2019

terça-feira, 2 de julho de 2019

Pré-Época 19/20: Guia de Sobrevivência


Está tudo louco. Em cada recanto, seja em cada um dos media ou em cada uma das redes sociais relevantes, está tudo louco. Louco de ansiedade, louco de desinformação, louco de angústias, louco de certezas e da falta delas, louco. Louca, louco, loucos. Nos casos mais graves, chegam ao ponto de escrever textos onde não conseguem evitar de repetir desenfreadamente a palavra louco. Pobres coitados. Loucos.




É o Zé Nakajima que esteve a comprar tripa enfarinhada no Bolhão, é a SAD que não compra tripa enfarinhada, é o "Saraiba" que é pior que a peste bubónica, é a SAD que não vende o "Saraiba" - enfim, é o fim dos tempos em calções de praia.

Pois, não é, not just yet. Seria bom que fosse o fim do tempo que já se esgotou de quem ainda nos lidera, mas nem isso. Garrote financeiro à parte, continua - e continuará - tudo na paz do senhor Presidente e seus escolhidos para o muito que já delega (e tanto que é). 

Por outro lado, o jurado inimigo mortal. Tentacular, sujo, reles, ardiloso, megalómano. Tudo quanto de mal se apregoa para a nossa casa, só pode ter origem (única!) na maldade do cefalópode sem-vergonha. Por cá, os resistentes da aldeia, só se podem dar por felizes por ainda ter o Grande Chefe à sua frente, caso contrário tudo seria pior. Muito pior. Tão, mas tão pior, que até inimaginável e indizível.

Entretanto, enquanto o tedioso e surdo "debate" prossegue em cada um desses recantos, a equipa profissional do querido Futebol Clube do Porto abriu a oficina e regressou ao trabalho. Com Sérgio Conceição ao leme, obviamente, e uma carrinha cheia de miúdos também. Parece que iam para a colónia de férias em Francelos mas se enganaram no caminho. Ainda bem. Mais do que estes, não se sabe bem. Há uma malta que se foi, outra que talvez ainda se vá e uns tantos que continuam. Agora chegar é que nada. Ainda nada, entenda-se, porque o tempo urge.

Antes, bem antes do estapafúrdio mercado de verão fechar portas, muito se jogará do sucesso da época e até das vindouras. Uns quantos jogos de treino, algumas jornadas da Liga fajuta mas primordialmente as duas eliminatórias de acesso à Champions League. Terceira pré-eliminatória a 6/7 e 13 de Agosto e play-off a 20/21 e 27/28 do mesmo mês. Quatro datas em absoluto decisivas para o futuro próximo do Clube, não só a nível desportivo mas sobretudo financeiro. 

Dia 29 de Agosto já se poderá dizer - com propriedade e para lá de todo este turbilhão de "notícias" - se o planeamento e a política de contratações foram os suficientes e os necessários para o arranque da época. Antes disso, pura especulação. Depois só em Maio de 2020.

Não significa isto que, entretanto, não se consiga filtrar algumas ideias do lixo mediático pela observação atenta dos factos (insisto, factos) que se vão desenrolando. E factual é que a oficina abriu com um reforço confirmado, por oposição a cinco saídas igualmente confirmadas. Como também é factual que Sérgio Conceição quer Zé Luís e ainda não o tem a treinar às suas ordens.

Para que ninguém tenha a vertigem de se imolar perante tanta desgraça anunciada, deixo-vos a minha lista de recomendações para sobreviver com sanidade (quem ainda a possa ter) a esta pré-época:

> Não ver/ouvir/cheirar/lamber(?!) programas de "debate" futebolístico de nenhuma espécie. Nem os sofríveis, nem os maus, nem os freak-shows.

> Ignorar todo e qualquer rumor de contratação. A sério, não queiram saber. Tentem nem ouvir ou ler, mas se por acaso o fizerem, sorriam como se estivessem perante um membro da Flat Earth Society ou da Lampiões Honestos (esta última está ainda por criar).

> No jornal desportivo (só conheço um em Portugal que mereça a designação de jornal), dar apenas relevância aos factos e ler com espírito crítico as crónicas e editoriais (em particular do JMR); Quanto aos pasquins folclóricos, recomendo nem tocar e jamais usar para embrulhar peixe, sob pena de o tornar não comestível por envenenamento.

> Ignorar tudo o que é CM. Não se brinca com o lixo, recicla-se ou enterra-se. A correr bem num futuro não muito distante, manda-se para o espaço sideral.

> Não entrar em "debate" com ninguém que se posicione (sabendo-o ou não) em qualquer dos extremos, qualquer que seja o tópico. Se em algum momento o caro leitor tiver a noção de estar num desses extremos, tenha o bom senso de se isolar para meditação.

> Em particular no Twitter:

        * Ignorar tudo o que não é facto (verificável);

      * Ignorar todos os que confundem opiniões com factos e mais ainda os que acham que opiniões valem tanto ou mais do que factos;

       * Fazer diariamente uma saudável dose de "unfollow" e "block" a quem origina os dois pontos anteriores;

        * Não insultar (ninguém) e ignorar insultos recorrendo ao ponto prévio;

     Não retwittar a diarreia programática da corja sem-vergonha, mesmo que seja para a criticar/denunciar. Tirando casos muito pontuais em que a denúncia possa sortir algum tipo de efeito positivo, apenas se está a jogar o jogo deles, aumentando o seu alcance.

> Fazer desporto com regularidade

> Respirar ar puro

> Comer bem e beber melhor

> Contemplar

> Não fazer nada

> Last but never the least, praticar o Amor


Seguindo à letra esta prescrição do Doutor Lápis, vão ver como rapidamente melhora a vossa higiene mental e a disposição para enfrentar este mundo virado de pernas para o ar. Vão por mim, desliguem-se deste circo até (pelo menos) à apresentação no Dragão e depois falamos. Mas se fizerem mesmo questão de continuar ligados e a "lutar" pelo nosso Porto, então juntem-se a outros com a mesma vontade e - em sossego - discutam ideias e planos para o futuro. Algum dia terá de ser feito, mais vale começar já.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




quinta-feira, 13 de junho de 2019

Momentos Marcantes de 2018/19


Este texto já vem um pouco fora de contexto, porque atrasado, mas ainda assim não quis deixar de gravar em pedra digital o resultado da minha reflexão sobre os momentos mais marcantes da época que já terminou. 




Não encontrarão nada de transcendental, por certo concordarão com a grande maioria deles, mas aposto que quase ninguém me apoiará naquele que considero o mais decisivo de todos. Já lá iremos.

Procurando apresentar estes momentos de forma cronológica:

1) Continuidade de Sérgio Conceição (Junho 2018)


A melhor notícia que o Clube nos poderia dar, garantir que o herói de 17/18 seguiria ao leme da nossa nau. Fosse qual fosse o motivo, perder Conceição e colocar novo treinador no seu lugar implicaria recomeçar do zero, o que por si só é sempre um retrocesso, mais ainda quando o FPF ainda apertava o pescoço azul e branco. Mas tardou um pouco a confirmação, como tardou também a SAD a dar resposta ao plano apresentado pelo treinador para a próxima época. Mas disso falaremos no ponto seguinte.


2) Contratações de verão (Agosto 2018)


Primeiro sinal de que a época iria ser turbulenta. Um mini-verão quente, com o treinador a ameaçar sair a caminho do estágio de pré-temporada e jogadores a serem devolvidos à proveniência sem sequer poderem mostrar o seu (eventual) valor. Como e porquê, só quem viu e ouviu pode dizer. Deste lado, apenas especular e deduzir (especulando). Mas o que realmente importa são as consequências. 

Quando o mercado finalmente fechou, o que se viu foi a saída de Ricardo e Dalot a não serem devidamente compensadas, facto aliás que foi também ele determinante na época, como a chegada de Pepe bem demonstrou. A ausência de um titular indiscutível - um Telles à direita - obrigou o treinador a improvisar e nem sempre se saiu bem. O mesmo se poderia dizer à esquerda, embora Alex tenha disfarçado, mesmo jogando em sub-rendimento durante grande parte da temporada.

Chegou Militão, a contratação da época. A única, digo eu.  Chegou, viu, venceu e... foi para a direita!


3) Lesão de Aboubakar (Setembro 2018)


Momento dramático para o jogador e para a equipa. Sem possibilidade de recrutar um substituto, todo o esforço de concretização se concentrou em Soares e Marega. Deu m*rda. Soares continuou irregular, a marcar um a cada cinco oportunidades e o Super-Marega da época anterior já tinha dado de sola, ficando no seu lugar um tosco-premium mal-amanhado, que ainda assim tem os seus seguidores e interessados (venham, por favor, não sejam tímidos). O que é factual é que a capacidade de finalização da equipa foi, no mínimo, insuficiente - sobretudo nos jogos "grandes". Mesmo alegando que Abou também não é um matador, a verdade é que três seria muito melhor que dois (sim, Fernando, não conto contigo rapaz).


4) Derrota na Luz (Outubro 2018)


Um jogo mal jogado da nossa parte (como quase todos os Clássicos) em que desta vez a sorte sorriu ao adversário, que pouco melhor foi. A importância deste desfecho verteu para os dois lados da contenda: para nós, deixou-nos a duvidar se seríamos melhores; para eles, deu-lhes a possibilidade de admitir que talvez não fossem piores. Em termos de campeonato, deixou-nos em desvantagem no confronto directo, algo que talvez tenha pesado durante o jogo de retorno, sobretudo quando o resultado já nos era desfavorável.


5) E-toupeira (Dezembro 2018)


Numa decisão que nenhum comum mortal, leigo mas bem-intencionado, consegue entender, uma tal de Ana Peres, por acaso juíza, por acaso lampiã, decidiu que a SAD sem-vergonha não iria a julgamento, optando por levar apenas o seu funcionário Paulo Gonçalves. Haveria tanto para dizer sobre isto que um post inteiro não chegaria, pelo que me limito a afirmar convictamente que não se fez Justiça. Caso até para dizer que a toupeira pariu uma rata.

Na prática, este foi o foguete luminoso lançado sobre os céus da podridão encarnada, anunciando a todos que poderiam retomar as suas vergonhosas vidinhas a beneficiar ilegitimamente os sem-vergonha sem que nada lhes acontecesse. Se durante a primeira metade da época se viram arbitragens más (sempre más) mas equilibradas nos benefícios e prejuízos, daí em diante foi o fartar lampionagem do costume. Um dos campeonatos mais vergonhosos de que tenho memória, a par com o do túnel.


6) Final Four Taça da Liga (Janeiro 2019) 


Desses dois jogos que disputámos resultaram três consequências importantes:

a) Vitória sobre os sem-vergonha. Vindos de uma mudança de treinador e com atraso significativo no campeonato, creio que essa vitória confirmou a ideia de sermos muito superiores e de estarmos a salvo de qualquer percalço no jogo do Dragão. Não creio que daí tenha resultado algum tipo de sobranceria nem nenhum facilitismo de forma consciente, mas admito que no subconsciente de jogadores e sobretudo equipa técnica se tenha catalogado como "arrumados".

b) Derrota nos penáltis na final. Uma vez mais, mas não a última, como todos sabemos. Arrisco, portanto, dizer que a final do Jamor se perdeu em Braga. É já um trauma que é urgente tratar e eliminar de vez. Contra mancos...

c) Sobrecarga dos jogadores mais utilizados, que poderá ter penalizado o desempenho da equipa no restante da temporada. Note-se que não sou dos que discordam dessa decisão, acho que fizemos o que era nossa obrigação, jogar na máxima força para ganhar. Se faltou profundidade ao plantel, a questão é outra e a origem das responsabilidades também.


7) Derrota no Dragão contra os sem-vergonha (Março 2019)


Desportivamente, no que aos nossos jogos diz respeito, foi o falhanço da temporada que determinou quem seria o novo campeão. Não porque não fosse possível ou provável que os sem-vergonha perdessem pontos, mas sim porque jamais seria permitido que perdessem. Como ficou demonstrado.

Uma derrota que se consumou pela falta de objectividade e eficácia na procura da baliza, mas em minha opinião muito alicerçada em dois pilares condenados a ruir: 1) o foco na Champions e 2) o tal subconsciente colectivo de que jamais perderíamos aquele jogo e muito provavelmente ganharíamos, mesmo com o "Quim das Couves" a titular. Correu mal e foi Sérgio Conceição quem mais falhou, sentado no banco e sem poder chutar à baliza.



Então e qual destes foi o mais decisivo? Todos impactantes, mas... nenhum deles. Para mim, o momento decisivo de 2018/19 foi a não contratação de Bruno Fernandes.

Um jogador brilhante, Portista por opção, que só estava à espera do "sinal" para rumar ao Dragão (digo eu). Teria certamente feito toda a diferença: no campeonato perdido, nas taças perdidas e até no "peito" com que poderíamos ter enfrentado o agora campeão europeu Liverpool. Mas a parte europeia pouco importa, porque não acredito que alguma vez pudéssemos ser nós os vencedores da competição. O que me importa mais (sempre e em cada ano) é o campeonato e depois as taças. E aí creio que Bruno Fernandes teria acrescentado um valor fundamental para os conquistar, além de naturalmente enfraquecer brutalmente o Sporting.

Recuemos até ao ataque a Alcochete, que legitimamente despoletou a rescisão de contrato por parte de um conjunto relevante de jogadores do Sporting. Insisto, legitimamente, por muito que isso doa aos sportinguistas e certamente nos doeria a nós, caso tivesse sido no Olival. Sem entrar em tecnicidades jurídicas, que desconheço, parece-me evidente que qualquer jogador que alegasse não ter condições psicológicas para continuar a trabalhar no clube veria as suas pretensões atendidas em tribunal.

Esta "introdução ao tema" interessa por é daí que vem a minha convicção de o erro histórico cometido por Pinto da Costa não tem sustentação na defesa que dele fez. A em condições normais louvável postura de não se aproveitar de um adversário em momento de fraqueza não vinga nem poderá vingar no desporto em Portugal enquanto a mentalidade dominante imperar. 

O Sporting não é em nada menos "nocivo" que os sem-vergonha, simplesmente não têm a competência suficiente para o poder demonstrar. Explico: tanto uns como outros, abominam a ideia de um Clube da província, ainda por cima do "Norte", sequer disputar com eles a hegemonia do desporto nacional, quanto mais apresentar um currículo nas últimas décadas muitíssimo melhor do que os seus (combinados). Acontece que o Sporting é uma coisa tão ingovernável (olá Portugal, somos a tua proxy) que nem chegam a poder destilar essa inveja, excepto a espaços. E quando o conseguem... veja-se o que aconteceu no andebol e depois no hóquei. Same shit, different colour. Não se pode travar uma guerra suja com as mãos limpas.

Se isto não fosse suficiente para convencer o "agora-ingénuo" nosso presidente, o facto de Bruno Fernandes ter rescindido e estar livre durante umas semanas deveria ter sido. Muitos discordarão de mim, mas insisto e assim termino: COLOSSAL ERRO HISTÓRICO.

Já a seguir, umas luzes sobre a nova temporada.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




terça-feira, 4 de junho de 2019

Ligas Fantasy DPcM 2018/19 - Encerramento


Foi com a enfadonha final da Champions do passado sábado que se encerrou a época europeia de clubes, mas também se assinalou o final das ligas fantasy Do Porto com Mística (uma parceria entre A Mística Azul e Branca e este blogue).

Foi uma época longa e de muito trabalho, muito trabalho para todos os que levaram a sério a sua missão de treinador virtual, mas no final apenas os melhores vêm esse esforço reconhecido. Justo ou injusto, é assim a lei da vida...

Começo, portanto, por felicitar os vencedores de cada uma das nossas ligas virtuais, elogiando-os como os modelos a seguir e nomeando-os como os alvos a abater na próxima temporada. A saber:


Champions Fantasy (RealFevr): Sons of Anarchy (Baptista) - 988 pts




Champions Fantasy (UEFA): Ricardense 04 (ricabrantes) - 822 pts 




Europa Fantasy: Memes Conkas City (Anderson) - 888,48 pts 




Liga NOS Virtual: Salvador & Santiago (Hélder Bruno de Aguiar) - 2512 pts  




La Liga Fantasy: Ruly All Boys (Ruly) - 2561 pts




Italy Fantasy: Ruly All Goal (Ruly) - 2227 pts




Fantasy Premier League: Parrampeiros (Luís Pereira) - 2428 pts




Felicito também os misters que terminaram no pódio, sendo os que mais de perto chegaram a cheirar a glória, mas ainda sem a conquistar. De entre estes, uma palavra especial para o mister Marco, que viu a sua equipa "ÉsóMáfia&Spaghetti" acabar a Italy Fantasy empatada em pontos com a vencedora (critérios de desempate da responsabilidade da RealFevr).

Por fim, agradeço a todos os que se inscreveram e participaram, porque isto só tem realmente piada se formos muitos e bons.


Quanto aos prémios atribuídos pela Do Porto com Mística:


Champions Fantasy (RealFevr) 

- Vencedor: Camisola Oficial FC Porto 18/19  

Europa Fantasy

- Vencedor: Camisola Oficial FC Porto 18/19


Liga NOS Virtual

- Vencedor: Camisola Oficial FC Porto 18/19
- 2º e 3º: CD "Já Nasci Assim" do grande João Dias  


Os 5 premiados devem reclamar os prémios enviando um email com nome e morada para lapisazulebranco@gmail.com nos 20 dias seguintes a contar da data de publicação deste post (se residir fora de Portugal, custos de transporte e aduaneiros serão da responsabilidade do vencedor). Eventuais prémios atribuídos pelas plataformas organizadoras deverão ser directamente tratados pelos interessados.

Damos assim por oficialmente encerrada a época Fantasy 18/19, renovando o agradecimento a todos os que participaram. Até sempre e boas fantasias!


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



domingo, 26 de maio de 2019

Sérgio Forever...


... in our hearts. Portista convicto, trabalhador e dedicado à causa. Um de nós sentado no banco de treinador. Mas a questão também é essa: porquê ele e não qualquer um de nós?




Não estava a ser irónico. Das últimas coisas que escrevi ainda na fase regular deste blogue, foi este "O Porto de Conceição". Está lá quase tudo, para que não duvidem da minha sinceridade. 

Hoje, cerca de seis meses mais tarde e três troféus perdidos - sim, três troféus nacionais perdidos - sinto necessidade de actualizar o meu sentimento sobre Sérgio Conceição.

Recapitulando, o Sérgio chegou ao Porto após 4 épocas desastrosas que puseram bem a nu o declínio irremediável da liderança do Clube. Incompetência directiva a todos os níveis: desportiva, financeira e "bélica". Incapaz de travar os obrigatórios combates contra o Portugalistão em que vivemos, assistimos impotentes a vários campeonatos nos serem roubados sem se vislumbrar uma nesga daquele vigor que fez deste Presidente o melhor de sempre. Mas por agora não quero continuar por aí, volto a Sérgio Conceição.

Aceitou o complicado desafio (mas também a sua grande oportunidade de carreira) e deparou-se com a impossibilidade de fazer boas contratações (leia-se de jogadores feitos, que oferecessem garantias) e viu-se obrigado a recuperar um bando de proscritos e perdedores-natos para formar um plantel. Foi com eles que formou uma irmandade e construiu uma forma de jogar que surpreendeu tudo e todos, a começar pelo adversário de cada domingo. Nunca um futebol deslumbrante, mas quase sempre determinado e eficaz.

Surpresos mas logicamente felizes, os Portistas acorreram ao chamado e deram corpo a um imenso Mar Azul. Com altos e baixos ao longo da temporada, mas sempre com apenas e só aquele bando de renegados à sua disposição (mais duas ou três comissões jeitosas em Janeiro), Sérgio conseguiu o impensável em ano de desígnio nacional. Sérgio e os seus jogadores sagraram-se campeões nacionais e destruíram os sonhos de pe(n)ta da nação bafienta e corrupta. Foram demasiado fortes até para os árbitros sem-vergonha, graças àquele pontapé de Herrera.

Prestem atenção agora: foi Sérgio Conceição, SOZINHO com os seus jogadores, quem nos devolveu o título e liquidou o desavergonhado penta. Foi ele o homem, foi ele o líder. Ele. Falhou nas outras competições internas, mas venceu a mais importante - aliás, a única que interessava naquela temporada.

Fim de época, continuidade assegurada. Sem garantias de nada, uma vez mais. A tal ponto que esteve para se ir embora mesmo antes de começar. Mais umas trapalhadas e comissões a envenenar o seu projecto, mas lá resistiu e fez ouvir a sua voz. Baixinho.

O balão da superação esvaziou-se e os proscritos relembraram-nos porque o foram. E os perdedores-natos porque estavam no Clube há várias temporadas sem ganhar nada. Voltaram ao seu normal. Ainda assim, deu para cavalgar a onda da época anterior e fomos cumprindo a obrigação de ganhar jogos. Com os árbitros a apitar de forma igual para todos (porque assustados com a aparente ameaça que pairava sobre o estado lampião), chegamos à confortável vantagem que todos conhecemos e garantimos os oitavos da Champions. Tudo se encaminhava para mais uma temporada de sucesso. O que aconteceu então?

Muitos serão os factores e de várias ordens para explicar tudo o que se passou - e não tenho a pretensão de conhecer um décimo sequer - mas o que mais salta à vista é aquilo para que também sempre fui "alertando", mesmo quando ganhávamos: o nosso futebol nunca convenceu ninguém.

Ideia única de jogo, muito dependente da capacidade física dos jogadores, sem alternativas, sem planos de recurso. Futebol previsível e nada, nada entusiasmante. É isto que vejo como adepto e não adianta dizerem-me que não sei e não percebo nada da coisa, porque no final é isto que conta. É o que fica. Este ano, uma Supertaça contra o Aves. E três títulos muito mal perdidos. 

Se é inequívoco que o campeonato foi uma vez mais viciado a favor dos sem-vergonha, também não é mentira que tivemos uma vantagem à prova de vigaristas. Mesmo após aquela escandalosa expulsão perdoada a Bruno Fernandes em Alvalade antes do intervalo, ficamos com cinco pontos de avanço e a vantagem de receber os sem-vergonha no Dragão. Tínhamos de ter feito mais e melhor, porque depois desse jogo em casa, tudo ficou decidido. Já sem ponta de Justiça à vista, os árbitros voltaram a encarreirar e nunca mais permitiram que os sem-vergonha perdessem pontos.

Analisando os jogos decisivos, em especial contra lagartos e lampiões, falhámos quase sempre. A excepção foi mesmo a meia-final da Taça da Liga, porque este último a fechar o campeonato já não valia nada (e não jogamos nada também).

E o falhar aqui não significa ser inferior ao adversário, porque nunca o fomos. E, se calhar, isso ainda custa mais a digerir. Tendemos a dominar a maior fatia dos jogos e a criar mais ocasiões para marcar - mesmo a jogar "assim", lento e previsível. Falhar significa perder no final. Será tudo "culpa" da falta de eficácia? Não creio. Ter um ponta-de-lança de grande qualidade ajudaria muito, mas não resolveria tudo. E já nem consigo abordar a questão dos penáltis, começa a ser doloroso estar a ver o desfecho da meia-final verdes-vermelhos e pensar instintivamente "pronto, lá vamos nós perder nos penáltis". 

É este espírito derrotista e de impotência para ultrapassar o "destino" que se começa a apoderar do Clube (e não digam que a culpa é minha, ok?). É Sérgio o responsável por isso? Não. Mas também não foi capaz de o evitar, antes pelo contrário.

Já sei que sou apenas adepto e coisa e tal, mas em quase todos esses jogos fiquei com a sensação que o treinador não estava a ler bem o jogo, mais durante do que antes de começar. Acho até que tem dificuldade em reagir àquilo que o jogo vai pedindo. A gritante escassez de soluções no banco explica uma parte, mas não pode explicar tudo. Falta alguma coisa ainda.

Além disto, há também a questão da mentalidade. Por muito que se queira pintar de outra cor, a verdade é que esta equipa (nas duas épocas) nunca teve a mentalidade de entrar e esmagar os adversários, de marcar o primeiro e ir de imediato na busca do segundo. Ao invés, um estilo muito contemplativo, permissivo, que dá tempo ao adversário de superar as suas próprias dúvidas e começar a acreditar nas suas possibilidades. Não é um Porto mandão, incisivo, opressor. E isso conseguia-se mesmo sem craques, bastava ter a mentalidade certa!

O meu ponto? Adoro Sérgio Conceição, o Portista. Estou de pé-atrás com Sérgio Conceição, o treinador. Mas as lágrimas dele de ontem são também as minhas e são também por ele. Sobretudo de raiva, porque voltamos a ser melhores e a perder para uma equipa banal com mentalidade de distrital, sempre a fazer de tudo para se jogar o menos possível, com o habitual empurrão daquela triste figura com o apito na boca. Um nojo de equipa, bem à imagem do clube derrotado que sempre serão.

E então, deve ou não continuar no banco do Porto em 2019/20?

Um inequívoco sim. Porque neste momento é a pessoa em quem eu mais confio para defender o Clube do exterior e de si mesmo. De longe, diga-se. E não estou a ver que possa assumir outro cargo qualquer (havia de ser bonito), pelo que terá de ser no de treinador. E ainda acredito que vai conseguir.

No entanto, meu querido Sérgio, tens de evoluir e depressa como treinador. Alargar horizontes, estudar e testar outros modelos e perceber como e quais se podem aplicar aos jogadores que vais ter à tua disposição. O tempo escasseia, eu sei, mas que não te falte audácia. Se falhares, falha a tentar algo diferente! Não cedas perante a exigência daqueles reforços que consideras fundamentais e não aceites refugo comissionista. Ah, e já agora, contrata um bom psicólogo que nos ensine a ganhar nos penáltis, ok?



Sobre o Clube, vou esperar até perceber exactamente quem mente e quem fala verdade sobre a questão do Fair Play Financeiro, porque algo não bate certo e isto seria demasiado grave para ser tolerado. 



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




segunda-feira, 13 de maio de 2019

JÁ CHEGA


Não era este o regresso à escrita que tinha planeado. Na verdade, nem planeio voltar, apenas ir voltando sempre que inevitável. Estava a guardar-me para o pós-Jamor, para discorrer sobre a época, Sérgio Conceição e o Clube.

Regressei há pouco da Madeira, onde estive muitíssimo bem e - logicamente - assisti ao vivo ao Nacional - Porto. Não tenho nenhuma intenção de escrever sobre o jogo nem sobre qualquer jogo de futebol deste pardieiro em que se transformou o "Futebol Português".




O "Futebol Português" é quase tudo menos uma competição desportiva - daquele desporto que todos adoramos e que se chama... futebol! O "Futebol Português" é um esgoto a céu aberto para onde desaguam e onde prosperam toda a espécie de delinquentes, vigaristas e criminosos.

Hoje, o "Futebol Português" é somente:

- Uma Federação e respectivo presidente capturados pelos desígnios dos sem-vergonha (a.k.a. Benfica de Vieira), que se limita a fazer de conta que tutela as competições profissionais, quando na realidade se esquiva a assumir as suas claras responsabilidades de regular e fazer cumprir esses regulamentos, resumindo-se às Seleções (outra pouca vergonha, mas que na verdade pouco ou nada me interessa);

- Uma Liga que simplesmente não existe enquanto entidade independente e supra-clubes e se limita a gestão corrente, assegurando a função básica de organizar os jogos (sort of);

- Um campeonato onde pelo menos 80% dos clubes participantes são entrepostos dos sem-vergonha, vivendo à custa de subsídios ilegais (em género e em espécie), alinhando em fila e prestando-se a todo o tipo de negociata para finalmente receber as suas migalhas bolorentas;

 - Um campeonato onde, mesmo nos clubes não-alinhados, há sempre jogadores que cometem erros básicos, têm deslizes infantis, são, em suma, infelizes quando defrontam os sem-vergonha. Os dez que o Nacional levou de uma vez só e o Braga em duas prestações são apenas os exemplos mais vergonhosos desta farsa, porque em quase todas as jornadas é possível detectar um ou vários casos destas infelicidades;

- Um Conselho de Disciplina sem pingo de isenção ou seriedade, comprovadas pelas estapafúrdias decisões e omissões desta temporada, sempre em benefício dos sem-vergonha;

- Um Conselho de Arbitragem sem o mínimo de credibilidade, incapaz de se auto-gerir, impotente e incompetente para dar aos fracos árbitros o mínimo de condições e garantiras para que apitem de acordo com a sua (pouca) capacidade, sem estarem sujeitos a pressões fortíssimas por parte dos sem-vergonha face a decisões que não os beneficiem em toda e qualquer circunstância. 

- Um grupelho de Árbitros, composto maioritariamente por gente medíocre, sem o mínimo perfil para comandar um jogo de futebol, absolutamente temeroso de cometer algum erro que prejudique os sem-vergonha. Viram e registaram como fado inescapável o que aconteceu a ex-colegas quando se atreveram a não os favorecer à margem das Leis do jogo. Sabem que não há futuro na arbitragem (nem fora dela...) sem promiscuidade e vassalagem absoluta aos sem-vergonha;

- Uma corte de "jornaleiros", paineleiros, peritos e arautos da carapinha e do fair-play que se submetem, ora com resignação, ora com fervor, à gigantesca manipulação mediática que diariamente contamina os portugueses, bombardeados non-stop com factos falsos, opiniões insidiosas, palpites insultuosos e tentativas de desestabilização do Porto, única equipa que se mostrou perfeitamente capaz de os derrotar em campo durante uma temporada completa e de, com toda a justiça - a única justiça possível, vencer o campeonato. Sim, apesar de todos os erros próprios. Mesmo assim, melhores.

- Um exército de trolls disseminados pelas redes sociais, que mais não pretendem do que criar diversões para desviar o foco das vigarices realizadas por ou a mando dos sem-vergonha.

No final, sobram os lampiões, esse desvio de personalidade que toma de assalto a consciência até do vulgar cidadão, que no restante procura viver uma vida digna e (vou arriscar agora) honrada. Saem à rua, vangloriam-se, agridem indefesos, destroem propriedade alheia, tudo por conta de uma "vitória" que nunca, mas nunca foi nem será deles - apenas um logro, uma vigarice, bem à vista de todos e fácil de descortinar, mas que essa infecção maldita os "impede" de o ver. Ou então não, são apenas tão vigaristas como quem os lidera.


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Que eles queiram chafurdar neste lodo, eu entendo. Que nós - todos os não-lampiões, mas em concreto os Portistas e em particular o Presidente Pinto da Costa, enquanto líder e representante da direcção eleita, NÃO. Não compreendo e não aceito mais. Isto tem de ser o limite, JÁ CHEGA. 

É evidente que ninguém nos liga, ninguém com responsabilidades, dentro ou fora da pocilga, está interessado em ouvir e compreender o que se passa e agir em conformidade. Como se viu nos últimos meses, a Justiça portuguesa está (também ela, como a política e muitos outros sectores da sociedade) parcialmente capturada pelos meninos e meninas bonitas dos sem-vergonha, que a troco de um prato de lentilhas e desse fervor doentio se deixam corromper e assim traem os seus princípios e "juramentos" e os nossos direitos e garantias constitucionais. UEFA e FIFA, nem vale a pena tentar, só lidam com corrupção de alto perfil - a sua própria.

É por isso tempo de, nós Portistas, nos lembrarmos do que somos feitos, de onde viemos e de quais são os valores basilares sobre os quais assenta esta nossa jura de amor eterno. A luta do Clube é a luta da Cidade que lhe deu o nome. A defesa do que é nosso, por direito, porque criado com o nosso suor e contra a usurpação sistemática do nosso provento pela e para a ostentação da capital. 

Não podemos continuar a assistir de braços cruzados ao retomar da vigarice dos anos do Treta, agora ainda mais às claras e sem qualquer reserva de pudor (como se eles soubessem o que isso é). Esta farsa, esta fraude gigantesca a que chamam "Futebol Português" está prestes a falsificar mais um "campeão" (sempre o mesmo "campeão"), após mais um andamento da vigarice em Vila do Conde (tal como Braga, Feira e Moreira).

Eu, sócio e accionista, exijo que o Porto tome uma medida definitiva, independentemente das consequências que daí advierem. Não digo que não sejam ponderas, pelo contrário, mas chegados a este ponto, não vejo o que poderia ser pior do que participar (e assim validar) esta vigarice imunda e sem fim à vista. 

Se o presidente e seus pares não têm interesse ou simplesmente não partilham desta visão, então devem dizê-lo e serem julgados por isso. O silêncio é que não é aceitável, porque ensurdece. E prefácios de revistas e tweets também não valem quase nada, porque não resolvem nada. Eles não têm vergonha na cara e não se importa do que se diz sobre eles, em especial se for verdade. 

Pinto da Costa tem uma última missão, se a mais não se propuser: reacender o combate sem tréguas contra o nacional-lampionismo que se julga intitulado a vencer por direito próprio e à margem de todas as regras.

E eu que proponho em concreto? Sabendo que os Estatutos não o prevêem mas admitindo que não o proíbem, marcar uma Assembleia Geral Extraordinária para a próxima sexta-feira, com ponto único para discussão: como deve o Clube reagir a este estado de coisas. 

Por mim, defendo como mínimo a não-comparência ao último jogo do campeonato, equacionando também faltar ao Jamor, a convocação de todos os Portistas para uma manifestação massiva na sede que se julgar mais conveniente, fazer campanha para punir nas urnas todos os responsáveis políticos (sempre, agora uns, depois os próximos, é-me indiferente) e uma nova exposição à UEFA (mesmo sabendo o resultado) bem divulgada nos media internacionais.

Podemos perder o segundo lugar, podemos ser relegados para uma divisão inferior, podemos até falir e ter de recomeçar de novo. Meço as palavras, não as atiro da boca para fora. Sou Portista e continuarei a ser, seja em que divisão for, em que campo jogar. Não ganho nada com o Clube que não seja a alegria de ver as nossas equipas jogar e vencer sempre que somos melhores. Mas tenho muito a perder: a minha identidade, os valores com que fui educado e que em boa parte partilho com o Clube e a minha alma Portista. Mas isso só poderia acontecer se ficasse (eu e o Clube) quieto, amorfo, resignado a esta podridão que tomou de assalto o desporto nacional. Se lutarmos, nunca perderemos, nunca.
 


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco