Do Porto com Amor: Unscontrósjoutros

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Unscontrósjoutros


Uns contra os outros. É esta a mensagem do "dia", explorada de forma oposta conforme o lado da barricada: "estamos todos uns contra os outros" ou "o que eles querem é pôr-nos uns contra os outros".





Se pertencermos aos 0,002% que constituem o establishment Portista, é a última a versão que vinga.

Se pertencermos aos 70% que constituem o establishment anti-Porto, a primeira é a única versão.

Mas, se por (in)felicidade cósmica, são, tal como eu, pertencentes aos restantes 29,998% dos portugueses que são Portistas (contas minhas, não gostam, azar), então há uma grande probabilidade de se sentirem divididos.

Por um lado, somos isso mesmo - Portistas, e tal acarreta um sentido de responsabilidade e seguidismo natural, próprio do adepto de qualquer grande clube de futebol; e, enquanto tal, a necessidade intrínseca de termos como verdadeira a segunda versão é considerável. 

Por outro lado, dando um pouco mais de uso ao cérebro que o Senhor nos deu, tudo se torna menos evidente e muito mais confuso.

Sim, é possível que tenha sido mais um dos muitos lacaios do polvo de Vieira (nome científico octopus orelhudus) a borrar a pintura do escritório de Adelino Caldeira, do restaurante-to-be da companheira do Xaninho e do portão da garagem de Madureira, o macaco líder dos Super Dragões.

É possível. Para fomentar a discórdia latente entre Portistas, devido à péssima gestão e consequentes resultados (ou falta deles) dos últimos anos. Possível e fácil de fazer.

Mas é igualmente possível (e provável?) que tenha mesmo sido um Portista, pouco importa se pertencente a uma claque ou não, a fazer as tais pinturas (nada) rupestres. Como não considerar essa hipótese?

Eu, por exemplo, sinto-me impelido a lavrar o meu protesto, ainda que sem saber bem como. Graffitar não seria a minha escolha, por motivos vários, mas outros métodos existem. Mas graffitar poderia muito bem ser a solução encontrada por muitos, dada a simplicidade e eficácia do processo.

Que provas têm os dirigentes Portistas para afirmar com tanta convicção que "certamente" não foram Portistas a perpetrar tais actos? Aposto que as mesmas que os merdia ao serviço da corja centralista, para dizer o seu contrário.




O que é factual é que as "pinturas" foram feitas. Por quem e com que intenção, só os executantes e/ou mandantes poderão esclarecer. Dada a ínfima probabilidade de isso vir a acontecer, fico-me pela dúvida iluminada.

Sei bem que são muitos, mesmo muitos, os que desejam um final trágico da liderança de Pinto da Costa - não pelo que representa na actualidade, mas antes pelos muitos anos de sofrimento e humilhações infligidas. Imperdoáveis em três vidas, quanto mais numa só. E burros como eles só, preferem hipotecar a continuidade do desgoverno actual (que tão bem lhes tem servido), apenas para verem satisfeita (uma parta d)a sua sede vingança.

Dentro da nossa barricada, há também "muitos" que já intuíram que esta Era já se possa ter esgotado faz tempo. E, consequente e racionalmente, clamam pelo aparecimento de novas propostas para liderar o clube. E nesta linha de raciocínio, não é complicado conceber que "um de nós" tenha levado a cabo estas pinturas de revolta, filhas da impotência de não encontrar quem possa dar outro rumo ao Clube. Fácil de conceber e de aceitar. 


Então em que ficamos? Revolta interna ou intromissão externa para promover a insurreição?

Desculpem, mas não sou capaz de responder. Não tenho certezas porque não conheço os factos. Mas mais relevante do que isto, será saber o que não se pode deduzir daquilo que (não se) sabe. Mais importante do que saber quem são os autores, é inferir da validade da(s) mensagem(s):

- Será correcto e justo chamar à pedra Adelino Caldeira por ser "abutre e comissionista" e responsável pela contratação de Depoitre?

- Será apropriado "marcar" o novel restaurante de Alexandre Pinto da Costa (ganho com muito suor) como sendo residência de um "traidor" e servente do "polvo à la carte"?

- Terá Fernando Madureira responsabilidades na perpetuação do status quo, ao ponto de ser apelidado de "mamão" e precisar de acordar o Super Dragão que há dentro dele?
 
Sem provas, não acuso.




Nada me garante (sem possibilidade de ser contrariado) que Adelino Caldeira seja o pior dos piores da SAD Portista. Que é co-responsável, ninguém pode negar, é uma inerência do cargo que ocupa há largos anos. Se foi dele que partiu a iniciativa de contratar Depoitre, também não sei - mas "dizem-me" que não. Portanto nim, não sei se é justo isolá-lo dos demais administradores e presidente da SAD, mas sim, tem quota-parte da responsabilidade de tudo o que lá se passa e, portanto, de tudo o que de mau se passou nas últimas épocas.

É público que Alexandre tem vivido à custa do FC Porto e ainda não encontrei respostas válidas, que justifiquem a necessidade do seu envolvimento nos negócios onde beneficiou de avultadas comissões. E como todos sabemos, tempos houve em que se associou ao lampião José Veiga e com ele conspirou contra o Porto., estando inclusive envolvido no ingresso de ex-portistas no Benfica. Portanto sim, parece-me válida a mensagem.

Já sobre o Macaco, não consigo dizer. Que o vejo em (quase) todos os jogos a liderar a claque que mais puxa pela minha equipa, é um facto, e um que merece ser positivamente valorizado. Se beneficia pessoalmente da venda de bilhetes a membros da claque e a adeptos normais, não sei. Muitos dizem que sim, mas ninguém me apresentou provas até hoje. Não é por ter decidido tirar um curso superior que o vou criticar: bem pelo contrário, felicito-o por o ter feito e incentivo outros com "idênticas" aspirações a fazê-lo. 

E sobre as supostas aspirações de Fernando Madureira a integrar os quadros do clube e da SAD? A serem verdadeiras, são perfeitamente legítimas, tal como as de qualquer outro Portista. Já sobre o valor acrescentado que poderia trazer, a questão é totalmente diferente, bem como a minha resposta. Mas uma que nem sequer vou abordar, até que esse cenário se perspective.




O que sobressai de tudo isto?

Que a bola não tem entrado o suficiente nas balizas adversárias. Provavelmente, porque não temos avançados em quantidade e maturidade suficiente. Certamente, porque Nuno não tem demonstrado a habilidade necessária para liderar um plantel do melhor clube português. Definitivamente, porque os árbitros não nos apitam de acordo com as Leis do Jogo.

Em graus diferentes, mas todas estas evidências concorrem para a situação actual. Valorizar mais uma ou outra (como eu fiz, pela escolha dos advérbios), dependerá sempre do ponto de vista. O meu é seguramente parcial, mas sempre honesto. Tomara a muitos supostos "imparciais" poder dizer o mesmo sem se rirem.



Nota final: Francisco J. Marques tem-se destacado como "ponta-de-lança" da nossa nova estratégia de comunicação "institucional" e tem marcado muitos "golos" nesse papel. Merece, portanto, o meu aplauso, conforme já referi. No entanto, há uma linha muito ténue que separa a defesa dos interesses do Clube da defesa dos interesses da direcção do clube (muitas vezes, contra os próprios Portistas) e Francisco J. Marques, como todos os demais no Porto, deve ter muito cuidado para não pisar essa linha demasiadas vezes. Uma por outra, sem nunca insultar Portistas, ok, a malta tolera. Mas insistir nisso fará como que muitos, que hoje estão ao seu lado, o vejam como apenas mais um ao serviço da direcção. E isso seria um desperdício. E injusto, sobretudo para o Francisco.




Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




9 comentários:

  1. Octopus orelhudus, bahahahahahah, muito bom!! O resto, well...se ELES dizem que somos unscontrójôtros (aprende, rapazote!) eu digo exatamente o contrário. Mesmo sem saber, só porque se lhes convem a ELES, então não me serve nada a mim.

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    1. Pois que me desculpe, sou novo nisto...

      Essa posição é exactamente o que os nossos queridos líderes esperam e desejam de todos nós...

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    2. Por mim, podem ficar descansados. Granted!
      Não achas fofinho que no momento em que se vislumbra um lampejo de união, se pintem as paredes certas? Claro que achas. De dentro, foi fora do tempo. De fora, foi just in time...

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    3. Correção: o "lampejo" existiu, sim senhor, mas expirou com o apito final em Paços, que uma vez mais trouxe à lembrança de todos que outras responsabilidades existem para lá das dos apitadores sujos. As pinturas nasceram depois, não antes. Nada fora de tempo.

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  2. E em 2016 jurou a pésjuntos que não falaria mais, até ao fim da época, no Xaninho, presidente e tudo o que quer ver implodir.
    Presidente, leia blogs para ser coerente.

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    1. Por regra, não sinto necessidade de me defender de falsas acusações. No entanto, no seu caso abro uma última excepção.

      Relembro o que escrevi "em 2016":

      "Não voltarei a falar de Pinto da Costa nem da sua direcção/administração até que chegue o (nosso) final da época, salvo novas "revelações". E em relação a NES, apenas analisarei o seu desempenho e evolução. A contratação foi um erro mas está consumada".

      Se não tem a capacidade ou a vontade para entender o que está escrito, o problema não é meu. Mas não se atreva a questionar a minha coerência de forma leviana. E muito menos o meu Portismo, que é o único Norte que guia a bússola da minha escrita.

      Ou melhor, se quiser faça-o. Mas aqui não, porque eu não o permito.

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  3. "E o Depoitre é culpa do ferrari vermelho"

    Brilhantes frases vindas dum "portista".

    Faltou a celebre. "E agora a culpa é do Benfica"

    Também seria defendida acérrimamente por outros "portistas".

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  4. Caro Lápis,

    Passei por aqui apenas para lhe dar um abraço e manifestar o desejo que o FC Porto cumpra a sua obrigação, ganhar o jogo óbviamente, e beneficiar dos empates dos lisboetas.

    FC PORTO SEMPRE

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    1. Outro de volta, caro Fernando. E mais três pontos...

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