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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Números Mágicos de Natal - 14, 78 e 457


Que rica prendinha de Natal. Aliás, diria até que o velhote adormeceu ao volante do trenó e se esbardalhou de frente contra o Dragão, deixando por lá o carregamento todo (de presentes, não confundir com os carregamentos da série Narcos da Netflix/Porta18).


Exclusivo DPcA: imagem capturada logo após o acidente!


Por esta eu não esperava. 

Não tão cedo e não desta magnitude. Quatrocentos e cinquenta e sete milhões e quinhentos mil euros.

Mesmo estando ainda detalhes importantes do contrato por esclarecer, parece seguro glorificar já o óbvio: é um excelente negócio para o Porto.

Mesmo diferido no tempo em dois anos e meio, é excelente. Mesmo incluindo o patrocínio das camisolas por sete épocas e meio, é excelente. E também por dar um alcance global ao Porto Canal, é excelente. Só terei pena de deixar de ver a nossa segunda pele ao natural, sem "tatuagens" de terceiros.


Como não podia deixar de ser, mal se começou a saber do acordo, começaram de imediato as comparações entre este negócio e o do SLB. Tal como vaticinei na altura, aquele contrato (além de ser excelente) seria um pioneiro que desbravaria caminho para os outros grandes. Mas esse é assunto que não me interessa, se querem medir quem tem o maior, que o façam em urinóis públicos.

O que é evidente e inegável é que o valor global anunciado é superior. Tudo o resto, sem saber todos os detalhes de ambos os contratos, é falar de cor. Bem como o facto de, pese embora ter uma marca menos valiosa e um público alvo inferior, o Porto ter conseguido um negócio da mesma magnitude. Isso sim, é para mim muito relevante e revelador. Eu sei que dói muito a muita gentinha, mas é a vida: aguenta e não chora. E quanto aos que ainda nada têm, o conselho é o mesmo.

Por último, uma palavra para a Porto Comercial. Fica assim provado que a estratégia adoptada - de não vender nada ao desbarato - foi a correcta. Se em variadas vertentes o clube têm ainda um caminho a percorrer, neste estão de parabéns (ou se preferirem, num tom de maior exigência, cumpriram com distinção as funções para as quais foram contratados).

E já agora, não se preocupem. Tirando as inevitáveis intervenções plástico-ortopédicas a Rudolfo e demais parceiras, está tudo bem. O velhote usava airbag frontal, que lhe amorteceu o impacto no concreto do estádio e mal chegou o trenó de substituição, regressou ao trabalho bem a tempo de terminar o serviço sem atrasos de maior.


Uma prendinha de 457,5 milhões... Bruno Sousa

Termino endereçando enérgicos parabéns ao presidente Pinto da Costa, que hoje cumpre o seu 78º aniversário. Uma bonita soma de invernos que teve como primeiro presente o tradicional jantar de recandidatura, promovido pelos mesmos de sempre e mais alguns, confirmando disponibilidade para continuar a liderar o clube naquele que será o seu mandato nº 14, se a maioria dos sócios assim o entender.

Um gesto que reforça a minha convicção de que Pinto da Costa só deixará o clube em um de dois cenários: ficando física e/ou mentalmente inapto ou quando os sócios escolherem outro candidato (onde estais vós, a propósito...). Até lá, só lhe peço - aliás, exijo, porque sei que ele não quereria menos - que continue a colocar o clube acima de tudo o resto. Se assim for, estaremos sempre muito perto de continuar a ganhar. Largos mandatos têm cem anos...



Do Porto com Amor (e parabéns)




sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Direitos televisivos e a impotência da liga


Um tema sumarento que não poderia deixar de dar a beber ao estimado leitor, simples e em cocktail DPcA




Esta semana foi anunciado, de forma surpreendente mas com a habitual pompa e fanfarronice que tristemente caracteriza o SLB, o acordo entre o clube e a NOS para a cessão dos direitos de transmissão televisiva dos jogos do campeonato em casa (e da BTV) para as próximas 3 temporadas, com possibilidade de extensão até 10.

Como sempre, o interesse está nos detalhes, pelo que passo a transcrever dos comunicados de ambas as empresas à CMVM:

"O contrato terá início na época desportiva 2016/2017 e uma duração inicial de três anos podendo ser renovado por decisão de qualquer das partes até perfazer um total de 10 épocas desportivas, ascendendo a contrapartida financeira global ao montante de €400.000.000, repartida em montantes anuais progressivos."


Lendo com atenção e socorrendo-me do meu razoável conhecimento da língua portuguesa, devo reconhecer que o que se deduz deste parágrafo é que o SLB só não receberá os €400M em 10 anos se não quiser. Ainda que ligeiramente ambígua, a expressão sobre a renovação "por decisão de qualquer das partes" parece suficiente para se inferir que basta que uma delas tenha interesse para que a renovação aconteça. Outra interpretação, nomeadamente a de que ambas as partes têm de ter interesse para que se renove, cai fora do significado da expressão, na minha modesta leitura semântica.

A ser verdade (e não tenho dados ou motivos para pensar que não seja), é um excelente negócio para o Benfica. Sem reticências. Falta saber se também o será para a NOS, mas isso é outra conversa.

Ainda assim, tenho pena que não tenham revelado a taxa de progressão a que se referem na última palavrinha. "Montantes anuais progressivos", anunciaram. Então quanto vão receber no primeiro ano? E no segundo? E no somatório dos três anos já acordados? Não deve chegar aos €120M (€40M x 3 anos), fazendo fé na tal progressividade. Mas serão €110M? Ou €100M? Ou €80M? Ou €50M? Não sabemos

Tal como não sabemos quanto vale a aparentemente "residual" cedência da BTV e seus direitos. Quem lê as "notícias", é levado a crer que valem zero, tal é a fanfarra à volta dos jogos da liga em casa.

Para o regimento propagandista do regime, isso nada interessa. Deram-lhes as parangonas e já lhes chega. Papam tudo o que vem da mão do dono sem questionar. E assim fazem crer aos milhões de papalvos que o querido líder atingiu finalmente a sua meta de €40/ano pelos direitos televisivos do futebol sénior. Same old, same old...


Termino esta primeira parte como comecei: aparentemente, é um excelente negócio para o Benfica, mesmo que bem menos do que querem fazer querer. Logo veremos, à medida que mais informação for divulgada, em que ordem de grandeza.



E para Porto e Sporting, foi bom este anúncio?

Aviso prévio: resolvi ser simpático, a bem da simplificação, e fingir que Porto e Sporting estão em pé de igualdade. Obviamente não estão. Mas como não é esse o tema, façamos de conta.

Como seria de esperar, o JN de hoje já faz ecoar na sua primeira página que "Porto e Sporting também exigem 40 milhões". Vale o que vale, que é apenas e só um aviso à navegação de que a próxima negociação dos respectivos direitos terá de ter em consideração este novo contrato do Benfica. Por outras palavras, é claro que ambos vão conseguir melhores contratos do que os seus actuais, mais ou menos próximos dos valores (anunciados) do SLB conforme as condições específicas de cada uma das negociações, nomeadamente a potencial concorrência que possa existir.

A propósito, a presença de Miguel Almeida, CEO da NOS, na recente gala dos Dragões de Ouro (entregando um dos galardões inclusive) não será alheia a este contrato. Ele sabe (e os accionistas também) que o Porto vai cobrar na mesma medida. Os nossos dirigentes estão atentos. E nós, consumidores portistas, também.

Portanto, a primeira conclusão que se pode retirar é que os três grandes irão beneficiar deste avanço dos encarnados. Em que medida, fica igualmente por saber.



E para os demais clubes da Liga? E o que representa isto para a própria liga e em particular para Pedro Proença?


Tendo como uma das suas bandeiras a centralização dos direitos pela Liga, que os negociaria em pacote (propiciando uma distribuição mais equatitativa por todos os clubes do montante global negociado), Pedro Proença é o primeiro e último grande derrotado nesta operação.

Obviamente que isso não implica de forma alguma que deva colocar o seu lugar à disposição, não só porque chegou à Liga numa fase em que objectivamente não teve tempo útil nem condições para o conseguir fazer (basta perceber que o SLB não o queria), como tem muitas outras coisas importantes para implementar no seu mandato.

No entanto, para sair desta mais ou menos ileso, terá que conseguir (por si ou apenas beneficiando do efeito bola de neve deste contrato) que todos os clubes da primeira liga venham a receber substancialmente mais do que recebem agora.

Ainda assim, o efeito perverso da atomização que agora se antecipa, com cada clube à procura per si da maior licitação que conseguir, será difícil de digerir seja em que circunstância for.

Mais problemática, no meu ponto de vista, é mesmo a questão do papel da Liga. Tendo como exemplo organizativo a Premier League, a que já me referi aqui, esta parceria NOS/SLB despoleta um processo que leva a que a nossa Liga se afaste ainda mais do modelo inglês. O que equivale a dizer que vamos em sentido contrário ao maior caso de sucesso organizativo do futebol actual. É claro que o papel da liga não se esgota nos direitos televisivos, mas não tenhamos dúvidas que money talks e uma (qualquer) Liga esvaziada desse poder será sempre refém dos interesse individuais (e muitas vezes contraditórios) dos maiores clubes e portanto, nunca a estrutura que se situa acima de todos os clubes e decide os moldes organizativos apenas em nome do negócio como um todo.


Ganha o Benfica, tal como o Porto e o Sporting por arrasto, e eventualmente os demais clubes da primeira liga em menor escala, mas perde o futebol enquanto negócio credível e gerido acima dos interesses clubísticos. Nada de realmente novo, portanto.



Do Porto com Amor




quarta-feira, 3 de junho de 2015

In a galaxy far, far away...

A Premier League divulgou hoje a distribuição de receitas resultantes das transmissões televisivas referentes à época que agora terminou, revelando números astronómicos que nos devem fazer reflectir sobre as diferenças abismais que separam as diferentes ligas.

Ao todo, serão distribuídos 2.200 milhões de euros (!!) pelos 20 clubes que disputaram a competição, sendo €270M para o campeão Chelsea e uns ainda incríveis €90M para o último classificado QPR.

Mas igualmente relevante é o mecanismo de distribuição de verbas, considerado o mais equitativo da europa:
"Metade das receitas angariadas na época é distribuída em partes iguais entre os 20 clubes. Um quarto fica diretamente associado ao mérito desportivo e classificação final, enquanto o restante respeita ao número de jogos transmitidos em direto, num mínimo de dez"

Se pensarmos que o último classificado da liga inglesa recebe quase o dobro de direitos televisivos que os nossos "3 estarolas" juntos, fica mais fácil perceber a distância que os separa dos primeiros classificados, em particular daqueles que "volta-e-meia" defrontam nas competições europeias.

Daí se falar constantemente em "milagres", quando os nossos conseguem bater o pé ou simplesmente fazer a vida difícil aos grandes europeus. Claro que o futebol não se resume a dinheiro, pelo menos enquanto começarem sempre 11 homens de cada lado, mas que realça de sobremaneira as tremendas desigualdades nas condições de partida, disso certamente ninguém terá dúvidas.

São, de facto, de outra galáxia.


Então que ilações retirar para o campeonato português?

Primeiro, o modelo. Isto de ser "cada clube por si" não só beneficia quem compra os direitos (ao retirar peso ao poder negocial de 18 clubes), como promove uma maior desigualdade entre os grandes e os restantes clubes, o que acaba inevitavelmente por diminuir a competitividade e o interesse do campeonato.

Depois, o contexto. Sendo certo que não temos qualquer possibilidade de gerar receitas televisivas que se aproximem às da liga inglesa (ou espanhola, ou alemã, ou até italiana e francesa), talvez seja pelo menos possível reduzir o diferencial que nos separa dessas ligas. Temos um imenso mercado de língua portuguesa por explorar, para além das comunidades de emigrantes. E além destes, por que não ser possível gerar interesse nos outros países, em pelos menos ter acesso aos resumos semanais e uma ou outra transmissão dos jogos mais importantes? Parece-me evidente que sim.

Então o que falta? Vontade e competência.

Vontade dos clubes (grandes) em juntarem-se para defender uma causa comum, vontade dos actuais detentores dos direitos, vontade dos dirigentes dos organismos que organizam as competições, eleitos pelos clubes, que por sua vez são alimentados pelos detentores dos direitos.

Falta competência a esses mesmos dirigentes, para saberem como elaborar um plano de negócio suficientemente atractivo ao ponto de convencer os dirigentes dos clubes a assumirem a quebra com o modelo actual.

Plano esse que deveria prever a criação de um pacote de entretenimento futebolístico integrado, criando estórias à volta da competição, relacionando com a nosso rica história, cultura e geografia. E gerar interesse por todos os participantes na competição, dando-lhes o valor e destaque necessário para que a competição como um todo tenha interesse. Exactamente o oposto do que se faz hoje, onde 15 clubes só existem para que os 3 grandes possam ter com quem competir.

Entende-se que não seja simples, dado o sufoco financeiro que todos atravessam, mas se não o fizerem, a situação só pode piorar.