Do Porto com Amor: Naufrágio na Mansidão do Tâmega

sábado, 19 de novembro de 2016

Naufrágio na Mansidão do Tâmega


Creio que já vos disse que NES não tem (ainda?) categoria para ser treinador do Porto. Disse pois, na análise do empate concedido no jogo contra os Capelas. Entre vários equívocos, nesse jogo o que mais nos penalizou foi retirar do jogo Óliver e - não satisfeito - colocar Layún no seu lugar. Removeu da equação o elo de ligação entre uma defesa concentrada e pressionante e um ataque positivo e dissuasor dos avanços contrários.


Tanto Amor Flaviense...


Por algum motivo, o "povo" diz que o pior cego é o que não quer ver. Ontem voltou a fazer asneira nas substituições. A primeira é compreensível a todos (e acertada em minha opinião), as outras duas um desastre premeditado. Outra vez Layún para o meio de nenhures (nada contra o jogador, obviamente), agora com o requinte de malvadez de ser acompanhado pelo proscrito Evandro (de novo, nada contra o jogador), que assim regressou à competição num decisivo prolongamento, sem praticamente ter jogado esta época (fez apenas cinco minutos na primeira mão do playoff da Champions).

Do jogo saíram André André (que, tal como Óliver, estava a ser o melhor da equipa quando saiu - ainda que neste caso admita que talvez não tivesse pernas para mais, dada a longa paragem). Li hoje que Brahimi voltou a aquecer durante meia hora, para finalmente não ser utilizado. Alguém anda a gozar com o argelino (e não são os adeptos), é bom que não se queixem depois.

O nosso jogo foi globalmente fraco, em especial a primeira parte. Na segunda ganhámos algum ascendente (parcialmente oferecido pelo GD Chaves) e no prolongamento só o Porto quis jogar. Vindo daquele gorduroso pseudo-treinador, também não seria de esperar outra coisa. Azeite Simão, o orgulho do Marão.

Muitos passos falhados, dificuldade em ligar o jogo e pouca intensidade ofensiva. Ainda assim, suficiente para dominar o jogo e criar algumas (poucas) situações para marcar. Não fomos aquela equipa esbanjadora que NES quis pintar no final, mas tivemos as nossas chances - e o adversário também. Chegaria para resumir o jogo, não fosse pela "distraída" equipa de arbitragem, que em quatro lances passíveis de serem julgados como grande penalidade (e talvez mais uma para o Chaves, cinco), não viu nenhuma. Ironia das ironias, o autor de três delas - um tal de Freire que já deveria estar no duche por acumulação de amarelos - foi o marcador da último e decisivo penalti.

Haveria muito para dizer sobre a marcação dos penaltis e de tudo o que envolve e influencia esse momento decisivo de uma eliminatória, mas fica para outras núpcias. É que apesar do desaire, a época nem a meio vai ainda.



Em nome do pai, do filho e do... sacristão - também já dá a missa?


Notas DPcA 

Dia de jogo: 18/11/2016, 18h15, Estádio Municipal de Chaves, GD Chaves - FC Porto (0-0, 3-2 após gp). 


José Sá (5): Jogo ingrato porque, apesar de relativamente tranquilo, teve pouco acerto naquilo a que foi chamado a fazer. Não tenho a certeza que tenha cometido falta naquele lance que já se carimbou como indiscutível (ao contrário de todos os nossos), porque me parece que desvia a bola com o joelho antes de abalroar o avançado. Em todo o caso, demasiado imprudente.

Maxi (5): Não comprometeu mas também não acrescentou - não chegou para atingir "os mínimos".

Alex Telles (6): Cumpriu o básico, sem distinção. Ponto a mais por ter marcado o penalti.

Felipe (6): Melhor que o companheiro, ainda que com algumas "hesitações".

Marcano (5): Quando a equipa treme, o Ivan desmorona(-se). Ontem teve algumas abordagens obtusas, daquelas com que tenho pesadelos recorrentes. Esperemos que tenha sido apenas um breve relapso, porque tem vindo a fazer uma boa época.

Danilo (7): Um dos (dois) melhores, pela entrega e pela qualidade das suas acções. Merecia melhor companhia e sobretudo orientação.

< 90' André André (7): Recuperou de uma primeira parte tímida até se tornar no melhor em campo, a partir da hora de jogo. Quase nos premiava com um golaço, mas infelizmente teve excesso de pontaria. Sem deslumbrar, foi dos melhores. O que só nos pode preocupar, claro.

< 78' Otávio (6): Denotou alguma melhoria da condição física e teve períodos interessantes na partida, mas nunca ao ponto de conseguir desequilibrar. Que recupere rapidamente para onde ficou quando se lesionou, de preferência já na próxima terça.

< 90' Varela (5): Uma das mexidas da Taça, que nada me chocou. Muito experiente, poderia resultar neste jogo complicado. Não fez nada realmente mau, mas... terá feito algo realmente bom?

André Silva (5): Sempre incansável, mas começa a ser tempo de se resguardar um pouco e concentrar energias nos lances onde "só ele" pode decidir. Fazer golos, entendem? Ponto a menos por ter falhado o penalti.

Diogo Jota (6): Tentou de várias maneiras e feitios, mas a equipa nunca se conseguiu envolver ao ponto de as suas combinações resultarem no desenlace desejado. Jogo razoável, apenas.

> 78' Depoitre (4): Entrou bem, numa altura em que era necessário na partida. Procurou combinar, segurar e lutou para recuperar. Mas não conseguiu marcar nem assistir, as suas duas missões primárias. Ponto a menos por ter falhado o penalti.

> 90' Layún (4): Uma vez mais lançado para uma fogueira onde arde sem saber, tentou ajudar a equipa "assistindo" de todas as formas possíveis. Nenhuma chegou ao destino final. Tudo o resto, a culpa não é dele. Ponto a menos por ter falhado o penalti.

> 90' Evandro (6): Regresso inesperado mas ainda assim sem destoar do restante pelotão. Ou seja, apenas mediano. Ponto a mais por ter marcado o penalti.

Nuno Espírito Santo (3): Primeiro objectivo riscado. A eliminatória era de risco elevado e NES encarou-a dessa forma, fazendo alinhar muitos titulares e mexendo em apenas duas posições (mais GR). Eu teria optado por outras mudanças, mas isso nada importa - um adepto, um onze e o treinador é ele. O problema foi o fraco rendimento global da equipa, que não chegou para se impor ao adversário de forma categórica, e depois as substituições (outra vez). Não se consegue inteligir o intuito das alterações, quando claramente o objectivo deveria ser ganhar o jogo antes das penalidades (diria mesmo antes do prolongamento, mas como as duas últimas já acontecer após os 90 minutos, vamos por aqui). Dois jogadores supostamente para dar força e segurar o meio-campo, quando o que precisávamos era de velocidade para romper as alas e cruzar para a área - foi para isso que Depoitre entrou, certo? Para terminar em "beleza", aquele discurso de carneiro mal-morto, que não é carne nem peixe e que só abre o flanco aos "inimigos" do costume. Sabes lá tu o que é ser do Porto, carago.



Outros Intervenientes


A postura do GD Chaves foi a previsível: aguerridos enquanto tiveram pernas, encolhidos depois disso, caceteiros o jogo inteiro. Sabiam bem a que Capela rezar na hora da aflição. Não me interpretem mal: apesar de abominar o meloso traste que têm à frente dos destinos da equipa, respeito e compreendo a exibição do recém-promovido Chaves. E digo mais, mesmo sem merecerem - porque foram claramente inferiores e porque houve lances capitais mal apitados - fizeram pela vida como souberam e lhes foi permitido, foram melhores nos penaltis e justificam uma palavra de apreço pela passagem da eliminatória. Destaques individuais para o capitão Nélson Lenho, para o médio Battaglia e para o herói da noite António Filipe.





Sobre a arbitragem, copy/paste do Dragões Diário, o nosso único veículo de indignaçãozinha nos dias que correm (e quão ridículo isto é):

"Depois de João Pinheiro, em Setúbal, ter transformado um penálti evidente em cartão amarelo por simulação a Otávio, todos os árbitros devem ter entendido a mensagem que não se assinalam grandes penalidades a punir infrações dos adversários do FC Porto. A verdade é que ontem voltou a ser um fartar vilanagem e João Capela não assinalou três penáltis a favor do FC Porto. Para a semana saberemos qual o prémio com que o Conselho de Arbitragem brinda mais um brilhante desempenho. Este jogo devia ter terminado no tempo regulamentar, ou quando muito, no final do prolongamento. Isso viu o autor destas linhas e viu toda a gente que faça uma avaliação minimamente imparcial - e sim, depois das três penalidades não assinaladas contra o Chaves também ficou por marcar uma penalidade contra o FC Porto.

O Conselho de Arbitragem mudou, as pessoas são outras, mais simpáticas, mais sorridentes, mas igualmente incapazes de assegurar a verdade desportiva das competições. O futebol português pode continuar a fingir que está tudo bem, os dirigentes das associações de classe podem continuar a fazer a defesa do indefensável, mas quando os árbitros, supostamente as pessoas mais bem preparadas para em cima de um lance fazerem um julgamento correto, não veem o que toda a gente vê temos um problema muito grave. E depois há um pormenor que complica tudo, quando os erros são consequência de um mau julgamento acontecem de forma aleatória, umas vezes uma equipa é mais prejudicada, noutras é mais beneficiada, mas não é isso que está a acontecer, com a nossa equipa a ser sempre - e sempre quer mesmo dizer sempre - prejudicada pelas más avaliações dos árbitros. Porque todos queremos acreditar que nada acontece de forma premeditada é urgente perceber o que se passa e acabar com esta pouca vergonha, não há mesmo outra forma de o dizer.
"




Pior do que a eliminação da Taça, é ter de suportar estoicamente as declarações de Nuno no final do jogo. Lá vem ele com aquele ar de sacristão dizer que houve uma penalidade por marcar (como não podia deixar de ser, Bola e Record aproveitaram logo para dizer que houve uma para cada lado, como se tivesse ficado ela por ela) e que "estamos magoados e revoltados". Só faltou mesmo aquele galicismo que me dá pele de galinha, o do "somos conscientes". Mas já se nota que está a ficar engasgado, sentindo-se compelido a "ir buscar" um objectivo cumprido da época (o apuramento para a Champions) para contra-balançar um falhado. Se ao menos fosse bom treinador, a malta até relevava o discurso. Assim, não tem ponta por onde se lhe pegue.


Tudo tranquilo, nada de grave se passou...


Uma nota final para Luís Gonçalves. "Começa" mal em termos da percepção que passa para os adeptos após um jogo em que fomos - uma vez mais - claramente prejudicados pela arbitragem. Cada um tem o seu estilo e pode até ser que fora do radar mediático consiga ser mais incisivo e eficaz, mas a "amena" cavaqueira que travou com o ignóbil Capela no final ainda enervou mais as hostes do Dragão. Aquele ar de "não admito!... mas paciência..." não serve de nada neste contexto desvirtuado do que deveria ser um desporto sério. Estamos fartos de presidentes que se fingem de mortos, de administradores inúteis e estupidamente remunerados para o que (não) fazem e de directores que dão a outra face em vez de comer os agressores com os olhos (no mínimo). Mansos.


Segue-se outro jogo potencialmente decisivo em Copenhaga. Tem a palavra NES (metaforicamente falando, por favor!). Os jogadores estão lá, já deram uma amostra do que podem fazer, assim haja quem os potencie e proteja. Siga a procissão, que a Taça já ficou n(o) Capela.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




13 comentários:

  1. ok concordo, no entanto faltou nos um poquinho de sorte para ganhar, com isso mesmo com uma arbitragem desastrada teriamos ganho. Quanto aos penaltis nao sei se os nossos marcariam, andre silva falha montes de penaltis, xuta sempre com muito jeitinho ( aquele falhanço de frente para a baliza com o unico passe da linha para tras feito durante todo o jogo em que xuta em jeito .....enfim passou ao gredes ), pode ser solidario mas desgasta se e claro falha, ontem estava completamente estoirado. Temos jogadores cheios de jeitinho, que xutam em jeito e tem pouca potencia no remate tirando otavio. Defendemos bem apesar de Sa ter feito varias vezes porcaria, Mas agora digam me la como com avançados com a compleiçao fisica de andre e jota podemos ganhar um lance de cabeça?? ou resistir aos choques constantes durante toda a partida? NUNO NAO TEM REALMENTE CATEGORIA, NAO SABE ANALISAR O JOGO, NAO EXISTE UMA BOLA PARADA ESTUDADA, TEM MEDO, NAO XUTAMOS DE LONGE, e tudo feito com muito jeitinho com tanto jeitinho que mete nojo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Fé?!!! Haja mais pressão da vossa parte.
      Conseguiram arrumar com o unico gajo do meio campo, capaz de chegar à baliza adversária.
      Também conseguiram com que Brahimi, unico criativo, fosse definivamente afastado, para não aturarem o tal imbecil.
      Só falta reforçarem a campanha contra Danilo, dizendo que é mais lento que o WC, que não constrói, que joga para o lado, mas brevemente aparece por aí um pancas qualquer a fazer esse trabalho.
      O inqualificável NES lê as redes sociais, bem faz o Presidente que não lhes liga patavina.

      Eliminar
  2. Se André André, Otavio, Diogo J, André Silva, estiveram assim tão bem, então até estamos na maior. O nível de futebol e os jogadores que os adeptos adoram coaduna-se com os resultados alcançados.
    Que dispensem o Herrera, o Brahimi para os "adeptos" ficarem eufóricos.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Exacto, só mesmo o seu presidente é que destoa.

      Eliminar
    2. Não está satisfeito com esses jogadores? Não está satisfeitos com a exclusão do Herrera e do Imbecil? Já gosta mais um pouco do Danilo? E onde está esse futebol demolidor dos jogadores que adora?
      O meu Presidente continua o craque que sempre foi.

      Eliminar
  3. Quando Varela foi de longe o nosso jogador mais esclarecido, está tudo dito.

    ResponderEliminar
  4. Caro LAeB,

    Não foi só pelos erros do ignóbil Capela que o FC Porto perdeu, mas também.

    Por outro lado, a campanha do FC Porto esta Época, está repleta de persistentes interlúdios, sobretudo na exasperante irregularidade exibicional, seja colectiva ou individual, com reflexo nos resultados.

    Se a culpa é do NES? Claro que não, quem dá o que tem a mais não é obrigado, certo!?

    O discurso amorfo, conformista e pouco mobilizador, quase que penitenciando-se por denunciar os "equívocos" das arbitragens que têm prejudicado sistematicamente o FC Porto, mais não é que uma extensão do utilizado pelos seus superiores hierárquicos. Assim sendo...

    Certo é, que a segunda prova mais importante do calendário nacional já está perdida. Com tudo isto, esforço-me em querer acreditar que algo vai mudar e que ainda seremos felizes lá para Maio, mas não posso negar que persiste em mim a desconfortável sensação de que caminhamos "alegremente" para mais uma época de insucesso. Como eu desejaria que esta sensação não se confirmasse!

    Um abraço e...

    FC PORTO SEMPRE

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Tudo dito. Não está fácil acreditar, ao ponto de os cânticos das claques me fazerem lembrar a banda do Titanic. Mas acreditemos enquanto for possível, pois claro. Um abraço.

      Eliminar
    2. NES tal como Lopetegui, provoca-nos muito mais pavor que qualquer adversário.

      Eliminar
  5. Caramba, quando uma eliminatória é decidida pelo árbitro, como vamos encontrar as nossas culpas? A verdade é que mesmo com todas as falhas que se possam apontar, com meia justiça e critérios apenas ligeiramente escandalosos, teríamos passado. O nosso mau seria suficiente para ganhar. Até ao Capela. Abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Teríamos passado com tudo o resto que se apontou de negativo. A única diferença, passarmos.

      E se a eliminatória é decidida pelo árbitro (como vários outros jogos esta época), não será a nossa mansidão /incapacidade para o evitar o mal maior?

      Abraço

      Eliminar
    2. O árbitro não sancionou 4 grandes penalidades, certo. E o resto? Teríamos mesmo passado? Só 1 delas é no tempo regulamentar. Seria convertida?
      O nosso mau é mesmo uma lopetegada.

      Eliminar

Diga tudo o que lhe apetecer, mas com elevação e respeito pelas opiniões de todos.