Do Porto com Amor: Janeiro 2016

domingo, 31 de janeiro de 2016

O Primeiro Voo da Passarola


"…o homem, primeiro tropeça, depois anda, depois corre, um dia voará.


Yes We Can!


Assim foi. E assim será (por mais alguns jogos).

O fundamental - a única coisa que realmente importa de momento - foi conseguido: vencemos. Carrego no lápis para que o enfoque não se perca ao longo da crónica. O fundamental era vencer e foi conseguido. Continuamos na luta.

Dito isto, vamos ao secundário. O jogo em si mesmo e as exibições, individuais e colectiva.

Entrada vacilante - ainda em terra, naturalmente - que nos castigou com severidade, mais do que aparentemente estaríamos preparados para aguentar, através de um golo madrugador num canto muito mal defendido a meias entre Danilo e Herrera.

Eu (e uma imensa minoria, suponho) temi o pior. 

A reacção não foi imediata mas também não tardou. Poucos minutos volvidos estávamos já em cima do Estoril, conquistando cantos sucessivos. Mas seria através de um grande lance de Layún que seria reposta a igualdade pelo pé direito de Aboubakar. Alívio imediato e esperança renovada: "assim ainda vamos lá"...

O jogo avançou repartido, aberto, mas quase sempre com sinal + da nossa parte. E foi com naturalidade que Layún (quem mais?) assistiu de novo na cobrança de um canto para uma tolada irrepreensível de Danilo. Pronto, erro reparado e vantagem no marcador. 

Entretanto o nosso décimo primeiro jogador resolveu entrar no jogo. Don Herrera despertou do seu sono profundo de equívocos e hesitações por volta dos 35' e ficamos finalmente a jogar de igual para igual. E com este bónus, chegámos ao intervalo sem marcar o merecido terceiro mas também sem conceder, o que na altura até foi mais importante.

O regresso ao jogo foi (de novo...) titubeante, desta vez agravado com uma anarquia defensiva que nos rouba anos de vida. Danilo, Herrera e André ainda não compreendem bem que espaços ocupar em cada momento e em relação a cada um deles. Tal como os alas. E como os defesas, que hoje tiveram momentos em que deixaram uma cratera entre a sua linha e o resto da equipa. Tudo normal, tudo aceitável e compreensível - desde que se ganhe.

Percebe-se claramente que está a nascer uma nova forma de jogar. Já não será uma larva mas também ainda não é borboleta. Estamos na fase da crisálida. Haja paciência para a nutrir.

Voltando ao jogo, a segunda parte foi ainda mais aberta do que a primeira. O Estoril não teve receio de sofrer mais golos, preferindo apostar em marcar. Uma atitude sempre louvável. E isso intimidou-nos, agitando os fantasmas recentes. Encostamos demasiadas vezes atrás e subimos demasiado devagar, quando saía um contra-ataque ou um simples "alivia Vicente!". No entanto, tivemos várias oportunidades para ampliar antes de finalmente chegarmos ao terceiro por André. Ele próprio, Corona e especialmente Abou (que foi aquilo, senhores?) tiveram tudo para nos alegrarem mais cedo. Mas enfim, regressando ao início do texto, vencemos. E justamente, diga-se.

Fica a sensação de que seremos uma equipa muito mais ofensiva num futuro próximo. Hoje uma das maiores diferenças face ao passado recente foi a quantidade de jogadores que colocámos em zona de finalização em cada ataque. No reverso da medalha, os colossais desequilíbrios defensivos quando perdíamos a bola. Não duvido que são processos que serão afinados e se reduzirão a seu tempo, mas já duvidaria de quem me dissesse que iriam desaparecer por completo. São o outro lado de atacar com muitos homens. Pode ser menorizado acertando os posicionamentos, as compensações e as marcações, mas o cobertor não estica para os dois lados. E por mim tudo bem, desde que marquemos sempre mais um do que os sofridos. 


Abram alas para o Super Maxi - e chupem (antes que derreta)


Notas DPcA:



Dia de jogo: 30/Jan/2016, 18h30, Estádio António Coimbra da Mota. GD Estoril-Praia - FC Porto (1-3).


Iker (5): Continua intranquilo e transparece essa intranquilidade para os companheiros, seja nas (não) saídas a bolas na sua zona de intervenção, seja nas reposições mal calculadas. Arriba coño!

Maxi (8): Outro grande jogo do Sr. Maximiliano, talvez até o seu melhor de brasão abençoado ao peito. Lutador incansável e inquebrantável, esteve sempre em todas as suas e mais algumas alheias. Já não tem as pernas dos "vinte anos" mas compensa-o com tudo o resto. E digo mais, só não sai daqui como MeC porque Layún foi ainda mais decisivo.

Melhor em Campo Layún (8): Começam a escassear adjectivos para este caso seríssimo de jogador decisivo. Se o segundo golo se enquadra no seu reportório habitual das bolas paradas, o primeiro acrescentou-lhe um novo truque. Será este o verdadeiro Ferrari? Que nem se atrevam a permitir que se abra uma qualquer janela de oportunidade para sair e que não assine em definitivo por nós.

Marcano (6): Três cortes importantes a evitar outros tantos quase-golos. Isso tem que ser relevado, mesmo se um desses lances é de sua responsabilidade e se em vários outros aliviou para zonas proibidas ou hesitou na abordagem. Hoje atingiu os mínimos olímpicos. Ena.

Martins Indi (6): Sempre mais discreto (para o bem e para o mal), teve também algumas hesitações na abordagem à bola e/ou ao adversário, dando-lhe tempo e espaço que exponenciaram o perigo para a nossa baliza. No final e com tudo somado, também se safou.

Danilo (7): Entrada terrível, não só por não ter conseguido acompanhar Diego Carlos no lance do golo, como também por se assemelhar à Capuchinho Preto perdida e assustada na floresta. Rapidamente se transformou no Lobo Mau e repôs a sua conta a zero com o bom golo que marcou e que permitiu a cambalhota. E de resto, foi alternando entre a Capuchinho e o Lobo, mas felizmente sempre com mais uivos do que choros amedrontados.

<-86' André André (7): Enervou-me q.b. na primeira parte. Por não ter feito um golo "fácil" e pelo seu posicionamento errante, quase sempre demasiado longe do adversário de ocasião para "lhe chegar". Subiu muito na segunda metade, jogou e fez jogar e matou o jogo na ocasião menos fácil. Exibicionista... e ponto pelo golo matador de canários.

Herrera (6): Ora hoje este señor dignou-se a começar a jogar como um profissional aos 35 minutos. Até lá, foram os seus habituais disparates que estiveram em campo. Dez minutos douradinhos. No recomeço, alternou entre o mau e o razoável e mais para a frente, voltou a jogar como todos gostaríamos que jogasse sempre. Enfim, um enxaqueca.

Corona (7): Bom jogo, ainda que com oscilações. E o mais relevante para mim foi precisamente ter recuperado do apagamento a que se acometeu em meados da segunda parte. Levou uns quantos gritos do banco e arrebitou, aguentado-se como um Dragão até final. Pode não parecer, mas creio que cresceu uns centímetros hoje..

<-71' Brahimi (6): "Continua a fazer quase tudo bem até ao momento da decisão, que tal como o nome sugere, é o decisivo. E por isso o que podia ser sensacional fica-se pelo "quase que era". O que tem o seu mérito também, até porque atrai adversários como moscas ao mel". Nada a acrescentar ou a retirar.

<-89' Aboubakar (7): Grande evolução em termos da sua contribuição para o jogo colectivo, bem mais perto do que já nos mostrou ser capaz de fazer. E golo importante num momento crítico. E muito, muito trabalho. Ponto a mais pelo golo, ponto a menos por aquela coisa... 

->71' Varela (6): Ainda outra boa entrada. Em crescendo, desta vez. Perdeu uma bola proíbida que quase fazia mossa mas recuperou e ajudou a equipa rumo ao terceiro golo. Não creio que tenha condições para se firmar no meio, mas logo veremos.

->86' Rúben Neves (-): Bem melhor do que nas mais recentes aparições. O que mais se notou com a sua entrada foi a qualidade de passe, ainda que estando tempo em campo. É, de facto, outra coisa. Mas tem que aprender (depressinha) a defender com a faca nos dentes, não pode ser tão português suave na sua abordagem aos lances. Não jogou o suficiente para ser avaliado.

->89' Suk (-): Sem tempo de jogo suficiente para ser avaliado. Entrou com vontade e ainda deu um par de corridas...

José Peseiro (7): Vitória fundamental, num campo tradicionalmente complicado e com cambalhota no marcador pelo meio. É assim que vai conseguir agarrar os jogadores e devolver-lhes e a confiança e a alegria de jogar. A tal anarquia é neste momento tão natural quanto aceitável. Só para ter algo com que implicar, creio que adiou em demasia as segunda e terceiras substituições. Mas o fundamental já lá estava, no papo do Zé.


Tabela de pontuação finalmente concluída, não deixem de visitar e comentar!



Outros intervenientes:


Boa postura a do Estoril, que com um golo caído do céu não caiu na tentação de se encolher na defesa. E depois já em desvantagem, não desistiu de procurar o empate até ao último golo da partida. Gerso continua a destacar-se, mas hoje gostei de ver Matheus (longe do nível do pai, obviamente) e também o desconhecido Marion.

Quanto ao árbitro, grande surpresa... até aos 75 minutos. O suspeito Tiago Martins liderou com descrição e eficácia recorrendo a um critério largo que favorece sempre o jogo (assim os jogadores o queiram). Terá errado, como é suposto, mas sem relevância. Até aos 75 minutos. Depois perdeu a compostura, começou a amarelar tudo o que mexia, com o erro maior no amarelo a Corona, transformando uma falta sofrida numa cometida. Mas em termos globais não esteve mal não senhor.


Hoje matámos dois borregos de uma cajadada só. O de ganhar neste campo e o de ganhar em Lisboa. Embrulhem.

"…mas o éter antes de subir aos ares para ser o onde as estrelas se suspendem e o ar que Deus respira, vive dentro dos homens e das mulheres (...) o éter compõe-se da vontade dos vivos (…) quando vires que a nuvem vai sair de dentro delas aproximas o frasco aberto, a vontade entrará nele…" in Memorial do Convento


Do Porto com Amor


sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O que diz Molero(tegui)


Demorou pouco para que o pequeno Julen quebrasse o silêncio. E foi logo fazer queixa de nós aos seus conciudadanos, o bigorrilha!


"¿Me pasa el papel higiénico, porfa?"


Mas o que para mim releva desta entrevista não são as suas mágoas carpidas, mas antes o que podemos ficar a saber através delas.


Sobre o despedimento e Pinto da Costa:

"Para mim não é uma decisão agradável nem justa"

"Os jogadores estavam a crescer (...) estávamos no caminho certo (...) íamos fazer ajustes no mercado de inverno"

"Tenho muito respeito pelo presidente do FC Porto, que conquistou muitos títulos, sempre demonstrou um carinho especial por mim e ficou emocionado quando foi o adeus...mas é verdade que não me deixaram despedir dos jogadores" (d'O Jogo)

"Creio que é um bom presidente mas (...) em algumas alturas não é bem aconselhado nem bem assessorado

Continua ceguinho de todo o basco. Ou então mente, mas não me dá essa sensação. Vejo-o falar e fico com a impressão de estar a ouvir um tolinho que acredita piamente no que diz. Enfim, já não é problema nosso. A ser verdade que não o deixaram despedir dos jogadores, é lamentável. Mesmo que se tenha portado mal com a rescisão, não há justificação. A ser verdade, repito. E sobre a assessoria do presidente, enfim, nada de novo, mas falta saber por que motivos o diz; se por despeito por quem o correu de cá ou se por convicção. Julgo saber que com Antero a relação era (é?) muito boa, pelo que não será um dos visados. Cheira-me a uma caldeirada das antigas...


Sobre o ambiente que se vivia

"Fizemos um jogo muito bom [em casa contra Académica] (...) Chegamos a líderes (...) e em vez de celebrar, pôs-se o enfoque no facto de determinado chaval não ter jogado (...) a sensação que fica é a de se estar a levar as coisas para o negativo quando tudo era positivo"

"Tudo era positivo". Só isto já transformaria qualquer possível diálogo numa conversa de surdos. Eu bem que lhe tentei explicar que (quase) tudo estava mal, mas já não fui a tempo. E o enfoque no chaval só aconteceu pela sua teimosia e/ou incapacidade/desinteresse em compreender como funciona a nação azul e branca. Inteligência emocional = zero.


Sobre o êxodo do verão passado:

"Saíram 7 titulares e um de última hora [Alex Sandro] que já não esperávamos". Saliento ainda o facto de ter nomeado Quaresma como uma das saídas importantes... é preciso ter lata.
 
"Precisávamos de um 10 e de um 9 (...) eram prioridades (...) e chegaram jogadores que não eram os que queríamos, os que pensávamos que podiam chegar"

"Imbula é um bom jogador e podia ser a cereja no topo do bolo, mas tivemos outras prioridades para a equipa que não chegaram" (d'O Jogo)

Aqui é que o Julenzito pode ter uma defesa sustentável. 

Perdeu Alex já sem o contar - mas veio Layún, que não sendo Alex Sandro, até se tem excedido face às expectativas. Não será por aqui. E muito menos pela saída do RQ7 (insisto, lata do car...). 

Mas quanto ao 9 e ao 10 não há como negar que ambas as posições estão ainda hoje muito mal servidas. Melhor a 9, mas mesmo assim apenas com Abou como opção de primeiro plano. Osvaldo foi um flop e os demais são apenas projectos. Para jogar a 10, em rigor da verdade, não temos ninguém.

E reforçou a mensagem através de Imbula. Mas fez mais, contrariou por completo as declarações do presidente na entrevista ao Porto Canal, dizendo que o francês não era a sua prioridade. Nessa altura, Pinto da Costa colocou todo o ónus da contratação em Lopetegui. Mas hoje recusou comentar as declarações do seu ex-treinador...


Para ser justo, devo considerar este último ponto como uma justificação parcial para o falhanço estrondoso que estava a ser a época com Lopetegui. O plantel não é equilibrado e muito menos o melhor de sempre. E isso certamente atrasou o crescimento da equipa. A questão é que duvido que ele conseguisse fazer muito melhor, mesmo que essas prioridades tivessem chegado. Mas, lá está, como não o deixaram ficar até ao fim da época, nunca saberemos. E cada um pode dizer o que bem lhe apetecer sem correr o risco de ser desmentido...

Quem preferir, tem à disposição o resumo feito pel'O Jogo.

Nota final para a imagem e comunicação corporal do homem: é tão fraquinha, mas tão fraquinha, que até me provoca pele de galinha. Melhor ainda, fico como um gato quando se vê ameaçado: de pelo eriçado. Pelo menos disto terá poucas culpas...

E uma nota extra para o Oas (e todos os Oespanhóis em geral) : Oporto é o Franco que vos sodomize!


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Diz hoje Pinto da Costa à SIC: "Ontem telefonaram-me a avisar que o Carrillo estava a assinar pelo Benfica, disseram-me onde, no apartamento de quem e perguntaram se o FC Porto estava interessado. Não quero saber nada disso, não quero saber dos outros. Se quer assinar pelo Benfica faz muito bem". 

Pergunto: Não quer saber nada disso, tratando-se de um enorme talento em potencial? Não o quisemos mesmo? Ou não pudemos? E porque não, já agora? O Sporting de BdC já deixou de ser um alvo ou só vamos aos jogadores do Marítimo? Ficarei muito grato a quem me conseguir sossegar o espírito.

E entretanto, mais um sonho desfeito: Óliverderci!



Do Porto com Amor



quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Oportunidade desperdiçada


Além da vergonha de sair desta competição com um registo 100% perdedor, assistimos também ao desperdício de uma das poucas oportunidades para evoluir competindo.




Como sobre o jogo não há muito a dizer, vou-me debruçar sobre as curiosas opções de Peseiro.

Começando pelo onze inicial (e final...), revolução quase completa face ao último jogo. Somente Rúben, Varela e Suk defrontaram o Marítimo e certamente sem coincidência, foram os três suplentes utilizados nesse jogo. Percebe-se a intenção do treinador em continuar a avaliar em competição os jogadores que, nesta fase inicial, serão os que na sua cabeça formam o núcleo principal com que pode contar. Acrescentaria a esse lote Maicon, que me parece acabará por voltar à equipa dentro de pouco tempo e talvez Imbula, se demonstrar uma atitude condizente nos treinos. Todos os demais farão parte da segunda e terceira linha, chamados apenas por indisponibilidade dos principais ou em desespero de causa, num jogo complicado.

A segunda opção inesperada foi a de não fazer entrar nenhum dos suplentes. Ora com esta eu consigo viver. Sendo verdade que a imensa energia acumulada pelos Bs que se sentaram no banco poderia agitar e até mudar o jogo, o mais certo é que essa energia fosse rapidamente absorvida pelos anémicos companheiros e se dissipasse na atmosfera. E assim sendo, preservaram-se os jovens talentos de prováveis críticas, injustificadas e injustas.  

A outra opção curiosa foi o modelo ensaiado. E é aqui que entra a oportunidade desperdiçada e a minha reprovação.

É legítimo que o treinador queira ter a equipa preparada para jogar de formas variadas e, se bem trabalhadas, teremos uma maior riqueza táctica que nos dará maior flexibilidade para defrontar diferentes adversários ou momentos de um jogo. O problema é que Peseiro chegou a meio da época, com a equipa mentalmente destroçada e a correr atrás do prejuízo no campeonato. Não há tempo para experiências! 

"Ver-te assim abandonado..."
Na minha forma de ver, neste momento Peseiro tem que se focar em implementar um modelo de jogo, aquele que na sua opinião nos dará maiores garantias de ter sucesso no curtíssimo prazo (ou seja, no jogo seguinte). Não há tempo para trabalhar dois ou mais esquemas tácticos, pelo menos não agora. 

Hoje ficou mais uma vez evidente que este lote de jogadores continua sem rumo dentro do campo e como tal, precisa de uma solução, um modelo em que acredite e a que se dedique sem distrações. Uma luz ao fundo do imenso túnel em que se encontram perdidas e assustadas as suas psiques de meninas pequenas. Um novelo desfiado que possam seguir cegamente e que os guie para fora deste labirinto de emoções que os confunde e os faz duvidar de tudo o que são capazes. Resumindo, uma boa ideia e simples de apreender com um estalar de dedos.

Este ensaio de hoje, além de penoso de assistir e de aceitar - somos, em qualquer circunstância, o Futebol Clube do Porto -, constitui-se como um desperdício de tempo precioso e também um passo atrás na recuperação anímica do balneário (depois dos dois à frente dados contra o Marítimo). Sem menosprezo para o Feirense, que é um clube que merece tanto respeito como qualquer outro e que tem uma equipa bem montada, perder 2-0 com eles e chegar ao fim resignados pelo que (não) fizemos, é uma p*t@ duma vergonha! E já agora, metam o equipamento cacau no %/&%#%& que vos &%$!!



Notas DPcA (modo compacto):


Dia de jogo: 27/Jan/2016, 19h45, Estádio Marcolino de Castro. CD Feirense - FC Porto (2-0)

Nota 6: Chidozie

Nota 5: Hélton, Victor Garcia, Maicon, Suk

Nota 4Angél, Rúben, Sérgio, Imbula, Varela, André Silva

Nota 3: José Peseiro


A Tabela de Pontuações DPcA - clicar para ver


Eu sei que o capital de confiança do treinador nunca estaria em risco neste jogo - pelo menos uma quantidade significativa - mas convenhamos que hoje Peseiro não foi lesto a enfrentar os 12 Trabalhos que lhe dei. E mais, colocou-se a jeito para um coro de críticas e dúvidas dos merdia do costume, em crescendo até ao difícil e decisivo jogo do próximo sábado, no Estoril. E para mais uma, de minha autoria: vir dizer no final que treinou este sistema 20 minutos é quase estúpido (quer a façanha, quer a declaração). Se pretendia escudar-se, acabou por conseguir exactamente o oposto.

Sobram agora dois dias de trabalho para implementar as novas ideias e preparar esse jogo. O árbitro já foi bem escolhido, mais uma vez (e mais uma vez na paz do senhor, no pasa nada...) e o adversário é tradicionalmente complicado em sua casa, pelo que a nossa resposta terá de ser muito forte para sairmos de lá com os três pontos. Qualquer coisa menos, será muito complicado de recuperar mais adiante.

E restam apenas 4 dias para reforçar o plantel. Espero ardentemente por um BOM central e, se possível, por um médio criativo e por um goleador.


Do Porto com Amor



terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Onde está a bola? #13


Após uma breve interrupção para balanço, está de regresso o mais aclamado (e único) passatempo do universo DPcA, o "Onde está a bola?" !

Nesta primeira edição de 2016, temos 2 bilhetes para oferecer ao leitor mais perspicaz e afortunado, desta vez para assistir ao jogo F.C.Porto - F.C. Arouca, a contar para a 21ª jornada da Liga Portuguesa.

E para dar as boas vindas a este novo (e esperemos que glorioso) ano, recomeçamos com o futebol de seleções...

Onde está a bola? #13


Na edição anterior foi o Diogo Rocha quem teve o privilégio de assistir ao jogo que nos levou ao primeiro lugar da liga. Ainda que a passagem por lá tenha sido efémera, durante o jogo viveu-se  mais uma noite à Porto, como atestam as imagens que o Diogo partilhou connosco.

Agora pode ser a sua vez de ir ao mágico Dragão torcer pelos nossos e assistir ao vivo a mais um passo da nossa recuperação rumo a esse primeiro lugar!



Para se habilitar a ganhar, basta acertar qual das respostas à seguinte pergunta é a correcta:

Onde está escondida a verdadeira bola de jogo?

1 - Bola Azul
2 - Bola Amarela
3 - Bola Laranja
4 - Bola Preta
5 - Não há nenhuma bola escondida na imagem.


Já tem o seu palpite? Então é só responder na caixa de comentários.


As regras são estas:

1 - Descobrir na imagem acima onde está escondida a bola de jogo verdadeira (ou se não está lá de todo) e escrever na caixa de comentários deste post qual a resposta certa, indicando igualmente um nome e um email válido para contacto em caso de vitória (pode comentar como "anónimo" desde que no comentário inclua estes dados).

2 - Entre os que acertarem, será sorteado o vencedor (através de uma app geradora de sorteios).

3 - Para ser elegível para os bilhetes, o concorrente deverá fazer o obséquio de registar e confirmar o seu email (nas "Cartas de Amor", na lateral direita do blogue) para receber notificações de novos posts e seguir o FB e o Twitter do DPCA (basta clicar nos links e "gostar" ou "seguir"). Sim, quem não tiver conta na(s) referida(s) rede(s), não será excluído por isso... mas cuidado porque o Lápis irá investigar :-)

4 - Apenas será aceite uma participação (a primeira) por cada email válido.

5 - Cumpridos todos os critérios, será anunciado o vencedor, que receberá instruções no seu email sobre como e quando levantar os bilhetes.

6 - Mesmo que já tenha Dragon Seat ou outro tipo de acesso, poderá oferecê-los a um amigo ou familiar que não tenha a mesma sorte.

6 - Este passatempo termina às 22h00 de dia 4 de Fevereiro e o vencedor será anunciado até ao final de dia 5.

7 - Se o vencedor não reclamar o prémio até à data referida no email que lhe será enviado, será feito novo sorteio entre todos os que tiverem acertado na resposta (e assim sucessivamente até se encontrar um vencedor que reclame o prémio).


E é só! Mais simples não podia ser. Concorra e divulgue!



Do Porto com Amor


segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Maioria de Direita


Vitória fundamental no primeiro jogo do resto da nossa época. Outro resultado teria sido simplesmente catastrófico.


"Esta já está!"


Foi até por ter esta convicção que não me esforcei muito para enganar a falta de tempo e fazer a antevisão da partida. Sentia-o mas não me sentia muito confortável em dizê-lo abertamente. Era cosa nostra, para se confessar em surdina entre portistas, sem grande alarido. E assim o fiz (em surdina e entre portistas). Agora que já correu bem, não há porque negá-lo.

O primeiro onze de Peseiro foi o mesmo de Guimarães, o que demonstra inteligência da sua parte. 

Imagino que tendo Bueno disponível tivesse sentido a tentação de o lançar de início, com o espanhol impedido foi mais fácil. E inteligente porquê? Por assim dizer aos que perderam esse jogo que confiava neles, nos mesmos que falharam estrondosamente há uma semana, para nos conduzirem à vitória. Algum risco associado mas relativamente baixo quando comparado com o benefício psicológico que resultaria de uma vitória. Que foi conseguida, a propósito. 

Devo confessar que cheguei a elaborar o meu onze e era diferente, já tinha arredado Herrera e Marcano da titularidade - que por acaso, até foram os piores nesta partida, mas isso sou eu que percebo munto munto da bola... Piada à parte, ainda bem que Peseiro decidiu como decidiu, se não lá ficaria a pensar que deveria ter eu sido o substituto do basco.

Já o jogo, não foi fácil. Longe disso.

Certamente que devido à boa oposição do Marítimo (que só perdeu a compostura e o bom senso no quarto de hora final), mas também por culpa dos nossos fantasmas. Foi evidente, claríssimo, pela forma desconcentrada e até despropositada como entramos no jogo. A vontade de jogar esteve sempre presente, não foi por falta dela, só que por muito que as pernas corram, se a cabeça não funcionar devidamente, dificilmente delas sairá alguma coisa proveitosa. Fruto disto, aos 14 minutos quase sofríamos um golo com origem na amena cavaqueira entre Layún e Peseiro, que sabotou a linha de fora de jogo e alheou o lateral do início da ofensiva adversária... 

A meio da primeira parte, o lance decisivo da partida, com André a aproveitar na insistência para atirar a bola à trave, que por sua vez ressaltou com capricho nas costas de Salin e finalmente se aninhou no fundo da baliza. Bem feito, para o sacana deixar de fazer grandes exibições (só) contra nós. Parece-me no entanto ter havido um braço na bola de Abou no decorrer da jogada, possivelmente justificativo de uma interrupção precoce do lance.

Logo de seguida, mais dois lances polémicos nas duas áreas no espaço de um minuto. Fiquei com dúvidas em ambos, mas dou o benefício ao árbitro. Tal como no golo aliás. Pouco depois, nova desconcentração defensiva permitiu que Marega cabeceasse com estrondo à barra da Casillas. Castigo divino (azul e branco), à passagem de meia hora o maliano lesiona-se com gravidade suficiente para o arredar em definitivo do encontro. E o jogo segue repartido nos últimos quinze da primeira parte, que ainda inclui um amarelo a Maxi por simulação (provavelmente exagerado).

O regresso foi de novo assustador. Sem convicção ofensiva, ao que se somavam trocas de bola perigosas na nossa defesa, sem que qualquer coisa benéfica jamais pudesse resultar dali. É lógico que esta atitude temerosa e de certa forma displicente não é culpa de Peseiro, mas será sua responsabilidade erradicá-la de uma vez por todas. Seja mudando os jogadores ou mudando de jogadores...

Aos 49', provavelmente o maior erro do árbitro, ao não assinalar penálti sobre Maxi. Para mim não é daqueles que não deixam dúvidas, mas pareceu haver falta. Ainda assim, devo conceder novo benefício ao árbitro.

Nos minutos seguintes dei por mim a pensar que o jogo estava completamente aberto, uma espécie de roleta, pelo que acto contínuo rezei muito para que pintasse azul... Tanto que logo depois da hora de jogo já suspirava por mudanças - que não tardaram mais de cinco minutos, diga-se. A troca de Abou por Suk pareceu-me (uma vez mais) bem pensada, por um lado libertando o descrente camaronês de carregar com a totalidade da responsabilidade de fazer os golos, por outro dizendo ao coreano que conta com ele. Também gostei da última, ainda que a tenha imaginado diferente no seu impacto. Assumi que Varela entraria para a esquerda e que Brahimi saltaria para o meio. Tinha lógica, uma vez que o português seria sempre maior ajuda a fechar o seu lateral e o argelino iria para o seu meio natural. No entanto, Varela foi mesmo para o lugar central de André e (surpresa minha) deu-se bem! 

À medida que o apito final se aproximava, as coisas descontrolaram-se um pouco para ambas as equipas. Os da Madeira assumiram uma intolerável postura de conflito, como se fossem os DD(aquilo)T. Não são, seus palerminhas, haja respeito. Mas enfim, são resquícios de 18 meses de lopeteguização, não é verdade? Do nosso lado, voltou a tremideira e os pesadelos de jogos passados. O que levou à paralização parcial, sempre com medo que o céu lhes caísse (mais uma vez) em cima da cabeça. Felizmente não caiu. Ganhámos e bem.

Neste jogo, Maxi e Corona foram - por larga margem - os melhores em campo. À semelhança do que se passou na noite eleitoral, também no Dragão se assistiu a uma esclarecedora maioria de direita.


Tooomaaaa!


Notas DPcA (com a tabela de pontuação finalmente concluída, não deixem de visitar e comentar!):


Dia de jogo: 24/Jan/2016, 20h30, Estádio do Dragão. FC Porto - CS Marítimo (1-0).


Iker (5): Sem grande trabalho mas pouco consistente naquilo para que foi chamado. Não deu "aquela" segurança nas bolas que eram "suas" e esteve particularmente desacertado nas reposições, contribuindo para a intranquilidade que se foi fazendo sentir. Espero mais dele e não posso deixar de o penalizar por isso.

Melhor em Campo Maxi (7): Este é o Pereira que encanta os seus adeptos e desespera os adversários. Lutador em cada bola (sempre para a ganhar) e disponibilidade para fazer o corredor de uma ponta à outra. Esteve muito bem envolvido no ataque e deu origem a várias decisões polémicas da arbitragem na área adversária. Só lhe falta mesmo o golo e/ou a assistência. 

Layún (6): Uma primeira parte horrível, com muita (demasiada) desconcentração. Lance paradigmático quando ficou colado a Peseiro a receber instruções (meia-culpa...) do lado de dentro do campo, o que colocou os adversários em jogo que assim avançaram para um contra perigoso. Coisa de infantil. Foi já perto do final que subiu de rendimento, combinando bem melhor com Brahimi & Ca. na construção ofensiva. No global, não chegou para se safar. [Actualização: faltou-me creditar-lhe a decisiva assistência, pelo que... ponto extra]

Marcano (4): Vou ser claro e directo, uma vez mais: não tem categoria para jogar no Porto. Ponto. Andor e venha outro.

Martins Indi (6): Se o companheiro de sector não ajuda, ele também não consegue colmatar as suas falhas, deixando-se antes arrastar para elas. Duas ou três intervenções de cabeça oca, incluindo com a bola nos pés. Fora isso, quase sempre certinho, sem exuberâncias.

Danilo (6): Começou muito desconcentrado (tal como Layún) a falhar passes óbvios e a decidir mal. Para ser sincero, não lhe conhecia esta faceta. Demorou a recompor-se mas lá conseguiu. Depois esteve bem até chegar Rúben. A partir daí, voltou a perder o norte dentro do campo, culpas divididas com o companheiro. Mas ainda assim sempre melhor do que ele.

<-81' André André (7): Estreou-se em novas funções, fazendo fé nas suas palavras (e nas de Peseiro) no final do encontro, e foi decisivo. A exibição como um todo não foi brilhante, longe disso, mas trabalhou e na maioria das vezes com acerto. Ponto extra pelo golo.

<-73' Herrera (4): Take 2 - "Enfim, lá voltou ele à sua normalidade de passes ridículos e más decisões. Tudo o que vai fazendo de bom acaba inevitavelmente por sucumbir a tanto disparate de amador. Alô Napoli?...". Acrescento que foi ele o primeiro a arrancar assobios das bancadas, aos 11 minutos...

Corona (7): Muito boa partida, faltou-lhe apenas o golo para ser uma exibição à Porto (ver a tabelinha p.f.). Sempre muito mexido, procurou sempre a bola e o espaço para a receber, nunca se escondendo do jogo. Combinou lindamente com Maxi e quase era feliz. Mesmo assim, muito bom.

Brahimi (6): Continua a fazer quase tudo bem até ao momento da decisão, que tal como o nome sugere, é o decisivo. E por isso o que podia ser sensacional fica-se pelo "quase que era". O que tem o seu mérito também, até porque atrai adversários como moscas ao mel.

<-69' Aboubakar (6): Foi bom vê-lo recuar bem mais do que anteriormente, aproximando-se o suficiente dos médios para que o "recebe, segura e toca" tenha condições de funcionar. A isto não serão alheias nem as instruções do treinador nem o novo sistema de jogo. Bem trabalhado, pode mesmo resultar. Mas fora isto, pouco. Lutou mas teve pouca bola e nenhuma oportunidade de que me lembre. O que é uma evolução, desta vez não falhou nenhum golo cantado.

->69' Suk (6): Está bem rapaz. Agitaste mais as águas maritimistas em 20 minutos do que Abou em setenta. Movimentado e lutador, como convém a quem tem tudo a provar e (provavelmente) pouco tempo para o fazer. Tiveste ali uma quase oportunidade flagrante, mas o passe foi mais atrasado do que seria necessário. Para este jogo foi ok, mas percebe que no próximo já esperaremos um pouco mais. E no seguinte, ainda mais um pouco.

->73' Rúben Neves (4): Não está bem o menino, é ponto assente. Parece que a sua juventude está a passar a factura do crescimento explosivo que testemunhou. Não tem mal, desde que bem gerido. Por ele e pelo treinador. Há que resguardá-lo nesta fase... e aproveitar para tirar o Ferrari da garagem.

->81' Varela (6): Outra boa entrada, Silvestre. Fresquinho que nem uma alface (roxa), notou-se de imediato o seu auxílio no capítulo defensivo. E naqueles minutos finais em que nenhum médio parecia querer ter a bola, foi ele que assumiu o risco de a tranportar (e com a classe e confiança que se exige a um jogador do Porto). Quero mais disto.


José Peseiro (7): Começou com uma importantíssima vitória e não se limitou a assistir, tendo procurado explicar o que pretende sobretudo dos médios. Convém é fazê-lo quando a bola está fora, ok mister? Gostei do novo sistema (o 4-2-3-1, que tanto me orgulhei de ter identificado logo no início do jogo, tirei foto e tudo, pensando que ia brilhar aqui na escrita, quando afinal o próprio o confirmou no final...), mesmo sendo ainda muito prematuro para o poder rotular de válido ou desajustado. É sabido que é um sistema complicado de gerir em termos defensivos, mas um passo de cada vez. Esta primeira batalha está ganha, de nada interessa se pela margem mínima. Está ganha. Vamos ao próximo!


4-2-3-1


Ultrapassado este primeiro obstáculo, é altura de mandar toda a equipa para o divã. Há que fazer uma rápida recuperação destas cabecinhas, devolvendo-lhes a confiança e a autoridade que as suas competências lhes conferem por direito próprio. Ser jogador do Porto também é isto, ter a coragem de assumir que se é melhor do que os adversários - de outro modo, seriam jogadores dos adversários e não do Porto.

E pronto. Treino de manhã, divã de tarde e a coisa lá se irá compondo. Com o auxílio imprescindível das vitórias. A próxima já na quarta, na Feira, para encerrar com alguma dignidade esta nossa desastrosa participação na Taça da Liga. E depois, outro teste complicado, a deslocação ao Estoril, no sábado ao final da tarde.


Mas por agora, é altura de descomprimir um pouco. Todos nós.


Do Porto com Amor


Última hora: Marega e José Sá vão ser dragões!



sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

A Norte, nada de novo


Não se me oferece dizer muito sobre uma entrevista pouco esclarecedora e até enfadonha em certos momentos. Ainda assim, vamos lá.




Ao contrário de muitas outras entrevistas dadas ao longo dos anos pelo presidente Pinto da Costa, esta nem sequer foi um momento especialmente bem passado. Assisti até ao fim, naturalmente, mas com o interesse a diminuir à medida que a conversa avançava. Foi-se passando ao de leve por temas importantes, mas nenhum foi verdadeiramente aprofundada e ainda menos esclarecido. 

Não contava que fossem feitas estas 20 perguntas, não só pela deferência natural (sem ironia) do empregado pelo empregador, mas porque fosse onde fosse, ninguém se atreveria a colocá-las a não ser que estivesse preparado para ter um final de carreira precoce, no que concerne ao assunto F.C. Porto. E os que adorariam fazer essas perguntas com o único intuito de nos atacar, jamais teriam a oportunidade. Felizmente.

Portanto, esperava uma dança tranquila em que o Júlio dava o mote mas quem marcaria o passo seria Jorge Nuno. E assim foi. Aqui fica o que retive da entrevista e o que ficou por dizer:


- O inevitável anúncio da recandidatura. Não foi notícia, era evidente que iria acontecer. Ficou-lhe bem dizer e repetir que o clube não é uma monarquia e que portanto não há sucessões e que todos os sócios (que cumpram os requisitos x5) se podem candidatar. Gostaria de o ter ouvido ir mais longe, apelar a quem o critica para se apresentar a votos com propostas alternativas.


- O pesadelo Lopetegui. Como esperado, caiu tudo sobre as costas do basco. Desde "não compreender o futebol português" ao flop (até ver) de Imbula, passando pelos "passes da esquerda para a direita". E quem me lê, sabe o que eu penso dele. Mas o Juquinha deveria ter tido a coragem de perguntar por que motivo foi sempre o treinador a dar a cara contra árbitros, paineleiros e jornalistas, sem defesa pública de ninguém da SAD. E porque motivo o despediram agora, seis meses depois de lhe terem renovado a confiança sem nada que o justificasse. E porque o fizeram sem ter solução para o substituir. Peseiro não estava contratado. Terá sido sondado após o Rio Ave, como foi dito, mas certamente que não foi o único. Nem o primeiro.


- O negócio Adrián. Foi bom que o tivesse abordado, de tão mal que resultou. E ter reconhecido que foi um erro. Só lhe fica bem. Mas não explicou tudo. E há muitos outros negócios, todos "pequenos", que somados causam uma mossa muitíssimo superior. O tal exército de emprestados e dos "estranhos casos" da equipa B e o seu não aproveitamento. Juca bem tentou mas o presidente "calou-o" com Rúben Neves, como se fosse suficiente. "Está a começar a dar frutos". Qualquer dia caem de podres...


- O "Xaninho". Foi o momento de maior embaraço na entrevista, que aliás deve valer um cartão amarelo ao Juca no final do evento, por entrada imprudente. Notou-se o desconforto com que o presidente abordou a questão, começando por não responder, agarrando-se (longamente) a explicar a contratação de Suk. Depois lá falou do filho e do seu envolvimento nos negócios do clube, mas não disse o que não podia dizer. Nem da relação entre ele e Antero. É um dos pontos negros das últimas presidências e não antevejo que termine antes que saia.


- Baía e Fernanda. Outro ponto baixo da entrevista. Felizmente não atacou o Vitor directamente - sabe bem do carinho que uma grande minoria tem por ele, pelo seu passado como jogador - mas endossou-o pela sua esposa. Excessivamente, diria. Repetiu várias vezes que a senhora só o fez para "defender pessoas que lhe são queridas" (...), ao mesmo tempo que frisava que não se sentiu pessoalmente atingido. E não foi - directamente; mas foi pelas suas escolhas em quem o acompanha, quer queira, quer não. E por isso mesmo, a sua potencial candidatura levou (compreensível) nega por ser "apoiada pelo CM".

Já agora, aproveito para abordar esse assunto e arrumá-lo. A senhora tem todo o direito de se expressar como bem entender, mas não pode nunca perder de vista que é casada com o presidente do FC Porto e como tal, tudo o que disser será escrutinado e terá impacto. Seguindo o raciocínio, espero que tenha sido a primeira e a última vez que se expressa publicamente sobre assuntos do clube. Lembro-me bem do outro ponto negro - a escritora Carolina - e jamais aceitarei que se repita. Esta senhora, Fernanda Pinto da Costa, tinha sido absolutamente exemplar até agora, pelo que espero que tenha sido apenas um impulso irreflectido e único.


- Continuo sem saber por que motivo não há a intenção para ter futsal no clube. Para mim, seria "o projecto" que gostaria de ver anunciado. Não desprezo a revelação sobre o "centro de formação", porque pode de facto vir a ser importante no futuro do clube. Só não sei onde encaixa o actual da Constituição, mas certamente teremos mais detalhes com o tempo. Imagino que seja fora da cidade, à semelhança do centro do Olival, mas aguardemos. 


- As águas tranquilas em que navegámos. Não se dispara sobre a arbitragem (como se a época passada nem tivesse existido) excepto para insistir na questão da conflitualidade entre Vítor Pereira (que por lá continua a fazer das suas) e do avaliador dos árbitros Ferreira Nunes (até deu para elogiar Duarte Gomes, veja-se bem), nem sobre os rivais (uma ligeiríssima farpa ao Sporting), nem sobre a FPF do "Dr. Fernando Gomes" e muito menos sobre a liga do "Dr. Pedro Proença". Tudo na paz do senhor dos futebóis. Que maravilha... 


- Sobre o negócio televisivo nada de relevante, apenas um remoque à NOS e ao fedorento (sempre bem aplicado).


- Gostei, finalmente, que convocasse todos a apoiarem Peseiro e a equipa, ainda que gostasse de ter sentido mais convicção quanto à real possibilidade de ganharmos o campeonato. E a propósito, dizer que os assobios são "para o modelo de jogo" é dizer meia verdade ou desconhecer a outra metade (o que não acredito). Eu não assobio, mas não é difícil perceber que eles são para o treinador, jogadores, administradores e sim, também para o líder, ainda que com a natural deferência para com quem tanto fez pelo clube.


Como por certo repararam, coloquei vários links de artigos d'O Tribunal do Dragão, um dos meu blogues preferidos da bluegosfera e o que mais informação relevante dá a conhecer da vida interna do clube. Naturalmente não tenho como saber se tudo o que lá se escreve é verdadeiro, mas até agora, também não tenho motivos para duvidar. Que continue com o seu bom trabalho.


E pronto, já está. Vou dormir e sonhar com dois centrais e um goleador (pela entrevista, parece que só mesmo em sonhos).


Do Porto com Amor



quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Os 12 Trabalhos de Peseiro


Pois é, meu caro Zé, aposto que quando recebeste aquele telefonema não antecipaste em que labirinto te vinhas meter. Mas agora já lá estás, perdidinho da Silva, e só te resta esgravatar (que não as paredes do labirinto, são demasiado duras e dás cabo das unhas) e encontrar a saída que dá acesso ao sucesso. Mas cuidado, há várias saídas possíveis mas apenas uma rumo ao sucesso. Sentes-te preparado para bater os minotauros ao sprint?

"Isto ainda está pior do que eu pensava..."

Acabado de chegar mas sem tempo a perder, José Peseiro tem pela frente a difícil missão de devolver o Porto ao lugar que o nosso estatuto exige. Não será de proporções bíblicas, mas ainda assim complicada.

Enquanto adepto dedicado e sofredor, também eu me sinto obrigado a embarcar numa missão secundária: ajudar José Peseiro a orientar-se nestes primeiros tempos no Templo do Dragão. Para tal, é fundamental identificar os problemas e estabelecer um plano para a sua resolução, definindo prioridades.

Foi com isto em mente que reflecti sobre a actualidade da equipa e do clube, procurando decifrar os motivos do nosso actual insucesso, e assim cheguei a este conjunto de tópicos quentes que exigem uma resolução premente.

São eles os 12 Trabalhos de Peseiro:


1) Devolver a confiança ao plantel. É a primeiríssima prioridade, limpar aquelas cabeças cheias de minhocas e relembrá-los da qualidade que possuem e da responsabilidade que têm por jogar de Dragão ao peito. Consta que é um dos pontos fortes de Peseiro, pelo que confio que o fará sabia e rapidamente.

2) Ganhar. É, só isto. Ganhar. Vão ver como faz diferença...

3) Implementar uma nova filosofia de jogo. Fundamental para consolidar o primeiro trabalho. Mas tem que fazê-lo sem esquecer que já domingo temos um jogo onde só podemos vencer. E outros logo de seguida. Tem que ser fácil de assimilar, por módulos ou como lhe quiserem chamar. Como? Não faço ideia, o treinador é ele...

4) Não hostilizar o Dragão. No fundo, ser inteligente. Jamais abdicar das suas ideias em função das palmas e dos assobios, mas ter a sensibilidade para gerir cada momento. E não complicar o que para todas as demais almas no estádio é demasiado simples. Uma pequena dica: se cumprir com os segundo e terceiro trabalhos, este vai ser canja.

5) Resolver o problema central. Convencer a SAD que os nossos centrais não seriam titulares em muitas equipas da segunda liga, que não servem para o Porto. Assim, sem rodeios. Só escapa Indi e mesmo ele precisa de alguém melhor ao lado. Portanto, precisamos de contratar dois centrais de qualidade de Champions, (pelo menos) um deles já em janeiro. Pode entretanto pegar em Marcano, Maicon e Lichnovsky, embrulhá-los nos equipamentos cacau e meter tudo na Bimby para fazer Trouxas de Chocolate.

6) Resolver o outro problema central. O do miolo. Estando de fora, tenho a sensação de que temos bons jogadores mas nenhum fora de série e vários de características semelhantes. Vê lá o que queres fazer da equipa e decide quais te dão mais garantias de o conseguir. E depois aposta neles, muitas vezes. Precisamos de consistência, que os jogadores se conheçam de olhos fechados e adivinhem o que os companheiros vão fazer a seguir. Cumplicidade só com regularidade.

7) Resolver ainda outro problema central. Desta vez no ataque. Convencer a SAD que para lutar a sério pelo campeonato precisamos de um goleador já em janeiro. Se esse goleador é Aboubakar ou não, só Peseiro e o próprio o poderão dizer. O camaronês atravessa uma fase péssima e foi um dos carrasquinhos de Lopetegui. Pelo sim, pelo não, que venha outro. Manter Suk a ver o que dá, obviamente, e devolver André Silva à sua equipa (a B), para que volte a recuperar a confiança e a alegria de jogar e continue o seu desenvolvimento, essencial para que um dia venha a ser o que todos esperamos dele. E Bueno, deposito muita esperança nele. Deves dar-lhe a possibilidade de mostrar o que vale, já que o elogiaste tanto de cadeirinha.

8) Ala(s) que se faz tarde. Por esta altura, o problema Tello já terá deixado de o ser (menos uma Trouxa), mas sobram outros assuntos (nada) laterais para resolver. Na defesa, é preciso decidir de Victor Garcia tem já condições para ser real alternativa a Maxi. Precisamos de uma. Se não for, terá que ser encontrado fora. O mesmo no lado esquerdo. Só Layún não chega e não há mais ninguém (que tenha qualidade para cá estar). Na frente, alternativas a Brahimi e Corona. Se Varela não quer ou não consegue ser, então que se dê oportunidades aos "miúdos" da B, sem os sobrecarregar com responsabilidades que ainda não podem ser suas. Para ir buscar mais uma Trouxa lá fora, não vale a pena. Hernáni? Ricardo? Kelvin? Your call, Zé.

9) Deslindar o mistério Imbula. Eu não tenho dúvidas de que o Gianneli é um bom jogador e ainda com margem para ser melhor. Tenho dúvidas é se conseguirá demonstrá-lo no Dragão. Lopetegui tentou assassiná-lo futebolisticamente e o rapaz agora tem medo. Compreensível. Falta portanto saber se terá Peseiro interesse em ter Imbula a fazer o que Imbula faz bem. Se não quiser, mais vale fazer já outra Trouxa (mas esta com um laço dourado de €20M). Também há a questão psicológica do jogador, mas acredito que se a outra for resolvida, esta se resolverá por si.

10) Transformar Errera em Herrera. Não, não é acrescentando um "H" (és um brincalhão, Zé...). Nem com poções mágicas. Talvez com uma esconjuração... não sei a fórmula, mas sei que este mexicano tira-nos anos de vida e quilos de paciência a cada jogo que faz. O hombre tem qualidades, a sério. Se conseguires isolá-las dos defeitos capitais (a Preguiça dos lances fáceis, a Avareza dos passes certos e a Ira que os outros dois nos provocam) e deitá-los fora para sempre, então terás ganho um bom jogador. E portistas com prazo de validade alargado.

11) Fazer Licor de Merda. Com João Gabriel, João Gobern, Pedro Guerra, Rui Gomes da Selva, António Simões, José Eduardo, Octávio Malvado e mais uns quantos. Se calhar estou a exagerar no ingrediente principal, mas paciência, fica mais encorpado. Para acompanhar com as Trouxas, claro.

12) Dar um chuto no traseirão de Bruno de Carvalho. Só porque sim. E porque precisava de 12 trabalhos.


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유럽 연합 버리는 좁 ...


Ah, e houve um jogo também. Perdemos por 1-0 em Famalicão. Pior que o resultado só mesmo a exibição. Tão, mas tão fraquinha que nem me vou dar ao trabalho. Não foi uma equipa que defrontou os famalicenses, foram 14 jogadores descrentes, sem confiança e sem saber o que fazer em campo. Vou dar notas porque preciso delas para a estatística da época, mas só por isso. E vai ser em modo compacto.

Dia de jogo: 20/Jan/2016, 19h45, Estádio Municipal de Famalicão. FC Famalicão - FC Porto (1-0)

Nota 6: Victor Garcia, Suk

Nota 5: Lichnovsky, Varela, Francisco Ramos, Corona, Ismael Diaz

Nota 4: Hélton, Angél, Maicon, Rúben, Sérgio, Imbula, André Silva

Nota 3: Rui Barros 


Mau de mais para ser visto. Adiante que hoje começa vida nova para todos.


Do Porto com Amor