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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

À Prova de Fantasmas


Fui um dos milhares de Portistas que estiveram em Tondela no passado domingo, a apoiar e sofrer com as aventuras e desventuras da novel equipa de Sérgio Conceição. Além de nós, também lá estiveram umas centenas de "tondelistas" - o "istas" é para manter a terminação segunda-circularista do seu outro clube do coração. 




Não sei se repararam, mas também lá estiveram duas alminhas (de)penadas, a pairar sobre as nossas aspirações como abutres sobre um prenúncio de carcaça eminente. Fantasmas de Verões passados, um com cortezinho à palerma e pronúncia basca, outro com cara de prolongada obstipação e flipchart ao ombro. If you know WHOM I mean.

Aquele futebol sem ideias, lateralizado ou de chuto para a frente - em qualquer caso bloqueado, à espera de um milagre vindo da estratosfera para salvar o dia, fez-me recordar agruras recentes com as ditas personas (non gratas, obviamente). E esteve para durar, esse futebol.

Poderemos sempre especular sobre o que teria sucedido de diferente se o VAR(eja) tivesse "sugerido" ao árbitro principal uma pausa para análise do lance sobre Marega, nomeadamente sobre a forçosa alteração de planos de um Tondela ultra-defensivo se a grande penalidade tivesse sido assinalada e convertida. 

Podemos, sim, mas de nada adianta. Porque eu e vocês sabemos que não podemos contar com isso. Sabemos que temos de jogar para criar vários lances de penálti, só para assegurar que pelo menos um deles seja assinalado. É o nosso fado, sem Fátima que nos valha.

Sofri a bom sofrer durante os 90 minutos, primeiro por temer não conseguir marcar, depois a desesperar por um segundo golo-almofada e finalmente por antecipar um golo do adversário que felizmente nunca chegou.

Ganhar era o mais importante e ganhamos. Nada de desvalorizar ou inverter as prioridades. Este era, na minha opinião, um dos jogos cruciais da temporada. E saímos dele ilesos. Bravo por isso. Mas...

...vai ser preciso mais. Mais plantel, mais qualidade de jogo e mais treinador. 

Do plantel já tinha falado no jogo com o Estoril, é curto e demasiado exposto a lesões ou castigos. 

Quanto ao jogo jogado, as primeiras indicações vindas desse jogo inaugural (até ao golo oferecido a Marega) replicaram-se em Tondela e por períodos mais extensos. Descontando algumas bolsas de esperança, a primeira parte foi toda assim. Bloqueada por um adversário defensivo e pela nossa incapacidade de o desbloquear. Eu sei que não é fácil, mas é importante diversificar, tentar coisas diferentes que confundam e desposicionem este tipo de oponente. Sem mudar peças nem tácticas.

O golo foi um calmante temporário que não descansou ninguém. À segunda (também conta), Abou conseguiu metê-la no fundo da baliza, após um remate falhado de Telles que parou no jogador certo. Foi importante ir para o descanso em vantagem, mas sabia-se que sem um segundo, não haveria sossego possível.

Talvez por isso, entrámos fortes e determinados no segundo tempo, à procura desse golo. Tentámos mas não conseguimos. E automaticamente, os fantasmas começaram a acenar lá de dentro das cabecinhas dos nossos, com destaque para o mais insuspeito: Sérgio Conceição.

Entendo bem o que quis passar no pós-jogo, mas a verdade é que, mexendo como mexeu, arriscou tudo na probabilidade de o Tondela não marcar. Porque, se marcasse, não tínhamos "equipa" para ir atrás do segundo. E isso não me agrada em campo nenhum, muito menos contra os Tondelas desta vida.

Houve, uma vez mais, San Iker e sus muchachos para manter a salvo os três preciosos pontos e salvar o dia. Mas certamente não será sempre assim. Há que melhorar, rapidinho, enquanto continuamos a ganhar - treinador incluído, como aliás venho dizendo desde que foi contratado. Learning by doing, Sérgio.


Fotos da Curva



Notas DPcA 


Dia de jogo: 13/08/2017, 20h15, Estádio João Cardoso, CD Tondela - FC Porto (0-1)


Casillas (7): Falhou uma vez e foi salvo; antes e depois, salvou-nos do pior. É para isto que serve ter uma lenda na baliza. Gracias. 

Ricardo Pereira (6): Muito interventivo e com boa qualidade de jogo, tanto a defender como a "ofender". Faltou a assistência para ser mais vistoso.

Alex Telles (6): Também bem lançado na ofensiva, embora mais vigilante por ter Brahimi como parceiro. Tentou ser decisivo no último passe mas ainda não foi desta - pelo menos, intencionalmente...

Marcano (7): Muito trabalhinho e quase sempre realizado com distinção. Bom posicionamento e tempo de abordagem. E muita coragem. Também um e outro deslize, felizmente sem consequências.

Felipe (6): Naturalmente também com muito a fazer mas um pouco menos de acerto face a Marcano. Pareceu algo nervoso a espaços. Mas globalmente bem.

Danilo (5): Continua a pré-época, pouco jogo lhe sai bem dos pés e o posicionamento ainda se recente da condição sub-óptima (física e mental). Arriba homem, que já se vai fazendo um pouco tarde.

< 69' Óliver (7): Outra vez um dos melhores, pelo afinco defensivo e pela qualidade que foi imprimindo ao jogo ofensivo. Não entendi (de todo) a sua saída.

< 84' Corona (6): A intermitência é a sua imagem de marca (infelizmente...), mas nos momentos de "luz" é capaz de quase tudo. Teve vários lances desses, que só não acabaram em golo por culpa de "outrem". Mas são excepções, precisa de dar mais durante mais tempo.

Melhor em Campo Brahimi (7): Sempre em busca do espaço, existente ou por si inventado, usando e abusando da sua superlativa qualidade técnica. Conseguiu ainda ser mais constante ao longo de toda a partida. Analisando bem, só ele poderia ser o meu MeC.

< 80' Aboubakar (6): Marcou e bem precisava(mos), mesmo se só à segunda tentativa. Quase bisava, num excelente gesto técnico, mas foi o poste quem mais ordenou. Pelo meio, muito trabalho e alguma inspiração.

Marega (6): Primeira parte comprometedora para as suas mais recentes ambições, a denotar várias falhas "técnicas" difíceis de tolerara a este nível. Para compensar, fez uma segunda metade de muito valor e não apenas pelo esforço e sacrifício: jogou futebol de bom nível a espaços.

> 69' Herrera (5): Se não me falha a memória, as primeiras 4 ou 5 vezes que participou no jogo fez asneira. Nas restantes, foi alternando entre o aceitável e o medíocre. Enfim, lutou.

> 80' André André (5): Aposta definitiva para segurar o resultado, entrou e ajudou nesse esforço sem se destacar.

> 84' Layún (-): Entrou para fechar ainda mais e aguentar, nada a relevar.

Sérgio Conceição (6): Delineou e adaptou a estratégia em função do que leu do jogo. Ganhou, teve razão. Mas...





Outros Intervenientes:



Tirando o estádio maneirinho e a terra simpática que lhe dá nome, não gosto do Tondela. Do treinador candeeiro ao presidente mimado, passando pelos caceteiros de verde e amarelo, não gosto de nenhum. E por isso não vou destacar ninguém. É assim quando amuo.


Quanto à arbitragem, sou dos (poucos?) que acreditam na qualidade e imparcialidade de Fábio Veríssimo. Creio que decidiu muitas vezes bem e até por isso me interrogo sobre o "procedimento" naquele lance sobre Marega. Vi as repetições várias vezes e honestamente não consigo dizer que é falta nítida (ainda menos se dentro ou fora da área), pelo que aceitaria ambas as decisões, mas o que não entendo é como é que ninguém na equipa de arbitragem teve dúvidas. Se isto não é lance para ser analisado pelo VAR, o que é?



É importante que fique claro que estou muito contente e aliviado com esta vitória. Onde outros falharam clamorosamente, Sérgio teve sucesso. Isso não é um pormenor, é quase-tudo neste momento. Fundamental é ganhar. 

Não deixo é de salientar o enorme risco que, em meu entendimento, corremos ao fazer aquelas três substituições em conjunto. Mas o treinador é ele, não eu. E ele acertou, assim nos diz o resultado.

Venha o próximo, que as férias podem esperar. Bilhetes para o Moreirense aqui (últimas horas).


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Parabéns a Raúl Alarcón e ao FC Porto - W52 - Mestre da Cor (esta é a minha ordem das coisas) pelo triunfo na 79ª Volta a Portugal!



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Febre de Domingo à Tarde


Bola ao centro, sai o Tondela. Esperem lá, se a bola é dos visitados, então fomos nós quem escolheu o campo, certo? E escolhemos jogar contra o Sol? WTF? Alguém achou que na segunda parte ia ser pior? Socorro... Alguém que ponha o estádio de quarentena, que a Febre Amarela está a contagiar toda a gente.


Dá-lhe que está de costas! Era tudo canela até à ponta dos cabelos...

É só um pormenor, mas foi uma espécie de preview para  a "contaminação" que se seguiu. A história deste jogo resume-se com rapidez: três ou quatro oportunidades soberanas para marcar desperdiçadas  (e uma evitada) no epílogo de hora e meia de apatia, sem ideias nem soluções - em estado aparentemente febril - contra uma equipa de caceteiros sem punição.

O onze voltou a ser vítima de revolução, devolvendo o formato "Guimarães" à equipa mas com variação nos protagonistas. Brahimi ganhou a titularidade (porquê?), tal como Rúben, e para o banco foram Óliver (porquê?) e Danilo. Salvou-se a ausência de Herrera...

Estamos perante mais um belo exemplar dessa nova "escola" de treinadores que são muito incentivos e julgam não haver limites no seu laboratório experimental mas que devem ter faltado a algumas das aulas essenciais. Creio até que vêem a sua criatividade à semelhança do próprio Universo, em permanente expansão. Só que não. A criatividade deve ficar reservada aos jogadores, devidamente enquadrada por um modelo de jogo e por rotinas: as tais que só se adquirem pela repetição. É bom ter alternativas e planos B e C, mas só depois de ter o A consolidado, pode ser ??

Em vez de se concentrar em descobrir como conseguir ganhar espaços através do desposicionamento dos defesas contrários e que os nossos recebam a bola de frente para a baliza, parece que NES prefere apostar no desenvolvimento de um novo modelo híbrido através de um enxerto de 4-4-2 no 4-3-3. Uma coisa assim assimétrica, mal fecundada e feia de ser ver. Talvez o mundo tenha perdido um génio da botânica, mas duvido que tenha ganho um génio da táctica. Adiante.

Quanto ao desperdício de oportunidades, em particular por André Silva, relembro o que afirmei antes do fecho do mercado, inclusivamente alertando ilustres companheiros de escrita pela euforia de ter (apenas) AS: "(o que eu não vi:) um avançado capaz de me tranquilizar quanto à sua capacidade actual de fazer muitos e variados golos. André Silva é uma grande aposta, coerente, acertada e para manter mas precisa de alguém mais maduro para lhe dar espaço para crescer". Não há milagres.

Nota final para a preocupante subserviência a que assisti no final do jogo, com Layún a ser obrigado (sem aspas) a ir dar explicações ao líder dos Super (grande apoio à equipa durante os 90 minutos), tendo Herrera por companhia, talvez como intérprete. Acho importante que os jogadores se preocupem com o sentimento dos adeptos, mas há limites, ontem claramente ultrapassados. Ou então sou só eu, que tenho pesadelos de o meu clube estar capturado por algum tipo de interesses paralelos. 


A perdida mais flagrante do jogo: era "só" tocar para o Adrian, senhores...


Notas DPcA 

Dia de jogo: 18/09/2016, 18h00, Estádio João Cardoso, CD Tondela - FC Porto (0-0). 


Casillas (7): Talvez o melhor da equipa, pela importância e acerto das suas intervenções. Exemplo perfeito de que às vezes menos é mais. Assim sim. Dá-se bem com os ares de Tondela, pronto.

Layún (6): Mais discreto e com menor acerto, cumpriu os mínimos sem dar nas vistas. 

Alex Telles (6): o.m.q. Layún... sort of. 

Felipe (5): Várias antecipações falhadas, uma delas salva apenas por Casillas, sobressaem numa exibição tremida. 

Boly (6): Estreia com altos e baixos. Bom toque de bola, passes bem medidos, dominador no jogo aéreo... E alguns lances perdidos em zona proibida. É preciso ver mais para formar uma primeira opinião. 

Rúben (7): Bom regresso do menino Porto, ainda que uma vez mais a seis. Ok, neste jogo aceita-se pela menor intensidade do adversário na sua zona de acção, mas desperdiça-se uma das suas melhores qualidades, o passe. 

André André (6): Melhor na segunda parte, tal como contra o Guimarães, mas com menor exuberância. Foi a tal formiga de trabalho, mas nem sempre esclarecido ou eficaz. Apenas suficiente, espero sempre mais de qualquer jogador do Porto. 

< 56' Brahimi (6): Regresso à titularidade sem nada ter feito por isso (talvez nos treinos...) e correspondeu, sem ser brilhante. Talvez a "fé" num monumento semelhante da época passada tenha inspirado Nuno a apostar nele de início, mas se a teve, cedo a perdeu. Saiu demasiado cedo, em minha opinião. Era mesmo Depoitre ou um médio quem estava a mais.

< 77Otávio (6): Foi o alvo principal dos carniceiros de Tondela e disso naturalmente se foi ressentindo com o passar dos minutos e o acumular das nódoas negras. Sempre muito envolvido no jogo, nem sempre esclarecido na altura de decidir. Saiu exausto.

André Silva (4): Duas perdidas gritantes aos 81' e aos 82' (na segunda tinha Adrian para encostar) serão sempre o resumo deste exibição esforçada mas com muito desacerto, não apenas na finalização mas também no auxílio da construção ofensiva e no baixar a cabeça até perder a bola. Até agora tem sido o abono de família, que ninguém se esqueça disso antes de sequer considerar assobiar. Nem da idade e currículo deste jovem prodígio. Arriba André, que melhores dias virão... Já a seguir!

< 69' Depoitre (5): Depois de alguns jogos a "crescer", segue-se agora o segundo com pouco de positivo para assinalar. Terá mesmo sido o pior desde que chegou. Ineficaz e inconsequente, se fosse russo seria o Soestrova... A rever (outra vez).

> 56' Óliver (6): Outra vez recuado e mais longe das zonas onde faz a diferença. Ainda assim, descobriu um espaço vazio de luxo para AS finalizar, entre outras acções com menor relevo ou acerto. Por favor não desperdicem o talento que têm à disposição.

> 69' Adrian (6): Não entrou mal, "ligou-se" rapidamente ao jogo e ajudou no assalto final. Foi pena não ter conseguido marcar na última oportunidade do jogo. Foi mesmo pena. Mesmo (mas surpresa seria se o tivesse feito).

> 77' Corona (6): Chegou tarde ao jogo, mas ainda a tempo para desequilibrar a defesa adversária. Não conseguiu arrancar aquele passe com açúcar que nem o AS de ontem conseguiria falhar, mas foi útil e uma boa aposta - e tardia.

Nuno Espírito Santo (4): Anda perdido o Nuno - nas suas dúvidas e hesitações. Se tivéssemos feito um golo a perspectiva seria diferente, mas a conclusão não. É verdade que tivemos oportunidades flagrantes para sair de Tondela com os 3 pontos e que nenhum treinador pode marcar golos, nem mesmo os "fáceis", mas a produção foi demasiado fraca contra o último classificado da Liga. É preciso fixar e treinar até à exaustão um modelo de jogo, aquele que Nuno entender ser o melhor tendo em consideração a matéria-prima que tem à sua disposição. Mas é preciso fazê-lo já. Outro resultado destes simplesmente não é admissível. Tic-tac, tic-tac...


Medo, muito medo...
 

Outros Intervenientes:


Petit é o estrume que todos sabemos (futebolisticamente falando, obviamente). Discípulo de Jaime Pacheco e cirurgicamente aprimorado na forja da impunidade do Estádio da Luz, passa todo o seu "don't know-how" para a horda que tem sob o seu comando. Há quem "calado seja um poeta", Petit numa mina de carvão seria um grande treinador. Pobre Pité.

Não há desculpa possível para a permissividade de Hugo Miguel perante a violência com que os caceteiros de Tondela nos fustigaram. Além do óbvio perigar da integridade física dos jogadores, haveria lugar a expulsões com o acumular de cartões, o que alteraria o jogo. Como exemplo, o bárbaro que tinha o 14 nas costas deveria ter deixado o jogo ao minuto 25. E como ele, outros. Ou é mau ou fá-lo de forma intencional e em nenhum dos cenários interessa à arbitragem. No lance que o DD hoje contesta, parece-me que a decisão foi boa. O fiscal de linha marcou offside e o árbitro assinalou a falta imediatamente anterior, porque o Porto não tinha beneficiado da vantagem do jogo prosseguir. Para compensar, não "viu" um agarrão claro a AS a menos de um metro da área, já nos descontos, de onde deveria ter resultado um cartão e um livre perigosíssimo. E mais isto, ainda na primeira parte. Outra jóia de uma exibição arbitral em jogos nossos, portanto.




Tivemos sorte com o desfecho do jogo que se seguiu, que atenuou o impacto deste empate-derrota. Não vi mais do que os últimos 20 minutos, mas nem por isso hesito em dar os parabéns a Capucho e companhia - é um grande resultado sob qualquer perspectiva. Ah, e a um tal de Gil Dias, lembram-se?

No entanto, não é provável que tal se repita, pelo que outro resultado destes simplesmente não é admissível. Regressamos à competição na próxima sexta, em casa contra o Boavista. Bilhetes para o jogo já de seguida.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor