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segunda-feira, 3 de julho de 2017

Shame on You - Shame on Us


Tenho andado a conter-me. A prudência que alguns cabelos brancos me doaram assim o aconselha. Esperar antes de falar. Procurar conhecer os factos antes de emitir uma opinião sobre eles. 

O problema é que nestas coisas do futebol raramente se chega alguma vez a conhecer os factos - em especial o português, ainda mais se envolver Jorge Mendes, muito muito mais se envolver o Benfica e ad nauseam se envolver ambos. A opacidade extrema que envolve a gestão das SAD e em particular as transferências, quase obriga a que quem queira comentar, o faça meio às escuras.


" - Tive um pesadelo, Sá. Que para o ano ia com este urso para a segunda liga inglesa..."
 

Começando pelo que mais me interessa e indo directo ao assunto: a transferência de Rúben Neves é uma absoluta VERGONHA para todos os Portistas - e se não é, deveria ser.

Já a da AS me custou a aceitar, mas enfim, o montante é razoável (bom para um jovem talento, baixo para um nº9 que não se limita a ser só isso) e a urgência inadiável de fazer dinheiro a que os nossos estimados administradores nos conduziram a isso (n)os obrigou. É uma pena, porque acredito piamente que o poderíamos vender bem melhor mais adiante. Aliás, se acreditasse na bonomia do Presidente, diria agora que numa única época (por sinal, a melhor da sua curta carreira) o pobre do André desvalorizou 33%, uns míseros €20 milhões. É o mercado, estúpido. 

Fez-se, está feito. Custa mas aceito, até porque queria acreditar que essa venda impediria outras do género. Só que não.

Esta patética venda de Rúben Neves tresanda por todos os lados.

Pela incapacidade/incompetência (riscar o que não interessa) revelada, uma vez mais, pelos nossos estimados administradores quando chega a hora de vender. A comprar, são os maiores da sua rua. A vender, não tendo as costas cobertas por um ou vários "super-agentes", são pequeninos, fraquinhos, mediocrezinhos. Com tanto lastro para despachar, com vários jogadores "cheios de mercado" e pelos quais já se recusaram "ofertas fabulosas", acabaram a exilar mais um jovem Portista cheio de futuro. Um jogador que sente o emblema, que entende o clube como poucos no plantel principal. Um potencial futuro capitão.

Fala-se em "€18 milhões para os cofres da SAD portista". Um valor insultuoso, se me perguntarem. No entanto, sou capaz de apostar que nos corredores da SAD andará quem se vanglorie por ter conseguido "mais três milhões do que o SLB por Bernardo Silva" (e uns dez mais).

Para agravar o insulto, considere-se o destino final: o colossal, promissor e cheio de objectivos Wolverhampton. O dinheiro é todo igual? Talvez seja (para mim não é!), mas é difícil entender que não houvesse outro clube disposto a pagar esta mesma ninharia. Sabem o que é isto? É o alfaiate do Panamá Mendes a dar uso aos seus golden fingers nos estimados administradores da SAD - up theirs! Que desfrutem, pelo menos. De mim, só sobra a vergonha alheia. Shame on them.

Por último, o jogador. Qual será o seu estado de espírito neste momento? Nada santo, aposto. Viu a época praticamente toda do banco, ficou aquém do que seria necessário em termos da sua evolução. Qual foi a solução que o seu altruísta empresário lhe arranjou? Ir para a segunda divisão inglesa, ser orientado pelo mesmo mamífero que o preteriu no ano anterior! Um conto de fadas? Por alguma coisa nunca nas histórias de encantar se falou num mago-padrinho. Lamento sinceramente por ti, caro Rúben. Que tenhas sorte, bem vais precisar.

Para acentuar o gozo, parece que se segue Boly. Uma contratação que nunca chegou a demonstrar o que pode valer porque... o antigo treinador nunca contou muito com ele. Dá-se que o futuro treinador é o mesmo. E eu que pensava que também NES já tinha batido no meu fundo, mas afinal ainda se conseguiu enterrar mais - parece-me um mero servo do amo Mendes, disponível para o agradar em tudo desde que o prato de lentilhas continue a aparecer na sua mesa. Shame on him e shame on us & them (grande, grande música!), que desperdiçamos mais um ano com este indivíduo.

O aperto financeiro não é nem pode servir de desculpa. É algo que já é sabido desde pelo menos o início da época passada - repito, pelo menos desde o início da época passada, sabendo nós que o prazo é bem mais dilatado. Houve muito tempo para fazer as coisas bem. Ou melhor, pelo menos. Uma vergonha, mais uma.


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Elsewhere, terminou a Taça das Confederações.

Fui vendo os jogos da Seleção, ainda que sempre em partilha com outra tarefa qualquer. O jogo de que menos vi foi este último, pelo desinteresse que a disputa do terceiro lugar contra o mesmo México me suscitou, mas também porque apenas 30 segundos após começar a assistir à transmissão da RTP (o "P" é de Portugalistão, obviamente) fui obrigado a ouvir esta pérola de um mamífero comentador: "ahhh Quaresma decidiu mal". Num lance em que tentou a trivela para fazer um golo impossível, à Quaresma. Num lance em tudo semelhante a muitos outros que fizeram dele um dos melhores e mais imprevisíveis jogadores do seu tempo. Num lance que, se tivesse acertado no alvo, o mesmíssimo mamífero seria forçado a disfarçar um ligeiro orgasmo (dada a ligação de RQ7 ao Porto). Em resumo, um lance daqueles que separa os génios do resto. Quaresma é um génio da bola, o tal mamífero é apenas mais um dos outros bitaiteiros daltónicos - mas pago com os nossos impostos. Shame on us. 




Era uma oportunidade única de conquistar este troféu - duvido que Portugal volte a lá estar presente durante o meu tempo de vida, que é como quem diz, nos próximos cem anos. Caímos merecidamente nos penáltis, acabou-se a "vaca". Ficámo-nos pela participação e pelo honroso terceiro lugar, sempre de cabeça erguida. Nada como regressar à normalidade de santíssima trindade: um patrocinador, um empresário e um treinador qualquer, desde que "alinhado".

No final, ganhou a Alemanha. Dizem que é a equipa B, mas eu discordo. São igualmente bons jogadores, ainda que em fases mais precoces de desenvolvimento. Mas o que releva é a forma como (todos eles) jogam em conjunto, essa sim, a grande arma alemã. 

Uma palavra de estima para o Chile, que proporcionou um belo jogo e quase conseguia levar o jogo para prolongamento. A ter em conta, o progresso de Pizzi. Do que vê com os dois olhos para o mesmo lado.

E um "hã?" para o vídeo-árbitro: vai ser assim? Mais vale acabar com isto já, antes mesmo de começar.

Mas ainda pode sair algo de positivo desta competição: parece que o bom do Héctor esteve em bom plano. Será desta?


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Por cá, o Expresso deu conta de mais um detalhe da sem-vergonhice que transformou o futebol luso num charco imundo e irrespirável (excepto pelos imundos que o criaram). Nada de mais, dizem eles, tudo invenções de jornalistas mal-intencionados.

Desta vez, o irrepreensível Paulo Gonçalves dá conta, na primeira pessoa, de como ele e Nuno "paga o que deves ao McD's" Gomes foram "safos" de uma sanção disciplinar graças a uma abnegada omissão de um senhor delegado da Liga (mais um) em relação a (mais uma) confusão no túnel. Tão abnegada que o senhor delegado "lixou-se" em prol da causa maior, sendo suspenso por 18 meses por falsificar um relatório. Isto a propósito de, oito anos volvidos, os ainda gratos e impolutos dirigentes encarnados, terem acedido a oferecer-lhe mais uns bilhetinhos para ver mais um jogo dos 3 Fs. Nada de grave, nada de especial, all in a day's work. Shame on his mother, for sure.


clicar para ampliar


O sentimento de impunidade continua ainda bem presente na resposta do senhor assessor jurídico da SAD candeeira. Quase não dá para acreditar em tamanha cara-de-pau. Mas é mesmo assim e assim será, enquanto quem de direito não lhe puser um termo.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



quarta-feira, 22 de março de 2017

O Engenheiro Distraído


Era uma vez um guarda-redes de futebol que não gostava de futebol. Apesar de ter algum jeito para a coisa, não gostava de o ser. 

Talvez gostasse daquilo que ser jogador de futebol lhe proporcionava, talvez sorrisse sempre que se cruzava com um colega da primária que agora era licenciado mas recebia pouco mais do que o salário mínimo, várias vezes menos do que ele.


Não Sr. Engº, não é o Eddie Murphy


Talvez se vangloriasse quando ouvia falar de outros colegas desse tempo, que eram agora trolhas, varredores, operadores de call-center ou de caixas de supermercado, com contratos precários e sem regalias, mesmo trabalhando muito mais horas por dia do que ele. E recebendo muito, muito menos.

Mas nem percebendo a sorte que tinha, percebia que a sua postura punha em causa o próprio futebol que lhe havia proporcionado tal sorte. 

Talvez por isso, entrava em campo concentrado em evitar ao máximo que se jogasse futebol. Desde o primeiro apito do árbitro que se aproveitava da flacidez das leis de jogo no que toca à posição específica do guarda-redes, que determinam que o jogo não pode prosseguir sem que este esteja em condições físicas para jogar.

Não havendo nenhuma solução expressamente prevista na lei nem sequer jurisprudência que o impeça, o ludibriador sabia que podia usar e abusar do expediente de se fingir lesionado, obrigando a que a sua equipa médica entrasse em campo para o assistir e, com isso, que o jogo não se jogasse. E fazia-o consecutivamente, sem que o árbitro se atrevesse a fazer mais do que fingir dar-lhe uma reprimenda e, no limite, um único cartão amarelo. 

Como se apenas isso não fosse suficiente, havia uma outra coincidência. Esse guarda-redes batoteiro, por mero acaso, exibiu toda a sua artimanha contra o clube rival do seu - de formação e de coração, quando ambos os clubes disputavam o título nacional palmo a palmo.

No rescaldo desse triste episódio, apesar da dominância do panorama mediático por parte do clube do batoteiro, houve uma crítica mais ou menos generalizada àquela actuação do guarda-redes burlão. 

Contra a corrente, de forma completamente surpreendente e irresponsável, o engenheiro comendador selecionador nacional achou por bem premiar esse intolerável comportamento com uma chamada de última hora à Seleção do país. 

Como se não lhe coubesse, acima de muitos outros, dar o exemplo e passar as mensagens correctas nos momentos apropriados, defendendo o jogo limpo e o próprio futebol que tudo lhe deu na vida.

Sabendo-se da devoção mariana e fortitude de carácter desse engenheiro selecionador, é impensável admitir que o fez alheando-se do comportamento do bandalho guarda-redes um par de dias antes dessa chamada. Caso contrário, a devoção teria de ser classificada de beatice. E a fortitude substituída por subserviência. 

Não, não é possível. O engenheiro só pode ser distraído. Fico a aguardar o indispensável acto de contrição.


Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




segunda-feira, 11 de julho de 2016

Merci Payet. Obrigado Fernando Santos.


Aquele que parecia ser o início do fim, acabou por ser o momento decisivo para fazer de Portugal o novo Campeão Europeu.
 


Estava o jogo ainda a dar os primeiros passos quando uma tragédia, de proporções aparentemente gregas (como a de há 12 anos), se abateu sobre todos os portugueses que assistiam à final de Paris. Ronaldo, o super-jogador/capitão/selecionador foi cirurgicamente abalroado pelo melhor jogador do torneio, o "francês" Payet. Pela reação de Cristiano, logo se anteviu que a sua participação acabara ali. O melhor jogador da Europa (no mínimo) estava fora do jogo decisivo, disputado em casa do adversário que, além do mais, era já o grande (e justo) favorito à vitória... Fossemos nós os gauleses e naquele momento o céu teria desabado sobre as nossas cabeças.



No entanto, aquele momento que parecia ser o fim do sonho português, acabou por ser precisamente o momento em que o sonho se começou a transformar em realidade. Do lado nacional, houve um toque a rebate que uniu ainda mais os restantes jogadores. Agora era preciso ganhar em nome do infortunado capitão. Dentro de campo, passamos a ter uma equipa onde todos defendiam e onde todos se sentiram mais à vontade a poder "exprimir" o seu futebol sem o constrangimento de poder desagradar ao craque (que o diga João Mário). Mais equilíbrio, ainda mais disponibilidade para defender e esperar pelo momento certo.



Do lado francês, veio também uma inesperada reacção à saída do lesionado Ronaldo. Deu a sensação que um sentimento de culpa teria invadido as cabeças dos jogadores, quebrando-lhes de imediato o ímpeto ofensivo (que já ameaçava transformar-se em golo) e os submergiu numa estranha apatia, numa tácito pacto de não-agressão durante largos minutos. Uma espécie de luto em memória do finalista CR7. Em particular a Payet, que pareceu nunca mais se ter recuperado e foi mesmo o primeiro a ser substituído em meados da segunda parte, quando o jogo recuperou enfim a sua normal competitividade.



Portugal voltou a ser Portugal. Compacto, fechado atrás, policiando de perto as movimentações dos bandidos mais temidos do adversário. Desta vez, sem o facilitador Ronaldo para resolver um dos "toca-e-foge" lá na frente.



Para lá da lesão e do golo de Éder (já lá vamos), houve outros dois momentos fundamentais no desfecho final. A careta que o poste de Patrício (grande exibição, o melhor em campo em minha opinião) fez a Gignac mesmo em cima dos noventa. E a decisão de Fernando Santos (finalmente posso fazer-lhe um elogio sem engasgo) em fazer entrar um ponta-de-lança. Foi Éder, porque não havia outro. Foi Éder porque foi ele o escolhido de seleccionador. O único escolhido para a posição. Nessa decisão, Fernando Santos foi, finalmente, audaz. E acabou por merecer a felicidade que chegou logo a seguir.



Éder, o acidental herói do mar. Não escrevi mas disse várias vezes entre amigos que Éder não justificava a presença na convocatória. Que era um erro levar apenas um ponta-de-lança mas que a seguir essa opção, André Silva faria muito mais sentido, por representar o futuro... e o presente. Não altero uma vírgula. Não só porque Éder não estava numa fase particularmente feliz na seleção, mas porque considero o nosso menino já hoje mais capaz. Quis a providência que houvesse um remake de um filme de sonho, agora intitulado "O Fabuloso Destino de Édelie". Ainda bem para Portugal e ainda bem para Éder. Valeu a pena estar no sítio certo à hora marcada.



Quanto a mim, acabei surpreendido (ou não...) ao espontaneamente gritar GOLO! após o remate de Éderzito. E a emocionar-me com quem se emocionava à minha volta. E a ficar muito feliz pela vingança servida aos franceses com tamanho requinte de malvadez que durante muito tempo irá alimentar um inabalável orgulho dos muitos portugueses que por lá vivem e trabalham. E pelos quatro cantos do mundo. Já hoje foi tempo de regressar à parvónia, com as avenidas da capital a encherem-se de felizes inúteis para saudar os campeões. Tudo normal, portanto.



Antes de encerrar de vez o EURO 2016, o reconhecimento de um erro. Ou de uma previsão falhada. Ou de uma crítica injusta. Escrevi que Renato Sanches não merecia estar nos 23 e mantenho-o. Mas escrevi também que não acrescentaria nada de útil à equipa e enganei-me redondamente. Foi de facto útil e importante nesta conquista. Mérito para quem confiou nele, portanto. E assim chego a onde queria: estou agora em paz com Fernando Santos. Não se trata de mudar de opinião, trata-se de reconhecer que ele estava certo e eu errado. Ele é que sabe. Ele é que ganhou, e nenhum outro antes dele o havia conseguido. Parabéns a Fernando Santos. Parabéns a Danilo e aos demais 22 selecionados.



Portugal é finalmente Campeão da Europa e assim continuará durante os próximos quatro anos. Ontem li isto algures no facebook: "Tenho 42 anos e já fui campeão da Europa três vezes. Que sorte a minha!". Subscrevo na íntegra. Quem nunca tinha sido, agora já sabe como é.







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Com o fim do EURO terminou também a respectiva liga Do Porto com Mística, com os Maldito EC de Luciano Silva a aguentarem brilhantemente a liderança e assim se sagrarem vencedores da nossa liga!



Parabéns ao Luciano e a todos os que jogaram até final. As ligas fantasy regressam em Setembro com as competições oficiais de clubes! 


Do Porto com Amor



quinta-feira, 7 de julho de 2016

A Descer, todos os Santos Ajudam...


...Ou pelo menos não atrapalham, o que já é uma ajuda em si mesmo.


Reuters


Contra as probabilidades e as minhas expectativas formadas antes do início da competição, Portugal está na final do EURO 2016.

É de facto surpreendente que esta seleção, liderada desta forma por Fernando Santos, tenha conseguido tal proeza. A confirmá-lo, o percurso realizado até chegar a Saint-Denis:

Portugal 1 - Islândia 1
Portugal 0 - Áustria 0
Hungria 3 - Portugal 3

Croácia 0 - Portugal 1 (após prolongamento) 
Polónia 1 - Portugal 1 (3-5 após g.p.)
Portugal 2 - Wales 0

Seis jogos e apenas uma vitória no tempo regulamentar. O que significa isto?

Em primeiro lugar, que não conseguimos convencer ninguém da nossa valia. Os três adversários da fase de grupos são seleções medianas, e exceptuando a Áustria (#10), esquecidas algures pelo ranking da FIFA. Não conseguir derrotar nenhum deles teria significado a eliminação noutro EURO qualquer antes deste. Para sorte de Portugal, neste valeu não só o apuramento como evitar 5 das 6 melhores seleções presentes no torneio: Alemanha (#4), Espanha (#6), Inglaterra (#11), Itália (#12) e França (#17). Do nosso "lado" da fase a eliminar só ficou a Bélgica (#2), com quem nem sequer chegamos a medir forças por obra e graça de Ga(reth Ba)les.

No entanto, Portugal está na final após derrotar o novato País de Gales com dois golos sem resposta. Fomos melhores? Sim, fizemos dois golos sem resposta... E no espaço de três minutos. Fernando Santos diz que é estratégia, que Portugal estuda bem e anula os pontos fortes dos adversários. Pode ser que sim, mas não é agradável de se ver. E mais do que isso, encerra em si muito mais riscos do que possa parecer à primeira vista, talvez mais até do que a (tentar) jogar o "nosso" futebol, como o golo no final do prolongamento contra a Croácia e os penáltis contra a Polónia bem o demonstram: facilmente poderíamos ter sido nós a vir para casa mais cedo. Neste jogo, o adversário entrou mais determinado e ofensivo (surpresa...), teve as primeiras meias-oportunidades de golo e nunca se atemorizou diante de Ronaldo e companhia. Ao intervalo, a impressão que dava é que qualquer equipa poderia chegar à final. Felizmente para Portugal, Ronaldo fez um golaço do c@r@lho a partir de um canto e logo a seguir Nani desviou para o segundo. Estava planeado? Não me lixem...


Que grande golo... (Reuters)


Mas nem tudo são nuvens negras. Aliás, a tal estrelinha tem-nos acompanhado desde o início da competição e isso é sempre fundamental para se ganhar uma competição destas. E o próprio inginheiro do tenta, apesar das várias falhas que lhe tenho apontado, teve a sagacidade de saber aceitar a sua "inferioridade estatutária" face a Ronaldo, optando por tirar partido daquilo que ele pode dar à seleção e assumindo o que de negativo daí pudesse resultar. E fez outra coisa importante, conseguiu rodar todos os jogadores de campo e manter-se vivo na competição, algo que pode ser determinante para a final: além de ter todos os jogadores motivados, tem-nos em melhor condição do que se jogassem sempre os mesmos. Vai contra aquilo que acredito num clube, mas pode resultar numa seleção. E está a resultar.

Agora segue-se França ou Alemanha. Qualquer uma delas, muito melhor equipa do que qualquer dos adversários que já defrontamos. Eu prefiro a Alemanha, para nos garantir presença inédita na Taça das Confederações seja qual for o desfecho da final de domingo.

Não é por Portugal estar na final que mudo de opinião. Continua a ser uma seleção sectária, continuo a discordar dos 23 escolhidos e não consigo perceber qual é a forma de jogar da equipa (para além de tentar anular os adversários). Mas também não será por pensar assim que deixarei de torcer pelo país a que o meu Porto deu o nome.

Espero que ganhem a competição, ficarei feliz por todos os meus amigos e familiares que se revêem e sofrem por esta SeleNão. E pelo significado que sei que terá para os muitos milhões que vivem longe da pátria amada (pela ausência, evidentemente). E pelo Danilo, pelo Quaresma, pelo Ricardo Carvalho, pelo Moutinho e pelo Pepe.



Do Porto com Amor



sábado, 25 de junho de 2016

Mete o Quaresma, ó palerma!


Jogo fraco, exibição medíocre e a habitual inabilidade do seleccionador.




O "meio-campo do Sporting" confirmou tudo o que são, ou melhor, o que não são. Dois jogadores vulgares e um acima da média, que nem com uma época inteira de rotinas conseguem impor-se a jogadores que começaram a treinar juntos à menos de um mês.

Valeu-lhes Quaresma mas não o merecem, em especial Fernando Santos. Patrício ainda tentou levar os croatas para os penaltis mas já não foi a tempo. E sim, a entrada de Renato Sanches foi essencial para nos manter à tona. Não altero uma vírgula ao que disse, porque temos outras soluções equivalentes dentro da selecção, mas hoje aproveitou a "carta branca" para contribuir positivamente.

Já vi outras equipas ganhar competições a jogar menos, mas ainda assim duvido que Portugal tenha qualidade de jogo para chegar à final. Segue-se Lewandowski e os amigos. Já veremos.



Do Porto com Amor




quinta-feira, 23 de junho de 2016

Euro News #1



Terminada que está a primeira fase do Euro 2016, é tempo para uma breve análise sobre a competição. E de olhar para o andamento da nossa Liga Fantasy.


Albânia: uma estreia cheia de argumentos... mereciam ir mais longe!


Cá estou de regresso, após uma ausência inusitada, eventualmente longa para alguns e demasiado curta para outros. Seja qual for o seu sentimento, caro leitor, prometo tentar não repetir a graça.

Acabou há minutos a última partida da fase de grupos do Euro 2016. O que sobra destes 36 primeiros jogos?

 - Equilíbrio. Ao contrário do que foi profetizado, o aumento do número de seleções presentes não se traduziu em jogos e grupos desnivelados. Bem pelo contrário, vários dos "pouco habituais" deram água pela barba aos históricos dos EUROs. País de Gales, Eslováquia, Hungria e Irlanda do Norte surpreenderam e ofereceram férias antecipadas a russos, ucranianos e austríacos. Mas foi o País de Gales quem brilhou com mais intensidade, bem secundado pela Croácia (pobre de quem os enfrentar a seguir...) que relegou a Espanha para a segunda posição. Só não gosto do sistema encontrado para emparelhar os quatro melhores terceiros e acredito que uma competição com 32 equipas ainda venha a ser testada.

 - Enfado. Com honrosas excepções, onde se incluem os dois últimos jogos de Portugal e uns quantos mais, houve uma mediania entediante na maior parte das partidas. E nem o desgaste dos jogadores após uma longa época serve de desculpa, basta comparar com o que se tem assistido na Copa América. O problema está na cabeça dos treinadores e por consequência, dos jogadores. Com o elevado nível de bagagem táctica e conhecimento dos adversários que todos os misters possuem, é bastante mais fácil optar por anula-lo do que correr o risco de o tentar surpreender. Assim, assistimos a jogos com equipas amarradas uma à outra na maior parte do tempo, à espera de um lance de génio ou de sorte (ou de ambos).

 - Street Fighting. Absolutamente deplorável o que se tem passado nas ruas das cidades anfitriãs do evento, com as forças de segurança a revelar bastante dificuldade em controlar o fenómeno. O que motiva esses animais é-me indiferente, falta é começar a tratá-los como tal. Por mim até lhes alugava uma arena para que se pudessem espancar à vontade, fazia-se um campeonato só para eles em que ganhava quem matasse mais. Resolviam-se assim dois problemas de uma vez só: deixavam o futebol em paz e libertavam-se recursos preciosos da Mãe Terra para quem merece viver.

Nota final para algo que felizmente nunca muda: o colorido das bancadas, repletas de flores frescas e viçosas. Recomendo uma visita a esta compilação de 100 dos melhores bouquets deste europeu. São rosas Senhor, são rosas. 


getty images


Quanto à "nossa" SeleNão, não é fácil resumir ou explicar os três empates. Mas vamos lá tentar.

- Fernando Santos. O grande (i)responsável material pelo desfecho. Esteve mal logo na convocatória (Eliseu é um perfeito anormal e um qualquer Antunes - sem desprimor - com mialgia nas orelhas seria melhor; Renato Sanches não mereceu ser chamado e não está lá a acrescentar nada de útil; André Silva merecia o bilhete e a falta de avançados exigia-o), mas o problema começou muito antes. Mais concretamente, no dia da sua apresentação. Eternamente grato por ter sido o escolhido (quem não gostaria de ter o seu emprego?), capitulou desde logo a sua autoridade, transferindo-a para o mais melhor do mundo, o "nosso" CR7. Desde então, tem vivido às costas do capitão, escondendo-se nelas. 

Não surpreende portanto que seja incapaz de o pôr na ordem. Não está em causa a qualidade de Ronaldo - é um grande jogador, um atleta de eleição e uma máquina de fazer golos (o segundo de hoje é magnífico) - mas sim a sua atitude perante os seus companheiros. Não há jogo em que não dê asas ao seu superego, totalmente deslocado e prejudicial a quem pretende ter uma "equipa" no verdadeiro sentido da palavra. Para Ronaldo, os outros dez só lá estão porque precisa deles. Quando a jogada não passa por ele, amua. Quando é outro a fazer o golo, tem pena. Se pudesse jogar sozinho nem hesitava. Precisa, portanto, de quem o ponha no seu lugar, começando por entregar a braçadeira a outro. Mas em Portugal não há ninguém para o fazer.

- Aselhice. 17 remates contra a Islândia, 16 contra a Áustria e 18 contra a Hungria. 1 golo marcado no primeiro, zero no segundo e (finalmente) três no último. Se pensarmos que em cada jogo tivemos uma mão cheia de oportunidades desperdiçadas (com destaque para o jogo com a Áustria), explica-se parte destes três empates. Mas não nos esqueçamos do nome e valia dos adversários: Islândia, Áustria e Hungria. Para enfatizar a aselhice, obviamente.

- Infortúnio. Não gosto nada de atribuir à sorte ou à falta dela o desfecho de um jogo de futebol. Mas há excepções e parece-me justo reconhecer que Portugal tem tido pouca sorte. Não apenas no que depende de si (bolas aos postes e traves, penálti falhado, etc.), mas também no que não depende (golos de ressalto, por exemplo). Mas, como se costuma dizer, a sorte dá muito trabalho. E a produtividade desse trabalho depende sempre da sua organização, acrescento eu.


Seguem-se os oitavos-de-final, onde além do Croácia-Portugal se destaca o "impensável" Itália-Espanha e um tragicómico País de Gales-Irlanda do Norte. Logo veremos no que dá. Se passar, Portugal defrontará o vencedor do Suíça-Polónia...



Quanto à Liga Do Porto com Mística do Fantasy Euro 2016, começo por realçar a grande participação registada: 72 inscritos!




Após três jornadas, o actual líder e grande vencedor da fase de grupos é o Luciano Silva, que ao comando do Maldito EC, soma já 187 pontos. Em segundo, a uns respeitáveis 15 pontos, segue o LIMAerpool de Paulo Lima e em terceiro e quarto dois dos especialistas de UEFA. 

Ainda nem estamos a meio da competição, pelo que ainda todos podem aspirar a vencê-la. Basta continuar atento e começar a acertar mais nas apostas!



E por hoje é tudo. Voltarei no feriado para me debruçar sobre aquele que verdadeiramente me representa, o nosso Futebol Clube do Porto. Até lá, muitas sardinhas a pingar na broa e ainda mais marteladas... bom São João (mesmo aos que cá não estão!).



Do Porto com Amor




sábado, 11 de junho de 2016

A Minha Seleção (e um reforço?)


Começou hoje o Euro 2016 - e eu continuo sem saber por quem torcer.




Não será exactamente assim. Nunca "torcerei" por nenhuma outra seleção que não seja a Portuguesa. A questão é que carrego dentro de mim um conjunto de sentimentos que conflituam entre si e me deixam em dúvida sobre o que vou sentir, quando o primeiro apito soar. Imagino não ser o único, pelo menos entre Portistas.

Nós nunca fomos muito à bola com a Seleção. 

Não por vontade própria, mas antes por ela tradicionalmente ser apenas uma extensão do centralismo que nos menoriza a todos. Sempre foi a SeleNão de Lisboa, dos clubes de Lisboa e sobretudo dos interesses concentrados em Lisboa - não da cidade ou dos lisboetas, mas sim dos que se governam governando-nos.

Ainda assim, a generosidade que nos caracteriza sempre fez com que cada jogo da equipa nacional disputado no nosso estádio recebesse um apoio extraordinário, único, genuíno. Até que a dupla Madaíl/Scolari assumiu o protagonismo. Esse foi o ponto de ruptura para muitos de nós, onde aliás me incluo. Não deixei de assistir ao vivo a todos os jogos de Portugal do Euro 2004, de torcer e vibrar, até que o guarda-redes de Scolari nos destruiu o sonho (o tal que ocupou o lugar de Baía, o então campeão europeu de clubes, o único que o merecia - sem culpa, mas com demasiado pedantismo). Sofri com a derrota, como todos. Talvez com menor duração do que a maioria, porque a certa altura o inevitável raciocínio assumiu protagonismo: "pelo menos somos campeões europeus de clubes - um feito em si mesmo extraordinário, que se lixe o cabrão do brasileiro e todos os que o apoiaram apenas para atingir o Porto.". E nos torneios seguintes, o sentimento manteve-se. Com a diferença de já não termos o consolo extra.

Desde então, pouco ou nada mudou. Apesar das expectativas que Fernando Gomes suscitou, cedo se percebeu que se trata apenas de mais um político a fazer pela vida. Não tardará a embarcar em definitivo para a UEFA ou FIFA. E como bom (mau) político que é, sabe que teclas tocar para garantir os apoios de que necessita. Não quero desmerecer o seu trabalho na Federação (até porque tendo Madaíl como termo comparativo, seria impossível não fazer muito melhor - basta não ser invertebrado), mas o que é certo é que pouco ou nada fez para reaproximar os Portistas da SeleNão.

O mesmo se pode dizer em relação a Fernando Santos, homem bom e figura simpática, mas de má memória para as nossas cores. Conseguiu sozinho perder dois campeonatos - ainda com Jardel no primeiro e já com Deco no segundo - o que não era fácil. E nem a passagem pelo Benfica serviu para se redimir, embora tenha feito por isso. Aliás arrisco-me a dizer que se viu grego para ter sucesso com treinador. Regressou (bem) para orientar Portugal e tem feito um trabalho positivo até à data. Foi portanto uma pena ter-se espalhado ao comprido com a escolha dos 23. Ficou com o rabo de fora...

Com isto tudo na bagagem, não é fácil para um Portista abstrair-se e apoiar incondicionalmente, sem reticências ou mágoas. Cada um sabe de si, evidentemente, uns apoiarão sem dificuldade, outros recusar-se-ão a fazê-lo (contrariando a sua vontade). Eu confesso que não sei. Vou mesmo ter que esperar até ao primeiro jogo para o saber. Não o que digo ou o que desejo, mas o que realmente vou sentir.  

A presença de Danilo, mas também de Ricardo Carvalho, Pepe, Moutinho, Quaresma e até Bruno Alves são uma grande desculpa para apoiar a equipa deles e esquecer-me do resto. Deve ser por aí. Mas uma coisa é certa: se por acaso ganharem o campeonato, ninguém me verá a festejar. Não por vergonha ou teimosia, apenas por não me identificar. E se naturalmente não o ganharem, no pasa nada. 

Seja como for, espero poder desfrutar de jogos emotivos e de bom futebol. Venha de lá esse Euro pois então!


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Quanto ao que realmente interessa, chegou-me aos ouvidos o rumor da iminente contratação de João Teixeira (médio de 23 anos do Liverpool). Não sabem quem é? Eu também não sabia, ou quase, porque creio lembrar-me de ter visto uma e outra reportagem sobre a sua adaptação a Inglaterra. Ou então foi sobre outro. É, também não sabia... mas se for bom (e verdade), que venha ele.



Do Porto com Amor




segunda-feira, 30 de maio de 2016

Treinadorómetro 2.0 (edição JN)


Publiquei há dias o meu "sentimento" em relação aos principais nomes apontados ao cargo de treinador do FC Porto, resumido num pequeno quadro ordenado por níveis de "apreço" (e ignorantemente apelidado de "treinadorómetro").


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Julgo que a imagem é suficientemente esclarecedora, mas em todo o caso aqui vai: os "verdes" incluem as opções que considero interessantes, os "amarelos" encerram em si (e em mim!) muitas dúvidas (mas poucos preconceitos) e os "vermelhos" (como teria de ser) suscitam em mim um vasto leque de sensações que vão desde a fúria incontida aos espasmos musculares alternados com pontadas dilacerantes.

E avancemos assim, em tom humorístico e descontraído (procurando evitar novos espasmos), para a versão 2.0 do Treinadorómetro, que sofreu importante actualização graças à capa de hoje do Jornal de Notícias ("confirmada" por uma chamada de capa de última hora d'O Jogo). 

Nela consta um nome que propositadamente deixei de fora da versão inicial, por considerar estar já definitivamente arredado das cogitações da SAD: o de Nuno Espírito Santo (*espasmo*). Ele que há dias foi apontado ao Braga de Jorge Mendes para suceder a Paulo Fonseca (*espasmo*) - e daí o tê-lo descartado com o rótulo "deste já nos livrámos". 

Sem me alongar em comentários ainda injustificados, deixo apenas um breve resumo da sua carreira de treinador (*outro espasmo*): 2 temporadas no Rio Ave de Jorge Mendes (6º e 11º classificado) e 1 temporada e meia no Valência de Jorge Mendes (4º e 9º ao fim de 13 jornadas).

Bem sei que já temos o pai e o filho, mas será mesmo necessário completar a estranhíssima trindade? Tenham juízo, se ainda forem a tempo disso.


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O Vitorioso Voo do Mo(n)cho!


Falando agora de coisas boas, muitos parabéns ao nosso basquetebol pela estrondosa conquista do campeonato nacional, precisando apenas de 4 jogos para derrotar o Benfica na final da competição. É mesmo verdade, mal acabamos de subir de divisão e já somos campeões! Sem pretender desmerecer ninguém, sobretudo os grandes homens que são os nossos jogadores, a principal palavra de apreço tem mesmo de ir para o galego Moncho López, que aceitou percorrer a via-crúcis, sem se conformar com o destino, e dela conseguiu regressar, mais vivo do que nunca. Muitos, muitos parabéns por esta grande conquista. À Porto.





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Termino com isto, em modo Euronews (versão Euskara): "No Comment".


"FC Porto é o clube que eu amo"










Do Porto com Amor