Abril 2018

segunda-feira, 30 de abril de 2018

E no Final... Marca o Marega


Passava já das 23h e na Avenida do Mar, em contraste com a pacatez de um domingo à noite, ainda se continuavam a ouvir, aqui e ali, agora e depois, gritos anónimos (não denunciados!) de "Pooorto" ou "Eu quero o Porto campeãaaooo", como balões de São João a pintar a noite escura. O Funchal tem de facto muito mais encanto salpicado de azul e branco. 




E tudo porque, horas antes, no Estádio do Marítimo, conquistamos uma mui decisiva vitória mesmo ao cair do pano, num campo "amaldiçoado" onde já não ganhávamos há muitas épocas. Após a brilhante vitória do Tondela no dia anterior, o campeonato ficara ainda mais à nossa mercê - desde que conseguíssemos derrotar o Marítimo.

E assim foi. Somos quase-campeões, o que, como bem se sabe, é o mesmo que não ganhar nada. Zero. Ficamos foi muito perto de ganhar. 

Um jogo onde o até Porto entrou bem, logo a ameaçar marcar nos primeiros segundos e depois por um par de vezes nos vinte minutos que se seguiram. O que correu mal foi o que veio a seguir: não tendo conseguido marcar, a equipa enervou-se, tremeu e perdeu o discernimento para continuar a pressionar com qualidade para chegar ao golo.

Quase em cima do intervalo deu-se a expulsão do GR visitado, após derrube a Soares que se isolava, lance que obviamente marcou o jogo em definitivo. Não conseguimos aproveitar nem o livre, nem os minutos que ainda faltavam até ao descanso, mas a expectativa era a de fazer uma segunda parte muito mais conseguida e dominadora, consubstanciada em golos.

Na realidade, tal não aconteceu. A parte mais importante, pelo menos. Ficamos com o domínio do jogo, é verdade, mas da forma desejada pelo Marítimo, que nos ia conseguindo controlar nas zonas de perigo e quase abdicando de pôr o pé na nossa metade do campo. Toda a avalanche de lances ofensivos que se foram sucedendo era de pólvora seca, fosse pela incapacidade de desposicionar a defesa adversária, pelo desacerto do último passe ou pela ineficácia nas escassas oportunidades de finalização.

À medida que o relógio avançava, a frustração e o "desespero" começavam a pairar sobre os nossos - dentro e fora do campo - apesar do apoio ininterrupto vindo das bancadas. O treinador foi ao banco mas não conseguiu alterar grande coisa, mantendo-se a incapacidade para chegar à baliza em condições de finalizar com sucesso.

Já próximo do final dos 90 regulamentares, foram os dois "mais suspeitos" do costume a resolver: Telles marcou o pontapé de canto e Marega cabeceou para o fundo da baliza. Com ou sem brilhantismo, estava feito. Golo. Vitória. Campeonato à vista.






Notas DPcA 



Dia de jogo: 29/04/2018, 18h00, Estádio dos Barreiros, CS Marítimo - FC Porto (0-1)


Iker (7): Sem muito para fazer, foi uma vez mais decisivo ao negar o golo no lance de maior perigo (e único) do Marítimo, ainda na primeira parte. #renovaCasillas

Ricardo (6): Jogo menos conseguido, apesar da luta permanente. Pareceu estar com dificuldades em controlar a pressão do jogo.

Alex Telles (7): Muita desinspiração, aparentemente por culpa do nervosismo, não lhe permitiu ser aquele lateral do costume, mas ainda assim foi decisivo ao assistir para o único golo do jogo.

Felipe (7): Bem a "gerir" a sua zona de influência e até para lá das suas fronteiras, quase sempre concentrado e certeiro nas suas acções.

Marcano (7): Tal como Felipe, controlou bem a sua zona de acção na maior parte do tempo, quase não permitindo oportunidades para o adversário atirar à nossa baliza.

Herrera (6): É para mim um desespero ver este homem jogar. Corre que se farta, dá o litro e recupera a bola, para logo a seguir a desperdiçar com um passe absurdo. É uma espécie de choque térmico contínuo.

< 71' Sérgio Oliveira (6): Importante no combate físico do meio-campo, acabou por não lhe "sobrar" muito para o momento ofensivo, optando quase sempre pelo passe curto ou lateral, sem risco nem recompensa, sendo que as mais notáveis excepções foram o passe para Soares no lance que acabou com a expulsão de GR contrário e um remate de longe já na segunda parte.

< 59' Otávio (5): O menos inspirado da equipa, talvez por não ter entendido bem como e onde se posicionar em campo, em particular durante toda a primeira metade. Saiu com naturalidade.



Foto de Rogério Ferreira / Kapta+

< 88' Brahimi (6): Andou muitos minutos a decidir mal, também ele aparentemente nervoso primeiro e quase-desesperado depois. Foi o último a ser substituído, quase já no final do jogo e com o nulo no marcador, pelo "peso" que os adversários lhe atribuem, mas francamente deveria ter ido descansar mais cedo. Pelo meio, teve alguns bons registos individuais, com o ponto alto num lance brilhante sobre a esquerda onde se libertou dos adversários, entrando na área e assistindo Otávio para um... quase-golo.

Melhor em Campo Marega (7): Não foi a locomotiva do costume, não só porque não está na plenitude das suas capacidades, mas também porque a estratégia do adversário para o controlar foi bem montada. Ainda assim, foi ele quem decidiu o jogo e muito provavelmente o campeonato, que justamente ficará para a história como o Campeonato do Marega.

Soares (5): Trabalhou muito mas com pouco propósito e ainda menos acerto, em particular na finalização, o que quase nos custou a vitória.

> 59' Corona (5): Defraudou as expectativas a quem acreditava que poderia agitar e dar mais intensidade ao nosso ataque, mostrando-se pouco inspirado e até desconcentrado.

> 71' Óliver (6): Acrescentou qualquer coisa em termos de assertividade ofensiva, embora sem fazer realmente a diferença num jogo que continuou a caminhar para um frustrante empate.

> 88' Gonçalo (-): Entrou a tempo de "estorvar" os adversários para que Marega finalizasse.

Sérgio Conceição (6): Ganhámos, excelente, magnífico, estamos mesmo prestes a cortar a meta. Dito isto, ganhámos por muito pouco. E muito pouco foi também o que a equipa jogou, mesmo com a sorte do jogo quase sempre a nosso favor, com destaque para a superioridade numérica de que beneficiamos desde o minuto 41. Todos compreendemos que a equipa está a jogar muito perto do seu limite (às vezes, parece que até para lá dele), que se aguentou "por um fio" graças à vitória na Luz, mas é difícil "desculpar" uma exibição tão pobre num jogo tão importante. Difícil mas não impossível, porque no final os três preciosos pontos regressaram com ela para o Dragão





Outros Intervenientes:



Este Marítimo do competente Daniel Ramos é uma equipa formada por bons valores, bons de bola, que em sua casa se transformam numa equipa perigosa e muito combativa. Apesar de não ter mostrado muito neste jogo, Joel Tagueu tem uma movimentação muito interessante, dando uns ares de Jackson. Gostei também de ver um para mim desconhecido Jorge Correa, bons pés e durinho.


Foto de Rogério Ferreira / Kapta+

À partida, o nome Carlos Xistra causa sempre calafrios a qualquer Portista, tão "dramático" que é o seu histórico recente connosco. No entanto, desta vez surpreendeu pela positiva. Pareceu entrar mais descontraído do que o seu normal (por que será?), levando as coisas "a bem" e deixando jogar, mas fazendo cumprir as regras do jogo. 

Acabado de regressar da Madeira, não tive ainda oportunidade de rever o jogo ou sequer os lances mais polémicos com a devida e necessária atenção, em especial o da primeira expulsão, que terá sido o mais relevante do jogo. Do que vi, parece-me que a decisão do auxiliar/VAR foi acertada, porque não considero que haja qualquer falta por braço na bola de Soares. O movimento do braço resulta da percepção do avançado do abalroamento iminente e preparação "automática" para a queda que se seguiria. Se entretanto descortinar algo diferente, aqui virei rectificar.


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Não é ainda tempo para balanços, pelo que venha de lá esse ponto final que os Aliados já mal se aguentam de se imaginar banhados pelo imenso Mar Azul. Todos sabemos que o Porto tem muito mais encanto quando pintado de Azul e Branco. Vamos lá acabar com isto.


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



terça-feira, 24 de abril de 2018

Porto Seguro


Há dias em que a gente não se pode atrasar, sob pena de perder parte importante das coisas. Em jantares com amigos alarves, por exemplo: chega-se vinte minutitos após a hora marcada e o cenário é semi-dantesco: convivas alapados, a lamber as beiçolas enquanto lançam um olhar que mistura o enfartamento de um bruto com a piedade inerente ao "já foste". 

Dos rissóis e croquetes só sobram os vestígios gordurosos sobre o guardanapo que os acolheu; do queijinho, as cascas, com sorte; daquelas gordas azeitonas só os magros caroços. Pacotes de manteiga esventrados sem dó nem piedade. Talvez por vergonha, sobram dois pedacitos de pão, um deles com aspecto de já ter caído ao chão. Mas enfim, divago.




Hoje, quem teve a infelicidade de chegar ao Dragão com escassos 16 minutos já decorridos, perdeu três golos. Pum, pum, pum, está feito. Agora vamos lá ver o que fazer com os setenta e quatro que sobram... Aqui o vosso escriba de ocasião atrasou-se seis minutinhos... e pimba, lá se foram os croquetes.

O bom do Marega, regressado após sentida ausência em Alvalade, tratou de finalizar o que Tiquinho não conseguiu à primeira. Outros seis minutos volvidos e nova explosão de alegria no estádio: Desta vez, foi o vilão Marcano que se refez herói de corpo inteiro, também ele aproveitando uma defesa incompleta do guardião vitoriano na sequência de um canto. Ainda o Mar Azul ondulava ao sabor desse golo e eis que Brahimi, após passe atrasado do maliano, fez o terceiro da noite. Três-zero e tudo parecia resolvido.

Só que ainda não, não por completo. Aproveitando uma altura em que o Porto estava reduzido a dez, por assistência demorada a Herrera, o Vitória de Setúbal construiu uma boa jogada e reduziu para 3-1. Foi aos 35 minutos de jogo que Corona acabou de vez com as dúvidas, num remate que ainda sofreu um desvio num adversário. 

Até ao descanso, mais um par de situações e (finalmente!) João Pinheiro a decidir relembrar-nos que o amor clubístico é eterno.

A segunda parte valeu sobretudo pelo futebol "entretido", pelas três oportunidades dadas a jogadores vindos do banco e pelo quinto e último golo, apontado de forma soberba por Alex Telles, na cobrança de um livre.

Num jogo onde Sérgio Conceição retomou um dos seus onzes preferidos (Danilo à parte, obviamente), com Brahimi e Corona nas alas e Marega e (agora) Soares mais adiantados, a equipa não quis deixar para depois o que podia ser feito de imediato, livrando-se(-nos) de sobressaltos e aflições mais adiante. Claro que a eficácia foi determinante - como é sempre - mas o querer também teve o seu papel. 

Com a missão cumprida, todos os olhos se deslocam para os Barreiros, onde se jogará grande parte do que falta decidir neste campeonato. 





Notas DPcA 


Dia de jogo: 23/04/2018, 20h00, Estádio do Dragão, FC Porto - Vitória FC (5-1)


Iker (6): Jogo muito tranquilo e sem hipótese de evitar o golo sofrido.

< 73' Ricardo (7): Outra boa exibição, cumprindo com distinção a atacar e a defender.

Alex Telles (7): Não foi dos seus melhores jogos, mas foi uma exibição completa e outra vez decisiva: esteve no lance do primeiro golo e marcou exemplarmente de livre o último. Só no lance do golo sofrido é que não esteve tão bem, embora a falha tenha sido colectiva.

Marcano (7): Livrou-se do fardo de Alvalade (sort of) marcando um dos golos da partida e não dando grandes possibilidades ao adversário de nos marcar.

Felipe (6): Esteve quase sempre bem, mas no golo sofrido esqueceu-se de quem o marcou (a meias com Corona).

Sérgio Oliveira (6): Jogo equilibrado, com maiores preocupações tácticas e defensivas do que de construção, tal como o treinador pretende e precisa quando na frente tem o quarteto que hoje teve.

Herrera (6): Bom jogo de equilíbrios, sem nada de especial a apontar ou a elevar.

Corona (6): Parece ter recuperado a "ligeireza" que lhe é essencial para fazer boas exibições, e mesmo tendo ainda alguma ferrugem acumulada, já mostrou mais e melhor serviço, coroado com um golo de alguma felicidade.

Brahimi (7): Também esteve mais solto e isso nota-se logo na "taxa de sucesso" das suas iniciativas. Teve o sangue-frio suficiente para concluir bem o lance do terceiro golo e ainda mais um par de boas arrancadas individuais, uma delas travada apenas pelo Mostovoi do costume.



< 63' Melhor em Campo Marega (7): Assustou ali perto da meia-hora, quando foi ao banco com queixas e lá foi assistido. Antes disso, já tinha inaugurado o marcador e dado água pela barba à defensiva vitoriana em vários outros lances. É um íman-bulldozer, que primeiro atraí e depois "destrói" os adversários e todo o jogo da equipa parece assentar nessa "premissa" (ou, no mínimo, receber um upgrade qualitativo). E é graças a esse "diferencial" que o distingo como o homem do jogo. 

< 75' Soares (6): Bem ligado ao jogo colectivo, faltou-lhe eficácia individual para também picar o ponto.

> 63' Óliver (5): Entrada voluntariosa mas sem o acerto que dele se espera (sempre).

> 73' Maxi (6): Entrou para dar descanso ao saturado Ricardo e cumpriu.

> 75' Gonçalo (5): Quase marcava (como não marcou?) e pouco mais, pela dificuldade que teve em "sincronizar-se" com os companheiros.

Sérgio Conceição (7): Uma vitória que se começou a desenhar no balneário, aquando da escolha do onze inicial. Com ele, deu à equipa a noção exacta do que dela esperava: atacar muito e bem e resolver o jogo o quanto antes. Assim foi e aproveitou para poupar os mais "castigados". Tudo correu bem, nada a dizer que não seja "bem feito".


"Não quero saber, não quero estar aqui, não brinco mais"



Outros Intervenientes:



Mesmo sofrendo uma rajada de três golos logo a abrir, o Vitória de Couceiro não se descompôs e conseguiu - daí em diante - fazer um jogo mais interessante que 80% das equipas que nos visitaram esta temporada. O golo conseguido bem pode simbolizar esse prémio. Fiquei igualmente muito aliviado pela recuperação-relâmpago de João Amaral, claramente de novo no topo da sua forma.

A arbitragem liderada por João Mostovoi Pinheiro aguentou-se cerca de 40 minutos até finalmente começar a revelar... as suas cores. Decisões absurdas como beneficiar o infractor ao assinalar uma falta sobre Brahimi quando o argelino já se esgueirava rumo à área contrária ou o indescritível cartão a Ricardo são apenas dois exemplos de uma série de asneiradas que dizem muito do "desconforto" que sente ao "estar" neste belíssimo estádio.




Aproveito para assinalar os 36 anos de presidência ininterrupta de Jorge Nuno Pinto da Costa, um marco notável pela longevidade e pela história de tremendo sucesso que se foi escrevendo até há cinco anos atrás. Pois que seja retomada esta época, para que a sua saída - quando chegar - possa ser como merece. Parabéns, presidente.


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




quinta-feira, 19 de abril de 2018

Medo e Marcano


Cada um terá a sua forma de entender o jogo, nela se baseando para a definição ou a proposta de estratégias para chegar aos objectivos. A minha parece ser substancialmente diferente da de Sérgio Conceição. Numa eliminatória, quando se chega à segunda mão, após ter vencido em casa pela vantagem mínima e sem sofrer golos, a estratégia principal única só pode ser uma: marcar fora.




Mais do que procurar manter o nulo do marcador, do que não sofrer golos e conservar a magra vantagem, o que encaminha a eliminatória definitivamente a "nosso" favor é conseguir marcar um golo em solo "inimigo". Ora, daquilo a que eu assisti no estádio, não fiquei convencido que fosse essa a prioridade estabelecida pelo treinador. De todo.

É verdade que a minha posição de adepto é muito mais fácil e cómoda, porque me limito a observar e opinar, no entanto quem vive à custa das suas estratégias é o treinador, pelo que é a ele que se deve "pedir explicações". 

Creio que ontem tivemos mais medo de sofrer golos do que vontade de o marcar e, no final, fomos penalizados por um erro individual que é sempre passível de acontecer. Depois, já não houve pernas nem coragem para empatar antes do prolongamento. Seguiram-se 30 minutos a meio-gás, sem grande capacidade nem convicção para marcar o tal golo que seria "de ouro" para nós. Voltamos a cair nos penáltis, que desta vez até foram 80% bem marcados. Pouca sorte, dirão alguns; pouca audácia, digo eu.

Do outro lado, esteve uma equipa que quase espelhou na nossa em termos de atitude. Foram deixando o jogo correr sem forçar em demasia, porque sabiam (eles sim, sabiam!) que sofrendo um golo ficariam muito mais longe da final. Tiveram algumas oportunidades ao longo do jogo, escassas, mas nunca me apercebi que perdessem o controle emocional. A poucos minutos dos noventa foram bafejados pela sorte e a sua estratégia provou ser a mais correcta. Mas barely, diga-se.

O futebol admite sempre a possibilidade de um golo entrar a qualquer altura, sem aviso prévio (alô Capitán Herrera!), pelo que poderíamos ser levados a concluir que o golo que aconteceu na nossa baliza poderia, ao invés, ter acontecido na do Sporting. Sendo verossímil o "pressuposto", não é o que mais releva neste contexto: o que faria a diferença era haver, da nossa parte, uma obstinação, um desígnio fundamental para este jogo que fosse o de fazer golos. Ou golo que fosse, para início de conversa. Em minha opinião, não houve - pelo menos, não o principal.


Grande apoio, mas não chegou



Notas DPcA 



Dia de jogo: 19/04/2018, 20h30, Estádio de Alvalade XXI, Sporting CL - FC Porto (1-0; 5-4 g.p.)


Iker (6): Não teve especial trabalho, mas respondeu sempre bem quando a isso foi chamado, tirando os habituais e irritantes disparates com os pés. Não defendeu nenhum penálti (apesar de ter adivinhado o lado por uma vez), mas ninguém lhe poderia exigir tal coisa. #renovaCasillas

Maxi (6): Não quis saber das suas "eventuais" menores capacidades físicas e foi à luta em todas as oportunidades, acabando por ser mais feliz a construir, onde conseguiu mais espaço, do que a defender-se de Acunã, uns anos mais novo e uns metros mais rápido. Nunca seria por ele que acabaríamos eliminados...

Alex Telles (6): Passou muito mais tempo preocupado com Gélson & companhia do que em atacar, o que para ele é contranatura, algo que se reflecte na sua exibição, muito mais pálida do que o habitual.

Felipe (7): Muito bom jogo, sempre impecável nas marcações e antecipações e ainda bem a sair ou a endossar a bola.

Marcano (5): Estava a alinhar pelo mesmo diapasão do companheiro até que chegou o momento fatídico: falhou o "alívio", colocando a bola à disposição de Coates para fazer o golo da nossa derrota. Por ironia macabra do destino, foi também ele quem falhou o único penálti da noite.

Herrera (7): Bom jogo, muito combativo numa vasta área de acção de início, retraindo-se mais adiante por imposições tácticas (e físicas também, suponho), mas sem nunca deixar de lutar. Contra o seu normal, não me lembro de nenhum passe disparatado ou de alguma "travadinha", o que só pode ser bom.

< 84' Óliver (6): Voltou a ter uma oportunidade inteira para demonstrar que a sua parca utilização é pouco menos do que uma injustiça, mas na verdade não fez o suficiente para o justificar. Não tendo jogado mal, a verdade é que também não conseguiu ser melhor do que quem tem jogado no "seu" lugar, começando até com uma série de maus passes que me deixaram os cabelos em pé (os 7 que ainda tenho). Melhorou com o evoluir do jogo, não destoou propriamente, mas... soube a pouco. Ainda por cima, "obrigou" o treinador a queimar a última substituição dada a sua incapacidade para continuar. Malditas expectativas.

< 75' Otávio (7): Boa exibição do baixinho, juntando à sua habitual combatividade um acerto e objectividade que raramente demonstra. Do meio para a ala e vice-versa, foi varrendo e ajudando a varrer as iniciativas adversárias, recuperando muitas bolas e depois saindo com critério, pese a pouca profundidade da equipa. Possivelmente, o seu melhor jogo da temporada. De tal forma, que me custou vê-lo ser substituído. E à equipa também, diga-se.

Not this time, capitán...

Ricardo (7): Um dos melhores dos nossos, talvez até fosse o melhor em campo se a eliminatória nos tivesse sido favorável. Mais um jogo enorme, comprido de uma área à outra e cheio de qualidade. Acaba a época em grande forma e MERECE estar no mundial.

Brahimi (7): Sem ser um Brahimi especial, esteve bem melhor do que nas últimas partidas (e ainda melhor do que na última), porque foi capaz de perceber quando deveria insistir no lance individual ou servir os companheiros, garantindo com isso o "manter em sentido" de dois ou três adversários de cada vez, o que libertou espaço para os companheiros.

< 66' Soares (6): Exibição muito ao estilo da que fez na Luz, com dificuldade em segurar a bola e tocar depois, embora me parecesse ligeiramente melhor globalmente. Faltou, claro, o golo que dá o colorido a qualquer desenho de um avançado, mas nem oportunidades teve para isso. 

> 66' Aboubakar (4): Está num momento horrível de forma, tudo em que toca transforma em cocó, pelo que não entendo a insistência do treinador. Se quer e não consegue, teria de ser quem o dirige a optar por outra solução. Mete dó vê-lo em campo e ontem custou-nos caro jogar com "um a menos".

> 75' Sérgio Oliveira (5): A equipa perdeu com a troca, pareceu-me entrar um pouco amorfo e fora de ritmo, o que o levou a fazer mais faltas do que o recomendável (nem todas assinaladas). Não esteve propriamente mal, mas também não se destacou pela positiva.

> 84' Reyes (6): Entrada forçada, por via do "estouro" de Óliver, mas positiva, dentro do que se sabe que poderia dar à equipa. Precisou de uns minutos para encontrar o seu espaço (literalmente), mas a partir daí integrou-se bem e cumpriu a missão, tendo até chegado a introduzir a bola na baliza adversária, mas com o fora-de-jogo já assinalado.

Sérgio Conceição (4): Explicou após o jogo que as substituições se ficaram todas a dever a problemas físicos, tal como a não-titularidade de Marega (esta infiro eu das suas palavras), pelo que só tenho de acreditar na sua palavra e não o penalizar por ter tirado Soares e Otávio do jogo - o primeiro porque a alternativa era muito pior, o segundo porque estava a jogar bem. 

No entanto, do que não se "livra" é de uma primeira parte em que raríssimas vezes chegámos à baliza de Rui Patrício e de uma segunda no mesmo "tom", ainda que com melhor produção de jogo. Já expliquei acima que não entendo como não montou uma estratégia para marcar golos em Alvalade acima de qualquer outra coisa. E como no final deu-se mal e custou-nos a presença no Jamor, sai deste jogo como o principal responsável pela eliminação. Mais do que tudo, teve medo de perder. E perdeu.




Outros Intervenientes:



Este Sporting é uma equipa razoável que combina a experiência do treinador e alguns jogadores com a imensa qualidade de Gélson e Bruno Fernandes. Não jogaram muito, nem sequer mais do que nós, mas marcaram. Conseguiram derrotar-nos à quinta tentativa e voltaram a ser melhores nos penáltis. Foram mais felizes, pelo que só me resta dar-lhes os parabéns, ainda que muito a contragosto.


Em vez de perder tempo a repisar o quão fraquinho e pequenininho é o ser Jorge Sousa, o que só lhe permite fazer arbitragens assim, ultra-defensivas, cobardes, mesquinhas, vou insistir no carácter "profissional" de Hugo Macron, o vídeo-árbitro de serviço, que uma vez mais deve ter adorado ver-nos a provar do seu veneno, que incluiu a não marcação de um penálti evidente de Mathieu e a não-expulsão de Acuña, entre outras eventuais cegueiras selectivas deste montinho de esterco verde (como será que Maxi ficou no estado que se pode ver abaixo?). No conforto da sua cabine tecnológica, abrigado das reacções do estádio, o viscoso Hugo lá fez o seu trabalhinho e no final foi para casa todo contentinho. E assim há-de continuar, até ao dia em que alguém lhe fizer engolir a dentição toda de uma vez só.




Se já estava doente com a eliminação, mais fiquei e fico ao ser obrigado a ler as baboseiras do costume de entre as nossas fileiras, do tipo "o que importa são as quatro finais que temos para ganhar", "o campeonato é que interessa" ou o eterno "amo-te hoje mais do que ontem"... Não, porra! Ontem o que interessava era garantir a final, cambada, nada mais, NADA MAIS! A Taça é objectivo tal como o Campeonato, a Supertaça e a Taça da Liga: competições internas, TODAS para ganhar!

Se falhámos, há que ter coragem para "viver" esse falhanço, encará-lo de frente e evitar que se repita! Enfiar a cabeça na areia pode estar no ADN deles, os da segunda circular, mas não está no nosso. Man up!


Dito isto e assumida sem reservas a colossal azia pela eliminação (que perdurará ainda durante alguns dias e regressará em força no dia da final), AGORA digo que há que olhar em frente e deixar de ser "cagarolas" a enfrentar os quatro jogos que nos faltam. Têm de ser todos para ganhar, mas mesmo para ganhar, desde o primeiro ao último minuto, e um de cada vez. Não há margens, não há folgas, não há empates nenhuns para se poderem ceder. NADA, ZERO. Só há é que ganhar os quatro jogos, começando pelo Vitória de Setúbal.

Sem desculpas, sem receios, sem nada que não seja uma indomável e inquebrantável vontade ser campeão, embalada pelo grito audaz da nossa ardente voz.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




quarta-feira, 18 de abril de 2018

Onde Está a Bola? #65


Recuperada que está a liderança, é agora tempo de a conservar intacta. Para tal, teremos de começar por derrotar o Vitória de Setúbal na próxima segunda-feira, dia 23 de Abril. Porque o Onde Está a Bola? (OEaB?) não quer que falte apoio à equipa, vamos uma vez mais oferecer 2 bilhetes para o Dragão.

Quem se quiser habilitar a ganhar os bilhetes, só terá de acertar onde está escondida a bola verdadeira (ou se não está lá de todo).






Respostas possíveis #65 (Setúbal):


A - Bola Verde
B - Bola Laranja
C - Bola Azul
D - Bola Púrpura
E - Não há nenhuma bola escondida


Já descobriu? Então deixe o seu palpite na caixa de comentários, tendo em atenção as seguintes regras de participação
         
1 - Escrever a resposta que considera acertada na caixa de comentários deste post, indicando igualmente um nome e um email válido para contacto em caso de vitória. 

2 - Entre os que acertarem, serão sorteados os vencedores através da app Lucky Raffle (iOS). 

3 - Para ser elegível para receber os bilhetes, deverá fazer o obséquio de:

   a) Comprometer-se a enviar-me duas ou mais fotos da sua ida ao estádio (pelo menos uma selfie) nas 48h seguintes ao jogo, acompanhadas da resposta à pergunta "Como foi a sua ida ao Estádio?" (duas frases bastam, desde que venham do fundo da Alma Portista...);

   b) Registar e confirmar o seu email (nas "Cartas de Amor", na lateral direita do blogue);

   c) Seguir o FB e o Twitter do DPcA (basta clicar nos links e "gostar" ou "seguir"). 
   Quem não tiver conta nesta(s) rede(s) não será excluído, mas... cuidado porque o Lápis vai investigar :-)

4 - Apenas será aceite uma participação (a primeira) por cada email válido. 

- Cumpridos todos os critérios, o vencedor sorteado será contactado através de um email onde encontrará instruções sobre como e quando levantar os bilhetes. 

6 - Se já tiver Dragon Seat ou outro tipo de acesso, poderá oferecê-los a um amigo ou familiar que não tenha a mesma sorte. 

7 - A edição #64 deste passatempo termina às 23h00 de 21 de Abril e o vencedor (a quem será enviado um email logo após o sorteio) terá de reclamar o prémio até às 16h00 de 22 de Abril. 

8 - Se o vencedor não reclamar o prémio até à data e hora referidas no ponto anterior, será contactado o primeiro suplente. Se o primeiro suplente não reclamar o prémio até ao prazo limite indicado no email de contacto, será contacto o segundo suplente (e assim sucessivamente até que um sorteado reclame o prémio). 

- A edição especial anual do passatempo tem um novo critério: o da melhor selfie. Todos os vencedores de edições anteriores ficarão automaticamente habilitados. Mas não só: todos os concorrentes de todas as edições podem participar, desde que também enviem as suas selfies no Dragão em dia de jogo (email para envio das fotos: lapisazulebranco@gmail.com )


NOTA IMPORTANTE: a edição especial anual será a #66, que corresponderá ao último jogo em casa do campeonato, contra o Feirense, onde todos esperamos festejar finalmente a conquista do tão merecido título. Isto significa que terão neste jogo contra o Setúbal a última oportunidade de tirar e enviar as vossas selfies... fico à espera delas!


E é só! Concorra e divulgue, queremos o Dragão sempre cheio de Portistas!


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Antes de encerrar a bilheteira, há que dar conta do desfecho da edição anterior:


#64 - Boavista

 

Resposta certa: D - Bola Púrpura

 

Vencedor: Manuel Costa !



Primeiro, a comparação entre imagem original e modificada.



A seguir, os habilitados ao sorteio e respectivo vencedor.



Por fim, a composição das fotos enviadas pelo Manuel Costa e a sua singela mensagem após assistir a tão importante vitória no nosso Dragão:



"Mais um jogo, mais uma vitória, mais um ambiente caloroso no Dragão. 

Começamos bem o jogo, mas o Boavista vinha com vontade de conquistar pontos. 

Contra tudo e contra todos (literalmente) somamos mais 3 pontos

Só dependemos de nós, vamos Porto. "


É bem verdade, embora tenha deixado de o ser durante duas jornadas... agora, o destino está de novo nas nossas mãos!



Do Porto com Amor, 

Lápis Azul e Branco



segunda-feira, 16 de abril de 2018

Capitán Herrera: El Primer Vengador


É mesmo assim que se começa esta crónica, a glorificar o improvável herói que ontem criou uma quebra no contínuo tempo/espaço do filme imperialista dos sem-vergonha, adiando ou acabando em definitivo com a esperança do Portugalistão em celebrar o tão ambicionado quando viciado penta.




Héctor Miguel Herrera López, um coração enorme aninhado num corpo desajeitado que não tem especiais (nem ordinárias) capacidades para vingar como futebolista profissional - sim, meus caros, não mudei de opinião de um dia para o outro - mas que, contra todas as probabilidades, se mantém como titular no meu Porto com todos os treinadores que por ele têm passado, chegando até a capitão de equipa com Sérgio Conceição.

Foi Herrera, el Capitán, quem num momento de inspiração individual e já ao cair do pano, se encheu de fé e coragem e fuzilou o batoteiro Varela sem apelo nem agravo, para indescritível alegria da nossa nação e exemplar castigo para todos os que andam há quatro anos a festejar uma gigantesca farsa, mais ainda aos que albergam negligentemente essa culpa na consciência.

Ao contrário do que fui ouvindo e lendo, não penso que se tenha tratado de alguma espécie de justiça divina. Se houve alguma justiça a ser feita, foi a dos homens, daqueles que mais têm sentido na pele as trafulhices dessa corja de sem-vergonhas que tomou de assalto um dos grandes clubes do país.

O futebolista Herrera não é meu novo ídolo, nem sequer revi ainda um ponto que fosse sobre a minha opinião já muito fundamentada sobre si, mas se viermos finalmente a conquistar este campeonato como agora já exijo, entrará com todo o merecimento para a galeria dos imortais do Futebol Clube do Porto.




Para se chegar àquele momento mágico, houve que passar por 89 minutos muito intensos e emocionalmente exigentes, com diferentes momentos e muitas incidências a registar, mas todas dentro da normalidade de um Clássico. 

Creio com sinceridade que o Porto deveria ter feito mais para ganhar o jogo, considerando que estava e de lá sairia em segundo na classificação se não o tivesse vencido. 

A primeira parte foi muito mais do Benfica, já ponderados os diferentes momentos de dominância de cada uma das equipas. Mais concentrados, menos ansiosos e mais eficazes na construção - felizmente não na finalização. Também tivemos as nossas oportunidades, mas já muito "tarde" na metade.

O intervalo foi bom conselheiro (kudos a quem tiver feito por isso, imagino que com o treinador à cabeça) e a nossa reentrada forte e determinada foi decisiva para amedrontar os da casa, remetendo-os uma vez mais para os seus fantasmas e correspondente incapacidade de nos defrontar olhos-nos-olhos. 

Fiquei então com a clara sensação que, a partir daí, se trataria de uma corrida contra o relógio do árbitro na tentativa de conseguir fazer um golo que nos daria a quase-certa vitória. Claro que seria sempre possível sofrer um golo, em especial se o nulo se mantivesse e o desespero se apoderasse (como me parece que se apoderou) dos nossos jogadores, mas parecia-me mais provável que fossemos nós a marcar.

Tivemos duas ou três boas oportunidades, em especial a(s) de Marega, mas sempre sem a necessária e exigível eficácia. Com o nulo a manter-se, Sérgio Conceição arriscou tudo o que podia, fazendo entrar sucessivamente Óliver, Corona e Aboubakar. Em sentido inverso, o sonso-mor foi mexendo no sentido de não sofrer, apostando na manutenção da liderança que ele bem sabe lhe poderia bastar para o objectivo final.

Com o final do tempo regulamentar a aproximar-se, comecei a resignar-me que uma vez mais não iríamos ser capazes de domar o nosso destino, sem contudo deixar de espreitar para a eterna memória de Kelvin & companhia... Espreitava já o jogo de esguelha, com ângulo suficiente para apenas distinguir cores e movimentos, quando detectei uma aproximação relevante de azuis à área encarnada, numa espécie de último assalto e num impulso recuperei a visão total do televisor. O resto já é história - da boa.

Apesar da vitória, não vou deixar de registar mais uma lamentável transmissão da SVTV, tanto a nível "técnico" como "estratégico". E se quanto ao facto de nos fazerem perder quase metade do jogo em directo à custa de repetições inoportunas e demasiado longas se pode dizer que são apenas maus profissionais de realização, já em relação à constante sonegação de imagens e ângulos nos lances em desfavor da sua equipa e consequente deturpação da percepção pública do que de facto se passou dentro do campo, o que se TEM de dizer é que esta vigarice tem de acabar JÁ. Por princípio, a nenhum clube deveria ser permitido controlar a transmissão dos seus jogos. A este clube em concreto, ainda menos.






Notas DPcA 



Dia de jogo: 15/04/2018, 18h00, Estádio da Luz, SL Benfica - FC Porto (0-1)


Iker (8): Começa a ser normal assistir a grandes exibições do senhor Casillas neste palco, como se já não bastasse o temor natural que nos têm em termos ofensivos. Enquanto estivemos por baixo no jogo, foi Iker que nos manteve igualados e com as aspirações intactas. Herrera foi o mais decisivo pelo golo, mas Iker foi uma vez mais providencial. #renovaCasillas

Ricardo (7): Dois jogos num só. O primeiro, de fraca qualidade pela intranquilidade e desacerto, durou até cerca dos 40 minutos, quando o próprio teve uma iniciativa individual que quase dava golo. A partir daí, em especial durante todo o segundo tempo, foi um monstro e dominou por completo o seu corredor, dando inclusive para se aventurar pelo meio.

Alex Telles (6): Mesmo sem deslumbrar ou fazer as habituais assistências, fez uma segunda metade de bom nível que mais do que compensou o desacerto da primeira.

Felipe (7): Quase sempre bem nas marcações, conseguiu controlar os ímpetos e em nenhum lance se expôs para sequer ser advertido. Boa evolução, que espero não tenha volta atrás.

Marcano (7): Jogo com algumas falhas, mas felizmente sem consequências de maior. Quando mais foi preciso, voltou à sua normalidade e desfilou eficácia e sobriedade.

Melhor em Campo Herrera (5+5): Sim, sim, meninas e meninos, para mim foi o pior da equipa (ex-aequo) até ao sublime momento de glória, porque uma vez mais se fartou de desperdiçar posses de bola, para além do péssimo posicionamento em vários momentos da primeira metade. É certo que melhorou um pouco em sintonia com a equipa, mas não o suficiente para justificar uma nota positiva. Até que... "saiu" o Héctor Miguel e entrou o Capitán Herrera, o primeiro vingador e novo justiceiro super-herói do Portismo, que desenhou um momento de perfeição que perdurará para sempre na memória de quem teve a felicidade de o viver.




< 74' Sérgio Oliveira (6): Trabalhou muito e sentiu claras dificuldades para travar as saídas rápidas e em superioridade numérica dos adversários, pelo que não lhe sobrou grande tempo ou espaço para se destacar com bola a não ser pelos passes longos. Foi imprudente no lance em que agarrou Cervi, mesmo se Felipe foi quem fez a falta primeiro, porque deu margem de manobra para uma má interpretação do árbitro e consequente expulsão.

< 80' Otávio (5): A par de Ricardo, foi dos piores durante a primeira meia hora, com muitos passes perdidos e mau posicionamento defensivo. Melhorou a tempo de ajudar a equipa a crescer e conquistar o domínio da partida, até que depois saiu vergado ao cansaço e ao amarelo.

Brahimi (6): Sem ser um Brahimi especial, esteve bem melhor do que nas últimas partidas, porque foi capaz de perceber quando deveria insistir no lance individual ou servir os companheiros, garantindo com isso o "manter em sentido" de dois ou três adversários de cada vez, o que libertou espaço para os companheiros.

Marega (7): Regressou da lesão para a titularidade numa forma física invejável, só foi pena que o acerto na finalização ainda estivesse "em recuperação". Teve duas oportunidades soberanas, uma em cada parte, que nos poderiam ter dado vantagem mais cedo e provável acesso a uma vitória mais folgada e segura. Tirando isto, trouxe consigo o próprio modelo de jogo da equipa, que quase inacreditavelmente depende mais da sua presença do que a de qualquer outro jogador.

< 83' Soares (6): Esperava que fosse capaz de segurar mais a bola, dando tempo aos companheiros para subir e/ou ganhar fôlego. Ao invés, foi muito "anjinho" nos duelos, perdendo quase sempre o tempo de abordagem ou de domínio da bola. Quando conseguiu furar deu alguma profundidade, mas faltou-lhe estar mais perto da zona de tiro e com boas hipóteses de acertar no alvo, algo que só me lembro de ter feito uma vez para rematar ao lado. Sobrou o muito trabalho físico e de desgaste que desenvolveu.

> 74' Óliver (6): Não entrou como ele e todos desejaríamos, mas lá se encaixou no jogo e acabou por participar na ofensiva final, mesmo se de forma discreta.

> 80' Corona (6): O outro regressado de lesão denotou mais essa condição, mas participou no "contexto" que nos trouxe a felicidade. Desta vez, foi suficiente.

> 83' Aboubakar (6): Se mais não fez, esteve no lance em que a bola sobrou para Herrera nos fazer felizes. Para mim, chegou.

Sérgio Conceição (7): Uma primeira parte decepcionante para quem tinha de vencer, felizmente compensada com a segunda, onde justificamos a sorte que foi aquele momento H. No entanto, demos uma vez mais "uma parte de avanço", desperdiçando meio jogo. O que mais me agradou foi detectar que não hesitou em entrar em modo de desespero, mas de forma racional e acertada. Óliver tinha mesmo de ser, Corona foi ainda mais longe do que eu imaginava (Maxi para defesa e Ricardo a extremo) e Aboubakar a troca directa que se impunha. No final, festejou como todos nós e deve orgulhar-se de muito ter contribuído para isso. No entanto, atenção: os jogos mais difíceis são os que se seguem.





Outros Intervenientes:



Quanto à equipa da SAD Sem-Vergonha, Rafa foi quem mais se distinguiu, com nota positiva também para Grimaldo. Destaque ainda para o divino castigo final ao batoteiro Varela, espécie de parábola para o que foi efectivamente infligido ao clube que representa.


Em relação à arbitragem de Soares Dias & companhia, teve uma prestação defensiva, tipicamente portuguesa, apitando quase sempre as faltas no sentido em que geram menor polémica, como seja proteger quem defende. Disciplinarmente, perdoou demasiados cartões para ambos os lados (Herrera, Brahimi, Pizzi, Samaris, Samaris), mas nos lances mais polémicos e decisivos esteve bem.

- Lance entre Marega e Rúben Dias: o contacto de pernas pareceu-me normal, já o empurrão pelas costas deveria ter valido um livre muito perigoso, porque ainda fora da área. Em todo o caso, não foi flagrante ao ponto de exigir que tivesse sido marcado;

- Lance do possível segundo amarelo a Sérgio Oliveira: a falta foi cometida por Felipe e só depois houve o agarrão do Sérgio, pelo que em rigor a decisão foi correctíssima. No entanto, acho que o jogador se arriscou em demasia e o árbitro poderia ter interpretado de maneira diferente;

- Lance entre Ricardo e Zika: no momento, ainda hesitei entre a possibilidade de poder ou não ter sido marcado penálti, mas após algumas repetições fiquei totalmente convencido que nunca poderia ser marcado, porque nada de ilegal aconteceu no lance. Admitiria que o árbitro, num primeiro momento, pudesse ter a sensação de ser penálti, mas o vídeo-árbitro jamais poderia ter outra decisão.




Uma vez mais, quero aqui insistir na mesma tecla em que toquei na minha prestigiosa intervenção no A Culpa é do Cavani na antecâmara da partida, onde disse que mais do que o jogo da Luz, me preocupavam os que se seguiriam. Não estava nem a menosprezar o Clássico nem a exacerbar os demais: estava mesmo a dizer o que penso.

Os sem-vergonha não chegaram até aqui, a escassos quatro jogos de um inédito penta, para desistir agora. Da mesma forma que até aqui chegaram - a viciar e adulterar resultados - vão fazer tudo o que estiver ao seu alcance (e que ainda é muito, infelizmente) para que o Porto não vença os seus jogos.

A isto acresce ainda a dificuldade natural dos próprios jogos:

- Os jogos caseiros são contra V. Setúbal e Feirense, clubes com que registamos empates caseiros, desperdiçando pontos decisivos para os insucessos das épocas mais recentes;

- As saídas são ao Marítimo (provavelmente, o campo onde temos mais dificuldades) e Guimarães (sempre difícil, seja qual for a circunstância).

Estes quatro jogos serão todos, mas todos eles, muito difíceis se não os encararmos seriamente do primeiro ao último minuto. Claro que temos capacidade para os vencer, um por um, mas teremos de estar preparados para as minas e armadilhas que aí vêm.

Antes disso, há ainda uma segunda-mão da meia-final da Taça para disputar e vencer - no mínimo, fazer um resultado que assegure a presença no Jamor.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco