Fui um dos milhares de Portistas que estiveram em Tondela no passado domingo, a apoiar e sofrer com as aventuras e desventuras da novel equipa de Sérgio Conceição. Além de nós, também lá estiveram umas centenas de "tondelistas" - o "istas" é para manter a terminação segunda-circularista do seu outro clube do coração.
Não sei se repararam, mas também lá estiveram duas alminhas (de)penadas, a pairar sobre as nossas aspirações como abutres sobre um prenúncio de carcaça eminente. Fantasmas de Verões passados, um com cortezinho à palerma e pronúncia basca, outro com cara de prolongada obstipação e flipchart ao ombro. If you know WHOM I mean.
Aquele futebol sem ideias, lateralizado ou de chuto para a frente - em qualquer caso bloqueado, à espera de um milagre vindo da estratosfera para salvar o dia, fez-me recordar agruras recentes com as ditas personas (non gratas, obviamente). E esteve para durar, esse futebol.
Poderemos sempre especular sobre o que teria sucedido de diferente se o VAR(eja) tivesse "sugerido" ao árbitro principal uma pausa para análise do lance sobre Marega, nomeadamente sobre a forçosa alteração de planos de um Tondela ultra-defensivo se a grande penalidade tivesse sido assinalada e convertida.
Podemos, sim, mas de nada adianta. Porque eu e vocês sabemos que não podemos contar com isso. Sabemos que temos de jogar para criar vários lances de penálti, só para assegurar que pelo menos um deles seja assinalado. É o nosso fado, sem Fátima que nos valha.
Sofri a bom sofrer durante os 90 minutos, primeiro por temer não conseguir marcar, depois a desesperar por um segundo golo-almofada e finalmente por antecipar um golo do adversário que felizmente nunca chegou.
Ganhar era o mais importante e ganhamos. Nada de desvalorizar ou inverter as prioridades. Este era, na minha opinião, um dos jogos cruciais da temporada. E saímos dele ilesos. Bravo por isso. Mas...
...vai ser preciso mais. Mais plantel, mais qualidade de jogo e mais treinador.
Do plantel já tinha falado no jogo com o Estoril, é curto e demasiado exposto a lesões ou castigos.
Quanto ao jogo jogado, as primeiras indicações vindas desse jogo inaugural (até ao golo oferecido a Marega) replicaram-se em Tondela e por períodos mais extensos. Descontando algumas bolsas de esperança, a primeira parte foi toda assim. Bloqueada por um adversário defensivo e pela nossa incapacidade de o desbloquear. Eu sei que não é fácil, mas é importante diversificar, tentar coisas diferentes que confundam e desposicionem este tipo de oponente. Sem mudar peças nem tácticas.
O golo foi um calmante temporário que não descansou ninguém. À segunda (também conta), Abou conseguiu metê-la no fundo da baliza, após um remate falhado de Telles que parou no jogador certo. Foi importante ir para o descanso em vantagem, mas sabia-se que sem um segundo, não haveria sossego possível.
Talvez por isso, entrámos fortes e determinados no segundo tempo, à procura desse golo. Tentámos mas não conseguimos. E automaticamente, os fantasmas começaram a acenar lá de dentro das cabecinhas dos nossos, com destaque para o mais insuspeito: Sérgio Conceição.
Entendo bem o que quis passar no pós-jogo, mas a verdade é que, mexendo como mexeu, arriscou tudo na probabilidade de o Tondela não marcar. Porque, se marcasse, não tínhamos "equipa" para ir atrás do segundo. E isso não me agrada em campo nenhum, muito menos contra os Tondelas desta vida.
Houve, uma vez mais, San Iker e sus muchachos para manter a salvo os três preciosos pontos e salvar o dia. Mas certamente não será sempre assim. Há que melhorar, rapidinho, enquanto continuamos a ganhar - treinador incluído, como aliás venho dizendo desde que foi contratado. Learning by doing, Sérgio.
| Fotos da Curva |
Notas DPcA
Dia de jogo: 13/08/2017, 20h15, Estádio João Cardoso, CD Tondela - FC Porto (0-1)
Casillas (7): Falhou uma vez e foi salvo; antes e depois, salvou-nos do pior. É para isto que serve ter uma lenda na baliza. Gracias.
Ricardo Pereira (6): Muito interventivo e com boa qualidade de jogo, tanto a defender como a "ofender". Faltou a assistência para ser mais vistoso.
Ricardo Pereira (6): Muito interventivo e com boa qualidade de jogo, tanto a defender como a "ofender". Faltou a assistência para ser mais vistoso.
Alex Telles (6): Também bem lançado na ofensiva, embora mais vigilante por ter Brahimi como parceiro. Tentou ser decisivo no último passe mas ainda não foi desta - pelo menos, intencionalmente...
Marcano (7): Muito trabalhinho e quase sempre realizado com distinção. Bom posicionamento e tempo de abordagem. E muita coragem. Também um e outro deslize, felizmente sem consequências.
Felipe (6): Naturalmente também com muito a fazer mas um pouco menos de acerto face a Marcano. Pareceu algo nervoso a espaços. Mas globalmente bem.
Danilo (5): Continua a pré-época, pouco jogo lhe sai bem dos pés e o posicionamento ainda se recente da condição sub-óptima (física e mental). Arriba homem, que já se vai fazendo um pouco tarde.
< 69' Óliver (7): Outra vez um dos melhores, pelo afinco defensivo e pela qualidade que foi imprimindo ao jogo ofensivo. Não entendi (de todo) a sua saída.
< 84' Corona (6): A intermitência é a sua imagem de marca (infelizmente...), mas nos momentos de "luz" é capaz de quase tudo. Teve vários lances desses, que só não acabaram em golo por culpa de "outrem". Mas são excepções, precisa de dar mais durante mais tempo.
Melhor em Campo Brahimi (7): Sempre em busca do espaço, existente ou por si inventado, usando e abusando da sua superlativa qualidade técnica. Conseguiu ainda ser mais constante ao longo de toda a partida. Analisando bem, só ele poderia ser o meu MeC.
< 80' Aboubakar (6): Marcou e bem precisava(mos), mesmo se só à segunda tentativa. Quase bisava, num excelente gesto técnico, mas foi o poste quem mais ordenou. Pelo meio, muito trabalho e alguma inspiração.
Marega (6): Primeira parte comprometedora para as suas mais recentes ambições, a denotar várias falhas "técnicas" difíceis de tolerara a este nível. Para compensar, fez uma segunda metade de muito valor e não apenas pelo esforço e sacrifício: jogou futebol de bom nível a espaços.
> 69' Herrera (5): Se não me falha a memória, as primeiras 4 ou 5 vezes que participou no jogo fez asneira. Nas restantes, foi alternando entre o aceitável e o medíocre. Enfim, lutou.
> 80' André André (5): Aposta definitiva para segurar o resultado, entrou e ajudou nesse esforço sem se destacar.
> 84' Layún (-): Entrou para fechar ainda mais e aguentar, nada a relevar.
Sérgio Conceição (6): Delineou e adaptou a estratégia em função do que leu do jogo. Ganhou, teve razão. Mas...
Outros Intervenientes:
Tirando o estádio maneirinho e a terra simpática que lhe dá nome, não gosto do Tondela. Do treinador candeeiro ao presidente mimado, passando pelos caceteiros de verde e amarelo, não gosto de nenhum. E por isso não vou destacar ninguém. É assim quando amuo.
Quanto à arbitragem, sou dos (poucos?) que acreditam na qualidade e imparcialidade de Fábio Veríssimo. Creio que decidiu muitas vezes bem e até por isso me interrogo sobre o "procedimento" naquele lance sobre Marega. Vi as repetições várias vezes e honestamente não consigo dizer que é falta nítida (ainda menos se dentro ou fora da área), pelo que aceitaria ambas as decisões, mas o que não entendo é como é que ninguém na equipa de arbitragem teve dúvidas. Se isto não é lance para ser analisado pelo VAR, o que é?
É importante que fique claro que estou muito contente e aliviado com esta vitória. Onde outros falharam clamorosamente, Sérgio teve sucesso. Isso não é um pormenor, é quase-tudo neste momento. Fundamental é ganhar.
Não deixo é de salientar o enorme risco que, em meu entendimento, corremos ao fazer aquelas três substituições em conjunto. Mas o treinador é ele, não eu. E ele acertou, assim nos diz o resultado.
Venha o próximo, que as férias podem esperar. Bilhetes para o Moreirense aqui (últimas horas).
Venha o próximo, que as férias podem esperar. Bilhetes para o Moreirense aqui (últimas horas).
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Parabéns a Raúl Alarcón e ao FC Porto - W52 - Mestre da Cor (esta é a minha ordem das coisas) pelo triunfo na 79ª Volta a Portugal!
Lápis Azul e Branco

