Do Porto com Amor: Novembro 2016

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Confortavelmente Entorpecidos


Jogo fraco no Dragão, mais um. NES optou por mudar 9 dos titulares habituais (e seriam 10, não fosse pelo momento infeliz de Boly, a quem endereço respeitosas condolências), decisão com que discordo desde sempre. Mudar sim, mas não tudo. Não todos. Neste jogo em concreto até poderia não ser mau, considerando a absoluta pobreza que têm sido as exibições e os resultados dos tais titulares. Mas eu discordo, ainda assim: 4, no máximo 5 mexidas no onze, para manter alguma coisa do jogo da equipa.




Na prática, não se notou nada. 

O jogo foi em tudo semelhante a outros anteriores. Pouca objectividade, baixa intensidade e alguns períodos de maior fulgor, mesmo se sem causar verdadeiro perigo. Nem com a expulsão de um jogador do CF Os Belenenses ao minuto 41 (sobravam 49, fora os descontos) o jogo mudou a sua cara. O adversário recuou ainda mais, como seria de esperar, e nós continuamos sem saber como chegar à baliza de Ventura.

Tivemos um, duas ou três oportunidades de marcar (conforme o optimismo de cada um), mas voltamos a não conseguir fazê-lo. Mais do mesmo, com outros protagonistas.

Começamos a Taça da Liga com um empate caseiro, o que obriga a atentar ao que fazem os outros dois adversários e a ganhar o jogo seguinte. Também não partilho da opinião dos meus caros consócios que desvalorizam esta competição. Se estamos nela, só pode (deveria) ser para a ganhar. Menos do que isso é que não é ser do Porto.

Uma nota para a hora verdadeiramente vergonhosa para que foi marcado este jogo. Quem do nosso lado anuiu sem contestar (se contestou, ninguém soube) merecia ter o estádio totalmente vazio.

Não vou perder mais tempo com este jogo, que aliás dentro de dois dias passará a viver para sempre no esquecimento. E nas notas, apenas vou individualizar algumas das novidades. 





Notas DPcA 

Dia de jogo: 29/11/2016, 21h15, Estádio do Dragão, FC Porto - CF Os Belenenses (0-0).


Inácio (6): Boa estreia individual na equipa, a demonstrar qualidades para poder ambicionar dar o salto em breve. 

JC Teixeira (6): Entrou bem no jogo (o seu primeiro da temporada...), apesar do momento complicado. Tentou e conseguir agitar as águas, com bons pormenores, mas faltou o desequilíbrio final para ser memorável.

Rui Pedro (6): A terceira estreia da noite e quase acabava em glória já perto do final. A bola foi caprichosamente até ao poste e saiu. Primeiros minutos de muitos num futuro não muito distante, espero.

Nota 7: Brahimi, Marcano
Nota 6: José Sá, Felipe, Adrian
Nota 5: Rúben, Herrera, André André
Nota 4: Varela, Evandro, Depoitre
Nota 3: NES

Sérgio Oliveira, não desesperes rapaz. A culpa não é tua, garanto-te. 


Outros Intervenientes:

Nada a registar no Belenenses, a não ser o facto de não terem tido que suar assim tanto para manter a sua baliza inviolável. Mas isto não tem a ver propriamente com o Belenenses, certo?

Quanto à equipa de arbitragem Nuno Almeida, um dos fervorosos soldadinhos do #colinho, optou por anular o golo de Felipe por suposto fora de jogo. Na repetição parece estar em linha, mas é um lance difícil de avaliar. Nós somos é azarados, porque todas as decisões difíceis acabam por ser decididas em nosso desfavor. Já a expulsão foi justíssima e a surpresa só reside mesmo no facto de o lance ter sido correctamente ajuizado.


 

Estamos outra vez numa situação muito complicada de reverter e, pior do que isso, aparentemente estamos outra vez sem ninguém com capacidade para o fazer. FC Porto, a descobrir novos fundos desde 2013. Se não conseguirmos vencer o Braga já no próximo sábado, temo o descalabro.



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Pela primeira vez em muitos programas, o Prolongamento de ontem teve um Manuel Serrão a assumir o palco. Ontem não teve seguimento a tragicómica peixeirada entre Sporting e Benfica, tudo graças à nossa tragédia actual, que de cómica nada tem.

Entre outras ideias, Manuel Serrão juntou-se finalmente à minha cruzada, só para depois se atirar espectacularmente da pobre pileca ainda antes de chegar à Terra Prometida. 

O bom do Manel insurgiu-se naquele seu estilo gantiano, inchado e inflamado contra as gentes Portistas que teimam em não se apresentar como alternativas à liderança de Pinto da Costa. Não poderia estar mais de acordo, ando a pregá-lo há muitos meses, tendo começado bem antes das eleições sem oposição, onde nem assim se respeitou os sócios com aquele inacreditável processo de voto. Mas adiante.




Este é de facto o maior problema actual do clube. O vazio de alternativas a esta liderança.

Num clube normal (leia-se pouco habituado a vencer tantos anos a fio), os sócios usam o seu direito de voto para avaliar cada mandato presidencial e ou optam por reconduzir os incumbentes se a sua avaliação for positiva, ou optam por dar a oportunidade a outros se o trabalho desenvolvido tiver sido negativo. 

Ora, no FC Porto, desde o início dos anos 80 que os Portistas se entregaram cegamente à liderança de Pinto da Costa, com o estrondoso e ímpar sucesso que todos reconhecemos e agradecemos. O lado perverso (um dos, aliás) deste cheque em branco foi o desaparecimento total de alternativas e consequentemente, de escrutínio dos actos de gestão. Culpa minha, culpa vossa. Mas quem nos poderia verdadeiramente culpar, quando tudo se ganhou, se constituiu uma sociedade anónima desportiva, se construiu um novo estádio e se estabeleceu um domínio quási-absoluto no desporto nacional? Comfortably Numb, todos nós.

Acontece que tudo tem um fim e agora que nos aproximámos do final desta liderança, não há quem se constitua como alternativa, desenvolva um projecto para o clube e o apresente aos sócios. Hoje somos um clube enfraquecido pela falta de massa crítica relevante. É fundamental que os putativos candidatos façam um exame de consciência e rapidamente concluam que o tempo de mostrar que querem e merecem ter a oportunidade de liderar o grande Futebol Clube do Porto é agora. Agora. Já.

Se continuarem escondidos na penumbra, à espera que o edifício acabe por ruir até que não sobre pedra sobre pedra, da minha parte só terão desprezo quando finalmente resolverem aparecer. E eu sei quem vocês são, meus senhores, não se iludam.

Regressando ao bonacheirão do Manel, falemos então do momento em que se apeou. Foi quando inferiu que a falta de quem se apresente como alternativa retira o direito de contestar a todos os Portistas. Errado, caro Manuel. Absolutamente errado

A grande maioria dos adeptos não tem nem nunca terá ambições/condições de liderar ou participar na liderança do clube! São apenas adeptos, sócios, que pagam as quotas, compram os lugares anuais e o merchandising e querem o melhor para o seu querido clube. Precisam, sim, de quem os una e os lidere rumo a um futuro risonho e apenas uma pequeníssima fracção do universo Portista reúne as condições necessárias para o fazer.

Não é por não se apresentarem como candidatos que os Portistas perdem o seu direito à indignação e a apontar os muito erros de quem os lidera: era o que faltava! Não só podem como devem fazê-lo! O problema está precisamente em não o fazerem! A grande maioria dos Portistas mantêm-se ainda hoje silenciosa, alheada e submissa perante a realidade que nos consome. E o que todos nós podemos fazer é precisamente isso: dar eco a esse descontentamento, demonstrar aos interessados que há abertura para ouvir novas propostas - que diabo dragão, há a necessidade urgente de as conhecer! 

Cheguem-se à frente, senhores candidatos. É tempo.



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Não posso deixar de registar com sentido pesar a tragédia (esta sim, absoluta) que se abateu sobre o Chapecoense, após a queda do avião em que a sua comitiva se deslocava rumo à Colômbia, para jogar a final da Copa Sul-Americana. Sem o espalhafato ou pedantismo de outros, apenas pretendo deixar um abraço solidário a quem perdeu familiares e amigos neste acidente. Em silêncio.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




domingo, 27 de novembro de 2016

Os Pais do Tetra


Parece que hoje houve uma treta de um jogo em Belém. Mas apetece-me antes falar do tetra.

 


Sejamos claros e frontais, para amortecer a pancada no final: o Benfica vai ser tetracampeão. Do #colinho, com certeza. Mas ainda assim tetracampeão.

Vou repetir, para carregar um pouco mais na ferida: o Benfica vai ser tetracampeão. Ao #colinho de vários pais:

- LFV, de vulgar vigarista a auto-proclamado estadista. Algum mérito terá, quanto mais não seja o de saber imitar.

- Vítor Pereira, o cão-de-fila de Vieira. Lançou os sólidos alicerces da corrupção benfiquista da arbitragem antes de fugir para o Brasil. Como se esperaria de um verme.

- Pinto da Costa, de melhor presidente de todos os tempos a um presidente derrotado, cansado e impotente. A queda de um semideus que afinal é apenas um homem, mortal e falível como o resto de nós. 

Pode parecer cruel associar o presidente do FC Porto à (mais do que provável) maior conquista nacional do Benfica, mas é apenas justo. Vejamos os factos ou, se preferirem, os seus quatro pecados capitais:

a) Erros consecutivos na escolha do treinador (já vai pelo menos em QUATRO, conforme os resultados comprovam), tarefa que sempre anunciou aos sete ventos ser de sua exclusiva responsabilidade;

b) Consentir o enfraquecimento da estrutura directiva pela ingerência excessiva de entidades externas, em particular pela reaproximação ao filho Alexandre e subsequente permissão (tácita ou expressa) para influenciar e interferir na gestão da SAD;

c) Provavelmente também consequência do ponto anterior, incúria na gestão desportiva (e por arrasto financeira) que se traduziu em plantéis cada vez menos competentes mas mais caros e extensos (incluindo emprestados e dispensados);

d) Incapacidade total e confrangedora em combater e reverter o domínio do Benfica sobre as estruturas do futebol, desde as disciplinares à fundamental e primordial da arbitragem. O descaramento chegou ao ponto a que todos temos assistido esta temporada, após outras três de indiscutível, ilícito e descarado favorecimento dos lampiões.




Temos também uma longa série de tios do tetra, alguns dos quais convém não deixar cair em esquecimento: Adelino Caldeira, Alexandre Pinto da Costa, Antero Henrique, Paulo Fonseca, Lopetegui, Peseiro, Nuno Espírito Santo, Maria José Morgado, Ricardo Costa, Ferreira Nunes e federação e árbitros em geral.

Que se consolem os que vivem na alegria de um ainda inédito penta, pois que ainda lhes sobra mais um ano e tal de exclusividade. Não abram já os olhos, não vão para a rua gritar, porque este presidente fez tudo por nós. Mesmo se hoje tudo esteja a ruir à nossa volta, enquanto o alegre bando dos Super emula a banda do Titanic. Há um vazio que nos envolve.


[ Digo já hoje o que me assola o pensamento para que não restem dúvidas. Não voltarei a falar de Pinto da Costa nem da sua direcção/administração até que chegue o (nosso) final da época, salvo novas "revelações". E em relação a NES, apenas analisarei o seu desempenho e evolução. A contratação foi um erro mas está consumada. E todos sabem o que penso sobre mudanças de treinador a meio da época (e se não sabem, podem ler aqui).]



Sobre o tal jogo em Belém, umas notas rápidas.

A equipa do Porto fez-me lembrar quando jogava futebol de 11 com amigos, ao fim-de-semana. A malta encontrava-se uma hora antes, tomava café, fumava uns cigarros, mandava umas piadas, equipava-se e ia aquecer. Uns minutos (segundos?) antes de começar, relembrava-se as posições de cada um e pronto. Estava feito. Cada um que fizesse o melhor que soubesse. A diferença? Normalmente não nos saíamos mal. E até golos marcávamos. Sem treinador.

Devo, porém, insistir na mesma tecla: os jogadores entregam-se, lutam, tentam, mesmo não sabendo como. Há essa diferença face ao ano passado e ao anterior a esse. O que já não conseguem é sacudir a pressão acumulada de tantos maus resultados consecutivos, a cabeça já não está limpa como seria desejável (e fundamental). O factor de continuidade do problema está no banco, obviamente - pela incapacidade do treinador e pela falta de soluções que (também) daí deriva.



Notas DPcA 

Dia de jogo: 26/11/2016, 18h15, Estádio do Restelo, CF Os Belenenses - FC Porto (0-0)


Nota 7: Casillas
Nota 6: Danilo, Telles, Marcano
Nota 5: Maxi, Felipe, Corona, Otávio 
Nota 4: Óliver, André Silva, Jota, Varela, André André, Depoitre
Nota 3: NES



Outros Intervenientes:


Nem vou perder tempo com a arbitragem de Manuel Oliveira (o tal que foi muito contestado pelo vigarista-mor após o SLB - V. Setúbal), foi apenas mais uma actuação hostil e nem foi das piores. Tudo na boa.

Quero sim saudar o regresso do bom, velho Belém, aquele clube honrado e honesto cuja equipa de futebol dá tudo em campo e que tanto orgulha os seus adeptos. Por momentos ainda temi que pudesse subir ao relvado aquela versão de rameira oferecida que se abre toda mal sente o cheiro a papoila. Só que não, era contra nós que iam jogar. Continuem a depositar flores, meus senhores, só lhes fica bem.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor



 

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Onde Está a Bola? #30, #31 & #32


Em estreia absoluta no DPcA, uma edição tripla do passatempo Onde Está a Bola? vai oferecer dois bilhetes para cada um dos três próximos jogos no Dragão. Sempre a pensar em grande.

A saber:

 - Edição #30 - CF Os Belenenses, dia 29/11 às 21h15 (Taça da Liga)

 - Edição #31 - SC Braga, dia 03/12 às 20h30 (Liga)

 - Edição #32 - Leicester City FC, dia 07/12 às 19h45 (Champions)


Deste modo, o estimado leitor terá não uma, não duas, mas três imagens para analisar e concorrer! A primeira correspondente à edição #30 (Belenenses), a segunda à #31 (Braga) e a terceira à #32 (Leicester). É fácil, é barato e dá bilhetes a triplicar!


#30 - Belenenses


#31 - Braga


#32 - Leicester

 
Para se habilitar a ganhar os bilhetes, o estimado leitor apenas terá que observar com atenção as imagens acima e decifrar, em cada uma delas, onde está escondida a verdadeira bola das imagens originais (ou se não está lá de todo).


Respostas possíveis #30 (Belenenses):

A - Bola Azul
B - Bola Castanha
C - Bola Verde
D - Bola Púrpura
E - Não há nenhuma bola escondida


Respostas possíveis #31 (Braga):

A - Bola Azul
B - Bola Preta
C - Bola Verde
D - Bola Púrpura
E - Não há nenhuma bola escondida


Respostas possíveis #32 (Leicester):

A - Bola Azul e Branca
B - Bola Laranja
C - Bola Amarela
D - Bola Verde
E - Não há nenhuma bola escondida


Já descobriu? Então deixe o seu palpite na caixa de comentários, tendo em atenção as seguintes regras de participação:

1 - Escrever a(s) resposta(s) que considera acertada(s) na caixa de comentários deste post, indicando igualmente um nome e um email válido para contacto em caso de vitória (atenção: comentários anónimos já não são permitidos no blogue).

Exemplo:

" #30: C - Verde
  #31: A - Azul
  #32: B - Laranja
"

2 - Entre os que acertarem, serão sorteados os vencedores através da app Lucky Raffle (iOS).

3 - Para ser elegível para receber os bilhetes, deverá fazer o obséquio de:

   a) Comprometer-se a enviar-me duas ou mais fotos da sua ida ao estádio (com pelo menos uma selfie) nas 48h seguintes ao jogo;

   b) Registar e confirmar o seu email (nas "Cartas de Amor", na lateral direita do blogue);

   c) Seguir o FB e o Twitter do DPcA (basta clicar nos links e "gostar" ou "seguir"). 
   Quem não tiver conta nesta(s) rede(s) não será excluído, mas... cuidado porque o Lápis irá investigar :-)

4 - Apenas será aceite uma participação (a primeira) por cada email válido. Pode concorrer em simultâneo a ambas as edições ou fazê-lo em separado.

5 - Cumpridos todos os critérios, o vencedor sorteado será contactado através de um email onde encontrará instruções sobre como e quando levantar os bilhetes.

6 - Se já tiver Dragon Seat ou outro tipo de acesso, poderá oferecê-los a um amigo ou familiar que não tenha a mesma sorte.

7 - A edição #30 deste passatempo termina às 23h00 de 28 de Novembro e o vencedor será anunciado até às 14h00 de dia 29. A edição #31 termina às 23h00 de 1 de Dezembro e o vencedor será anunciado até às 14h00 de dia 2. A edição #32 termina às 23h00 de 6 de Dezembro e o vencedor será anunciado até às 14h00 de dia 7.

8 - Se o vencedor não reclamar o prémio até à data e hora referidas no email que lhe será enviado, haverá novo sorteio entre todos os que tiverem acertado na resposta (e assim sucessivamente até se encontrar um vencedor que reclame o prémio).

E é só! Concorra e divulgue, queremos o Dragão sempre cheio!


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Falta apenas dar conta dos grandes vencedores das edições #28 e #29. Na primeira foi a Rafaela Fonseca quem ganhou 2 bilhetes para assistir à importante vitória contra o Club Brugge.




Compare agora a foto original com a imagem do passatempo e verifique que a resposta correcta era...


 
 ... a bola Amarela!

Parabéns Rafaela e obrigado pelas fotografias!




Já no passatempo #29 o grande sortudo foi o Rúben Martins, "escolhido" pela sorte de entre 41 participantes que acertaram na resposta correcta...





... a bola Castanha!
 
Parabéns Rúben, agradecido pelas fotos, só foi pena aquele imerecido deslize final contra o Salgueiros...



 

Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O Canto da Sereia e o Banco Mau


Algo correu mal no Reino da Dinamarca. Mas nem tudo.


Antes o canto da sereia do que o canto do cisne...


Boa mesmo foi a visita, ainda que fugaz, à capital dinamarquesa. Copenhaga das bicicletas, da simplicidade racional, da arquitectura moldada à escassez de sol, da água e da Pequena Sereia (da personagem do conto de Hans Christian Andersen e da estátua de Edvard Eriksen em sua homenagem e que é o ex-libris dos postais da cidade). E da Carlsberg e da gastronomia, pois claro.

Menos bom foi o jogo contra o FC Kobenhavn no Parken Stadion, um recinto "muito arrumadinho" e racionalizado em conjunto pelas necessidades e arquitectura dinamarquesas, onde coabitam o desporto e o mundo empresarial em aparente harmonia perfeita.

Depois da escorregadela no Dragão na "primeira volta", afigurava-se essencial vencer este jogo. Até para (re)afirmar a diferença de estatuto entre os dois clubes e justificar por que motivo seremos nós e não eles a estar nos oitavos. Seremos? Seremos pois.

Na prática, sucumbimos ao canto da sereia dinamarquesa. Outra vez. Quiçá se adormecidos pela noite escura que já há várias horas se fazia sentir em Copenhaga, voltámos a deitar fora uma parte inteira de um jogo.

Quem apresenta o onze que NES apresentou, não pode jogar para deixar o tempo correr. Não batem certo uma com a outra. Aquele onze é para ganhar o jogo e começar a fazer por isso desde o primeiro apito do árbitro. Qual quê... não é exagero dizer que o nulo ao intervalo nos era lisonjeiro, porque as melhores oportunidades foram do adversário. Valeu Casillas e sus muchachos e um pouco de felicidade. Da nossa parte, muito pouco para contar.


Por cima da bancada superior... escritórios. Nada como ver um joguinho no final de um dia de trabalho, hein?


Na segunda parte, um outro jogo. A acutilância que nos faltou apareceu em razoável quantidade. O apoio lateral que lhes faltou chegou finalmente, dando seguimento e profundidade às nossas investidas. A intensidade para recuperar bolas e rapidamente lançar ataques marcou finalmente presença. Mas por que motivo só chegaram a partir do minuto 46?

Quem não tiver visto o jogo, poderá ser levado a imaginar que NES fez uma ou várias substituições ao intervalo. Pois não fez. E nem podia. Porque neste momento olhámos para o nosso banco e só nos vem à memória a rábula do banco bom e do banco mau. Neste caso, meia rábula: só temos o banco mau

Quando NES opta por este onze, o que jogou de início em Copenhaga, por um lado e deixa de fora Brahimi por outro, a sensação que fica é a de impotência caso seja necessário ir ao banco buscar uma solução para "desamarrar" um jogo. Arranque a fundo logo à partida, a queimar borracha por todo o asfalto, mas depois não leva outro jogo de pneus para trocar a meio da corrida. 

Evidentemente que a culpa aqui não pode ser apenas assacada ao treinador, porque não foi ele quem "fez" o plantel, nem foi ele que contratou Depoitre e depois manteve Adrian (ainda se lembram dele?), mas quanto a Brahimi a coisa afigura-se menos clara. Eu não criticaria se o tivesse excluído em definitivo com uma boa razão, mas assim, passando o argelino de titular para não-convocado e aquecendo "eternidades" para depois ser preterido quando a equipa precisa de marcar, não compreendo. Nuno também tem a sua quota-parte de responsabilidade na falta de soluções do nosso banco actual. Porque Sérgio Oliveira não conta, porque JC Teixeira esfumou-se sem sequer ter aparecido, porque Rúben tem muito menos minutos do que merece, porque Layún não é médio para jogar neste Porto. 

Regressando ao jogo, mais concretamente à sua segunda parte, foi de facto uma pena não termos conseguido fazer pelo menos um golo que nos valesse os três pontos. Trabalhámos para isso e só mesmo algum atabalhoamento e falta de concentração na finalização o impediu. Foi pena, porque nos resolvia a questão do apuramento e nos reposicionava na luta pelo primeiro lugar. Mas vistas bem as coisas, estamos onde merecemos. E passando aos oitavos, que o senhor dos futebóis nos livre de apanhar uma grande equipa.

Desperdiçamos o primeiro match-point para garantir os oitavos e com ele, a possibilidade de vencer o grupo. Não estávamos a isso obrigados (vencer), mas sim a tentar. E decorridas cinco jornadas, fica transparente que não tentámos como devíamos. Jogámos pouco para justificar o apuramento, simplesmente temos a felicidade (para variar, diga-se) de dois dos três adversários serem ainda mais fracos. 

Duas vitórias tangenciais frente ao Brugge e dois empates frente ao Copenhaga só com boa vontade se pode classificar de positivo, já para não falar dos pavorosos 70 minutos da exibição em Leicester. Ainda assim, temos o destino nas mãos. Só nos falta agarrá-lo.


Nyhavn (porto novo), outro dos "postais" de Copenhaga



Notas DPcA 

Dia de jogo: 22/11/2016, 18h15, Telia Parken Stadion, FC Kobenhavn - FC Porto (0-0). 


Casillas (7): Um conjunto de defesas complicadas e essenciais para nos manter invictos na partida, precisamente o que se espera de um grande portero. Menos esperados são aqueles passes sem destinatário conhecido, que devolvem a bola ao adversário mais rápido do que um empresário recebe uma comissão.

Maxi (5): Continua a revelar alguma dificuldade em recuperar o nível exibicional que o distinguiu desde o primeiro jogo que fez pelo Dragão. Apesar da inegável boa vontade, custa-lhe acompanhar as jogadas quando o ritmo aumenta, sejam eles defensivas ou ofensivas.

Alex Telles (8): Mais uma bela exibição deste lateral, fazendo o favor de justificar ao clube o dinheiro que por ele "pagou". Muito envolvido em todas as acções pelo seu flanco e um dos agitadores da nossa equipa.

Felipe (7): Jogo muito sólido perante as torres dinamarquesas, mesmo nos momentos de maior aperto.

Marcano (6): Globalmente bem, mas... com um e outro deslize... vá lá, Ivan, não estragues tudo o que tens vindo a (re)construir com tanto mérito e sacrifício...

Danilo (7): Outra grande exibição, o verdadeiro carro-vassoura do Dragão, aparecendo muitas vezes como a última hipótese de limpar a jogada... e sempre com êxito. Ofensivamente menos exuberante do que noutras ocasiões.

Melhor em Campo Óliver (8): Um jogo pleno, quase absoluto, pelo tanto que fez. Mesmo se algumas vezes com menor clarividência, na esmagadora maioria esteve bem. Recuperou muitas bolas, evitou muitos passes e progressões com bola. E depois, com ela no pé, foi o que melhor tentou servir os companheiros. Jogo francamente bom.


É agora, é agora... ah, não foi...

< 84' Otávio (6): Subiu mais uns degraus rumo à forma do início da época, mas ainda falta para lá chegar. No essencial, ele cumpre. Mas fica a faltar o supérfluo, o inesperado desequilíbrio que ajuda a resolver os jogos.

Diogo Jota (6): O elo mais fraco durante muito tempo, ainda que depois tenha "resolvido" entrar no jogo e dar um ar da sua graça. Não tenho a certeza que seja mais por sua responsabilidade do que da do treinador, mas o que "sobra" é a sua exibição, pálida durante demasiado tempo.

André Silva (6): As análises às suas exibições começam a cair na monotonia e não pelo melhor motivo: tanta entrega e abnegação para depois não colher os proventos... sem o golo, sem a assistência letal, fica sempre a faltar a parte melhor. E então se mais ninguém o fizer na equipa, mais pequena parece a exibição (e quão injusto isso pode ser às vezes).

< 89' Corona (7): Primeira parte modesta, tal como Jota, e a amostragem perfeita do jogo da equipa. Melhorou muito na segunda parte, empurrou a equipa para a área contrária e esteve perto de marcar e de assistir, por várias vezes. Faltou o "danoninho"... e o "Isostar".

> 84' Evandro (5): Entrou para... hã... bom, para dar descanso a Otávio e, acredito, para dar sequência ao nosso assalto final à baliza dinamarquesa. Que aliás deveria ter sido coroado com um golo... mas não foi. Entrou no jogo sem causar sobressalto - se isto é bom ou mau, depende do observador...

> 89' Varela (-): Entrou apenas para render as cãibras de Corona, sem tempo suficiente para ser avaliado.


Nuno Espírito Santo (5): A primeira parte é difícil de aceitar, menos de compreender. Mesmo lançando em campo os "onze melhores", tal não é garantia de sucesso. Porquê? Porque o futebol é um jogo colectivo... e uma boa equipa será sempre superior a onze bons jogadores. 45 minutos de equívocos e hesitações, com pouca posse e mesmo essa quase sempre sem propósito claro e com a defesa muitas vezes baixa. Tendência excessiva de "afunilamento" do jogo sem o indispensável alargamento lateral para quebrar a organização defensiva do Copenhaga. A segunda parte foi diferente para melhor, muito melhor... e eu pergunto, por que motivo demorou 45 minutos a lá chegar? O que mudou ao intervalo? E porque só mudou ao intervalo? E depois, a questão das substituições. Já descontado o tal dilema do banco mau, falta perceber por que motivo não mexe mais cedo na equipa. Que responda NES, se conseguir. Quanto mais jogos vejo deste Porto, maior é a sensação de que nos falta treinador. A matéria-prima, mesmo se imberbe (ou sobretudo por isso!), é de qualidade basta para nos permitir um nível de jogo e de resultados bem superior ao actual.  


A revolta "anti-Muller" continua... estou com vocês, rapazes!



Outros Intervenientes


Um árbitro com tendência para deixar correr o jogo, o que tende a irritar ambas as equipas de forma alternada. Eu gostei do estilo do senhor Milorad Mazic e não detectei nenhum erro significativo para lá de alguma incoerência na amostragem dos amarelos (o gatilho esteve sempre muito mais "leve" quando se tratou de disparar contra nós). Não foi por ele, certamente.

Quanto ao FC Copenhaga, foram aquilo que esperava deles. Jogo muito físico mas apoiado, menos directo do que muitos previam. Na primeira parte fizeram algumas jogadas muito boas e completas, falhando apenas o golpe final (felizmente). Os dois laterais, Ankersen e Augustinsson são muito interessantes. Gostei também do irrequieto Verbic, que muito trabalhinho deu aos nossos enquanto teve pernas para tal.

No grupo mais acessível de que tenho memória, conseguimos a semi-proeza de deixar a qualificação dependente do resultado do sexto jogo do grupo. O primeiro lugar já nem sequer é possível. Bem, pelo menos ainda temos possibilidades de apuramento e, melhor ainda, só dependemos das nossas capacidades para o garantir. Espero que NES não continue a fazer história negativa ao serviço do meu clube. Vamos lá conquistar a presença nos oitavos.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




sábado, 19 de novembro de 2016

Naufrágio na Mansidão do Tâmega


Creio que já vos disse que NES não tem (ainda?) categoria para ser treinador do Porto. Disse pois, na análise do empate concedido no jogo contra os Capelas. Entre vários equívocos, nesse jogo o que mais nos penalizou foi retirar do jogo Óliver e - não satisfeito - colocar Layún no seu lugar. Removeu da equação o elo de ligação entre uma defesa concentrada e pressionante e um ataque positivo e dissuasor dos avanços contrários.


Tanto Amor Flaviense...


Por algum motivo, o "povo" diz que o pior cego é o que não quer ver. Ontem voltou a fazer asneira nas substituições. A primeira é compreensível a todos (e acertada em minha opinião), as outras duas um desastre premeditado. Outra vez Layún para o meio de nenhures (nada contra o jogador, obviamente), agora com o requinte de malvadez de ser acompanhado pelo proscrito Evandro (de novo, nada contra o jogador), que assim regressou à competição num decisivo prolongamento, sem praticamente ter jogado esta época (fez apenas cinco minutos na primeira mão do playoff da Champions).

Do jogo saíram André André (que, tal como Óliver, estava a ser o melhor da equipa quando saiu - ainda que neste caso admita que talvez não tivesse pernas para mais, dada a longa paragem). Li hoje que Brahimi voltou a aquecer durante meia hora, para finalmente não ser utilizado. Alguém anda a gozar com o argelino (e não são os adeptos), é bom que não se queixem depois.

O nosso jogo foi globalmente fraco, em especial a primeira parte. Na segunda ganhámos algum ascendente (parcialmente oferecido pelo GD Chaves) e no prolongamento só o Porto quis jogar. Vindo daquele gorduroso pseudo-treinador, também não seria de esperar outra coisa. Azeite Simão, o orgulho do Marão.

Muitos passos falhados, dificuldade em ligar o jogo e pouca intensidade ofensiva. Ainda assim, suficiente para dominar o jogo e criar algumas (poucas) situações para marcar. Não fomos aquela equipa esbanjadora que NES quis pintar no final, mas tivemos as nossas chances - e o adversário também. Chegaria para resumir o jogo, não fosse pela "distraída" equipa de arbitragem, que em quatro lances passíveis de serem julgados como grande penalidade (e talvez mais uma para o Chaves, cinco), não viu nenhuma. Ironia das ironias, o autor de três delas - um tal de Freire que já deveria estar no duche por acumulação de amarelos - foi o marcador da último e decisivo penalti.

Haveria muito para dizer sobre a marcação dos penaltis e de tudo o que envolve e influencia esse momento decisivo de uma eliminatória, mas fica para outras núpcias. É que apesar do desaire, a época nem a meio vai ainda.



Em nome do pai, do filho e do... sacristão - também já dá a missa?


Notas DPcA 

Dia de jogo: 18/11/2016, 18h15, Estádio Municipal de Chaves, GD Chaves - FC Porto (0-0, 3-2 após gp). 


José Sá (5): Jogo ingrato porque, apesar de relativamente tranquilo, teve pouco acerto naquilo a que foi chamado a fazer. Não tenho a certeza que tenha cometido falta naquele lance que já se carimbou como indiscutível (ao contrário de todos os nossos), porque me parece que desvia a bola com o joelho antes de abalroar o avançado. Em todo o caso, demasiado imprudente.

Maxi (5): Não comprometeu mas também não acrescentou - não chegou para atingir "os mínimos".

Alex Telles (6): Cumpriu o básico, sem distinção. Ponto a mais por ter marcado o penalti.

Felipe (6): Melhor que o companheiro, ainda que com algumas "hesitações".

Marcano (5): Quando a equipa treme, o Ivan desmorona(-se). Ontem teve algumas abordagens obtusas, daquelas com que tenho pesadelos recorrentes. Esperemos que tenha sido apenas um breve relapso, porque tem vindo a fazer uma boa época.

Danilo (7): Um dos (dois) melhores, pela entrega e pela qualidade das suas acções. Merecia melhor companhia e sobretudo orientação.

< 90' André André (7): Recuperou de uma primeira parte tímida até se tornar no melhor em campo, a partir da hora de jogo. Quase nos premiava com um golaço, mas infelizmente teve excesso de pontaria. Sem deslumbrar, foi dos melhores. O que só nos pode preocupar, claro.

< 78' Otávio (6): Denotou alguma melhoria da condição física e teve períodos interessantes na partida, mas nunca ao ponto de conseguir desequilibrar. Que recupere rapidamente para onde ficou quando se lesionou, de preferência já na próxima terça.

< 90' Varela (5): Uma das mexidas da Taça, que nada me chocou. Muito experiente, poderia resultar neste jogo complicado. Não fez nada realmente mau, mas... terá feito algo realmente bom?

André Silva (5): Sempre incansável, mas começa a ser tempo de se resguardar um pouco e concentrar energias nos lances onde "só ele" pode decidir. Fazer golos, entendem? Ponto a menos por ter falhado o penalti.

Diogo Jota (6): Tentou de várias maneiras e feitios, mas a equipa nunca se conseguiu envolver ao ponto de as suas combinações resultarem no desenlace desejado. Jogo razoável, apenas.

> 78' Depoitre (4): Entrou bem, numa altura em que era necessário na partida. Procurou combinar, segurar e lutou para recuperar. Mas não conseguiu marcar nem assistir, as suas duas missões primárias. Ponto a menos por ter falhado o penalti.

> 90' Layún (4): Uma vez mais lançado para uma fogueira onde arde sem saber, tentou ajudar a equipa "assistindo" de todas as formas possíveis. Nenhuma chegou ao destino final. Tudo o resto, a culpa não é dele. Ponto a menos por ter falhado o penalti.

> 90' Evandro (6): Regresso inesperado mas ainda assim sem destoar do restante pelotão. Ou seja, apenas mediano. Ponto a mais por ter marcado o penalti.

Nuno Espírito Santo (3): Primeiro objectivo riscado. A eliminatória era de risco elevado e NES encarou-a dessa forma, fazendo alinhar muitos titulares e mexendo em apenas duas posições (mais GR). Eu teria optado por outras mudanças, mas isso nada importa - um adepto, um onze e o treinador é ele. O problema foi o fraco rendimento global da equipa, que não chegou para se impor ao adversário de forma categórica, e depois as substituições (outra vez). Não se consegue inteligir o intuito das alterações, quando claramente o objectivo deveria ser ganhar o jogo antes das penalidades (diria mesmo antes do prolongamento, mas como as duas últimas já acontecer após os 90 minutos, vamos por aqui). Dois jogadores supostamente para dar força e segurar o meio-campo, quando o que precisávamos era de velocidade para romper as alas e cruzar para a área - foi para isso que Depoitre entrou, certo? Para terminar em "beleza", aquele discurso de carneiro mal-morto, que não é carne nem peixe e que só abre o flanco aos "inimigos" do costume. Sabes lá tu o que é ser do Porto, carago.



Outros Intervenientes


A postura do GD Chaves foi a previsível: aguerridos enquanto tiveram pernas, encolhidos depois disso, caceteiros o jogo inteiro. Sabiam bem a que Capela rezar na hora da aflição. Não me interpretem mal: apesar de abominar o meloso traste que têm à frente dos destinos da equipa, respeito e compreendo a exibição do recém-promovido Chaves. E digo mais, mesmo sem merecerem - porque foram claramente inferiores e porque houve lances capitais mal apitados - fizeram pela vida como souberam e lhes foi permitido, foram melhores nos penaltis e justificam uma palavra de apreço pela passagem da eliminatória. Destaques individuais para o capitão Nélson Lenho, para o médio Battaglia e para o herói da noite António Filipe.





Sobre a arbitragem, copy/paste do Dragões Diário, o nosso único veículo de indignaçãozinha nos dias que correm (e quão ridículo isto é):

"Depois de João Pinheiro, em Setúbal, ter transformado um penálti evidente em cartão amarelo por simulação a Otávio, todos os árbitros devem ter entendido a mensagem que não se assinalam grandes penalidades a punir infrações dos adversários do FC Porto. A verdade é que ontem voltou a ser um fartar vilanagem e João Capela não assinalou três penáltis a favor do FC Porto. Para a semana saberemos qual o prémio com que o Conselho de Arbitragem brinda mais um brilhante desempenho. Este jogo devia ter terminado no tempo regulamentar, ou quando muito, no final do prolongamento. Isso viu o autor destas linhas e viu toda a gente que faça uma avaliação minimamente imparcial - e sim, depois das três penalidades não assinaladas contra o Chaves também ficou por marcar uma penalidade contra o FC Porto.

O Conselho de Arbitragem mudou, as pessoas são outras, mais simpáticas, mais sorridentes, mas igualmente incapazes de assegurar a verdade desportiva das competições. O futebol português pode continuar a fingir que está tudo bem, os dirigentes das associações de classe podem continuar a fazer a defesa do indefensável, mas quando os árbitros, supostamente as pessoas mais bem preparadas para em cima de um lance fazerem um julgamento correto, não veem o que toda a gente vê temos um problema muito grave. E depois há um pormenor que complica tudo, quando os erros são consequência de um mau julgamento acontecem de forma aleatória, umas vezes uma equipa é mais prejudicada, noutras é mais beneficiada, mas não é isso que está a acontecer, com a nossa equipa a ser sempre - e sempre quer mesmo dizer sempre - prejudicada pelas más avaliações dos árbitros. Porque todos queremos acreditar que nada acontece de forma premeditada é urgente perceber o que se passa e acabar com esta pouca vergonha, não há mesmo outra forma de o dizer.
"




Pior do que a eliminação da Taça, é ter de suportar estoicamente as declarações de Nuno no final do jogo. Lá vem ele com aquele ar de sacristão dizer que houve uma penalidade por marcar (como não podia deixar de ser, Bola e Record aproveitaram logo para dizer que houve uma para cada lado, como se tivesse ficado ela por ela) e que "estamos magoados e revoltados". Só faltou mesmo aquele galicismo que me dá pele de galinha, o do "somos conscientes". Mas já se nota que está a ficar engasgado, sentindo-se compelido a "ir buscar" um objectivo cumprido da época (o apuramento para a Champions) para contra-balançar um falhado. Se ao menos fosse bom treinador, a malta até relevava o discurso. Assim, não tem ponta por onde se lhe pegue.


Tudo tranquilo, nada de grave se passou...


Uma nota final para Luís Gonçalves. "Começa" mal em termos da percepção que passa para os adeptos após um jogo em que fomos - uma vez mais - claramente prejudicados pela arbitragem. Cada um tem o seu estilo e pode até ser que fora do radar mediático consiga ser mais incisivo e eficaz, mas a "amena" cavaqueira que travou com o ignóbil Capela no final ainda enervou mais as hostes do Dragão. Aquele ar de "não admito!... mas paciência..." não serve de nada neste contexto desvirtuado do que deveria ser um desporto sério. Estamos fartos de presidentes que se fingem de mortos, de administradores inúteis e estupidamente remunerados para o que (não) fazem e de directores que dão a outra face em vez de comer os agressores com os olhos (no mínimo). Mansos.


Segue-se outro jogo potencialmente decisivo em Copenhaga. Tem a palavra NES (metaforicamente falando, por favor!). Os jogadores estão lá, já deram uma amostra do que podem fazer, assim haja quem os potencie e proteja. Siga a procissão, que a Taça já ficou n(o) Capela.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




terça-feira, 15 de novembro de 2016

Like a Boss


Normalmente não dou eco a este tipo de coisa, mas desta vez é demasiado bom para deixar passar. Além disso, o Porto só joga sexta.




O bom do Thomas Müller questionou o interesse de a Alemanha ter que defrontar a seleção de San Marino (São Marinho para os amigos) logo após o 8-0 com que encerrou o embate entre ambas.

Percebo a ideia. Um jogador profissional do mais alto nível não vê "utilidade" em defrontar equipas compostas por amadores, incomparavelmente inferiores e que mais não podem fazer do que "defender e jogar duro".

Só há um pequeno senão: o futebol de seleções é possivelmente o único que ainda encerra em si um bocadinho do espírito original do foot-ball, aquele desporto puro, viril e orgulhosamente igualitário, popular, inclusivo e amador (dos e para os que o amam).

Daí à resposta de Alan Gasperoni, um orgulho jornalista e dirigente desportivo são-marinhense, foi um pequeno passo. Mas que passo! Uma resposta à letra, com todos os pontos relevantes e alguns extras, uma verdadeira delícia, mesmo no meio das nalgas da tradicional arrogância alemã. Like a Boss.

Segue-se sem mais demora a minha tradução da resposta de Gasperoni (já agora, as traduções que vi são miseráveis, começando logo com a dos lampiões do zerozero.pt).


"Estimado Thomas Müller, tens razão tu. Jogos como o de sexta à noite são inúteis. Para ti.

Por outro lado, tu não tens necessidade de vir quase de borla até San Marino, num fim-de-semana em que não há "Bundesliga", quando podias estar sentado no sofá com a tua esposa na tua casa luxuosa, ou talvez, podias ter ido a um evento organizado pelos teus patrocinadores e com isso encaixar vários milhares de euros.

Eu acredito em ti, mas permito-me dar-te 10 boas razões pelas quais eu acho que o jogo entre San Marino e a Alemanha foi bastante útil, para que possas reflectir melhor e depois dar-me a tua opinião...

1- Serviu para mostrar que, mesmo contra equipas tão fracas como a nossa, às vezes não consegues marcar. E não digas que não ficaste chateado por o Simoncini [GR de San Marino] te ter negado a possibilidade de marcar.

2- Serviu para explicar aos teus dirigentes (di-lo também a Rummenigge e Beckenbauer) que o futebol não é vossa propriedade mas de  todos os que amam este jogo onde, quer queiram quer não, nós também estamos incluídos.

3- Serviu para mostrar a centenas de jornalistas de toda a Europa que ainda existem jovens à procura dos seus sonhos e não dos vossos cheques.

4- Serviu para confirmar que vocês, alemães, não vão mudar nunca e que ainda não aprenderam com a História que a prepotência nem sempre é garantia de vitória.

5- Serviu para fazer perceber aos 200 miúdos são-marinhenses que assistiram ao jogo por que motivo os seus treinadores lhes dizem para darem sempre o seu melhor. Quem sabe se, um dia, todo o seu sacrifício não será recompensado com a possibilidade de disputar um jogo contra o campeão do mundo.

6- Serviu para a vossa Federação (e também para a nossa) receber o dinheiro dos direitos televisivos com o qual, para além de te pagar pelo incómodo, pode construir infraestruturas para os miúdos do teu país, escolas de futebol e estádios mais seguros… A nossa Federação, e vou-te contar um segredo, vai construir um novo campo de futebol numa vila remota chamada Acquaviva. Tu poderias construi-lo com seis meses do teu salário, mas nós vamos fazê-lo com o dinheiro destes 90 minutos. Não é nada mau, pois não?

7- Serviu para um país tão grande como um sector do teu estádio de Munique aparecer nos jornais por um bom motivo, porque o futebol é sempre um bom motivo.

8- Serviu para o teu amigo Gnabry se estrear pela Seleção e marcar três golos. Agora vai poder solicitar ao Werder a renovação do contrato para o dobro do que ganhava até agora.

9-  Serviu para que alguns são-marinhenses um pouco mais tristes se possam lembrar de que temos uma verdadeira seleção nacional. E que até mesmo alguns de vocês, que são quase perfeitos, quando perdem ficam chateados e dão chutos nas coisas, não é?

10- E serviu para me fazer perceber que mesmo quando usas o mais belo equipamento da Adidas, no fundo, no fundo, és apenas o tipo que usa meias brancas por baixo das sandálias.

Com afeto, Alan.
"

Mais palavras para quê? Incha, desincha e passa, Müller...



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Blue Moon


You saw me standing alone...




Assim a vi hoje, assim a vejo todos os dias. Sempre super, sempre azul, sempre Porto. Vocês não? É melhor olharem com mais atenção...



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor






quarta-feira, 9 de novembro de 2016

So Help Us God


O impensável aconteceu. Donald Trump é o presidente eleito dos Estados Unidos da América. Como foi possível? E agora?




A 9 de Novembro de 1989, o mundo ocidental assistiu, esperançado, à queda de um muro. Um muro de vergonha que durante quase três décadas separou famílias e amigos de Berlim, alemães de um lado e do outro e simbolizou a separação entre dois blocos civilizacionais opostos.

Por cruel ironia do destino, precisamente 27 anos volvidos, os americanos elegeram um homem cuja promessa mais sonante foi a de erguer um muro na fronteira com o México. Se isto fosse um tema divertido diria que vem tarde demais, o Herrera já saiu de lá. Não sendo, resta-me fazer uma pequena reflexão sobre os motivos que conduziram o primeiro pussy grabber da história a chegar à Sala Oval e o que se segue agora que a catástrofe aconteceu.


Como foi possível?


Não sou, nem de longe nem de perto, um especialista sobre a sociedade americana. Sou um observador razoavelmente atento aos fenómenos que trespassam as notícias e aos que por elas deslizam sem grande alarido.

Lembro-me bem da esperança que senti aquando da primeira eleição de Barack Obama, como se um novo e invisível muro tivesse sido derrubado. O primeiro negro presidente, mas mais do que isso, alguém capaz de entusiasmar as massas à volta do seu discurso progressista e inclusivo. Tão inspirador que lhe valeu o Nobel da Paz, vejam bem. O Commander-in-Chief das forças armadas mais poderosas do mundo, primeiro e último responsável por todas as acções por elas cometidas, laureado pelos "seus esforços pela fraternidade entre nações e/ou redução de armamento. Em rigor, "shall have done the most or the best work for fraternity between nations, for the abolition or reduction of standing armies and for the holding and promotion of peace congresses". O Comandante Supremo das Forças Armadas.

Oito anos volvidos, a sua maior bandeira e previsível legado - a reforma do sistema de saúde - está a um pequeno passado de ser obliterado. Pelo meio, milhares de outras coisas, evidentemente, desde o pacote de estímulo e reforma legislativa do sector financeiro, pós crise do subprime de 2008 até à captura de Bin Laden, assistida ao vivo pelo presidente e seu staff, para lá de promover a queda de Gaddafi, retirada do Iraque e tentativa de sair do Afeganistão (não consumada). 

O que sobra hoje, qual a imagem mais forte dos dias que correm da sua passagem pelo poder?

Sobra a simpatia, o sentido de humor e a determinação de um homem que um dia deu a sensação de poder fazer do mundo um sítio um pouco melhor mas que, no final, deixa o cargo sem nada de relevante ou decisivo ter feito para evitar e depois travar uma das maiores crises humanitárias do século, a que se vive na Síria, às custas da coligação de dois ditadores sanguinários, Putin e al-Assad, contra os quais não pode ou não quis fazer nada.

Por outro lado, lá nos Estados Unidos a globalização cobrou a sua "portagem" e a classe média e média-baixa sentiu-a como ninguém, assistindo impotente à deslocalização das suas indústrias para o estrangeiro, com destaque para a China e México. Menos emprego, menor poder de compra e uma economia dual, cheia de contrastes extremados que vão desde Silicon Valley até ao Rust Belt.

Se nem Obama conseguiu mudar o mundo - ou, no que interessava para a eleição, a América - como poderia alguém tão embrenhada no tal establishment como a cínica Hillary Clinton ser digna da confiança dos americanos? Chegámos a um momento da História em que a democracia tem que ser posta em causa.

Não para a substituir por qualquer outro sistema autoritário ou anárquico, mas antes para a dissecar ao milímetro e perceber em que ponto é que os eleitores deixaram de se sentir representados pelos seus eleitos. Em que ponto é que o ecossistema político de cada nação se fechou em si mesmo, perdeu a noção do seu propósito primeiro e passou a partilhar o espólio por ciclos de alternância (alô Portugal?), sem cuidar de verdadeiramente responder aos anseios dos cidadãos seus representados.




Making America White Again


As causas serão muitas, em boa parte já bem estudadas e documentadas por quem de direito, mas aqui importa-me realçar os efeitos dessa alienação da classe política ocidental (para não generalizar ao que não tenho a certeza ser verdadeiro) da realidade que o cidadão comum enfrenta no dia-a-dia.

Em minha opinião foi este desconforto, este afastamento entre eleitor e eleitos, esta revolta ainda contida das pessoas que elegeu ontem Donald Trump. Isto e uma condição endógena da sociedade americana, que se tem vindo a desenvolver ao longo das décadas, e que tem a ver com o ressentimento que a população branca tem vindo a desenvolver face ao crescimento (em todos os sentidos, desde o demográfico ao cultural e sócio-económico) das outras "minorias" não-brancas. 

Parece-me razoável que a América branca, rural e industrial, envelhecida, que reside entre as duas costas se tenha empenhado em eleger o primeiro candidato em décadas a dar-lhes atenção e a prometer devolver a "ordem natural das coisas". Um péssimo propósito mas que terá valido milhões de votos, ao passo que muitos dos "indignados" com os insultos de Trump possam ter ficado em casa em vez de ir votar.

E daqui se pode passar para um terceiro conjunto de razões: as sondagens. Todas, sem excepção, falharam miseravelmente. Será que se as sondagens tivessem previsto o resultado que foi o final, a votação teria sido a mesma? Aposto que não, precisamente porque eliminaria o efeito anestético que as mesmas tiveram em gente que julgou ser garantida a derrota de Trump. 

Só assim se consegue perceber como foi possível que o candidato mais transversalmente hostilizado pelos média e celebridades americanas tenha conseguido chegar a presidente dos Estados Unidos, sobrevivendo inclusive a todas as suas mentiras, escândalos, insultos, plágios, declarações xenófobas, machistas e inflamatórias e à absoluta falta de propostas concretas e/ou exequíveis.




E agora, vem aí o Armaggedon? Não, é um "novo" Deal, estúpido!


Com todo o risco que prever o comportamento de alguém tão instável e egocêntrico encerra, eu diria que não, nem por sombras. 

Em primeiro lugar e desde logo, porque o presidente não governa sozinho. As escolhas que fizer para a sua entourage poderão ajudar a perceber qual será o "tom" inicial da sua presidência, mas para lá disso existem outras câmaras de poder que controlam a acção presidencial - e não será por serem dominadas pelo seu partido que terá carta branca para as suas loucuras.

Depois, porque Trump é um empreiteiro-sucateiro no seu máximo esplendor, um chico-esperto empreendedor com uma confiança inabalável em si mesmo e nos seus métodos "inovadores" para atingir os seus propósitos. Ou seja, é um homem de negócios e continuará a ser.

O seu discurso de vitória não lhe assenta minimamente, mas foi essencial tê-lo feito. Foi a tal faceta de businessman que se sobrepôs, porque era importante acalmar as bolsas e mercados financeiros, e também porque lhe caiu no colo uma missão para a qual não está nem remotamente preparado e até ele reconhece que vai precisar de muita gente - uma boa parte, já muitas vezes vítimas dos seus desvarios e insultos - para o ajudar.
No que ao resto do Mundo interessa, a política externa americana, é bem possível que os próximos anos sejam "diferentes", com o surgimento de novos alinhamentos e o quebrar de alianças antigas. É aqui que temo mais o seu ego e que possa reagir recorrendo aos seus instintos mais primitivos (quase todos, no caso dele). Não é de excluir que povos inteiros possam passar "um mau bocado" à custa da sua imprudência e impreparação - mas também, sejamos honestos, não há já neste preciso momento quem esteja a sofrer para lá do que seria humanamente aceitável? A diferença é o receio de que agora possamos ser nós. Resta-nos confiar na sabedoria e bom senso dos seus conselheiros, para que nenhum conflito regional possa alguma vez evoluir para uma escala mais perigosa para todos.

O discurso de Trump foi revelador em alguns aspectos, nomeadamente quanto ao caminho que ele entende ser o correcto para fazer a economia crescer: construir. Build, build, build, ou não fosse ele o Bob, o Construtor da vida real. Trump planeia reformar as infraestruturas da nação, aumentando assim o emprego e melhorando as condições de funcionamento da própria economia. Diz que é uma espécie de New Deal à la Trump, desta vez liderado por um "republicano" (read and weep FDR!). Só falta explicar um pequeno detalhe: onde vai buscar o dinheiro para todo esse investimento, conciliando isso com a prometida diminuição de impostos e consequentemente da receita federal. Lookout FED, Donald is coming for you (and your printing machines)! 




E afinal, nem tudo é mau.


Para lá do mais do que óbvio bónus que os americanos recebem ao ter a hottest First Lady ever (desde que o botox e o silicone se mantenham estáveis e intactos), não vamos ter que aturar Hillary Clinton. Tenho genuína pena pela oportunidade que se perdeu de ter uma mulher presidente, pelo progresso que representaria para a raça humana como um todo. Mas Hillary também não me parece bem uma mulher, nem um homem, mas something in between. Eu não gosto de Hillary, mas teria votado nela. Contrariado. E mentalmente, votei. Sobra-me assim agora um sincero alívio após as lágrimas da derrota. Queriam uma mulher presidente, que ganhasse as eleições com uma perna às costas, tivessem convencido Elizabeth Warren a concorrer, em vez de colocar Hillary à frente de tudo e todos. Mas se calhar, não queriam.


Seja como for, 8 de Novembro de 2016 entrará certamente na História como um marco significativo. De quê exactamente, é o que se verá daqui em diante. Eu gostava que fosse o grito de alerta que as outras nações democráticas ouviram com horror e lhes permitiu antecipar a proliferação de Trumps por este mundo fora. Que as incentivou, uma após a outra, a reformar os seus sistemas e os seus políticos e os redireccionou de volta para a prossecução do superior interesse do bem comum. Deixem-me sonhar, porque a realidade soa a pesadelo.

Imaginem se um dia Joe Berardo se candidata a primeiro-ministro e tem como opositora a Ana Gomes (kudos ao Jorge, Porta 19). Querem mesmo ser forçados a ter de escolher entre um dos dois? Ou correr o risco de Joe ganhar? Fuck U!



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor



P.S. - O contrato proposto por Trump ao eleitor americano para os primeiros 100 dias da sua presidência, aqui. Se ainda não estavam preocupados, agora é uma boa altura para começar. Ah e tal que ele não vai fazer nada do que diz... ah e tal que ele jamais seria eleito...