio olímpico com os nossos três maiores problemas, poderemos dizer que ontem a "prata" e o "bronze" se fizeram sentir em todo o seu esplendor: incapacidade assustadora para finalizar uma jogada em golo - que, para nosso azar, é o objectivo final deste belo desporto; incapacidade confrangedora do treinador para mexer na equipa quando o jogo não corre de feição. Vá lá que folgou o "ouro", os infames prejuízos arbitrais.

Era até capaz de dar de barato o ter enfrentado este círculo polar pacense se, ao menos, tivesse de lá saído a pensar que tínhamos feito tudo o que estava ao nosso alcance. Ou metade, vá. Mas não, fomos indesculpavelmente maus na segunda parte, do género de "indesculpável" que implica abdicar da ambição de recuperar o atraso para o cefalópode de Carnide. Demasiado mau. Ora forniquem-se que a mim já me aviaram ontem. Ganhou a malta de geologia, com a descoberta de um novo fundo.


Uma mensagem, vários destinatários possíveis...



Notas DPcA 

Dia de jogo: 03/01/2017, 21h15, Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas, Moreirense FC - FC Porto (0-4)


Casillas (6): Jogo tranquilo, sem nada a registar.

Maxi (5): Primeira metade com algum atrevimento ofensivo mas com pouco eficácia nas suas acções. Na segunda foi ficando para trás e pouco acrescentou.

Telles (5): Também pouco esclarecido no último terço do terreno, em especial no último passe. Imprudente no lance em que o adversário reclamou grande penalidade.

Marcano (6): Cumpriu o reduzido trabalho defensivo e não registei nenhuma contribuição atacante.

Felipe (6): Este sim ainda tentou ajudar na frente mas sem resultados práticos. A defender esteve tranquilo.

Rúben (4): Entrou errante e depois ficou hesitante. Recompôs-se após o alerta amarelo, mas falhou no objectivo de marcar pontos rumo a uma utilização mais regular.

Herrera (5): Ler e ouvir em diversos fóruns que foi "o" ou dos melhores da equipa correspondeu ao meu ponto alto da noite; vê-lo jogar correspondeu ao mais baixo - mas não, não esteve pior do que (quase) ninguém, foi apenas igual a si próprio.

< 78' Óliver (4): Provavelmente, o seu pior jogo pelo Porto. Ausência quase total de discernimento que se traduziu numa quase total ineficácia das suas acções, a que se somaram várias perdas de bola e a incapacidade para fuzilar o redes pacense. Entra o "anónimo"...

< 88' Corona (5): Sem deslumbrar, foi uma vez mais dos que mais produziu. Contra si esteve a falta de acerto no último passe e a confrangedora incapacidade para aproveitar um canto que fosse. E lá saiu, não fosse um dos seus esforços acabar por nos dar um golo quando mais precisávamos.

< 67' Diogo Jota (5): Um dos "culpados" principais pelo nulo no nosso lado do marcador ao intervalo, tendo falhado na cara do redes quando só se admitia pôr a bola no fundo da baliza. Falhou também demasiados passes de simples execução. Curiosamente, quando parecia estar a preparar-se para fazer um upgrade à sua exibição, Nuno tirou-o do jogo. 

André Silva (5): A falta que um goleador experiente faz, a ele e a nós. Foi dos mais esclarecidos nas combinações ofensivas, mas deitou tudo a perder ao não conseguir concretizar várias oportunidades, duas das quais difíceis de "perdoar". I told you so nº19.


"Viram a toupeira?? Era desta altura!!"

> 67' Rui Pedro (4): O nosso júnior foi a primeira aposta do nosso douto treinador, provavelmente confiante naquela frase feita de que o Natal é sempre que um homem quer. Não é, é uma vez por ano, e o nosso foi no dia em que derrotamos o Braga nos descontos. E, portanto, Rui Pedro exibiu-se à altura do que seria expectável... para o júnior que ainda é.

> 78' J.C. Teixeira (5): Entrou com vontade de dar nexo ao nosso jogo, mas rapidamente se deixou levar pela onda reinante. E... Mais nada, porque entretanto chegou o apito final.

> 88' Varela (-): Entrou mesmo a tempo de já não ter tempo para fazer nada de relevante. Bravo Nuno!

> 00' Depoitre: Aqueceu bastante bem, combinando bem a perna esquerda com a direita, ao ponto de nunca ter tropeçado. Saltitou como um profissional da cabra-cega. E regressou ao banco a pensar que deveria ter seguido Belas-artes, como a mãe tanto queria.

NES (3): Três pontos pela primeira parte, que deveria ter sido suficiente para ganhar vantagem folgada no marcador e assim garantir a vitória. Tudo o resto foi de mau a paupérrimo. Aquele regresso dos balneários é horripilante, nunca poderia ter acontecido. Pior só mesmo as três substituições, reveladoras de quatro pecados capitais para um treinador do Porto: falta de ambição, falta de audácia, falta de coragem e má (péssima) leitura do jogo. NEStum it is, aparentemente já sem apelo possível.


Nuno tem uma quota-parte relevante de responsabilidade mesmo na definição do plantel. Estando já demonstrada a sua insuficiência em termos de opções e de qualidade em algumas posições, não há como ilibar o treinador de parte dessa culpa.

Não se pode queixar de que os seus avançados são inexperientes quando tinha Aboubakar e Suk à disposição. Não pode justificar-se com a falta de extremos quando demorou uma vida a recuperar Brahimi (e mesmo assim a contra-gosto) e dispensou Hernâni. Queria o Luiz Adriano e o Depay? Deveria ter seguido pela mão do padrinho rumo a outras paragens, porque já sabia que cá não os ia ter.

Só há uma coisa de que Nuno não tem culpa: a de ter sido contratado para treinar o Porto. Essa pertence a outro. E esse outro - o presidente Pinto da Costa - voltou a falhar nessa fundamental decisão, ao que tudo indica pela quarta vez consecutiva.


"Vocês viram bem a quantidade de otários que vieram até cá congelar as nalgas??"



Outros Intervenientes:


Nada de relevante a registar da parte do modesto Paços, excepto talvez "agradecer" por não terem exagerado no anti-jogo. Parece pouco, mas não é. De resto, terá sido a equipa pacense mais frágil que já nos recebeu em sua casa, salva essencialmente por Defendi e pela nossa aselhice.

Quanto à equipa de arbitragem liderada por Artur Soares Dias, notou-se bem que estavam sob grande pressão. Vi-a deixar passar lances que em condições normais não deixaria, a grande maioria em nosso favor. Nada de relevante, apenas ilustrativo do efeito visita-surpresa. Os dois lances de possível penalti (um em cada área) poderiam ter sido assinalados sem escândalo, mas em minha opinião ambos são exemplos de "bola na mão" (um à queima-roupa e o outro em movimento natural de salto e de costas para a bola) e, portanto, bem decididos. Em todo o caso, reconheço que o lance do Telles "é mais penalti" do que o outro a nosso favor.


Não me sobra nada para acrescentar por agora, pelo que me limito a deixar a pergunta: daqui a quantos dias será presidencialmente decretado o início da pré-época 2017/18?



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor