Boa atitude, estratégia desastrosa, derrota normal.
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| "A este lorpa até eu ganho!" |
É assim que resumo o jogo desta noite e a consequente eliminação da Champions League.
Costuma-se dizer que o maior cego é o que não quer ver. Eu aproveito e faço uma analogia: o maior burro é o que não quer aprender.
Em mais um jogo decisivo, de tudo ou nada, Lopetegui não quis aprender com erros passados. E assim sendo, voltou a cometê-los. Numa noite em que teríamos de estar perto da nossa máxima capacidade, o basco brindou-nos com mais uma inovação táctica e foi a jogo com três centrais. Pouco importa se era 3-5-2 com bola, 5-3-2 sem ela ou 11-0-0 nos cantos. É irrelevante. Porque sofrer do delírio de pensar que pode defrontar craques (mesmo que inseridos numa equipa que atravessa uma fase paupérrima) e um treinador que sabe tudo, com uma forma de jogar ensaiada meia dúzia de vezes antes, contra-natura face ao normal da equipa, aproxima-se já da demência. Ainda por cima acrescentada da habitual rotação sem nexo. Como única atenuante, o facto de não ser o primeiro nem o segundo a ser contaminado por tal doença. Mas espero que seja o último.
Foi pena, porque hoje notou-se que os jogadores entraram no jogo a acreditar nas suas possibilidades, cientes que o adversário por estes dias tem medo da própria sombra. Não lhes faltou atitude, não senhor. Faltou-lhes um treinador a sério. Cedo perceberam (e nós também) que a jogar assim não iam conseguir chegar à baliza de Courtois. Faltava sempre alguém a quem dar a bola para chegar lá perto com velocidade ou em situação vantajosa para finalizar. Brahimi a pegar no jogo na linha do meio-campo mas sem ninguém a quem tocar para subir. Corona junto à linha à procura de fintar o plantel inteiro do Chelsea, tal a distância que o separava dos companheiros. Layún a procurar chegar à zona de cruzamento mas sem ninguém para quem cruzar. Tudo isto muito espaçado, entenda-se. Pelo meio, roda e vira para o lado e para trás, até perder a bola.
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Quis o destino que fossemos infelizes no primeiro golo. Infelizes por não ter centrais de categoria, obviamente, com destaque óbvio para Marcano. Detesto ter razão neste tipo de coisas, mas desde a pré-época que o digo: não temos um único central de topo no plantel e no meio da classe média-alta que caracteriza este sector, Indi é o melhor. By far. Um corte absurdamente falhado e Diego Costa na cara de Casillas, que consegue evitar o golo do avançado mas não o ressalto no central que falhou o carrinho. Há coisas do caraças.
Mas vá lá, pelo menos sofremos a infelicidade bem cedo no jogo. Havia muito tempo para os brilhantes planos A, B e C serem implementados e darem frutos. Infelizmente (outra vez), a resposta veio negativa de ambas as equipas, com Maicon a assumir o protagonismo da resposta (com o seu sotaque natal): "Não quero A, não quero B, não quero C... só si fô D". E se fo-D-u mesmo.
| Ao intervalo: nosotros é que dominamos! |
Ainda assim, a perder apenas por um (quando era obrigatório ganhar), para quê mexer? Afinal, a confiança na estratégia era tão grande que até ao intervalo, tudo na mesma. E no regresso também. Temos tempo, mais vale perder por um do que por dois (ai não, isso era no jogo passado...). Mas o malandro do segundo golo lá chegou, após várias ameaças em poucos minutos. Então sim, vamos lá (a contra-gosto) meter aqueles chatos que os ainda mais chatos querem que eu meta. Só para não dizerem que não tentei. Mas a seguir levam já com o Tello, ficam avisados. E pronto, fim do jogo.
Resumindo, porque a prosa já vai demasiado longa e sobretudo monótona, voltamos a perder em Inglaterra. Tudo normal. Desta vez entramos em campo (os jogadores) com uma boa atitude, o que nos poderia ter conduzido a dar um puñetazo na história. Mas afinal havia Lopetegui, que mesmo antes de o jogo começar se certificou que tal missão seria realmente impossível.
Resumindo, porque a prosa já vai demasiado longa e sobretudo monótona, voltamos a perder em Inglaterra. Tudo normal. Desta vez entramos em campo (os jogadores) com uma boa atitude, o que nos poderia ter conduzido a dar um puñetazo na história. Mas afinal havia Lopetegui, que mesmo antes de o jogo começar se certificou que tal missão seria realmente impossível.
Nota prévia: todos os jogadores tem como atenuante o brilhantismo táctico do treinador.
Casillas (7): Esteve à altura do desafio, não fosse ele um jogador (exclusivamente) de Champions. Evitou à primeira o golo de Diego Costa e ainda teve mais um par de boas intervenções. Fez a sua parte para que pudéssemos ganhar o jogo, faltou-lhe o resto.
<-57' Maxi (5): Está nitidamente em baixo e nem a sua garra consegue escondê-lo. Nunca deveria ter sido ele a sair (mesmo arriscando a expulsão), simplesmente porque sabe mais de futebol que os três centrais juntos com Herrera a cavalo.
Layún (6): Tentou. Na primeira parte chegou até a ser o nosso número dez (que medo), sendo o único que queria pegar na bola e entregá-la mais adiante num companheiro. Quase não havia era companheiros mais à frente. Tentou. Mas não conseguiu suplantar os adversários directos e muito menos a estratégia de Lopetegui.
Martins Indi (6): Uma vez mais um dos melhores, na sua discrição e eficácia. Não se pode alhear das ofensivas rápidas do Chelsea interpretadas por craques, mas foi outra vez o melhor do centro da defesa. Com tudo isto, deve ir para o banco no próximo jogo.
Marcano (3): O jogo "perfeito" para por a nu todas as suas debilidades. Frágil física e psicologicamente. Incapaz de recuperar do erro que deu o primeiro golo, até aos últimos cinco minutos. Aí, sentindo que já tudo estava perdido, relaxou porque sentiu como inevitável a eliminação. E recuperou o auto-controle. Não dá, Ivan, não dá... (nota 3 porque o resto é culpa de Lopetegui)
Maicon (5): É um tosco, parece que tem ferros a atravessá-lo longitudinalmente que lhe limitam os movimentos, impedindo de se assemelhar a um ser humano normal. E é lento. E pára-lhe o relógio várias vezes por jogo. Mas já todos sabíamos disto. É o que é. Nestes jogos é que se nota mais um pouco.
Danilo (6): Tentou cumprir a sua missão, entrou determinado e crente no apuramento. Esforçado mas sugado pelo furacão Lope. Acabou por ser apenas uma vítima.
<-56' Imbula (6): Conseguiu mostrar a espaços vislumbres daquilo que poderia justificar o investimento, quando vai atrás, pega na bola e acelera campo acima, galgando muitos metros em pouco tempo. Mesmo sem o conhecer doutros futebóis, nota-se que é por aqui que se pode evidenciar e ser uma mais-valia para a equipa. Mesmo não sendo brilhante, não foi por ele, seguramente. Não sei porque saiu, ficando Herrera em campo.
<-71' Herrera (4): O bom, velho Errera voltou. Completamente perdido no jogo, a atrapalhar mais do que a ajudar, foi no campo aquilo que Lopetegui é no banco. Um empecilho. Capitão e Dragão de Ouro, está certo...
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| Bom jogo DESTE mexicano |
Brahimi (7): Assumiu a sua condição de único craque da actualidade portista e tentou pegar no jogo. Lamentavelmente, não é jogador para isso, sobretudo não havendo com quem jogar. Mas essa é uma questão que o transcende, lutou 90 minutos e esteve perto de fazer mais um golaço. Bom jogo, dentro das circunstâncias.
Corona (7): Muito boa partida do mexicano, sobretudo na segunda parte. Nunca teve medo de ir para cima dos adversários, mesmo exagerando várias vezes. Se alguém merecia ter marcado hoje, foi ele. Gostei sim senhor.
->56' Aboubakar (5): Já se sabia que não está no auge das suas capacidades, nomeadamente em termos anímicos. Deve-o ter ajudado imenso não ter sido titular... Entrou com o jogo já perdido e não conseguiu acrescentar nada.
->57' Rúben Neves (6): Veio dar alguma lógica e arrumação ao meio-campo, não sei se por mérito seu ou apenas pela saída de Herrera. Seja como for, fica com o crédito. Esteve a fazer o quê no banco durante 56 minutos, senhor treinador?
->71' Tello (4): Se Herrera é Lopetegui em campo, Tello é Lopetegui a entrar no jogo como suplente. Tudo dito.
Lopetegui (0): Palavra que não compreendo pessoas assim. Tem um emprego de sonho, que lhe caiu no colo sem nada ter feito para o merecer, falhou como um falhado na primeira época e ainda assim teve segunda oportunidade e ei-lo a fazer tudo para a desmerecer, com a displicência de quem se está pouco lixando para os portuguesinhos. Soltem foguetes, pintem-no de azul, cravem-lhe um superdragão nas costas, que a mim não me convencem. Pode até ser campeão, dado o plantel que tem à sua disposição. Desportivamente, nada me faria mais feliz. Mas dê por onde der, tem que sair no final da temporada. Zero. E tem sorte, se ainda estivesse na fase do Mortal Kombat, era Sub-Zero.
Outros intervenientes:
Feliz de quem tem Willian na equipa, pode dar-se ao luxo de estar em crise e vencer jogos, desde que haja um Lopetegui por perto. Claro que ter Óscar e H(azar)d também ajuda.
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| Até para o ano! ( hopefully ) |
Só perdemos por dois, apesar de Lopetegui. Menos mal. Pobre Iker, que precisou de se cruzar com ele para ter a oportunidade de se estrear na Liga Europa.
Parabéns a Rebrov e ao Dynamo, passaram porque foram melhores, mesmo tendo um plantel (bem) inferior ao nosso.
Continuemos para bingo. Jogo fundamental no Nacional já no próximo domingo. É tudo o que interessa por agora.
Do Porto com Amor













