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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Unscontrósjoutros


Uns contra os outros. É esta a mensagem do "dia", explorada de forma oposta conforme o lado da barricada: "estamos todos uns contra os outros" ou "o que eles querem é pôr-nos uns contra os outros".





Se pertencermos aos 0,002% que constituem o establishment Portista, é a última a versão que vinga.

Se pertencermos aos 70% que constituem o establishment anti-Porto, a primeira é a única versão.

Mas, se por (in)felicidade cósmica, são, tal como eu, pertencentes aos restantes 29,998% dos portugueses que são Portistas (contas minhas, não gostam, azar), então há uma grande probabilidade de se sentirem divididos.

Por um lado, somos isso mesmo - Portistas, e tal acarreta um sentido de responsabilidade e seguidismo natural, próprio do adepto de qualquer grande clube de futebol; e, enquanto tal, a necessidade intrínseca de termos como verdadeira a segunda versão é considerável. 

Por outro lado, dando um pouco mais de uso ao cérebro que o Senhor nos deu, tudo se torna menos evidente e muito mais confuso.

Sim, é possível que tenha sido mais um dos muitos lacaios do polvo de Vieira (nome científico octopus orelhudus) a borrar a pintura do escritório de Adelino Caldeira, do restaurante-to-be da companheira do Xaninho e do portão da garagem de Madureira, o macaco líder dos Super Dragões.

É possível. Para fomentar a discórdia latente entre Portistas, devido à péssima gestão e consequentes resultados (ou falta deles) dos últimos anos. Possível e fácil de fazer.

Mas é igualmente possível (e provável?) que tenha mesmo sido um Portista, pouco importa se pertencente a uma claque ou não, a fazer as tais pinturas (nada) rupestres. Como não considerar essa hipótese?

Eu, por exemplo, sinto-me impelido a lavrar o meu protesto, ainda que sem saber bem como. Graffitar não seria a minha escolha, por motivos vários, mas outros métodos existem. Mas graffitar poderia muito bem ser a solução encontrada por muitos, dada a simplicidade e eficácia do processo.

Que provas têm os dirigentes Portistas para afirmar com tanta convicção que "certamente" não foram Portistas a perpetrar tais actos? Aposto que as mesmas que os merdia ao serviço da corja centralista, para dizer o seu contrário.




O que é factual é que as "pinturas" foram feitas. Por quem e com que intenção, só os executantes e/ou mandantes poderão esclarecer. Dada a ínfima probabilidade de isso vir a acontecer, fico-me pela dúvida iluminada.

Sei bem que são muitos, mesmo muitos, os que desejam um final trágico da liderança de Pinto da Costa - não pelo que representa na actualidade, mas antes pelos muitos anos de sofrimento e humilhações infligidas. Imperdoáveis em três vidas, quanto mais numa só. E burros como eles só, preferem hipotecar a continuidade do desgoverno actual (que tão bem lhes tem servido), apenas para verem satisfeita (uma parta d)a sua sede vingança.

Dentro da nossa barricada, há também "muitos" que já intuíram que esta Era já se possa ter esgotado faz tempo. E, consequente e racionalmente, clamam pelo aparecimento de novas propostas para liderar o clube. E nesta linha de raciocínio, não é complicado conceber que "um de nós" tenha levado a cabo estas pinturas de revolta, filhas da impotência de não encontrar quem possa dar outro rumo ao Clube. Fácil de conceber e de aceitar. 


Então em que ficamos? Revolta interna ou intromissão externa para promover a insurreição?

Desculpem, mas não sou capaz de responder. Não tenho certezas porque não conheço os factos. Mas mais relevante do que isto, será saber o que não se pode deduzir daquilo que (não se) sabe. Mais importante do que saber quem são os autores, é inferir da validade da(s) mensagem(s):

- Será correcto e justo chamar à pedra Adelino Caldeira por ser "abutre e comissionista" e responsável pela contratação de Depoitre?

- Será apropriado "marcar" o novel restaurante de Alexandre Pinto da Costa (ganho com muito suor) como sendo residência de um "traidor" e servente do "polvo à la carte"?

- Terá Fernando Madureira responsabilidades na perpetuação do status quo, ao ponto de ser apelidado de "mamão" e precisar de acordar o Super Dragão que há dentro dele?
 
Sem provas, não acuso.




Nada me garante (sem possibilidade de ser contrariado) que Adelino Caldeira seja o pior dos piores da SAD Portista. Que é co-responsável, ninguém pode negar, é uma inerência do cargo que ocupa há largos anos. Se foi dele que partiu a iniciativa de contratar Depoitre, também não sei - mas "dizem-me" que não. Portanto nim, não sei se é justo isolá-lo dos demais administradores e presidente da SAD, mas sim, tem quota-parte da responsabilidade de tudo o que lá se passa e, portanto, de tudo o que de mau se passou nas últimas épocas.

É público que Alexandre tem vivido à custa do FC Porto e ainda não encontrei respostas válidas, que justifiquem a necessidade do seu envolvimento nos negócios onde beneficiou de avultadas comissões. E como todos sabemos, tempos houve em que se associou ao lampião José Veiga e com ele conspirou contra o Porto., estando inclusive envolvido no ingresso de ex-portistas no Benfica. Portanto sim, parece-me válida a mensagem.

Já sobre o Macaco, não consigo dizer. Que o vejo em (quase) todos os jogos a liderar a claque que mais puxa pela minha equipa, é um facto, e um que merece ser positivamente valorizado. Se beneficia pessoalmente da venda de bilhetes a membros da claque e a adeptos normais, não sei. Muitos dizem que sim, mas ninguém me apresentou provas até hoje. Não é por ter decidido tirar um curso superior que o vou criticar: bem pelo contrário, felicito-o por o ter feito e incentivo outros com "idênticas" aspirações a fazê-lo. 

E sobre as supostas aspirações de Fernando Madureira a integrar os quadros do clube e da SAD? A serem verdadeiras, são perfeitamente legítimas, tal como as de qualquer outro Portista. Já sobre o valor acrescentado que poderia trazer, a questão é totalmente diferente, bem como a minha resposta. Mas uma que nem sequer vou abordar, até que esse cenário se perspective.




O que sobressai de tudo isto?

Que a bola não tem entrado o suficiente nas balizas adversárias. Provavelmente, porque não temos avançados em quantidade e maturidade suficiente. Certamente, porque Nuno não tem demonstrado a habilidade necessária para liderar um plantel do melhor clube português. Definitivamente, porque os árbitros não nos apitam de acordo com as Leis do Jogo.

Em graus diferentes, mas todas estas evidências concorrem para a situação actual. Valorizar mais uma ou outra (como eu fiz, pela escolha dos advérbios), dependerá sempre do ponto de vista. O meu é seguramente parcial, mas sempre honesto. Tomara a muitos supostos "imparciais" poder dizer o mesmo sem se rirem.



Nota final: Francisco J. Marques tem-se destacado como "ponta-de-lança" da nossa nova estratégia de comunicação "institucional" e tem marcado muitos "golos" nesse papel. Merece, portanto, o meu aplauso, conforme já referi. No entanto, há uma linha muito ténue que separa a defesa dos interesses do Clube da defesa dos interesses da direcção do clube (muitas vezes, contra os próprios Portistas) e Francisco J. Marques, como todos os demais no Porto, deve ter muito cuidado para não pisar essa linha demasiadas vezes. Uma por outra, sem nunca insultar Portistas, ok, a malta tolera. Mas insistir nisso fará como que muitos, que hoje estão ao seu lado, o vejam como apenas mais um ao serviço da direcção. E isso seria um desperdício. E injusto, sobretudo para o Francisco.




Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




terça-feira, 13 de dezembro de 2016

JN (Jorge Nuno) Direto


Notas "breves" sobre a entrevista do presidente (JN) Pinto da Costa ao novo formato do diário portuense (se é que ainda o é - portuense).




Vou passar por cima de temas requentados como Lopetegui, Adrián e Jorge Mendes, sobre os quais nada de novo foi dito, focando-me apenas sobre as "novas revelações" - condição que defini como imprescindível para voltar a falar sobre a actuação do Presidente antes do final da temporada.

Começa a notar-se um padrão indesmentível em relação às aparições públicas de Pinto da Costa - o de só falar quando se ganha. Se por um lado reflecte a prudência e a astúcia que a experiência lhe ensinou ao longo de todos estes anos, por outro deixa no ar a sensação de não dar o corpo às balas na altura devida, mesmo que não seja essa a sua intenção. Em todo o caso, vamos às notas.



O Treinador, a Equipa e o Plantel



Cavalgando esta onda de mini-euforia onde actualmente surfam muitos Portistas, reafirmou a sua crença e confiança no trabalho que Nuno está a desenvolver (não tenho a certeza que "reafirmou" seja a palavra correcta, porque - lá está - nos momentos difíceis imediatamente anteriores ao actual não me apercebi que o tenha feito). E que essa confiança advinha do facto de "o nível exibicional ser bom" e de a equipa criar muitas oportunidades. Ok, então vejamos esta listinha: Brugge (f), Setúbal (f), Brugge (c), Chaves (f), Copenhaga (f), Belenenses (f), Belenenses (c) - bom futebol e muitas oportunidades? Certo... Se insistisse nos pontos subtraídos por algumas dessas arbitragens, ainda podia ser. Aliás, deveria ser. Mas sem muitas oportunidades e quase nenhum bom futebol, ok?

Aproveitou para reafirmar (aqui sim) que NES foi sua escolha, da qual se limitou a informar a sua administração (adeus Antero...), e que Jorge Mendes nada teve a ver com a vinda de Nuno para o Porto. Informação que já circulava há muito, ao contrário do que pressupus aquando da apresentação do treinador, e que agora é confirmado na primeira pessoa. Assim já se compreendem melhor os fracassos dos últimos dias de transferências.

Sobre a equipa, deu sequência à defesa dos centrais (nomeou até Marcano) e criticou quem disse que precisávamos de três centrais. Eu não fui tão ambicioso, mas agradeço a referência à mesma. E insisto: uma das falhas graves deste plantel é a falta de um grande central. Felipe pode vir a ser mas ainda não é; Marcano está a fazer uma grande época até agora, sem dúvida, mas está a jogar nos seus limites e já deu provas de falhar nos momentos mais importantes, pelo que a dúvida se mantém; Boly ainda não jogou o suficiente para mostrar o que pode valer; Não temos quarto central (não me queiram impingir Chidozie, por favor). 

Abordou também a juventude da dupla AS - Jota (e bem, na minha perspectiva), apontando ao futuro como destino para um rendimento máximo, mas faltou explicar onde será esse futuro (Jota não é nosso) e como voltaremos a ganhar até lá. E já não se atravessou por Depoitre (no final da temporada é que se verá se foi "contratação falhada" - expressão do presidente, não minha).

Fiquei também a saber que Brahimi só agora começou a fazer parte dos planos porque teve de se adaptar ao que o treinador pretendia... é de compreensão lenta o argelino, portanto. E que a sua ida para a CAN será naturalmente colmatada por Otávio, não perspectivando nenhuma movimentação no mercado de inverno. Logo agora que já sonhava com Luiz Adriano (not).

Sobre o desenvolvimento de futuros plantéis, houve novidade quanto à provável localização do Centro de Formação "para jovens", que suponho ser o cartão de visita para a candidatura ao mandato seguinte. Sim, ao de 2019-22.





Comissões, Comichões e Urticárias 



Inevitavelmente, Alexandre Pinto da Costa. Ficámos a saber que prestou dois grandes serviços à nossa colectividade (para quando a medalha de mérito, pergunto eu): livrou-nos de Rolando e assegurou a continuidade de Rui Pedro. Já quanto ao que "a empresa de que o Alexandre era sócio" recebeu por esses feitos notáveis, as coisas não são tão claras. Começou por dizer que "se [APdC] recebeu [comissões pela venda de Rolando] não foi do FCPorto" mas sim do Marselha, para uns minutos volvidos admitir que "do FCPorto recebeu aquilo que normalmente qualquer um recebe". Em que ficamos? No que nos diz o R&C, obviamente.

Disse também que não lhe interessava nada se o interlocutor nos negócios era filho ou não, que "se o negócio for bom para o FCPorto", ele o faz. Estou de acordo quanto ao corolário de o negócio ser bom, mas, senhor Presidente, não basta! Aliás são os próprios Estatutos do Clube a "dizê-lo". Em tese, não teria nenhum mal que o seu filho participasse em negócios com o clube se houvesse total transparência quanto aos serviços por ele prestados e as contrapartidas por ele recebidas. Sim, ainda mais por ser seu filho, senhor Presidente. Ética.

E por último, uma falha de memória. Então e Casemiro, o scouting e Quaresma, senhor Presidente? Nada a ver com o seu filho empresário? Peço então desculpa, se estiver equivocado. Mas não me parece.

Outra questão totalmente diferente é o enquadramento e a circunstância com que este assunto veio agora à baila. Já tínhamos percebido que, (pelo menos) no que toca ao futebol, o Expresso tem clube. Ou clubes, vá. Mas o Porto não é um deles. Por coincidência, no momento em que a nossa equipa está em recuperação e havia a real possibilidade de ganhar pontos aos dois da segunda circular, sai uma capa com Alexandre PdC, claramente o ponto mais fraco da nossa actualidade Portista. Quando, como o Presidente bem referiu, outras revelações do Football Leaks seriam merecedoras de muito mais destaque. É evidente que se pretendeu atingir o Porto, ao mesmo tempo que se desviavam atenções da carneirada do Benfica de Vieira. Claro como a água. Comichões centralistas.

Mais uma vez descartou a possibilidade de explicar aos Portistas os motivos da saída de Antero Henrique (mas autorizando o próprio a fazê-lo), não admitindo conexão entre a saída e a interferência de Alexandre na gestão do clube. Seria realmente interessante ouvir Antero sobre o assunto, sem reservas, mas vou continuar sentado. E apesar das "boas relações", também não o endossou como futuro candidato (que surpresa!), situando-o apenas ao nível de todos os outros com as quotas em dia.

Sobre a mudança para a MEO ouvimos mais detalhes sobre o processo negocial, mas o que releva é a surpresa de, ao fim de tantos anos a negociar com Joaquim Oliveira, ter finalmente descoberto "ter sido vigarizado" e que desde então o bom do Joaquim não voltou a dar notícias e inclusive deixou o Presidente pendurado no Altis para jantar. Urticária?





A Contestação, a Oposição e as Alternativas



Sobre o período do empata disse não ter sentido contestação - desvantagem de viver fechado sobre si próprio, certamente. Aliás, só vislumbrou um lencinho branco, um... e mesmo esse seria para o 13 de Maio, suponho eu. 

Sentiu sim foi o "apoio dos verdadeiros Portistas, das claques Super Dragões e Convívio (leia-se Colectivo)". Hum... vou ser generoso e assumir que o presidente não restringiu os "verdadeiros Portistas" às claques, mas apenas as distinguiu entre os (muitos) "verdadeiros Portistas". E sentiu também a união dentro do plantel, o que se saúda. 

Pois, senhor Presidente, sou um verdadeiro Portista (tanto quanto o senhor, no mínimo) e nem por isso deixei de ficar severamente preocupado com mais um potencial erro na escolha do treinador. Aliás, é por sentir e sofrer com os destinos do Clube que fico preocupado. Desconfio muito mais de quem o diz apoiar cegamente, sabe-se lá com que intenção ou a troco do quê.

Felizmente o júnior da equipa B Rui Pedro marcou ao Braga e desde então as coisas encarreiraram. Tal como com Depoitre, com Nuno as contas só se fazem no fim, mas... até agora o seu rendimento não tem sido "importante" e ainda menos entusiasmante. Que continue a evoluir (e depressa) para ainda chegar a tempo de conseguir o essencial: ganhar o campeonato. É por isso que ele e o senhor serão julgados quando a época se findar.

As referências à suposta oposição são correctas, em minha opinião, se apenas limitadas a quem anseia ser alternativa. Tenho apelado "mais do que ninguém" para que apareçam projectos alternativos para disputar eleições. Não apareceu nenhum, até agora. Sinal da "pobreza associativa" actual. Mas o Presidente levou a resposta para a oposição quando a pergunta (várias, por sinal) pretendiam saber a sua opinião sobre o descontentamento e críticas de adeptos, em particular nos blogues (here we go again...), quando a equipa não correspondia dentro de campo. E, mais uma vez, Pinto da Costa preferiu apelidar de "sem rosto" e "cobardia" a oposição, preferindo não distinguir opositores de críticos.

Eu sou sócio. Permito-me (exijo-me) acompanhar e avaliar o trabalho desta e de qualquer direcção. Vou às assembleias-gerais a que posso ir, reservando-me o direito de nelas intervir ou não. E depois ainda me dou ao trabalho de escrever sobre as minhas reflexões. Não sou candidato, não sou oposição, não sou alternativa. Sou um Portista com opinião. Não gosta, senhor Presidente? Lamento, é a democracia. Mesmo os outros blogues, onde supostos opositores se escondem, têm o direito à existência - tal como a serem criticados por si. É a democracia.



O que eu não ouvi e gostaria muito era uma crítica feroz e ameaçadora perante as arbitragens que nos têm prejudicado de forma vil. Não deveria ser pelo facto de nos dois últimos jogos se terem marcado penáltis e expulsado adversários que se passa uma esponja pelo que ficou para trás - até porque para trás ficaram já muitos pontos e a Taça de Portugal. Este encolher de ombros e limitar-se ao wishful thinking de que não nos voltem a prejudicar soa realmente curto nos ouvidos dos (verdadeiros) Portistas.

Nem de propósito: Bruno Paixão nomeado para o Estoril-Benfica; Hugo "Macron" Miguel para o Sporting-Braga. E nós a vê-los passar...



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor



sábado, 2 de abril de 2016

April Fools


Há dias assim. Em que o circo sai à rua, desfilando em alegre carnaval, que a todos contagia e inebria. A todos? Não. Nem todos gostamos de palhaçada.




Ontem jogou-se mais um jogo importante deste campeonato, onde o Benfica recebeu e derrotou o Braga por 5-1. Circo. Carnaval. Folia. Semos muita fortes. Incontestável. Ou parafraseando a Foca Fonseca, "quando se perde por números destes…".

Sabendo de antemão quem era o apitador - nada mais, nada menos que o soldadinho de chumbo (em pó branco) Nuno Almeida, decidi logo nem tentar ver. Até porque estava a dar wrestling à mesma hora e, desfecho combinado por desfecho combinado, o wrestling sempre parece mais verdadeiro.

Vi então um resumo de uns quatro minutos. Mais do que suficiente para confirmar a suspeita. Não sei se o Benfica venceria ou não, provavelmente sim, mas a condução por parte do árbitro, ah aquela maneira linda de conduzir o jogo num único sentido, não engana.

Faltas que não se marcam contra, faltas que se inventam a favor, umas mais discretas outras nem por isso, tudo na paz do senhor Almeida. Um santo, aquele homem. Enquanto o resultado não estava ainda a salvo de sobressaltos, muita cautela. Com tudo resolvido, teve ainda tempo para fazer o favor de acabar com essa escandaleira de estarem há mais de um ano sem penáltis contra e sem expulsões. Num lance caricato, que nem fora da área seria marcado, o palhacito pobre apitou decidido. 

"Acabou-se a conversa dos favorecimentos, vêem? Uns más-línguas, é o que vocês são. O be'fica é igual aos outros, oh, oh, penálti contra! A expulsão fica para outro dia... afinal, se não foi ainda no Restelo (Renato Sanches), em Alvalade (Renato Sanches) e no Bessa (Eliseu), ia ser agora em casa? Também não exagerem..."

São tão maus actores, tão reles farsantes, que chega a parecer impossível não ser mesmo tudo verdade. O que me preocupa em dobro, porque quem se arroga em exibir tão descaradamente os seus dotes tem que ter uma cobertura à prova de bala. Nós, Porto, andamos mesmo a dormir. Voltamos a ser comidos de cebolada, como antigamente.

Mas não. Uma mentira repetida muitas vezes nunca acaba por se tornar verdadeira.

Nem uma mais do que combinada entrada em campo de um descontrolado "fã" do novo Zébio, que por acaso até joga nas escolas do slb e assistiu ao jogo na tribuna.
 
Nem a tentativa diária de transformação de um simples vigarista (perdão, de um vigarista de grande gabarito) num magnânimo estadista.

Nem a caminhada triunfal de uma gloriosa equipa que como principal mérito tem o facto de ter sabido sobreviver para mais adiante poder beneficiar da via vermelha do #andor.

Continua naquelas cabeçorras arejadas a circular o mito de que pelo facto dos adversários não estarem tão bem como seria esperado (mais concretamente, o FC Porto), automaticamente se justifica que sejam eles a ganhar. Não. Não é assim, nem hoje, nem nunca.

Pode o Porto estar a jogar abaixo do que todos esperavam e alguns desejavam, perder e empatar de forma surpreendente e ainda assim justificar ganhar o campeonato. Não há relação directa de causalidade entre o desempenho decepcionante do Porto e os títulos do Benfica. Porque muitas vezes um Porto sofrível tem sido mais do que suficiente para um "super-Benfica". O ano passado foi assim. Só não fomos campeões porque eles foram de #colinho.

Este ano chegaram de #fininho, ao ponto de muitos os desprezarem. Não eu. Sei bem o que são e como são. E sobretudo como se movem. O seu presidente nunca deixou dúvidas a ninguém, desde que chegou ao trono disse ao que vinha - controlar as instituições que regulam o futebol, nomeadamente a arbitragem e a disciplina. 

O resultado são os quase-5 campeonatos que reclamam ter vencido neste século. Para mim não venceram nenhum, não por mérito próprio e não de forma legal. Foram o do Estoril-Gate, o do Túnel, o do Eusébio, o do #colinho e agora o do #xistra. Para mim, zero. Ah, e mais os três que ganharam de um dia para o outro (passaram de festejar o #27 directamente para o #31...).

Evidentemente, ajuda que o Porto esteja enfraquecido. Passam a ser necessários muito menos empurrões. Basta que sejam dados nos momentos certos, decisivos, para que a coisa se (des)equilibre. Para não recuar muito, este ano assistimos impávidos e serenos à bonita sequência do V. Guimarães-Benfica, Paços-Benfica e Braga-Porto. Foi o quanto baste. Com o Sporting evidentemente nunca se pode contar. Estão a viver um ponto alto da sua existência e em breve regressarão à sua deprimente normalidade.

E por tudo isto, aconteça o que acontecer daqui até final, mais uma vez não vou poder dar os parabéns aos meus amigos benfiquistas pela justa conquista de um campeonato. Aliás, a última vez que isso aconteceu corria o ano de 1994, onde venceram o tal 27º título. 

É esta a "magia" do futebol, conseguir por pessoas idóneas e bem formadas a festejar falsidades como se não as fossem. Sim, porque se a imensa maioria come a palha que lhe dão sem sequer levantar os olhos do chão, muitos há que têm a perfeita noção do que lhes é oferecido. Mas que ainda assim engolem como os demais.

Enfim. Dia das mentiras? Não, April fools' day. Deles, se julgam que nós também somos.



Do Porto com Amor



Adenda: entretido com o Barça-Real, esqueci-me de elogiar outro(s) fool(s), aquele(s) que define a calendarização dos jogos. Porto e Sporting jogam na segunda pela alma de quem?? Quantas pessoas esperam ter no Dragão às 19h00 de um dia de trabalho (no Porto)? Ah, pois, quantas menos, melhor.



quarta-feira, 30 de março de 2016

Nojices


Felizmente que o manjar pascal já está devidamente digerido, caso contrário arriscava-me a ficar afrontado com as nojices com que sou confrontado.


Energia para dar e vender!

Nojice nº1 - Alexandre "Pimp" da Costa


Novos documentos roubados, novas revelações (pelo menos para mim). E ainda por cima anunciados pelo rasteiro Record, a voz local do Football Leaks. A combinação perfeita para me fazer vomitar de vez.

Como se não bastasse o que já se sabia sobre o parasitismo de Alexandre Pinto da Costa, eis que vem a público a informação de mais umas comissões recebidas pelo filho pródigo a propósito da sua inestimável contribuição para o sucesso que o clube tem conhecido nas últimas épocas.

Desta vez, vem-se a saber que a propósito da comissão paga pelo Porto à Doyen pela activação da cláusula de "call-back" de Casemiro por parte do Real Madrid (confuso?) no valor de €1,26M, Alexandre Pinto da Costa veio posteriormente a receber (via Doyen) €700.000. Setecentos mil euros. Por ter feito exactamente o quê? Aliás, a que propósito o clube se dispõe a pagar à Doyen este valor global pelo facto do Real ter optado por reaver o seu atleta? A genialidade na elaboração do contrato? Dos €7,5M que o Porto recebeu do Real pela retoma de Casemiro, apenas ficou - na melhor das hipóteses - com €5,04M (7,5-1,2-1,26). Inacreditável.

Mas ainda não é tudo. O bom do Alexandre também recebeu uns trocos extra, €140.000 para desenvolver a actividade de scouting, uma vez mais subcontratado pelo comparsa Nelio Lucas da Doyen, a quem o clube já havia encomendado o serviço por €300.000. E mais outros €140.000 para uma tal de PESARP SGPS, sobre a qual nada sei excepto que... tem a mesmíssima morada da Energy Soccer de... adivinharam, Alexandre PdC: RUA ANTÓNIO NICOLAU DE ALMEIDA, Nº 45 SALA 2.11. E quem assina é um tal de Pedro Pinho, que ou muito me engano ou é nada mais, nada menos do que o partner local da Doyen no Dragão e sócio de APdC na Energy Soccer. Estamos na era do outsourcing, sobraram €20.000 para despesas administrativas, imagino... fico ansiosamente à espera de conhecer os frutos destes serviços prestados.  

Nada de novo. Nada de surpreendente. Afinal, quem faz uma vez, faz mais. Com a complacência do presidente do meu Porto. Vergonhoso. Nojento.


Nota: Se alguma vez isto for cabalmente desmentido, aqui apresentarei as minhas públicas desculpas a todos os visados por ter dado eco a informações infundadas e delas ter feito deduções incorrectas.



"o meu menino é d'oiro..."

Nojice nº2 -  A Seleção de Todos Eles


Depois do degradante circo em que foi transformado o jogo com a Bulgária (#70 do ranking FIFA, será isso?) a propósito da estreia do mano ve'io da Musgueira com ares de Predador, seguiu-se hoje o último desta ridícula ronda de amigáveis, contra a desfalcada mas ainda assim boa seleção belga (actual #1 no mesmo ranking). Boa no papel, porque em campo não jogou nada. Sem culpa disso, Portugal aproveitou para fazer um jogo interessante, de que se seguem algumas notas:

 -> Gostei da solução dos dois "avançados", parece-me que permitirá jogar mais e melhor e serem mais objectivos a chegar à baliza adversária. Dada a gritante inexistência de um ponta-de-lança "já feito" e a qualidade e diversidade dos médios selecionáveis, acredito que possa ser por aqui o caminho para conseguirem fazer um Euro minimamente aceitável (passar a fase de grupos).

 -> Quanto ao selecionador não sei, mas eu já escolhi os meus 23. Bem como os 15, 16 que jogariam quase sempre. Guardo a divulgação da lista completa para o final da temporada a nível de clubes, mas sempre adianto isto:

- Raphael Guerreiro: onde andavam a Doyen e APdC enquanto este excelente lateral se ia afirmando em França e nos Sub-21? Ahhhh, foi pena, passaram mesmo lá ao lado. Já o tinha dito aquando do Euro Sub-21 e volto a repetir: tê-lo-ia trazido para o Porto sem hesitar.

- Titulares: Pepe, Raphael, Danilo, Moutinho, João Mário, CR

- Boas opções: Cédric (sim, está a custar a engolir), Vieirinha, Fonte, William, Bernardo, André Gomes, André André, Nani, Quaresma, Rafa

- Bluffs: Patrício, Eliseu, Adrien, Éder


Não fosse a nossa lusa capital futeboleira uma absoluta parvónia circense e seus acólitos nos merdia uns execráveis palhaços pobres, ainda dava por mim a torcer pelo sucesso do macambúzio engenheiro do penta. Veremos se até ao início da competição consigo abstrair-me disto tudo. Até lá, continuará a ser a seleção de todos eles, mas não a minha.



Do Porto(gal) com Amor



P.S. - Pela proximidade das "postagens", pode ter passado despercebido o concurso #18 do "Onde está a bola?" que vai oferecer 2 bilhetes para o jogo contra o Tondela. Clique aqui para concorrer!