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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Dia de jogo: Chelsea FC - FC Porto (2-0)


Boa atitude, estratégia desastrosa, derrota normal.

"A este lorpa até eu ganho!"

É assim que resumo o jogo desta noite e a consequente eliminação da Champions League.

Costuma-se dizer que o maior cego é o que não quer ver. Eu aproveito e faço uma analogia: o maior burro é o que não quer aprender.

Em mais um jogo decisivo, de tudo ou nada, Lopetegui não quis aprender com erros passados. E assim sendo, voltou a cometê-los. Numa noite em que teríamos de estar perto da nossa máxima capacidade, o basco brindou-nos com mais uma inovação táctica e foi a jogo com três centrais. Pouco importa se era 3-5-2 com bola, 5-3-2 sem ela ou 11-0-0 nos cantos. É irrelevante. Porque sofrer do delírio de pensar que pode defrontar craques (mesmo que inseridos numa equipa que atravessa uma fase paupérrima) e um treinador que sabe tudo, com uma forma de jogar ensaiada meia dúzia de vezes antes, contra-natura face ao normal da equipa, aproxima-se já da demência. Ainda por cima acrescentada da habitual rotação sem nexo. Como única atenuante, o facto de não ser o primeiro nem o segundo a ser contaminado por tal doença. Mas espero que seja o último.

Foi pena, porque hoje notou-se que os jogadores entraram no jogo a acreditar nas suas possibilidades, cientes que o adversário por estes dias tem medo da própria sombra. Não lhes faltou atitude, não senhor. Faltou-lhes um treinador a sério. Cedo perceberam (e nós também) que a jogar assim não iam conseguir chegar à baliza de Courtois. Faltava sempre alguém a quem dar a bola para chegar lá perto com velocidade ou em situação vantajosa para finalizar. Brahimi a pegar no jogo na linha do meio-campo mas sem ninguém a quem tocar para subir. Corona junto à linha à procura de fintar o plantel inteiro do Chelsea, tal a distância que o separava dos companheiros. Layún a procurar chegar à zona de cruzamento mas sem ninguém para quem cruzar. Tudo isto muito espaçado, entenda-se. Pelo meio, roda e vira para o lado e para trás, até perder a bola.


censurado

Quis o destino que fossemos infelizes no primeiro golo. Infelizes por não ter centrais de categoria, obviamente, com destaque óbvio para Marcano. Detesto ter razão neste tipo de coisas, mas desde a pré-época que o digo: não temos um único central de topo no plantel e no meio da classe média-alta que caracteriza este sector, Indi é o melhor. By far. Um corte absurdamente falhado e Diego Costa na cara de Casillas, que consegue evitar o golo do avançado mas não o ressalto no central que falhou o carrinho. Há coisas do caraças.

Mas vá lá, pelo menos sofremos a infelicidade bem cedo no jogo. Havia muito tempo para os brilhantes planos A, B e C serem implementados e darem frutos. Infelizmente (outra vez), a resposta veio negativa de ambas as equipas, com Maicon a assumir o protagonismo da resposta (com o seu sotaque natal): "Não quero A, não quero B, não quero C... só si fô D". E se fo-D-u mesmo.
Ao intervalo: nosotros é que dominamos!

Ainda assim, a perder apenas por um (quando era obrigatório ganhar), para quê mexer? Afinal, a confiança na estratégia era tão grande que até ao intervalo, tudo na mesma. E no regresso também. Temos tempo, mais vale perder por um do que por dois (ai não, isso era no jogo passado...). Mas o malandro do segundo golo lá chegou, após várias ameaças em poucos minutos. Então sim, vamos lá (a contra-gosto) meter aqueles chatos que os ainda mais chatos querem que eu meta. Só para não dizerem que não tentei. Mas a seguir levam já com o Tello, ficam avisados. E pronto, fim do jogo.

Resumindo, porque a prosa já vai demasiado longa e sobretudo monótona, voltamos a perder em Inglaterra. Tudo normal. Desta vez entramos em campo (os jogadores) com uma boa atitude, o que nos poderia ter conduzido a dar um puñetazo na história. Mas afinal havia Lopetegui, que mesmo antes de o jogo começar se certificou que tal missão seria realmente impossível.





Notas DPcA: 


Nota prévia: todos os jogadores tem como atenuante o brilhantismo táctico do treinador.


Casillas (7): Esteve à altura do desafio, não fosse ele um jogador (exclusivamente) de Champions. Evitou à primeira o golo de Diego Costa e ainda teve mais um par de boas intervenções. Fez a sua parte para que pudéssemos ganhar o jogo, faltou-lhe o resto. 

<-57' Maxi (5): Está nitidamente em baixo e nem a sua garra consegue escondê-lo. Nunca deveria ter sido ele a sair (mesmo arriscando a expulsão), simplesmente porque sabe mais de futebol que os três centrais juntos com Herrera a cavalo.

Layún (6): Tentou. Na primeira parte chegou até a ser o nosso número dez (que medo), sendo o único que queria pegar na bola e entregá-la mais adiante num companheiro. Quase não havia era companheiros mais à frente. Tentou. Mas não conseguiu suplantar os adversários directos e muito menos a estratégia de Lopetegui.

Martins Indi (6): Uma vez mais um dos melhores, na sua discrição e eficácia. Não se pode alhear das ofensivas rápidas do Chelsea interpretadas por craques, mas foi outra vez o melhor do centro da defesa. Com tudo isto, deve ir para o banco no próximo jogo.

Marcano (3): O jogo "perfeito" para por a nu todas as suas debilidades. Frágil física e psicologicamente. Incapaz de recuperar do erro que deu o primeiro golo, até aos últimos cinco minutos. Aí, sentindo que já tudo estava perdido, relaxou porque sentiu como inevitável a eliminação. E recuperou o auto-controle. Não dá, Ivan, não dá... (nota 3 porque o resto é culpa de Lopetegui)

Maicon (5): É um tosco, parece que tem ferros a atravessá-lo longitudinalmente que lhe limitam os movimentos, impedindo de se assemelhar a um ser humano normal. E é lento. E pára-lhe o relógio várias vezes por jogo. Mas já todos sabíamos disto. É o que é. Nestes jogos é que se nota mais um pouco.

Danilo (6): Tentou cumprir a sua missão, entrou determinado e crente no apuramento. Esforçado mas sugado pelo furacão Lope. Acabou por ser apenas uma vítima.

<-56' Imbula (6): Conseguiu mostrar a espaços vislumbres daquilo que poderia justificar o investimento, quando vai atrás, pega na bola e acelera campo acima, galgando muitos metros em pouco tempo. Mesmo sem o conhecer doutros futebóis, nota-se que é por aqui que se pode evidenciar e ser uma mais-valia para a equipa. Mesmo não sendo brilhante, não foi por ele, seguramente. Não sei porque saiu, ficando Herrera em campo.

<-71' Herrera (4): O bom, velho Errera voltou. Completamente perdido no jogo, a atrapalhar mais do que a ajudar, foi no campo aquilo que Lopetegui é no banco. Um empecilho. Capitão e Dragão de Ouro, está certo...

Bom jogo DESTE mexicano
Brahimi (7): Assumiu a sua condição de único craque da actualidade portista e tentou pegar no jogo. Lamentavelmente, não é jogador para isso, sobretudo não havendo com quem jogar. Mas essa é uma questão que o transcende, lutou 90 minutos e esteve perto de fazer mais um golaço. Bom jogo, dentro das circunstâncias.

Corona (7): Muito boa partida do mexicano, sobretudo na segunda parte. Nunca teve medo de ir para cima dos adversários, mesmo exagerando várias vezes. Se alguém merecia ter marcado hoje, foi ele. Gostei sim senhor.

->56' Aboubakar (5): Já se sabia que não está no auge das suas capacidades, nomeadamente em termos anímicos. Deve-o ter ajudado imenso não ter sido titular... Entrou com o jogo já perdido e não conseguiu acrescentar nada.

->57' Rúben Neves (6): Veio dar alguma lógica e arrumação ao meio-campo, não sei se por mérito seu ou apenas pela saída de Herrera. Seja como for, fica com o crédito. Esteve a fazer o quê no banco durante 56 minutos, senhor treinador?

->71' Tello (4): Se Herrera é Lopetegui em campo, Tello é Lopetegui a entrar no jogo como suplente. Tudo dito.


Lopetegui (0): Palavra que não compreendo pessoas assim. Tem um emprego de sonho, que lhe caiu no colo sem nada ter feito para o merecer, falhou como um falhado na primeira época e ainda assim teve segunda oportunidade e ei-lo a fazer tudo para a desmerecer, com a displicência de quem se está pouco lixando para os portuguesinhos. Soltem foguetes, pintem-no de azul, cravem-lhe um superdragão nas costas, que a mim não me convencem. Pode até ser campeão, dado o plantel que tem à sua disposição. Desportivamente, nada me faria mais feliz. Mas dê por onde der, tem que sair no final da temporada. Zero. E tem sorte, se ainda estivesse na fase do Mortal Kombat, era Sub-Zero.



Outros intervenientes:


Feliz de quem tem Willian na equipa, pode dar-se ao luxo de estar em crise e vencer jogos, desde que haja um Lopetegui por perto. Claro que ter Óscar e H(azar)d também ajuda.

Até para o ano! ( hopefully )
O árbitro? Será que não dava treinador?

Só perdemos por dois, apesar de Lopetegui. Menos mal. Pobre Iker, que precisou de se cruzar com ele para ter a oportunidade de se estrear na Liga Europa.

Parabéns a Rebrov e ao Dynamo, passaram porque foram melhores, mesmo tendo um plantel (bem) inferior ao nosso. 



Continuemos para bingo. Jogo fundamental no Nacional já no próximo domingo. É tudo o que interessa por agora. 



Do Porto com Amor




terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Hoje joga o Porto! (vs Chelsea)


Tempo de decisões. Depois de "hoje", já não haverá volta atrás. Champions ou Europa, vocês decidem qual League preferem, rapazes.


Adrego Design


"(inspiração profunda)

Por que será que não jogamos sempre assim?

(nova inspiração, um pouco menos profunda)

Porque Chelseas só apanhamos 1 ou 2 por época. Um na fase de grupos e, a correr bem (que não optimamente), outro nos oitavos ou quartos. E regra geral não sobrevivemos ao segundo. 

De facto, quanto a "grandes" equipas europeias costuma ser isto. Grandes entre aspas porque o tipo de grandeza varia. Umas são grandes pelo seu historial, outras pelo poderia financeiro e outras ainda (as top dos top), por ambos os motivos."


Escrevi isto no rescaldo da vitória do joga da ida.

Pois este Chelsea da actualidade precisa mesmo de ser o único grande europeu ("grande" apenas a nível da capacidade financeira) que defrontamos nesta temporada. É o 14º (!) classificado do seu campeonato e joga menos do que pouco... Isto depois de já ter perdido a supertaça para o Arsenal logo a abrir a época.

No entanto, este seu estado "moribundo" só os torna mais perigosos. Aliás, descontando estarem numa superforma e a ganhar tudo de olhos fechados, esta é a segunda pior situação para os defrontar. Porquê? Porque estão a sufocar e nesta altura é o seu instinto de sobrevivência que vem ao de cima. E isso significa correr atrás da bola, disputar cada lance, dar tudo. E para nós, nada pior do que defrontar craques que ainda por cima lutam como se fossem uns meros caceteiros sem talento.

De facto, este futebol de Lopetegui quase só funciona "bem" na Champions precisamente porque é onde costuma haver tempo e espaço para que resulte. Por outras palavras, na maior montra do futebol mundial todos querem exibir as suas melhores qualidades, treinadores incluídos, pelo que raramente se vê um dos APF (Autocarros Paulo Fonseca). Ainda mais tratando-se das equipas maiores, cujos pergaminhos e/ou "vergonha na cara" os impede de não tentarem jogar futebol.

Mourinho sempre contrariou um pouco esta tendência, precisamente por não ter qualquer pejo em defender com doze (ele incluído). Curiosamente, nesta última passagem pelo Chelsea é onde menos se nota o seu cunho pessoal. Esta equipa é bem mais sobranceira e despreocupada com o adversário do que (todas?) as suas anteriores equipas. E isso notou-se bem no jogo do Dragão, onde - lá está - tivemos tempo e espaço para que aquele futebol enrolado e lateralizado acabasse por dar frutos.

Hoje não acredito que volte a ser assim. Hoje o Chelsea vai querer correr pelo menos tanto como nós, vai querer ter a bola como nós e vai querer fazer golos (como nós, espero), impondo o maior talento dos seus jogadores.


E o Porto, o que vai ser neste jogo?

É a pergunta do milhão (e meio) de euros. Indiscutivelmente, só teremos boas possibilidades de ganhar se a atitude for condizente com o objectivo. Uma postura amorfa ou demasiado expectante (para não dizer subserviente, como tantas vezes tem sido em terras de Sua Majestade) poderá resultar numa pequena tragédia, onde em cima da eliminação regressaremos a casa envergonhados com uma goleada.

No entanto, convém não confundir atitude com estratégia. Seria suicídio que a equipa tentasse fazer algo diferente daquilo que sabe. Mesmo sendo pouco, sabe. E portanto resta-nos jogar como sabemos (...), mudando a atitude.

A "solução" (como se eu a soubesse) passa por juntar ambição ao rigor e concentração. Aguentar os momentos de pressão do Chelsea, se ou quando não conseguirmos impor a nossa, e atacar a baliza de Courtois com crença e objectividade, para que eles sintam que a qualquer momento podem sofrer um golo (ou mais). Para tal, precisamos que todos estejam inspirados e disponíveis para a batalha. Treinador incluído. E se por acaso marcarmos primeiro ou estivermos em situação de apuramento já perto do final, que não se voltem a esconder do jogo. Antes, que assumam a contenda e o risco inerente, não deixando nunca de tentar criar (verdadeiro) perigo.

Começando pelo onze, onde Lopetegui dará o primeiro sinal (aos seus e ao adversário) daquilo a que vai. O meu seria este:




Acreditem em mim, se Mourinho puder, vai-nos humilhar. Cabe a nós impedi-lo, contribuindo decisivamente para mais um chorudo pé-de-meia antecipado, que lhe permitirá passar a consoada já entre os seus, saboreando o tradicional choco frito da quadra.

Vamos a eles!


Do Porto com Amor




quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Dia de jogo: FC Porto - Chelsea FC (2-1)


Depois da agradável digestão da saborosa vitória, a análise - possivelmente, um pouco mais objectiva.

(inspiração profunda)

Por que será que não jogamos sempre assim?

(nova inspiração, um pouco menos profunda)

Porque Chelseas só apanhamos 1 ou 2 por época. Um na fase de grupos e, a correr bem (que não optimamente), outro nos oitavos ou quartos. E regra geral não sobrevivemos ao segundo. 

De facto, quanto a "grandes" equipas europeias costuma ser isto. Grandes entre aspas porque o tipo de grandeza varia. Umas são grandes pelo seu historial, outras pelo poderia financeiro e outras ainda (as top dos top), por ambos os motivos.

E no ano da graça de 2015, se há algo que motiva o nómada jogador profissional de futebol, são estes adversários neste contexto de Champions.

" (...) televisionado por muitos MILHÕ€S de espectadores, alguns MILHAR€S de marketeers e umas quantas C€NT€NAS de agentes FIFA e dirigentes de clubes. E é apenas disto que os jogadores N€C€SSITAM para esquecerem tudo o que está para trás e se CONC€NTRAR€M neste jogo.", escrevi na antevisão da partida.

E assim foi.

Um onze inicial quase coincidente com a minha previsão/desejo, apenas diferente na entrada de Indi para o lugar de Layún. Algo que não antecipei mas me pareceu bem pensado. Indi tem mais experiência nas competições europeias e representa uma segurança adicional a nível defensivo, permitindo subidas mais despreocupadas no outro flanco e libertando Brahimi de quase tudo excepto de acompanhar Ivanovic.

Bom pronúncio, pensei eu. 

Apesar de ter chegado ao meu lugar no estádio já com mais de 10 minutos jogados, televi posteriormente esse período, em que Casillas se assumiu como o grande protagonista, impondo a revisão em baixa das expectativas geradas por uma entrada impositiva por parte do Chelsea.

Ultrapassado o primeiro quarto de hora, já tínhamos equilibrado a contenda, contra um Chelsea que se deu ao luxo de deixar o maior dos seus craques no banco. Vá-se lá saber porquê... mas agradecidos, senhor "especial um".

Por esta altura, era o árbitro quem mais vontade tinha de sobressair. Muito rigor nas faltas e amarelos aos nossos e contrastante complacência para com os comandados do "amigo" Zé Mário. Ainda assim, paulatinamente fomos ganhando ascendente sobre o adversário (nunca absoluto, obviamente), pelo que o golo de André aos 39 minutos chegou sem espantar ninguém. Não que tivéssemos criado muitas oportunidades antes, mas também não é o que se espera num duelo de equipas grandes. Pelo contrário, espera-se eficácia nas oportunidades que vão surgindo.

Festejos do 1-0 por André (39')

Um golo numa boa altura, a poucos minutos do intervalo, deixava-nos em boas condições para abordar a segunda parte com confiança acrescida. No entanto, uma falta bem cavada (terá existido, mas cometida pelo penúltimo defensor, duas ou três eternidades antes do jogador do Chelsea se deixar cair) e um livre superiormente marcado por Willian (com Casillas mal posicionado na baliza) repuseram o empate na partida. E assim chegou o intervalo, com tudo igual ao início.


Nesta altura, receei os nossos famosos regressos do balneário. 

E com alguma razão, porque quem regressou de novo a querer impor-se foi o Chelsea. No entanto, sem concretizar essa pressão em ocasiões de perigo para Iker. E assim sendo, também nós voltamos rapidamente ao jogo. Um canto marcado para o primeiro poste e o segundo golo por Maicon, através de um excelente cabeceamento que Begovic não teve reflexos para defender. Sem ainda ter feito muito por isso, voltávamos a ter vantagem no jogo.

Reação imediata do Chelsea, através de um magnífico remate de Diego Costa que esbarrou com estrondo na barra... um sinal de alerta que funcionou em pleno, porque daí até aos 10 minutos finais, assistimos ao melhor Porto da época. Bem posicionados, corajosos, atrevidos e muito concentrados, fomos parando as pouco esclarecidas investidas inglesas e ripostando com ataques, ora rápidos, ora organizados, que na maior parte das vezes faziam tremer Rui Faria e o mestre. Funcionou muito bem o meio campo a quatro, sobretudo pela abnegação e disponibilidade de todos para compensarem o companheiro, mas também por se irem lembrando de manter os posicionamentos sempre que possível.

A fase final do jogo foi mais complicada, como seria de esperar. Um monstro doente não deixa de ser um monstro. Lopetegui refrescou com o que tinha disponível; primeiro saiu o magnificente Rúben Neves para a entrada de Evandro e logo a seguir André por Layún. Fazia tudo sentido, dada a intensidade e consequente desgaste que ambos acumulavam já nas pernas. Quem teve de se aguentar foi Danilo, que também sugeria estar pronto a ceder o seu lugar. Ainda assim, foi ele que causou nova sensação de golo, ao atirar de cabeça ao poste de Begovic aos 81'.

Daí em diante, o Chelsea puxou dos galões de "colossal spender" e veio para cima do Porto à procura da igualdade. Foram outros 10 (13) minutos à Porto; não os de pressão e massacre ofensivo, mas os de sacrifício e garra para segurar o resultado. E por felicidade, conseguimos. Porque fizemos por isso, é certo, mas também porque os de Londres estavam com a pontaria desafinada e o árbitro de baliza a sonhar com a Sara Sampaio quando Marcano meteu o braço à bola, cometendo uma ostensiva (e idiota) grande penalidade. No entanto, a sorte protegeu os audazes desta vez. E ainda bem, porque repito, fizemos por isso.


Agradecimentos mútuos numa noite de simbiose perfeita entre público e equipa


Notas DPcA:


Casillas (7): Uma noite de contrastes, pelo erro de posicionamento no golo sofrido, mas em que a presença decisiva nos momentos críticos se fez sentir e se sobrepôs à falha maior. É um grande portero e é assim que o demonstra. E também no final do jogo, ao reconhecer de imediato que esteve mal nesse lance.

Maxi (7): Começa a ser repetitivo escrever sobre este guerreiro que nos chegou com 8 anos de atraso. Lutador nato, cada lance como se fosse o último e ainda muito futebol nos pés e na cabeça: sabe estar, sabe controlar os momentos de receber, segurar e passar e os de aliviar para Marte. Muy bien.

Martins Indi (6): Não teve jogo fácil, conforme esperado, mas conseguiu sobreviver-lhe. E isto já é muito, parecendo que não. Ainda tem momentos de hesitação que podem comprometer, mas saiu deste jogo com a confiança reforçada.

Maicon (8): Jogo quase sempre autoritário a nível defensivo, tirando mais uma paragem cerebral que quase resultava em lance potencialmente mortífero. No entanto, globalmente muito bem. E mais um golo. Sacana do careca, está a desafiar-me... não pares, por favor.

Marcano (6): Fez boa dupla com Maicon, mas uns furos abaixo. Menos confiante, menos autoritário e com pouco entendimento com o seu lateral  Indi ("culpa" de ambos, naturalmente). Ensombrou a exibição com um lance que poderia ter significado o empate, mesmo a fechar o jogo. E nem o facto de ter(mos) passado incólume(s) por ele o isenta da responsabilidade. Tem que melhorar e tem condições para o fazer. Arriba hombre!

<-78' Melhor em Campo - Rúben Neves (8): Bem... que grande, grande, grande jogo do menino! Enorme! Ficou demonstrado que pode ser um 6 de grande nível, daqueles que dispensa o duplo pivot, SE melhorar na recuperação de bolas e agressividade defensiva. Porque com a bola nos pés, é um regalo. E a antecipar movimentos adversários, posicionando-se para interceptar. Terá sempre muito mais dificuldades contras os Moreirenses, é um facto. Mas contra adversários que preferem atacar a defender, é um enorme talento à solta. Esteve em todo o lado até rebentar, exausto. A ovação de pé foi mais do que merecida.

Danilo (7): Mais discreto e menos assertivo que Rúben, mas igualmente importante no desfecho final. Até porque ficou lá até acabar, mesmo com os bofes de fora, a dar tudo o que já não acreditava ter. Complementou muito bem o solo do menino Neves com uma orquestra de suor e presença física.

Imbula (8): Possivelmente, a sua melhor exibição de dragão ao peito. Mais um que beneficiou de jogar contra um adversário "nobre", que por regra defende com cinco ou seis homens na melhor das hipóteses e em que os seus solistas não têm grande disposição para insistir nas marcações, se fintados à primeira. Obviamente que isto não lhe retira mérito, apenas lhe evidencia as características. Àquela locomotiva que leva a bola campo adentro por desfiladeiros que vai inventando para se desviar das montanhas adversárias, só falta adquirir um melhor julgamento na definição final do seu esforço; seja a passar a bola a um companheiro ou a atirar à baliza, precisa de levantar a cabeça mais cedo e ler o que o jogo e os companheiros lhe oferecem como alternativas.  

<-80' André (8): Que chatice André... vou escrever o quê, que não seja repetir-me? Entrega total, morder os calcanhares de todos os adversários dentro do seu longo raio de alcance, construir com critério e ainda por cima fazer golos. O senhor Porto do momento. Que tenha a sorte e a sabedoria de se saber consolidar como tal. Nós agradecemos.

<-86' Brahimi (8): Ah, aquela grave lesão de Moreira de Cónegos, que o impediu de continuar... ok, não vou por aí. Vou-me focar exclusivamente na grande exibição que fez ontem. É o palco dele (o único, infelizmente). E como enorme talento que é, dá tudo e com troco a receber. Não há ninguém que possa gabar-se de o conseguir desarmar duas vezes consecutivas... consecutivamente! Tem uma incrível técnica de finta, que aliada à sua rapidez natural, parte os rins a qualquer um (a não ser que lhe partam as pernas primeiro). E ontem fez isso várias vezes, nas n cabines telefónicas que foi inventando pelo campo fora. Uma delas resultou no ressalto que permitiu o golo de André. Jogo muito bom.

Aboubakar (7): Menos exuberante que em jogos anteriores, mas apenas pelo menor acerto, não só no tiro à baliza, mas principalmente nos passes. Nesse capítulo falhou mais do que seria desejável. No entanto, batalhou como sempre e nunca deu descanso aos centrais e trincos adversários. E com a entrada de Osvaldo ainda teve força e espírito para fechar o lado esquerdo. Há dias em que não se consegue marcar, mas que ainda assim se deixa marca no jogo.

>78' Evandro (6): Rendeu o exausto Rúben e procurou fazê-lo bem. Não teve entrada fácil perante o assalto final do adversário, mas ajudou a manter a fortaleza com apenas um tiro encaixado. Teve um e outro momento onde lhe faltou mais calma para segurar coisa tão preciosa como a bola, mas dado o resultado final, fez o suficiente.

>80' Layun (6): Também rendeu um exausto André e assumiu o seu lugar por inteiro. Esteve em melhor plano do que Evandro, porque mais regular com e sem bola. Foi mais um soldado a segurar os portões do castelo.

>86' Osvaldo (-):  Entrou para quebrar o ritmo (aqui sim, aceita-se!) e refrescar a pressão sobre os centrais, bem como ajudar nas bolas paradas defensivas. E fê-lo por mais do que uma vez, garantindo preciosas golfadas de ar que no final se traduziram em chegar vivos à praia.


Lopetegui (8): Uma estreia, nas notas. Mas que faz sentido e só peca por atraso, porque no fundo ele também joga. E começa assim, em grande, para não dizerem que só sei implicar com o hombre. Ontem esteve muito bem. Ponto parágrafo. Na escolha da equipa inicial, na estratégia, nas alterações. E teve a sorte que fez por merecer. Pena que... nada! Ontem, nada. Tudo o resto não cabe neste post.



Outros intervenientes:



Não foi jogo em que conseguisse estar muito atento aos jogadores adversários, mas ainda assim reparei em Willian, Pedro e Hazard. Craques em absoluto que no Dragão seriam reis. No Chelsea, às vezes nem suplentes. No treinador adversário não vou bater, porque lhe estou grato.


Sobre o árbitro, não tenho muito a acrescentar. Procurou deixar jogar, umas vezes bem, noutras nem tanto. Não foi coerente a nível disciplinar mas no final (mais do que) compensou com o penálti não assinalado.

Adenda: graças ao estimado leitor Verde Protector, tomei conhecimento de uma grande penalidade que ficou por marcar a nosso favor. Quem como eu não se tiver apercebido, pode esclarecer-se aqui.






Perante a vitória do Dínamo em Tel-Aviv, estamos agora no comando mas empatados com eles. E seguem-se dois jogos contra o Maccabi. Se fizermos os seis pontos, ficaremos muito perto dos oitavos, aconteça o que acontecer no duplo confronto entre ucranianos e ingleses.

O que é mais um motivo para nos permitir concentração absoluta no próximo domingo, contra o Belenenses. Mas lá iremos. Por agora, é tempo de continuar a saborear mais uma vitória transcendental. Não foi feito pequeno, digam o que disserem do Chelsea actual.

Quanto a José Mourinho, quando quiser voltar a visitar o museu, que avise que pago eu. É sempre um prazer ajudar um ateu a acreditar na fé portista.




Do Porto com Amor




terça-feira, 29 de setembro de 2015

Simplesmente...


... OBRIGADO por terem sido Porto esta noite!


É goooooloooo caraaagoooo!


Toma lá pinhões, ó coração mole!


Not so f*cking special now, am I?
"Vimos milhares e milhares de cantos do FC Porto, estávamos preparados para isso. O golo, da maneira como acontece, é ridículo. Tivemos um outro erro parecido, em que o Aboubakar acerta no poste. A nossa defesa não teve problemas, apenas três erros ridículos. Pagámos caro com isso. De resto, foi uma boa performance, estragada com dois erros" José Molinho



"Another bad result, another bad Jose Mourinho decision and a whole lot more questions for him to face. When you attempt a squad selection as bold as the Chelsea manager did for this game, and amid a run of performances as bad as this, you really need to get it right. Instead it was just another blunder as an excellent Porto easily won 2-1 in a game that really could have been so much worse for the English champions." ESPN FC


"Mourinho claimed this was a decent performance ruined by a couple of ‘ridiculous’ mistakes – but it sounded like a smokescreen to cloud a strange team selection." Daily Mirror



O resto fica para amanhã, que o Vintage estraga-se ao ar...


Do Porto com Amor


Hoje joga o Porto! (vs Chelsea)


Caldo entornado em Moreira de Cónegos quando já se espreitava o prato forte de hoje. Terá valido a pena?

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Se fosse assim tão linear a relação de causalidade, obviamente que a resposta seria sempre NÃO, fosse qual fosse o desfecho do jogo de hoje. Mas não é. E ninguém exceptuando Lopetegui poderia esclarecer esta questão, que portanto é meramente retórica.

O facto é que chegamos a este jogo vindos de um empate desmoralizante. Felizmente, não haverá nenhum transbordo de um para o outro. Este jogo é contra um dos ricos do futebol europeu, será televisionado por muitos MILHÕ€S de espectadores, alguns MILHAR€S de marketeers e umas quantas C€NT€NAS de agentes FIFA e dirigentes de clubes. E é apenas disto que os jogadores N€C€SSITAM para esquecerem tudo o que está para trás e se CONC€NTRAR€M neste jogo. Nem é preciso avisá-los da importância do desafio, afinal quem mais do que os próprios se preocupa com a sua carreira?

Este é um Chelsea debilitado, a duvidar das suas reais capacidades (que são grandes, obviamente). Por muito que Mourinho tenha tentado usar da sua psicologia barata, nada poderá fazer esquecer a crueza dos números que apresenta até ao momento neste temporada. Um vitória no Dragão pode ser o catalizador ideal para recuperar o ânimo e a confiança dos jogadores e o Zé Mário sabe-o muito bem. Daí a marmelada toda da visita ao museu, o sentir-se portista e mais uma ou duas tretas.

Tretas.

Mourinho é do Mourinho. Apenas e só. Um ultra ego que nem sequer deixa espaço para um alter ego. O verdadeiro Narciso.

Espero que alguém se tenha dado ao trabalho de explicar isto a Lopetegui. Ou, vá lá, admitindo que não seria preciso (e acredito que não fosse), que ele o tenha feito aos jogadores. Que todos eles tenham percebido que nada daria mais prazer a Mourinho do que golear no Dragão, esmigalhando-lhes os sonhos de uma grande transferência em breve. E por uma vez mais que fosse, imaginar-se sair do estádio como alguém maior que o clube. 


Portanto, hoje o jogo será muito jogado no plano emocional. 

Uma entrada forte à Porto, acompanhada de um golo madrugador pode abalar toda a estrutura do Chelsea e fazê-los duvidar ainda mais das suas capacidades, levá-los para uma zona de incerteza e absoluto desconforto, receio e desconcentração. E permitir-nos fazer o segundo, o terceiro e sabe-se lá o que mais. Não, não estou a sonhar. Mesmo a jogar apenas aquilo que temos jogado (pouco), isto é possível. Porque o que a cabeça manda os pés não conseguem desmandar.

No reverso desta linda coroa, está a cara que nenhum de nós quer ver sair-nos em sorte. Um Chelsea a entrar no jogo a disfarçar as suas fragilidades, mantendo a compostura e a observar do outro lado uma equipa amorfa e igualmente receosa. E a pensar que se calhar é hoje que começam a reviravolta. A pressionar aqui e ali e a ver-nos encolher, sem responder de imediato e na mesma medida. E então pressionar ainda mais. E acabar por fazer um golo. Afinal podemos, somos mesmo bons, let's show'em lads! E então passamos a jogar contra um Chelsea reabilitado, de novo e por agora confiante, com os nossos cumprimentos...

Evidentemente que no meio pode estar o que de facto se vai passar. Ambas as equipas a manter o respeitinho mútuo, jogo concentrado no meio-campo e mais uma soneca em perspectiva, de quando em vez estremunhada por um qualquer bruá numa das balizas. E talvez um golo. Possivelmente outro. Zero-zero, um-zero, zero-um, dois-um, etc. Se for a nosso favor, eu aceito o cochilo. Mas só porque é contra o Mourinho.

Vamos ao meu onze:



Mais uma rotação (talvez translação seja mais apropriado), com a fava a sair a Varela (porquê, se Tello continua) e a Herrera (finalmente). No sentido inverso, a ressurreição de Sérgio Oliveira (quem, perguntarão os menos atentos), Bueno e Evandro. Se Brahimi não estiver a 100%, será que é desta que jogamos em 4-5-1?


Seja como for, desejo ardentemente que hoje sejamos Porto. Aquele Porto fiel e agradecido aos seus mas implacável com quem o atraiçoou e se julga maior do que o clube. Joguem bem ou mal, mas ganhem a Mourinho. No mínimo, sejam maiores do que ele.


Do Porto com Amor



terça-feira, 22 de setembro de 2015

Onde está a bola? #5 - Chelsea FC


Cá está a estreia do universalmente aclamado passatempo DPcA nas competições europeias, com 2 magníficos bilhetes para oferecer ao leitor mais perspicaz e afortunado.




Agora vamos dar a oportunidade de assistir à melhor prova de clubes do mundo, a UEFA Champions League... ao vivo no Dragão! E logo num desafio tão interessante como por certo será o F.C. Porto - Chelsea FC do próximo dia 29 de Setembro!


O vencedor da última edição Rui Souto teve a gentileza de partilhar connosco a sua felicidade em pleno estádio, por certo um legado daquele magnífico minuto 86.

Agora pode ser a sua vez de ir ao mágico Dragão apoiar o nosso Porto contra os outros blues! 



Para se habilitar a ganhar, basta acertar qual das respostas à seguinte pergunta é a correcta:

Onde está escondida a verdadeira bola de jogo?

1 - Bola Azul
2 - Bola Preta
3 - Bola Laranja 
4 - Não há nenhuma bola escondida na imagem.


Já tem o seu palpite? Então é só responder na caixa de comentários.


As regras são muito simples:

1 - Descobrir na imagem acima onde está escondida a bola de jogo verdadeira (ou se não está lá de todo) e escrever na caixa de comentários deste post qual a resposta certa, indicando igualmente um nome e um email válido para contacto em caso de vitória (pode comentar como "anónimo" desde que no comentário inclua estes dados).

2 - Entre os que acertarem, será sorteado o vencedor (através de uma app geradora de sorteios).

3 - Para ser elegível para os bilhetes, o concorrente deverá fazer o obséquio de seguir o FB e o Twitter do DPCA (basta clicar nos links e "gostar" ou "seguir"). Sim, quem não tiver conta na(s) referida(s) rede(s), não será excluído por isso... mas cuidado porque o Lápis irá investigar :-)

4 - Apenas será aceite uma participação (a primeira) por cada email válido.

5 - Cumpridos todos os critérios, será anunciado o vencedor, que receberá instruções no seu email sobre como e quando levantar os bilhetes.

6 - Mesmo que já tenha Dragon Seat ou outro tipo de acesso, poderá oferece-los a um amigo ou familiar que não tenha a mesma sorte.

6 - Este passatempo termina às 00h00 de dia 26 de Setembro e o vencedor será anunciado até ao final de dia 27 de Setembro.

7 - Se o vencedor não reclamar o prémio até à data indicada no email que lhe será enviado, será feito novo sorteio entre todos os que tiverem acertado na resposta (e assim sucessivamente até se encontrar um vencedor que reclame o prémio).


 E é só! Mais simples não podia ser. Concorra e divulgue!


Do Porto com Amor (e bilhetes)