Do Porto com Amor: 2017

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Autofagia para Dummies


Conhecem aquela sensação de quando tudo parece a estar a correr demasiado bem para ser verdade? Si, si, esa mismo

A alma lusitana carrega no seu ADN esta particularidade de se achar sempre vítima do infortúnio cósmico, de ser eternamente uma pobre infeliz porque nunca abençoada. Vai daí que, se a vida lhe começa a correr bem para lá de um esporádico episódio, começa a desconfiar de tudo e de todos - hum, deve estar para me acontecer alguma... - e especialmente de si mesmo.

Consequência? Trata ela própria de transformar uma cisma patética numa realidade insofismável. E depois, surpreende-se com isso, ao mesmo tempo que se congratula por ter antecipado tal desfecho. Eu sabia que isto não ia durar! Não fui feito para ter sorte - isso é para os outros!

E pronto, assim se explica como se transforma algo bom em algo negativo, sem nenhum motivo para a transformação que não seja a palermice. É estúpido, não é?


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Achava que não seria necessário ou sequer oportuno retomar o assunto Casillas antes do jogo de sábado, contra o Paços. Porque, enfim, tinha a expectativa de ver reposta a normalidade - o regresso de Iker à titularidade - e, com isso, que o episódio de Leipzig se transformasse rapidamente numa ferida curada, de preferência sem deixar cicatriz no corpo (leia-se balneário).




Ao ver a capa de hoje d' O Jogo, sou forçado a mudar de opinião. Sabendo-se da proximidade do jornal com o Clube, não posso crer que uma capa destas saísse para a rua sem haver uma grande certeza sobre o tema. Admito até que o processo da sua formação tenha sido o inverso - do Clube para o jornal.

Assim sendo, deixaremos de ter um assunto para passar a ter um problema. Porquê? Vamos por partes:

1) Sérgio Conceição foi o escolhido para treinador, ou seja, liderar o conjunto de homens que tem à sua disposição com o propósito de obter o máximo sucesso desportivo. Dentro deste pressuposto, deverá agir como muito bem entender ser o mais apropriado para o conseguir.

2) Iker Casillas é um jogador do Clube e, no que a deveres e direitos diz respeito, deve ser tratado exactamente da mesma forma que qualquer outro jogador do plantel. Aliás, ele próprio deverá ter a consciência de perceber que o seu estatuto de estrela internacional lhe exige ainda maior obrigação de ter um comportamento que seja exemplar e inspirador para os companheiros mais novos e menos experimentados na alta roda do futebol.

3) Não creio que Casillas se tenha feito contratar pelo Porto. Foi certamente o Clube que o convenceu a vir para o Dragão, oferecendo-lhe as condições que achou adequadas - incluindo a prerrogativa de renovação "semi-automática". Uma vez assumido o compromisso, só tem de o honrar. Se não o queria fazer - o que poderia acontecer por razões perfeitamente válidas - teria de, em tempo útil, ter conversado com o jogador e assumir publicamente a intenção de quebrar a ligação.

Somadas estas três premissas, temos um treinador que tem como jogador mais caro e mais experiente o guarda-redes Iker Casillas. Começa a época e Sérgio opta por lhe dar a titularidade. Expectável. Por ser o mais caro e experiente? Também, claro, mas sobretudo por achar que é o melhor que tem à disposição.

Daí até Leipzig, esteve Casillas abaixo do que seria exigível entre os postes? Não. Alguém questionou a sua titularidade fruto de um suposto mau rendimento? Não. Então como pode Sérgio justificar a sua mudança de opinião, sabendo-se que os dois últimos jogos onde Iker participou (Mónaco e Sporting) foram de grande exigência e esteve perfeitamente à altura dos desafios?

Nunca com uma "opção técnica". Objectivamente, não há quase nada a apontar às exibições do espanhol, excepto no jogo com o Besiktas. Mas se fosse esse o motivo, então a mudança teria de ter ocorrido logo a seguir ou até no Mónaco, não agora. 

Se quisermos alargar o conceito de opção técnica aos treinos e estágios - e devemos fazê-lo, diga-se, só que não posso opinar porque a eles não tenho acesso -  então admite-se que possam existir motivos para sentar Casillas no banco. Se Sérgio privilegiar a disciplina de grupo sobre as exibições em campo, é compreensível que "castigue" alguém se não treinar intensamente ou não se comportar de acordo com as regras. Não faço ideia se isso se passou, embora seja o que o jornal sugere como motivos para a decisão.

Para mim, o mais importante nisto tudo não é o Sérgio nem o Iker. É o balneário. O espírito de grupo que se vinha construindo e cimentando a cada nova "batalha" ganha em campo. Aquela simbiose que permite que o todo seja muito mais do que a soma das partes. A génese do Mar Azul.

Que tudo isto seja posto em causa é que realmente me aflige. Desejo ardentemente que o treinador o tenha considerado. E correctamente avaliado o impacto no seio do grupo desta sua decisão. E claro, que Casillas saiba estar à altura do seu impecável estatuto. Da sua postura poderá depender a forma como o balneário (ou parte dele) reagirá. E até o próprio Sá.

Por último mas não menos relevante, temos José Sá, o sucessor em quem "a SAD deposita enorme confiança". Que entrou com o pé esquerdo. E que, até agora, não teve ainda oportunidade de demonstrar que tem o que é preciso para se assumir como titular do Porto. Nem sequer de o sugerir, digo eu. Por outro lado, quando se observa o que os mérdia escrevem e dizem sobre o mai'novo GR de sempre a fazer um autogolo na Champions, talvez Sá esteja no caminho certo. Esperemos que sim.


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Visto de fora, parece-me que Sérgio - e por consequência, todos nós - tem mais a perder do que a ganhar com esta opção. Pode correr mal de várias maneiras: balneário fracturado, más exibições de Sá, Mar Azul para o galheiro. Se lhe correr tudo bem, ficará pelo menos a sensação que arriscou sem necessidade. 

Se queria mudar o titular da baliza, esperava que Iker comprometesse - e se não comprometesse, aguentava. Fosse uma questão mais invisível ao público, como o comportamento no treino ou até do foro disciplinar, teria de a assumir frontalmente, para que não sobrasse dúvida sobre o motivo da sua decisão. Assim, fica a dúvida se não está simplesmente a querer mostrar que é o macho alfa da matilha.

Antecipando já comentários do tipo "és do FC Porto ou do FC Casillas?" ou "temos de estar juntos e unidos" (e apoiar tudinho de boca e olhos fechados), poupo-vos o trabalho de teclar explicando que é precisamente por estar preocupado com o sucesso do Clube e em particular desta equipa que estou a abordar este assunto. Porque tem todo o potencial para desestabilizar a paz perfeita que reinou até agora.

Do meu ponto de vista, é autofagia, pura e dura. Espero estar a ver mal.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Reality Check - Take Dois


Noite muito complicada beyond the wall (@Silva), traduzida na segunda derrota em três jogos na Liga dos Campeões, mas bem menos do que ameaçou ser.

Entrada pouco confiante - desconfiada até - do Porto no jogo, algo que os alemães sentiram e aproveitaram para cavalgar desde o início. Uma boa equipa a construir jogo, este Leipzig, alicerçada num meio-campo de muita qualidade e num ataque veloz e tecnicista.



Ainda mal refeito do choque sofrido com a não-titularidade de Casillas, eis que assisto, para grande infelicidade minha e de Sérgio Conceição, o bom do José Sá a meter água logo no primeiro lance mais apertado e a sofrer o primeiro golo. Se a equipa antes já duvidava do que estava a fazer, a partir daí ficou com a "certeza" de não saber onde estava metida e, pior, como sair dali com vida.

Com a bola a queimar, a única solução era aliviar para as couves do vizinho. Total desnorte e total incapacidade quer para travar um adversário com um plano "perfeito" para nos defrontar, quer para construir alguma coisa parecida com uma jogada.

Mesmo assim, os deuses do futebol não nos quiseram abandonar. À primeira meia-oportunidade, Aboubakar foi ultra-eficaz e repôs uma igualdade artificial, porque apenas existente no marcador. 

Um empate que nos deu moral para acreditar em qualquer coisa, ao passo que o Leipzig hesitou um pouco para perceber se havia algo de errado com o seu plano. Não havia. No espaço de três minutos, o resultado passou para 3-1 e tudo se parecia desmoronar rumo a um descalabro pouco simpático para os nossos egos. 

De novo, eis que os deuses decidem interceder a nosso favor, permitindo-nos um segundo golo à segunda meia-oportunidade, mesmo em cima do intervalo. 

Houve tempo no balneário para rectificar e tentar acalmar os espíritos inquietos que equipavam de azul e branco. O regresso foi mais ajustado ao que o adversário nos exigia, já sem Herrera naquela vertigem alucinada de pressionar a par de Aboubakar e sobretudo sem que o excelente Forsberg pudesse ter tanto tempo e espaço naquela terra de ninguém entre Danilo e a linha defensiva.

Pareceu-me que o próprio Leipzig se "auto-acalmou", tentando evitar receber mais golpes sem misericórdia como os dois da primeira parte, procurando o golo um pouco mais a partir de trás e sem tanta gente no último terço. E bem que o poderiam ter conseguido, tivessem mais acerto ou encontrassem menor tenacidade nos nossos centrais.

Convenhamos portanto que não foi por "acalmar" que deixaram de criar perigo ou que, por não terem conseguido concretizar, não poderiam ter sofrido o empate na parte final. Mas isso seria demasiado cruel para uma equipa que foi claramente melhor e, afinal, os deuses do futebol não estavam assim tão loucos.

Foi uma nova e brusca chamada à nossa realidade, demonstrando que os muitos progressos já conseguidos não são ainda suficientes para outras andanças e cenários - nem os da equipa, nem os do treinador. E que o plantel é o que é, nem mais, nem menos...





Notas DPcA 


Dia de jogo: 17/10/2017, 19h45, Red Bull Arena Leipzig, RB Leipzig - FC Porto (3-2)


José Sá (5): Recebeu do treinador um inesperado presente, mas que acabou por se revelar envenenado. Falhou logo no primeiro lance importante e sofreu um golo. Tremeu, o que se percebe, mas lá se conseguiu recompor para uma exibição "normal".

Layún (5): Se a ideia era capitalizar no seu "faro" de golo, o falhanço foi total. Raramente fez um bom passe (nem sequer se pode falar em tentativa de assistência) e a defender foi mais esforçado do que acertado. Tiro ao lado do treinador.

Alex Telles (6): Lutador mas pouco inspirado para sair com a bola, o que também se deve ao mau jogo colectivo. Sem bola, teve muito trabalho com Bruma e Cª e nem sempre respondeu à altura. 

Marcano (7): Não esteve isento de falhas, mas o que fez bem claramente superou o resto. Teve o jogo mais difícil da época, tal como os demais companheiros, e fez quase tudo para estar à altura. Ah, e ainda marcou. 

Felipe (6): Igualmente bem a defender e a socorrer, mas teve um lance que "facilmente" poderia ter acabado em penálti e expulsão. Não marcou, mas assistiu Abou para o nosso primeiro.

Danilo (5): Deve estar ainda a tentar perceber o que é que lhe aconteceu naquela primeira parte, tantas que foram as dificuldades por que a equipa passou com origem na sua zona de actuação. Na televisão, percebia-se com facilidade onde estava o problema - Forsberg sozinho entre o meio-campo e a defesa - mas em campo ninguém conseguiu lá chegar. Ou se perceberam, foram incapazes de se ajustar. A segunda parte foi bem melhor, mas nem assim se conseguiu estancar por completo a "ferida" central.

< 81' Herrera (4): Pronto, it has returned. Absolutamente perdido em todos os momentos, é quase irónico que mesmo assim tenha estado no sítio certo para fazer uma valiosa assistência. Resumindo, só esteve em campo 80 minutos a mais. Foi bom enquanto durou, embora se deva reconhecer que o erro estratégico não é da sua responsabilidade. 

< 58' Sérgio Oliveira (4): Outra vítima "inocente" da boa estratégia do adversário, andou 45 minutos às aranhas, totalmente perdido quando sem bola e sem lucidez quando na sua posse. Estranhei o seu regresso para o recomeço, mas o pouco tempo que lhe restou deu razão à minha estranheza. Se do seu banco ninguém o ajudou a fazer melhor como se exigia, ele próprio também não se desenrascou sozinho.

< 71' Brahimi (5): Na primeira parte quase não participou no jogo, apenas o vislumbrei já no último quarto de hora e pouco. Na segunda já foi mais "Brahimi", mas partiu muitas vezes demasiado de trás para poder fazer a diferença. Alguns lances bem combinados foi o que de melhor ofereceu à equipa, ainda assim mais do que a equipa lhe ofereceu a ele. Tentou, sempre, mas não teve como fazer melhor.


Aboubakar (6): Contra tudo o que tem feito, foi 100% eficaz logo à primeira oportunidade, ainda por cima num lance de elevada dificuldade de execução (then again, o problema dele são mesmo os lances fáceis). No restante, procurou ajudar a equipa a ter mais bola mas poucas vezes foi bem sucedido. Na frente, houve pouca "química" e, como consequência, poucas oportunidades para marcar. E nessas poucas, houve ainda menos clarividência.

Marega (4): O seu pior jogo desta temporada, totalmente incapaz de tirar partido das suas "peculiares" qualidades. Mérito sem dúvida para o Leipzig, mas na realidade isso pouco o pode consolar, porque a sua exibição foi pouco mais do que inócua.

> 58' Óliver (5): Entrou bem, dando algum sentido e ponderação à construção de jogo, mas rapidamente se deixou absorver por um jogo que se partiu em ataques rápidos e contras do mesmo calibre. Ainda assim, viu-se a diferença que poderia ter feito se tivesse alinhado de início, não em vez de Sérgio Oliveira, mas de Herrera.

> 76' Corona (6): Contra o que vem sendo o seu habitual, entrou muito bem no jogo e conseguiu esticar o jogo pelo flanco e chegar a zonas de perigo. Faltou sair aquele passe de morte ou a última finta antes do remate fulminante, mas gostei. Precisamos de um Corona assim, aliás ainda melhor do que isto, para que nem tudo se esgote em Brahimi.

> 81' Hernáni (5): Última cartada desesperada para chegar ao empate, tentou o que pode mas o que pode não chegou.

Sérgio Conceição (3): Continua o carrossel de aprendizagem deste nosso jovem treinador, umas vezes mais em cima, outras mais em baixo. Este foi um evidente baixo, de tão má que se mostrou a estratégia para este jogo e de tão impotente que se revelou para a rectificar antes que o prejuízo se tornasse irrecuperável. Se ao intervalo apenas perdíamos por um golo, isso em nada se deve ao treinador. Foram 45 minutos de gritante incapacidade de vislumbrar como estancar a avalanche ofensiva do Leipzig, demasiado tempo para um treinador de nível Champions. A nota explica-se porque entendo que deve ser distinguido como o principal responsável pelo mau jogo, mais do que qualquer um dos seus jogadores. E nela não está "ponderada" a ausência de Iker, porque não conheço os motivos.



Outros Intervenientes:



Que grande meio-campo tem este RB Leipzig, com Kampl mas sobretudo Keita e Forsberg. À sua maneira, todos grandes jogadores (agora sim, caro Vidente, percebo com que tipo de médios sonha). Se bem posicionados e perante um adversário impreparado, só podem mesmo ser letais. Então se a eles se juntar a velocidade de Bruma e Augustin... receita completa para o desastre dos adversários.


Quanto à arbitragem da equipa liderada por Paolo Tagliavento, nada de relevante a registar, o que só pode ser bom.


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Porquê, Sérgio?

Porquê inventar "desta maneira"? Será mesmo fado luso esta mania do treinador português pensar que redescobre a pólvora a cada novo desafio mais complicado?

Tinha corrido bem no Mónaco, eu sei, mas foi "só" com Sérgio Oliveira. Três jogos volvidos, toca de acrescentar à "construção" com nova invenção. Layún sempre foi troca directa com Ricardo, certamente baseada numa crença nas melhores possibilidades do mexicano sobre o português de fazer um bom jogo - eu discordo, porque quem tem as rotinas é Ricardo, mas enfim, é só o desabafo de um adepto.

Mas Casillas?

O argumento de escolher os melhores onze não convence, julgo que ninguém. Ainda menos depois de se assistir à forma pouco convicta como respondeu às naturais perguntas sobre o o tema, escondendo-se atrás de uma justificação que nem sequer é razoável, porque a posição de GR é diferente de todas as outras e a que menos alterações tende a ter ao longo de uma época.

Algo se passou, obviamente. O quê, só quem assistiu poderá saber. Falta perceber o que se seguirá, porque sendo um dos 25 que constituem o plantel, Casillas nunca será apenas mais um. E Sérgio sabe-o melhor do que eu.

Veremos o que se irá passar nos próximos dias e em especial no jogo com o Paços (bilhetes aqui), mas de onde me encontro, não consigo tirar nada de positivo desta decisão. Continuamos a crescer juntos...



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Nação Falhada e Imortal


Ouvi há pouco Miguel Sousa Tavares classificar o nosso como um Estado falhado, o que me fez reflectir num outro tom sobre mais uma tragédia nacional trazida pelos fogos florestais.

Apercebi-me desta nova desgraça ao fazer zapping ontem ao final da noite e dei por mim a assistir, petrificado, à reportagem da CMTV - sim, da CMTV que eu me recuso a ver - em directo de Tondela, à porta do estádio onde há poucas semanas estive a ver o nosso Porto. Uma cidade cercada pelo fogo e relatos desesperados de várias pessoas que procuravam saber de familiares espalhados pelas aldeias do concelho foi o suficiente para me manter acordado quase até às três da madrugada.



Cedi por fim ao cansaço e à necessidade de acordar cedo com um último pensamento: estamos perante nova tragédia, e Pedrógão ainda foi só ontem. Infelizmente, confirma-se. Sinto muito por todos os que, inocentemente, estão a sofrer ou sucumbiram ao fogo.

Regresso à opinião de MST, para acrescentar: não é o Estado que é falhado, somos nós, todos nós, os cidadãos-eleitores deste quase milenar mas ainda adiado país. A nação é que é falhada, porque as lideranças são lideranças falhadas, os governantes são governantes falhados, eleitas por eleitores catatónicos e autistas, as instituições são instituições falhadas, a imprensa é uma imprensa falhada, os peritos opinadores são uns absolutos falhados e finalmente, porque cada um de nós, no que à mais relevante construção e participação cívica diz respeito, e também falhado.

Parece-me evidente que a responsabilidade assenta sobre muitos outros ombros para lá deste governo, seria ridículo pensar o contrário ao fim de décadas e décadas de incêndios, ano sim, ano sim. Esse é um argumento válido, simplesmente não suficiente para justificar em pleno o que aconteceu ontem ou antes em Pedrógão.

Uma sociedade - um grupo organizado de cidadãos... - elege os seus representantes em democracia para, lá está, os representarem, zelando pela prossecução do bem comum acima de qualquer outra coisa. 

Pedrógão foi demasiado mau. Sabe-se já, publicamente, que parte relevante dessa tragédia se ficou a dever a um cúmulo de falhas técnicas e erros humanos, por parte de quem deveria saber como lidar com estas situações e, com isso, zelar pela segurança do cidadão comum.

E se a informação já é do domínio público, significa que António Costa e o seu governo já há "muito" o sabiam. E se o sabiam, haveria um curso de acção possível para um governante honrado e comprometido com os cidadãos que deveria representar: assumir todas e cada um dessas falhas e demitir todos os por elas responsáveis.

Numa sociedade democrática viável, não interessa que o responsável/titular de um organismo que falha como um todo seja ele próprio directamente responsável por essa falha. NÃO! Basta que essa falha exista e seja suficientemente grave para que esse cargo deva obrigatoriamente passar para outras mãos, totalmente limpas desse evento. É isso que inspira a confiança das pessoas nas instituições.

Feita essa necessária purga democrática, seria tempo de começar, de imediato, o que tem de ser feito para que isto não se repita sendo evitável. Queriam comissões e relatórios de peritos, os mesmos peritos que há anos andam a ser ignorar, que as fizessem - como fizeram - mas rápido. E com consequências claras e publicamente anunciadas, com metas e prazos.

Como sabemos, nada disso aconteceu. António Costa fez o que faz melhor: desviou o assunto do essencial para o acessório, pondo todo o país jornalístico e "opinador" a falar do que não interessa. Não houve culpados que não fossem os fenómenos naturais e os governos passados. Mesmo que os relatórios os apontem sem (ou com ligeira) hesitação. 

E como nada fez, expôs-se aos caprichos dos incendiários e da Natureza e deu-se mal: ontem voltou a acontecer uma inconcebível desgraça.

Sejamos claros, é possível que, mesmo que este Governo tivesse feito o que lhe competia, o que aconteceu ontem tivesse acontecido na mesma. É possível, sim. Porque não se resolve num par de meses um problema estrutural com muitas ramificações a necessitarem de intervenções de fundo.

No entanto, SE o governo de António Costa o tivesse feito, poderia agora, justamente, defender-se com esses mesmos argumentos - os fenómenos naturais e as omissões passadas. Como não o fez, passa a ser o primeiro réu, que deve (só pode) ser julgado pelos seus crimes.

Estou desde ontem à noite a ouvir jornalistas, comentadores, observadores e paineleiros doutores a pedir a cabeça da pobre ministra, como se esse acto sacrifical pudesse devolver algum sentido de Estado ou até algum closure à situação. Não pode, porque não chega.

E por isso, interrogo-me, pasmado: como é possível que ainda ninguém tenha pedido a demissão do próprio governo na pessoa de António Costa, o primeiro e último responsável político pela situação

Como é possível que hoje não tenham existido gigantescas manifestações cívicas nas principais cidades do país a exigir responsabilidades aos nossos eleitos?

Como? Ah, já sei - e o Miguel também: somos uma valente e imortal nação falhada. Que alguém tenha piedade de nós, porque nós claramente não temos.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




Onde Está a Bola? #50 & #51


"Estamos" no Mundial, viva! viva!, mas finalmente acabou esta chatice das pausas para Seleções, pelo que é tempo de regressar a casa, ao nosso Dragão

Assim sendo, o Onde Está a Bola? (OEaB?) também regressa, com dose dupla e quatro bilhetes: dois para o jogo contra o FC Paços de Ferreira, que se disputa no dia 21 de Outubro pelas 20h30; e mais dois para a estreia na Taça da Liga contra o Leixões SC, que acontece três dias depois, às 20h15 de dia 24.

Feita a introdução, vamos sem mais demora aos passatempos!


OEaB? #50 (Paços)



OEaB? #51 (Leixões)


Respostas possíveis #50 (Paços de Ferreira):

A - Bola Azul
B - Bola Verde
C - Bola Laranja
D - Bola Castanha
E - Não há Nenhuma bola escondida


Respostas possíveis #51 (Leixões):

A - Bola Azul
B - Bola Verde
C - Bola Laranja
D - Bola Castanha
E - Não há Nenhuma bola escondida



Já descobriu? Então deixe o seu palpite na caixa de comentários, tendo em atenção as seguintes regras de participação:


1 - Escrever a resposta que considera acertada na caixa de comentários deste post, indicando igualmente um nome e um email válido para contacto em caso de vitória. Pode concorrer a apenas um passatempo ou a ambos.

Exemplo: "#50: A - Azul; #51: B - Verde"

2 - Entre os que acertarem, serão sorteados os vencedores através da app Lucky Raffle (iOS).

3 - Para ser elegível para receber os bilhetes, deverá fazer o obséquio de:

   a) Comprometer-se a enviar-me duas ou mais fotos da sua ida ao estádio (pelo menos uma selfie) nas 48h seguintes ao jogo, acompanhadas da resposta à pergunta "Como foi a sua ida ao Estádio?" (duas frases bastam, desde que venham do fundo da Alma Portista...);

   b) Registar e confirmar o seu email (nas "Cartas de Amor", na lateral direita do blogue);

   c) Seguir o FB e o Twitter do DPcA (basta clicar nos links e "gostar" ou "seguir"). 
   Quem não tiver conta nesta(s) rede(s) não será excluído, mas... cuidado porque o Lápis vai investigar :-)

4 - Apenas será aceite uma participação (a primeira) por cada email válido.

5 - Cumpridos todos os critérios, o vencedor sorteado será contactado através de um email onde encontrará instruções sobre como e quando levantar os bilhetes.

6 - Se já tiver Dragon Seat ou outro tipo de acesso, poderá oferecê-los a um amigo ou familiar que não tenha a mesma sorte.

7 - A edição #50 deste passatempo termina às 23h00 de 19 de Outubro e o vencedor (a quem será enviado um email logo após o sorteio) terá de reclamar o seu prémio até às 13h00 de dia 20. A edição #51 deste passatempo termina às 23h00 de 22 de Outubro e o vencedor (a quem será enviado um email logo após o sorteio) terá de reclamar o seu prémio até às 13h00 de dia 23.

8 - Se o vencedor não reclamar o prémio até à data e hora referidas no ponto anterior, será contactado o primeiro suplente. Se o primeiro suplente não reclamar o prémio até ao prazo limite indicado no email de contacto, será contacto o segundo suplente (e assim sucessivamente até que um sorteado reclame o prémio).

9 - A edição especial anual do passatempo tem um novo critério: o da melhor selfie. Todos os vencedores de edições anteriores ficarão automaticamente habilitados. Mas não só: todos os concorrentes de todas as edições podem participar, desde que também enviem as suas selfies no Dragão em dia de jogo (email para envio das fotos: lapisazulebranco@gmail.com )

E é só! Concorra e divulgue, queremos o Dragão sempre cheio de Portistas! 


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Antes de partir, vamos encerrar as contas da edição anterior, a #49.


#49 - Portimonense

 

Resposta certa: C - Bola Laranja

 

Vencedor: João Teixeira!



Primeiro, a comparação entre imagem original e modificada.




Agora, os habilitados ao sorteio e respectivo vencedor.



Para terminar em beleza, a compilação das fotos enviadas pelo João, onde se destacam os sorrisos contagiantes, seguida do seu testemunho sobre esta ida ao Dragão.




"Noite de Gala no Dragão, já tinha saudades deste ambiente a fazer lembrar as “Antas”, com 6 minutos explosivos. Momentos que ficarão para sempre!

Obrigado “Do Porto Com Amor” e FCP, pela grande noite."


É um prazer, João!


 
Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco





sábado, 14 de outubro de 2017

Um Mundo de Diferença


Começou tranquila e generosa a nossa participação na Taça de Portugal. O adversário, um brioso, histórico, mas agora amador Lusitano Ginásio Clube "de Évora" é de uma outra realidade, a um mundo inteiro de distância, pelo que o desfecho da eliminatória nunca poderia estar verdadeiramente em causa.

Bruno de Carvalho / Kapta+

"Nunca poderia" desde que treinadores e jogadores abordassem o jogo com a indispensável seriedade. E assim foi. Confesso até que senti um extrazinho de orgulho ao ver como, genericamente, todos se comportaram durante os noventa minutos.
A abordagem de Sérgio Conceição foi a que considero sempre a mais indicada: uma mistura equilibrada de jogadores pouco ou nada utilizados com titulares. Faz-me muita confusão quando treinadores mudam por completo o onze em partidas oficiais onde há um troféu em disputa, por mais fraco que aparente ser o adversário. É que onze jogadores sem "entrosamento" são só onze jogadores, nunca uma verdadeira equipa. Bem, Sérgio.
Deu até para observar fenómenos raros, como o sorriso de Brahimi a partir do banco. Ele, que ajudou a decidir a eliminatória nos 45 minutos que esteve em campo, passou a segunda metade a experimentar a sensação de ser adjunto, sempre interessado e motivado com o que se ia passando em campo. Gostei. Pode ser que ele também.

O resultado final serve de amostra ao tanto que separa as duas equipas e o Lusitano deve sentir-se feliz pela oportunidade e desempenho. Quanto a nós, missão bem cumprida. Siga para Leipzig.


Notas DPcA 


Dia de jogo: 13/10/2017, 20h15, Estádio do Restelo, Lusitano GC - FC Porto (0-6)


Nota (7): Brahimi < 46', Aboubakar < 52', Marcano < 67'
Nota (6): José Sá, Reyes, André André, Óliver, Otávio, Ricardo 

Diogo Dalot (7): Claramente o segundo maior vencedor da noite, logo a seguir ao Clube. Aproveitou por completo a oportunidade, revelando uma maturidade fora do comum, e ainda mostrou versatilidade ao jogar (bem) em ambos os lados. Está pronto... ou parece estar.

Hernani (6): Na maior oportunidade que teve até ao momento, esforçou-se por não defraudar e mostrar que merece mesmo estar no plantel. Muita coisa não lhe saiu bem mas teve pelo menos o mérito de nunca baixar os braços. O prémio chegou já em cima do apito final, com um golo de "meio-escorpião", feliz mas vistoso. Dá para continuar a sonhar...

> 46' Galeno (6): Reforçou a ideia com que dele fiquei na pré-época, é uma mini-locomotiva (tipo Marega, mas com "volante") que arranca rumo à linha de fundo e não quer saber de mais nada. O que é uma chatice, porque a baliza só tem 9 metros e pico e está a meio dessa linha. Fez o seu golo, o que é sempre motivador, mas desperdiçou mais dois ou três. Não, não está pronto ainda.

> 52' Luizão (5): Possivelmente a exibição menos conseguida, denotando claro nervosismo nesta estreia às ordens de Sérgio Conceição. Não tenho visto as suas exibições na B, pelo que não sei do que já mostrou ser capaz, mas para este nível ainda não dá.

> 67' Jorge Fernandes (6): Aproveitou para mostrar pormenores, bons pormenores, como a facilidade de recepção e domínio da bola e sentido posicional. Não deu para muito mais, porque não havia quem o testasse a sério. A rever, certamente.

Sérgio Conceição (7): Fez tudo o que lhe competia, sem facilitar nem exagerar. Deu oportunidade a Bs e a As menos utilizados, ritmo a quem não esteve em compromissos internacionais e passou a eliminatória de forma clara. Também aqui, houve um mundo inteirinho de diferença face a vários dos seus antecessores.


Bruno de Carvalho / Kapta+


Segue-se importante desafio em Leipzig, onde teremos a possibilidade de dar metade de um passo gigantesco rumo ao apuramento, que seria a conquista de duas vitórias neste duplo confronto. Mas, um jogo de cada vez.

Vamos confiantes, pelo que temos vindo a fazer, mas sem esquecer o que aconteceu na estreia com o Besiktas. Easy does it.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Ainda (Sei) o Que Fizeram em Verões Passados


É verdade, parece mesmo um filme de terror de segunda categoria, a forma como o nosso Clube foi gerido no anterior mandato desta direcção.

Como se não bastasse a miserável gestão desportiva quase desprovida de títulos, ainda nos presentearam com uma gestão económico-financeira pouco menos do que ruinosa.




Sim, estou (felizmente) a falar de "verões" já passados, onde o desvario e a incúria foram quem mais reinou. Seja porque com o "incentivo" da UEFA deixou de ser possível continuar a empurrar com a barriga o início da resolução deste gigantesco problema, seja por a administração da SAD ter finalmente posto a mão na consciência, deu-se a inevitável inversão de rumo.

As "contas" hoje apresentadas - não por acaso, em simultâneo com o anúncio da compra da totalidade dos direitos económicos e renovação de contrato até 2021 de Aboubakar - são já filhas desse novo desígnio. Perante o olhar atento da madrasta UEFA, começou a ser trilhado um novo caminho rumo a um futuro (que se espera ser) mais sustentável.

Não vou analisar de forma exaustiva o R&C hoje disponibilizado, antes salientar os pontos que se me afiguram mais relevantes, seja pela concordância que me sugerem, seja pelo receio e dúvida que ainda me provocam: 

1) A nota que Fernando Gomes mais se esforçou por passar foi a do cumprimento do acordo estabelecido com a UEFA no sentido de evitar (mais) sanções à custa da falta de fair-play financeiro (FFP). Parece, de facto, indesmentível que se atingiu esse objectivo, ainda que por si só não nos deva animar por aí além quanto ao real melhoramento da situação do Clube. 

2) No entanto, a real nota de maior destaque são mesmo os resultados líquidos consolidados: -35,3 milhões de euros. Pode-se pintar da cor que se quiser, mas é incontornável. Outro prejuízo considerável e num exercício já sob o espectro do FFP. Cumprimos com o acordado graças ao "desconto" dado pela UEFA nestas avaliações, que permite excluir alguns tipos de despesa que concorrem para a formação deste resultado. Em contraponto, é logicamente bom que o EBITDA volte a ser positivo. 

3) No lado dos Proveitos Operacionais excluindo passes de jogadores, houve um crescimento de 30% face a 2015/16, com destaque para a retoma da rubrica de receitas da UEFA (quase triplicando face ao descalabro do ano anterior mas ainda inferior a 2014/15, onde chegamos aos quartos de final). Esta é uma componente muito relevante da nossa estrutura de Proveitos e, dentro deste modelo da Champions/Liga Europa, estará sempre indexada aos desempenhos desportivos.

Não por acaso, as receitas de Bilheteira apresentaram um comportamento muito idêntico. Registo também com agrado a manutenção da tendência de crescimento dos Direitos Televisivos e do Merchandising. 

4) Quanto aos Custos Operacionais excluindo passes, registou-se uma ligeira diminuição (-2%), reflexo de uma também ligeira baixa do Custo com Pessoal (-3,3%), a componente que mais pesa nesta estrutura. É positivo que assim seja, mas ainda manifestamente curto.

No entanto, note-se que o descalabro começou com a chegada do Lopetegui, onde esta rubrica verificou um aumento pornográfico de mais de 43% face à época de Paulo Fonseca. Como os contratos tem durações plurianuais, não se pode desfazer tudo de um ano para o outro. Daqui a mais um ano, espero ver uma descida bem mais significativa. 

5) Uma rubrica que me assusta são os Fornecimentos Externos: palavra que não entendo como é possível comportar quase 39 milhões de euros numa sociedade em que os proveitos não chegam sequer aos 100 milhões. Pior, não percebo como se chega a esse valor.

Quase €12M em "Trabalhos Especializados", que aparecem descritos como "custos de naturezas diversas associados à atividade do Grupo, nomeadamente: (i) custos com serviços de prospeção de mercado; (ii) custos com serviços de consultadoria jurídica; (iii) custos com serviços de consultadoria financeira, nomeadamente os prestados pela FC Porto – Serviços Partilhados, S.A.; e (iv) custos de produção de conteúdos do Canal de Televisão “Porto Canal". Desde já me ofereço para fornecer um serviço especializado ao Clube: "como gerir bem sem incorrer neste nível de custos com trabalhos especializados". E de borla, aproveitem!

Mas há mais. Aliás, poucas são as subcategorias que me deixam confortável, com destaque para a eterna "Outros", que sozinha soma mais €2,5M à conta. O melhor é mesmo ir directamente pagina 93 do Relatório e apreciar.




6) Afinal, Rúben não foi vendido por €18M, mas por uns ainda mais indecorosos €16M, aos quais se deduziram de imediato €3,5M para o bilhar e tabaco do costume. Louve-se o tom humorístico com que, no início do documento, se declara este como um "encaixe financeiro considerável". Brincalhões... 

7) No que toca aos Pagamentos e Recebimentos, mais um sinal de alerta. Contrariando a regra basilar de minimizar os tempos de recebimento e maximizar os de pagamento, na rubrica de Clientes (Activo) registou-se um aumento considerável da parcela não-corrente (adiada para exercícios futuros). Isto explica-se sobretudo pelo prazos de recebimento acordados/impostos nas transferências de André Silva e Rúben Neves. Por oposição mas sem correlação, a parcela corrente foi significativamente inferior.

Já em Fornecedores (Passivo) também houve "deterioração" mas nada de tão relevante, o que acaba por se espelhar na estrutura do próprio Passivo, que quase não se alterou. Nas responsabilidades com o reembolso de Empréstimos obtidos, prevê-se mais um ano animado e com muita engenharia financeira à mistura. 

8) E um pequeno Easter Egg, que fala por si: "A rubrica “Outros custos com jogadores” [€2,66M], no exercício findo em 30 de junho de 2017, inclui essencialmente prémios por séries de jogos devidos aos intermediários dos jogadores Maxi Pereira, André Silva, Danilo e Alex Telles, entre outros, bem como custos associados à rescisão do contrato de trabalho desportivo com o jogador Djalma."

Para quem tiver interesse e paciência, há muito mais para esmiuçar nas 172 páginas do documento. Se detectarem outro aspecto relevante para a discussão, caixa de comentários com ele!


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Em jeito de conclusão, estamos numa fase de transição para um modelo de gestão mais responsável, algo que não se consegue completar num único exercício por força de obrigações contratuais previamente assumidas e da natural "inércia" que assombra qualquer alteração de paradigma desta magnitude, incluindo muitos "vícios" antigos.

As contas de 2016/17 são o reflexo disso. Há sinais inequivocamente positivos, mas sobram ainda questões relevantes por endereçar. A UEFA apenas se interessa por alguns indicadores - os que constam do tal Settlement Agreement -, mas se esta administração estiver realmente empenhada em redimir-se dos erros passados, terá de ir bem mais além

E não me refiro à visão Passista da coisa, que se limita a ficar "abaixo" dos limites acordados (como Fernando Gomes tão orgulhosamente explicou), mas sim a cuidar em simultâneo de outros parâmetros importantes e não "verificados" pela "troika" uefeira: emagrecer e reequilibrar a estrutura de custos, aumentar a previsibilidade das receitas e uma cada vez menor dependência das mais-valias com passes de jogadores.

Daqui a um ano, espero ver um avanço muito mais significativo na nossa situação económico-financeira, fruto daquilo que (me parece) se está a fazer nesta época desportiva. Mas espero igualmente que seja apenas a cereja no topo do bolo, porque sou realmente guloso e em Maio quero saborear uma fatia de campeão nos nossos Aliados.

Venha de lá a bola a rolar, que já tenho saudades da azulebranca.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Porque Choro À Noite?


Porque choro à noite?

Pela ausência que sei será a minha, chegue ela cedo ou tarde, em que já não os poderei proteger, ensinar, castigar, abraçar, beijar.

Pouco me importa que eles deixem de querer ou precisar - ou pensem que já não querem ou precisam. Eu sei que se vão fazer mulheres e homem, se Deus quiser, livres, independentes e inteiros, com falhas e receios que tentarão esconder do mundo, mas, no que de mim depender, seres justos e compassivos. 

Sei que virá o dia a partir do qual me vão olhar condescendentes, se a isso a fortuna me permitir chegar. Velho, este mundo já não é o teu. E, em dias menos apressados, dar-me-ão um beijo sentido ou um longo abraço a acompanhar a compadecida sentença.

À medida que me for esvaindo no Tempo, esse olhar há-de abrandar. E os beijos hão-de ser mais sentidos e os abraços mais longos. Choro ao imaginar recebê-los, pranteio-me por quando não mais mos puderem dar.

A dor da ausência não será minha, mas choro por ela. Muito. Dava tudo para que não a tivessem de passar. Nunca que não a sentissem, porque seria prova irrefutável do meu total falhanço. Mas que não lhes doesse. Porque cada lágrima que deles imagino à minha custa é um punhal que me trespassa sem piedade.

Aliviado pelo choro, sedo-me com pensamentos mais doces. Os sorrisos, os olhares que tudo absorvem, os colos de santuário, os mimos, os intermináveis mimos. Os que aceito e os que ficam por receber. Enraiveço por esses, porque sou eu que não percebo o quanto os quero e deles preciso. Endireito as costas, enxugo as lágrimas e prometo que será diferente.

Na noite seguinte, ou na outra a seguir, ou numa das que se lhe seguirão, volto a chorar. E agora já sabem porquê.

De dia, faço, luto, ensino, castigo, desembaraço. À noite, quando todos esses guerreiros descansam dentro de mim, choro.





Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Noite de São Patrício


Há jogos que não "deveriam" poder acabar a zero. Quando as duas equipas jogam para ganhar, com alternância no domínio e nas oportunidades, havia de ser obrigatório golos. Havia. De. Não se deduza daqui que vi um jogo muito renhido, equilibrado ao milímetro: bem pelo contrário! Nos anos mais recentes, este foi o clássico em Alvalade em que o Porto foi claramente melhor. Claramente, ainda que com momentos diferentes, de ambas as equipas, ao longo dos 90 minutos.


Foto: Carlos Alberto Costa

Uma grande primeira parte em casa de outro candidato ao título, por sinal o mais bem colocado nesta altura. Dominador, autoritário e ameaçador, perante um Sporting absolutamente incapaz de se reajustar para impedir este desfecho. Notável, digo eu, para uma equipa recém-formada por um treinador recém-chegado e inexperiente nestas andanças de candidatos.

A intensidade foi tal nesse primeiro período que, no regresso e perante um adversário finalmente adaptado para o desafio que lhe foi lançado, já não conseguiu manter o registo. Compreensível, diga-se. Primeiro, porque se exigia muito mais ao grande mestre da táctica e às suas grandes (e caras) contratações. E segundo, porque não temos um treino adequado para permitir que os jogadores aguentem manter o ritmo elevado jogando de três em três dias.

Mesmo assim, até na segunda parte tivemos mais oportunidades para marcar do que os anfitriões. E se não o conseguimos, tal se deve a dois tipos de factores: um, o desacerto (por vezes, infantil) dos nossos, com Aboubakar e Marega à cabeça; dois, uma exibição portentosa e memorável do guarda-redes adversário.

Tivesse sido realizado a 17 de Março e ninguém duvidaria que se tratava de um jogo sob o desígnio de São Patrício, tão decisiva foi a influência do keeper sportinguista. Antes do jogo, quem o diria? Muita gente, admito, mas não eu. Esperava mais do Sporting e menos do Porto

Pese a exibição, o resultado e a consequente liderança, não creio que se devam tirar grandes conclusões ainda. Muito menos em relação ao "comprimento" do plantel. O que era curto continua a sê-lo, evidentemente. Não é de um jogo, por mais relevante que ele seja, que se pode inferir decisivamente se o plantel é ou não suficiente. 

Será, se alguma vez esse dia chegar, quando houver lesões, castigos ou ambos em simultâneo - e em mais do que uma posição. Aí sim, num espaço temporal mais alargado, se poderá tirar alguma conclusão mais válida. Eu mantenho o que disse antes do mercado fechar: tirando nas laterais defensivas, o plantel não tem extensão suficiente para permitir fazer mudanças na equipa mais titular sem relevante perda de qualidade. O centro da defesa e a posição "6" são os lugares mais expostos a um qualquer flagelo.

Por agora, estamos bem. Óptimos, para ser sincero. Melhor, só mesmo tendo feito justiça à exibição com uma vitória. Que ninguém se magoe nas selecções.


Foto: Carlos Alberto Costa



Notas DPcA 


Dia de jogo: 01/10/2017, 19h15, Estádio de Alvalade XXI, Sporting CP - FC Porto (0-0)


Casillas (6): Nem ele acreditaria no parco trabalho a que afinal foi sujeito neste jogo, sendo um mero espectador em grande parte do encontro. Não me lembro de uma grande intervenção, apenas de uma saída em falso que dificilmente teria consequências gravosas. Regular, portanto.

Layún (6): Boa resposta face à ausência forçada de Ricardo e à subalternização do Maxi no entendimento do treinador. Nunca brilhante, mas esteve mais atento do que é seu hábito nos lances defensivos e ainda se conseguiu ir aventurando na frente, mesmo se sem grandes "feitos" a relatar. Mais um que voltou "a contar para o totobola" de SC.

Alex Telles (6): Não esteve globalmente pior do que qualquer um dos seus parceiros de defesa (até porque "levou" com Gelson), mas teve uma paragem cerebral naquele lançamento lateral que só por aselhice não resultou em golo e que deve ser penalizado. É uma gota na exibição, mas uma de veneno, que facilmente poderia ter inquinado toda a "bebida".

Marcano (7): Exibição autoritária, como vem sendo hábito. El (sub-)capitán a fazer jus ao epíteto. E quase assistia, de forma inesperada, uma tolada de Marega.

Felipe (7): Bom jogo, quase irrepreensível, com destaque para um corte providencial quando Gélson já se isolava. Par ideal para o bom do Iván.

Danilo (7): O seu melhor jogo da época, precisamente quando a equipa mais precisava dele. Intenso, poderoso e bem a distribuir, foi a âncora da equipa. Devagarinho, lá vai evoluindo. Bom.

< 74' Herrera (7): É tão difícil avaliar positivamente uma exibição que, entre muitos lances bem definidos, inclui disparates que não lembram ao diabo... Apetece penaliza-lo, porque são realmente idiotas esses lances, caricatos até: desde aquela arrancada onde, tendo um companheiro de cada lado e em superioridade numérica, optou por rematar a mais de 30 metros da baliza; até ao passe em forma de petardo, salvo de estourar apenas pela magia do pé de um certo argelino. Enfim, a montanha-russa do costume, mas com mais para elogiar do que o contrário.


Mais do que 1000 palavras...

Sérgio Oliveira (7): Outra grande resposta à aposta do treinador, a segunda consecutiva. Muito importante a manter a consistência do meio-campo defensivo, foi também fundamental nos inícios de construção da equipa, porque se colava aos centrais e, como elemento surpresa do jogo, beneficiava de um pouco mais de liberdade para iniciar essa construção. Muito intenso nos duelos e recuperações, apenas pecou (outra vez) por uma certa dose de imprudência que, noutras circunstâncias, poderiam ter efeitos nefastos. Parece estar mesmo confirmada a chegada de mais um reforço ao plantel.

< 88' Brahimi (8): Uma das suas exibições mais consequentes, que merecia mais acerto de Aboubakar. No entanto, também ele as desperdiçou - pelo menos uma, num remate demasiado colocado. Do muito que jogou e fez jogar, não posso deixar de me deliciar com alguns domínios de bola excepcionais, que disfarçam um passe falhado e o transformam num lance ainda viável. É, de facto, um regalo de ver. Pena o objectivo final do futebol ser outro...

< 86' Aboubakar (6): Lutador incansável, teve boas combinações com companheiros, em especial Brahimi, que por mais de uma vez deveriam ter acabado no fundo das redes. No entanto, a sua missão primeira é sempre a de marcar e nisso voltou a falhar, uma vez mais. E não foi pela falta de oportunidades. É isto Aboubakar, admito. Há que adaptar as expectativas.

Marega (7): Pela primeira vez, terá sido vítima da sua recente fama, alvo de marcações apertadas e apertões sucessivos para o tentar "acalmar". E na verdade resultou, porque ficou combalido logo num dos primeiros atropelos de que foi vítima. Ainda teve algumas das suas arrancadas, mas sempre bem controlado. Ajudou, isso sim, a libertar espaço para a entrada de outros, como Herrera. Teve na cabeça a melhor possibilidade de surpreender Rui Patrício e nos pés a ocasião mais flagrante do jogo. Bem-vindo aos clássicos, Moussa. Daqui em diante, tudo vai ser um pouco mais difícil.

> 74' Otávio (5): Entrou "a frio", perdeu a primeira bola que teve e demorou a encontrar o fio da meada. No lance mais relevante, reagiu rápido e meteu a bola em Marega com razoável qualidade.

> 86' Soares (-): Entrou sobretudo para ajudar o cronómetro a passar. Sem tempo útil de jogo para ser avaliado.

> 88' Corona (-): idem 

Sérgio Conceição (7): Um desempenho bipolar do nosso mister; excelente no plano montado, hesitante na altura do inadiável refrescamento de uma equipa fatigada. A primeira parte foi mesmo uma lição histórica do pupilo ao mestre, tal a superioridade do Porto e a incapacidade dos de Lisboa para alterarem o rumo dos acontecimentos. O segundo tempo foi mais equilibrado, com alternância no domínio do jogo, mas onde a nota mais relevante foi o indisfarçável desgaste dos jogadores de ambos os conjuntos. E aí pareceu-me que Sérgio poderia e deveria ter sido mais audaz, mais cedo. Percebo que tivesse medo de, ao mexer, provocar a desagregação de uma equipa presa por arames, mas... o jogo estava lá para o vencermos, como raras vezes tem acontecido neste duelo em Alvalade. 

Adiou, hesitou... e quando mexeu, foi mais para evitar que o Sporting ficasse por cima do que para tentar dar a machadada da vitória. Talvez por isso, voltou a não ver ganhos em lançar a clarividência de Óliver, não entendo por que motivo. Foi pena. No entanto, o empate serve-nos muito mais do que ao Sporting, vamos para a paragem à frente e seguimos isolados. Tudo pesado, foi um bom trabalho, mas longe da excelência. Crescemos juntos, Sérgio. Bambóra!


Foto: Carlos Alberto Costa



Outros Intervenientes:



Se é só isto o Sporting, desilude-me. Contra os fracos, parecia bem mais forte. Talvez o cansaço explique a pobre exibição, mas é um cansaço que não tem explicação (tal como o nosso, aliás) -  quando há equipas de futebol noutras paragens a jogarem de 3 em 3 dias sem se ressentirem, creio que há motivo para reflexão sobre o que (não) se anda a fazer por cá.

Em todo o caso, o Sporting do inimitável Jorge Jesus deu ao jogo o melhor em campo, na figura do seu guarda-redes Rui Patrício. Uma exibição de topo, daquelas que se exige apenas aos jogadores de eleição. E nem a minha embirração de estimação com o labrego me impede de o reconhecer. Grande exibição de um grande GR. Em segundo plano, bem distante, gostei de Acuña. Bom jogador.


Da arbitragem do faz-títulos Carlos Xistra e sus muchachos (incluindo o VAR Hugo Macron), veio a segunda maior surpresa da noite. Claro que fomos prejudicados, mormente na diferença de critérios disciplinares, mas, caramba, para o que estamos habituados neste estádio, foi um upgrade notável. Apesar de ainda inclinado, desta vez os nossos conseguiam ficar de pé sem ter de se agarrar a algo. Notável...



Segue-se mais um deprimente período de selecções, agravado pelo facto de no final haver fim-de-semana de Taça. Contas feitas, 15 dias de paragem, visita ao Lusitano de Évora e deslocação a Leipzig antes que o campeonato possa regressar. Vá lá que estamos em primeiro; de certeza que aos outros custará bem mais. 



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Mónaco Grand Prix


Começou bem a curta estadia no quintal do príncipe Alberto, com o ininterrupto desfile de super e de hiper-carros à porta (e dentro!) do mítico hotel Fairmont, que empresta o seu nome ao "gancho mais famoso" do mundo da F1 e que se estende por cima do não menos famoso túnel do circuito monegasco.


 

Vivido o sonho por empréstimo de um dia, chegou então a hora de voltar a pôr os pés no chão e rumar ao estádio do nosso anfitrião de ocasião, o campeão francês AS Mónaco, que conta com os nossos Moutinho e Falcão nas suas fileiras.

Viagem curta, entrada fácil, tudo a correr bem. Só faltava mesmo era conhecer a equipa inicial e arrancar uma exibição que não "deslustrasse" nem retirasse confiança para o Clássico que se seguiria.

Sérgio Oliveira. Após uma comprometedora derrota em casa na estreia, eis que mister Sérgio se lembrava de ir resgatar o proscrito, o esquecido homónimo, que não somava sequer um minuto na temporada e jamais havia jogado na Champions. 

Logo começaram os whatsapps e os tweets a lembrar "inventores" de outros tempos, como Oliveira e Jesualdo, que de modo análogo decidiram "acabar" com as insípidas carreiras de Costa e Nuno André Coelho. Não temia tanto, porque Sérgio Oliveira já estava mesmo a caminho da porta de saída, mas temi que uma má entrada nos pudesse deixar em maus lençóis no encontro.

O maior de sempre, para todo o sempre
Até porque, além de Sérgio Oliveira, estava também Herrera no onze. Se resistir a um já seria difícil, a dois...

Sendo um apreciador do menino Sérgio, seria fácil e até coerente escrever que sim, que sempre esperei que o desfecho fosse o que foi. Mas não seria honesto, e com isso teria muita dificuldade em conviver.

Antes do o jogo começar, temi o pior. E achei que o mister estava a cometer um (outro) erro.

O que se seguiu, já é história. Uma exibição de raça, sempre de fato-de-macaco, com laivos de qualidade a espaços e muita "crença" nos momentos decisivos. Correu, de facto, quase tudo de feição (incluindo o impedimento de André André...). Mas, que ninguém duvide, fizemos muito por isso. Vencedores incontestáveis, pela força dos números e pelo natural desenrolar dos acontecimentos. 

Grande vitória, sem "ses" nem "mas". À Ayrton Senna da Silva.

E assim se inverte o cenário psicológico no grupo G, nascendo a expectativa (e a esperança) para a conquista de 4 ou 6 pontos no duplo confronto com os alemães de Leipzig e a consolidação num dos dois lugares de apuramento. What a difference a day makes...



Notas DPcA 


Dia de jogo: 26/09/2017, 19h45, Stade Louis II, AS Monaco - FC Porto (0-3)


Casillas (6): Uma mão cheia de hesitações, precipitações e calafrios a salpicarem uma exibição menos trabalhosa do que o esperado.

Ricardo Pereira (8): De longe, o seu melhor jogo de Dragão ao peito. E até nem começou muito bem, algo retraído e talvez receoso da velocidade dos monegascos. Aguentou-se e na segunda parte foi monstruoso a defender e competente a atacar. Para dar continuidade, por favor.

Alex Telles (7): Exibição de bom nível, ainda que menos impressivo do que o parceiro do outro lado. Foi precipitado e desposicionou-se em demasia (Brahimi "ajudou") na primeira meia hora, o que por pouco não se traduziu em golo sofrido. Melhorou e acabou em alta, tal como a equipa.

Melhor em Campo Marcano (8): Uma falha no meio de um jogo enorme, superlativo. Muito, muito bom. Acredito que poucos tenham visto o jogo desta forma, mas eu, que o vi no estádio, é nele que aposto como o mais importante para o resultado final.

Felipe (7): Também muito bem a limpar no centro da área, foram dezenas de cortes, mas teve um lapso grave que poderia ter dado golo que lhe mancham a exibição e a nota.

Danilo (6): Teve muitas dificuldades para se entender com as movimentações adversárias... e com os companheiros, o que até se percebe pela falta de rotina. Mas superou-as com uma vontade inquebrantável e assumiu até um papel "construtivo" mais relevante do que o seu habitual. Muito trabalho, mesmo se nem sempre com grande qualidade.

Herrera (7): É realmente difícil qualificar esta exibição, tantas foram as coisas boas e as más que deu ao jogo. À falta de melhor, insisto na minha imagem da montanha-russa. Com Héctor é assim: tanto faz uma boa jogada ou um corte importante como logo a seguir faz uma trivela que lança o contra-ataque do Mónaco ou tropeça num companheiro. Enfim, nem vou tentar mais do que isto...




< 86' Sérgio Oliveira (8): Eu dizia-vos que ainda não tinha desistido deste menino... e, aparentemente, o mister também não. Em boa hora, porque foi o jogador de que a equipa precisava, em especial para dar alguma lucidez e tranquilidade à nossa posse de bola, começando a construção desde trás, quase sempre com (bom) critério. E lutou sempre. Sim, que normalmente lhe falta intensidade e velocidade de execução, mas ontem esteve num nível superior. Que bom.

< 71' Brahimi (7): Andou desaparecido durante mais de vinte minutos, os primeiros do jogo. Depois, chegou, viu e convenceu. Não conseguiu o seu golo, apesar da oportunidade clara, mas ajudou muito a desestabilizar o adversário, causando-lhe dúvida e receio do que poderia fazer a seguir. Saiu a resmungar, mas creio que rapidamente compreendeu que era preciso preservá-lo para o próximo jogo.

< 71' Aboubakar (7): Marcou dois golos, foi obviamente decisivo, mas não lhe vi grande desempenho. Aliás, no primeiro só marcou à segunda. Mas... marcou. Não me convenceu ainda, espero bem mais dele, em especial no entendimento com os colegas (nem sempre leu bem o que o jogo lhe pedia) e, claro, na finalização.

Marega (8): Desta vez não marcou (e podia... e devia), mas fez duas boas assistências. E foi, ainda outra vez, a locomotiva que leva o jogo para zonas de perigo e põe toda a defesa em sobressalto. Não foi brilhante, mas foi muito competente a desempenhar o seu papel - e decisivo no desenrolar dos acontecimentos. 

> 71' Corona (5): Outra vez o elo mais fraco, sem acrescentar nada de relevante à equipa.  

> 71' Layún (6): É um daqueles jogadores que tem "golo" no sangue. Jogue muito ou pouco, bem ou mal, consegue quase sempre estar no sítio certo para marcar e/ou assistir. Entrou e não encaixou logo na equipa, mas... quando chegou a hora, lá estava ele para facturar. E assim encerrar o jogo.

> 86' Reyes (-): Entrou para ajudar a passar os últimos minutos e cumpriu.

Sérgio Conceição (9): Conhecido o onze inicial, era elevado o risco de ter uma nota muito baixa... ou - menos provável - muito alta. Felizmente, tem nove. Sim, nove. Porquê? Porque foi ele o melhor em campo, porque arriscou alto e foi recompensado. Claro que o jogo nos correu de feição, mas isso faz parte do ofício. O que realmente importa é que foi dele a estratégia e a aposta em Sérgio Oliveira, que lhe devolveu a confiança depositados com juros gordos. E assim ganhou mais uma série de coisas boas: relançou a equipa na competição, descobriu mais uma solução válida no plantel e volta a casa com confiança acrescida para domingo. Era realmente difícil pedir-lhe mais. Bravo. 



 

Outros Intervenientes:



Saudades, muitas saudades de Radamel e Moutinho. De resto, nada a destacar. Bom, talvez a terrível dificuldade de Jardim para engolir os três secos. Mas pronto, custa a todos.

[Já na noite de hoje, houve um jovem desconhecido que me chamou muito a atenção: Oberlin. Será que o garrote financeiro não afrouxa um pouco para se contratar já este menino?]


Quanto à arbitragem da equipa liderada por Slavko Vincic, pareceu-me não nos ter sido nada desfavorável, pese alguns erros "normais" e para ambos os lados. E garantidamente que não será um jagunço viperino como Duarte Gomes a fazer-me mudar de opinião. Positiva, sem dúvida.


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Segue-se a emocionante deslocação a Alvalade, onde estarão em disputa os habituais três pontos, mas mais do que isso: a consolidação da liderança e - em caso de vitória - um passo muito importante rumo ao objectivo principal.

Espero muitas dificuldades, por aquilo que o Sporting já mostrou ser capaz, mas sobretudo por uma das certezas absolutas do futebol nacional: somos sempre, mas sempre prejudicados naquele estádio. Umas vezes de forma mais escandalosa, outras mais discretas, mas sempre prejudicados.

Temos, por isso, de ir com a convicção de que não bastará jogar tanto como eles: neste jogo, teremos sempre de ser melhores para, pelo menos, não perder.

E vamos ser melhores.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



P.S. - Deu Xistra, um dos que se imortalizou emprestando o nome a um dos andamentos do treta. Se dúvidas houvesse sobre o ser sempre prejudicado em Alvalade...

P.P.S. - Parabéns, meu querido Clube! 124 and counting... fight on!