Aquele que parecia ser o início do fim, acabou por ser o momento decisivo para fazer de Portugal o novo Campeão Europeu.
Estava o jogo ainda a dar os primeiros passos quando uma tragédia, de proporções aparentemente gregas (como a de há 12 anos), se abateu sobre todos os portugueses que assistiam à final de Paris. Ronaldo, o super-jogador/capitão/selecionador foi cirurgicamente abalroado pelo melhor jogador do torneio, o "francês" Payet. Pela reação de Cristiano, logo se anteviu que a sua participação acabara ali. O melhor jogador da Europa (no mínimo) estava fora do jogo decisivo, disputado em casa do adversário que, além do mais, era já o grande (e justo) favorito à vitória... Fossemos nós os gauleses e naquele momento o céu teria desabado sobre as nossas cabeças.
No entanto, aquele momento que parecia ser o fim do sonho português, acabou por ser precisamente o momento em que o sonho se começou a transformar em realidade. Do lado nacional, houve um toque a rebate que uniu ainda mais os restantes jogadores. Agora era preciso ganhar em nome do infortunado capitão. Dentro de campo, passamos a ter uma equipa onde todos defendiam e onde todos se sentiram mais à vontade a poder "exprimir" o seu futebol sem o constrangimento de poder desagradar ao craque (que o diga João Mário). Mais equilíbrio, ainda mais disponibilidade para defender e esperar pelo momento certo.
Do lado francês, veio também uma inesperada reacção à saída do lesionado Ronaldo. Deu a sensação que um sentimento de culpa teria invadido as cabeças dos jogadores, quebrando-lhes de imediato o ímpeto ofensivo (que já ameaçava transformar-se em golo) e os submergiu numa estranha apatia, numa tácito pacto de não-agressão durante largos minutos. Uma espécie de luto em memória do finalista CR7. Em particular a Payet, que pareceu nunca mais se ter recuperado e foi mesmo o primeiro a ser substituído em meados da segunda parte, quando o jogo recuperou enfim a sua normal competitividade.
Portugal voltou a ser Portugal. Compacto, fechado atrás, policiando de perto as movimentações dos bandidos mais temidos do adversário. Desta vez, sem o facilitador Ronaldo para resolver um dos "toca-e-foge" lá na frente.
Para lá da lesão e do golo de Éder (já lá vamos), houve outros dois momentos fundamentais no desfecho final. A careta que o poste de Patrício (grande exibição, o melhor em campo em minha opinião) fez a Gignac mesmo em cima dos noventa. E a decisão de Fernando Santos (finalmente posso fazer-lhe um elogio sem engasgo) em fazer entrar um ponta-de-lança. Foi Éder, porque não havia outro. Foi Éder porque foi ele o escolhido de seleccionador. O único escolhido para a posição. Nessa decisão, Fernando Santos foi, finalmente, audaz. E acabou por merecer a felicidade que chegou logo a seguir.
Éder, o acidental herói do mar. Não escrevi mas disse várias vezes entre amigos que Éder não justificava a presença na convocatória. Que era um erro levar apenas um ponta-de-lança mas que a seguir essa opção, André Silva faria muito mais sentido, por representar o futuro... e o presente. Não altero uma vírgula. Não só porque Éder não estava numa fase particularmente feliz na seleção, mas porque considero o nosso menino já hoje mais capaz. Quis a providência que houvesse um remake de um filme de sonho, agora intitulado "O Fabuloso Destino de Édelie". Ainda bem para Portugal e ainda bem para Éder. Valeu a pena estar no sítio certo à hora marcada.
Quanto a mim, acabei surpreendido (ou não...) ao espontaneamente gritar GOLO! após o remate de Éderzito. E a emocionar-me com quem se emocionava à minha volta. E a ficar muito feliz pela vingança servida aos franceses com tamanho requinte de malvadez que durante muito tempo irá alimentar um inabalável orgulho dos muitos portugueses que por lá vivem e trabalham. E pelos quatro cantos do mundo. Já hoje foi tempo de regressar à parvónia, com as avenidas da capital a encherem-se de felizes inúteis para saudar os campeões. Tudo normal, portanto.
Antes de encerrar de vez o EURO 2016, o reconhecimento de um erro. Ou de uma previsão falhada. Ou de uma crítica injusta. Escrevi que Renato Sanches não merecia estar nos 23 e mantenho-o. Mas escrevi também que não acrescentaria nada de útil à equipa e enganei-me redondamente. Foi de facto útil e importante nesta conquista. Mérito para quem confiou nele, portanto. E assim chego a onde queria: estou agora em paz com Fernando Santos. Não se trata de mudar de opinião, trata-se de reconhecer que ele estava certo e eu errado. Ele é que sabe. Ele é que ganhou, e nenhum outro antes dele o havia conseguido. Parabéns a Fernando Santos. Parabéns a Danilo e aos demais 22 selecionados.
Portugal é finalmente Campeão da Europa e assim continuará durante os próximos quatro anos. Ontem li isto algures no facebook: "Tenho 42 anos e já fui campeão da Europa três vezes. Que sorte a minha!". Subscrevo na íntegra. Quem nunca tinha sido, agora já sabe como é.
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Com o fim do EURO terminou também a respectiva liga Do Porto com Mística, com os Maldito EC de Luciano Silva a aguentarem brilhantemente a liderança e assim se sagrarem vencedores da nossa liga!
Parabéns ao Luciano e a todos os que jogaram até final. As ligas fantasy regressam em Setembro com as competições oficiais de clubes!
Do Porto com Amor
















