Do Porto com Amor: Os Malucos das Máquinas Voadoras

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Os Malucos das Máquinas Voadoras



Tudo fica bem quando acaba bem, não é assim? Nem sempre.


Alex e os amigos


O "acabar bem" é sem dúvida o mais relevante e a única coisa que não poderia falhar. Mas mais - muito mais - houve antes que chegasse o final feliz, presenciado por mais de 40 mil espectadores numa quase inédita soalheira tarde de sábado.

Logo à partida, deu a sensação de que Nuno "Dick Dastardly" Espírito Santo engendrou mais um plano maquiavélico para provocar uma síncope colectiva de dimensão IURDica na "fortaleza" do Dragão.

Tenho visto muita coisa inusitada nestes últimos anos, mas passar a maior parte de um jogo, em casa e contra "um" Rio Ave, a aliviar a bola para as couves, a recupera-la para logo a perder, tal a incapacidade revelada para a segurar e dar início à construção ofensiva, acho que foi a primeira vez.

Aliás, seria até capaz de jurar que a única coisa que Nuno se fartou de gritar para dentro do campo foi... 


Muttley, doooo something! 



E Alex Telles, o Muttley de ocasião, fez mesmo.

Ele foi o laser telescópico, os "olhos em terra" que guiaram a bola com extrema precisão para a intercepção perfeita pelas nossas máquinas voadoras: Felipe, Marcano, Danilo e Rui Pedro, todos marcaram de cabeça, os primeiros três a partir do segundo andar.

Mas este foi um jogo estranho, muito estranho, face àquilo que costumamos ser.

Fomos razoavelmente eficazes, encolhemo-nos atrás com medo que o céu nos voltasse a cair em cima, tivemos menos posse de bola que o adversário e, no final, ficámos com os três pontos no bolso. Uma mescla de ocorrências nada frequentes na nossa banda.

Regresso ao início do texto: tudo acabou em bem. E assim foi porque houve fibra, crença e vontade para recuperar de um penalti perfeitamente idiota provocado por Layún, que logo no recomeço nos deixou atrás no marcador. Em apenas 13 minutos demos a volta e isso foi o que de mais positivo sobrou deste jogo.

A primeira parte não deixou saudades a ninguém, especialmente a Casillas, Corona e (não sei se já o mencionei) ... Layún. O primeiro, deu uma contribuição generosa para o próximo Thanksgiving dos sobrinhos do Tio Trump; o segundo, lesionou-se mesmo a terminar e o terceiro... só fez asneira. Foram 45 minutos de jogo aberto, boa parte deles a ver jogar o Rio Ave. O empate era penalizador mas, enfim, aceitava-se.

A segunda parte recomeçou com... Layún, a desvantagem e a reviravolta, após a qual ainda sobrava cerca de meia hora para jogar. E aí a coisa voltou a ficar feia, com o já referido recuo, pareceu-me que fruto de um qualquer receio de voltar a sofrer um golo - como se recuar não fosse o primeiro passo nessa direcção. 

A tranquilidade só chegou aos '88, ironicamente na resposta à melhor oportunidade do Rio Ave para empatar. Sim, correu(-nos) bem. Felizmente. E justamente, também. Venha o próximo, que o sofrimento é já uma constante desta vida de Portista...

A festa do primeiro


Notas DPcA 

Dia de jogo: 21/01/2017, 16h00, Estádio do Dragão, FC Porto - Rio Ave FC (4-2). 


Casillas (4): Um frango embaraçoso e nenhuma oportunidade para se redimir.

< 56' Layún (1): Ponderei e "deixei arrefecer" antes de escrever... objectivamente, só fez cagada. Logo ao minuto '5 fez uma falta displicente junto à nossa área, como prenúncio do que se seguiria. Aos '24 pisou um adversário, aos '43 abalroou Cássio e viu o justo amarelo. No regresso fez aquele penalti e, não satisfeito, tentou expulsar-se por mais duas vezes antes de ser finalmente retirado do jogo. Ponderei e vou acreditar que foi apenas um dia muito mau, após uma ausência prolongada. E que a notícia da ESPN não teve nada a ver com isto - merece(-me) esse crédito pelo que já fez de Dragão ao peito. 

Melhor em Campo Alex Telles (8): Três assistências e outras tantas bolas perigosas, sempre a partir de livres laterais, foram a face mais visível da sua exibição, mas durante o resto do tempo esteve sempre activo e empenhado em conquistar a vitória. Não seria fácil fazer muito melhor.

Marcano (7): Jogo muito sólido e de raça, com dois pecadilhos (aquela entrada e um passe "perigoso") e um golo importante.

Felipe (7): Exibição muito semelhante à de Marcano (em termos da sua contribuição).

Danilo (8): Aquele momento em que, após perdemos a bola num canto ofensivo, galgou cem metros a toda a velocidade, ultrapassou o adversário que se isolava e acabou a sair com a bola para novo ataque, fez-me levantar da cadeira e define-o como homem. É cada vez mais um orgulho vê-lo de azul e branco. E marcou o terceiro, já agora.

Herrera (6): Ler e ouvir em diversos fóruns que foi dos melhores da equipa correspondeu ao meu ponto alto da noite (parte 2); para alguns (muitos?), o nível de exigência para com ele já é tão baixo que basta não ser incrivelmente mau para ser bom. Era doce... mas não. Vagabundeia pelo campo como alma penada, metade das vezes fora de tempo e posição, e com isso destabiliza o jogo colectivo, especialmente a defender. Foi preciso esperar 69 minutos para assistir a um bom passe de Herrera, altura em que já tinha recuado (e bem) para defesa direito, onde ficou amarradinho e jeitosinho, sem estragar noutras zonas. E cumpriu nessa posição. Iupi.


A justa aclamação do senhor Comendador

< 82' Óliver (7): Talvez o problema esteja nas minhas expectativas, mas uma vez mais falhou demasiados passes - não tipo Herrera, obviamente, mas daqueles que abrem espaços, criam rupturas e levam selo de golo. Fez um e outro, mas falhou vários. E eu sei que ele é capaz, todos sabemos. No resto, esteve incansável e foi importante nos equilíbrios, como sempre.

< 46' Corona (6): Saiu lesionado ao intervalo e o que ficou para trás não foi brilhante. Quer dizer, não foi mau, porque até construiu alguns lances relevantes, com destaque para o que Jota haveria de desperdiçar na trave. Antes disso, falhou o remate já na cara de Cássio. E foi-lhe sonegada uma segunda oportunidade, devido a uma má decisão arbitral.

Diogo Jota (7): Quase sempre discreto, porque não finalizou nem assistiu, mas teve bons momentos de qualidade individual e de entendimento colectivo. Está a crescer, ainda que a muitos possa passar despercebido. Pena a bola na trave.

André Silva (6): Desta vez, nem golos nem oportunidades flagrantes. Mas trabalhou muito, muito mesmo, e foi "para cima deles", quase sempre com critério. São os momentos de penumbra de um avançado, mas nem por isso obrigatoriamente maus - neste, não foi de certeza. 

> 56' Rui Pedro (7): O nosso júnior voltou a ser feliz em casa - e quando digo feliz, é literalmente, porque cabeceou mal e à figura no lance do seu golo. NES aparentemente acha que ele já está pronto, ainda que se contradiga na sala de imprensa. Eu acho que não está - mas, se continuar a marcar, ficará mais depressa, disso não tenho dúvidas. O problema é se não marca.

> 82' J.C. Teixeira (6): Deu uma lição práctica de como aproveitar ao máximo uma oportunidade escassa. Só precisou de seis minutos em campo para arrancar uma excelente jogada pela esquerda, ser feliz no passe (há ressalto no pé adversário) e assistir Rui Pedro. Nós e o júnior agradecemos, acrescentando eu que merece mais tempo de jogo. Já no próximo, sff.

> 46' André André (6): Entrou lento e sem a determinação necessária para ganhar ressaltos e bolas divididas, mesmo a pedir para ser emprestado. Foi subindo de produção com o jogo, ao ponto de se tornar relevante na última meia hora. É preciso mais, André, desde o primeiro segundo em campo até ao último. Para assistir ao jogo, é na bancada.

NES (6): Missão cumprida, outra vez aos solavancos (está bem, pode ser sempre assim até final, mas não me peçam para o glorificar por isso). Lançar Herrera no onze é sempre (em minha opinião) arriscar-se a surpresas. Desta vez não houve surpresa, "apenas" o normal do mexicano num dia mediano. E com isso, a equipa desequilibra-se, tem mais dificuldade em pressionar em conjunto e encontrar linhas de passe. A lesão de outro mexicano complicou-lhe as contas, de tal modo que preferiu substituí-lo por um médio pachorrento, que quase não dá profundidade e ainda menos criatividade (em especial nesta sua fase) - isto com o jogo empatado. A equipa reagiu por ele ao disparate do terceiro mexicano e aí sim, Nuno esteve bem ao tirá-lo do jogo, porque seria uma questão de minutos até ser finalmente expulso. Depois, creio que demorou muito a mexer quando nos encolhemos com medo do futuro. JC Teixeira deveria ter entrado bem mais cedo (aliás, ao intervalo, para o lugar de Corona). No final, teve "razão" porque ganhámos. Mas seria desonesto da minha parte não o criticar só porque ganhámos. 


Finalmente, a certeza da vitória



Outros Intervenientes:


Uma vez mais, foi Gil Dias quem mais reluziu no Rio Ave, agora de Luís Castro. Também em foco estiveram a motinha Héldon, Guedes e Felipe Augusto. É uma boa equipa este Rio Ave, e tem uma atitude positiva perante o jogo - a única que haveria de ser permitida. Perdeu, mas poderia ter ganho ou empatado. Perdeu, mas deixou boa imagem. Perdeu, mas o futebol ganhou. Viram, "Marafonas", o que são homens a jogar um jogo de homens? 

Jorge Sousa é um árbitro tecnicamente fraco, mas isso até nem se destaca muito quando comparado com o seu feitio, alinhavado por aquela mesquinhez recalcada de quem levou na tromba quando era petiz e só chorou em troca, e que agora parece ter escrito na testa "pelo menos nestas duas horas, posso, quero e mando". Deprimente, acima de tudo. Vários erros relevantes, desde a não-expulsão de Layún ao anulamento de duas jogadas em que Corona e Rui Pedro se isolavam perante o redes adversário. E alguns amarelos a menos, e um a mais a Telles. No nosso primeiro golo, pode haver offside fraccional - mas nem isso tenho como certo, porque mãos e braços já não contam para o fora-de-jogo desde Junho de 2016 - por isso a decisão de validar foi a mais correcta.


Segue-se a (não sei bem por que motivo) sempre difícil deslocação ao Estoril. Para ganhar, obviamente. Antes disso, publicarei as prometidas segunda e terceira parte da mid-season review. Stay tuned!


[Adenda]: por lapso, esqueci-me de registar o minuto de silêncio que se observou em memória de Carlos Alberto Silva, o nosso "professor Astromar". Foi a real encarnação do chegar, ver e vencer - duas vezes. Até sempre, bicampeão.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor






9 comentários:

  1. Ratsofatsohnrlgnrl do something gnrltratsofatso. Kssksskssksskss.
    Mas sejamos justos, temos sido melhores que aquilo. Mesmo quando não ganhámos.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Temos? Nem sempre. Paços, para não ir mais atrás. A diferença esteve também no Rio Ave, conforme previsto - e ainda bem.

      Eliminar
    2. Naaa, fomos menos maus em Paços. Apanhaste foi mais frio...

      Eliminar
  2. Desta vez não vou fazer grandes reparos!
    Valeram os 3 pontos e o sentir da camisola do Danilo!
    Inaceitável, acabar o jogo com uns PATÉTICOS 69% de passes certos... e 46% de posse... em nossa casa!
    É estranho dizer isto, quando se marca 4 e se ganha por 2 de diferença, mas para mim foi o pior jogo do Porto esta época!
    Venha o próximo...

    Abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caramba, estava na expectativa que criticasse a nota do Herrera por ser excessiva ;-)

      Eliminar
    2. Excessiva, só se for vista pela perspectiva da parcialidade do juiz em causa! :)


      Eliminar
  3. Eu tinha dado a entender que o Rio Ave ia ser mais difícil que o Moreirense em casa. E assim aconteceu. Por incrível que possa parecer, o Rio Ave jogou como eu estava à espera: desinibida, sem medo, com vontade de discutir o resultado. É isso que está no ADN do Rio Ave. E o Luís Castro conhecia bem a nossa equipa, afinal de contas ele foi um homem da estrutura do Porto!

    Felizmente que demos a volta ao resultado, mercê da vontade colectiva, devidamente materializada com as assistências do Alex Telles. Carago, é isto que os nossos extremos/médios-ala precisam de fazer em jogo corrido!

    Agora, veremos como nos comportamos no campo do Estoril. Por incrível que pareça, este jogo costuma ser um dos "barómetros do título" para a nossa equipa. Só em 1977/78 perdemos lá e fomos campeões. Noutras épocas, jogar lá e não ganhar seria quase sempre, sinónimo de ficarmos em segundo ou terceiro lugar. :-)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A postura do adversário foi excelente, só faltou estarmos à altura dela...

      No Estoril e daqui em diante, tudo o que não seja ganhar, significa lutar para manter o acesso directo à Champions e começar a pensar na pré-época seguinte. Não podemos falhar até à Luz. Nem lá.

      Abraço

      Eliminar

Diga tudo o que lhe apetecer, mas com elevação e respeito pelas opiniões de todos.