Do Porto com Amor: Mid-Season Review: Parte Um - A Equipa

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Mid-Season Review: Parte Um - A Equipa


Mid-Season Review foi a forma mais abreviada e ajustada para título que me ocorreu (que me desculpem os puristas da língua mater, ups... lá estou eu outra vez, deve ser patológico) para designar a análise de meio de época ao desempenho do FC Porto.

Pela sua extensão, justifica-se dividi-la em partes - três, para ser mais preciso. Nesta primeira vamos olhar para o desempenho da equipa como um todo, tendo por base as "estatísticas" que fui recolhendo jogo após jogo e, como não poderia deixar de ser, a minha perspectiva pessoal sobre a questão.

Antes de começar, estive cerca de uma hora em frente ao espelho a repetir incessantemente três frases, na tentativa de "purificar" as minhas opiniões pré-feitas:

"O Herrera não é assim tão feio"
"O Depoitre não é assim tão mau"
"O Nuno não é assim tão... tão!"

Se consegui ou não, caberá ao estimado leitor decidir quando terminar a leitura desta trilogia. Vamos então aos números.



Mid-Season Review: Parte Um - A Equipa


Jogos oficiais realizados (clicar para ampliar)

Nesta primeira metade da temporada, o Porto disputou 30 partidas oficiais, divididas por Campeonato (17), Champions League (2+6), Taça da Liga (3) e Taça de Portugal (2). Somou 16 vitórias, 11(!) empates (o de Chaves transformou-se em derrota, após as g.p.) e 3 derrotas, assim repartidas pelas diferentes competições:

Campeonato:       11V - 5E - 1D  
Champions:           4V - 3E - 1D
Taça Portugal:       1V - 1E - 0D
Taça da Liga:         0V - 2E - 1D

Este conjunto de resultados valeu-nos estar já arredados das duas taças nacionais, o apuramento para os oitavos da prova europeia e o segundo lugar no campeonato, com 4 pontos de atraso.


Começando pelas taças nacionais, há que distinguir claramente o comportamento numa e noutra. 

Na Taça de Portugal caímos, em casa do excelente Chaves, no desempate por grandes penalidades. E, portanto, há que o assumir: falhámos enquanto equipa. Os penaltis treinam-se, técnica e mentalmente, e tendo em conta o desfecho, não os treinámos o suficiente. Sim, que o Capela fez de tudo para nos empurrar até essa decisão e, não fosse por ele, provavelmente teríamos ganho durante o jogo jogado. É indiscutível e inaceitável, mas ainda assim não foi o árbitro quem nos eliminou: foi o Chaves, que marcou melhor os penaltis.

Na Taça da Liga, fomos "iguais a nós próprios", fazendo bom uso do luso-futebolês. Três jogos e nem uma vitória, contra adversários claramente inferiores em todos os parâmetros. Houve, uma vez mais, interferência ilícita e perniciosa das arbitragens em dois deles (Feirense e Moreirense), mas não há como negar que a nossa prestação foi indigna do Clube que somos. 

No entanto, aqui a má arbitragem foi mesmo decisiva. Este é um exemplo paradigmático daquilo que não me canso de repetir em contra-corrente da opinião fabricada pelos merdia e opinadeiros avençados:

"Mesmo a jogar assim tão mal, teríamos passado à Final Four, não fosse pelos claros e inegáveis prejuízos causados pela arbitragem".

Se gostaria que a minha equipa tivesse um comportamento melhor? Obviamente. Se isso tem alguma relação com o que acima se expôs? Nenhuma.


Senhoras e senhores, meninas e meninos: eis o Palhaço Internacional do Circo Octopus!


Avançando para a Champions League, o saldo até ao momento só pode ser considerado extremamente positivo

É importante nunca esquecer que tivemos de ultrapassar a AS Roma na pré-eliminatória e que esse foi, até ao momento, o maior (e único?) feito de Nuno Espírito Santo. Todas as probabilidades estavam contra nós. 

Na fase de grupos, tivemos a felicidade de cair num dos mais acessíveis (nunca fáceis) de sempre. E cumprimos, garantindo o apuramento. Se jogámos bem? Não, nem por isso. Aliás, o mais justo será dizer que mantivemos a estrelinha que já vinha da pré-eliminatória: a vitória em Brugge é disso o melhor exemplo. No final, o que mais interessa é estar apurado e não como o conseguimos. Por isso, parabéns equipa. Missão cumprida para esta época.


Para o final, deixei o mais importante: o Campeonato.

Arranque positivo, quebrado demasiado cedo pela derrota de Alvalade. A arbitragem tendenciosa foi a primeira amostra daquilo que haveria de ser o resto da primeira volta competição: em caso de dúvida (ou nem isso), sempre contra nós.

Apesar da incidência, uma derrota em Alvalade pode ser considerada normal, até pelo histórico de assaltos no Campo Grande. O que não foi, nem nunca poderá ser normal, foi o empate em Tondela, na jornada seguinte. Houve também "hesitações arbitrais", mas a nossa exibição foi paupérrima. Nuno promoveu uma pequena revolução no onze e, ainda por cima, falhamos golos feitos - as outras duas "cruzes que carregamos" durante toda a primeira volta e que em muito condicionaram o nosso destino.


Temos portanto uma outra trilogia, a dos problemas que nos flagelam impiedosamente:

1 - Arbitragens
2 - Inconsistência de Nuno, nas escolhas e na forma de jogar
3 - Gritante ineficácia na concretização

Aparentemente, estamos a fazer barulho suficiente para que o primeiro deixe de ser factor, ou que, pelo menos, seja menos evidente e o mal melhor distribuído. No entanto, note-se que o mal já está feito - não fossem as más arbitragens e com grande probabilidade seríamos lideres isolados do campeonato, mesmo a jogar assim tão mal.

O segundo só depende do treinador, que a meio do percurso até deu sinais de ter estabilizado, mas que entretanto voltou a baralhar e dar de novo. Não há equipa que consiga ser campeã de uma prova com 34 jornadas sem atravessar grande parte desse percurso de forma consistente, com ideias sólidas e conhecidas de todos, e com uma base fixa de jogadores. Estamos a meio, Nuno.

A terceira e última praga é de mais difícil resolução. Ou melhor, até seria a mais fácil, tivéssemos nós aforrado parte daquilo que torramos nos últimos anos. Não tendo, não se perspectiva fácil encontrar um goleador credenciado que se encaixe nas nossas possibilidades financeiras. Sim, porque não temos nenhum. AS é um avançado com grande talento e ainda maior futuro, mas não é (ainda?) um goleador. Rui Pedro é júnior ainda. Depoitre... é um pinheiro. E Adrián... quem é Adrián?


Momento '95


Continuando na análise da primeira volta, depois de Tondela tivemos o nosso melhor período na competição, interrompida apenas em Setúbal, na véspera da recepção ao Benfica. Um jogo onde a tal trilogia se revelou em todo o seu esplendor. Arbitragem a não assinalar um penalti claro já perto do fim, antecedido de um jogo mal jogado mas ainda assim com várias perdidas escandalosas. Teríamos marcado o penalti? Aposto que sim, mas ninguém o pode garantir.

Aqui começou o nosso pior momento, com seguimento no empate consentido no clássico (e outra vez uma arbitragem prejudicial), e que só terminou com a vitória milagrosa (pelo momento, não pelo merecimento) frente ao Braga. Para trás, ficaram 6 empates em 8 jogos (3 em 3, para o campeonato).

E quando tudo indicava que esse momento (o de Rui Pedro, aos '95) tinha marcado o ponto de viragem rumo a uma época de sucesso, eis que chega a pausa natalícia. Maldito Rodolfo (o nariz não esconde as suas preferências), que nos levou o ímpeto! No regresso, os desaires na Taça da Liga acabaram por condicionar também o nosso jogo em Paços de Ferreira, caindo no final dessa jornada para uns colossais seis pontos de atraso.

Por sorte, os nossos amigos do Bessa apanharam o polvo de cócoras e aguentaram um heróico empate até final. Estamos de novo a quatro pontos de distância do objectivo.

O caminho? Já o disse e repito:

Ganhar todos os jogos ou, no mínimo, fazer melhor do que o Benfica a cada jornada, e esperar que isso seja suficiente para que a ida à Luz seja feita com não-mais do que três pontos de atraso. E sair de lá na frente.

Vamos a isso, malta boa?


Já a seguir: Mid-Season Review: Parte Dois - Os Desempenhos Individuais

 

Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




8 comentários:

  1. Oh, se foi em frente ao espelho, é claro que ficaste a pensar que o Herrera não é assim tão feio...

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    1. Esqueci-me de dizer que tinha a tua foto (tipo passe) colada no espelho. Por isso sim, o teu raciocínio está correcto :-)

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    2. Não sei o que pense de um gajo que anda com a minha foto tipo passe :)))) e na carteira, também tens? :))
      Resumo da midcoisa: 5 pontos e 2 taças abaixo finque devia. É isto.

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    3. Deduzo que esse "do que devia" seja culpa exclusiva dos apitadores...

      Pá, nesse mesmo espelho já as minhas filhas tinham colado o Chase da Patrulha Pata, um unicórnio alado e um emblema do Porto - ficas bem acompanhado :-)

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    4. Wow, ao nível da Patrulha Pata!! You made my day!

      Não, não é exclusiva. Só muita.

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  2. Agora compreendo as notas ao Herrera :)

    Abraço

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