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terça-feira, 3 de abril de 2018

Tolhidos dos Pés à Cabeça


Adorava ser o pessimista que muitos optimistas sem fundamento acham que sou. Era sinal que hoje não tínhamos perdido no Restelo e que continuávamos no primeiro lugar.

"Em teoria, o Porto tem o seu jogo mais complicado na deslocação ao Benfica R (de Restelo), pela normal dificuldade que sentimos nesse jogo e por tudo o que os da filial vão querer oferecer à casa-meretriz.", escrevi após a derrota em Paços.


Foto de Carlos Alberto Costa

Lamentavelmente, demonstrou-se que sou mais para o realista. Hoje mas não só, porque este foi apenas mais um andamento de uma série muito fraquinha de exibições, que só não deram mais nas vistas por força das sempre salvadoras vitórias que fomos conseguindo pelo caminho. 

Aliás, este é um dos dois pontos importantes que quero passar nesta crónica, que de análise ao jogo propriamente dito terá muito pouco: se houvesse equilíbrio nos erros de arbitragem nos jogos dos três candidatos nas jornadas já disputadas, a derrota desta noite representaria apenas um encurtar de distâncias dos perseguidores para o líder, pouco ou nada relevante na caminhada triunfante até aos Aliados.

Como todos sabemos - mesmo os que fazem de conta que não sabem - não foi assim. O Porto, enquanto esteve na mó de cima, jogou e fez o suficiente para ter pelo menos mais SETE pontos do que tem hoje e os sem-vergonha um a menos (empate nas Aves: +2 pontos; empate com sem-vergonha: +2 pontos para nós e -1 para eles; empate em Moreira: +2 pontos). Isto sem contabilizar eventuais benefícios indevidos dos outros nos seus restantes jogos.

Este sete pontos seriam mais do que suficientes para ganhar o campeonato ainda em Abril, até porque não é difícil antecipar os efeitos psicológicos antagónicos que provocariam no Porto e nos da Segunda Circular e consequentes repercussões nas respectivas exibições.

Aconteça o que acontecer, nunca deixarei isto cair no esquecimento, tal como não deixo os (pelo menos) cinco títulos viciados que os sem-vergonha festejaram desde 2005.


Sobre o jogo, quero começar por dizer que é absolutamente vergonhoso que um adepto faça centenas de quilómetros e que o seu bilhete não lhe permita ver o jogo com as mínimas condições exigíveis. Já nem falo em conforto ou segurança, falo mesmo de conseguir ver o jogo. Cheguei já com o jogo a decorrer ao sector das claques e tive de ver toda a primeira parte a espreitar por entre cabeças, tal o excesso de pessoas presentes para o número de lugares. É ridículo e inadmissível, mas como estes são os que vão sempre, façam o que lhes fizerem, continuarão a tratar assim os adeptos visitantes. Lastimável.

Sobre o que vi ou fui vendo dentro de campo, uma outra lástima. Uma equipa totalmente perra, presa de movimentos e de ideias, aparentemente receosa do que finalmente lhe acabou por acontecer. É difícil entender como é que as cabecinhas dos jogadores não foram trabalhadas para estarem preparadas para enfrentar este jogo tão importante. Não se viu um passe de ruptura, não se viu um remate de longe, não se viu ninguém a arriscar poder ser feliz: tudo e todos retraídos, toques curtos e lateralizados ou balões sem velocidade para a defensiva contrária anular com toda a facilidade. Uma verdadeira lástima.

É verdade que o Belenenses foi feliz pela elevada eficácia que conseguiu, mas os erros foram nossos. Do primeiro golo nem falo, mas o segundo é uma falha de marcação colectiva, inadmissível e só compreensível à luz desse desnorte a que me refiro. Tolhidos dos pés a cabeça, todos os nossos. Mais grave do que os golos sofridos foi o que não conseguimos fazer. Tivemos oportunidades, várias, mas todas desperdiçadas, ora por finalizações ridículas, ora por boas defesas do GR adversário.





Notas DPcA 



Dia de jogo: 02/04/2018, 20h00, Estádio do Restelo, CF Os Belenenses - FC Porto (2-0)


Nota (6): Iker, Maxi, Ricardo

Nota (5): Felipe, Telles, Herrera, Soares, Danilo

Nota (4): Osório, Sérgio Oliveira, Brahimi, Aboubakar, Paulinho, Gonçalo 

Sérgio Conceição (3): Outra derrota impensável e desta vez quase merecida, de tão mau que foi o nosso jogo. Pouco importa o que se diga agora sobre opções, o que é factual é o desperdício de três pontos e uma exibição assustadora. O principal responsável neste tipo de derrota só pode ser o treinador. A equipa tem de melhorar, mas Sérgio Conceição tem de melhorar antes dela para que isso seja possível. Tem sete dias para o conseguir. Acredito sinceramente que o vai fazer.


Outros Intervenientes:


Quanto à equipa da SAD que é a rameira preferida da meretriz Sem-Vergonha, nada a dizer que não seja felicitar pelo resultado, com destaque para o guarda-redes André Moreira como o corolário desta equipa bem montada por Silas.

Sobre a arbitragem e dadas as condições em que vi o jogo, nada a dizer por agora. Se algo surgir entretanto, cá voltarei.




De repente, o Porto da segunda metade da época passada parece ter regressado. Há que o repelir de imediato para os confins do esquecimento e voltar a agarrar as rédeas do nosso destino. Este é o segundo ponto importante que vos quero transmitir agora, em cima desta derrota calamitosa: quem continua a mandar no que nos vai acontecer somos nós. Seis vitórias nos seis jogos derradeiros significam que atingimos o objectivo, mesmo com tudo o que nos fizeram pelo caminho (e vão continuar a fazer até final e ainda com mais força, como é óbvio).

Já no próximo jogo, vamos ter o mesmo Aves da primeira volta, a querer lamber as botas enlameadas do dono, recorrendo a todos os expedientes para o conseguir. A apitar e na sala de vício, estarão uns quaisquer atentos a tudo o que possam fazer para ajudar ao desígnio nacional do Portugalistão. No seguinte, dez vezes pior. E se em nenhuma das duas tropeçarmos, assim continuará até final. JÁ SABEMOS QUE VAI SER ASSIM, NÃO HÁ QUE FINGIR!

A começar pelos jogadores. Não podem continuar a discutir com os árbitros ou a deixarem-se envolver em querelas com adversários fraudulentos: se querem ser campeões, têm mesmo de vencer os jogos apesar deles. Não há nem haverá volta a dar enquanto toda esta corja não for finalmente varrida e colocada atrás de grades.

Isso significa jogar muito mais do que têm feito, em especial nos jogos fora do Dragão. Há que recuperar a força colectiva que nos fez chegar até aqui (Marega incluído nesse pacote, conforme venho insistindo). Como sempre até agora, tem a palavra o mister Sérgio Conceição.

Agora sim, acabaram-se em definitivo as margens para errar. Se voltarmos a falhar, falharemos de vez. Agora sim, é preciso que o espírito das Antas se entranhe neste grupo de jogadores ainda sem títulos e os ajude a serem os homens que podem e têm de ser. Contra TUDO e TODOS os sem-vergonha, como sempre foi.


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



sábado, 14 de outubro de 2017

Um Mundo de Diferença


Começou tranquila e generosa a nossa participação na Taça de Portugal. O adversário, um brioso, histórico, mas agora amador Lusitano Ginásio Clube "de Évora" é de uma outra realidade, a um mundo inteiro de distância, pelo que o desfecho da eliminatória nunca poderia estar verdadeiramente em causa.

Bruno de Carvalho / Kapta+

"Nunca poderia" desde que treinadores e jogadores abordassem o jogo com a indispensável seriedade. E assim foi. Confesso até que senti um extrazinho de orgulho ao ver como, genericamente, todos se comportaram durante os noventa minutos.
A abordagem de Sérgio Conceição foi a que considero sempre a mais indicada: uma mistura equilibrada de jogadores pouco ou nada utilizados com titulares. Faz-me muita confusão quando treinadores mudam por completo o onze em partidas oficiais onde há um troféu em disputa, por mais fraco que aparente ser o adversário. É que onze jogadores sem "entrosamento" são só onze jogadores, nunca uma verdadeira equipa. Bem, Sérgio.
Deu até para observar fenómenos raros, como o sorriso de Brahimi a partir do banco. Ele, que ajudou a decidir a eliminatória nos 45 minutos que esteve em campo, passou a segunda metade a experimentar a sensação de ser adjunto, sempre interessado e motivado com o que se ia passando em campo. Gostei. Pode ser que ele também.

O resultado final serve de amostra ao tanto que separa as duas equipas e o Lusitano deve sentir-se feliz pela oportunidade e desempenho. Quanto a nós, missão bem cumprida. Siga para Leipzig.


Notas DPcA 


Dia de jogo: 13/10/2017, 20h15, Estádio do Restelo, Lusitano GC - FC Porto (0-6)


Nota (7): Brahimi < 46', Aboubakar < 52', Marcano < 67'
Nota (6): José Sá, Reyes, André André, Óliver, Otávio, Ricardo 

Diogo Dalot (7): Claramente o segundo maior vencedor da noite, logo a seguir ao Clube. Aproveitou por completo a oportunidade, revelando uma maturidade fora do comum, e ainda mostrou versatilidade ao jogar (bem) em ambos os lados. Está pronto... ou parece estar.

Hernani (6): Na maior oportunidade que teve até ao momento, esforçou-se por não defraudar e mostrar que merece mesmo estar no plantel. Muita coisa não lhe saiu bem mas teve pelo menos o mérito de nunca baixar os braços. O prémio chegou já em cima do apito final, com um golo de "meio-escorpião", feliz mas vistoso. Dá para continuar a sonhar...

> 46' Galeno (6): Reforçou a ideia com que dele fiquei na pré-época, é uma mini-locomotiva (tipo Marega, mas com "volante") que arranca rumo à linha de fundo e não quer saber de mais nada. O que é uma chatice, porque a baliza só tem 9 metros e pico e está a meio dessa linha. Fez o seu golo, o que é sempre motivador, mas desperdiçou mais dois ou três. Não, não está pronto ainda.

> 52' Luizão (5): Possivelmente a exibição menos conseguida, denotando claro nervosismo nesta estreia às ordens de Sérgio Conceição. Não tenho visto as suas exibições na B, pelo que não sei do que já mostrou ser capaz, mas para este nível ainda não dá.

> 67' Jorge Fernandes (6): Aproveitou para mostrar pormenores, bons pormenores, como a facilidade de recepção e domínio da bola e sentido posicional. Não deu para muito mais, porque não havia quem o testasse a sério. A rever, certamente.

Sérgio Conceição (7): Fez tudo o que lhe competia, sem facilitar nem exagerar. Deu oportunidade a Bs e a As menos utilizados, ritmo a quem não esteve em compromissos internacionais e passou a eliminatória de forma clara. Também aqui, houve um mundo inteirinho de diferença face a vários dos seus antecessores.


Bruno de Carvalho / Kapta+


Segue-se importante desafio em Leipzig, onde teremos a possibilidade de dar metade de um passo gigantesco rumo ao apuramento, que seria a conquista de duas vitórias neste duplo confronto. Mas, um jogo de cada vez.

Vamos confiantes, pelo que temos vindo a fazer, mas sem esquecer o que aconteceu na estreia com o Besiktas. Easy does it.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




domingo, 27 de novembro de 2016

Os Pais do Tetra


Parece que hoje houve uma treta de um jogo em Belém. Mas apetece-me antes falar do tetra.

 


Sejamos claros e frontais, para amortecer a pancada no final: o Benfica vai ser tetracampeão. Do #colinho, com certeza. Mas ainda assim tetracampeão.

Vou repetir, para carregar um pouco mais na ferida: o Benfica vai ser tetracampeão. Ao #colinho de vários pais:

- LFV, de vulgar vigarista a auto-proclamado estadista. Algum mérito terá, quanto mais não seja o de saber imitar.

- Vítor Pereira, o cão-de-fila de Vieira. Lançou os sólidos alicerces da corrupção benfiquista da arbitragem antes de fugir para o Brasil. Como se esperaria de um verme.

- Pinto da Costa, de melhor presidente de todos os tempos a um presidente derrotado, cansado e impotente. A queda de um semideus que afinal é apenas um homem, mortal e falível como o resto de nós. 

Pode parecer cruel associar o presidente do FC Porto à (mais do que provável) maior conquista nacional do Benfica, mas é apenas justo. Vejamos os factos ou, se preferirem, os seus quatro pecados capitais:

a) Erros consecutivos na escolha do treinador (já vai pelo menos em QUATRO, conforme os resultados comprovam), tarefa que sempre anunciou aos sete ventos ser de sua exclusiva responsabilidade;

b) Consentir o enfraquecimento da estrutura directiva pela ingerência excessiva de entidades externas, em particular pela reaproximação ao filho Alexandre e subsequente permissão (tácita ou expressa) para influenciar e interferir na gestão da SAD;

c) Provavelmente também consequência do ponto anterior, incúria na gestão desportiva (e por arrasto financeira) que se traduziu em plantéis cada vez menos competentes mas mais caros e extensos (incluindo emprestados e dispensados);

d) Incapacidade total e confrangedora em combater e reverter o domínio do Benfica sobre as estruturas do futebol, desde as disciplinares à fundamental e primordial da arbitragem. O descaramento chegou ao ponto a que todos temos assistido esta temporada, após outras três de indiscutível, ilícito e descarado favorecimento dos lampiões.




Temos também uma longa série de tios do tetra, alguns dos quais convém não deixar cair em esquecimento: Adelino Caldeira, Alexandre Pinto da Costa, Antero Henrique, Paulo Fonseca, Lopetegui, Peseiro, Nuno Espírito Santo, Maria José Morgado, Ricardo Costa, Ferreira Nunes e federação e árbitros em geral.

Que se consolem os que vivem na alegria de um ainda inédito penta, pois que ainda lhes sobra mais um ano e tal de exclusividade. Não abram já os olhos, não vão para a rua gritar, porque este presidente fez tudo por nós. Mesmo se hoje tudo esteja a ruir à nossa volta, enquanto o alegre bando dos Super emula a banda do Titanic. Há um vazio que nos envolve.


[ Digo já hoje o que me assola o pensamento para que não restem dúvidas. Não voltarei a falar de Pinto da Costa nem da sua direcção/administração até que chegue o (nosso) final da época, salvo novas "revelações". E em relação a NES, apenas analisarei o seu desempenho e evolução. A contratação foi um erro mas está consumada. E todos sabem o que penso sobre mudanças de treinador a meio da época (e se não sabem, podem ler aqui).]



Sobre o tal jogo em Belém, umas notas rápidas.

A equipa do Porto fez-me lembrar quando jogava futebol de 11 com amigos, ao fim-de-semana. A malta encontrava-se uma hora antes, tomava café, fumava uns cigarros, mandava umas piadas, equipava-se e ia aquecer. Uns minutos (segundos?) antes de começar, relembrava-se as posições de cada um e pronto. Estava feito. Cada um que fizesse o melhor que soubesse. A diferença? Normalmente não nos saíamos mal. E até golos marcávamos. Sem treinador.

Devo, porém, insistir na mesma tecla: os jogadores entregam-se, lutam, tentam, mesmo não sabendo como. Há essa diferença face ao ano passado e ao anterior a esse. O que já não conseguem é sacudir a pressão acumulada de tantos maus resultados consecutivos, a cabeça já não está limpa como seria desejável (e fundamental). O factor de continuidade do problema está no banco, obviamente - pela incapacidade do treinador e pela falta de soluções que (também) daí deriva.



Notas DPcA 

Dia de jogo: 26/11/2016, 18h15, Estádio do Restelo, CF Os Belenenses - FC Porto (0-0)


Nota 7: Casillas
Nota 6: Danilo, Telles, Marcano
Nota 5: Maxi, Felipe, Corona, Otávio 
Nota 4: Óliver, André Silva, Jota, Varela, André André, Depoitre
Nota 3: NES



Outros Intervenientes:


Nem vou perder tempo com a arbitragem de Manuel Oliveira (o tal que foi muito contestado pelo vigarista-mor após o SLB - V. Setúbal), foi apenas mais uma actuação hostil e nem foi das piores. Tudo na boa.

Quero sim saudar o regresso do bom, velho Belém, aquele clube honrado e honesto cuja equipa de futebol dá tudo em campo e que tanto orgulha os seus adeptos. Por momentos ainda temi que pudesse subir ao relvado aquela versão de rameira oferecida que se abre toda mal sente o cheiro a papoila. Só que não, era contra nós que iam jogar. Continuem a depositar flores, meus senhores, só lhes fica bem.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor



 

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Brincar com o Fogo


O início de noite em Belém prometia ser calmo e aprazível. Um golo madrugador, outro oferecido pelo sportinguista Tonel e aparentemente estavam reunidas todas as condições para uma vitória tranquila. Aparentemente...




Acabei o jogo aos gritos com as paredes, a morder os lábios e com vontade de insultar todos os que naquela altura vestiam de branco sobre o relvado do Restelo. Não, não foi nada tranquilo.

Ainda antes do final da primeira parte, o arruaceiro Martins deixou um aviso com um grande livre que explodiu no poste e depois foi Juanto, em boa posição, a atirar ligeiramente ao lado. Entre os dois, Brahimi viu o seu segundo da noite desviado por um defesa azul.

Mas até aqui tudo bem, reação natural da equipa que se encontrava nessa altura fora do jogo e nós a procurarmos o golpe final em saídas rápidas. O problema é que a segunda parte foi uma coisa completamente diferente, ao ponto de chegar a ser desesperante de assistir, impotente, ao regresso de um Caeiro qualquer para nos tramar de vez.

Voltamos a ter mais oportunidades para chegar ao terceiro (duas flagrantes e outras mais que não chegaram a sê-lo porque a assistência não saiu ou porque o pé errado no sítio errado se transformou em trambolhão). E se tivesse entrado uma delas, certamente até a reação do Belenenses perderia fulgor. Mas nada disto explica a hecatombe que equipa sofreu após o intervalo. 

Parte do problema esteve, claramente, na falta de pernas. E mesmo descontando André - que parecia já estar cansado mesmo antes de o jogo começar - a grande maioria caiu a pique na segunda parte. Poupanças com o Dortmund? Certo...

Mas e como explicar "o resto"? Meio campo simplesmente desintegrou-se enquanto tal. Funcionava cada um por si e quase sempre mal. A sair para o ataque menos mal, mas em termos de organização defensiva, marcações e ocupação dos espaços... minha Nossa Senhora! Não quero nem vou ignorar a importância que o mérito adversário teve neste volte-face, mas caramba, é o Clube de Futebol Os Zero-Onze! Mexeu bem sim senhor o treinador deles, mas então e nós? Deixamos de jogar? Incapazes de nos reorganizarmos a partir do banco?

Chegou a ser um sufoco. Aqueles últimos 10 minutos (descontos incluídos) passei-os com o credo na boca. Sem necessidade nenhuma, digo eu. No final, o essencial foi conseguido. Ganhámos. Mas suspeito que se continuarmos a brincar com o fogo, um destes dias acabaremos por nos queimar. Haja coração por estes dias.


Notas DPcA:


Dia de jogo: 28/Fev/2016, 18h15, Estádio do Restelo. CF Os Belenenses - FC Porto (1-2).


Melhor em Campo Casillas (7): Foi uma daquelas noites em que justificou o que ganha. Foi o verdadeiro guardião dos três pontos. 

Maxi (6): Mais um que denotou falta de ar para aguentar noventa minutos sempre a pedalar. E desta vez até deu abébias defensivas que não lhe são normais. 

Ángel (5): Já desisti de magoar os nós dos meus dedos a esmurrá-lo. Além de doer, cansa. É de outra galáxia e para lá há-de voltar. 

Marcano (6): Parecia Ramsés II (com cerca de 2 mil anos e devidamente ligado) no golo sofrido e noutros lances, mas acabou por chegar a positivos graças a tudo o resto que fez e que contribuiu para não sofrermos o segundo. 

Chidozie (6): Outro jogo, outras falhas complicadas. No golo e numa outra jogada pela direita belenese em que foi ultrapassado como se se tivesse desmaterializado de repente. Mas a verdade é que depois se recompôs e acabou por ser importante em vários momentos com cortes decididos e provavelmente decisivos. 

Danilo (6): Não sobressaiu como nos jogos mais recentes, mas também não esteve nada mal. Ou então sou eu que já me habituei ao muito que faz de bom e subi (injustamente) a fasquia da exigência.

<-74' André (5): Não está em condições de jogar. Não sei por que motivo(s), mas não está. E portanto convinha que não jogasse até que volte a estar. 

Herrera (6): Chega a cansar vê-lo desgastar-se como um iniciado na sua primeira oportunidade, que quer ir a todas e raramente vai a propósito. Agora deu-lhe para isto. Enfim, também jogou e tal, só dois passes à Errera... ok, mínimos conseguidos.





<-62' Corona (6): Hoje não achei que estivesse mal, pese ainda não ter recuperado por inteiro a necessária objectividade que o seu jogo terá de ter. Correu, combinou e foi ajudando a defender. Apenas q.b. Mas vendo à posteriori o que jogou quem o substitui, fico a pensar que nunca deveria ter saído... 

<-88' Brahimi (7): Boa primeira parte, onde conseguiu um golo e inventou mais um, além de desgastar a paciência aos contrários. Na segunda afundou-se com a equipa até ser substituído, perto do fim, por lesão.

Suk (7): Se Herrera cansa, este extenua. O homem corre, corre, corre, salta, bate, luta e depois volta a correr. Ficou perto do golo, que diga-se teria sido justo prémio (para ele e para nós). Não exultei com a notícia de que Abou tinha sido relegado para o banco, mas verdade seja dita que provavelmente teria feito bem menos que o coreano.

->62' Marega (4): Não defendeu o lateral, aquele corredor parecia um passador a partir da sua entrada. A atacar foi uma autêntica nódoa, variando entre falhar por completo a abordagem e escorregar na hora h. E quase a acabar ainda perdeu um despique de cabeça que poderia ter sido fatal. Tudo mal feito, tudo ao contrário. Há dias assim, mas que só se aceitam pela sua raridade. Capisce?

->74' Evandro (6): Voltei a achar que acrescenta pouco à equipa. Não esteve propriamente mal, mas é tudo tão medianozinho... Quo vadis Sérgio Oliveira?

->88' Varela (-): Entrou para o lugar do lesionado Brahimi. Sem tempo suficiente para justificar nota.

Peseiro (6): Tenho que considerar positivo pelo resultado. Ganhámos e nada mais importava. Ou melhor, nada mais tinha a mesma importância. O problema é que quase não ganhávamos e isso depois de termos chegado a uma confortável vantagem de dois golos aos 18 minutos. Não sei o que foi dito ao intervalo mas o facto é que a equipa de desconjuntou e passou a caminhar sobre o relvado de modo errante e (de novo) temerosa que o céu lhe caísse em cima. As substituições também não ajudaram. Marega entrou horrivelmente e parece-me que demasiado cedo. Já André saiu demasiado tarde (houve até quem jurasse não o ter chegado a ver...) e Evandro foi incapaz de religar a equipa e serená-la no processo. Enfim, ganhámos. E os outros ainda não. Aguardemos com este conforto de missão cumprida.



Outros intervenientes:


Estava eu a pensar "mas que raio de cromos são estes os de Belém" após o autogolo do Stromp Tonel para meia hora depois ter que engolir tudo. Tenho dificuldade em perceber onde acaba o mérito de Julio Velásquez e começa o nosso demérito, mas seja onde for certamente que ele existe (o mérito do espanhol). Ao trocar o goleador Tonel por Miguel Rosa e reorganizar a equipa (confesso que não prestei atenção a como o fez), conseguiu fazer sobressair a qualidade de passe e de construção ofensiva de Carlos Martins e Bakic (interessante), a propensão ofensiva dos seus laterais e as boas características dos avançados Juanto e Sturgeon. Eu sei que são muitos destaques, mas caramba, a certa altura pareceu-me que o Belenenses estava a jogar com uns vinte ao mesmo tempo! Não estava?...

Sobre o árbitro capelão, confirmou-se o que tinha previsto. Está demasiado escaldado pelos favores ao Benfica para ter margem para continuar a fazê-lo à descarada. Houve alguns erros de análise, sobretudo por parte de um dos bandeirinhas, e a habitual e contrastante mão pesada para com os nossos jogadores. Mas nada que marcasse o jogo.


Segue-se o Gil e a confirmação do Jamor. Obviamente, nem me passa pela cabeça outra coisa. Que joguem os menos cansados. É que no próximo domingo vamos a Braga.



Do Porto com Amor