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terça-feira, 2 de outubro de 2018

125 Azul


Tivesse escrito este texto nas primeiras horas após o encontro com o CD Tondela e quase todo ele seria sobre Sérgio Conceição, porque ou estou a ler mal a situação ou a sua teimosia está a empurrá-lo para um caminho demasiado perigoso e possivelmente sem retorno. Mais precisamente, para um caminho com pseudo-retorno.




A falta de tempo assegurou-se que não o faria até hoje. E ainda bem.

A esta distância, já me consigo focar no essencial: no centésimo vigésimo quinto aniversário do Clube e no jogo que a equipa do Porto fez dentro de campo. Ao intervalo, comentei que tinha assistido aos melhores 45 minutos da época e prontamente fui questionado pelo jogo contra o Chaves e a goleada. Sim, não fomos eficazes nestes 45 minutos, mas pelo menos jogamos futebol com nexo e alguma qualidade. Arrisco mesmo dizer que mais do que contra o Chaves. 

Frente ao Tondela, equipa bem orientada, fomos uma equipa que quis impor a sua superioridade teórica na relva, pressionando alto e bem e fechando espaços a cada portador da bola adversário, conseguindo assim recuperá-la depressa. Com bola, mesmo mantendo as habituais dificuldades de penetração, soubemos "rodá-la" com a paciência suficiente para encontrar uma brecha na muralha e depois explorá-la.

Chegamos ao intervalo sem golos mas com boas oportunidades para os ter conseguido. E, contra o que vem sendo norma, algumas não entraram por mero acaso - azar para os mais crentes - e não por "falta de jeito". Estava, portanto, confiante que a vitória acabaria por aparecer.

A segunda parte foi menos exuberante no futebol jogado mas nem por isso menos intensa na emoção. O justíssimo golo só chegou já perto do final, com a ajuda do melhor adversário, mas chegou. E pelos pés do regressado Tiquinho, que se refez antes do esperado mas não a tempo de estar inscrito na Champions. Uma lástima, sabendo-se agora o que aconteceu a Aboubakar - aquele abraço mon ami. Conforme o treinador explicou, foi a opção que considerou mais acertada com os dados de que dispunha no momento de decidir. Há que aceitar.

No dia em que comemorava(mos) 125 anos (não me cansem com as datas de fundação, get over it!), o Futebol Clube do Porto venceu. Dizem que desde 1893 que o andámos a fazer... não será exactamente assim, mas pelo menos nos últimos 40 anos tem sido um fartote. Que assim se mantenha nos próximos 125... ou 40, vá. Parabéns meu Clube!





Notas DPcA 


Dia de jogo: 28/09/2018, 20h30, Estádio do Dragão, FC Porto - CD Tondela (1-0)



Iker (6): Espectador atento e motivador de ocasião. Numa palavra, líder.

< 80' Maxi (6): Menos intenso e "expressivo" do que é seu hábito, mas cumpriu.

Alex Telles (6): Ainda sem recuperar a sua chama ofensiva, esteve melhor no plano defensivo.

Éder Militão (7): Líder... da defesa. Mesmo sendo mais novo da quadra. É aproveitar enquanto cá dura...

Felipe (6): Começou bem, marcando cerrado, mas deixou-se envolver nas provocações dos adversários (aquele 15 merecia mesmo que lhe partissem os dentes, eu sei) e por pouco não ficou fora da Luz. Tem de se controlar mais e melhor.

< 59' Sérgio Oliveira (6): Foi a "surpresa" no onze, substituindo Danilo que nem convocado foi. Regressou "benzinho" e teve de lidar com um certo mexicano desastrado, tendo mesmo oportunidade de marcar. Está mais perto do nível exigido para continuar na equipa.

Herrera (5): Ai, ai, tanta coisa mal feita, Héctor Lindo... está mesmo a precisar de ir à Luz para atinar...

Otávio (6): Andou muito tempo pela irrelevância, quebrada a espaços com uma e outra arrancada com bola. Quando a "coisa" apertou e a equipa sofreu alterações, apareceu e ajudou mais no esforço de guerra.

Brahimi (6): Desta vez, além de tentar criar e atrair adversários, conseguiu mesmo ser decisivo, porque foi dele o remate que Tiquinho recargou para golo. Espera-se melhor a qualquer momento...

< 64' Aboubakar (6): Primeira parte bem envolvido com os companheiros, tendo até a mais flagrante oportunidade, à qual chegou... torto. Na segunda foi desaparecendo até que o azar terrível lhe bateu à porta. Volta depressa.




Marega (5): Está mais perto do "cepo" que foi dispensado do que do craque que desbravou o caminho para o título 17/18. Se sonha com voos mais altos, vai ter mesmo de fazer reset naquele cabecinha e reencontrar a mesma motivação que o trouxe até aqui. Caso contrário, cepo continuará.

> 59' Corona (5): Entrou apagado e parecia apenas mais uma substituição falhada quando, de repente, "acordou para o jogo" e ainda fez uns últimos 15 minutos positivos de envolvimento ofensivo.

> 64' Melhor em Campo Soares (7): Marcou o golo da vitória quando o cronómetro já fazia as malas e sorria de malvadez. Enough for me.

> 80' Hernáni (6): É o jogador fetiche do mister - uma espécie de antítese de Óliver - e como tal continua a ter todas as hipóteses do mundo, até a lateral. Sim, eu sei que alternativas escasseiam no plano ofensivo, mas desta vez até as tinha no banco. Seja como for, entrou para o último assalto e foi já no seu consulado que a equipa marcou. Coincidência? Temo bem que sim.

Sérgio Conceição (5): A nota ao treinador constrói-se, em grande medida, pelas suas opções e pelo impacto que elas têm no que a equipa faz dentro de campo. Nesse capítulo, o mister esteve mais feliz neste jogo do que em quase todos os anteriores. A opção de deixar Danilo de fora correu bem, a equipa mostrou o melhor futebol da temporada na primeira parte e as substituições correram bem no sentido em que ganhou o jogo já com as três feitas e foi mesmo a segunda quem desferiu o golpe decisivo. E realço também a boa decisão de trocar o defesa Maxi pelo extremo Hernáni.
No entanto, a nota do treinador também reflecte - em menor medida - o que diz antes e depois do jogo. E aí, voltou a estar horrivelmente mal, insistindo na ridícula demanda dos "pseudo". Seria bom que se lembrasse de quem o meteu nesta alhada e que mantivesse as armas a ele(s) apontadas. Ou, melhor ainda, deixasse de ser menino amuado e soubesse conviver com as contrariedades, venham elas de onde vierem. 

Ninguém quer criar problemas onde não existem, mas só um tem a obrigação de os evitar. Get a grip Sérgio. E parabéns a nós e a quem teve a ideia de ir buscar os miúdos para os cantar junto aos ídolos.




Outros Intervenientes:



Soube a pouco a nível ofensivo este Tondela de Pepa, mas parece-me que a culpa foi muito do Porto, que obrigou a que se concentrassem quase em exclusivo na defesa da sua baliza - por convicção e por falta de possibilidade de fazer mais que isso. Cláudio Ramos ficou negativamente ligado à derrota da sua equipa por ter falhado no lance do golo, mas... por quantos mais teria o Tondela perdido não fosse pelas suas defesas? 

E o "15", aquele imbecil do 15 de que nem quero escrever o nome, era mesmo quem lhe enfiasse uma murraça no nariz, provocador de m. Até parecia que alguém lhe tinha oferecido uma mala para arrancar algumas expulsões.

Quanto a Luís "continuas a correr de costas... porque gostas" Godinho, nada de muito relevante, embora os anti-corpos recíprocos tendam a exacerbar qualquer pequena insignificância. Segundo o tribunal d'O Jogo, parece ter ficado um segundo amarelo por mostrar a um tondelense já perto do final, mas confesso que não tenho memória do lance.




E assim nos colocámos como queríamos antes de visita à Luz: à frente deles. Que esta "conquista" sirva apenas para nos motivar a dar tudo para sair de lá com 4 pontos de avanço e NUNCA para nos fazer adormecer à sombra do "empate basta". Não só porque é estúpido em si mesmo, mas também porque tende a induzir o pior resultado de todos.

Nota final para o Braga, que venceu categoricamente no Jamor (para variar) e subiu ao primeiro lugar isolado com todo o mérito. Não sou fã do trolha nem do "livro foleiro de auto-ajuda", mas reconheço o bom trabalho que têm feito e a oportunidade histórica de lutarem pelo título.

Isto para nos relembrar que lampiões há em todo o lado, com nomes e cheiros diferentes, mas sempre lampiões. E que teremos, uma vez mais, de os derrotar a todos para voltar a festejar nos Aliados em Maio de 2019. Vamos a isso?



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




sábado, 20 de janeiro de 2018

Campeões dos Nervos


Pronto, já está. Só foram precisos quatro dias para voltarmos ao primeiro lugar. Foi rápido, mas não foi fácil.

O primeiro golo de noite aconteceu ainda antes do jogo começar. Edinho, nos descontos, limpou dois pontos aos labregos de Carvalho e Saraiva (e aos demais sportinguistas também, que, na pior das hipóteses, só são culpados de terem eleito o primeiro).


Foto de Catarina Morais / Kapta +

Aquele magnífico e inesperado boost de moral certamente terá contribuído para uma entrada em campo ainda mais entusiástica e determinada, mas também algo precipitada. Mas as prendas ainda não se tinham esgotado. Depois de Edinho, foi um jovem de nome Sulley a oferecer de bandeja dourada a Marega o primeiro golo da noite - que, por incompetências várias, acabaria por ser também o único.

Chegou bem cedinho a vantagem, o que faria prever um jogo tranquilo e afirmativo. Depois de passar a semana a ouvir latidos e grunhidos de toda a espécie a propósito do jogo que não pudemos concluir por responsabilidade de terceiros (ou segundos, se se concluir que foi mesmo do Estoril), era crucial não deixar fugir a oportunidade de voltar a olhar de cima para todos os demais.

No entanto, o que se passou foi bem diferente. 

Oportunidades para marcar uma mão-cheia de golos não nos faltaram, verdade seja dita, mas fosse pela inépcia dos nossos na hora H, fosse pela cegueira selectiva das toupeiras do apito, fosse pela obstinada oposição do melhor em campo - Cláudio Ramos, o valoroso guarda-redes do Tondela -, não conseguimos nunca ampliar a vantagem e enquanto o apito final não soou, pairou sempre o espectro da "desgraça" sobre as nossas cabeças.

E não foi por o adversário ter estado muito perto de marcar, creio que nem uma oportunidade flagrante teve, mas porque o Porto nunca conseguiu ter o controlo do jogo e muito menos o seu domínio. O período que se seguiu ao golo foi quase surreal, tal a incapacidade para ter e segurar a bola. Foram mais de 15 minutos literalmente aos papéis, mesmo criando um par de oportunidades para fazer o segundo. 

Como se não bastasse, Felipe, Marcano e puseram-se com parvoíces em zona proibida, aumentando ainda mais a desconfiança que inexplicavelmente se gerou entre os jogadores por essa altura. Foi só depois da meia-hora que conseguimos acalmar e recuperar um pouco do controlo do jogo.

O intervalo chegou com duas certezas quase paradoxais: que tínhamos feito outro primeiro tempo muito fraco e que deveríamos estar a vencer por dois ou três, se Corona fosse um tipo ligeiramente mais sortudo, tanto a rematar na "cara" do golo como a conquistar o provável penálti sofrido que, naturalmente, as toupeiras voltaram a nem sequer "telever".

O segundo tempo resume-se em poucas linhas. 

Até aos 85 minutos, houve o Porto a tentar ampliar, o Tondela a tentar não sofrer mais e a arbitragem a gozar o prato. A partir daí, passou o Tondela a tentar marcar e o Porto a "rezar" para não sofrer. E a arbitragem? Imagino que estivessem a rezar em sentido oposto...

Mais quatro ou cinco golos desperdiçados e/ou evitados por Cláudio Ramos e o(s) penálti(s) da praxe a ficarem fechadinhos a sete chaves na Cidade do Futebol. É isto o campeonato português de 2017/18: penáltis, só a favor dos outros, mesmo se inexistentes.

O alívio colectivo que chegou com o último apito deve-se ter ouvido em Setúbal...

No final do dia, alargamos a vantagem sobre o segundo classificado ou, na pior das hipóteses, reconquistamos o primeiro lugar. No entanto, a equipa voltou a dar mostras de estar a atravessar dificuldades, eventualmente por debilidade física, que facilmente se alarga ao domínio mental. Algo a ser analisado e combatido com muito atenção pela equipa técnica, porque não se admitem mais tropeções sem consequências gravosas. Sofrimento à parte, não se podia pedir melhor. Aproveitemos, pois, que hoje o dia é de festa.





Notas DPcA 


Dia de jogo: 19/01/2018, 21h00, Estádio do Dragão, FC Porto - CD Tondela (1-0)


José Sá (5): Pois é, sente-se que está a entrar numa espiral negativa de insegurança própria e desconfiança alheia. Esteve quase sempre bem com as mãos, mas também quase sempre mal com os pés, mesmo sem pressão para errar. Tem a palavra SC.

Ricardo (6): Jogo muito completo, sem nunca desanimar mesmo perante a dificuldade em meter com "regularidade" um bom último passe.

Alex Telles (6): Menos "Alex" que o habitual, mas ainda assim um dos melhores da equipa. Ontem não houve assistência, embora tenha feito por isso.

Marcano (6): Alguns tremeliques iniciais, prontamente corrigidos rumo a uma exibição segura, com destaque para aquele corte providencial após a herrerice da noite.

Felipe (6): Melhor que nas últimas partidas, mas ainda assim alternando momentos melhores e piores durante o jogo. Pelo menos, pareceu um pouco mais calmo...

Danilo (7): Dos mais importantes nos períodos difíceis do jogo, não só cumprindo bem o seu papel como também disfarçando algumas herrerices aqui e ali.

Herrera (5): Eu tinha avisado. O Herrera desta época, que pegou de estaca e relegou Óliver para o esquecimento (not), não é o Herrera a que estava habituado. Fiquei obviamente muito feliz por o "conhecer", mas o outro nunca chegou a sair dos meus pesadelos. Ontem, vi mais do outro do que do renovado. E voltei a ter pesadelos herrerosos, especialmente quando decidiu "vingar" Sulley e oferecer o golo ao Tondela.

< 78' Corona (6): Teve tudo para sair do jogo em ombros: oportunidades de golo (uma clarinha) e penálti sobre ele. Se tudo tivesse corrido bem, tinha sido uma noite em cheio. Assim, ficou só o esforço e a certeza de que pode (e deve) muito mais.

< 88' Brahimi (5): Se não entrou em campo "lesionado", pelo menos parecia acreditar (ou temer) que assim fosse. Muito retraído, receoso de meter o pé ou sequer esticar a perna, foi quase uma sombra durante o primeiro tempo. Depois soltou-se um pouco, talvez mais crente na sua recuperação, mas nunca em pleno. Sentia-se que não estava a 100% no jogo e, pelo que produziu, deveria ter saído bem mais cedo. Acontece que a sua presença em campo acaba por ser incomodativa mesmo sem mexer um dedo. Assusta o adversário, obriga-o a pensar duas vezes antes de se aventurar em força em terrenos mais avançados. Isso, e o facto de, num lance, conseguir resolver um jogo, terão forçado a sua permanência.



Melhor em Campo Marega (7): Já escrevi que o "verdadeiro" melhor em campo foi o GR do Tondela, mas Marega, ao marcar o golo que definiu o resultado, tem de ser considerado o jogador mais influente da partida e, portanto, é justo "delegar-lhe" a distinção. Até porque não se limitou ao golo, criando outras oportunidades para a equipa ampliar.

< 78' Aboubakar (6): Não foi noite de Aboubakar, mas todo o trabalho colectivo que se lhe exigia foi cumprido. Momento mais alto, a cabeçada ao poste.

> 78' Hernáni (6): Quis voltar a mostrar serviço a justificar a confiança em si depositada, mas foi preciso esperar quase até final para lhe ver um grande remate que só uma defesa ainda "maior" impediu que festejasse efusivamente (e nós com ele). O melhor que se pode dizer é que a equipa não piorou com a sua entrada, o que, num resultado de 1-0, não é despiciendo, de todo.

> 78' Sérgio Oliveira (5): Ora cá está ele de regresso, sem surpresa à porta de mais um clássico. Entrou para ganhar ritmo, pois claro, que quarta há trabalho a fazer. Não entrou mal... nem bem, encaixou-se num miolo em fase de muito combate e pouco discernimento e foi à luta, mesmo sabendo-se que não são essas as suas melhores "armas".

> 88' Soares (-): Nada a relevar.

Sérgio Conceição (6): Ui, ui, Sérgio... parabéns pela reconquista da liderança e blá blá blá, mas a verdade é que a coisa esteve por um fio. Mesmo que fosse um fio invisível, porque o perigo que o adversário criou nunca foi muito real, mas todos sabíamos que ele lá estava, a segurar a poderosa espada sobre as nossas cabeças. É evidente que a equipa atravessa dificuldades - olha, calha bem ser em fase de mercado aberto, não é, senhores da SAD? - e cabe-lhe a ele encontrar soluções. Se a primeira parte com o Estoril foi a pior da época, esta com o Tondela não lhe ficou muito à frente. O maior elogio que ainda assim se pode fazer é que, mesmo sem conseguir controlar o jogo, fomos criando muitas e boas ocasiões para marcar. Algumas, vá. E em "condições normais" teríamos marcado mais. Mas, caro Sérgio, já sabemos que este não é um campeonato normal...


Outros Intervenientes:


Sim senhor, caro Pepa, assim dá gosto ver uma equipa jogar. Não estou a ironizar, gostei de verdade da atitude e do jogo do Tondela, só lhe faltando conseguir criar oportunidades flagrantes de golo. Sim senhor. A grande dúvida é só uma: em que buraco se esconde este Tondela noutros jogos? Um bom amigo, self-made-expert da bola, "mensajou-me" durante o jogo a chamar a atenção para o central venezuelano Osório, e a partir daí reparei que de facto tem "pinta" de jogador, a defender e a sair com bola. No entanto, tanto ele como o possante Hélder Tavares ficaram ontem na penumbra, quando comparados com a radiante exibição de Cláudio Ramos (mais uma).

Oh ooohh, I'm an alien, I'm a legal alien in futebol... (Foto de Catarina Morais / Kapta +)

Escrever sobre Luís Godinho é um exercício penoso, porque é claramente alguém que está no sítio errado a fazer a coisa errada. O homem deve ser bom em muita coisa, mas árbitro de futebol não é, mesmo que lhe emprestem o equipamento completo. Muitas decisões técnicas mal avaliadas, critério disciplinar pouco claro e, mais do que tudo, ausência total de bom-senso, de que é exemplo maior a forma como apita para intervalo e interrompe um contra-ataque do Tondela. Repito, árbitro não é. 

O Porto foi claramente prejudicado nos lances capitais (discutem-se, "apenas", 3 penáltis) mas, não por milagre, o golo foi bem invalidado pelo VAR Artur Soares Dias que, por felicidade, tinha acabado de acordar nesse preciso instante. Antes, fartou-se de ressonar enquanto se babava, de tão confortável que estava na sua poltrona verde e vermelha da Cidade do Futebol. 

Aqui fica a minha visão sobre os três lances:

29' - Corona parece ser agarrado por Joãozinho, mas não consigo dizer com certeza que o foi de forma a fazê-lo cair, pelo que admito que o VAR também não tivesse a certeza;

53' - É evidente que Ricardo Costa desvia um remate com o braço que, não estando junto ao corpo, também não estava ostensivamente aberto. Foi um meio termo, cotovelo aberto e mão junto ao corpo, que o árbitro considerou normal. Por mim, se o critério fosse sempre esse, aceitava que não se marcasse; o problema é que não é.

60' - Aqui não tenho qualquer dúvida de que Osório joga intencionalmente a bola com a mão/braço, penálti claro que ficou por marcar. Se ao toupeira Godinho se admite a ínfima possibilidade de não ter visto, do soneca Soares Dias não se aceita nenhuma desculpa - na repetição, é clara a infracção.


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Segue-se a meia-final da Taça da Liga contra o Sporting & Labregos, Associados. Em teoria, temos a upper hand mental, após os resultados de ontem. No entanto (e até por isso), o adversário vai querer provar (a si próprio) que consegue dar a volta e superiorizar-se a nós. Teremos de encarar o jogo como se fosse a própria final, pela Taça da Liga e por tudo o que se lhe seguirá até final da temporada.


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Onde Está a Bola? #59


Está dobrada a metade do campeonato, pelo que é tempo do primeiro jogo da segunda volta em nossa casa. Mais uma vez, será fundamental vencer para dar seguimento a esta caminhada que, no final, se espera que seja triunfal. Nada como receber mais uma das filiais dos sem-vergonha para espicaçar o espírito, desta vez o Sport Tondela e Benfica. Na sexta dia 19, pelas 21 horas, saberemos recebê-los como merecem, com dois desses anfitriões da "boa-vontade" a serem patrocinados pelo Onde Está a Bola? (OEaB?), o vosso passatempo de referência quando se trata de ir ao Dragão com sabor a pato.


Onde Está a Bola? #59



Respostas possíveis #59 (Tondela):

A - Bola Azul
B - Bola Laranja
C - Bola Castanha
D - Bola Púrpura
E - Não há nenhuma bola escondida 


Já descobriu? Então deixe o seu palpite na caixa de comentários, tendo em atenção as seguintes regras de participação:


1 - Escrever a resposta que considera acertada na caixa de comentários deste post, indicando igualmente um nome e um email válido para contacto em caso de vitória.

2 - Entre os que acertarem, serão sorteados os vencedores através da app Lucky Raffle (iOS).

3 - Para ser elegível para receber os bilhetes, deverá fazer o obséquio de:

   a) Comprometer-se a enviar-me duas ou mais fotos da sua ida ao estádio (pelo menos uma selfie) nas 48h seguintes ao jogo, acompanhadas da resposta à pergunta "Como foi a sua ida ao Estádio?" (duas frases bastam, desde que venham do fundo da Alma Portista...);

   b) Registar e confirmar o seu email (nas "Cartas de Amor", na lateral direita do blogue);

   c) Seguir o FB e o Twitter do DPcA (basta clicar nos links e "gostar" ou "seguir"). 
   Quem não tiver conta nesta(s) rede(s) não será excluído, mas... cuidado porque o Lápis vai investigar :-)

4 - Apenas será aceite uma participação (a primeira) por cada email válido.

5 - Cumpridos todos os critérios, o vencedor sorteado será contactado através de um email onde encontrará instruções sobre como e quando levantar os bilhetes.

6 - Se já tiver Dragon Seat ou outro tipo de acesso, poderá oferecê-los a um amigo ou familiar que não tenha a mesma sorte.

7 - A edição #58 deste passatempo termina às 22h00 de 18 de Janeiro e o vencedor (a quem será enviado um email logo após o sorteio) terá de reclamar o prémio até às 11h00 de dia 19.

8 - Se o vencedor não reclamar o prémio até à data e hora referidas no ponto anterior, será contactado o primeiro suplente. Se o primeiro suplente não reclamar o prémio até ao prazo limite indicado no email de contacto, será contacto o segundo suplente (e assim sucessivamente até que um sorteado reclame o prémio).

9 - A edição especial anual do passatempo tem um novo critério: o da melhor selfie. Todos os vencedores de edições anteriores ficarão automaticamente habilitados. Mas não só: todos os concorrentes de todas as edições podem participar, desde que também enviem as suas selfies no Dragão em dia de jogo (email para envio das fotos: lapisazulebranco@gmail.com )

E é só! Concorra e divulgue, queremos o Dragão sempre cheio de Portistas!


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A terminar, o fecho de contas da edição anterior, a #58.


#58 - V. Guimarães

 

Resposta certa: D - Bola Preta

 

Vencedor: Manuel Jesus Tavares!



Primeiro, a comparação entre imagem original e modificada.



A seguir, os habilitados ao sorteio e respectivo vencedor.



Por fim, a compilação das fotos enviadas pelo Manuel, onde a estrela maior é a sua bem-agasalhada irmã Maria José, e a suas duas linhas sobre esta jornada no nosso Dragão:


"Numa noite fria e que até ao início da segunda parte se avizinhava terminar gelada e com 3 graus a menos, lá conseguimos, com muita garra, vontade de vencer e alguma magia à mistura (patrocinada pelo mago Brahimi) contornar isso! Continuamos assim o nosso caminho, invencíveis!

Mais uma vez obrigado pelos bilhetes e parabéns pelo excelente trabalho com o blog!"

Sempr'às ordens!



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




quinta-feira, 17 de agosto de 2017

À Prova de Fantasmas


Fui um dos milhares de Portistas que estiveram em Tondela no passado domingo, a apoiar e sofrer com as aventuras e desventuras da novel equipa de Sérgio Conceição. Além de nós, também lá estiveram umas centenas de "tondelistas" - o "istas" é para manter a terminação segunda-circularista do seu outro clube do coração. 




Não sei se repararam, mas também lá estiveram duas alminhas (de)penadas, a pairar sobre as nossas aspirações como abutres sobre um prenúncio de carcaça eminente. Fantasmas de Verões passados, um com cortezinho à palerma e pronúncia basca, outro com cara de prolongada obstipação e flipchart ao ombro. If you know WHOM I mean.

Aquele futebol sem ideias, lateralizado ou de chuto para a frente - em qualquer caso bloqueado, à espera de um milagre vindo da estratosfera para salvar o dia, fez-me recordar agruras recentes com as ditas personas (non gratas, obviamente). E esteve para durar, esse futebol.

Poderemos sempre especular sobre o que teria sucedido de diferente se o VAR(eja) tivesse "sugerido" ao árbitro principal uma pausa para análise do lance sobre Marega, nomeadamente sobre a forçosa alteração de planos de um Tondela ultra-defensivo se a grande penalidade tivesse sido assinalada e convertida. 

Podemos, sim, mas de nada adianta. Porque eu e vocês sabemos que não podemos contar com isso. Sabemos que temos de jogar para criar vários lances de penálti, só para assegurar que pelo menos um deles seja assinalado. É o nosso fado, sem Fátima que nos valha.

Sofri a bom sofrer durante os 90 minutos, primeiro por temer não conseguir marcar, depois a desesperar por um segundo golo-almofada e finalmente por antecipar um golo do adversário que felizmente nunca chegou.

Ganhar era o mais importante e ganhamos. Nada de desvalorizar ou inverter as prioridades. Este era, na minha opinião, um dos jogos cruciais da temporada. E saímos dele ilesos. Bravo por isso. Mas...

...vai ser preciso mais. Mais plantel, mais qualidade de jogo e mais treinador. 

Do plantel já tinha falado no jogo com o Estoril, é curto e demasiado exposto a lesões ou castigos. 

Quanto ao jogo jogado, as primeiras indicações vindas desse jogo inaugural (até ao golo oferecido a Marega) replicaram-se em Tondela e por períodos mais extensos. Descontando algumas bolsas de esperança, a primeira parte foi toda assim. Bloqueada por um adversário defensivo e pela nossa incapacidade de o desbloquear. Eu sei que não é fácil, mas é importante diversificar, tentar coisas diferentes que confundam e desposicionem este tipo de oponente. Sem mudar peças nem tácticas.

O golo foi um calmante temporário que não descansou ninguém. À segunda (também conta), Abou conseguiu metê-la no fundo da baliza, após um remate falhado de Telles que parou no jogador certo. Foi importante ir para o descanso em vantagem, mas sabia-se que sem um segundo, não haveria sossego possível.

Talvez por isso, entrámos fortes e determinados no segundo tempo, à procura desse golo. Tentámos mas não conseguimos. E automaticamente, os fantasmas começaram a acenar lá de dentro das cabecinhas dos nossos, com destaque para o mais insuspeito: Sérgio Conceição.

Entendo bem o que quis passar no pós-jogo, mas a verdade é que, mexendo como mexeu, arriscou tudo na probabilidade de o Tondela não marcar. Porque, se marcasse, não tínhamos "equipa" para ir atrás do segundo. E isso não me agrada em campo nenhum, muito menos contra os Tondelas desta vida.

Houve, uma vez mais, San Iker e sus muchachos para manter a salvo os três preciosos pontos e salvar o dia. Mas certamente não será sempre assim. Há que melhorar, rapidinho, enquanto continuamos a ganhar - treinador incluído, como aliás venho dizendo desde que foi contratado. Learning by doing, Sérgio.


Fotos da Curva



Notas DPcA 


Dia de jogo: 13/08/2017, 20h15, Estádio João Cardoso, CD Tondela - FC Porto (0-1)


Casillas (7): Falhou uma vez e foi salvo; antes e depois, salvou-nos do pior. É para isto que serve ter uma lenda na baliza. Gracias. 

Ricardo Pereira (6): Muito interventivo e com boa qualidade de jogo, tanto a defender como a "ofender". Faltou a assistência para ser mais vistoso.

Alex Telles (6): Também bem lançado na ofensiva, embora mais vigilante por ter Brahimi como parceiro. Tentou ser decisivo no último passe mas ainda não foi desta - pelo menos, intencionalmente...

Marcano (7): Muito trabalhinho e quase sempre realizado com distinção. Bom posicionamento e tempo de abordagem. E muita coragem. Também um e outro deslize, felizmente sem consequências.

Felipe (6): Naturalmente também com muito a fazer mas um pouco menos de acerto face a Marcano. Pareceu algo nervoso a espaços. Mas globalmente bem.

Danilo (5): Continua a pré-época, pouco jogo lhe sai bem dos pés e o posicionamento ainda se recente da condição sub-óptima (física e mental). Arriba homem, que já se vai fazendo um pouco tarde.

< 69' Óliver (7): Outra vez um dos melhores, pelo afinco defensivo e pela qualidade que foi imprimindo ao jogo ofensivo. Não entendi (de todo) a sua saída.

< 84' Corona (6): A intermitência é a sua imagem de marca (infelizmente...), mas nos momentos de "luz" é capaz de quase tudo. Teve vários lances desses, que só não acabaram em golo por culpa de "outrem". Mas são excepções, precisa de dar mais durante mais tempo.

Melhor em Campo Brahimi (7): Sempre em busca do espaço, existente ou por si inventado, usando e abusando da sua superlativa qualidade técnica. Conseguiu ainda ser mais constante ao longo de toda a partida. Analisando bem, só ele poderia ser o meu MeC.

< 80' Aboubakar (6): Marcou e bem precisava(mos), mesmo se só à segunda tentativa. Quase bisava, num excelente gesto técnico, mas foi o poste quem mais ordenou. Pelo meio, muito trabalho e alguma inspiração.

Marega (6): Primeira parte comprometedora para as suas mais recentes ambições, a denotar várias falhas "técnicas" difíceis de tolerara a este nível. Para compensar, fez uma segunda metade de muito valor e não apenas pelo esforço e sacrifício: jogou futebol de bom nível a espaços.

> 69' Herrera (5): Se não me falha a memória, as primeiras 4 ou 5 vezes que participou no jogo fez asneira. Nas restantes, foi alternando entre o aceitável e o medíocre. Enfim, lutou.

> 80' André André (5): Aposta definitiva para segurar o resultado, entrou e ajudou nesse esforço sem se destacar.

> 84' Layún (-): Entrou para fechar ainda mais e aguentar, nada a relevar.

Sérgio Conceição (6): Delineou e adaptou a estratégia em função do que leu do jogo. Ganhou, teve razão. Mas...





Outros Intervenientes:



Tirando o estádio maneirinho e a terra simpática que lhe dá nome, não gosto do Tondela. Do treinador candeeiro ao presidente mimado, passando pelos caceteiros de verde e amarelo, não gosto de nenhum. E por isso não vou destacar ninguém. É assim quando amuo.


Quanto à arbitragem, sou dos (poucos?) que acreditam na qualidade e imparcialidade de Fábio Veríssimo. Creio que decidiu muitas vezes bem e até por isso me interrogo sobre o "procedimento" naquele lance sobre Marega. Vi as repetições várias vezes e honestamente não consigo dizer que é falta nítida (ainda menos se dentro ou fora da área), pelo que aceitaria ambas as decisões, mas o que não entendo é como é que ninguém na equipa de arbitragem teve dúvidas. Se isto não é lance para ser analisado pelo VAR, o que é?



É importante que fique claro que estou muito contente e aliviado com esta vitória. Onde outros falharam clamorosamente, Sérgio teve sucesso. Isso não é um pormenor, é quase-tudo neste momento. Fundamental é ganhar. 

Não deixo é de salientar o enorme risco que, em meu entendimento, corremos ao fazer aquelas três substituições em conjunto. Mas o treinador é ele, não eu. E ele acertou, assim nos diz o resultado.

Venha o próximo, que as férias podem esperar. Bilhetes para o Moreirense aqui (últimas horas).


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Parabéns a Raúl Alarcón e ao FC Porto - W52 - Mestre da Cor (esta é a minha ordem das coisas) pelo triunfo na 79ª Volta a Portugal!



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




domingo, 19 de fevereiro de 2017

Recital em Desperdício Menor


Pronto, está feito. Encerrámos o ciclo pré-Juventus com total aproveitamento. Cinco jogos na segunda volta, cinco vitórias e mais 15 pontos. Exactamente o que era preciso para manter bem vivas as aspirações de festejar nos Aliados em Maio.



O último destes cinco jogos, este contra o CD Tondela, prometia ser o mais acessível de todos, mas a verdade é que o resultado final avolumado não diz das dificuldades por que passamos até ao momento do jogo - a expulsão de Osorio. Para lá da polémica e do marcador gordo, sobram as inúmeras oportunidades esbanjadas e um jogo bem agradável de se ver. Uma espécie de recital em desperdício menor.

Mesmo não desconsiderando a importância do penalti e consequente primeiro golo, que desbloqueou o marcador e nunca permitiria ao Tondela jogar com a mesma tranquilidade que o precedeu, o lance da expulsão foi mesmo o mais determinante, porque desequilibrou (ainda mais) as forças em combate.

Note-se que até começamos bem o jogo, com Soares a desferir uma cabeçada com selo de golo logo a abrir. E entretanto, mais algumas boas situações não aproveitadas. Onde houve surpresa foi na fragilidade defensiva da equipa, que durante vários minutos revelou muita dificuldade para acertar as marcações aos avançados contrários. A exemplificar essas dificuldades, a contagem de cartões após trinta minutos de jogo: 3 para o Porto e 1 para o Tondela. Ocasiões de verdadeiro perigo, não me lembro de nenhuma, o que explica a seca que Iker apanhou durante noventa minutos. 

A segunda parte teve pouca história, mas o jogo não deixou de ser interessante, sobretudo até ao terceiro golo. De forma algo surpreendente, apanhámos o Tondela várias vezes em contra-pé, partindo para rápidos (contra-)ataques, onde o desperdício foi quem mais ordenou.

Algumas perdidas realmente espetaculares, que se agradece o favor de não se repetirem, em especial contra o próximo adversário. Ainda assim, suficiente para ganhar tranquilamente por quatro. Missão cumprida, uma vez mais. Siga.


Celebração do 1-0

Notas DPcA 

Dia de jogo: 17/02/2017, 20h30, Estádio do Dragão, FC Porto - CD Tondela (4-0). 


Casillas (6): Defendeu um remate acessível e saiu a soco num livre, de resto foi o trigésimo quinto milésimo ducentésimo décimo primeiro espectador (ufa).

< 69' Maxi (6): Está claramente em fase ascendente, o que significa que consegue disfarçar melhor o peso da "experiência". Um jogo certinho, muito aceitável, mas não mais do que isso.

Alex Telles (6): Menos "expressivo" do que vem sendo habitual, aliás uns bons furos abaixo na primeira parte, sugerindo alguma falta de concentração. Melhorou na segunda, mas não ao ponto de me fazer compreender como possa ter sido eleito MVP pelo público do Dragão.

Marcano (6): Tal como Felipe, andou um bom bocado aos papéis na fase embrionária da partida, o que por pouco não nos custou um dissabor (ou mais). Não apenas por sua culpa, a falha é claramente organizacional, mas também "participou". Recompôs-se, mais do que a tempo para justificar nota positiva.

Felipe (6): Pareceu perdido a determinada altura do jogo, tal a velocidade e trocas posicionais dos avançados adversários. Só com o intervalo já à vista é que a defesa estabilizou, mas o amarelo que o impedirá de jogar no Bessa já ninguém poderia anular. Segunda parte tranquila, fruto da inferioridade numérica do Tondela.

Rúben Neves (7): Creio que foi por ele que a equipa começou a defender tão mal, não porque não estivesse lá a dar o seu melhor, mas porque ocupou a vaga do (por agora) insubstituível Danilo, cujo magnetismo é o elo mais forte da nossa segurança defensiva. Nem no passe esteve particularmente bem nessa primeira meia hora, mas a hora que lhe seguiu foi de bom nível, em especial considerando a sua falta de ritmo. A cereja foi o seu golaço, daqueles que dá sempre vontade de continuar a rever.

André André (6): Na fase pior da equipa, pareceu sempre lento, pouco intenso e desligado dos movimentos colectivos (ou a desligá-los ele próprio). Subiu, "encontrou-se" e fez uma boa segunda parte, daquelas que justificaram a sua contratação ao Guimarães. Destaco alguns passes a rasgar, coisa que se lhe tem sido pouco vista esta época.

< 64' Otávio (6): Foi bom testemunhar o seu regresso à titularidade, ainda por cima confirmando que está a caminho de recuperar a sua boa forma. Não chegou ainda, nota-se bem, mas para lá caminha. Em boa hora. Teve duas oportunidades na cara do redes (uma em cada parte) que não conseguiu aproveitar, com destaque para a segunda, onde era mesmo "só" encostar com doçura.


A alegria do papá Rúben a contagiar os adeptos

Corona (7): Sempre muito irrequieto e com vontade de partir para cima dos adversários, o que tende a garantir alguma concentração de "olhares" sobre si, libertando outras zonas do relvado. Nem sempre foi feliz nas iniciativas, mas contribuiu para várias jogadas que mereciam ter terminado no fundo da baliza tondelense, com destaque para aquela onde, isolado, preferiu passar a AS, só que a bola saiu um pouco forte demais.

< 64' Melhor em Campo Soares (8): Isto começa a ser um caso sério. Terceiro jogo, terceira distinção de MeC. Juízos à parte, foi protagonista principal nos lances do penalti e da expulsão, para lá de ter marcado um belo golo. E de ter moído a paciência à defesa do Tondela, sendo o primeiro a criar sensação de golo, logo ao minuto 3. Sem dúvida, o jogador mais influente para o desfecho final - pela positiva, obviamente. A única mancha no cv foi aquela perdida incrível frente ao redes, ainda por cima com AS a seu lado completamente só.

André Silva (8): Talvez o seu primeiro penalti marcado de forma irrepreensível, com toda a calma e colocação. Até então, andou a fazer o seu meritório trabalho de desgaste do adversário, e depois disso continuou a fazê-lo. Teve ainda tempo para falhar um golo (quase) fácil e para assistir Jota para o quarto. Em resumo, fez tudo o que se pede a um avançado.

> 64' Diogo Jota (7): Entrou com ganas, ligado à corrente, e deu mais poder de fogo à nossa já evidente superioridade. Para mim, é sempre agradável encontrar motivação em quem entra, mesmo quando o jogo já está resolvido. Talvez por isso tenha sido recompensado com a honra de fazer o último da noite. Dois jogos a partir do banco, dois golos. Que bom.

> 64' Óliver (6): Surpreendeu-me a sua não-titularidade pela segunda vez consecutiva, mas entrou para o jogo como se nada fosse. Aplicado e com vontade de mostrar valor, ainda que nem sempre com sucesso, ajudou a equipa a manter a pressão alta.

> 69' Layún (6): Um regresso que muitos esperavam ter acontecido logo no onze inicial, ajudou a limpar-lhe a última má impressão que deixou com o Rio Ave. Sem ritmo, como seria de esperar, mas com vontade de o recuperar.

NES (7): Voltou a optar por uma dupla de médios, desta vez sem Danilo, e manteve os dois avançados e dois "extremos", sendo Otávio um falso, porque joga quase sempre por dentro. Contra este adversário, pareceu-me bem no papel. Na práctica, a equipa ressentiu-se da falta de homens no meio - ou da falta de Danilo - e demorou a conseguir o controlo do jogo, que só aconteceu com o penalti e expulsão. Tivesse sido concretizada uma das oportunidades madrugadoras e talvez o problema não se colocasse desta forma, mas o jogo foi o que foi. A equipa acabou por cumprir e passar o teste com distinção, pelo que o treinador deve ser reconhecido pelo feito. Bem Nuno, para variar.



Outros Intervenientes:


Bom jogo do Tondela até ficar reduzido a dez, ao ponto de nos ter causado alguns calafrios com o marcador ainda imaculado. Não vou disparar sobre Pepa, porque compreendo a sua frustração, pela forma como o jogo mudou irreparavelmente em quatro minutos. Sim, que é lampião e noutro contexto semelhante não se surrealizou, mas enfim, cada um é o que é. Montou bem a equipa para dar luta no Dragão, com destaque para as exibições da motinha Jhon Murillo, o irrequieto Miguel Cardoso e o inspirado Cláudio Ramos.




Quanto a Luís Ferreira e sus muchachos, jogo difícil de avaliar. Ao vivo, fiquei com a impressão que no lance do penalti, a falta tinha sido de Soares e que o segundo amarelo tinha sido bem mostrado. 

Após rever uma série de vezes na televisão, quase que inverti a minha opinião: há de facto um agarrão claro do defesa à camisola de Soares, a preceder o seu próprio; de nada importa argumentar que esse agarrão não lhe provocou a queda, porque a falta acontece antes - bem assinalado, portanto.

Sobre o lance da falta que leva ao segundo amarelo, não consigo dizer com certeza se sim ou não, mas inclino-me para que o defesa já estivesse na posição, "parado", antes do contacto com Soares, e nesse contexto, a falta terá sido mal marcada - tal como o cartão. Mas não consigo garantir que foi mesmo assim, mesmo após uma dezena de revisões do lance. O árbitro só viu uma vez e decidiu na hora. Possivelmente mal, com prejuízo para o Tondela.


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Já a seguir, o muito aguardado primeiro embate contra a Juve, a contar para os oitavos de final da Champions. Um jogo onde só a transcendência nos pode deixar em condições de discutir o apuramento em Turim. E para que isso aconteça, nada como ter o estádio cheio. Pela minha parte, relembro que ainda podem concorrer para ganhar 2 bilhetes para esse jogo.

Antes disso, já hoje, temos o desafio entre o quarto e segundo classificados do campeonato português. Os meus votos é que se mantenham nessas posições quando o jogo terminar. Mas se assim não for, que não seja pelas reuniões solicitadas com carácter de urgência. 

Bem sei que falta de decoro, de vergonha e de noção de ridículo é uma constante naquelas bandas, mas não imaginem nem por um segundo que somos todos iguais. O "basta!" já foi dito, alto e em bom som (nem foi preciso microfone), e felizmente já se vêem alguns frutos a nascer dessa árvore. 

Relembrando os menos atentos, não nos interessa trazer os benefícios ilícitos e premeditados para o nosso lado, apenas queremos que ninguém deles beneficie - para que os erros dos árbitros voltem a ser aceitáveis, como têm de ser.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor