Janeiro 2018

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Valente Merda


Chega, Sérgio. Já são vários os avisos e as tentativas falhadas nas mesmas circunstâncias. Campos pequenos, equipas medíocres mas hiper-motivadas e cheias de "saúdinha", árbitros sempre "atentos" a tudo o que podem fazer para impedir as nossas vitórias e, por fim, incapacidade para impor de forma inequívoca a nossa indiscutível superioridade.


"Quem garantir que está offiside, é mentiroso ou mentecapto (ou ambos)"

Concordo com todas as críticas que o treinador fez na conferência pós-jogo, referindo-se precisamente ao que acima referi - neste e noutros jogos - mas há que acrescentar as culpas próprias, que se traduzem num jogo fraco do Porto em Moreira de Cónegos.

Apostámos na entrada directa de Paulinho para o onze, perante a ausência de Danilo, com Herrera e Óliver a assumirem o duplo pivô defensivo - ou melhor, alternando nesse papel. E aí começaram os nossos problemas. Se ao recém-chegado brasileiro nada se pode apontar (estreia razoável, com bons pormenores e natural falta de entrosamento), aos outros dois tudo se pode: ambos foram demasiado maus para ser verdade, e sobretudo, para que a equipa conseguisse ser perigosa e acutilante.

O Moreirense foi uma nulidade em termos ofensivos. O único lance de quase-perigo nasceu de um ressalto, ainda na primeira parte, e foi devidamente "limpo" por Felipe. De resto, um deserto. Remeteu-se a tarefas defensivas, com marcações muito cerradas aos quatro avançados e aos dois extremos, assim que passavam a linha de meio-campo. No meio, dois jogadores fisicamente poderosos e com "liberdade" para abusar dessa sua mais-valia.

Perante este cenário e após uma primeira parte confrangedora, não entendo a demora de Sérgio Conceição em mexer no que claramente não estava nem ia funcionar. 

Porquê desperdiçar mais vinte e dois minutos até finalmente meter outro avançado (Tiquinho)? 

Porque não tirar do jogo um ou ambos os médio(cre)s perante tão más exibições, dando uma oportunidade decente a Sérgio Oliveira

E Abou, fez sentido abdicar dele com o resultado a zero, metendo um jogador com mais velocidade mas sem capacidade física para disputar bolas aéreas na área? Não seria de esperar pela última substituição e então arriscar tudo, tirando um médio ou até um central? 

E já agora, também me pareceu haver excesso de desinspiração a mais, de forma quase transversal a toda a equipa. O que se passa, realmente? Se fosse um ou dois, era normal; quase todos...

Soube realmente a pouco, coach. Outra vez.

Não faltaram os habituais lances de perigo, as ocasiões de golo, mas em dias em que não há eficácia, são precisas mais para garantir pelo menos um golo. Ou então uma arbitragem competente, mas com isso já sabemos que não podemos contar. 

E agora, o mantra do costume: mesmo a jogar assim, mal, teríamos ganho o jogo se a arbitragem fosse correcta e/ou isenta. Onde lagartos e vigaristas ganham pontos à custa de erros e/ou paixões do apito, nós perdemo-los. E assim fica a dúvida se vale a pena participar nesta farsa.






Notas DPcA 


Dia de jogo: 30/01/2018, 21h00, Estádio Comendador J. A. Freitas, Moreirense FC - FC Porto (0-0)


José Sá (6): Nada a declarar.

Ricardo (5): Não gostei. Muita parra e pouquíssima uva. E no futebol pretende-se qualidade, não somente quantidade. Vi-o pensativo no final e percebo bem porquê: sabia que não conseguiu estar ao seu nível.

Alex Telles (7): Deu de bandeja o golo a Brahimi e ainda tentou (bem) fazer o seu, ambos os lances a partir de livres directos. Qualquer um destes bastaria para resolver o jogo, mas ainda acrescentou outros, que ninguém quis/soube aproveitar. Isto num jogo onde até não esteve particularmente inspirado.

Reyes (6): Ele esforça-se, mas aquela lentidão natural parece impedi-lo de chegar a outro patamar, aquele onde "moram" os bons centrais do Porto. Disto isto, lá foi cumprindo à sua maneira.

Felipe (7): O melhor da equipa, o que é uma dupla surpresa. Primeiro, pelo pouco que tem jogado; segundo e mais grave, porque significa que os demais estiveram abaixo do exigível. Quanto ao brasileiro, só faltou mesmo ser mais expedito na altura de empurrar de cabeça para o fundo da baliza, porque de resto esteve quase impecável, com destaque para o providencial desarme no único lance de perigo do adversário.

Herrera (5): O Errera voltou na pior altura, é tudo o que se me oferece dizer. Cada lance é um suplício, um sufoco, pela imprevisibilidade do desfecho. Até que começa a ser previsível, no mau sentido.

< 89' Óliver (4): Estou baralhado. Andei tanto tempo a defender a sua utilização para isto? Passes sem nexo, ou atrasados, ou adiantados, ou com força a menos, ou a mais, ou, ou, ou!! Irra, pá. Nem uma para a caixa? Que 89 minutos de nulidade.

< 67' Paulinho (6): Estreia talvez demasiado precoce, para uma posição onde é fundamental conhecer as rotinas para que o jogo flua e as coisas saiam com naturalidade. Sentiu essas dificuldades, pois claro, mas não se rendeu e do seu talento saíram dois ou três bons passes de ruptura que poderiam e deveriam ter tido outro desfecho.

Brahimi (4): Noite para esquecer. Creio que nada lhe saiu bem, nadinha. Zero. Nem o golo cantado conseguiu aproveitar. Que má altura para um enguiço deste calibre.

Marega (5): Quase nunca teve o espaço de que necessita para explanar os seus pontos mais fortes e quando o teve, não conseguiu grandes resultados. Creio que o posicionamento também o condicionou, algo que não será da sua (maior) responsabilidade.

< 74' Aboubakar (5): Pouco em jogo, quase sempre sufocado por uma muralha de adversários, teve um par de lances onde poderia ter conseguido melhor desfecho. Saiu, não por estar a ser pior do que os outros, mas por opção técnica no mínimo duvidosa.

> 67' Soares (5): Causou impacto imediato, infelizmente não soube dar sequência e mostrou-se absolutamente incapaz de atirar com precisão à baliza, para lá de algumas faltas escusadas. Acrescentou enquanto novo elemento no jogo, mas individualmente nada trouxe

> 74' Waris (6): E pronto, ao segundo jogo já sabe o que significa vestir esta camisola. Aqui nunca se pode festejar um golo até que o diabo acabe de esfregar os seus mil olhos. Vestidos a rigor, os encarnados do apito não validaram. Para lá desse lance decisivo, nada. Mas chegava, não chegava?

> 89' Sérgio Oliveira (6): Foi rápido a demonstrar que já há muito deveria estar em campo. Três ou quatro colocações a preceito na área e os lances perigosos a reaparecerem, com destaque para o último, o do golo anulado. Em seis minutos, conseguiu fazer mais em termos ofensivos do que Óliver e Herrera juntos.




Sérgio Conceição (4): Não, mister, assim não. Atirem-se à cara dos outros as suas culpas - que existiram, como tem existido em quase todos os jogos, mesmo nos que ganhámos - mas tratemos de ser mais competentes no que nos toca, até para prevenir essas "golpadas" do costume. Onze mal organizado, disfuncional, a desperdiçar outra parte. E ainda mais vinte minutos, sem melhorias evidentes. Não dá para esperar tanto tempo, Sérgio! Há que dar aos jogadores o sinal de que têm de resolver o jogo logo no início, porque de outra forma podem nunca o chegar a fazer. Erros vários e a vários níveis, num dos piores jogos do seu consulado no Dragão. A rever, com muita urgência. 



Outros Intervenientes:



Nesta equipa do Moreirense que nunca quis jogar futebol a valer, destaco o único que merece, por ter tentado fazê-lo e pelo muito (bem) que defendeu: Rúben Lima.


Outra arbitragem implacável, no pior sentido da palavra. Luís Ferreira e restante gang juntaram-se ao já extenso rol de árbitros que nunca hesitam em não validar lances capitais a nosso favor, mesmo quando disso resultam claros atropelos às Leis do Jogo. Um penálti evidente, porque Johnatan não joga na bola, mas apenas na cara de Felipe; um golo invalidade sem a mínima evidência de existir um offside claro e indiscutível; e muita, muita permissividade perante o anti-jogo do Moreirense, quer através de faltas, quer nas múltiplas e variadas perdas de tempo. Um sério candidato a árbitro internacional.


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Infelizmente, aconteceu o que eu temia. Fraquejámos neste jogo, abrindo o flanco para artistas como Luís Ferreira. Mais dois pontos desperdiçados, que em si podem não representar muito, mas que teriam sido um golpe rude nas aspirações dos sem-vergonha. Com mais penálti, menos fora-de-jogo, amanhã a lagartada vai ganhar e anular a vantagem que era nossa, aumentando a pressão para a segunda parte do jogo do Estoril. Não havia necessidade, mesmo. Mas o destino continua nas nossas mãos, nada de desesperos: apenas mais rigor e competência.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Onde Está a Bola? #60


E já lá vão sessenta... parece que foi anteontem que isto começou, mas o Onde Está a Bola? (OEaB?) avança firme e hirto nesta sua sexagésima edição, oferecendo dois bilhetes para o jogo contra o Sport Braga e Benfica, que se disputará no dia 3 de Fevereiro pelas 20h30.

Onde Está a Bola? #60

Respostas possíveis #60 (Braga):

A - Bola Azul
B - Bola Laranja
C - Bola Verde
D - Bola Púrpura
E - Não há nenhuma bola escondida


Já descobriu? Então deixe o seu palpite na caixa de comentários, tendo em atenção as seguintes regras de participação:

1 - Escrever a resposta que considera acertada na caixa de comentários deste post, indicando igualmente um nome e um email válido para contacto em caso de vitória.

2 - Entre os que acertarem, serão sorteados os vencedores através da app Lucky Raffle (iOS).

3 - Para ser elegível para receber os bilhetes, deverá fazer o obséquio de:

   a) Comprometer-se a enviar-me duas ou mais fotos da sua ida ao estádio (pelo menos uma selfie) nas 48h seguintes ao jogo, acompanhadas da resposta à pergunta "Como foi a sua ida ao Estádio?" (duas frases bastam, desde que venham do fundo da Alma Portista...);

   b) Registar e confirmar o seu email (nas "Cartas de Amor", na lateral direita do blogue);

   c) Seguir o FB e o Twitter do DPcA (basta clicar nos links e "gostar" ou "seguir"). 
   Quem não tiver conta nesta(s) rede(s) não será excluído, mas... cuidado porque o Lápis vai investigar :-)

4 - Apenas será aceite uma participação (a primeira) por cada email válido.

5 - Cumpridos todos os critérios, o vencedor sorteado será contactado através de um email onde encontrará instruções sobre como e quando levantar os bilhetes.

6 - Se já tiver Dragon Seat ou outro tipo de acesso, poderá oferecê-los a um amigo ou familiar que não tenha a mesma sorte.
7 - A edição #60 deste passatempo termina às 23h00 de 1 de Fevereiro e o vencedor (a quem será enviado um email logo após o sorteio) terá de reclamar o prémio até às 12h00 de dia 2.
8 - Se o vencedor não reclamar o prémio até à data e hora referidas no ponto anterior, será contactado o primeiro suplente. Se o primeiro suplente não reclamar o prémio até ao prazo limite indicado no email de contacto, será contacto o segundo suplente (e assim sucessivamente até que um sorteado reclame o prémio).

9 - A edição especial anual do passatempo tem um novo critério: o da melhor selfie. Todos os vencedores de edições anteriores ficarão automaticamente habilitados. Mas não só: todos os concorrentes de todas as edições podem participar, desde que também enviem as suas selfies no Dragão em dia de jogo (email para envio das fotos: lapisazulebranco@gmail.com )

E é só! Concorra e divulgue, queremos o Dragão sempre cheio de Portistas!



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A terminar, o fecho de contas da edição anterior, a #59.


#59 - Tondela

 

Resposta certa: C - Bola Castanha

 

Vencedora: Ana Cardoso !




Primeiro, a comparação entre imagem original e modificada.



A seguir, os habilitados ao sorteio e respectivo vencedor.



Por fim, a composição das fotos enviadas pela sorridente Ana e a suas duas linhas sobre esta visita ao nosso Dragão:


"Foi um jogo muito emotivo, com uma vantagem de 1 golo durante muitos minutos e com muitas oportunidades de golo para ambos os lados.

O Tondela parece que só joga assim forte contra o Porto, enfim.

Mas o final favoreceu o grande Porto e voltamos para o 1º lugar com menos 1 jogo, e que assim continue até ao fim do campeonato!

Obrigada pela oportunidade."


De nada, volte sempre!



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Taça AVARiada


Semanas a fio, perdão, meses a fio a ouvir os auto-proclamados peritos e expertos em arbitragem a justificar o motivo por que nunca o VAR assinala penáltis ou expulsa adversários a nosso favor:

"O VAR tem de ter certeza absoluta da sua decisão para interferir ou reverter uma decisão; em caso de dúvida, deve deixar prosseguir o jogo"

Até ontem.

Ontem o Porto marcou um golo após uma jogada rápida na qual Soares, o marcador do golo, está em linha ou ligeirissimamente adiantado/atrasado em relação ao penúltimo defesa do adversário e Soares Dias (outra vez ele, note-se) deu indicação ao calhambeque vermelho para anular o jogo por offside. Alguém de boa-fé que me explique e garanta que Soares está fora de jogo que Soares Dias conseguiu, em menos de um minuto, atingir essa certeza de que Soares estava em fora-de-jogo. NINGUÉM!




Isto tem que ser dito e redito até a exaustão. Vi 10 repetições e em todas fico com a sensação que está em linha, admitindo que possa haver (ou não) um fora-de-jogo fraccional, mas que o VAR jamais teria como descortinar com certeza absoluta. E NÃO A TENDO, NÃO PODIA INTERFERIR!

Assim sendo e na ausência de mais golos no tempo regulamentar, o adversário foi mais competente nas grandes penalidades e passou à final da Taça da Liga. Parabéns sVARting

Já não bastava ter de levar com o VARfica, agora levamos também com o sVARting (eu sei, já nem é de agora). Proponho de imediato à CML que altere o nome da estrada que os separa, renomeando-a Segunda CircuVAR. Melhor ainda, deixam cair a primeira parte, arredondam a segunda e atinge-se a perfeição: Circo VAR

Como nota final sobre o assunto, bem sei que é o primeiro ano, mas já tiveram tempo mais do que suficiente para perceber que é surreal deixar uma equipa e os seus adeptos festejarem um golo, permitir que a bola seja reencaminhada para o grande círculo e só depois, "do nada", reverter a decisão. Não só é absurdo, como arruína por completo a lógica e o prazer do futebol. 

O árbitro (ou o fantoche que lá está em seu lugar, como foi o caso de ontem) deveria imediatamente fazer uma sinalética bem visível a todos de que o VAR estava a analisar a jogada, levando a que naturalmente todos aguardassem o festejo / descarga de adrenalina até ser conhecida a decisão final. Assim, quem acabou por marcar um golo foi o adversário - pelo menos, festejaram-no como tal. 


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O jogo não começou bem para as nossas cores, pareceu-me haver alguma retracção e o sentir em demasia a responsabilidade do jogo. Foi preciso um lance "assustador" (carga para penálti na nossa área, felizmente precedida de claro fora-de-jogo) e cerca de 20 minutos para os jogadores se soltarem e perceberem in loco aquilo que já deveriam saber, até por experiência própria: este Sporting é fraquinho quando se trata de olhar nos olhos adversários de "igual" valor. 

Fazem-se de fortes com os fracos, mas são fracotes com os fortes. É assim que eu interpreto a postura de quem faz dois jogos contra nós, um deles em sua casa, e, pior do que ser dominado durante grande parte do jogo, se resigna ao empate, preferindo não ganhar do que arriscar perder. Onde é que eu já vi isto?...

Eu, que fiz questão de não ver o duelo da rua deles, tinha dificuldade em compreender expressões como "banho de bola" e "massacre", utilizadas às resmas no day after como resumo do que os sem-vergonha lhes teriam imposto, apesar do empate final. Ontem, percebi finalmente porquê.

Porque ontem, a partir dos 60 minutos de jogo, começaram a deixar-se cair no relvado e a demorar em todas as reposições da bola em jogo. Todas, sem excepção. Eu percebo, tinham uma estratégia bem definida (arrastar o jogo para os penáltis) e executaram-na benzinho. Podiam e deviam ter sido eliminados nos 90 minutos, fosse com o golo de Soares, fosse com os 3 ou 4 que Marega, Abou, Ricardo e companhia desperdiçaram de forma infantil (por oposição, o adversário teve uma única oportunidade, após uma desatenção de marcação num canto).

Faltou-nos sobretudo essa competência fundamental: decidir bem na última decisão. Fosse na hora de finalizar ou de escolher o melhor companheiro para assistir, falhámos. E por isso, fomos a penáltis, onde voltámos a falhar.  

Além da natural frustração e tristeza pela eliminação da competição (agravada pelo sentimento de saber que fomos muito melhores nos 90 minutos), sobra a preocupação pela lesão de Danilo. Sobre isso, aliás, importa-me destacar o seguinte: fiquei agradavelmente surpreendido com a forma como o Porto se conseguiu reorganizar e ainda assim superiorizar ao Leça, perdão, ao Sporting.

Estando na bancada e observando as reacções a essa perda fulcral, fiquei de imediato preocupado (ainda acreditava que eles eram outra coisa). No entanto, nem três rearranjos nos descompuseram. Muito significativos e impactantes, note-se. Marega passou a jogar mais recuado e a fechar o flanco. Herrera recuou para o sítio onde normalmente só mete água. Sérgio Oliveira avançou no terreno. E Óliver entrou a frio, para jogar onde também não se sente muito confortável. Em resumo, era como se fosse uma equipa nova na zona central, sem processos automatizados. Nem assim vacilamos, parabéns aos jogadores por isso.

Para a história, fica mais uma não-conquista da Taça da Liga. Desta vez, após uma boa prestação na prova, exceptuando a marcação dos penáltis (muito correcto o discurso de SC sobre o assunto). Há que treinar mais e melhor, porque ainda nos sobram duas competições a eliminar. Venha o Moreirense e quanto a sábado... Paciência.

Fracos com os Fortes Clube de Portugal (Fonte: GoalPoint.pt )

Notas DPcA 


Dia de jogo: 03/01/2018, 20h15, Estádio AXA, Sporting CP - FC Porto (0-0, 4-3 g.p.)


Casillas (7): Seguro e tranquilo durante os 90 minutos, apesar do habitual pecadillo da reposição apressada da bola em jogo, e igualmente bem no desempate por grandes penalidades. Duas boas defesas que lamentavelmente se perderão para a História.

Ricardo (7): Grande exibição, plena de disponibilidade física e de inteligência. Por pouco não foi coroada com um grande, grande golo. Talvez o melhor da equipa.

Alex Telles (7): Belo jogo, foi dos que menos merecia o desfecho final. Bem no seu posto defensivo e bem nas tarefas de construção ofensiva, tentou por várias vezes servir os companheiros na bola parada.

Marcano (7): Muito bem em quase todos os lances, em particular nos duelos com Bost, foi apenas batido no lance ao poste de Coates (mas não tenho a certeza de que devesse ser ele a ir àquela bola). E um penálti marcado com categoria.

Felipe (6): Muito melhor na concentração e no acerto defensivo, face ao que vinha demonstrando. Ainda assim, excesso de impetuosidade num e noutro lance que em nada o(/nos) beneficia.

< 7' Danilo (-): Cometeu um potencial penálti (não fosse pelo fora-de-jogo) e não teve tempo para mais, devido a uma ruptura muscular. Não por acaso, alertei há dias para a necessidade de ter um sósia no plantel. Que recupere muito rápido e que venha um reforço para a posição 6.

< 57' Herrera (5): Andou sempre ali, entre o razoável e o medíocre, mas sempre numa carga de trabalhos. Conseguiu adaptar-se ao pós-Danilo (pD) e foi fazendo o mínimo que se exigia. Ficaria em "positivos", não fosse pelo penálti tão mal batido.

< 80' Sérgio Oliveira (6): Mais uma vítima do pD, obrigado a refazer a cabeça após lhe ter sido designado um novo posicionamento em campo. Sem brilhantismo nem acerto no remate, foi dando o que o jogo lhe pedia e teve ponto alto na assistência para o golo de Soares. Perdeu fôlego nos últimos 20 minutos e, com ele, parte da clarividência.

Brahimi (6): Durante largo período do jogo (divido entre primeira e segunda partes), foi a única gazua que conseguiu desenrolar o novelo de adversários com que a equipa se deparou. Teve alguns momentos de classe, mas sem atingir o seu nível de elite. E "acabou com tudo", ao atirar ao poste aquela que seria a nossa última penalidade.

Marega (6): Muito massacrado pelas incessantes porradas que recebeu de quase todos os adversários, com destaque para o janado das Caxinas, acabou por perder a calma após sucessivos insultos do energúmeno. Compreende-se, mas não se pode aceitar. No jogo jogado, esteve envolvido em várias jogadas que poderiam e deveriam ter acabado no fundo da baliza de Patrício.

< 80' Soares (6): Marcou com oportunidade o único golo do jogo, mas o dedo ao vento de Soares Dias roubou-lhe essa glória. Esteve sempre muito dentro da partida, procurando criar e sendo o primeiro defesa, mas pecou excessivamente no número de offsides em que se deixou apanhar.

> 7' Óliver (5): Foi para o jogo determinado a suprir a ausência de Danilo e se em termos defensivos esteve regular, a verdade é que desiludiu muito quando com a bola no pé, para fazer o que supostamente melhor sabe fazer. Mesmo descontando o facto de estar muito recuado face ao que as suas características "pedem".

> 65' Aboubakar (5): Livro na mesinha de cabeceira de Vicent: "Noites em que é melhor não sair de casa".

> 80' Waris (6): Estreia sem possibilidade de se perceber o que quer que seja sobre o seu jogo, tirando a frieza demonstrada ao marcar a sua penalidade. Seja bem-vindo.

Sérgio Conceição (5): Eliminado da competição, nota negativa. Mas a "menos má" de elas todas, porque conseguiu que o Porto fosse claramente superior, até mesmo perante a inesperada e traumática lesão de Danilo. Talvez tenha mexido demasiado nas peças (porque não fazer entrar Óliver para médio mais adiantado, deixando Sérgio e Herrera atrás do espanhol?), mas isso é agora, depois das coisas acontecerem. Tentou que o jogo se resolvesse nos 90 minutos, não hesitando em lançar o recém-chegado Waris. 

Confesso que não percebi e estranhei muito a "roda da união" antes dos penáltis. A mim, que estava na bancada, passou-me a sensação "fica já feito, porque provavelmente não vamos ter grande vontade de fazer depois". Estarei com certeza enganado, mas foi o que senti.
Por fim, muito bem no pós-jogo, assumindo a falha na finalização e nas penalidades e projectando o futuro com todo o optimismo que a exibição justifica.


 

Outros Intervenientes:


O chico-esperto-saloio Jorge Jesus é o que é e assume-o, mesmo que de forma inconsciente. Ontem, preparou a sua equipa para resistir durante o jogo e confiar vencer nas penalidades. Conseguiu o objectivo, deve ser felicitado por tal. O modesto Covilhã está em festa, parabéns pois.


Arbitragem inenarrável, permissiva mas sem critério, sempre a interromper o jogo por tudo e por nada, desequilibradora e nada habilidosa. Há muitos lances "polémicos" (só à conta do charrado, são dezenas) e isso naturalmente dificulta a probabilidade de acerto até de um árbitro, quanto mais de Nuno Almeida. Revi o jogo na televisão e também por isso pouco confio no que hoje leio na imprensa, quando sei de tantos lances que foram convenientemente VARridos para baixo do tapete. 
Admito com naturalidade que algumas decisões que tenham também beneficiado o Porto, mas o que é claro e indesmentível é que no lance capital o VAR inovou em nosso prejuízo. Sim, lagartada, não há penálti nenhum porque antes havia lugar à marcação de fora-de-jogo. Jamais o VAR poderia marcar penálti num lance precedido de offside, porque tem obrigação de rever e validar toda a jogada. O único lance decidido de forma diferente à norma adoptada foi o do golo de Soares. E pedir a expulsão de Óliver ao minuto 50 é tão desonesto como absurdo, quando é evidente que não há qualquer outra intenção que não seja o de jogar a bola. Faltou o amarelo, nada mais. Ridículos.


Soares Dias, o homem que vê mais à frente
 

Acabou-se a Taça da Liga, assunto encerrado. Fica o amargo de, uma vez mais, não termos vencido sendo melhores. O que realmente nos interessa é o jogo em Moreira de Cónegos, no qual deveremos focar todas a nossa atenção, porque minas e armadilhas é o que mais encontraremos por lá. Hoje digerimos a derrota, amanhã retomamos o nosso caminho rumo à vitória final.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco





segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Mid-Season Review: Parte 4 - Reforços


A concluir esta análise intermédia, vamos olhar para os reforços e sob duas perspectivas: análise dos desempenhos individuais dos que chegaram no verão e discussão sobre os necessários nesta janela de mercado de inverno.

Começando por quem já cá está, importa voltar a salientar que vivemos um momento muito peculiar e talvez único pelo facto de não termos comprado sequer um reforço para esta época [Vaná não conta até prova em contrário, ok? Estou a falar desta época, não de eventuais futuras].

Sempre me ensinaram que quem não tem dinheiro, não pode ter vícios, mas os nossos queridos dirigentes parece só terem aprendido a lição à força (e ainda assim... Vaná). Com o garrote financeiro bem apertado, ofereceram a Sérgio Conceição um belíssimo cardápio... de restos.

Com muita fome e ainda mais vontade de comer, o bom do treinador fez muito mais do que os requentar: deu-lhes um novo arranjo, pô-los todos bonitinhos na travessa e serviu-os como se fosse produto acabado de fazer. Ou de chegar, como preferirem.


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Claro que os retornados "ingredientes" tiveram muito a ver com o sucesso dessa receita, fica fácil de perceber. A sua predisposição para um fresh start foi decisiva e só assim se percebe a forma como Aboubakar, Marega e Ricardo (sobretudo estes) pegaram de estaca e se tornaram indispensáveis para o treinador. Os seus números "cantam" por si.

Aboubakar é o ponta-de-lança oficial da equipa. Muitas vezes perdulário, é certo, mas joga com e para a equipa, ajudando-a a ganhar terreno e a montar o cerco à baliza adversária. E sim, também marca, por vezes com pormenores de classe que, a serem mais frequentes, o colocariam entre os melhores da actualidade.

Marega é a gazua, o abre-latas, o camião desgovernado que avança pelo campo fora e por vezes só para mesmo fora dele. Tem sido essencial para desbloquear defesas, tanto as compactas e recuadas, como as mais temerárias. E também tem marcado a muito bom ritmo, acabando por complementar lindamente a capacidade ofensiva de Abou.

Ricardo surpreendeu-me muito, pela capacidade que tem demonstrado em assumir-se como verdadeiro lateral (nunca defesa), sem com isso descurar em demasia a (fundamental) missão defensiva. E pela polivalência, saltando entre lateral e ala com relativa facilidade. Falta-lhe sobretudo ser mais rigoroso naquele último passe para poder equiparar-se a Telles.

Sérgio Oliveira mostrou merecer nova oportunidade, pela forma destemida como abraçou os grandes desafios que lhe foram propostos. Insisto que merece mais minutos e oportunidades, não pode ser apenas bom para os jogos mais complicados...

Quanto a Reyes e Hernâni, dois outcasts do Dragão, percursos diferentes embora com prováveis desfechos semelhantes.

Reyes começou por aproveitar bem o castigo a Felipe (oficial e técnico), exibindo-se discreto mas seguro. No entanto, os seus jogos mais recentes já mostraram um pouco dos motivos porque anteriormente não se tinha conseguido afirmar no Porto. Fico na dúvida sobre o que nos trará a seguir.

Hernâni andou cinco meses a desperdiçar por completo as parcas oportunidades que ia tendo, ao ponto de quase toda a gente já ter desistido dele. No entanto, num último fôlego, arrancou uma exibição bem agradável e mereceu mais um par de chances para se mostrar. Nessas, já não foi muito mais do que havia sido antes desse "pico de anormalidade". Por certo ficará até final da temporada, pelas circunstâncias, mas terá ainda uma palavra a dizer em sua defesa? 

Não sendo reforço, vou aqui destacá-lo como tal, tão grande que foi a metamorfose que o abençoou. Mesmo que sobre Brahimi já tenha escrito quase tudo nas anteriores partes desta análise, não se torna cansativo repetir que finalmente apareceu o jogador que todos sabiam e acreditavam poder existir. Deixou-se de amuos, de egoísmos, e começou a mostrar alegria e inteligência, colocando a sua soberba capacidade técnica ao serviço da equipa. Que assim continue até que alguém nos roube, por muitos e muitos milhões.


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Arrumada a questão dos que cá estão, afloremos a dos que cá deveriam estar - ou chegar, antes que Janeiro se finde. Sim, falo dos reforços de inverno.

[Por esta altura já estão assegurados Waris e Paulinho, mas a análise que se segue foi feita antes de alguém ser oficialmente confirmado


BALIZA


Temos excesso de jogadores, o que é notável considerando a escassez nos demais sectores. Aparentemente, só dois contam para o "totobola": Iker e . Um deles (ou ambos), continuarão a defesa da nossa baliza até final da temporada.


DEFESA


O sector que mais me preocupa, de longe. Até agora, tivemos a felicidade de Alex Telles não se ter lesionado. Nem Marcano. Nem Felipe. Nem Reyes.

No centro da defesa está o grande problema do plantel, em minha opinião. Pela falta de quantidade e de qualidade também.

O único central que me deixa 90% tranquilo antes de cada embate é Marcano. Sim, o mesmo jogador que há duas épocas exigi que fosse despedido com justa causa, tantas e tão más foram as suas exibições. A verdade é que conseguiu por a cabeça no lugar e fazer uma temporada e meia de grande nível, provando que aquela época desastrada foi uma excepção. No entanto, está já livre para assinar por outro clube, tanto quanto sei. Ficará cá até Maio, mas falta saber se de corpo inteiro. E não o estou a acusar de ser mau profissional, já demonstrou que não o é, mas é apenas natural que se perca parte do foco quando se sabe que o futuro não passa por cá.

Tanto Felipe como Reyes não me inspiram confiança. Tanto podem fazer uma boa exibição como uma má. Pior, uma boa exibição destruída por um momento de "loucura", como aliás tem acontecido. Felipe e as expulsões (efectivas e perdoadas); Reyes e as "travadinhas cerebrais" (relembremos a falta de onde nasceu o golo do Estoril, por exemplo).

Em suma, o centro da defesa é Marcano e um dos outros dois. Se o espanhol "falta" (ou se ausenta...), o jogo já começa em risco. Estando presente, falta saber se o parceiro de ocasião vai estar em dia "sim". Precisamos não de um, mas de dois centrais de qualidade. Um com extrema urgência - AGORA -, o outro no próximo defeso.

Não contratar um central é correr um risco tremendo, em minha opinião.

Quanto à lateral esquerda, temos Layún como backup de emergência (aliás, temos Layún como backup de emergência para 10 das 11 posições...), mas alguém acredita que a troca se faria sem "custos"? Pior, com Telles lesionado e Layún a ser castigado, por exemplo, iria Maxi para a esquerda. Not good. Quem não se lembra ainda dos quatro centrais do Lorpa em Munique?


MEIO-CAMPO


Aqui a questão tem mais a ver com o perfil do que com a qualidade/quantidade. Temos jogadores com capacidade para estar no plantel, outros ainda a tentar prová-lo. André André é dos que mais tem desiludido e não dou a sua continuidade após Maio como certa. Sérgio Oliveira tem respondido bem, mas raramente é utilizado. Otávio quase não tem tempo para se mostrar entre lesões... Óliver... bem, nem sei o que pensar. Certo é que também raramente é opção.

Em rigor, é Danilo e Herrera. E Sérgio Oliveira, contra equipas do nosso nível ou superior. Se Danilo se lesiona, cai o Carmo e a Trindade. A sério, pior que uma lesão de Marcano, só mesmo uma de Danilo. Porque não há ninguém com as mesmas características, mesmo se de qualidade inferior. Não há. E deveria haver. Já Herrera, o problema é outro, sobejamente discutido, nem vale a pena aprofundar.

Em resumo, seria interessante contratar um sósia de Danilo, em menos bom que fosse, para acautelar. E decidir, de uma vez por todas, se Óliver conta ou não. E agir de acordo com a decisão!


ATAQUE


Pela primeira vez em muitos anos, temos dois avançados a marcar muitos golos, coisa rara no Dragão. Aboubakar é o goleador-mor, destacado da "concorrência", mas Marega está a conseguir fazer-lhe frente, em especial no campeonato (que é onde mais nos interessa). E temos ainda Soares, que não conseguiu entrar verdadeiramente na época até agora. Tudo tranquilo no centro do ataque.

Nas alas, Brahimi não tem substituto, ponto. É rezar a Alá para que não se magoe e desfrutar. Corona deveria ser o contra-ponto do argelino, mas tem estado muito irregular; o talento está lá, nevertheless. Hernâni raramente é solução, apesar da boa vontade.

Dito isto, seria interessante contratar um médio ofensivo, com capacidade para jogar pelas alas (ambas, de preferência), mas que chegasse "pronto" a lutar por um lugar na equipa. Jovens promessas sim, mas a apontar para a próxima temporada - o futuro é já agora.

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Feita a revisão sectorial, segue-se um quadro com os adversários que mais se destacaram nos jogos contra o Porto, como uma espécie de guia de contratações, sobretudo os que jogam em clubes nacionais.

A bold estão os teoricamente possíveis e acrescentei o azul aos que, desse lote, seriam mais interessantes.

Bem sei que alguns nomes estarão longe de ser consensuais, mas o objectivo não era esse, somente o de expressar a minha opinião. Note-se que não sou (nem quero ser) nenhum expert em mercado ou scouting, como se comprova pelo meu total desconhecimento de Waris.




Algumas notas:

- Lucas Evangelista tem tudo para ser um grande jogador, aliás impressionou-me muitíssimo vê-lo ao vivo no Estoril - Porto. Vinha já.

- Gostei de Paulinho no primeiro encontro com o Portimonense, mas quem mais se destacou em ambos foi Nakajima. Vinha.

- O lampião Benny também promete dar que falar; estando disponível (difícil), era de seguir com atenção e rédea curta.

- João Novais, o filho de Abílio (ex-Salgueiros e Porto), tem estado muito bem e valia a pena seguir-lhe o rasto com muita atenção. Isto para não o trazer já...

- Raphinha, com a sua pinta de Di Maria, pode mesmo ter o que é preciso para se tornar num caso sério. Não sei como é a sua atitude profissional, mas a ser positiva, faria de tudo para que não acabasse num dos rivais. Vinha e era já.

- O "nosso" Fábio Martins tem evoluído muito desde que de cá saiu... não valeria uma segunda oportunidade? E a promessa Xadas? E já agora, Bruno Viana, o central?

- Osório, central do Tondela, impressionou-me neste último jogo. Pelos vistos, a ser verdade o que vem hoje na imprensa, a Sérgio Conceição também. Só o vi uma vez, pelo que me remeto para o departamento de scouting qualquer avaliação mais completa. No entanto, precisamos de um central já, já.

- Oberlin não nos defrontou, mas a forma como massacrou outros por aí deixou-me muito impressionado e com vontade de o agarrar. Temo é que já esteja fora do nosso (curto) alcance, mas haveria de investigar com certeza.

- Allano está a azul por engano ;-)


E pronto, está feita a minha boa acção de Janeiro. Até breve...


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Se só agora chegou a esta Mid-Season Review, deixo-lhe os links para as partes que o antecederam, sugerindo que siga a ordem numérica para melhor compreensão.

Mid-Season Review: Parte 1 - Desempenho Colectivo

Mid-Season Review: Parte 2 - Utilização

Mid-Season Review: Parte 3 - Produção Ofensiva e Pontos DPcA 



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




sábado, 20 de janeiro de 2018

Campeões dos Nervos


Pronto, já está. Só foram precisos quatro dias para voltarmos ao primeiro lugar. Foi rápido, mas não foi fácil.

O primeiro golo de noite aconteceu ainda antes do jogo começar. Edinho, nos descontos, limpou dois pontos aos labregos de Carvalho e Saraiva (e aos demais sportinguistas também, que, na pior das hipóteses, só são culpados de terem eleito o primeiro).


Foto de Catarina Morais / Kapta +

Aquele magnífico e inesperado boost de moral certamente terá contribuído para uma entrada em campo ainda mais entusiástica e determinada, mas também algo precipitada. Mas as prendas ainda não se tinham esgotado. Depois de Edinho, foi um jovem de nome Sulley a oferecer de bandeja dourada a Marega o primeiro golo da noite - que, por incompetências várias, acabaria por ser também o único.

Chegou bem cedinho a vantagem, o que faria prever um jogo tranquilo e afirmativo. Depois de passar a semana a ouvir latidos e grunhidos de toda a espécie a propósito do jogo que não pudemos concluir por responsabilidade de terceiros (ou segundos, se se concluir que foi mesmo do Estoril), era crucial não deixar fugir a oportunidade de voltar a olhar de cima para todos os demais.

No entanto, o que se passou foi bem diferente. 

Oportunidades para marcar uma mão-cheia de golos não nos faltaram, verdade seja dita, mas fosse pela inépcia dos nossos na hora H, fosse pela cegueira selectiva das toupeiras do apito, fosse pela obstinada oposição do melhor em campo - Cláudio Ramos, o valoroso guarda-redes do Tondela -, não conseguimos nunca ampliar a vantagem e enquanto o apito final não soou, pairou sempre o espectro da "desgraça" sobre as nossas cabeças.

E não foi por o adversário ter estado muito perto de marcar, creio que nem uma oportunidade flagrante teve, mas porque o Porto nunca conseguiu ter o controlo do jogo e muito menos o seu domínio. O período que se seguiu ao golo foi quase surreal, tal a incapacidade para ter e segurar a bola. Foram mais de 15 minutos literalmente aos papéis, mesmo criando um par de oportunidades para fazer o segundo. 

Como se não bastasse, Felipe, Marcano e puseram-se com parvoíces em zona proibida, aumentando ainda mais a desconfiança que inexplicavelmente se gerou entre os jogadores por essa altura. Foi só depois da meia-hora que conseguimos acalmar e recuperar um pouco do controlo do jogo.

O intervalo chegou com duas certezas quase paradoxais: que tínhamos feito outro primeiro tempo muito fraco e que deveríamos estar a vencer por dois ou três, se Corona fosse um tipo ligeiramente mais sortudo, tanto a rematar na "cara" do golo como a conquistar o provável penálti sofrido que, naturalmente, as toupeiras voltaram a nem sequer "telever".

O segundo tempo resume-se em poucas linhas. 

Até aos 85 minutos, houve o Porto a tentar ampliar, o Tondela a tentar não sofrer mais e a arbitragem a gozar o prato. A partir daí, passou o Tondela a tentar marcar e o Porto a "rezar" para não sofrer. E a arbitragem? Imagino que estivessem a rezar em sentido oposto...

Mais quatro ou cinco golos desperdiçados e/ou evitados por Cláudio Ramos e o(s) penálti(s) da praxe a ficarem fechadinhos a sete chaves na Cidade do Futebol. É isto o campeonato português de 2017/18: penáltis, só a favor dos outros, mesmo se inexistentes.

O alívio colectivo que chegou com o último apito deve-se ter ouvido em Setúbal...

No final do dia, alargamos a vantagem sobre o segundo classificado ou, na pior das hipóteses, reconquistamos o primeiro lugar. No entanto, a equipa voltou a dar mostras de estar a atravessar dificuldades, eventualmente por debilidade física, que facilmente se alarga ao domínio mental. Algo a ser analisado e combatido com muito atenção pela equipa técnica, porque não se admitem mais tropeções sem consequências gravosas. Sofrimento à parte, não se podia pedir melhor. Aproveitemos, pois, que hoje o dia é de festa.





Notas DPcA 


Dia de jogo: 19/01/2018, 21h00, Estádio do Dragão, FC Porto - CD Tondela (1-0)


José Sá (5): Pois é, sente-se que está a entrar numa espiral negativa de insegurança própria e desconfiança alheia. Esteve quase sempre bem com as mãos, mas também quase sempre mal com os pés, mesmo sem pressão para errar. Tem a palavra SC.

Ricardo (6): Jogo muito completo, sem nunca desanimar mesmo perante a dificuldade em meter com "regularidade" um bom último passe.

Alex Telles (6): Menos "Alex" que o habitual, mas ainda assim um dos melhores da equipa. Ontem não houve assistência, embora tenha feito por isso.

Marcano (6): Alguns tremeliques iniciais, prontamente corrigidos rumo a uma exibição segura, com destaque para aquele corte providencial após a herrerice da noite.

Felipe (6): Melhor que nas últimas partidas, mas ainda assim alternando momentos melhores e piores durante o jogo. Pelo menos, pareceu um pouco mais calmo...

Danilo (7): Dos mais importantes nos períodos difíceis do jogo, não só cumprindo bem o seu papel como também disfarçando algumas herrerices aqui e ali.

Herrera (5): Eu tinha avisado. O Herrera desta época, que pegou de estaca e relegou Óliver para o esquecimento (not), não é o Herrera a que estava habituado. Fiquei obviamente muito feliz por o "conhecer", mas o outro nunca chegou a sair dos meus pesadelos. Ontem, vi mais do outro do que do renovado. E voltei a ter pesadelos herrerosos, especialmente quando decidiu "vingar" Sulley e oferecer o golo ao Tondela.

< 78' Corona (6): Teve tudo para sair do jogo em ombros: oportunidades de golo (uma clarinha) e penálti sobre ele. Se tudo tivesse corrido bem, tinha sido uma noite em cheio. Assim, ficou só o esforço e a certeza de que pode (e deve) muito mais.

< 88' Brahimi (5): Se não entrou em campo "lesionado", pelo menos parecia acreditar (ou temer) que assim fosse. Muito retraído, receoso de meter o pé ou sequer esticar a perna, foi quase uma sombra durante o primeiro tempo. Depois soltou-se um pouco, talvez mais crente na sua recuperação, mas nunca em pleno. Sentia-se que não estava a 100% no jogo e, pelo que produziu, deveria ter saído bem mais cedo. Acontece que a sua presença em campo acaba por ser incomodativa mesmo sem mexer um dedo. Assusta o adversário, obriga-o a pensar duas vezes antes de se aventurar em força em terrenos mais avançados. Isso, e o facto de, num lance, conseguir resolver um jogo, terão forçado a sua permanência.



Melhor em Campo Marega (7): Já escrevi que o "verdadeiro" melhor em campo foi o GR do Tondela, mas Marega, ao marcar o golo que definiu o resultado, tem de ser considerado o jogador mais influente da partida e, portanto, é justo "delegar-lhe" a distinção. Até porque não se limitou ao golo, criando outras oportunidades para a equipa ampliar.

< 78' Aboubakar (6): Não foi noite de Aboubakar, mas todo o trabalho colectivo que se lhe exigia foi cumprido. Momento mais alto, a cabeçada ao poste.

> 78' Hernáni (6): Quis voltar a mostrar serviço a justificar a confiança em si depositada, mas foi preciso esperar quase até final para lhe ver um grande remate que só uma defesa ainda "maior" impediu que festejasse efusivamente (e nós com ele). O melhor que se pode dizer é que a equipa não piorou com a sua entrada, o que, num resultado de 1-0, não é despiciendo, de todo.

> 78' Sérgio Oliveira (5): Ora cá está ele de regresso, sem surpresa à porta de mais um clássico. Entrou para ganhar ritmo, pois claro, que quarta há trabalho a fazer. Não entrou mal... nem bem, encaixou-se num miolo em fase de muito combate e pouco discernimento e foi à luta, mesmo sabendo-se que não são essas as suas melhores "armas".

> 88' Soares (-): Nada a relevar.

Sérgio Conceição (6): Ui, ui, Sérgio... parabéns pela reconquista da liderança e blá blá blá, mas a verdade é que a coisa esteve por um fio. Mesmo que fosse um fio invisível, porque o perigo que o adversário criou nunca foi muito real, mas todos sabíamos que ele lá estava, a segurar a poderosa espada sobre as nossas cabeças. É evidente que a equipa atravessa dificuldades - olha, calha bem ser em fase de mercado aberto, não é, senhores da SAD? - e cabe-lhe a ele encontrar soluções. Se a primeira parte com o Estoril foi a pior da época, esta com o Tondela não lhe ficou muito à frente. O maior elogio que ainda assim se pode fazer é que, mesmo sem conseguir controlar o jogo, fomos criando muitas e boas ocasiões para marcar. Algumas, vá. E em "condições normais" teríamos marcado mais. Mas, caro Sérgio, já sabemos que este não é um campeonato normal...


Outros Intervenientes:


Sim senhor, caro Pepa, assim dá gosto ver uma equipa jogar. Não estou a ironizar, gostei de verdade da atitude e do jogo do Tondela, só lhe faltando conseguir criar oportunidades flagrantes de golo. Sim senhor. A grande dúvida é só uma: em que buraco se esconde este Tondela noutros jogos? Um bom amigo, self-made-expert da bola, "mensajou-me" durante o jogo a chamar a atenção para o central venezuelano Osório, e a partir daí reparei que de facto tem "pinta" de jogador, a defender e a sair com bola. No entanto, tanto ele como o possante Hélder Tavares ficaram ontem na penumbra, quando comparados com a radiante exibição de Cláudio Ramos (mais uma).

Oh ooohh, I'm an alien, I'm a legal alien in futebol... (Foto de Catarina Morais / Kapta +)

Escrever sobre Luís Godinho é um exercício penoso, porque é claramente alguém que está no sítio errado a fazer a coisa errada. O homem deve ser bom em muita coisa, mas árbitro de futebol não é, mesmo que lhe emprestem o equipamento completo. Muitas decisões técnicas mal avaliadas, critério disciplinar pouco claro e, mais do que tudo, ausência total de bom-senso, de que é exemplo maior a forma como apita para intervalo e interrompe um contra-ataque do Tondela. Repito, árbitro não é. 

O Porto foi claramente prejudicado nos lances capitais (discutem-se, "apenas", 3 penáltis) mas, não por milagre, o golo foi bem invalidado pelo VAR Artur Soares Dias que, por felicidade, tinha acabado de acordar nesse preciso instante. Antes, fartou-se de ressonar enquanto se babava, de tão confortável que estava na sua poltrona verde e vermelha da Cidade do Futebol. 

Aqui fica a minha visão sobre os três lances:

29' - Corona parece ser agarrado por Joãozinho, mas não consigo dizer com certeza que o foi de forma a fazê-lo cair, pelo que admito que o VAR também não tivesse a certeza;

53' - É evidente que Ricardo Costa desvia um remate com o braço que, não estando junto ao corpo, também não estava ostensivamente aberto. Foi um meio termo, cotovelo aberto e mão junto ao corpo, que o árbitro considerou normal. Por mim, se o critério fosse sempre esse, aceitava que não se marcasse; o problema é que não é.

60' - Aqui não tenho qualquer dúvida de que Osório joga intencionalmente a bola com a mão/braço, penálti claro que ficou por marcar. Se ao toupeira Godinho se admite a ínfima possibilidade de não ter visto, do soneca Soares Dias não se aceita nenhuma desculpa - na repetição, é clara a infracção.


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Segue-se a meia-final da Taça da Liga contra o Sporting & Labregos, Associados. Em teoria, temos a upper hand mental, após os resultados de ontem. No entanto (e até por isso), o adversário vai querer provar (a si próprio) que consegue dar a volta e superiorizar-se a nós. Teremos de encarar o jogo como se fosse a própria final, pela Taça da Liga e por tudo o que se lhe seguirá até final da temporada.


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Mid-Season Review: Parte 3 - Produção Ofensiva e Pontos DPcA


Continuando para bingo a "avaliação intercalar" da equipa, abordemos agora a produção ofensiva - ou melhor, o resultado mais visível dessa produção: os golos e a melhor forma para os conseguir, as assistências.




O grande líder dos marcadores é o rei Aboubakar, somando 25 golos na primeira metade da temporada, 14 dos quais na Liga. Não satisfeito, ainda se assume como um dos terceiros melhores "assistentes", com 6 passes para golo. Grandes números, sem dúvida, mas que escondem uma realidade menos animadora: não fosse o homem tão perdulário e o seu pecúlio poderia (deveria) ser já bem mais robusto. 

Em segundo está Marega, um mousso que se tem provado bestial, sobretudo na Liga, onde soma 14 dos seus 15 golos. E sim, também contribuiu com 6 assistências, tal como Abou. Que grande e maravilhosa surpresa. Pena sofrer do mesmo mal do seu companheiro camaronês, mas enfim, considerando de onde partiu, está excelente. Sábios mesmo são os lagartos, que já há vários anos que nos andam a dizer para o meter...

Em terceiro, Brahimi, o Mago do Magreb. Deve ter sido o Arch-Mage Madjer a virar-lhe aquela cabecinha do avesso (a par do bom do nosso treinador, é claro), para que finalmente mostrasse a todos o que realmente vale e ainda pode vir a valer (em todos os sentidos). Oito golos, 9 assistências (2º melhor) e muitas, muitas dores de cabeça aos adversários. Este ano sim, tem sido bastas vezes o íman que atrai adversários e liberta espaço para os companheiros. Que continue em crescendo até final da época...

Nas assistências, o líder incontestado é Alex Telles. São 13 mas poderiam ser 20 ou mais, fossem os seus companheiros mais eficazes na hora de fuzilar. Em todo o caso, assume-se com um dos jogadores fundamentais desta equipa e - ó drama - sem um substituto de raiz (nem à altura, nem "abaixo" dele). Destaque também para Ricardo e Óliver (5 cada).

Considerando que Soares ainda não "começou" a marcar, creio que em termos de zona de finalização estamos bem servidos para atacar o resto da época, sendo mais importante reforçar as alas e sectores mais recuados. 


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Avancemos então para o epílogo de todos estes dados objectivos - minutos, jogos, golos, assistências - e revele-se o que sobra de todos esses esforços: as exibições individuais e, a elas associadas, as Pontuações Do Porto com Amor (DPcA) e as distinções de Melhor em Campo (MeC).

Estas pontuações foram atribuídas por mim, jogo a jogo, em todos os jogos oficias da época e em função do que consegui (ou não...) observar de cada desempenho. São evidentemente subjectivas, como é qualquer avaliação qualitativa, mas alicerçadas nesta bela tabela de pontuação.

Vamos a contas:


Brahimi! Brahimi! Brahimi!


Creio que não surpreende muita gente o facto de Yacine liderar esta tabela (195 pontos), mesmo não sendo o jogador mais utilizado. O mérito está em conseguir uma média praticamente de 7 (de 0 a 10) num somatório tão considerável de jogos. Participar em 2 ou 3 e ter essa média pode acontecer a qualquer, consegui-lo numa série de 28 jogos é que já é para os chosen few

Reparem que Aboubakar - o segundo mais pontuado com 183 pontos - apresenta uma média bem inferior, muito mais próxima dos 6,5. E mesmo Telles e Marega, que apresentam a segunda e terceira melhor média, estão já algo distantes (considerando que estamos a falar de médias e não de valores absolutos).

Sem surpresa, Brahimi é também o homem por mais vezes nomeado para MeC, somando já 6 distinções, boa parte delas obtidas neste último terço de "ano novo" com algumas exibições soberbas. Seguem-se Abou e Marega, também eles várias vezes os mais decisivos para resolver as partidas. 

Pela negativa, Corona, Felipe, André André e Soares, todos com médias abaixo de 6 (a primeira nota "positiva" da tabela). E se o mexicano ainda equilibra a coisa com outras métricas, Felipe e AA não têm desculpa alguma, exibiram-se realmente abaixo que lhes é exigido e só podem melhorar daqui para a frente. 

A questão de Soares tem mais a ver com a(s) longa(s) paragem(ns) por lesão, o que lhe limitou quer a capacidade (forma), quer o tempo de utilização (poucos minutos de cada vez), factores que condicionam decisivamente a média. 



Sobre a metade inferior da tabela de pontuação, não sobra muito para destacar. Nela constam os jogadores menos utilizados, o que logo à partida lhes condiciona a possibilidade de somarem grandes pontuações. Normalmente "saltam" do banco ou, como no caso de Reyes, tiveram pequenas séries de jogos. 

Ainda assim, vou destacar Sérgio Oliveira, o homem dos grandes jogos de Conceição. Participou em apenas 6 jogos, mas simplesmente nos mais importantes - ou difíceis, se preferirem: Mónaco, Sporting, Leipzig, Besiktas, Benfica e, vá lá, Belenenses. E ainda assim consegue média positiva, um redondo 6. Não terá mais para dar à equipa além destes jogos, caro mister? 

Quero também abordar o caso de Otávio, pela esperança que mantenho nele. Tem sido fustigado por lesões (logo ele, que demora sempre a ganhar ritmo) e ainda não se mostrou realmente a Sérgio Conceição. Tenha mais sorte com a parte física e conto que venha a ser uma das boas "surpresas" da segunda metade da temporada.

Quanto aos "meninos da B", creio que dificilmente terão oportunidades daqui para a frente, salvo alguma catástrofe, pelo deverão continuar a evoluir e a mostrar serviço na sua equipa-base. Sim, que gostava de ver Dalot no Dragão, mas creio que terei de esperar por 2018/19. Não tenho pressa e talvez seja melhor que ele também não tenha.


Para terminar a análise intercalar: Mid-Season Review: Parte 4 - Reforços



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco