Do Porto com Amor: Junho 2015

terça-feira, 30 de junho de 2015

O Velho Fado e o Imberbe


Mais uma vez, derrotados nas grandes penalidades.

Chamem-lhe sorte, chamem-lhe azar. Para mim o problema é sempre o mesmo: mentalidade. Ou melhor, fraca atitude mental.

Não tem a ver com a entrega, nem com o querer. Tem quase tudo a ver com o crer.

Nesta final foi demasiado evidente essa falta de crença, pela postura corporal dos jogadores mesmo antes de ser marcada o primeiro penalti. Enquanto os suecos se "energizavam" abraçados numa roda a ouvir os incentivos de um e outro jogador, os portugueses iam-se encostando uns aos outros, praticamente em silêncio, como se estivessem a ser alinhados frente a um pelotão de fuzilamento. Quase todos pressentiam que ia correr mal: não o disseram alto, mas transparecia dos seus olhares e posturas.

Como se irremediavelmente amarrados a um fado inescapável...

Bullshit! 

É tudo uma treta isto do fado. O que falta é preparação mental adequada. Tecnicamente, não somos inferiores a ninguém (muito menos à Suécia). Faltou, como falta quase sempre, um trabalho mental adequado para preparar os jogadores para este desfecho.

É certo que a mentalidade se constrói desde o berço, e que esta é influenciada quer pelo espírito colectivo dominante, quer pela educação específica que cada um recebe. Não é fácil mudar em dias a mentalidade de uma vida, por isso é que se tornou essencial entregar a preparação psicológica das equipas a especialistas.

Sim, porque nem todos os treinadores têm essa componente bem desenvolvida, começando neles próprios os primeiros acordes desse triste fado. E isto explica porque alguns vendedores da banha da cobra têm tanto "sucesso", mesmo sendo personagens nada recomendáveis e que de futebol pouco percebem: conseguem como que inebriar os jogadores com os seus dotes mobilizadores durante curtos períodos de tempo, o suficiente para ganhar jogos e, às vezes, até competições.

Voltando ao jogo de hoje, creio (sim, eu creio) que Rui Jorge esteve particularmente mal, ao não antecipar (também ele) a possibilidade de o jogo ir para prolongamento e penáltis. Foi com demasiada "gula" ao pote, talvez com excessiva soberba, ao fazer as substituições tão cedo (a terceira foi aos 70 minutos). Terá acreditado que o jogo se resolvia nos 90 minutos e depois, quando precisou de ir ao banco, já não pode. Disto resultou um prolongamento arrastado da nossa seleção, onde aliás os suecos tiveram boas ocasiões para evitar os penáltis do seu contentamento.

Acho que o Ricardo e sobretudo o Sérgio saíram demasiado cedo e o Cavaleiro demasiado tarde. Quem entrou, não entrou mal, não foi por aí. Mas se Rui Jorge tivesse sido mais prudente e planeado para 120 minutos de jogo, talvez os escolhidos tivessem sido outros. Ficou bem à vista a falta de experiência do selecionador, a quem obviamente tem que ser dado o mérito de ter liderado este grupo até esta final. Não estou a questionar o seu valor, apenas a constatar a fase precoce do seu desenvolvimento enquanto treinador.

Nada disto seria diferente se tivéssemos ganho nos penáltis, excepto claro, a nossa alegria e o caneco a viajar para cá. Sorte teve Pinto da Costa, que ao ser tardiamente convidado, livrou-se de uma pesarosa viagem de regresso.

Os meus destaques desta seleção:

  • José Sá: o melhor do torneio. Ponto.

  • Raphael Guerreiro: mesmo sem ter estado em grande rotação, mostrou ter muito futebol e entender a posição. Seria um potencial substituto (ou concorrente) para o Alex

  • Sérgio Oliveira: a maior surpresa, mostrou qualidades defensivas e de equilíbrio que lhe desconhecia. Quero ver mais...

  • Bernardo Silva: não sei se será o novo Maradona, mas que tem muito talento, ninguém duvide. Bem fez o Mónaco que o comprou ainda baratinho...

  • Iuri Medeiros: gosto, gosto muito. Segui-o à distância no Arouca e já o tinha bem referenciado. Neste torneio mostrou uma capacidade que é pouco comum: entrar tarde no jogo mas ainda a tempo de o agitar e fazer a diferença. Curiosamente, quando jogou mais (hoje), foi quando menos brilhou. Fico a aguardar uma futura dispensa do Sporting.

Nota final para a "academia Sporting base da seleção": são realmente bons a formar jogadores, mas se calhar desistiam de competições profissionais. É que quando as coisas começam a ficar sérias, falham quase sempre.



Rise Again



Homenagem ao grande talento e dedicação ao clube do Bruno Sousa. Visitem a sua página e descubram uma coleção incrível de trabalhos dedicados ao F.C.Porto.

Let's Rise Again!


Obviamente, demita-se!


Passadas que estão cerca de 12 horas desde a aprovação do sorteio dos árbitros para o futebol profissional em AG da Liga, algumas considerações:


 - o grande responsável pela necessidade de fazer esta alteração aos regulamentos, o elusivo e viscoso Vítor Pereira, ainda não teve a decência de se pronunciar sobre esta claríssima declaração de incompetência e acto contínuo, apresentar a sua irrevogável demissão acompanhada de um solene pedido de desculpas. Fica a sensação de que terá de ser corrido ao pontapé... e candidatos para o fazer não devem faltar.


 - como seria de esperar, o Benfica não teve lata nem para votar, não só porque de facto não gosta da mudança, que o vai obrigar a ir outra vez à guerra pelo controle da arbitragem, mas também para não dar azo a uma potencial "deserção & confissão" de quem até agora esteve ao seu serviço.


 - Porto e Sporting não estiveram nem estarão juntos em qualquer circunstância enquanto (pelo menos) uma das direções não sair de cena; simplesmente votaram no mesmo sentido e individualmente terão feito todos os esforços para que as suas posições (desta vez, coincidentes) saíssem vencedoras da votação.


 - dando sequência às suas graves acusações de há uns dias, Marco Ferreira volta hoje ao ataque, sendo novamente muito claro sobre o estado da arbitragem em Portugal. Descontando o despeito e frustração pelo que lhe sucedeu, as palavras são inequívocas:

"Parabéns a quem teve coragem de acabar com o sistema, acabaram de passar um atestado de incompetência a quem se acha muito importante... Acabaram de tirar o único 'brinquedo' que restava. Uns brindam outros choram... Bem hajam.."

Do que estão à espera as autoridades competentes, desportivas e civis, para investigar tão graves acusações?


Sobre o sorteio propriamente dito, não me parece que seja a melhor solução mas apenas a melhor solução disponível.

Mesmo que já não seja possível pôr as bolas no congelador antes do sorteio, há sempre formas de conseguir adulterar o processo, se quem o realiza não for sério.

No estado em que as coisas se encontravam, não haveria outra forma para estancar a sangria de pouca-vergonha. Esta será uma daquelas épocas que ficará na história como uma das mais infames de todos os tempos, com Vitor Pereira a dar-lhe rosto.

Alerto no entanto para a subjectividade que resulta do que agora foi aprovado: será o CA a definir o que são " jogos de maior grau de dificuldade" para os quais "são elegíveis para o Sorteio os árbitros internacionais", pelo que a porta fica entreaberta para mais algumas aberrações.

A solução ideal passará sempre por ter gente séria e competente a fazer as nomeações, devidamente escrutinadas por um orgão independente. Mas a questão da arbitragem é bem mais complexa do que isto e um dia destes dedico-lhe um post.


Do Porto com Amor


 

segunda-feira, 29 de junho de 2015

S.N.A.F.U.


Agora sim, estamos prego a fundo na silly season, o que significa que a torneira da estupidez e da mentira está totalmente aberta e o caudal de contra-informação equipara-se ao de uma barragem acabada de inaugurar.

Em parte porque não há que falar, essa eu compreendo. Mas a grande preocupação é que o Porto dá a sensação de se estar a preparar para uma época de grande força e, antes que seja tarde, a corja que parasita os media começa desde já a vomitar o que não consegue digerir. Isto torna-se ainda mais relevante porque, pelo contrário, os da segunda circular estão ainda a reinventar-se após as profundas mudanças de verão.


Como habitualmente por esta altura, vamos perder todos os bons jogadores (de preferência sem receber nada por eles) e vamos contratar meia dúzia de "mancos" por um balúrdio incomportável para as nossas finanças. Além de a Santa Inquisição, o FBI, a Patrulha da Noite e o Senhor Lei estarem perto de finalmente desvendar toda a verdade por detrás do nosso sucesso e desactivar de vez o clube, removendo assim este COLOSSAL ESPINHO que há 40 anos está entalado nas gargantas macro(a)céfalas. Em resumo, S.N.A.F.U.


Desde o início do fim de semana que se vem anunciando tanta desgraça que só vendo (aproveitando a boleia da Nação Portista, um belíssimo agregador de notícias Porto):

  • Agente de Jackson promete revelar 3º segredo de Fátima. Haja paciência para estes cromos. Um dia, um deles, vai se cruzar com um portista mal disposto e arrepender-se de cá ter posto os pés. Quanto a Jackson, já disse tudo o que tinha a dizer. Ao Atlético e ao Pompeo, só isto que o Tribunal do Dragão escreveu: show me the money!

  • Alex Sandro causa apreensão. Imagino que sim. E a dívida pública também. E os raios UV. Sobretudo andando eles aterrorizados com a possibilidade de o Porto sacar Maxi ao Benfica.

  • Quaresma de saída, Carlos Eduardo de saída, Varela recusa renovar. É o que eu digo, vai tudo... mesmo os renegados já contam para o totobola.

  • Desesperados por um patrocinador. Completamente. Não consigo imaginar que alguma empresa tenha interesse em patrocinar o clube que é co-recordista de presenças na Liga dos Campeões. Se há dias já me referi ao que me envergonharia, também não deixo de pensar se o facto de a legalização das apostas online em Portugal desde ontem não terá nada a ver com o adiamento...



Suposições e conjecturas? Quase tudo.
Factos? Quase nenhum.
Aliás, basta ver as "fontes" para perceber ao que vêm.

E o mais interessante (psiquiatricamente falando) são os detalhes, os pormenores, os requintes de malvadez que não conseguem evitar escapar, tal a doença que os assola: é a aposta de PdC que pode sair; é Lopetegui que, coitado, ainda não sabe com o que pode contar; são as "duras críticas" e os "podres". Pobres diabos.


Como sabemos, o Porto vem de duas más épocas, seguramente fruto de muitas coisas, mas em grande parte de más decisões da direcção (que é sempre a primeira e última responsável pelos sucessos e pelos fracassos). Não me "ouvirão" nunca defender que Pinto da Costa e seus pares acertam sempre e que os outros falham na mesma proporção, simplesmente porque não é verdade. Mas a história deste presidente fala por si - e diz-nos que até agora tem falhado muito menos e ganho muito mais do que todos os outros (juntos).

A grande expectativa reside em saber se conseguirá quebrar esta (ainda pseudo) tendência de duas épocas ou se, pelo contrário, se mostrará já incapaz de a travar e de impedir que se consolide.

A verdade é que a próxima época vai ser fundamental para o clube e para PdC, pelo que se jogará muito e em muitos tabuleiros - e a corja sabe bem disso.

Para evitar que se satisfaçam prematuramente, relembro apenas o pior período do Porto neste século e as suas consequências: as 3 épocas de jejum (Sporting, Boavista e Sporting) que culminaram com a conquista da Taça UEFA e Liga dos Campeões. Se é certo que hoje as circunstâncias são outras, já as dúvidas que pairavam na altura são as mesmas de agora.

Quanto a nós, portistas, o melhor que temos a fazer é aproveitar o verão e relaxar. Quando as coisas finalmente começarem a ganhar forma, então sim olhar para elas com atenção. Até lá, um grande "IGNORO" a todos eles.

Para quem não souber e tiver curiosidade, o título do post está descodificado aqui.

Imbula que é para levar!


€25M?

€25.000.000??

Vinte e Cinco Milhões de Euros por um jogador??

Não, eu não sou daqueles que se escandaliza com valores elevados de transações.

Enganei-vos. 

Tem tudo a ver com o real negócio que se vier a fazer. Para um valor desta dimensão, é óbvio que o Porto apenas suportará uma pequena parte. Dizem que as Doyens desta vida vão suportar metade do valor do passe (e, digo eu, o Porto certamente irá vender-lhes mais uns 35% dois dias após a transferência). Por princípio não tenho nada contra, desde que se assegurem três coisas essenciais:
  1. Transparência: sejam conhecidos todos os detalhes, desde agentes envolvidos, todos os detentores dos direitos e valores associados (pagos e a receber, relativos a todos eles)
  2. Impermeabilidade: garantir que o treinador tem liberdade (e descomprometimento) para fazer as suas escolhas sempre em função do momento de forma dos jogadores, para não ficar aquela sensação desagradável de que há jogadores que têm que jogar sempre
  3. Comprometimento: o jogador tem que vir apenas focado em fazer um grande, enorme trabalho no Porto e demonstrar isso pela sua postura. Poderá até sonhar todas as noites com o Barça ou o Chelsea, mas de dia tem que amar incondicionalmente o Porto (ou pelo menos parecer).


A notícia surgiu em meios supostamente credíveis como o L'Équipe e a que O Jogo já dá eco...

Confesso que apenas lhe conhecia o nome, nunca o vi jogar. Li que é médio centro, essencialmente defensivo. Terá que ser brutalmente bom, porque certamente chegará já com carimbo de saída.

O que levanta outra questão, para mim muito mais relevante do que o valor da transferência: qual o prazo de validade previsto do jogador no Dragão? Suficiente para deixar a sua marca e ajudar a ganhar títulos? Ou em modo entreposto comercial, sem tempo para desenvolver afeição e conhecimento do clube e ocupando a vaga de outro talento "local" (como aconteceu com Casemiro )?

E a ser verdade, desistimos do Danilo Pereira ou vêm ambos?


sábado, 27 de junho de 2015

High Five


E por uma vez, foram 11 contra 11 e no final enfardou a Alemanha. Como gente grande.

Bom jogo dos nossos, recheado de eficácia, contra uma mannschaft perfeitamente banal.

Mas hoje não é dia de realçar a fraqueza dos outros mas antes a nossa força, até porque tem sido acompanhada pela consistência. E as duas juntas normalmente dão bons resultados.

Falta agora a Suécia, uma equipa que nunca desiste e com muito mais respeito por nós do que os alemães, pelo que deverá ser mais difícil a final. Ainda assim, estou plenamente confiante que vamos trazer o caneco.

Bem feito, miúdos!

Quanto aos "nossos nossos" (efectivos e potenciais):

  • Sérgio Oliveira: a habitual lambe-botice macrocéfala já se fartou se encher de elogios William e Bernardo, o primeiro porque "dá tranquilidade" e o segundo porque é o novo génio do futebol moderno (ainda não interiorizaram que já não mora no Seixal). E sendo verdade que ambos têm estado em muito bom plano, não é menos que o "invisível" Sérgio tem sido peça fulcral em todo o jogo da equipa, quer defensivo (uma novidade para mim), quer ofensivo. Eu que até ainda não me convenci de que ele tem o que é preciso para vingar no Porto, com este torneio passei a dar-lhe um maior benefício da dúvida, sobretudo pela tal disponibilidade para trabalhar para a equipa. Estou curioso para ver como vai entrar na pré-época.

  • Ricardo: mais um jogo como que a gritar aos ouvidos de Lopetegui "SOU BOM MAS NÃO SOU DEFESA!". É outro que ainda não me convenceu de que tem estaleca para o Porto, mas se lhe derem uma oportunidade a fazer aquilo que melhor sabe, talvez venha a dar jogador de primeira.

  • Rafa: entrou numa fase em que já tudo estava decidido, no esquema de poupança dos titulares. É um miúdo com muito potencial, mas também com muito por lapidar. Se efectivamente vier, temo que a sua progressão sofra um retrocesso, pela mais que provável falta de oportunidades de jogar regularmente. A ver.

  • Rúben, Tozé e Gonçalo: desta vez não foram chamados, mas possivelmente terão uma oportunidade na final (sobretudo o Mingos Júnior).

 Concluíndo, belo fim de tarde (mas a remoer Munique, pois claro).




quinta-feira, 25 de junho de 2015

Chau Chau Chau Martinez


E pronto. Embora ainda esteja à espera da única confirmação verdadeiramente oficial, aproveito já para me despedir de ti, caro Jackson.

Finalmente chegou o dia por que desesperadamente ansiavas, cujos adiamentos sucessivos tantos embaraços te (e nos) causaram e tantos amuos te provocaram. Vais finalmente embora do F. C. Porto.

És um craque, todos to reconhecemos, mas isso tu já sabes. Ficarão para sempre na nossa memória colectiva alguns golos fabulosos, invenção de génio ou criação de artista maior, bem como inúmeros pormenores de classe, que marcam a diferença entre o bom e o excepcional.

Dos dias em que andavas feliz, ficará também a lembrança da tua entrega e disponibilidade dentro de campo, aquele complemento ideal aos golos e à genialidade. Uma espécie de Sancho Pança das tuas habilidades futebolísticas: o trabalho materializado em suor, que ajudava a equipa e motivava os teus compañeros a darem também eles um pouco mais de si próprios.

Como eu gostava de terminar a despedida por aqui, caro Jackson. Mas não posso.

Em consciência, tenho que te dizer que não raras vezes te comportaste como um agiota sem escrúpulos, uma besta sanguinária na incansável perseguição da sua presa, da única presa que te faz verdadeiramente correr: el dinero.

Ainda não estava terminada a tua primeira época de dragão ao peito e já anunciavas publicamente o teu irreprimível desejo de "dar o salto". E coincidência ou não, a tua segunda época teve períodos tão maus que facilmente poderias substituir o Baroni na habitual rubrica do Porta 19. Foi necessário que te carregassem a mula com mais dinheiro e uma promessa inquebrável para que voltasses a sorrir a e jogar como sabes.

Por isso a tua passagem pelo nosso clube ficará para sempre gravada na minha memória como uma viagem na montanha russa, com subidas aos picos do esplendor alternadas com vertiginosas descidas às profundezas da mediocridade e da ingratidão.

Não quero com isto dizer que não reconheço o teu direito em procurar um futuro (ainda) mais risonho. Não só o reconheço como o apoio - é da natureza humana querer sempre mais e melhor. Mas há maneiras e maneiras de fazer as coisas. E a tua foi sempre demasiado óbvia, fria e a desconsiderar quem te aplaudia e cantava o teu nome, a roçar a imbecilidade de quem parecia não reconhecer ter assinado de livre vontade o contrato de trabalho e sucessivos melhoramentos.

Fico com a sensação de que no dia em que aterrares no teu novo destino, todo este tempo de azul e branco se apagará do teu consciente, ficando remetido a um qualquer recanto obscuro e de difícil acesso na tua memória, etiquetado como "de passagem". E tenho pena, porque o pior Porto será sempre muito mais do que o melhor Jackson. Em todos os sentidos.

Vai e sê feliz. Desejo-te sorte, toda a sorte do mundo.
(Mas se ou quando a vida te correr mal, não penses em voltar. Pela minha parte, não serias bem-vindo.)


Actualização 22/Julho/2015: depois de confirmada a mudança para o Atlético, eis que Jackson decide limpar o que for possível da má imagem que sabe que deixou em alguns (muitos?) portistas, através de uma mensagem e um vídeo no seu FB. Só me resta dizer antes assim. Não apaga nada, mas suaviza. Pelo menos comigo, resultou.


 

Feio mas normal



Estive hoje a ver os últimos 15 minutos do jogo de ontem entre Portugal e Suécia, a contar para o Europeu de Sub-21 que por estes dias decorre na República Checa.

E fi-lo com o intuito de me elucidar sobre a grande indignação, italiana mas não só, sobre o suposto arranjinho entre as 2 seleções (sabendo que o empate servia a ambas, dada a vantagem confortável da Itália no outro jogo).

Ora, o que eu vi, foi algo perfeitamente normal.

E passo a explicar porquê: pelo que assisti em directo (primeira parte) e pelo resumo do jogo, ninguém pode acusar nenhuma das equipas de não ter tentado fazer golos. E a maior prova disso é que de facto se marcaram golos.

Após algumas boas ocasiões para inaugurar o marcador, Portugal marcou mesmo. Já passava dos 80 minutos, o que obviamente terá feito disparar todos os alarmes nas cabecinhas suecas - tinham já menos de 10 minutos para pelo menos marcar um golo e chegar ao empate.

Do lado português, um alívio. Sabendo nós que estando o jogo empatado, um qualquer lance fortuito que acabasse em golo da Suécia nos empurraria para fora do Europeu, aquela vantagem já perto do final terá tido um efeito tranquilizador. Mas não anestésico, porque entre os dois golos da partida, Portugal continuou a jogar e a tentar marcar o segundo.

Quando o golo sueco acontece, já depois do minuto 88, os alarmes dispararam outra vez, mas agora do nosso lado. Aquele receio latente que já antes haviam experimentado - o de sofrer um golo - voltou mas amplificado, porque tendo o jogo recomeçado a 15 segundos do minuto noventa, já não haveria tempo para ninguém se redimir de nova falha.

O que esperavam então que acontecesse? Que Portugal arriscasse na busca da vitória, em tempo de descontos, só para afastar dúvidas de quem quer que fosse?

Lamento desiludir quem pensa assim, mas seria perfeitamente anti-natural. Portugal conservou a bola durante aqueles 3 minutos e 15 segundos (sim, foram apenas 3 minutos e não uma parte do jogo!) e a Suécia nunca fez uma tentativa séria de a recuperar.

É bonito? Não.
É compreensível? É.

Para outras situações, em que efectivamente se percebe que as equipas não estão interessadas em jogar o desde o início ou durante grande parte do jogo (como aconteceu no Euro 2004 entre Dinamarca e Suécia, novamente com a Itália a ficar com a fava), talvez se devesse estudar um regra contra o jogo passivo: não sou especialista nem dediquei nenhum tempo a reflectir sobre o assunto, mas possivelmente haveria uma fórmula para pelo menos desincentivar tais práticas.
 
E para terminar: o que se diria hoje, se Portugal tivesse tentado marcar nos descontos e acabasse por sofrer outro golo?


Do Porto com Amor



quarta-feira, 24 de junho de 2015

Investigue-se! Já!


"Amigos, não tenho palavras para descrever o que sinto, todos vocês estão a demonstrar que o meu trabalho não foi em vão, não perdi a esperança que ser sério vale mesmo a pena, é a minha forma de viver custe o que custar. Agradeço aos meus pais a educação que me deram e a todos vocês o apoio e solidariedade que demonstraram nestes dias. Lamento não conseguir responder a todos, mas podem ter a certeza que estão todos guardados no meu coração. Felizmente o meu coração é da grandeza do meu carácter, da minha seriedade e da justiça que irá imperar, tratar todos por igual sem ceder seja ao que for. É um modo de vida e não uma obrigação. Estar bem com a minha consciência é algo que não tem preço. Vocês são grandes... bem hajam..."

Árbitro Marco Ferreira, no "seu" FB.
 



Terei sido o único a descortinar a gravíssima e inultrapassável acusação de Marco Ferreira?

 "ser sério vale mesmo a pena"

Não é preciso ser muito inteligente nem grande conhecedor da língua para perceber que Marco Ferreira está a afirmar ter sido penalizado com a descida de divisão por não ter abdicado de ser sério, o que obviamente significa que alguém o aliciou para que o fizesse, deixasse de ser sério. Transparente como água.

"justiça que irá imperar, tratar todos por igual sem ceder seja ao que for"

Se dúvidas restassem... volta a referir que não cedeu a aplicar tratamentos diferenciados. Mas acrescenta que haverá justiça no final.

Qual justiça, caro Marco? A divina? É que se vai ficar à espera dessa é capaz de demorar...

Vamos lá ser consequentes e denunciar publicamente e sem rodeios quem o pressionou, quando e com que objectivos.

Significa que há na arbitragem quem não seja sério, Marco Ferreira?

Então a sua obrigação é denunciá-lo(s).

Mas se não for tão sério como diz e se se ficar por meias palavras e acusações vagas, então que as autoridades desportivas e judiciais, outrora tão diligentes, o façam dizer aquilo que sabe, sob pena de difamação ou até cumplicidade.


Do Porto com Amor



terça-feira, 23 de junho de 2015

O Estranho Caso de Benjamin Wenger


Há um caso no futebol europeu, mais concretamente no inglês, que há muito me intriga.

Um prestigiado e endeusado treinador, que será neste momento o que exibe maior longevidade à frente de um clube europeu de topo. Esse clube é o Arsenal e o seu nome é Arsène Wenger.

Sempre mais polémico do que consensual, mais arrogante do que afável, o bom do Arsène despertou em mim curiosidade suficiente para fazer este pequeno estudo retrospetivo que aqui partilho, na expectativa de encontrar respostas concretas que expliquem o seu trajecto.

Nos gunners desde 1996, Wenger ganhou fama graças à sua entrada triunfante, não só por conquistar uma sempre tão desejada "dobradinha" logo na época seguinte à de estreia, como também pela introdução de novos métodos de treino, novos regimes alimentares, novos modelos tácticos e a feliz combinação do talento local com o de jogadores estrangeiros de grande classe, o que tudo somado contribuiu em boa medida para a grande transformação que o futebol inglês sofreu por essa altura, passando do jogo ultra físico do long ball, crossing and header para um futebol progressivamente mais técnico e trabalhado em termos de construção de jogo.

Ou seja, no início tudo eram rosas e Arsène rapidamente se viu idolatrado pelos adeptos do Arsenal. As conquistas que se foram sucedendo nos anos seguintes, ainda que mais espaçadas, foram sempre alimentando (suponho eu) a crença de que mais ano, menos ano, voltariam aos grandes triunfos. Mas a realidade veio a ser algo diferente. Para melhor perceber, vejamos o palmarés de AW no Arsenal:

  • Dobradinha em 1997/98
  • Segundo nas três épocas seguintes (há clubes que consideram isto um troféu...)
  • Finalista vencido da Taça UEFA em 2000 e da FA Cup em 2001 (isto também...)
  • Dobradinha em 2001/02
  • FA Cup em 2002/03
  • Campeão em 2003/04, terminando a época invencível o que não acontecia há 115 anos no principal campeonato inglês. Deu sequência na época seguinte até ser finalmente derrotado em Outubro de 2004
  • Finalista vencido da Champions (primeira final) em 2006 (e isto também...)
  • FA Cup em 2004/05
  • FA Cup em 2013/14
  • FA Cup em 2014/15  
  • 5 FA Community Shield: 1998, 1999, 2002, 2004 e 2014  

Ou seja, "apenas" 3 campeonatos, 6 taças (FA Cup) e 5 supertaças em (praticamente) 19 anos!

Nos seus respeitáveis 110 anos de existência anteriores à chegada de Wenger, o Arsenal já havia conquistado 10 dos seus 13 campeonatos (77%), 6 das suas 12 FA Cup (50%), as 2 League Cup (100%), 8 das 13 Community Shield (62%), 1 Taça das Taças (100%) e 1 Taça das Cidades (100%) com Feira.

É certo que se considerarmos todos estes anos que distam desde a sua fundação em 1886, a percentagem de sucesso pré-Wenger dilui-se no tempo, mas penso que será mais correcto considerar, para efeitos de comparação, a data do primeiro título conquistado pelo clube: a FA Cup em 1929/30. Neste cenário, temos 66% dos seus títulos conquistados nos 67 anos A.W. (Antes de Wenger) e 33% conquistados pelo carismático francês no seu reinado que já dura há 19 anos.

Para um portista, surgem logo à cabeça duas notas óbvias:
  1. Que palmarés fraquinho tem o Arsenal
  2. Pinto da Costa só há um
Para um adepto do Arsenal, confesso que não sei. Ou melhor, não entendo como o continuam a apoiar após tantos anos com tão poucas vitórias e tantas "humilhações" às mãos do "Senhor Sir" e mais recentemente de Mourinho, entre outros menos sonantes.

Percebo o grande impacto que causou quando chegou ao clube e o grande sucesso que teve, digamos por simpatia, na primeira década. Mas e os últimos 10 anos? Umas "míseras" 3 taças de Inglaterra e uma "supertaça"... isto num clube que tem estado sempre no Top-10 em termos de poder de compra, que se abastece não só dos craques que brilham nas ligas de segunda linha (como a nossa), mas também na sua e nas outras "grandes".

 
Então o que justifica este longo casamento?


Penso que teremos de analisar a natureza da relação sob 3 perspectivas diferentes.


A primeira tem a ver com a mentalidade dominante no futebol inglês. Ao contrário dos países do sul, aqui a regra (ainda que com consideráveis excepções) sempre foi privilegiar a estabilidade, havendo maior predisposição para dar tempo ao escolhido para desenvolver um trabalho de médio prazo e conseguir comprovar os méritos que levaram à sua contratação.

Conforme já referido, Wenger entrou de rompante no clube e enfeitiçou tudo e todos com os títulos conquistados e a mão cheia de novidades que introduziu no jogo. Logo aí, terá acrescentado ainda mais "paciência" aos já pacientes adeptos e dirigentes. Mas entretanto as vitórias começaram a escassear e nem um chinês aguentaria tanto, se fosse só por isto. Tem que haver algo mais.


Entramos então no domínio da segunda perspectiva, que passa pelas funções que um treinador (Manager) assume dentro do clube. De novo, a ideologia dominante em terras de Sua Majestade é diferente da dos latinos da Europa, pela atribuição de competências que excedem largamente a vertente do treino e do jogo (coach), estendendo-se à coordenação do futebol de formação e, talvez mais relevante, a gestão do orçamento disponibilizado pelo clube para a equipa de futebol, abrangendo contratações, política salarial e outras do foro da gestão do plantel.

Aqui se explicará uma parte do "sucesso" continuado de Arsène: a boa gestão que desenvolve no clube, desde a contratação de (muito) jovens talentos para formação na sua academia (todos os anos há um miúdo português desconhecido que parte em busca do sonho na academia dos gunners, certo?), da qual retira rendimento desportivo (ao promover os melhores à equipa principal) e financeiro (ao vendê-los após valorização). Mas fez mais: foi um dos contribuidores líquidos (pela geração de excedentes ano após ano) para o desenvolvimento das infraestruturas do clube, desde as escolas e academia ao sumptuoso Emirates Stadium. Ainda assim, visto de onde me situo, não chega. Sim, é fundamental ter equilíbrio económico-financeiro para garantir a continuidade do clube, e mais ainda para satisfazer o ponto seguinte da lista, mas não é suficiente tratando-se de um dos Big Four do futebol inglês. Será que à terceira é de vez?


A terceira mas não menos importante perspectiva, é a da propriedade dos clubes (ownership) e em particular, do Arsenal.
Se em Portugal e Espanha (até à data) os "grandes" se vão mantendo nas mãos dos sócios (directa ou indirectamente, com mais ou menos poder de intervenção), seja pelos estatutos, seja pelo impacto que a pressão dos adeptos tem na duração das respectivas lideranças, na Premier League o mais comum é que os clubes sejam propriedade privada e geridos como tal. Isto não significa que desprezem os adeptos, mas precisamente o oposto: sabendo que são eles a grande força económica dos clubes, os seus donos procuram geri-los em função dos supporters e para sua satisfação, normalmente nomeando gestores profissionais muito bem pagos, porque entendem a regra básica de que o cliente tem sempre razão.

Mesmo que o panorama se tenha alterado parcialmente com a entrada de alguns paraquedistas bilionários (quase todos do petróleo, por sinal), cuja impaciência por resultados e intolerância por opiniões divergentes faria alguns dos nossos dirigentes parecerem meninos do coro, a secular mentalidade dominante ainda prevalece no futebol inglês.

Então e o que há a dizer neste ponto em relação ao Arsenal e a Wenger?

Em relação ao ownership, o principal accionista da Arsenal Holdings plc é um american sports tycoon, Stan Kroenke, que consolidou a sua posição (66,6%) após alguns anos de guerra fria com o actual segundo maior accionista (um russo-uzbeque que pouco interessa para o caso). Esta rivalidade começou apenas em 2007, até então o clube tinha sido tradicionalmente detido por duas famílias inglesas e seus descendentes. E Arsène chegou em 1996, recordemos. Ou seja, e ainda antes de avançar, não foi pelas disputas de controlo da sociedade que se "atreveram" a por em causa a gestão "desportiva". E já agora, como curiosidade, esta sociedade é substancialmente diferente das dos outros clubes, com apenas 62,217 acções emitidas e não listada nos principais mercados, mas antes (raramente) transacionada num mercado "secundário".

E quanto aos resultados económicos da sociedade ao longo do consulado de Wenger?

Apesar de ter um curriculum superior ao de outros grandes clubes ingleses no que concerne a gastos em aquisições, a verdade é que sucessivos estudos apontam para que não raras vezes tenha sido o único manager a gerar saldo positivo entre vendas e compras (e quando não o único, o maior lucro de todos).

Encontrei uma detalhada análise sobre este brilhante consulado económico-financeiro de Wenger no Arsenal num blogue que calculo não seja nem oficial nem "auditado", mas que ainda assim me inspirou suficiente credibilidade para o considerar como fonte (até porque não encontrei contestação). Para quem tiver curiosidade, aqui fica o link.

Segundo a Deloitte, em 2013/14 o Arsenal quedou-se na oitava posição do ranking dos maiores resultados económicos, atingindo uns estonteantes €359M em receitas geradas pelas operações relacionadas com o futebol.

Já a revista Forbes coloca os gunners em sétimo na sua lista dos clubes mais ricos do mundo em Maio de 2015, avaliando o clube em $1.310M... 

Como é fácil de entender, esta vertente do seu trabalho é muitíssimo apreciada pelos proprietários, não apenas pelo efeito de curto prazo dos resultados positivos, mas também pela sustentabilidade que assim se projecta.


Se a tudo isto juntarmos a situação calamitosa que o United vive desde a saída de Ferguson, fica mais fácil entender por que "ninguém" no Arsenal considera ficar sem Arsène. É que se Pinto da Costa só há um (e como tal, indisponível para o liderar o Arsenal com um bidão qualquer a treinador), Wengers também não se encontram com facilidade e mal por mal (pensarão eles)... ficamos com o Arséne no Arsenal!


Quanto a mim, continuo na minha. Não compreendo.

Um treinador arrogante, que se recusa a alterar a sua "filosofia" de jogo para não trair as suas "convicções", mesmo que à custa de perder a competição que está a disputar, não merece o meu beneplácito.

Pode ser um grande gestor de futebol, promover o equilíbrio financeiro e resultados positivos para a sociedade, mas para mim, falta o principal, o objectivo fundamental que define um clube de futebol de topo: ganhar dentro de campo.




Termino com outra curiosidade, agora sobre a Premier League: nunca nenhum treinador inglês conseguiu vencer a competição, estando os troféus distribuídos entre dois escoceses (Ferguson 13 e Dalglish 1), um francês (lui même, 3), um português (Mou 3), um chileno (Pellegrini 1) e dois italianos (Ancelloti 1 e Mancini 1). E clubes vencedores apenas cinco: Man. Utd, Arsenal, Blackburn Rovers, Chelsea e Man. City.





quinta-feira, 18 de junho de 2015

Marco "este não pode ser" Ferreira

Jogos apitados por Marco Ferreira na Liga 14/15


Foi anunciada a classificação dos árbitros relativa à temporada 14/15 e com ela o último lugar e consequente despromoção do árbitro madeirense Marco Ferreira.

É um daqueles árbitros de que nenhum adepto dos 3 grandes gosta, porque várias vezes tem a ousadia de se enganar contra eles. É portanto, um árbitro potencialmente pouco influenciável, se não totalmente impermeável. O que, obviamente, é bom.

Claro que, à parte isto, importa saber se tem qualidades técnicas, e mais importante, se tem bons desempenhos. Fixando-me na classificação da época anterior, sim - ficou em segundo lugar, apenas atrás de Pedro "Elvis" Proença.

Será que de uma época para a outra teve uma quebra assim tão vertiginosa que justifique ficar em último?

Será que foi assim tão mau que tenha merecido ficar atrás de João Capela, Bruno Paixão, Paulo Baptista e Vasco Santos, entre outros?

Mas se foi assim tão mau, ainda assim o nomeiam para a final da Taça de Portugal?

Ah, e já agora, reparem na imagem p.f.


Sobre o grande vendedor, perdão vencedor da época há ainda mais para dizer.

Por agora fico pelo essencial: Jorge Sousa esteve em todos os jogos decisivos do campeonato e influenciou-os a todos, com maior clareza o Sporting - Benfica, cujo golo do empate no final dos descontos é claramente ilegal, por offside activo do querido Maxi. Este jogo não só afastou definitivamente o Sporting da corrida ao ouro, como impediu que o Porto ficasse a 3 pontos e portanto a depender de si próprio (o que, como se sabe, tem grande impacto psicológico em perseguidor e perseguido).

E já agora, quando é que se viu um árbitro apitar 3 clássicos na mesma época? Raramente, aposto. Nem o "melhor do mundo" Proença terá tido essa sorte...

Superdragão? Right...



Do Porto com Amor



Vergonha


NO COMMENTS



quarta-feira, 17 de junho de 2015

New Skin

 Actualização 3: aproveito a imagem que roubei ao Porto Universal para encerrar de vez este assunto, partilhando uma imagem do terceiro equipamento para 2015/16.



Não é maravilhoso, mas depois de revelado o segundo equipamento a fasquia ficou demasiado baixa e por isso ok, está agradável de ver. Talvez demasiado branco, mas veremos ao vivo como fica.

Em jeito de conclusão, "adoro" o principal, "detesto" o segundo e "suporto" o terceiro. As aspas nos três adjectivos servem para relativizar a questão do equipamento e relembrar que o que interessa é que quem os vestir nos encha de orgulho.

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Actualização 2: aqui está o verdadeiro equipamento alternativo para 2015/16, também quase igual ao que avancei no post original.

Não, este não. E não é por ser conservador, eu que até gostava de ter um alternativo com um vermelho... à Porto, como um dos nossos primordiais. Mas esta... não. Pelo menos assim, em fotografia. Admito (e espero) que ao vivo e em campo sejam mais atractivas e sobretudo nos dêem muitas alegrias. Mas se por uma impensável conjugação astral voltarmos a jogar como o ano passado, pelo menos já temos equipamento a condizer...




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Actualização: aqui está a verdadeira, praticamente igual à que partilhei ontem.

Gosto muito, mas mesmo muito. Apenas mudaria a "traseira", mantendo as riscas da frente (compreendo que tenha a ver com a visibilidade do número, mas preferiria um quadrado por cima das riscas).



Fico à espera da confirmação dos alternativos, certamente nos próximos dias.


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Com a transição da Warrior (R.I.P) para a New Balance, é de esperar um novo estilo, mesmo tratando-se de empresas do mesmo grupo.

Pelo que já foi revelado, a camisola principal não será exactamente como aqui se vê (falta por exemplo a risca laranja nas mangas), mas ainda assim, não será uma das mais bonitas de sempre?




E o que dizer sobre as alternativas?



Confesso que nunca imaginei o Porto a jogar de castanho, estou um pouco aturdido. Mas já consigo imaginar as piadas se o castanho também se aplicar aos calções...

Penso que estas imagens serão apenas recriações de alguém que teve contacto visual com as verdadeiras, mas fica-se com uma ideia (a serem verdade, claro está). Este é o único tema da Silly Season sobre o qual gosto realmente de especular.

A revelação definitiva está prometida para breve...



Plantel para 2015/16 - os emprestados


Antes de começar a analisar cada um dos emprestados, devo dizer que como regra não acredito no regresso de jogadores que já tiveram uma oportunidade e foram posteriormente cedidos. A confirmá-la existirão algumas excepções, pelo que mesmo sem dogmatismo algum, não contem com grandes expectativas da minha parte quanto a este verdadeiro exército de excedentários.


Por ordem alfabética:


Abdoulaye (24 anos)
Teve as suas oportunidades na equipa principal, mais do que suficientes para se concluir que não serve para o Porto. Aquela final da taça da liga ainda me está atravessada na garganta, mas foi muito mais do que esse jogo. Demasiado agressivo e impulsivo, dificuldade em posicionar-se e falta de qualidade com bola no pé. Poderá ter uma boa carreira num clube com outros objectivos, mas cá não vejo como.
Veredicto: Out

 
Bolat (26 anos)
O jogador que já entrou na história da Liga dos Campeões, por ter sido o primeiro (e creio que ainda o único) a marcar um golo em jogo corrido. O que se diz é que veio pela oportunidade do momento e não por necessidade. Esta época esteve no Galatasaray onde fez 11 jogos, na anterior esteve no Kayserispor e fez 14. Nunca tive oportunidade de o ver o suficiente para ter opinião, mas se o achassem solução não o poriam a rodar sem nunca calçar pelo Porto.
Veredicto: Out


Carlos Eduardo (25 anos)
Chegou em 2013 do Estoril (onde quem mais brilhava era... Evandro, que só veio um ano depois) e conseguiu exibições muito interessantes e prometedoras, abrilhantadas por alguns golos de grande nível. No entanto, foi-se apagando com o definhar da própria equipa. Este ano, como não sabia falar castelhano, foi rodar. Mas rodou tão bem (30 jogos e 10 golos pelo Nice) que já o queriam manter na Ligue 1 e fomos "obrigados" a trazê-lo de volta. Acredito que possa ser peça relevante na nova temporada, assim o treinador entenda dar-lhe oportunidades.
Veredicto: In


Djalma (27 anos)
Teve mais oportunidades do que a maioria destes renegados, tendo realizado uma época de estreia (2011/12) bastante positiva com aparições em 19 jogos e 3 golos para contar. Na segunda, simplesmente desapareceu (1 jogo apenas). Depois saiu para a Turquia onde completou este ano a terceira temporada. Não creio que possa ter outro destino que não seja continuar por esse mundo fora. 
Veredicto: Out


Ghilas (25 anos)
Outro que muito me agradou ter sido contratado após grandes exibições no Moreirense. Não cheguei a perceber bem o que lhe aconteceu, mas fica a sensação de terem sido factores extra-futebolísticos a mandarem-no para Córdoba (27 jogos e 7 golos). E se assim foi, é pena, porque futebol tem ele. É possante, tem técnica e sabe fazer golos. Deveria ser o terceiro ou quarto avançado do plantel, se concordasse em submeter-se às regras de sã convivência com Lopetegui.
Veredicto: Fringe


Ivo Rodrigues (20 anos)
Um menino que estava a brilhar na B (12 golos em 22 jogos) quando em Janeiro foi desviado para Guimarães, por contrapartida da compra de Hernâni. Acabou por ter uma utilização reduzida, pelo que terá sido prejudicial a troca. Apesar do potencial, não me parece que tenha possibilidade de ficar. Idealmente iria para um clube da primeira liga onde jogasse "sempre". 
Veredicto: Fringe


Josué (24 anos)
Mais um portista que chegou ao Dragão de peito feito e não teve cabeça para gerir a sua forma e emoções ao longo da época. Também vítima do fracasso da equipa, obviamente. Parece-me ter criado alguns anti-corpos, o que lhe dificultará uma segunda hipótese. Em termos de jogo jogado enquanto cá esteve, mostrou qualidades mas também defeitos importantes. Na Turquia foi importante na sua equipa (40 jogos e 9 golos pelo Bursaspor), mas de novo, não é um dos grandes daquele país.
Veredicto: Out


Kayembe (20 anos)
Veio como jovem promessa belga, impôs-se na B na primeira temporada e foi para Arouca a meio da segunda. No seu primeiro ano, pareceu-me ver pormenores que lhe poderiam permitir evoluir para jogador da equipa principal, mas não me pareceu ter conseguido dar o salto no ano seguinte. No Arouca não se poderia pedir muito, num estilo e filosofia de jogo que em nada o favorecia (mas ainda assim fez 15 jogos e marcou 1 golo). Continuará emprestado ou regressará aos B.
Veredicto: Fringe


Kléber (25 anos)
Um dos que gostaria que se qualificasse como a excepção a que me referi no início. Prometeu tanto, mas tanto enquanto jogador do Marítimo, que foi para mim um choque o falhanço absoluto que foi a sua passagem pelo Porto. Claramente um dos que não aguentou a pressão e cedeu psicologicamente ao ponto de deixar de conseguir controlar os seus membros. No Estoril teve rendimento (30 jogos, 12 golos) e mostrou pormenores, vislumbres daquilo que prometeu no Marítimo. Creio que só terá segunda oportunidade perante uma improvável conjugação de factores, como sair mais algum avançado além de Jackson e falharem as contratações pretendidas. Mas gostaria que um dia voltasse e confirmasse o enorme potencial que sei que tem (a propalada renovação, a confirmar-se, poderá ajudar a que isto se concretize).
Veredicto: Fringe 


Licá (26 anos)
Fiquei sempre com a sensação que se deslumbrou com a facilidade que julgou ter sido a sua chegada e adaptação ao clube. Começou a época a jogar e a marcar e provavelmente isso foi-lhe fatal, ao criar expectativas demasiado altas (e irrealistícas) quanto ao rendimento que poderia dar. No entanto, considerando a época em questão, é difícil fazer um juízo definitivo. Contra si, a época fraca no Rayo (21 jogos mas sem nenhum golo), que mesmo sendo na liga espanhola, é um clube que luta para não descer. Não deve sequer fazer a pré-época mas se fizer, será apenas para lhe encontrarem colocação.
Veredicto: Out 


Opare (24 anos)
Chegou em 2014 após uma boa carreira no Standard de Liége, mas nunca se conseguiu mostrar. Fez umas aparições na B e esta época esteve no Besiktas, onde também pouco jogou (6 jogos). Lembro-me dele num ou noutro particular de pré-epoca, parecia não ter "estaleca" para ser defesa num clube como o nosso.
Veredicto: Out


Otávio (20 anos)
Não sei, não vi, não conheço. Ok, vi alguns jogos na B mas não o suficiente para confirmar as credenciais de jovem craque com que chegou. Foi bastante utilizado em Guimarães, participando em 11 jogos e fazendo um golo. Também não acredito que tenha possibilidade de ficar, pelo que terei que perguntar por que motivo o contrataram (tal como a muitos outros). 
Veredicto: Fringe


Pedro Moreira (26 anos)
Foi peça importante no sobrecarregado Rio Ave, tem talento e espírito de luta, mas possivelmente não o suficiente para jogar no Porto. Tal como muitos outros, seguirá carreira emprestado caso não se confirme uma boa proposta vinda de fora.  
Veredicto: Out


Quiñones (23 anos)
Jovem colombiano que parece ter sido contratado para a equipa B, sabe-se lá por que motivo ou para agradar a quem. Foi um dos titulares do Penafiel e até fez 3 golos pelo último classificado da liga. Terá alguma vez oportunidade no Porto ou nunca foi essa a intenção?
Veredicto: Out 


Sami (26 anos)
Este vi e bem. Gostava dele no Marítimo e mesmo duvidando do interesse que teríamos em contrata-lo, surpreendeu-me e fez tudo bem na pré-época. Também não falará castelhano, pelo que desandou. Fez um inusitado percurso esta temporada, metade em Braga e metade em Guimarães. Em ambos jogou com regularidade e totalizou 27 aparições e 3 golos. Não vejo que possa ter lugar no plantel, pelo que não havendo quem lhe pague o mesmo salário num destino definitivo, continuará emprestado.
Veredicto: Out  


Rolando (29 anos)
Nem me apetecia escrever sobre este idiota (que me desculpem os mais sensíveis, mas é mesmo o termo apropriado). Teve tudo para fazer uma carreira decente e bem paga, mas pôs-se em bicos de pés e desrespeitou o clube. Como resultado, foram impiedosos com ele. Caiu em "desgraça" e nunca recuperará o tempo perdido. Que saia agora de vez e que tenha a melhor sorte do mundo.
Veredicto: Out 


Sérgio Oliveira
Uma boa temporada no Paços, como já havia feito anteriormente. Mantém-se a dúvida: conseguirá evoluir para se confirmar como jogador do Porto? Sinceramente não sei. Tem ainda tempo, mas não sei se muitas oportunidades. Admitindo que fica no plantel (não tenho como certo), será um ano decisivo para o jogador. Em todo o caso, não o consigo imaginar em 2015/16 como mais do que um actor secundário.
Veredicto: Fringe


Tiago Rodrigues (23 anos)
Fiquei satisfeito com a sua contratação, pelo futebol que tinha demonstrado no Vitória. No entanto, foi daqueles que quase não teve reais oportunidades para se mostrar, estando quase sempre remetido aos Bs. Esta época foi importante no Nacional, o que me faz pensar que mereceria uma segunda (ou melhor, primeira) oportunidade. Mas duvido que a tenha, provavelmente continuará na Madeira (não sei se no Nacional...).
Veredicto: Fringe


Varela (30 anos)
Todos o conhecem, já deu muito ao clube e optou por forçar a saída. Como outros (alô Rolando? Daqui não é o Villas-Boas!), deu-se mal. Não terá nenhuma possibilidade (nem vontade) de voltar, pelo que tudo se resumo a conseguir encontrar uma solução que não lhe retire dignidade e o trate com a elevação que o seu contributo para o nosso palmarés justica.
Veredicto: Out 

 
Walter, Kelvin, Tozé, Caballero: com empréstimos que se estendem para lá do início da época 2015/16.


Izmailov: final de contrato


Em resumo, parece haver apenas um jogador com lugar garantido no plantel (Carlos Eduardo) e mais alguns com possibilidade de pelo menos fazer a pré-temporada (Ghilás, Kléber, Sérgio Oliveira, Tiago Rodrigues). Os demais ou seguirão na equipa B (os mais novos) ou continuarão emprestados (caso não haja quem os leve de vez).

Um velho problema que se repete ano após ano, o pelotão de contratados que trabalham para outros "patrões".

Não faz nenhum sentido sobretudo pela dimensão do problema, mesmo sendo natural que se falhem algumas contratações e posteriormente se tenha que honrar os contratos.

A questão mais relevante é outra: entender os motivos de muitas contratações que se percebe à vista desarmada que "nunca" irão jogar na equipa principal.



terça-feira, 16 de junho de 2015

De cabeça erguida...

...como a Seleção!

CR Quê?

As de Portugal:

  • O fim do sonho dos Sub-20, ao caírem nos penáltis frente ao Brasil: consta que até foram melhores, mas "fartaram-se" de falhar golos. E depois sucumbiram nos penáltis. Tipicamente português, falta de capacidade mental para triunfar nos momentos decisivos (refiro-me ao desporto e nada mais). Mas dizem que saíram de cabeça erguida.

  • Vitória sofrida sobre a Arménia: a infantilidade de Tiago e a churrasqueira Patrício quase deitavam tudo a perder, mas lá conseguiram segurar a vantagem, muito importante para garantir o apuramento directo sem sobressaltos. Mesmo sem grande exibição, saíram de cabeça erguida (menos o Patrício). 

  • Vítória histórica de Portugal B sobre a Itália, que dizem não acontecia há 38 anos... trivelaça de Quaresma para o primeiro de sempre de Éder pela nacional. Os italianos falharam claras oportunidades para (pelo menos) empatar, mas por uma vez foram eles a abandonar o campo de cabeça erguida.

  • E o início do sonho para os Sub-21 na quinta-feira, defrontando logo uma das favoritas à vitória final, a Inglaterra. Gostei muito de os ver jogar durante a qualificação, detestei os amigáveis que se seguiram. Não tenho grandes expectativas, pelo que se passarem o difícil grupo já me surpreenderão. Pelo sim, pelo não, vou começar já a esticar o pescoço em frente ao espelho.


As que por estes dias disputam a Copa América:

  • Um fabuloso jogo de futebol ontem de madrugada: Chile - México, vale a pena gastar 90 minutos a ver este jogaço, quem puder que use a box e faça replay (mesmo considerando o histérico e provavelmente surdo narrador da TVI24, vale bem a pena). Que pena não haver muito mais jogos destes, dispensaria-se erguer cabeças no final.

  • Uma promessa de muita faísca, ainda que não necessariamente de grande futebol, hoje (ou melhor, amanhã) às 00H30, quando Argentina e Uruguai se defrontarem. Neste, espero que ninguém acabe sem cabeça...

  • E na quinta, a última hipótese da Colômbia ainda seguir em frente, mas o adversário é... o Brasil! Pelo que vi no primeiro jogo dos cafeteros, estão em plano muito inferior ao que se apresentaram no mundial, onde deveriam ter eliminado o Brasil, não fosse o medroso do treinador alterar por completo a sua forma de jogar nesse encontro a eliminar (à la Porto na Champions, se é que me faço entender). Espero que não, mas parece-me que vão para casa ao fim do terceiro jogo com la cabeza bien alta.

Só mesmo no defeso para escrever sobre seleções, mas enfim, por alguma coisa se chama Silly Season.

Com a cabeça bem erguida,

Do Porto com Amor


Sporting Lisboa e Benfica


Estava eu há dias a deambular por entre estatísticas e curiosidades de campeonatos passados, quando passei os olhos pelas tão glorificadas décadas de 60 e 70 que deram ao SLB a maior concentração de títulos de toda a sua história. Vi um, vi dois, vi três e depois Sporting. Continuei e vi mais um, mais dois, mais três e... Sporting.





Uau, isto é cada coincidência... a não ser que, não me digas que isto se volta a repetir... prossegui e um, dois, três, Sporting... um, dois, três, Sporting... bom, já não pode ser coincidência, quer dizer, já é um padrão, ou estatisticamente falando uma série, cuja probabilidade de ocorrência numa competição justa e livre com 14, 16 equipas é certamente muitíssimo reduzida...

Então afastei-me das árvores e contemplei a floresta do futebol a preto e branco.... parecia natação sincronizada ou melhor, um par de patinagem artística...

Querem acreditar que o padrão se repetiu QUATRO VEZES CONSECUTIVAS e que teriam sido SEIS não fosse pela ousadia do F.C.Porto e pelo final da ditadura?

Convido o estimado leitor a analisar a imagem abaixo. E depois regresse ao texto. E depois à imagem. E por aí fora, até ficar com a fotografia completa.




Comecemos pelo Sporting dos Cinco Violinos, cujo "virtuosismo" dominou a segunda metade da década de 40 e a primeira da de 50. Fazendo fé nos relatos, foi em 46/47 que um tal Robert Kelly juntou em campo o famoso quinteto (Travaços, Jesus Correia, Albano, Vasques e Peyroteo) que levaria o Sporting a uma década de grande dominância em que garantiu o primeiro Tri e o primeiro Tetra da história do futebol luso (na realidade, o tetra já foi conquistado apenas por um ou dois violinos, mas o efeito ainda perdurava).

Seguiram-se umas 4 épocas de alternância estatisticamente insuspeita e chegamos ao famoso campeonato de 58/59, que todos saberão de que se trata apenas com uma palavra: Calabote. Um fenómeno tão escandaloso quanto descarado que acabou por se transformar na designação genérica de arbitragem corrompida: Calabote!

Um campeonato que o Porto ganhou apesar de Inocêncio Calabote (a ironia do nome mata-me), mas que foi o derradeiro aviso à navegação de que tal deslize não voltaria a suceder.

A partir daqui, é tudo a regra e esquadro. Nem na mais socialista das repúblicas (dá voltas na tumba, bafiento) alguma vez se atingiu planificação tão perfeita. A ditadura salazarista tomou finalmente em mãos os destinos do futebol (já tinha tratado do fado e de Fátima), ficando assim definida a nova ordem para os dois maiores da única cidade digna de acolher um campeão: a capital do império.

O futebol passa a ser regido em quadriénios: 1 campeonato para o Sporting, 3 para o clube das massas, dos tesos, dos que precisavam de alguma alegria para se manterem pobres e submissos - o glorificado SLB. De 61/62 a 76/77 temos QUATRO QUADRIÉNIOS PERFEITOS, e não fosse pela incompetência de Calabote, teriam sido CINCO. Não, isto não é uma invenção minha, é o que a história mostra a todos os que não tiverem medo de ver.

Não fosse pela queda da cadeira e pela chegada da democracia, quem sabe quanto mais tempo duraria este pacto de regime?


Nem sei o que é mais triste, se é assistir ainda hoje a gente inteligente e bem formada a abdicar por completo de utilizar as capacidades intelectuais para balbuciar "o Benfica é o Maior" alicerçado neste período, ou se é tentar entender a imensa comiseração dos brasonados leões que os levou a aceitar as migalhas do regime do povo.

Seja como for, isto é apenas a minha interpretação dedutiva.

Há por aí muita gente que jura a pés juntos (e tenta mesmo comprová-lo com "factos") que o SLB era oposição ao regime e apenas Sporting, Belenenses e (pasmem-se) Porto eram "do" regime. Seria caso para pensar quão estranhamente incompetente seria o Sr. Oliveira e a sua PIDE, tão bom a "lidar" com os dissidentes políticos e tão inábil para controlar um mero clube desportivo.

Enfim, é à vontade do freguês.



Do Porto com Amor



segunda-feira, 15 de junho de 2015

Bloody year!


Como não podia deixar de ser, toda a imprensa (verdadeira e farsante) dá destaque ao grande sucesso desportivo do SLB nesta época, destacando os títulos de campeão em futebol, basket, hóquei, vólei e futsal, falhando apenas o andebol que, como sabemos, continuou em nossa casa.

Obviamente que cada uma dessas conquistas tem a sua história e sendo justo, apenas conheço a do futebol. Mesmo em relação ao futsal e a todo aquele ruído que se seguiu à atribuição do título, vindo de quem vem, pouco esclarece. Portanto, concentrando-me apenas na big picture, acho que se deve valorizar o que eles conseguiram este ano, tal como o Porto em épocas não muito distantes.

Mas mais do que olhar para o sucesso dos outros, o que realmente me interessa é descobrir o porquê do(s) nosso(s) insucesso(s).

Tal como no caso do Benfica, cada uma das nossas modalidade teve a sua "estória". Se o vólei há muito que foi extinto e o futsal nunca saiu do papel, no basket fizemos reset e iniciamos novo projecto a partir de baixo, e no hóquei parecemos estar totalmente perdidos após um longuíssimo ciclo de esmagadora dominância. Mesmo o sucesso no andebol (também ele longo e único), parece estar em causa, ou pelo menos iniciaremos nova fase com a saída de Obradovic.

E o que pergunto é o seguinte: esta conjugação de resultados nas modalidades em 2014/15 é conjuntural ou evidencia uma tendência mais duradoura?

Não sendo profundo conhecedor da situação concreta de cada uma delas, devo dizer que os sinais são quase todos preocupantes.

É de conhecimento público as dificuldades que todas as modalidades têm em se auto-sustentar desde há 20 anos, muito por culpa do futebol e das transmissões televisivas, que absorvem a quase totalidade dos investimentos publicitários, fruto das audiências que o futebol gera por comparação com as demais. É o que as pessoas querem ver e manda o mercado.

Aliás, tirando um grupo muito reduzido de fiéis seguidores de cada uma das modalidades (ou de todas - ainda mais restrito), a grande maioria dos portistas apenas se interessa quando se chega à fase das decisões dos títulos, e uma ou outra vez durante a época se for contra SLB ou SCP (menos). Portanto, "todos" somos parcialmente culpados.

No entanto, este panorama não é nosso exclusivo, mas sim de abrangência geral, pelo que os outros clubes sofrem deste mesmo problema e até aqui, estarão todos em pé de igualdade.

Depois entram em cena os patrocínios e os financiamentos. Águas mais turvas, onde nem sempre se consegue perceber de onde vêm os fundos com que os clubes constroem os seus orçamentos e, com eles, suportam cada época. E aqui, sobretudo na parte dos financiamentos/endividamento, o SLB tem muito mais para explicar. Ou teria, se vivêssemos num Estado de Direito - tantas vezes todos os portugueses foram no passado chamados a contribuir para a Instituição através dos seus impostos, que nunca será fácil descortinar os valores ou as incidências acumuladas.

Mas virando o foco para os patrocínios, coloca-se de imediato a questão: se outros conseguem, por que motivo não conseguiríamos nós? Temos menos massa crítica, é certo, mas a diferença não é assim tão grande para que não se consiga encontrar quem viabilize cada uma das modalidades.

Aproveito para fazer um aparte que muito me intriga e incomoda: de que raio está Pinto da Costa à espera para "abrir" o futsal? Já lá esteve à porta mas, por um ou outro motivo, acabou sempre por recuar. Voltando ao que dizia acima, não acredito que não se consiga trazer patrocinador(es) que viabilizem a modalidade no Porto. O futsal é a modalidade que mais cresce no país em termos de praticantes e tem a imensa vantagem de ser facilmente compreendido por todos. Um destes dias dedico um post em exclusivo ao futsal e aprofundo a questão.

(regressando ao tema principal)

E por último, o clube. Eu, enquanto sócio, não quereria que as minhas quotas sejam aplicadas no futebol profissional, aliás até defendo precisamente o oposto. O futebol é o único que tem como se desenrascar sem os sócios - não só pelos fundos que movimenta, mas pela própria dimensão dos seus orçamentos, que é muitas vezes superior ao valor total das quotizações - pelo que as quotas deveriam ser canalizadas totalmente para as "amadoras". Confesso que não sei com exactidão como são aplicadas as quotas (julgo que 25% vão directamente para a SAD e até já terão sido 75%), mas também duvido que alguém fora do clube realmente o saiba (e mesmo lá dentro não saberão todos).

Lembro-me dos argumentos utilizados para a extinção do voleibol, da necessidade de ser competitivo ou não participar, de concentrar recursos nas mais ganhadoras, etc. etc. Na altura até terei concordado sem questionar (fruto da idade, certamente). Hoje acrescentaria qualquer coisa.

Totalmente de acordo que temos que entrar em qualquer modalidade, em qualquer ano, com condições reais de vencer as competições nacionais - mas a solução não pode ser abandonar as modalidades, mas sim encontrar soluções. Se os diretores não têm tempo ou capacidade, pois que se encontre outros que o tenham, não faltarão candidatos por certo. Se o presidente vive obcecado pelo futebol (excepto nos jogos de decisão, claro), então que delegue e ajude sempre que solicitado.

Pode até ser que este tenha sido um isolado annus horribilis, espero que sim, mas por via das dúvidas seria importante dar corda aos sapatos e pôr gente competente, dedicada e com disponibilidade a comandar cada uma das modalidades e fazer regressar a competitividade (leia-se ganhar) a todas elas. Há pessoas e empresas disponíveis para participar, mas apenas se tiverem interlocutores com quem se sintam confortáveis e existindo o apoio inequívoco de PdC às modalidades.

É que eu lembro-me bem de me rir dos outros quando isto acontecia repetidamente nas suas casas e preferia que não me devolvessem agora o tanto que têm acumulado.


Nota final - o título do post reflecte a sua benigna ambiguidade: bloody tanto serve para realçar a cor predominante do ano, como para o amaldiçoar.




sábado, 13 de junho de 2015

Jogo Aluado - a contra-resposta


Na sequência da resposta de Mário Fernando (Jogo Jogado/ TSF) à minha missiva original, segue a imprescindível contra-argumentação.




"Caro Mário Fernando

Agradeço a simpatia que teve em me responder.

Contudo, não posso deixar de contra-argumentar, sobretudo porque se trata de refocar a discussão naquilo que me motivou a escrever em primeira instância.

Devo dizer que concordo com praticamente tudo o que escreve, mas se fizer o favor de comparar a minha missiva com a sua, verá que pouco têm em comum. Ou seja, respondeu-me sem efectivamente me responder.

Concordamos em que o Jogo Jogado não se foca na arbitragem, tal como eu tinha assumido logo no início da minha reflexão. Bem como na comparação com outros programas, também considerado por mim como dado adquirido.

Seguidamente, refere-se à resolução do problema da arbitragem em Portugal. A isto eu não me referi, ainda que seja um ponto primordial. Mas não me referi precisamente porque concordo consigo no essencial: não será resolvido até que venha a ser imposto por factores exógenos. É certo e sabido que os dirigentes, regra geral, alinham pelo mesmo diapasão sempre que não ganham. Mas nem eu nem o estimado Mário somos dirigentes, confirma?

E o facto de nenhum de nós ter solução mágica para a arbitragem, não implica que aceitemos impavidamente aquilo se vai passando. Quando acharmos que se trata de adulterar o resultado final da competição (como eu acho), mesmo sem solução à vista, parece-me fundamental pelo menos dizê-lo alto e em bom som, para que não nos tomem por meros cúmplices e para que se saiba que há aqui quem se oponha e conteste.

Eu não acredito, até prova em contrário, que os erros que se acumularam em benefício do Benfica foram total ou sequer parcialmente intencionais, mas isso não me impede e, em minha opinião, também não deveria impedir o Jogo Jogado de assumir uma posição clara quanto à mera existência desses erros e ao impacto que teve nas contas finais do campeonato. Mesmo dando uma considerável margem de erro e de rigor nessa análise, verá certamente que houve um padrão que inevitavelmente deturpou a classificação final.

Acredite quando lhe digo que adoraria que o nosso futebol atingisse a maturidade em termos organizacionais, seguindo os bons exemplos que grassam por essa Europa fora. Remetido à minha singela faceta de adepto interessado, defendo várias e “simples” propostas para que se rume nesse sentido.

Mas nada disto colide ou me impede de dizer que, dentro do panorama actual, a época 14/15 ficou incorrigivelmente tingida pela influência perniciosa da arbitragem na atribuição do título de campeão.

Para terminar, reitero o meu convite para uma conversa mais detalhada e alargada aos outros membros do Jogo Jogado.

Saudações portistas,

Lápis Azul e Branco"


Do Porto com Amor