Do Porto com Amor: Maio 2015

sábado, 30 de maio de 2015

Análise da época 14/15 - parte 2

(clicar na imagem para melhor definição)

Retomo a tomada do escalpe da época que termina no próximo domingo, centrando-me agora nos golos marcados pelos 19 jogadores mais utilizados por FCP e SLB.

Em termos absolutos, é evidente a maior concretização do Benfica (86 vs. 74), pelo que o interesse estará nos detalhes (ao colo do diabo, certamente).

Começando pelos principais artilheiros, no Porto houve "apenas" Jackson a distinguir-se da multidão, contribuindo com 28% do total dos golos marcados pela equipa nesta edição da liga, o que aliás acabou por lhe valer o troféu de melhor marcador. Já nos vermelhos e brancos, houve o duo Ele e Ela, perdão, Lima e Jonas que à sua conta somaram uns valentes 39 golos, com o segundo a superiorizar-se neste duelo fratricida por um golinho apenas. Em conjunto, valeram 45% do total da sua equipa.

Jonas foi mesmo o jogador que necessitou de menos minutos em campo para fazer um golo: 111, contra 122 de Jackson, 144 de Aboubakar e 147 de Lima. Aproveito aqui para fazer o elogio ao camaronês portista, que teve uma eficácia muito apreciável no (pouco) tempo que teve de jogo e numa altura crítica (substituição de Jackson por lesão).

Na segunda linha de tiro, no lado encarnado encontramos Talisca e Sálvio, com 9 golos cada a valer (quase) 10% cada do total da equipa.
Já do lado portista, tivemos 3 jogadores com 7 golos (com destaque para Tello, já fora do 11 mais utilizado) e 2 com 6 tentos, sobressaindo Danilo por consegui-lo apesar das suas funções mais defensivas.

Outra nota relevante resulta da comparação entre a produtividade dos "onzes" face aos "bancos", com o banco portista a ser muito mais aplicado que o benfiquista, ao contribuir com 20% do total de golos da equipa (contra os apenas 8% do do SLB). O reverso da medalha é óbvio: o onze mais utilizado pelo Benfica fez quase a totalidade dos golos, 91%!

Na minha interpretação, é mais um dado que reforça a ideia de que o Porto tinha mais soluções ofensivas, facto acentuado pela (excessiva) rotatividade feita por Lopetegui. Já o Benfica concentrou-se em tirar o melhor rendimento do seu onze principal, deixando menos espaço para quem entrava brilhar. E aqui volto a frisar um ponto já abordado na parte 1 desta análise: a contribuição decisiva que o sector defensivo do SLB deu em termos ofensivos (golos e assistências).

Como sempre, comentários são bem-vindos. A parte 3 vem já a seguir.

Até lá, despeço-me,
Do Porto com Amor


sexta-feira, 29 de maio de 2015

Chegada ao Adro


Foto retirada de http://leoninamente.blogspot.pt/


E pronto, após um longo caminho bem percorrido, eis que o andor chegou finalmente ao destino.

E que bem encaixou este último acto com toda a jornada que ficou para trás. Aliás, tirando 3 ou 4 paragens realmente escandalosas, a bitola foi sempre alinhada pela de hoje: árbitro ora complacente, ora aparentemente rigoroso mas apenas cúmplice, assistentes ora distraídos, ora com olho de falcão vermelho, JJ a gorilar na linha lateral e quarto árbitro a babar-se por uma festinha do dono; lá dentro de campo, aos sacaninhas do costume a ligar menos à bola do que ao teatro.

A famosa evolução do futebol do SLB de JJ é mesmo isto, engolir o orgulho bacoco e megalómano que os distingue e assentar o plano de jogo nas jogadas de laboratório do chico-esperto.

O corolário foi obviamente mais um golo precedido de um bloqueio ilegal do Luisão, como tantas vezes fizeram e disso beneficiaram nestas 6 épocas. O festejo que se segue do mentor é tão gráfico que até na banda desenhada dispensaria o balão onde o próprio se congratularia "sou mesmo isperto, papo-os a todos, sou o Máior".

Como asas, os habituais Jonas e Gaitan, a caírem de toda a maneira e feitio à mais pequena brisa, que nem penas de pato bravo.

E o príncipe verruga, S.A.R. Maxi Pereira, que mais uma vez conseguiu acertar o passo a meia equipa adversária, arrancando uns quantos amarelos e chegando ao fim do jogo a voluntariar-se para a AMI. 


Hoje, como muitos outros adversários do SLB em muitos outros jogos, nem na Xbox o Benfica D (também conhecido por Marítimo) ganhava.



Do Porto com Amor



quinta-feira, 28 de maio de 2015

Soltas do dia




José Peseiro: "É uma satisfação falar-se em mim para o Benfica" in O Jogo
Ó se é! 

José Mourinho: "Tenham muito cuidado, nada de prostitutas" in O Jogo
E queria ele treinar a Seleção...


«As grandes equipas têm de vencer com estilo» - Wenger in A Bola
Or not at all, right Arsene?

Ryan Babel: «Benítez fará de Ronaldo um fantástico defesa...» in Rascord
Importa-se de repetir?

Putin entra em cena e atira-se aos Estados Unidos in O Jogo
Se dúvidas houvesse (quanto à culpa de Blatter)...   

OFICIAL: Danny deixa Zenit in Maisfutebol
Where will you piss next? 

Nuno Assis o melhor de Chipre para a UEFA in Maisfutebol
Sempre Coca-Cola 

Tiago Rodrigues - Médio já demonstrou interesse em continuar na Choupana caso seja de novo emprestado in O Jogo
Fora do baralho  

Atsu: "Lamento que as coisas não tenham corrido bem" in O Jogo
Too little, too late. Godspeed

"Se cumprir até ao fim o contrato de cinco anos que assinou esta terça-feira, Moncho López irá totalizar 11 anos ao serviço do FC Porto" in fcporto.pt
Fast Forward?



Análise da época 14/15 - parte 1

(clicar na imagem para melhor definição) 


Notas prévias:


 - Não sou daqueles que fecha os olhos ao descaramento que foram as arbitragens nesta (e noutras) temporada, mas também não acredito que se possa reduzir tudo ao companheirismo encarnado dos Capelas & Cia. Se é factual que sem essas prendas a classificação seria seguramente diferente, também é verdade que oferendas à parte, também houve futebol e mérito de jogo. Neste conjunto de posts, vou tentar analisar o futebol jogado e os números por detrás dele. Sobre a arbitragem, voltarei mais tarde.

 - Considerei a disposição 4-3-3 como referência, porque efectivamente bate certo com os 11 jogadores mais utilizados em cada uma das equipas. Isto não significa que os emparelhamentos no meio-campo e no ataque sejam perfeitos, isto é, que cada par de jogadores em "confronto directo" jogue exactamente na mesma posição ou sequer tenha as mesmas funções em campo - mas a ideia é aproximá-los tanto quanto possível e razoável;
 
 - Adicionei um suplente adicional para conseguir incluir o Abou, que me parece ter relevância própria no contexto do plantel do Porto.
 
 - Não esquecer que cada plantel contém mais jogadores além dos analisados, tendo muitos deles igualmente participado em jogos do campeonato.


Análise Global: 


A primeira diferença que salta à vista é que o onze mais titular do SLB soma quase mais 2.000 minutos do que o do FCP, o que revela maior estabilidade da equipa vermelha e branca. Este é sempre um factor decisivo em provas de longa duração, e no caso concreto vem somar ao acumulado de várias épocas anteriores, assentes no mesmo núcleo duro (mudando 1 ou 2 por temporada).

O jogador mais utilizado do FCP foi Danilo (29 jogos, 2569 minutos) e perto dele apenas ficaram Jackson (30 jogos, 2552 minutos) e Alex Sandro (28 jogos, 2507 minutos). Por comparação, 4 jogadores do SLB jogaram mais do que Danilo: Lima, Jardel, Luisão e o "recordista" Maxi (32 jogos, 2874 minutos).

Isto remete para um sub-tópico, que será detalhado na análise sectorial: a estabilidade do sector defensivo. Eu sou dos que defendem acerrimamente que uma boa equipa começa na sua defesa (mesmo tendo Messi, Neymar e Suarez, embora estes 3 suavizem a questão...) e uma boa defesa requer duas coisas: 1) bons jogadores e 2) tempo de jogo conjunto.



Análise dos "Onzes" Titulares: Baliza


Fabiano acaba por ser o GR mais utilizado, só tendo perdido a titularidade para Hélton na parte final da temporada. Nos 27 jogos em que participou, encaixou 11 golos (3 dos quais em casa, incluindo os 2 contra o SLB) do total de 13 que a equipa sofreu, o que lhe deu uma média de 0,41 golos sofridos por jogo.

Helton sofreu 2 golos em 7 jogos (entrou contra Arouca após expulsão de Fabiano), ambos resultando em empates na Choupana e em Belém. Média de 0,29 golos por jogo.

No SLB, houve maior repartição da baliza, com Artur a começar a época realizando 12 partidas e encaixando 7 golos, o que representou uma senhora média de 0,58 golos sofridos.

Talvez por isso (e outras coisas mais), JJ tenha aproveitado a oportunidade quando ela surgiu e deu a titularidade a Júlio César, que indiscutivelmente veio dar grande serenidade à defesa do Benfica. O veterano brasileiro fez 23 jogos e sofreu 9 golos, conseguindo uma média de 0,39 golos por jogo.



Análise dos "Onzes" Titulares: Defesa 


O quarteto defensivo mais utilizado pelo SLB (é só juntar o Eliseu aos 3 referidos acima) somou no total 10.631 minutos, enquanto que o nosso quarteto que mais jogou (os laterais referidos, Maicon e Martins Indi) totalizou apenas 9.366 minutos. Dir-me-ão que houve rotatividade e se somarmos os 1.577 minutos do Marcano as coisas mudam de figura: pois eu digo que não, porque não só se requer grande cumplicidade entre os centrais (algo que só se ganha jogando juntos), como também houve do outro lado um André Almeida que somou 1.291, muitos dos quais na lateral defensiva.

Em termos ofensivos, o quarteto portista contribuiu com 9 golos e 5 assistências, enquanto que o do Benfica deu à equipa 17 golos e 9 assistências. Acredito que aqui está uma das chaves do desenlace final da competição (arbitragens à parte): a contribuição ofensiva do sector defensivo.



 Análise dos "Onzes" Titulares: Meio-Campo


Sem surpresas, o trio mais utilizado pelo Porto foi composto por Casemiro, Herrera e Óliver (ainda que o Rúben tenha igualmente uma contribuição muito significativa), totalizando 6.522 minutos contra os 6.181 de Samaris, Gaitán e Talisca.
Em termos de números ofensivos, o trio portista contribui com 13 golos e 14 assistências, exactamente o mesmo que o trio vermelho deu à sua equipa. 

Bem sei que a inclusão de Talisca no meio do terreno não é pacífica, não só porque muitas vezes jogou em funções mais ofensivas, como seria mais apropriado incluir o Pizzi no seu lugar. Mas a realidade é que o "dumbo" somou mais minutos do que o "zarolho" (desculpem mas não resisti) e portanto a lógica de análise mantém-se.

Mas se quisermos ser picuinhas, adicionemos então aos trios o Rúben e o Pizzi e as diferenças em termos de minuto serão ainda menores (7.723 vs. 7472). Já no que concerne às estatísticas de ataque, as 7 assistências de Pizzi contribuem para o desequilibrar da balança, ficando o quarteto do Porto com 14 golos e 15 assistências e o do Benfica com 15 golos e 21 assistências.
  


 Análise dos "Onzes" Titulares: Ataque


Mais uma vez, o emparelhamento dos jogadores não é fácil e muito menos será consensual. Mantive a lógica da maior utilização e tentei aproximar as contribuições que cada par dá ao jogo (no par Brahimi-Lima não seria de todo possível, acabou por ser o par "residual").

Neste sector a diferença de minutos somados pelo trio benfiquista (Sálvio, Jonas e Lima) é acentuada (7.473 vs 6.331), apenas Jackson rivaliza em termos de tempo de jogo. Mas se na defesa a "assiduidade" é fundamental, no ataque não o será tanto. É verdade que é igualmente importante os jogadores conhecerem-se e as suas movimentações individuais, mas a um nível diferente da defesa, onde todas as acções devem ser coordenadas ao milímetro.

Em termos de produtividade, é caso para dizer que "apenas Jackson não chegou". O Porto beneficiou de 34 golos e 14 assistências por parte do seu trio ofensivo mais utilizado (Quaresma e Brahimi acompanham o colombiano), enquanto que o do Benfica somou 48 golos e 18 assistências. Se é verdade que não é necessário golear para ganhar campeonatos (como aliás sabemos muito bem), também não é mentira que quantos mais se marcar, mais perto se estará de ganhar os jogos (o mesmo se aplica a não sofrer golos, obviamente).

Relativamente ao Porto, é importante salientar a elevada utilização de Tello (que não tem paralelo nos encarnados), bem como a sua produtividade ofensiva. Somando os seus números ao trio mais utilizado, teremos 41 golos e 20 assistências, ao passo que seguindo o mesmo raciocínio com Ola John, o SLB fica com 51 golos e 23 assistências, reduzindo-se a diferença de produtividade entre ambos os conjuntos.


 Análise dos Suplentes (oito mais utilizados)


Do lado do Porto, destaque para Marcano, Rúben Neves e Tello pela "quantidade" e Aboubakar pela "qualidade" (média de 0,29 golos por jogo - superior à de Tello por exemplo - mas ainda mais relevante o número de minutos de que necessitou para marcar 1 golo: 144 minutos, superior a Lima e apenas batido por Jonas e Jackson).

Na barricada encarnada, destaque para a fraca contribuição de golos e para a utilização mais intensiva de André Almeida, Pizzi e Ola John, sendo que o do meio ("herdeiro" de Enzo Pérez) foi mesmo o mais influente no desempenho da equipa.

Em resumo, o banco do Porto aparentemente trouxe maiores benefícios à equipa do que o do rival, possivelmente em parte devido à maior qualidade dos seus elementos, mas a que também não será alheia a maior utilização face ao banco vermelho.



E por hoje ficamos assim, em breve voltarei com a análise à disciplina (ou falta dela), à produção ofensiva e por último, ao comparativo DPcA (posição a posição e global) das duas equipas. No finalzinho, os factos sobre as arbitragens.


Stay tuned,
Do Porto com Amor




quarta-feira, 27 de maio de 2015

Portugalistão


A propósito de um estudo da Fundação dos Santos e Pecadores que será apresentado na íntegra amanhã e a que a TSF teve acesso antecipado, eis alguns excertos a propósito do Hospital de Santa Maria (Lisboa):

"há dez anos a situação estava fora de controlo, não havendo registos de utilização do equipamento e verificando-se roubos regulares, por parte de médicos e de outro pessoal, que se serviam a seu bel-prazer dos armazéns do hospital para fornecer as suas clínicas privadas"

"as condições deterioraram-se a um ponto que se ponderou o fecho do hospital". 

"O nível de corrupção era tal que o novo presidente do hospital e a sua família tiveram várias ameaças de morte, passando a ser acompanhados por escolta policial durante algum tempo".

O que vale é que hoje a situação é bem melhor, apenas "está dominado por interesses pessoais e pela "pequena corrupção"": "Amigos e familiares passam à frente nas listas de espera. E médicos que encaminham doentes para os seus laboratórios privados." 


Sinceramente não sei o que me choca mais:
- se é esta tendência inexorável de aproximação aos níveis de corrupção das mais obscuras ex-repúblicas soviéticas a que os nosso medíocres (ou menos) governantes nos têm condenado;
- se é "alarvidade" e o despudor com que gente em quem o país investiu muito dinheiro para formar se deixa corromper e corrompe, subvertendo por completo o seu espírito de missão e traindo a confiança que nós (utentes) neles depositamos;
 - ou se é a nossa (leia-se gente honesta) aterradora e quase-criminosa passividade perante tudo isto. 

Em qualquer caso, quo vadis Portus Cale?
 - "Welcome to Portugalistan, papers and 100 dollars, please !" 


 

André duas vezes



Confesso que estou intrigado com esta novela do André ao quadrado.


Depois, ainda nem tinha chegado e ia ser dado à troca ao Málaga por um tal Darder, supostamente mais um Lopeniño (on Niñotegui se preferirem).

Agora, circula a ideia de que o Porto afinal o quer, mas ainda não o têm e para que tal aconteça, terá de indemnizar o Málaga.

Descontando a habitual contra-informação, há aqui alguma coisa que não bate certo.
Somando tudo, o que me parece é que teremos perdido a corrida pelo Darder para o Inter ou outro qualquer e que agora vamos accionar o plano B. Talvez o espanhol seja um bom jogador e uma futura mais-valia, mas por que raio tinham que cruzar a sua vinda com a de um português talentoso cujo passe não excederia €1,5M? Ainda nem chegou, mas André Jr. já sabe que é uma segunda escolha, a moeda de uma troca falhada? A ser verdade é lamentável, digo eu.

André André é filho do nosso grande André (cuja recente Entrevista de Carreira no Porto Canal é das mais maravilhosas lições de portismo a que alguma vez assisti), o que à partida o sobrecarrega com uma carga emocional maior.

Não seria razoável nem benéfico para ninguém ter a expectativa que fosse uma cópia do pai, em abnegação e dedicação ao clube, mas o talento poderá ser equiparável. Os tempos são outros e a própria vivência que o pai lhe proporcionou, fruto da sua carreira, obrigatoriamente resultam numa pessoa diferente, mais concentrado em si e nos benefícios que poderá retirar da sua vida de futebolista do que propriamente em "dar tudo" pelo Porto.

Mas isto não invalida que não pudesse ser um herdeiro espiritual da mística que o pai tantas vezes lhe terá explicado. Tem talento, não há dúvida. Acredito que tenha força mental suficiente para se dedicar e lutar por um lugar no plantel e na equipa. Para mim, já tem meio caminho andado. E se de facto crescer e se tornar num grande jogador, certamente não ficará muitos anos no Porto. Mas enquanto cá estiver, pode ser um dos grandes obreiros da reconstrução da mística, da garra, do "até os comemos!".

Por isso, não me f**** com mais Darders (Casemiros, Angels, Fernandez, Campañas), que por muito talento que possam ter, apenas sonham com uma rápida passagem por cá com o único intuito de voltar à (maior) casa de partida.

Para a nossa SAD, parece que mais vale um Darder a voar que dois Andrés na mão...



Delírios de imprensa


Nani falado nas negociações com o Man. United por Gaitán: pode ser apenas para chatear a lagartada ou pode até ter algum fundamento (falar não ofende mas também não contrata). Do ponto de vista dos lampiões, seria uma grande aquisição sem dúvida. Mas e o salário? Paga a Isabel? Ou o Medina? Quem sairá melhor disto é o jogador, que sem fazer nada, vai poder reafirmar o seu "amor eterno" ao Sporting...

Markovic de saída: tão bom que ele era, o novo génio do futebol pós-moderno, o Messi dos Balcãs, a rainha do baile... e afinal? Afinal não chega a bazófia da imprensa nacional para afirmar carreiras fora de Portugal. Ainda por cima foi para a Liga Inglesa, onde as piscinas não são autorizadas e é preciso dar o corpo ao manifesto... Pobre Lazar, a culpa não é tua, é de quem te fez acreditar que já estavas no topo do mundo... Eu até acho que és um jogador com muito talento e potencial, mas ainda tens muito que trabalhar para ganhar a consistência que define os grandes jogadores.

a) Vai abraçar nova carreira como hospedeira de voo na Portugalia?
b) 7 milhões de... berlindes? ...caricas? ...rublos bielorrussos?





terça-feira, 26 de maio de 2015

Pergunta do dia




Por que clube serão impedidos de defrontar o Benfica na próxima época?




A Dor Imensa


Foi há 11 anos, no final de uma tarde quente, entre cachorros e cervejas, que o nosso Porto se sagrou campeão europeu de clubes pela segunda vez na sua história. Tudo foi memorável, o jogo, o ambiente no estádio, o cortejo de regresso ao aeroporto de Munster e a grande festa à chegada da equipa para o embarque.

Nunca me hei-de esquecer do prazer imenso de regressar ao Porto, já na alvorada do novo dia e, sem sequer sair do aeroporto, seguir de imediato para Lisboa para cumprir obrigações profissionais. Estava tão orgulhoso quanto um adepto de um clube de futebol poderia alguma vez estar. Estava no limite.

Saí do avião já (ou melhor, ainda) de cachecol ao pescoço.
Senti-me um imperador Ming: a cada passo que dava, em cada lugar que passava, tudo baixava os olhos. Tirando um ou outro que me devolvia um sorriso desmesurado ou gritava emudecido, entre-dentes, "Porto, caraaago!", ninguém me olhava nos olhos.

Melhor só na fila dos táxis, cada "Zé Manel" que passava enquanto eu aguardava pela minha vez parecia que ia vomitar. E à medida que me aproximava da frente, comecei a ver (ok, adivinhar) o terror nas suas caras, a fazerem as contas para saber se seria eu que lhes calharia em sorte. Entrei, disse bom dia, o destino e nada mais. O "Zé Manel" olhou uma vez pelo retrovisor, anuiu quanto ao destino e baixou os olhos. Concentradíssimo na condução durante todo o percurso. Lá foi obrigado a dizer-me quanto era, passar factura (ainda por cima) e arrancou como se tivesse tido súbito desarranjo da flora intestinal.

Peguei no meu carro e parei numa estação de serviço para abastecer (o carro e a alma). Uau, deve ter sido a primeira vez que Sua Alteza Imperial visitou uma estação de serviço, tal a reverência com que fui tratado. Nem um olhar nos olhos. Todos se desviavam do meu caminho. Os jornais desportivos a um canto, parte deles tapados por revistas de automóveis. Lá os comprei a todos, depois de os folhear pausadamente, e fui trabalhar.

Foi há 11 anos.


Aquele abraço, Do Porto com Amor (DPCA)




Hexa Mandriões




Fazendo fé na notícia d'A Bola (e não se tratando de desporto, é de dar o benefício da dúvida), realiza-se hoje a sexta greve do ano no Metro de Lisboa. É mais do que uma por mês, o que para muitos teenagers até seria um delírio, mas tratando-se de "causar prejuízo e aumentar o endividamento de uma empresa pública", é simplesmente obsceno. Já para não falar no transtorno que causam a milhares de pessoas que - essas sim - precisam do Metro para ir trabalhar.

O problema? 

Ser empresa pública. Se fosse privada, já não havia greve.

A solução? 

Privatizar. (Ou mudar a CRP, o que me parece ainda mais improvável).

Não haveria candidatos?

Claro que sim, desde que não se quisesse impor uma série de restrições que os impediria de transformar a empresa num negócio rentável.

E isso não iria por em causa a qualidade deste serviço público fundamental? 

Possivelmente.

Mas se fosse essa a conclusão, então o Estado (central e local) que se comprometesse a, pós-privatização, continuar a subsidiar a parte necessária para manter um negócio saudável e um serviço público de qualidade, eficiente mas sem luxos nem mordomias.

Uma renda perpétua, apurada de forma clara e inequívoca e conhecida de todos, actualizável e indexada à qualidade da gestão privada dos novos proprietários. Ou seja, gestão privada ao abrigo da lei laboral que regula o sector privado, com subvenção pública por se tratar de um serviço de cariz público e essencial.

E os trabalhadores do Metro de Lisboa?

Bem, em primeiro lugar, "trabalhadores" talvez não se deva aplicar a todos os assalariados da empresa.

Depois, os "trabalhadores" não são do Metro de Lisboa, nem da Carris, nem da CP, nem da TAP, nem dos STCP, são apenas trabalhadores que num determinado momento estão ao serviço destas empresas. Não são nem prisioneiros nem captores destas empresas.
O mercado é livre; não gostam, façam o favor de procurar melhor. Não encontram? Sujeitem-se.

Mas não tenham a pretensão de continuar a esbanjar os meus impostos nas vossas quimeras de uma vida melhor. Para ser mais claro, sou o primeiro a incentivar que procurem a melhor vida possível e a congratular-me se o conseguirem. Não pode é ser à custa do trabalho dos outros. 



segunda-feira, 25 de maio de 2015

Bem Bueno


O primeiro é bueno reforço, veremos os que se seguem..

Actualização: contrato de 5 anos 



Weekend in a nutshell


Agora entendo o milenar adágio "Fim-de-semana atarefado, blog encalhado".

E assim sendo, vamos dar a volta ao fds em 80 segundos, dando conta do que mais relevante se passou de sexta a domingo:

O Hepta: não foi "sem espinhas", foi suado até ao limite das (suas e nossas) forças mas, no final, chegou a recompensa. Foram grandes na atitude, compensando alguma inépcia "técnico-psicológica". Mas convém não esquecer que o Sporting tem um belíssimo plantel (quiçá teoricamente mais forte que o nosso) e foram (para variar) uns brilhantes vencidos. Quanto aos nossos, foram verdadeiramente Porto. E claro, fantástico o Dragão Caixa uma vez mais.

Rally de Portugal: diz-se que no melhor pano cai a nódoa, mas desta vez que se cale quem o diz! Não poderia ter sido mais perfeito o regresso a casa, com emoção, espetáculo (dos pilotos e do público) e uma organização impecável a que nem mesmo os incêndios fizeram mossa. E os saltos, senhores, os saltos na Lameirinha são sempre um espetáculo fora-de-série (mesmo este, à sua maneira)! Portanto, parece realmente difícil regredir, mas estamos tão habituados ao malabarismo- contorcionismo da macrocefalia bacoca, que o melhor é mesmo esperar para ver. 

As despedidas e o clubismo: dois exemplos de verdadeiro amor à camisola (não, não é igualzinho ao do adepto, nem podia porque são profissionais da coisa, mas atualmente será o que mais se aproxima), Stevie Gerrard e Jurgen Klopp despediram-se dos seus clubes, ainda que com sortes diferentes.

Gerrard é(ra) o Senhor Liverpool, mas ontem, já depois da arrepiante despedida em Anfield, participou no espetacular afundanço da sua equipa às mãos do contra-torpedeiro Stoke City. Mas ainda assim foi dele o golo de honra...

Já Jurgen Klopp teve uma despedida de sonho, não só pela fabulosa coreografia com que os "dortmunders" lhe prestaram tributo, mas também (e já agora) porque ganhou e deixou o Borussia em lugar europeu, depois de uma temporada muito complicada. Maravilhoso futebol este!

O não-assunto Champions Cup: como é de seu timbre, na sexta o Record ajudou muita gente neste país a acordar bem disposta, inventando mais uma patranha, ainda e sempre inebriado com a possibilidade de ver o Porto humilhado às mãos do Benfica. Depois, foi a vez de o clube apresentar a sua versão, o que terá deixado os até então bem dispostos a roçar a euforia, ao imaginar "mais" uma "mentira" do Porto para salvar a face. Por fim, já no dealbar do fim-de-semana, eis que é a própria organização do torneio de verão a confirmar a versão portista. O que aliás era fácil de prever, não só pelos factos, mas também pelo silêncio dos "figurões".

Quanto a mim, confesso que não percebo a forma como o clube geriu a nossa participação e sobretudo, não assumir a gestão da informação. Mas também não conheço os detalhes, logo benefício da dúvida...
Já do pasquim não espero outra coisa, por isso nem uma linha mais.

FCPorto - Penafiel (2-0): acabou. Parabéns Jackson pelo troféu individual. Obrigado Danilo e até sempre. Do comportamento de claques e adeptos, escreverei em separado. Ponto final. Venha a próxima época.

Para terminar, uma nota positiva. A renumeração de sócios do Porto já está em marcha, acontece a cada 5 anos (ao contrário de outros, que preferem deixar andar para serem os "mais maior grandes" - mas depois, porque a gravidade dita que "tudo" o que sobe tem que descer, levam inevitavelmente com a moca). Recebi o email sexta à noite e para minha surpresa, o processo está automatizado online, é simples e funciona! Venha de lá esse novo BI, risonho e reluzente!

E por agora, é tudo. Do Porto, com Amor.




quinta-feira, 21 de maio de 2015

Finalmente o fim






"Casemiro, José Ángel e Ricardo foram convocados para o último jogo oficial do FC Porto, que defronta na sexta-feira o despromovido Penafiel.
Maicon, Adrián López e Óliver Torres foram prescindidos pelo treinador do FC Porto. 

O jogo ocorre às 20h30, no Dragão, em jogo a dirigir pelo árbitro Olegário Benquerença.

Lista de convocados:
Guarda-redes: Helton e Andrés Fernández.
Defesas: Danilo, Martins Indi, Ricardo, Reyes, Alex Sandro e José Ángel.
Médios: Quintero, Evandro, Herrera, Rúben Neves e Casemiro.
Avançados: Brahimi, Jackson Martínez, Hernâni, Quaresma e Aboubakar."


Apenas duas notas:

  • Espero não ter que me chatear com ninguém. Que ninguém tenha a pretensão de querer impedir alguém de se manifestar como bem entender neste último jogo. Está tudo decidido e este é o momento certo para cada um deitar para fora o que lhe vai na alma. Até porque é necessário fazer essa catarse, para que a próxima época comece com o apoio de todos, concordando-se ou não com as escolhas que venham a ser feitas.

  • Ao que tudo indica, será a última vez que veremos Danilo, Alex Sandro, Jackson, Quintero e Casemiro de dragão ao peito (pelos vistos, o Óliver já se despediu no Restelo). E quem sabe se Hélton, Andrés Fernández, Adrián, Indi, Ricardo, Reyes, Ángel também não se despedem (alguns deles, pelo menos). Aprecie-se ou não cada um individualmente, foram jogadores nossos e ficarão na história do clube (uns mais, outros menos).



De volta a casa


Após ausência prolongada, o Rali de Portugal volta à sua casa de sempre.

É bom tê-lo de volta, sobretudo pelo impacto que tem na economia regional.

O Rali de Portugal, como tantas outras coisas, é apenas mais um dano da macrocefalia que há décadas nos tolhe enquanto nação.

Apesar da reconquista da democracia há 40 anos atrás, esta corrente tacanha e atrofiante mantêm-se desde o Estado Novo, ou, para ser mais correcto, desde sempre.

Este conceito de país onde apenas existe uma supra-metrópole, para a qual todos os recursos e esforços dos quatro cantos da nação devem convergir, é simplesmente desprezível.

E se durante algumas décadas o Norte se destacou e resgatou alguma da sua dignidade, foi apenas e só às suas custas, do seu trabalho, investimento e geração de riqueza.

Mas isto não poderia continuar.

Com a panaceia da CEE, logo se aproveitou para reverter o panorama, voltando-se a concentrar grande parte dos recursos (nacionais e os fundos comunitários) na região da capital, relançando as bases para o seu desenvolvimento artificial e desequilibrado, deixando apenas migalhas para o resto do território.

Lançou-se a discussão da regionalização apenas para que nunca acontecesse. Mais do que isso, para garantir que nenhum outro modelo de repartição equitativa de recursos viesse a existir, tal o empenho que se colocou no seu falhanço (mesmo sem nunca ter avançado, o que é prodigioso).

São gerações consecutivas de governos, políticos e boys sempre na mesma direcção.

Temos culpas próprias? Claro que sim. Quantas "ilustres figuras" portuenses partiram rumo a Lisboa e se converterem em novos cristãos do centralismo? E entre as que não tenham cedido, quantas tiverem fibra para aguentar e lutar por dentro do sistema (rica palavra)?

Mas tudo tem um limite. Não é porque sempre foi assim que tem que continuar a ser. Não, senhoras e senhores. Sei que já somos muitos, consciências despertas e dispostas a fazer a mudança. E neste cenário, é fundamental que o nosso FCPorto continue a ser "a lança em Lisboa", a pedra no sapato, o "agigantador" deste povo nortenho na reconquista dos seus direitos.

Voltarei a este tema muitas vezes. Do Porto, com amor.

Por agora, start your engines!