Do Porto com Amor: Janeiro 2017

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Uma Semana Difícil


Eram 6 da manhã quando o Tóino chegou ao ponto de encontro, uma praça que já fervilhava de agitação, em contraste com o resto da cidade arcebispal, que parecia ainda desfrutar dos últimos momentos de sono antes do maldito despertador ganhar vida.


O Tóino com 13 mesinhos


Ainda remeloso e com o bafo das últimas branquinhas da noite, o Tóino não conseguia esconder a sua alegria. A viagem ia ser longa, mas em festa: afinal, não era todos os dias que o Tóino tinha a sorte de poder ver os seus dois amores jogar, ainda por cima três jogos, o último dos quais entre ambos, se tudo corresse como previsto. E pelo meio, umas mini-férias no calor do Algarve.

A mancha vermelha à sua frente não deixava dúvidas quanto ao acerto da localização. Naquele momento, o Tóino ficou a pensar que já só faltava a sua camisola rubra e branca para finalizar aquele puzzle.

Quase meio-dia depois, finalmente a chegada ao local da festa. O comboio vermelho tinha atravessado o país de norte a sul, com inevitáveis paragens para almoço e verter águas. Os músculos estavam um pouco contorcidos, mas tinha valido a pena. Já faltava pouco para o inicio da final-four, era hora de acelerar para o estádio.

Ao fim da noite, tudo havia corrido bem. O primeiro dos amores a jogar (não necessariamente o primeiro do seu coração) assegurou a presença na final com uma vitória "sem espinhas", não se cansava de repetir. Mais umas bifanas e uns fininhos para acamar o merecido sono. Era preciso descansar bem, porque no dia seguinte jogava o máior.

O segundo dia correu preguiçoso. Mesmo se o sol se tinha feito difícil, a procrastinação tinha sido de qualidade. Ler as gordas nos jornais do café, rir-se das críticas do treinador adversário e aguçar o apetite para a degola que se avizinhava.

Já no estádio, Tóino, com outra camisola mas sempre de vermelho, vibrava com as bancadas semi-cheias, como se lá não coubesse nem mais um voucher. Vermelho. Durante o aquecimento, reparou nas parcas dezenas de adeptos do Moreirense, e comentou com o parceiro de ocasião: 

"Admiro estes tipos, pá. Fazem uma porrada de quilómetros só para verem a equipa perder... para nada... mas vêm na mesma, pá! Sim senhor...". E sorria, com aquela soberba que só os lampiões exibem.

Ao intervalo, tudo na paz do senhor. Só faltava mesmo cumprir calendário, aqueles últimos 45 minutos, e a festa da grande final estava garantida. O estádio cheio, vermelho, lindo. Era já a seguir.

Nem 10 minutos segunda parte adentro, algo não batia certo. Os maióres tinham adormecido e o Moreirense já ganhava por 2-1. Um acidente de percurso, pensou, já levam mais 3 ou 4 batatas. Tranquilo, mas um pouco menos.

Aos 71', aconteceu o impensável. 3-1 para o Moreirense. Mas q'é isto, pá? Brincamos? Bem, ainda faltam 20 minutos, é só marcar um e damos a bolta.

No final do jogo, o Tóino estava incrédulo. FOD@-SE, PÁ! Como é possível estes morcões terem desperdiçado esta hipótese de uma final de sonho? Sem andrades nem lagartos para atrapalhar, estava tudo feito, carago... Filhos da put@! Chuuuuloss! Gritou ao passar pelo autocarro dos máiores.

Foi directo para o desconforto da pensão manhosa que o organizador da excursão tinha arranjado (mas o preço era imbatível). Voltou a sair, mais duas branquinhas no café do lado e cama. Porra, pá, filhos da put@... mas prontos, nem tudo é mau: amanhã uma praiinha com comes e bebes e depois o caneco.

Nem praiinha nem caneco. Como se não bastasse o mau tempo que se fez sentir durante toda a estadia, o grande, o enorme Moreirense voltou a limpar o rabinho aos lampiões de Braga, tal como havia feito aos de Lisboa. Glória ao Moreirense, primeiro campeão de inverno (seja lá o que isso for).

Quem não queria saber de glórias era o Tóino. Umas férias de sonho transformadas num pesadelo do c@r@lho. Como é possível estes &#%&$"%& não terem ganho? É que nem uns, nem outros!! #$"$%!"!!!

A viagem de regresso a casa seguia lenta, arrastada e penosa perante a indiferença das planícies alentejanas. O silêncio era quem mais ordenava. Mas o Tóino não era homem para se render. "Não hei-de regressar a casa sem uma vitória, c@r@lhos me [forniquem]!". Levantou-se do seu lugar como uma mola que se descomprime, trocou algumas palavras com organizador e motorista e estava decidido. De peito feito e orgulhoso de si, dirigiu-se a todos os que seguiam no autocarro nº13:

"Eu sei que estamos todos chateados, mas um bermelho nunca desiste. Eu já decidi, num bolto a Braga sem ber um dos meus clubes ganhar. Quem fica comigo em Setúbal para amanhã?"

Pelos últimos relatos, parece que o Tóino está agora alojado numa pensão em Carnide. À espera do próximo jogo e de uma vitória, para poder finalmente voltar a casa. "Boa sorte" homem, espero que não voltes a Braga antes que seja Março.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Onde Está a Bola? #37 (e vencedor #36)


Regressa o Onde Está a Bola? com a oferta de dois bilhetes para o clássico contra o Sporting CP, a ser disputado no próximo sábado, dia 4 de Fevereiro, às 20h30.

Para se habilitar a ganhar os bilhetes, basta que o estimado leitor descubra onde está escondida a bola original na imagem seguinte (ou se não está lá de todo).


Onde está a bola? #37


Respostas possíveis #37 (Sporting):

A - Bola Azul e Branca
B - Bola Laranja 
C - Bola Amarela 
D - Bola Púrpura
E - Não há nenhuma bola escondida


Já descobriu? Então deixe o seu palpite na caixa de comentários, tendo em atenção as seguintes regras de participação:


1 - Escrever a resposta que considera acertada na caixa de comentários deste post, indicando igualmente um nome e um email válido para contacto em caso de vitória.

2 - Entre os que acertarem, será escolhido o vencedor através da app Lucky Raffle (iOS).

3 - Para ser elegível para receber os bilhetes, deverá fazer o obséquio de:

   a) Comprometer-se a enviar-me duas ou mais fotos da sua ida ao estádio (com pelo menos uma selfie) nas 48h seguintes ao jogo;

   b) Registar e confirmar o seu email (nas "Cartas de Amor", na lateral direita do blogue);

   c) Seguir o FB e o Twitter do DPcA (basta clicar nos links e "gostar" ou "seguir"). 
   Quem não tiver conta nesta(s) rede(s) não será excluído, mas... cuidado porque o Lápis vai investigar :-)

4 - Apenas será aceite uma participação (a primeira) por cada email válido.

5 - Cumpridos todos os critérios, o vencedor sorteado será contactado através de um email onde encontrará instruções sobre como e quando levantar os bilhetes.

6 - Se já tiver Dragon Seat ou outro tipo de acesso, poderá oferecê-los a um amigo ou familiar que não tenha a mesma sorte.

7 - A edição #37 deste passatempo termina às 23h00 de 2 de Fevereiro e o vencedor (a quem será enviado um email logo após o sorteio) terá de reclamar o seu prémio até às 13h00 de dia 3.

8 - Se o vencedor não reclamar o prémio até à data e hora referidas no ponto anterior, será contactado o primeiro suplente. Se o primeiro suplente não reclamar o prémio até ao prazo limite indicado no email de contacto, será contacto o segundo suplente (e assim sucessivamente até que um sorteado reclame o prémio).

E é só! Concorra e divulgue, queremos o Dragão sempre cheio!


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Falta apenas encerrar as contas da edição anterior, a #36.

Primeiro, a comparação entre imagem original e modificada.




E agora, o resultado do sorteio.




#36 - Rio Ave

 

Resposta certa: Bola Púrpura

 

Vencedora: Catarina Cardoso!





Obrigado Catarina, pela excelente foto-reportagem de um jogo muito disputado e emocionante quase até final!

Agora toca a concorrer, que o próximo jogo é clássico e a equipa precisa do estádio cheio!



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor



domingo, 29 de janeiro de 2017

Provavelmente... O Pior Treinador do Mundo


Assim que recebi informação da equipa inicial pela App FC Porto, comecei a repetir frenética e catatonicamente uma espécie de mantra mental:

Eu sou um simples adepto, pouco percebo de futebol
Eu sou um simples adepto, pouco percebo de futebol
Eu sou um simples adepto, pouco percebo de futebol

Quer dizer, de que outra forma se consegue manter a sanidade e calma necessárias para assistir a um jogo que - na opinião de um simples adepto, que pouco percebe de futebol - logo à partida está condenado a ser muito mais complicado do que seria necessário, a expensas únicas da falta de categoria do treinador?



Como se justifica alinhar de início sem nenhum jogador que, por vocação, dê profundidade ao jogo pelas alas, preferindo encher o campo de médios com pouca (ou nenhuma) capacidade para, através do passe, criar espaços e desequilibrar a defesa adversária?

Não há como fugir a isto. Felizmente ganhámos. Felizmente e apesar de Nuno Espírito Santo

Quase aposto que saiu da Amoreira orgulhoso dos três pontos, mas também da sua genialidade, que se concretizou no deitar ao lixo toda a primeira parte, quem sabe se para desgastar o adversário ou, conforme disse no final, para não lhe permitir oportunidades. Mas o que é isto? Se fosse o Estoril a adoptar essa estratégia, compreendia-se: equipa claramente inferior, à procura de sobreviver na primeira hora, com a esperança de ser feliz perto do final. Agora, o Porto?

Para piorar, aquela ridícula substituição ainda antes do intervalo. Tirar Jota por que motivo? Estava a ser pior do que alguém? Brahimi (e/ou Corona) devia estar em campo desde o início, mas por troca com um dos médios! Haverá quem diga que NES continuou coerente com a sua estratégia, eu prefiro chamar-lhe cegueira voluntária.

Felizmente a sua genial estratégia contemplava lançar o único extremo "verdadeiro" para os 25 minutos finais, bem como um segundo avançado (que ele havia subtraído, ao retirar Jota). Logicamente, passamos a ser mais perigosos, a chegar à baliza de Moreira com grande assiduidade, no fundo, a fazer o que um candidato ao título tem que fazer desde o primeiro minuto de jogo.

Ainda assim, Setúbal voltou a pairar sobre o nosso destino, outra vez à porta de um clássico no Dragão. Ironicamente, desta vez o penalti foi mesmo assinalado, concretizado e ficámos com os três pontos. Imaginam a diferença que faria termos ganho esse jogo, apesar de Nuno? Pois. Não menos ironicamente, é o líder que lá vai nesta jornada. Que tenha a mesma sorte que nós tivemos, é o que desejo.


Ó p'ra mim a decidir o jogo...



Notas DPcA 

Dia de jogo: 28/01/2017, 18h15, Estádio António Coimbra da Mota, GD Estoril Praia - FC Porto (1-2)


Casillas (6): Jogo tranquilo, sem nenhuma intervenção de relevo. Sem a mínima hipótese no golo sofrido.

Maxi (6): Foi eminentemente defensivo, poucas vezes se atrevendo pelo seu corredor. Não duvido que por instruções recebidas, mas na prática a sua acção pareceu curta para o que pode e sabe.

Telles (7): Por oposição a Maxi, tinha carta branca para invadir constantemente o flanco ofensivo, e fê-lo melhor quando o jogo "alargou", porque se abriram mais espaços e havia mais gente com quem combinar. Globalmente, mais um jogo de bom nível.

Marcano (7): Muito bem na sua zona de actuação, com destaque para um corte providencial e algumas antecipações. Muito bem...

Felipe (6): Também bem, sem falhas de relevo, foi o parceiro "merecido" para o Iván. E quase marcava, outra vez.

Danilo (7): O melhor na idade das trevas e muito bem no renascimento. Hoje saiu ainda mais vezes com a bola, transportando-a muitos metros antes de a entregar a preceito. Supostamente, aquilo em que o Héctor seria melhor. Supostamente.

< 66' Herrera (5): A mesma entrega, a mesma incapacidade, a mesma ineficácia, o mesmo desespero. Já não sei o que mais dizer, excepto que hoje houve quem estivesse pior do que ele... como se isso servisse de algum consolo.

< 66' Óliver (4): Garantidamente, o seu pior jogo pelo Porto. As "ideias" de Nuno e provavelmente o contágio de Herrera transformaram-no num jogador banalíssimo, que não parece capaz de fazer um passe de relevo e nem de ter uma ideia para o fazer. Felizmente, sabemos que ele não é isto. Tem é que reaprender a jogar apesar daqueles dois...

André André (5): Deveria ter sido um dos sacrificados aquando da dupla substituição, tal a fraqueza da sua exibição naquela hora de jogo. Caprichosamente, melhorou bastante a partir daí, tendo sido importante na recuperação de bolas e a matar na origem potenciais contra-ataques estorilistas. Mas a jogar como na primeira parte, suspeito que nem no Vitória calçaria...

< 36' Diogo Jota (5): Estatisticamente falando, estava a ser muito displicente, tal a quantidade de bolas perdidas. Mas olhando à volta e para tudo o que não se estava a fazer, fica difícil entender a lógica por detrás da sua substituição. A entrada de Brahimi fazia todo o sentido, mas por troca com um dos médios. Não merecia ser isolado como culpado, quando o culpado estava no banco.



Melhor em Campo André Silva (8): A primeira parte foi fraquinha, com quase nada de positivo a destacar que não fosse a sua entrega ao jogo. Com as entradas de Corona e Rui Pedro, ficou mais liberto, com mais bola para se destacar e acabou a ser o mais decisivo para o desfecho final. (mas o penalti foi outra vez mal batido...)

> 36' Brahimi (7): Fundamental a sua entrada, ainda que os frutos mais sumarentos só se tenham colhido já perto do final. Mas ele lançou as sementes e cuidou de fazer crescer a árvore, quando antes só havia um deserto de ideias. Precisamos muito deste Yacine, de preferência a marcar também, para enfrentar com mais confiança tudo o que aí vem.

> 66' Corona (8): Reconheço que, cada vez mais, sou um fã deste Jesus. Tem uma capacidade inata para ir para cima do adversário e sair por cima, quase sempre em situação de assistir ou finalizar. Foi assim que hoje marcou um grande golo, aquele que acabaria por se revelar fundamental para a retenção dos três pontinhos. É um crime lesa-clube não alinhar de início quando está bem (dou o benefício de não estar a 100%, dada a lesão com que se debateu durante a semana).

> 66' Rui Pedro (7): Entrou bem, ajudou a construir a vitória e a sua juventude só se fez sentir quando nem levantou os olhos da bola para reparar que Corona estava isolado à sua direita, optando por um remate que saiu ligeiramente por cima e - a frio - difícil de censurar. E marcou quando teve oportunidade, mesmo tendo sido invalidado.

NES (5): Coerência é conseguir fazer a mesma análise, entre ou não a bola na baliza num momento de decisão. Eu tento ser coerente comigo mesmo. E com o Nuno também. Péssima ideia de jogo, péssima estratégia, consubstanciada no onze inicial. Não lembraria ao diabo fazer alinhar André André, Herrera, (este) Óliver e Danilo num jogo onde só se admitia vencer. Ao fazê-lo, aumentou consideravelmente as possibilidades de não o conseguirmos. A saída de Jota ainda piorou mais o "soneto" e só a dupla entrada que se seguiu (bem mais adiante) ajudou a compor uma melodia audível. Eu - um simples adepto, que pouco percebe de futebol - teria retirado Óliver e André André, claramente os dois piores em campo até esse momento, mas enfim, resultou à maneira de NES e isso vale mais do que qualquer "e se". Por isso, e só por isso, fica com a nota negativa mais elevada.

Olha ali um unicórnio alado!


Outros Intervenientes:


Filho de Bebeto sabe jogar. Pode estar longe do nível que o pai atingiu, mas Matheus tem suficiente futebol, nos pés e na cabeça, para sobressair neste fraco Estoril. E o golo de honra resultou de um grande gesto técnico do neandertal que dá pelo nome de Dankler.

Quanto à equipa de arbitragem liderada por Manuel Oliveira, começou por deixar jogar até ao limite da falta, até que começou a distribuir cartões aos molhos. Várias faltas por sancionar para ambos os lados (com maior prejuízo para os visitados) e cartões para a comunidade.  

Lances capitais também houve: aos 55' erro duplo, primeiro a não invalidar o lance por offside, segundo por não marcar grande penalidade por agarrão a André Silva - entenda-se que o lance deveria ser anulado logo à partida, mas, não tendo sido, ocorre o segundo erro; o golo anulado a Rui Pedro parece ser boa decisão por ligeiro adiantamento; o penalti de que resulta o primeiro golo é claramente forçado, um típico penalti à Jonas, onde o avançado desvia a bola do redes e depois aguarda ligeiro e angélico pelo inevitável toque (preferia que nunca se assinalasse estes lances, mas prefiro ainda mais que seja igual para todos); logo de seguida, pode ter ficado um penalti por marcar sobre Rui Pedro, que se deixou cair mas antes foi tocado - mas aceito a decisão, até porque o jogador também a aceitou. Em resumo, alguns erros, mas sem influência na distribuição dos pontos.


Foi muito bom - e um enorme alívio - ter ganho. Por cada passo que dá em frente, Nuno parece dar sempre dois atrás. Assim, vai ser muito difícil a equipa aguentar-se. Como se já não bastasse ter de enfrentar adversários e árbitros, agora tem também que vencer apesar do seu treinador? Já veremos o que nos "oferece" contra o Sporting, mas também Nuno tem que evoluir - aliás, "revolucionar-se", para ainda ser em tempo útil.


Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor


P.S. - começa mal o clássico, com a impossibilidade da lesma Carvalho ser opção...



quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Mid-Season Review: Parte Três - Os Reforços


Conforme prometido, após as análises individuais e ao colectivo, termino a revisão da primeira metade da época com um olhar mais atento aos desempenhos dos novos reforços.

Observe-se o quadro-resumo das suas prestações individuais, seguindo os mesmos indicadores já anteriormente usados.


Quadro 1 - Os reforços "à lupa"


Apesar de já pertencer aos quadros do Clube, Otávio apenas esta época se estreou pela equipa principal, pelo que se qualifica como reforço - e, na verdade, foi mesmo isso, um verdadeiro reforço, tal a forma como rapidamente se assumiu como indiscutível e indispensável. 

No mesmo sentido, mas com uma afirmação mais progressiva, Alex Telles e Felipe fecham o pódio dos reforços com melhores desempenhos individuais.

Este trio foi seguido de perto por uma dupla de respeito, os emprestados provenientes do Atlético de Madrid, Óliver e Jota, ambos "vítimas" das enormes expectativas que todos depositamos sobre a sua chegada (em especial Óliver), reduzindo assim, aos nossos olhos, o brilho dos seus desempenhos mais do que proporcionalmente merecido.

Mas os números são eloquentes e dizem-nos que se estiveram bem em alguns aspectos, noutros ficaram aquém - quem não esperava que Óliver tivesse mais assistências por esta altura? (NES, apenas ele). As suas cláusulas são proibitivas e até desenquadradas do seu valor de mercado, mas acredito que "até lá" os clubes se consigam entender.

Quanto a João Carlos Teixeira, continua a ser para mim uma incógnita o seu real valor. Teve poucas oportunidades mas procurou afirmar-se nas que teve. Parece ser jogador, mas... falta confirmar. Tendo chegado em free transfer, não me parece mau negócio até ver.

Boly e sobretudo Depoitre defraudaram de sobremaneira as expectativas, beneficiando o primeiro ainda de maior margem e tolerância. Mas ambos custaram "boas maquias", injustificadas até à data de hoje e à luz dos seus desempenhos. Logo veremos o que o final da temporada nos "dirá" sobre isto.


Individualmente:


Alex Telles (6M€) - Excelente adição ao plantel, pegou "de estaca" na equipa titular e não prevejo que de lá saia. Senhor do seu flanco, é rápido a subir e a recuperar. Como pontos a melhorar, a intensidade defensiva e a objectividade dos seus cruzamentos e/ou últimos passes.


Willy Boly (5M€) - Chegou como último recurso em cima do fecho das inscrições, depois de goradas outras hipóteses como Mangala, e após avanços e recuos. Até agora, está a dar razão aos "recuos", mas em verdade pouco se mostrou e pode ainda dar o salto. A rever.


Felipe (6,2M€) - Sentiu claramente o peso da travessia do Atlântico, ao encontrar um futebol mais exigente a todos os níveis, em especial na velocidade e no rigor táctico. Precisou, portanto, de um período de adaptação, mas desde logo mostrou qualidade por lapidar. E acabou por encurtar esse período face ao que seria expectável, ao ponto de hoje pouco se falar na falta de um central de categoria (creio ser só mesmo eu a fazê-lo - e não é por causa de Felipe).


Inácio** (3M€ por 50%) - Apenas duas presenças na equipa principal e em nenhuma desiludiu. Tem qualidades técnicas evidentes, falta saber se suficientes para justificar o elevado investimento inicial para um jogador da B.
Valor actual: ?


Óliver Torres (emprestado) - O regresso do bem-amado foi o ponto mais alto das contratações, e apesar da estreia em jogo de má memória, não demorou a impor-se. No entanto, Nuno tinha outros planos para ele, pelo que foi forçado a adaptar-se à nova realidade (um pouco à semelhança do que fez Deco quando ingressou no Barça) e isso demora o seu tempo. Talvez por isso, não esteve ainda à altura do muito que dele se espera - mas tem toda a segunda volta para lá chegar e, com isso, justificar o bilhete definitivo para se fixar no Dragão.


Otávio* (2,5M€) - Exemplo perfeito do subir a pulso, passou da B para o Vitória, onde brilhou, e com isso garantiu presença na pré-epoca. Creio que terá surpreendido quase todos (incluindo ele próprio), tal a forma afirmativa e (a espaços) deslumbrante como agarrou não só a titularidade, como a batuta da equipa. Com a primeira lesão foi-se a inspiração, que até hoje ainda não conseguiu recuperar. Mas o talento está lá, para ser confirmado nesta segunda metade da temporada como um jogador de nível europeu.


João Carlos Teixeira (free) - chegou dispensado do Liverpool e por algum motivo isso aconteceu (dificilmente um bom). Demorou muito a ter uma oportunidade, mas esforçou-se por a agarrar quando finalmente surgiu. Tem bons pés e visão de jogo, falta saber se tem tudo o resto que é essencial para vingar como profissional de futebol a este nível.


Diogo Jota (emprestado) - veio emprestado do Atlético, mas o nível futebolístico era ainda o de Paços de Ferreira, pelo que tem ainda muito para evoluir e aprender, para que possa tirar total partido das suas imensas qualidades. Falta saber se - mais uma vez - não estamos a trabalhar para que outros colham os frutos, embora suspeite que seja possível contratá-lo em definitivo por um valor bem mais ajustado do que o da cláusula. Entretanto, pois que continue o seu crescimento e, em paralelo, que continue também a acrescentar valor a esta equipa.


Depoitre (6M€) - Um perfeito desconhecido até ao momento em que soubemos da sua contratação, pelo que nunca deixaria de ser uma surpresa. Infelizmente, foi uma má surpresa, ainda se previsível. Altos e loiros era noutro tempo e até agora quase tudo o que fez oscilou entre o sofrível e o paupérrimo. Mas a culpa nunca será dele, mas sim de quem o contratou. Factual é que não foi a essencial alternativa/complemento a André Silva.
Valor actual: 6,5M€ (funny bunny)


Rui Pedro** (formação) - É ainda júnior, apesar de pertencer aos quadros da equipa B. Teve um sublime e inesperado momento de glória, a que dificilmente poderá dar sequência sem completar o seu crescimento como jogador. Se acabarmos campeões, assegurará o seu lugar na história, mas de pouco lhe servirá se não continuar a evoluir - que Kelvin lhe sirva de (mau) exemplo.

Valor actual: ?


Nota: todos os valores são retirados do site transfermarkt (excepto Inácio), conforme se pode comprovar seguindo os links dos valores actuais. Alguns não reflectem o custo real (Otávio) e outros têm uma valorização actual no mínimo... duvidosa.

** Jogadores do FC Porto B


E assim se conclui esta "breve" análise à nossa primeira metade da época, na expectativa de que a segunda possa ser bem mais "alegre" e festiva. E para que isso aconteça, dava um jeitaço ganhar sábado na Amoreira... vamos a eles, carago!!



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

F.C. Porto - O Melhor Clube da Democracia


Já o digo desde que sei falar, mas desta vez não sou eu: são as estatísticas da UEFA.




No gracioso dia 23 de Janeiro do ano do Senhor de 2017, foi publicado no site da UEFA Champions League a estatística oficial da competição desde o seu início. 

Sem surpresa, mas sempre bem escondido da luz do dia, o F.C. Porto é o clube português melhor classificado da Era Champions

Um honroso nono lugar no ranking graças aos 185 pontos já conquistados, sempre em benefício deste país que tanto nos despreza. É verdade que somos também o clube com mais derrotas, mas qual a surpresa, se somos também um dos três clubes com mais presenças (vinte e uma) e nunca dispusemos senão de uma pequena fracção dos orçamentos da grande maioria dos clubes que marcam presença neste top-25? 

Endosso também sinceros parabéns ao Benfica por estar presente neste ranking. Vigésimo lugar não é desonra nenhuma. Pouco mais de metade das nossas presenças não envergonha ninguém. E menos de metade dos nossos pontos também não. 

Sem surpresa, por cá nenhum dos merdia do costume reparou. É a chamada dor imensa.

Permitam-me pois carregar um pouco mais nessa ferida que não sara:

 
F.C. Porto, o Melhor Clube do Portugal democrático.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Mid-Season Review: Parte Dois - Desempenhos Individuais


Analisado o desempenho colectivo da equipa, é tempo de olhar para as prestações individuais dos jogadores do plantel principal.

Como já vem sendo hábito, esta minha análise tem por base os dados estatísticos, as notas DPcA e a sempre subjectiva reflexão sobre os dois primeiros. Desta vez, vou também analisar em separado o valor acrescentado que trouxeram os "reforços" da época.

Começando pela quantidade, isto é, pela utilização efectiva, atente-se às zonas coloridas do quadro seguinte.

Quadro 1 - Utilização individual (clicar para ampliar)

A leitura mais imediata que se pode fazer é do total de minutos jogados, ordem pela qual os jogadores estão dispostos no quadro.

Destaquei os seis primeiros porque contam com muito mais minutos do que os restantes (o sétimo da lista - Óliver - tem 460 minutos a menos do que o sexto). Sem surpresa, são os elementos da defesa que maior representação têm neste top 6, a que se juntam Danilo e André Silva.

A surpresa está na lateral direita. Maxi e (sobretudo) Layún têm bem menos minutos do que na época passada, facto que se deve dois motivos: primeiro, a chegada triunfal de Alex Telles; segundo, as lesões que têm acossado ambos. Ainda assim, o registo defensivo é bastante positivo, pelo que é seguro afirmar que não causou mossa esta irregularidade. Já a nível ofensivo, haveria pano para mangas para discutir - e por lá passaremos, ao de leve.

De positivo, as entradas de rompante de Óliver, Otávio e Jota, relegando para segundo plano primeiras figuras da época passada. E claro, André Silva - embora esta seja também uma utilização forçada, pela declarada falta de alternativas.

Pela negativa, registo o decréscimo de utilização de André André, Brahimi, Rúben e Sérgio Oliveira, entre os "velhos", e de Depoitre, JC Teixeira e Boly, entre os que chegaram esta época.

Outras notas:

 -  Em termos de jogos completos (em que o jogador participa de princípio ao fim), destaque para a quase inacreditável marca de Otávio (apenas 3 jogos completos em 20), seguido de perto por Jota (4 em 22), Corona (6 em 26) e Óliver (8 em 24). Se por um lado é normal serem os jogadores mais ofensivos os mais refrescados, por outro parece-me haver uma clara tendência de Nuno para "sacrificar" sempre os mesmos - e nem sempre (ou poucas vezes!) de forma acertada, sobretudo tendo em conta a "falta de banco" para os substituir à altura.

 - Como curiosidade, mas também de certa forma sintomático, o menino André Silva é o jogador com a maior série de jogos consecutivos: foram 20 partidas sem folgar. Com alguma surpresa (minha), seguiu-se Marcano (19) e Alex Telles (17), mas também fruto do mesmo sintoma de AS: falta de alternativas credíveis ou, se quisermos ser optimistas, falta de afirmação das alternativas credíveis.


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Avançando para a produção ofensiva, materializada em golos e assistências, a liderança de AS é inequívoca com 16 golos, com o segundo (Jota) a uma enorme distância (-11) e os terceiros com menos um (4 golos). Aqui reside um dos nossos problemas: por um lado, são poucos golos como um todo; por outro, há uma dependência grande face ao melhor marcador, que é um "menino" com ainda pouca resistência mental para enfrentar períodos de "seca".


Quadro 2 - Golos e Assistências (clicar para ampliar)


Pela negativa, todos os outros avançados (Depoitre e Adrián), cuja produção é manifestamente escassa.  Rui Pedro não é deste plantel, pelo que não o incluo na análise. E jogadores com uma produção demasiado escassa no campeonato, sendo Corona um dos "piores" exemplos nesse sentido.

A nível das assistências, Otávio é o sucessor de Layún, mas com uma produção bem inferior. Telles era o segundo no final da primeira volta e havia um trio com três passes para golo.


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O terceiro vector desta análise assenta na pontuação atribuída nas análises aos jogos, onde a lógica sugere que quem tem mais minutos, tem mais pontos. Marcano, um dos dois jogadores com mais minutos, lidera a tabela, mas AS consegue ficar à frente de Felipe (o outro mais utilizado). No entanto, os maiores destaques estão mais abaixo: Corona, com menos 700 minutos de utilização do que Casillas, consegue somar mais um ponto do que o espanhol no final da primeira volta; Jota e Otávio também se destacam pela mesma medida, nos nono e décimo lugares da tabela.


Quadro 3 - Pontos DPcA e MeC (clicar para ampliar)


Um rácio que ajuda a relativizar o tempo de utilização e a destacar a qualidade das exibições é o dos pontos por jogo disputado: e aqui é Danilo quem lidera, com uma média de 6,55 pontos/jogo, seguido de perto por Otávio, AS e Brahimi, que aproveitou quase sempre bem as "poucas" vezes em que foi chamado.

Pela negativa, mas sem qualquer surpresa, as piores médias são de Depoitre e Herrera (Varela não "conta", tão escassa que foi a sua utilização).

A terminar, destaque para as distinções de "Melhor em Campo". Mais uma vez, AS lidera com 6 nomeações, o dobro do que os segundos classificados Corona e Otávio conseguiram. E, mais uma vez, se observa a excessiva dependência do sucesso desta equipa da produção do jovem ponta-de-lança. No total, foram 10 os jogadores agraciados com a distinção.


Em jeito de conclusão, vamos isolar os jogadores em maior destaque (positivo e negativo) nesta primeira metade da época.

Em destaque pela positiva:

 - André Silva (golos, pontos e utilização)
 - Danilo (utilização, pontos por jogo)
 - Marcano (utilização e pontos)
 - Alex Telles (utilização e assistências)
 - Diogo Jota (assistências e pontos)
 - Otávio (assistências e pontos)
 - Corona (pontos e pontos por jogo)
 - Felipe (utilização)


E pela negativa:

 - Depoitre (golos, utilização e pontos por jogo)
 - Herrera (utilização e pontos por jogo)
 - André André (utilização, assistências, pontos)
 - Boly (utilização)
 - Sérgio Oliveira (utilização)
 - Layún (utilização)
 - Maxi (utilização)


Daqui se pode deduzir um diagnóstico do que correu bem e (especialmente) menos bem, para que se perceba o que tem de ser rectificado, na medida do possível, neste mercado de inverno.

Já a seguir, a terceira parte desta avaliação intercalar, onde se analisa o impacto dos reforços que chegaram no verão de 2016.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Os Malucos das Máquinas Voadoras



Tudo fica bem quando acaba bem, não é assim? Nem sempre.


Alex e os amigos


O "acabar bem" é sem dúvida o mais relevante e a única coisa que não poderia falhar. Mas mais - muito mais - houve antes que chegasse o final feliz, presenciado por mais de 40 mil espectadores numa quase inédita soalheira tarde de sábado.

Logo à partida, deu a sensação de que Nuno "Dick Dastardly" Espírito Santo engendrou mais um plano maquiavélico para provocar uma síncope colectiva de dimensão IURDica na "fortaleza" do Dragão.

Tenho visto muita coisa inusitada nestes últimos anos, mas passar a maior parte de um jogo, em casa e contra "um" Rio Ave, a aliviar a bola para as couves, a recupera-la para logo a perder, tal a incapacidade revelada para a segurar e dar início à construção ofensiva, acho que foi a primeira vez.

Aliás, seria até capaz de jurar que a única coisa que Nuno se fartou de gritar para dentro do campo foi... 


Muttley, doooo something! 



E Alex Telles, o Muttley de ocasião, fez mesmo.

Ele foi o laser telescópico, os "olhos em terra" que guiaram a bola com extrema precisão para a intercepção perfeita pelas nossas máquinas voadoras: Felipe, Marcano, Danilo e Rui Pedro, todos marcaram de cabeça, os primeiros três a partir do segundo andar.

Mas este foi um jogo estranho, muito estranho, face àquilo que costumamos ser.

Fomos razoavelmente eficazes, encolhemo-nos atrás com medo que o céu nos voltasse a cair em cima, tivemos menos posse de bola que o adversário e, no final, ficámos com os três pontos no bolso. Uma mescla de ocorrências nada frequentes na nossa banda.

Regresso ao início do texto: tudo acabou em bem. E assim foi porque houve fibra, crença e vontade para recuperar de um penalti perfeitamente idiota provocado por Layún, que logo no recomeço nos deixou atrás no marcador. Em apenas 13 minutos demos a volta e isso foi o que de mais positivo sobrou deste jogo.

A primeira parte não deixou saudades a ninguém, especialmente a Casillas, Corona e (não sei se já o mencionei) ... Layún. O primeiro, deu uma contribuição generosa para o próximo Thanksgiving dos sobrinhos do Tio Trump; o segundo, lesionou-se mesmo a terminar e o terceiro... só fez asneira. Foram 45 minutos de jogo aberto, boa parte deles a ver jogar o Rio Ave. O empate era penalizador mas, enfim, aceitava-se.

A segunda parte recomeçou com... Layún, a desvantagem e a reviravolta, após a qual ainda sobrava cerca de meia hora para jogar. E aí a coisa voltou a ficar feia, com o já referido recuo, pareceu-me que fruto de um qualquer receio de voltar a sofrer um golo - como se recuar não fosse o primeiro passo nessa direcção. 

A tranquilidade só chegou aos '88, ironicamente na resposta à melhor oportunidade do Rio Ave para empatar. Sim, correu(-nos) bem. Felizmente. E justamente, também. Venha o próximo, que o sofrimento é já uma constante desta vida de Portista...

A festa do primeiro


Notas DPcA 

Dia de jogo: 21/01/2017, 16h00, Estádio do Dragão, FC Porto - Rio Ave FC (4-2). 


Casillas (4): Um frango embaraçoso e nenhuma oportunidade para se redimir.

< 56' Layún (1): Ponderei e "deixei arrefecer" antes de escrever... objectivamente, só fez cagada. Logo ao minuto '5 fez uma falta displicente junto à nossa área, como prenúncio do que se seguiria. Aos '24 pisou um adversário, aos '43 abalroou Cássio e viu o justo amarelo. No regresso fez aquele penalti e, não satisfeito, tentou expulsar-se por mais duas vezes antes de ser finalmente retirado do jogo. Ponderei e vou acreditar que foi apenas um dia muito mau, após uma ausência prolongada. E que a notícia da ESPN não teve nada a ver com isto - merece(-me) esse crédito pelo que já fez de Dragão ao peito. 

Melhor em Campo Alex Telles (8): Três assistências e outras tantas bolas perigosas, sempre a partir de livres laterais, foram a face mais visível da sua exibição, mas durante o resto do tempo esteve sempre activo e empenhado em conquistar a vitória. Não seria fácil fazer muito melhor.

Marcano (7): Jogo muito sólido e de raça, com dois pecadilhos (aquela entrada e um passe "perigoso") e um golo importante.

Felipe (7): Exibição muito semelhante à de Marcano (em termos da sua contribuição).

Danilo (8): Aquele momento em que, após perdemos a bola num canto ofensivo, galgou cem metros a toda a velocidade, ultrapassou o adversário que se isolava e acabou a sair com a bola para novo ataque, fez-me levantar da cadeira e define-o como homem. É cada vez mais um orgulho vê-lo de azul e branco. E marcou o terceiro, já agora.

Herrera (6): Ler e ouvir em diversos fóruns que foi dos melhores da equipa correspondeu ao meu ponto alto da noite (parte 2); para alguns (muitos?), o nível de exigência para com ele já é tão baixo que basta não ser incrivelmente mau para ser bom. Era doce... mas não. Vagabundeia pelo campo como alma penada, metade das vezes fora de tempo e posição, e com isso destabiliza o jogo colectivo, especialmente a defender. Foi preciso esperar 69 minutos para assistir a um bom passe de Herrera, altura em que já tinha recuado (e bem) para defesa direito, onde ficou amarradinho e jeitosinho, sem estragar noutras zonas. E cumpriu nessa posição. Iupi.


A justa aclamação do senhor Comendador

< 82' Óliver (7): Talvez o problema esteja nas minhas expectativas, mas uma vez mais falhou demasiados passes - não tipo Herrera, obviamente, mas daqueles que abrem espaços, criam rupturas e levam selo de golo. Fez um e outro, mas falhou vários. E eu sei que ele é capaz, todos sabemos. No resto, esteve incansável e foi importante nos equilíbrios, como sempre.

< 46' Corona (6): Saiu lesionado ao intervalo e o que ficou para trás não foi brilhante. Quer dizer, não foi mau, porque até construiu alguns lances relevantes, com destaque para o que Jota haveria de desperdiçar na trave. Antes disso, falhou o remate já na cara de Cássio. E foi-lhe sonegada uma segunda oportunidade, devido a uma má decisão arbitral.

Diogo Jota (7): Quase sempre discreto, porque não finalizou nem assistiu, mas teve bons momentos de qualidade individual e de entendimento colectivo. Está a crescer, ainda que a muitos possa passar despercebido. Pena a bola na trave.

André Silva (6): Desta vez, nem golos nem oportunidades flagrantes. Mas trabalhou muito, muito mesmo, e foi "para cima deles", quase sempre com critério. São os momentos de penumbra de um avançado, mas nem por isso obrigatoriamente maus - neste, não foi de certeza. 

> 56' Rui Pedro (7): O nosso júnior voltou a ser feliz em casa - e quando digo feliz, é literalmente, porque cabeceou mal e à figura no lance do seu golo. NES aparentemente acha que ele já está pronto, ainda que se contradiga na sala de imprensa. Eu acho que não está - mas, se continuar a marcar, ficará mais depressa, disso não tenho dúvidas. O problema é se não marca.

> 82' J.C. Teixeira (6): Deu uma lição práctica de como aproveitar ao máximo uma oportunidade escassa. Só precisou de seis minutos em campo para arrancar uma excelente jogada pela esquerda, ser feliz no passe (há ressalto no pé adversário) e assistir Rui Pedro. Nós e o júnior agradecemos, acrescentando eu que merece mais tempo de jogo. Já no próximo, sff.

> 46' André André (6): Entrou lento e sem a determinação necessária para ganhar ressaltos e bolas divididas, mesmo a pedir para ser emprestado. Foi subindo de produção com o jogo, ao ponto de se tornar relevante na última meia hora. É preciso mais, André, desde o primeiro segundo em campo até ao último. Para assistir ao jogo, é na bancada.

NES (6): Missão cumprida, outra vez aos solavancos (está bem, pode ser sempre assim até final, mas não me peçam para o glorificar por isso). Lançar Herrera no onze é sempre (em minha opinião) arriscar-se a surpresas. Desta vez não houve surpresa, "apenas" o normal do mexicano num dia mediano. E com isso, a equipa desequilibra-se, tem mais dificuldade em pressionar em conjunto e encontrar linhas de passe. A lesão de outro mexicano complicou-lhe as contas, de tal modo que preferiu substituí-lo por um médio pachorrento, que quase não dá profundidade e ainda menos criatividade (em especial nesta sua fase) - isto com o jogo empatado. A equipa reagiu por ele ao disparate do terceiro mexicano e aí sim, Nuno esteve bem ao tirá-lo do jogo, porque seria uma questão de minutos até ser finalmente expulso. Depois, creio que demorou muito a mexer quando nos encolhemos com medo do futuro. JC Teixeira deveria ter entrado bem mais cedo (aliás, ao intervalo, para o lugar de Corona). No final, teve "razão" porque ganhámos. Mas seria desonesto da minha parte não o criticar só porque ganhámos. 


Finalmente, a certeza da vitória



Outros Intervenientes:


Uma vez mais, foi Gil Dias quem mais reluziu no Rio Ave, agora de Luís Castro. Também em foco estiveram a motinha Héldon, Guedes e Felipe Augusto. É uma boa equipa este Rio Ave, e tem uma atitude positiva perante o jogo - a única que haveria de ser permitida. Perdeu, mas poderia ter ganho ou empatado. Perdeu, mas deixou boa imagem. Perdeu, mas o futebol ganhou. Viram, "Marafonas", o que são homens a jogar um jogo de homens? 

Jorge Sousa é um árbitro tecnicamente fraco, mas isso até nem se destaca muito quando comparado com o seu feitio, alinhavado por aquela mesquinhez recalcada de quem levou na tromba quando era petiz e só chorou em troca, e que agora parece ter escrito na testa "pelo menos nestas duas horas, posso, quero e mando". Deprimente, acima de tudo. Vários erros relevantes, desde a não-expulsão de Layún ao anulamento de duas jogadas em que Corona e Rui Pedro se isolavam perante o redes adversário. E alguns amarelos a menos, e um a mais a Telles. No nosso primeiro golo, pode haver offside fraccional - mas nem isso tenho como certo, porque mãos e braços já não contam para o fora-de-jogo desde Junho de 2016 - por isso a decisão de validar foi a mais correcta.


Segue-se a (não sei bem por que motivo) sempre difícil deslocação ao Estoril. Para ganhar, obviamente. Antes disso, publicarei as prometidas segunda e terceira parte da mid-season review. Stay tuned!


[Adenda]: por lapso, esqueci-me de registar o minuto de silêncio que se observou em memória de Carlos Alberto Silva, o nosso "professor Astromar". Foi a real encarnação do chegar, ver e vencer - duas vezes. Até sempre, bicampeão.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor






sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A Segunda Volta em Oitenta Linhas


Enquanto se apuram estatísticas e juízos sobre a primeira parte da temporada, aproveitemos para olhar com atenção para o que nos espera na derradeira metade, já quase totalmente focada no Campeonato, o nosso objectivo maior de todos os anos.

Se acha o estimado leitor que a primeira volta foi complicada, então prepare-se, porque a segunda vai ser bem mais... estimulante. Vejamos a lista de jogos completa (conhecida à data de hoje):




Desta feita, comecei por atribuir a cada jogo um grau de dificuldade, conforme se pode ler na tabela acima: 1 é o mais fácil, 5 o mais difícil e entre ambos se quedam os demais.

Comecemos já pela Juventus, com realismo. Serão necessários dois jogos extraordinários da nossa parte, aliados a alguns tiros no próprio pé por parte dos italianos (à lá Roma), para que seja possível estarmos no próximo sorteio da prova. À partida, são claros favoritos: melhor equipa, melhores valores individuais, melhor treinador e (muito) maior disponibilidade financeira. Não há como justificar a sua eliminação às nossas mãos. Só que... isto é futebol. Podemos sonhar, mas conscientes de que se trata de um sonho.

Vamos aproveitar estes dois jogos para nos ajudar a definir ciclos no campeonato. O primeiro, até ao jogo da primeira mão, apresenta-nos quatro ossos duros de roer e um mais acessível - precisamente o último, na recepção ao Tondela. Antes desse, o Rio Ave amanhã, o Estoril fora (sempre complicado), a recepção ao Sporting e o assalto ao castelo. Tudo muito exigente, para homens. Se conseguirmos cinco vitórias, estaremos em definitivo lançados para o título, faça o Benfica os resultados que fizer. E um possível brilharete contra o campeão italiano fica muito mais próximo...

O segundo ciclo compreende as três jornadas entre os dois jogos dos oitavos. Saídas ao Bessa e a Arouca e recepção ao Nacional. Em teoria mais acessível, mas o derby apresenta sempre dificuldades adicionais que convém acautelar.

Concluída a aventura europeia (esperando que assim não seja), segue-se uma recepção aos de Setúbal para ganhar moral para a ida à Luz, onde, com grande probabilidade e uma vez mais, jogaremos quase todas as nossas hipóteses de os ultrapassar.

Mas não se pense que as grandes dificuldades terminam aqui. Até final, ainda temos três saídas de grande exigência: Braga, Chaves e Marítimo (estas duas seguidas). Nem quero imaginar se tivermos uns quartos-de-final pelo meio...

Por outro lado, regressar da Madeira em primeiro lugar só pode significar o regresso ao título - Paços em casa e Moreirense fora não podem ser obstáculos intransponíveis.


Será, de facto, uma segunda volta para Homens. Mesmo se - como seria justo - estivéssemos nós com quatro pontos de avanço, seria um calendário desafiante. Com quatro de atraso, promete ser épico

Mas, foi disto que a nossa história se fez. E eu não vejo motivos para que assim não continue. 

E tudo começa já amanhã, contra o Rio Ave. Por isso... vamos a eles, c@r@lho!



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor



quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Mid-Season Review: Parte Um - A Equipa


Mid-Season Review foi a forma mais abreviada e ajustada para título que me ocorreu (que me desculpem os puristas da língua mater, ups... lá estou eu outra vez, deve ser patológico) para designar a análise de meio de época ao desempenho do FC Porto.

Pela sua extensão, justifica-se dividi-la em partes - três, para ser mais preciso. Nesta primeira vamos olhar para o desempenho da equipa como um todo, tendo por base as "estatísticas" que fui recolhendo jogo após jogo e, como não poderia deixar de ser, a minha perspectiva pessoal sobre a questão.

Antes de começar, estive cerca de uma hora em frente ao espelho a repetir incessantemente três frases, na tentativa de "purificar" as minhas opiniões pré-feitas:

"O Herrera não é assim tão feio"
"O Depoitre não é assim tão mau"
"O Nuno não é assim tão... tão!"

Se consegui ou não, caberá ao estimado leitor decidir quando terminar a leitura desta trilogia. Vamos então aos números.



Mid-Season Review: Parte Um - A Equipa


Jogos oficiais realizados (clicar para ampliar)

Nesta primeira metade da temporada, o Porto disputou 30 partidas oficiais, divididas por Campeonato (17), Champions League (2+6), Taça da Liga (3) e Taça de Portugal (2). Somou 16 vitórias, 11(!) empates (o de Chaves transformou-se em derrota, após as g.p.) e 3 derrotas, assim repartidas pelas diferentes competições:

Campeonato:       11V - 5E - 1D  
Champions:           4V - 3E - 1D
Taça Portugal:       1V - 1E - 0D
Taça da Liga:         0V - 2E - 1D

Este conjunto de resultados valeu-nos estar já arredados das duas taças nacionais, o apuramento para os oitavos da prova europeia e o segundo lugar no campeonato, com 4 pontos de atraso.


Começando pelas taças nacionais, há que distinguir claramente o comportamento numa e noutra. 

Na Taça de Portugal caímos, em casa do excelente Chaves, no desempate por grandes penalidades. E, portanto, há que o assumir: falhámos enquanto equipa. Os penaltis treinam-se, técnica e mentalmente, e tendo em conta o desfecho, não os treinámos o suficiente. Sim, que o Capela fez de tudo para nos empurrar até essa decisão e, não fosse por ele, provavelmente teríamos ganho durante o jogo jogado. É indiscutível e inaceitável, mas ainda assim não foi o árbitro quem nos eliminou: foi o Chaves, que marcou melhor os penaltis.

Na Taça da Liga, fomos "iguais a nós próprios", fazendo bom uso do luso-futebolês. Três jogos e nem uma vitória, contra adversários claramente inferiores em todos os parâmetros. Houve, uma vez mais, interferência ilícita e perniciosa das arbitragens em dois deles (Feirense e Moreirense), mas não há como negar que a nossa prestação foi indigna do Clube que somos. 

No entanto, aqui a má arbitragem foi mesmo decisiva. Este é um exemplo paradigmático daquilo que não me canso de repetir em contra-corrente da opinião fabricada pelos merdia e opinadeiros avençados:

"Mesmo a jogar assim tão mal, teríamos passado à Final Four, não fosse pelos claros e inegáveis prejuízos causados pela arbitragem".

Se gostaria que a minha equipa tivesse um comportamento melhor? Obviamente. Se isso tem alguma relação com o que acima se expôs? Nenhuma.


Senhoras e senhores, meninas e meninos: eis o Palhaço Internacional do Circo Octopus!


Avançando para a Champions League, o saldo até ao momento só pode ser considerado extremamente positivo

É importante nunca esquecer que tivemos de ultrapassar a AS Roma na pré-eliminatória e que esse foi, até ao momento, o maior (e único?) feito de Nuno Espírito Santo. Todas as probabilidades estavam contra nós. 

Na fase de grupos, tivemos a felicidade de cair num dos mais acessíveis (nunca fáceis) de sempre. E cumprimos, garantindo o apuramento. Se jogámos bem? Não, nem por isso. Aliás, o mais justo será dizer que mantivemos a estrelinha que já vinha da pré-eliminatória: a vitória em Brugge é disso o melhor exemplo. No final, o que mais interessa é estar apurado e não como o conseguimos. Por isso, parabéns equipa. Missão cumprida para esta época.


Para o final, deixei o mais importante: o Campeonato.

Arranque positivo, quebrado demasiado cedo pela derrota de Alvalade. A arbitragem tendenciosa foi a primeira amostra daquilo que haveria de ser o resto da primeira volta competição: em caso de dúvida (ou nem isso), sempre contra nós.

Apesar da incidência, uma derrota em Alvalade pode ser considerada normal, até pelo histórico de assaltos no Campo Grande. O que não foi, nem nunca poderá ser normal, foi o empate em Tondela, na jornada seguinte. Houve também "hesitações arbitrais", mas a nossa exibição foi paupérrima. Nuno promoveu uma pequena revolução no onze e, ainda por cima, falhamos golos feitos - as outras duas "cruzes que carregamos" durante toda a primeira volta e que em muito condicionaram o nosso destino.


Temos portanto uma outra trilogia, a dos problemas que nos flagelam impiedosamente:

1 - Arbitragens
2 - Inconsistência de Nuno, nas escolhas e na forma de jogar
3 - Gritante ineficácia na concretização

Aparentemente, estamos a fazer barulho suficiente para que o primeiro deixe de ser factor, ou que, pelo menos, seja menos evidente e o mal melhor distribuído. No entanto, note-se que o mal já está feito - não fossem as más arbitragens e com grande probabilidade seríamos lideres isolados do campeonato, mesmo a jogar assim tão mal.

O segundo só depende do treinador, que a meio do percurso até deu sinais de ter estabilizado, mas que entretanto voltou a baralhar e dar de novo. Não há equipa que consiga ser campeã de uma prova com 34 jornadas sem atravessar grande parte desse percurso de forma consistente, com ideias sólidas e conhecidas de todos, e com uma base fixa de jogadores. Estamos a meio, Nuno.

A terceira e última praga é de mais difícil resolução. Ou melhor, até seria a mais fácil, tivéssemos nós aforrado parte daquilo que torramos nos últimos anos. Não tendo, não se perspectiva fácil encontrar um goleador credenciado que se encaixe nas nossas possibilidades financeiras. Sim, porque não temos nenhum. AS é um avançado com grande talento e ainda maior futuro, mas não é (ainda?) um goleador. Rui Pedro é júnior ainda. Depoitre... é um pinheiro. E Adrián... quem é Adrián?


Momento '95


Continuando na análise da primeira volta, depois de Tondela tivemos o nosso melhor período na competição, interrompida apenas em Setúbal, na véspera da recepção ao Benfica. Um jogo onde a tal trilogia se revelou em todo o seu esplendor. Arbitragem a não assinalar um penalti claro já perto do fim, antecedido de um jogo mal jogado mas ainda assim com várias perdidas escandalosas. Teríamos marcado o penalti? Aposto que sim, mas ninguém o pode garantir.

Aqui começou o nosso pior momento, com seguimento no empate consentido no clássico (e outra vez uma arbitragem prejudicial), e que só terminou com a vitória milagrosa (pelo momento, não pelo merecimento) frente ao Braga. Para trás, ficaram 6 empates em 8 jogos (3 em 3, para o campeonato).

E quando tudo indicava que esse momento (o de Rui Pedro, aos '95) tinha marcado o ponto de viragem rumo a uma época de sucesso, eis que chega a pausa natalícia. Maldito Rodolfo (o nariz não esconde as suas preferências), que nos levou o ímpeto! No regresso, os desaires na Taça da Liga acabaram por condicionar também o nosso jogo em Paços de Ferreira, caindo no final dessa jornada para uns colossais seis pontos de atraso.

Por sorte, os nossos amigos do Bessa apanharam o polvo de cócoras e aguentaram um heróico empate até final. Estamos de novo a quatro pontos de distância do objectivo.

O caminho? Já o disse e repito:

Ganhar todos os jogos ou, no mínimo, fazer melhor do que o Benfica a cada jornada, e esperar que isso seja suficiente para que a ida à Luz seja feita com não-mais do que três pontos de atraso. E sair de lá na frente.

Vamos a isso, malta boa?


Já a seguir: Mid-Season Review: Parte Dois - Os Desempenhos Individuais

 

Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor