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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Agora a Doer


É já depois de amanhã, na longínqua Krasnodar, que o FC Porto entra na época oficial 2019/20 e logo contra um obstáculo com cara de poucos amigos. E não é por serem russos, é por - dizem por aí - jogarem bem à bola. É assim, a frio e logo a doer, contra um adversário que já vai na quarta jornada do seu campeonato (2V-1E-1D). 




Depois da boa imagem que deixou na Liga Europa da época anterior, onde foi eliminado e por muito pouco pelo Valência nos oitavos, o FK Krasnodar chega a esta pré-eliminatória por via do terceiro lugar que conquistou na liga russa. Não os vi jogar ainda este ano, mas quem viu (e percebe da poda) garante que vão vender cara uma eventual eliminação.

Não vale sequer o esforço de atirar com o nosso palmarés para a arena argumentativa, primeiro porque o palmarés não joga e segundo porque já vai sendo tempo de os Portistas aceitarem que o Porto actual já não é o que nos fez orgulhosos à conta da sua insuperável competência e espírito de conquista.

(Para que ninguém se confunda, o (meu) orgulho de ser Portista é inatacável e imutável, o que desapareceu foi aquela dose suplementar que advinha da superioridade competitiva que evidenciou durante várias décadas) 

Hoje temos uma equipa profissional de futebol que se está a refazer, aparentemente a pensar no imediato - o acesso ao "milagre" financeiro da Champions, o único que permite continuar a suportar este tipo de gestão - e cujo princípio único parece ser o de satisfazer os desejos de Sérgio Conceição. Se há uma política desportiva estruturante, eu não a consigo detectar.

A prova provada chega pelo conjunto de entradas e saídas deste defeso. Sem questionar ainda a valia de quem chegou e o saldo teórico face ao plantel que sucede, o que se constata é a chegada de jogadores "feitos", para darem rendimento desportivo de imediato e forçosamente sem aspirar vendas futuras com relevantes mais-valias. É verdade que parece também sobrar algum espaço para os miúdos da formação, mas é preciso esperar para ver se e quem vai ter reais oportunidades para evoluir, espaço para errar e confiança para começar a mostrar as suas qualidades.

Já há muito que deixei de me afeiçoar a jogadores (Lucho e Quaresma foram os últimos), até porque deixou de fazer sentido. Hoje os jogadores são verdadeiramente profissionais, pensam apenas na sua profissão e em como dela retirar o máximo rendimento. E é também por isso que cada vez mais pessoas se desencantam com o que sobrou do futebol original.

Hoje, em 99,99% dos casos, os exemplos de amor ao clube apenas acontece em duas situações: quando o jogador já está num dos clubes de topo (e que mais paga) ou quando o jogador não tem qualidade suficiente para atrair o interesse desses "tubarões" (os Luisões desta vida). Nós é que ainda não nos convencemos disso e continuamos a sonhar com um futebol que já não existe...

Isto para dizer que os "miúdos" me interessam sobretudo na perspectiva do rendimento e das mais-valias futuras que podem gerar, que é como quem diz que o que me interessa é a política desportiva do Clube, sem olhar a nomes ou proveniências. Claro que - como sonhador que ainda sou - adorava ter na equipa principal e por muitos anos jogadores com formação no Porto, mas sei bem da utopia que isso representa.

Regressando a Krasnodar, o Porto terá de demonstrar competência suficiente para poder garantir no Dragão a passagem ao playoff, onde terá outro osso duro de roer (seja turco ou grego). As chegadas tardias de Marchesin e Uribe (dois negócios com muito para explorar) condicionam desde logo o seu potencial contributo nesta primeira mão e provavelmente na segunda também. E do que pouco que se pode ver contra o Mónaco, o resto também tem ainda muito que pedalar.

Seja como for, na quarta têm de estar todos prontos. O estatuto e o palmarés não jogam, mas quem vestir a azulebranca tem de provar merecer ser herdeiro de todos esses monstros do passado. E quem está ao leme tem também de honrar a memória do eterno Mestre. 

O primeiro balanço desta nova temporada será feito assim que for conhecido o destino europeu do Clube - até la, sigo com rigor (possível...) a minha receita de sobrevivência.

Acabou a pré-época, agora é mesmo a doer. E falhar o acesso à Champions pode mesmo revelar-se uma dor insuportável para o Clube e em particular para Sérgio Conceição. Por isso façam o favor de ser felizes.


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco


P.S. para os fãs das ligas Do Porto com Mística: vão acontecer! Já podem inscrever-se na Liga Portuguesa (token b5089773) e na FPL (código 8un4o1) que começam já na próxima sexta.



 

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Circus Maximus


Está feito, missão cumprida! Estamos de volta ao nosso habitat natural. Pela 21ª vez


Assim se constrói um grupo


Hoje seria muito mais interessante para mim falar apenas do enorme feito conseguido na città eterna e da extrema importância que assume para o nosso futuro próximo. Já o tinha dito, com todas as letras: este era o jogo mais importante da temporada. Além do que faria transportar para o jogo do próximo domingo (como metáfora de todas as competições internas), era o equilíbrio financeiro que estava em causa - ou, para ser mais preciso, a sobrevivência financeira num ambiente de elevada alavancagem como é a nossa.

Conseguimos eliminar o pior (leia-se "melhor, mais forte") adversário de entre os possíveis. Calhou-nos a AS Roma no azareio, o que desde logo nos transformou nos cães de baixo (sim, é piada, intencional, obrigado e voltem sempre). Após uma primeira mão, que terminou com um resultado complicado (ver deliciosa imagem abaixo), ainda mais distante ficou o hino da Champions.

Felizmente, hoje (ontem) voltámos a ter a estrelinha dos champions. Por completo, diga-se. Aliás, não me lembro de termos tido tanta felicidade junta numa eliminatória europeia. Felizmente não a desperdiçamos (apesar das tentativas...).


Olha o melão fresquiiiiiiinho!


E agora o jogo.

Primeira parte aceitável, apesar do desnorte que se seguiu à primeira expulsão. Começamos a pressionar bem à frente, o que durante 20 minutos confundiu e atrapalhou o adversário. Depois, já em vantagem no marcador, aceitámos a superioridade do adversário e procurámos surpreendê-los em contras rápidos e nas bolas paradas. Correu bem, marcámos cedo e ficámos "como queríamos" no jogo. Bem estudada a lição para o onze contra onze.

Não contavam era ter que jogar contra nove. Evidentemente que é um grande bónus, mas quanta gente não se perde após ganhar o Euromilhões por não saber lidar com tanta sorte junta? Nós não "nos perdemos", mas quase sofríamos a humilhação de ver a bola no fundo da nossa baliza quando o adversário só contava com nove jogadores. Cheguei a ter vontade de desligar a televisão, tamanha que foi a irritação que me provocaram naquela fase. Foi preciso Layún fazer o segundo para todos acalmarem e assumirem de vez que estava tudo (apenas) nas nossas mãos. Os de Roma já tinham cortado as suas.

A partir daí, geriu-se bem o que faltava do jogo, com um grande golo pelo meio e mais umas quantas oportunidades. Chegou, mais do que chegou, ainda que fruto de erros alheios. Mas saber aproveitá-los é uma grande virtude.


A eliminatória virada ao contrário



Notas DPcA: 

Dia de jogo: 23/Ago/2016, 19h45, Estádio Olímpico de Roma. AS Roma - FC Porto (0-3).


Casillas (6): Três ou quatro defesas de champions, dignas de um jogador com o seu currículo, em profundo contraste com os infantis disparates que foram algumas reposições de bola e passes à queima para companheiros. Não o admito de um jogador tão experiente e reforço o meu voto para que José Sá seja levado a sério como candidato à titularidade.

< 47' Maxi (6): Esteve bem (concentrado e empenhado) até ser ceifado por De Rossi. Ressentiu-se logo a seguir e saiu de maca. Recupera depressa Maximiliano.

Telles (7): Exibição muito consistente durante toda a partida, sempre mais focado em fechar o flanco mas sem com isso deixar de fazer investidas na frente de ataque. Tem sido sempre a melhorar e ainda bem.

Marcano (7): Tal como Felipe, sentiu naturais dificuldades frente à categoria dos avançados romanos, mas não se atemorizou e principalmente não meteu água. Bom jogo...

Felipe (8): Ainda outra exibição com oscilações, mas desta vez com os pontos positivos a superarem largamente os negativos. Pelo golo fundamental, pois claro, mas também pelo acerto defensivo que revelou mais adiante (depois das tais oscilações). Está a melhorar, aos poucos, e vai dar bom central. Podem confiar.

Danilo (7): Voltou o meu Godzuki, impositivo e dominador do seu espaço. Também enfrentou dificuldades várias, a principal das quais um jovem belga com um talento excepcional. Mas, conseguiu sair ileso e isso só tem que ser valorizado (em milhões de euros).

Herrera (7): Avanço já para a boa assistência para o golo que matou a eliminatória (o segundo), momento mais alto da sua exibição. Antes e depois, lutou muito, acertou menos, mas globalmente bem.

André André (7): Outra boa exibição, como já não fazia (durante tantos minutos) há muitos meses. É bom tê-lo de volta a este patamar, para que possa retomar onde parou e continuar a crescer como jogador.

Melhor em Campo Corona (8): Continua em grande o Tecatito e de novo provou que foi um erro ter prescindido dele no onze inicial na primeira mão. Exibição muito completa, que ganhou fulgor quando aumentou o espaço nas costas da defesa da Roma e que teve como corolário um belíssimo golo. Continua rapaz, já em Alvalade de preferência.

< 57' Otávio (7): Voltou à faixa esquerda e com isso voltou a desequilibrar. Foi dele o passe para o golo de Felipe, mas fez muito mais, em especial na primeira parte, em quem manteve a defesa romana sempre em sentido. Saiu cedo mas percebe-se porquê. Contribui bem para o desfecho final.

< 66' André Silva (7): Não marcou mas fez um bom jogo, desgastando ao máximo a defesa contrária e procurando dar tempo e espaço para os companheiros se adiantarem no terreno. No lado menos positivo, registo o ter voltado a agarrar-se em demasia à bola em vários momentos. É de ser tenro, certamente. 

> 47' Layún (8): Entrou mais cedo do que estaria à espera, mas em boa hora o fez. Encaixou-se bem e apesar de a sua entrada quase ter coincidido com o pior momento da equipa, foi ele a pôr-lhe um ponto final com um belo golo de difícil execução. Hoje não assistiu (shame on you)... marcou!

> 57' Sérgio Oliveira (5): Os primeiros momentos em jogo marcaram tudo o resto. Más opções, cartão amarelo e um suspiro. Aos poucos foi melhorando, preferindo a discrição ao "exibicionismo" como forma de se resguardar. Tem que entrar mais concentrado, para não perder o comboio...

> 66' Adrian (5): Trocou com AS e assumiu a frente de ataque sozinho, ainda que sempre secundado por Corona e pelos médios que se adiantavam à vez. Não fez nada de especialmente relevante no jogo, mas contribui com a sua quota-parte.





Nuno Espírito Santo (8): Garantiu a passagem à fase de grupos, é isto que realmente conta e que marcará a sua carreira no clube. Mas como a análise se restringe apenas aos 90 minutos de Roma, há que acrescentar algo mais. Fez alinhar de início o que para mim era o melhor onze possível e (coincidência ou não) a resposta inicial foi boa. Tivemos a sorte e o engenho de marcar cedo (e primeiro), o que nos deixou a respirar muito melhor. Depois veio a primeira expulsão e um desnorte difícil de entender até ao intervalo. Mas pior, muito pior, foi a autêntica desgraça de exibição a que se assistiu entre a segunda expulsão romana e o nosso segundo golo. Quase 25 minutos de puro horror, tal a impotência da equipa para controlar um adversário tão inferiorizado e para matar o jogo de vez. Total incapacidade para tirar partido da dupla superioridade numérica e risco eminente de sofrer golo em vários lances. Muito difícil de compreender, mesmo descontando a normal ansiedade que o jogo transportava para os jogadores. As mudanças não convenceram, mas acabaram por dar os frutos desejados. Portanto, esqueçamos esse período horribilis do jogo e foquemo-nos no essencial: parabéns Nuno pelo apuramento. 



Outros intervenientes:


Não há equipa ou treinador que resista a erros individuais desta magnitude. Depois de Vermaelen do Dragão, agora foram De Rossi e Emerson a enterrar os romanos para as profundezas da Liga Europa. Continuo a não ter dúvidas de que têm melhor plantel e uma equipa muito mais trabalhada. E um grande, grande craque: Nainggolan. Que enorme jogador, merecia mesmo jogar de azul e branco...

"O azul, que bem que te fica(va)"


Hoje abro uma justíssima excepção e incluo o árbitro na análise qualitativa junto com os jogadores. Este senhor Szymon Marciniak merece ser destacado como co-Melhor em Campo, tal a qualidade extrema da sua exibição arbitral. No meu conceito do que deve ser o futebol, esteve simplesmente perfeito. Corajoso, imparcial e a não marcar as faltinhas que tanto prejudicam o futebol (com o português à cabeça). Muitíssimo boa prestação, merece ser seguido com atenção e ter mais oportunidades ao mais alto nível.


Muito bom estarmos de novo na Champions. Amanhã reabrir-se-ão por certo as (até agora) perras torneiras que matam a sede aos ávidos vendedores e empresários (e...) de craques. Espero que com melhor critério do que nos últimos anos. Apenas bons jogadores e que nos façam falta. Óliver, central, avançado. Tudo o mais, antes de isto assegurado, será sempre supérfluo.


Nota final para o símio Rui Gomes da Silva: agradecido pela motivação extra, estou certo que foi importante para o resultado final.



Do Porto com Amore



quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Outclassed


O FC Porto com superioridade numérica em campo, empatado em casa, na primeira mão do confronto mais decisivo desta ainda jovem época (e quem sabe se das próximas também). Decorridos 20 minutos da segunda parte, o jogo não ata nem desata, o nosso também jovem treinador olha para o banco e quem lá tem?


Tanto Porto resumido numa só imagem


 - Corona (que devia estar em campo desde o minuto zero, mas já lá vou)
 - Varela
 - Rúben Neves
 - Evandro
 - JC Teixeira
 - Layún
 - José Sá

Nem um avançado. Nem Aboubakar, nem Gonçalo e muito menos o "pinheiro belga" que veio à pressa para jogar... o playoff.

Foi contra este impensável amadorismo que me insurgi há uns posts atrás, quando foi tornada pública a impossibilidade de Depoitre participar, a que se soma esta incompreensível gestão de activos que empurra Aboubakar para a equipa B e nem sequer dá uma hipótese ao igualmente jovem Gonçalo, sem ter alternativas válidas para a equipa principal.


O jogo desta noite até nos correu de feição. Muito mesmo. Duvido que tal se possa repetir na segunda mão se não formos nós a fazer muito mais por isso.

Aos 20 minutos de jogos poderíamos facilmente estar a perder por 2 ou 3. Entrada absolutamente frouxa, temerosa e desconfiada do Porto, contrastando com uma afirmação de carácter e de estatuto da AS Roma. Entre a ameaça madrugadora e o remate colocado (porque sem oposição) de Salah, a recarga salva por Telles depois da paragem cerebral de Casillas, qualquer uma poderia ter acabado nas nossas redes. Felizmente não foi assim, foi preciso Felipe mostrar aos romanos como se faz, perante o olhar atento da múmia espanhola.

Pouco mudou depois do golo (de nossa parte), quem reduziu o passo foi o adversário. O que lhe acabou por estragar um jogo até então perfeitamente controlado, perdendo Vermaelen com segundo amarelo, por falta clara sobre AS na entrada da área. A forma como esse livre foi marcado é mais um momento caricato, digno de malta que se encontra uma vez por mês para dar uns toques. Insuportável.

A segunda parte foi bem melhor, como seria expectável pela superioridade numérica. A Roma teve como lance mais perigoso o último lance do jogo, um livre também perigoso proporcionado pela generosa falta de classe de Marcano. Até aí, foram praticamente 45 minutos de sentido único, ainda que nem sempre com a intensidade necessária. Muitos cantos desaproveitados e uma grande oportunidade de AS, para lá do golo bem invalidado a Adrián e do penálti que nos deu o empate. Deveríamos ter conseguido a reviravolta, mas não conseguimos. E agora teremos que marcar em Roma e não perder.


Mininos e mininas, os...



Notas DPcA: 

Dia de jogo: 17/Ago/2016, 19h45, Estádio do Dragão. FC Porto - AS Roma (1-1).


Casillas (4): Num jogo decisivo, voltou a comprometer. Desta vez não resultou em golo, mas por pouco - largou uma bola "impossível" de bandeja para Dzeko. E depois, pormenores como a colocação imediata da bola em jogo quando estávamos a ser pressionados, não dando tempo nem calma aos companheiros, antes obrigando-os a correr de nova atrás da bola. É para isto que serve aquela experiência toda? José Sá deve ser considerado seriamente como candidato à baliza, a bem de todos (incluindo do próprio Iker).

Maxi (7): O bom velho Pereira regressou hoje. E reparem que disse o "bom velho", não o "bom novo". Porque Maxi hoje é "todo" raça e querer. A disponibilidade física e a velocidade de ponta moram no passado. Mas com esta entrega total, quase nem se nota. Fosse sempre assim.

Telles (7): Recuperou bem da expulsão e apresentou-se de cabeça limpa. Fraquejou menos do que a média no início e esteve acima dela quando passámos a comandar o jogo. Razoável a defender e bem a atacar. Está no bom caminho.

Marcano (6): O lance mesmo à beirinha do final define-o, mais do que a sua exibição certinha até então. Sem pressão, faz um alívio estapafúrdio que devolve a bola ao adversário numa zona perigosa e que obriga um companheiro a cometer uma falta ainda mais perigosa. Já o escrevi muitas vezes e faço-o uma vez mais: não tem qualidade para jogar no Porto. Quem o mantiver que assuma a responsabilidade.

Felipe (5): Nova exibição de extremos, sendo dos piores na fase má da equipa e melhorando muito no momento em que precisávamos de matar "na fonte" as tentativas de contra-ataque romanas perante um Porto balanceado para o ataque. O autogolo só se explica por falta de confiança ou por medo de errar. Tem qualidade mas também tem defeitos assinaláveis, falta saber que uns se vão acabar por impor a que outros. 

Danilo (6): Entrada muito desastrada na partida, não só por "estar perdido" (pouca culpa própria) mas porque com bola custou-lhe acertar um passe. Tal como Felipe, foi importante mais adiante quando se impunha arrancar pela raiz qualquer assomo do adversário. Globalmente abaixo do que se exigia.

Herrera (5): Foi hoje, cansei-me. A indecisão acumulada ao longo de meses deu finalmente lugar a uma opinião clara e definitiva: este senhor atrapalha sempre mais do que ajuda. Não importa quantas coisas boas faça, porque acaba sempre por superá-las com coisas más, irritantes, displicentes e negligentes. Nunca porei em causa a sua boa postura, mas chega. Nápoles, Pachuca ou Casa Pia, o importante é que vá, sem olhar para trás. Para que possa dizer enquanto lhe aceno ao vê-lo desaparecer no horizonte "sem ressentimentos, Héctor!".

< 66' André André (6): Como a maioria dos companheiros, esteve francamente mal na primeira parte. Também ele perdido do jogo e das marcações aos adversários, sem convicção nas bolas disputadas e sem saber o que fazer com ela no pé. Subiu muito no regresso do balneário, fazendo uso das suas melhores qualidades: raça, pulmão e crença. Saiu no pico da sua exibição, só Nuno saberá porquê...


Ui, também "usas disso" coño? É bom saber!


< 76' Adrián (6): Foi a surpresa dispensável de NES para um jogo decisivo e correspondeu bem. Também melhorou com o passar do tempo, sendo dos primeiros a tocar a rebate no assalto da segunda parte. Chegou a marcar e eu a festejar, mas não foi validado afinal (nem nisso tem sorte). Mas custou-me vê-lo ser substituído, o que só pode ser positivo.

< 85' Otávio (8): Muito bem, dos poucos que se manteve à tona durante toda a partida. Na maioria do tempo foi o único com capacidade para levantar a cabeça e descobrir companheiros em zonas mais privilegiadas para galgar terreno rumo à baliza adversária, mesmo que a espaços se tenha notado a falta de experiência (e de andamento) a este nível máximo de exigência - nada que não se resolva, naturalmente. Não sei porque saiu, mas NES saberá.

Melhor em Campo André Silva (8): Mais uma grande partida, num jogo muito difícil para qualquer avançado. Foi duplamente decisivo ao forçar Vermaelen a cometer a falta que lhe valeu o segundo amarelo e ao marcar de forma irrepreensível o penálti. E deu muito, muito trabalho a toda a defesa romana, contribuindo decisivamente para os assustar e os remeter "lá para atrás". Só faltou ter feito aquele golo... 

> 66' Layún (5): Não tem culpa de ser "fruto" de uma substituição sem nexo, mas de certa forma pagou por isso ao não ter condições para ser o que a equipa precisava naquele momento. Entrou com vontade de ajudar, mas não era o homem certo no momento certo. Passou pelo jogo sem deixar grande marca.

> 76' Corona (5): Pondo-me no lugar dele (e no meu), não entendo como não foi titular. Um dos melhores em Vila do Conde (e na pré-época) e zás, banco com ele no jogo mais importante. Rica gestão psicológica. Entrou tarde e certamente pressionado, não conseguindo trazer aquele fôlego adicional de que a equipa tanto precisava para o último quarto de hora.

> 85' Evandro (5): Uma substituição oca, vazia de conteúdo e significado. O máximo que produziu foi as lágrimas de Rúben, mas disso o brasileiro não tem nenhuma culpa. Tentou aumentar a pressão mas sem surtir efeito.


Nuno Espírito Santo (3): Há uma zona cinzenta sobre a qual um adepto normal como eu não pode opinar por simples falta de conhecimento dos factos. Não sei sobre que ombros assentam as responsabilidades de exilar Aboubakar e Brahimi, de não querer Gonçalo e de ressuscitar Adrián a três dias do final do estágio. São todas decisões difíceis de compreender, na sua origem ou no seu desfecho. E portanto vou optar por isentar delas o treinador, tal como da argolada Depoitre.

Mas não o posso absolver da decisão de mudar a forma de jogar de uma equipa que ainda se está a tentar construir. Mesmo quando as equipas já estão consolidadas, nos processos e nos intervenientes, custa-me vê-las mudar drasticamente em função dos adversários - mas pronto, admito-o. Numa fase ainda tão embrionária, em que os jogadores só sabem fazer em conjunto meia dúzia de coisas bem feitas, que lógica tem subverter tudo só porque o adversário joga de uma determinada forma? Vamos para o jogo para o jogar ou para impedir que os outros joguem? Mais um Lorpa? Por favor não!

E depois, não soube tirar partido do que o jogo lhe foi dando de mão beijada. As substituições foram francamente más, mesmo considerando o reduzido leque de opções ("mete o pinheiro, carago!"). Herrera ficar em campo até final deve ser por decreto (só pode). Layún, para quê e porque não logo Corona (só entrar a 14 minutos do fim deve ter sido distracção)? Infelizmente, Nuno confirmou hoje um dos motivos porque nem constava na minha shortlist: falta de currículo relevante (e correspondente experiência). Afinal foi Spalletti quem acrescentou à sua equipa. E o Jardim.


Uma nota final para as lágrimas de Rúben Neves: obrigado menino portista! Azul e Branco é o coração. A biltragem bem pode voltar para as suas tocas putrefactas, que daqui não levam nada.


Um vislumbre de Champions - que não seja o último desta temporada...



Outros intervenientes:


A AS Roma confirmou em campo, enquanto 11 para 11, o porquê do seu ligeiro favoritismo na eliminatória. Um plantel globalmente superior e um onze melhor trabalhado, com bons executantes espalhados por todo o campo. Gostei de ver Salah, Nainggolan, Florenzi e sobretudo o senhor De Rossi. Só faltou o maestro, mas não houve espaço para recital. Mas mostrou também porque é apenas uma boa equipa e não uma das maiores da Europa. Tem lacunas visíveis, pontos fracos exploráveis. Por bons adversários, obviamente. Que hoje não soubemos ser, nem mesmo com mais um homem.

Falar do árbitro holandês Bjorn Kuipers enquanto responsável pelo nosso insucesso é ridículo. É verdade que não viu um penálti mesmo a acabar a primeira parte e que deveria ter expulsado Vermaelen com vermelho directo, para lá de um estilo muito, muito irritante. Mas, analisando pelo outro lado, expulsou Vermaelen aos 41', "dando-nos" 49' de superioridade numérica. E marcou um penálti a nosso favor, como era sua obrigação. O golo foi bem invalidado, ainda que por um dos auxiliares - e é para isso que lá estão.



Estou naturalmente apreensivo quanto ao desfecho do playoff, mas é obviamente possível e nem sequer requer um pequeno milagre. Se tivermos outra atitude desde o início (e até ao fim), alicerçada numa melhor estratégia, é perfeitamente possível. E se por acaso cairmos, que seja de pé. Outro Dortmund é que não! Tem a palavra Nuno Espírito Santo.



Do Porto com Amor




terça-feira, 9 de agosto de 2016

Onde Está a Bola? #23 (e vencedor #22)


A época ainda mal começou mas o "Onde Está a Bola?" já segue a todo o gás para a edição #23, que vai oferecer dois bilhetes ao leitor mais perspicaz e afortunado para assistir ao decisivo FC Porto - AS Roma, a contar para a primeira mão do playoff de apuramento para a Champions League. O encontro de (pré) campeões está marcado para as 19h45 de 17 de Agosto.


Onde Está a Bola? #23


Para se habilitar a ganhar os bilhetes, o estimado leitor apenas terá que observar com atenção a imagem acima e decifrar onde está escondida a verdadeira bola da imagem original (ou se não está lá de todo).

Respostas possíveis:

A - Bola Azul
B - Bola Laranja
C - Bola Verde
D - Bola Castanha
E - Não há nenhuma bola escondida


Já descobriu? Então deixe o seu palpite na caixa de comentários, tendo em atenção as seguintes regras de participação:

1 - Escrever a resposta que considera acertada na caixa de comentários deste post, indicando igualmente um nome e um email válido para contacto em caso de vitória (atenção: comentários anónimos já não são permitidos no blogue).

2 - Entre os que acertarem, será sorteado o vencedor através da app Lucky Raffle (iOS).

3 - Para ser elegível para receber os bilhetes, deverá fazer o obséquio de:

   a) Comprometer-se a enviar-me duas ou mais fotos da sua ida ao estádio (com pelo menos uma selfie) nas 48h seguintes ao jogo;

   b) Registar e confirmar o seu email (nas "Cartas de Amor", na lateral direita do blogue);

   c) Seguir o FB e o Twitter do DPcA (basta clicar nos links e "gostar" ou "seguir"). 
   Quem não tiver conta nesta(s) rede(s) não será excluído, mas... cuidado porque o Lápis irá investigar :-)

4 - Apenas será aceite uma participação (a primeira) por cada email válido.

5 - Cumpridos todos os critérios, o vencedor sorteado será contactado através de um email onde encontrará instruções sobre como e quando levantar os bilhetes.

6 - Se já tiver Dragon Seat ou outro tipo de acesso, poderá oferecê-los a um amigo ou familiar que não tenha a mesma sorte.

7 - Este passatempo termina às 23h00 de dia 15 de Agosto e o vencedor será anunciado até às 14h00 de dia 16.

8 - Se o vencedor não reclamar o prémio até à data e hora referidas no email que lhe será enviado, haverá novo sorteio entre todos os que tiverem acertado na resposta (e assim sucessivamente até se encontrar um vencedor que reclame o prémio).

E é só! Concorra e divulgue, queremos o Dragão cheio!


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A primeira edição da época 2016/17 teve como brilhante vencedor o Telmo Ferreira, que foi o sorteado de entre os que acertaram na resposta. 


Os candidatos e o vencedor #22


E qual era a resposta correcta? Compare a foto original com a imagem do passatempo...



Pois, assim é mais fácil... a resposta certa era a "D - Bola Lilás"!

Cumpridos os requisitos, nada mais podia separar o Telmo dos dois bilhetes. E foi com eles que teve a oportunidade de assistir, com o filho, à apresentação aos sócios e ao jogo que se seguiu.

Em termos de foto-reportagem, começou bem a época, deixando assim a fasquia elevada para o/a senhor(a) que se seguir. Apenas um reparo quanto à selfie (para edições futuras), apenas incluiu o filho do Telmo e não ambos como seria desejável. Um pormenor, mas importante.




Obrigado Telmo Ferreira, assim é um prazer (ainda maior) oferecer bilhetes!


Agora é o momento de se concentrar e deixar a sua resposta na caixa de comentários, para que possa ser o felizardo a ganhar os bilhetes para o próximo jogo. E como ele será importante para as nossas cores...



Do Porto com Amor



sábado, 6 de agosto de 2016

Arrivederci, Roma!


Já é conhecida a nossa "sorte" no playoff de acesso à Liga dos Campeões. E que sorte... nada mais, nada menos do que o histórico Associazone Sportiva Roma, ou "a Roma" para os amigos.




Conclusão, o sacana do Murphy voltou a fazer das suas. Sim, sim, o tal que como contributo para a Humanidade deixou o fatal corolário que postula que "Qualquer coisa que possa correr mal, correrá mal, no pior momento possível" (tradução livre).

Haveria entre Roma, Mónaco, Rostov, Young Boys e Steaua Bucareste osso mais duro para roer? Não sendo ciência exacta, parece-me claramente que não. Saiu-nos mesmo a "fava". E agora?

E agora, nada. Temos de tratar de os vencer em 180 minutos (ou mais...), divididos por dois jogos. É essa a nossa obrigação - a de fazer tudo para o conseguir. Depois logo se verá no que deu (e de que forma se lá chegou).

Procurando fazer uma análise mais desapaixonada (difícil), parece-me que desta vez é mesmo acertado dizer que cada equipa tem 50% de possibilidades de se qualificar.

Num Porto de há não muito tempo atrás, não hesitaria em atribuir-nos algum favoritismo, não só pelo hábito de vencer internamente, mas também pela imensa tarimba de Champions acumulada, quer pelo clube, quer por grande parte dos jogadores. Hoje em dia não estamos nesse patamar.

Basta aliás pensar na experiência que os jogadores deste plantel têm na prova. Tirando o estratosférico Iker (156 presenças!), Maxi (41) e Varela (26) e em menor escala também Marcano (que espero ver sair) com 18 presenças, Indi (que vai sair) com 17, Herrera (que pode sair) com 16 e Brahimi e Abou (que devem sair) com 14 e 10 respectivamente, sobram Adrián (14!), Rúben (13), Alex Telles e Evandro (7 jogos). Depois, nove jogadores têm o equivalente a uma fase de grupos ou menos e o restante nunca ouviu o hino alinhado no relvado. É alguma coisa, mas não muito. Em especial considerando o potencial/provável onze que irá defrontar os romanos. 50/50 portanto.

Há uns dias escrevi que a SAD portista vive sob um dilema que assume a forma de um círculo vicioso:  

Não investir por não ter garantidos os milhões da Champions -> Correr o risco de não chegar à Champions por falta de investimento -> Não entrando na Champions, não entra dinheiro fresco para os reforços necessários.

Pois com este sorteio este dilema agravou-se até ao limite. Agora será mesmo do or die. Ou se acredita cegamente na passagem, apostando em trazer já um ou dois reforços de peso, correndo o risco de não ter como os pagar em caso de insucesso; ou se tenta lá chegar com os que já cá estão, aumentando a probabilidade de não o conseguir. Não é fácil.


A AS Roma é uma espécie de Sporting de Itália, ainda que a comparação seja injusta para os romanos. Isto porque em Itália o poder futebolístico (e não só) há muito tempo que saiu da capital e mora agora em Turim, depois de já ter passado por Milão e brevemente por Nápoles e Florença, para não ir mais longe. Já o Sporting continua a beneficiar do nacional-centralismo bacoco, ainda que como filho bastardo (todos sabemos quem é o legítimo herdeiro do salazarismo). 

Em todo o caso, a comparação ajusta-se porque ambos são clubes da capital, com uma grande massa de apoio (apenas a quinta maior de Itália, no caso da Roma) e que se habitou a viver do "quase" - e aí sim, almas gémeas Roma e Sporting. Vejamos o palmarés de ambas no século XXI:

Roma - 1 campeonato, 2 taças Itália, 2 supertaças, 0 títulos europeus;
Sporting -  2 campeonatos*, 4 taças Portugal, 4 supertaças, 0 títulos europeus.

*sendo generoso e incluindo o que começou em 1999

Um pouco melhor o palmarés sportinguista, sem dúvida, mas que se explica pelo facto de apenas haver três clubes a disputar títulos em Portugal, ao contrário da "multiplicidade" italiana. Em termos relativos face aos outros grandes, são registos pobres em ambos os casos. Gémeos, portanto.

E o que vale o Sporting de Itália neste momento?

Foi terceiro classificado na época passada, tal com o Porto. Longe da campeã Juventus mas próximo do Nápoles segundo classificado.

Manteve o grosso do plantel - o que desde logo lhes dá vantagem sobre nós, reforçando-se apenas cirurgicamente. Exemplos maiores são o regresso de Szczesny e a mui recente adição de Fazio (suspiro). Já batidos no plantel e sobre a batuta do (quase) eterno capitano Totti (um dos jogadores com que mais me identifico, mas isso fica para outro dia), destacam-se os "craques" Nainggolan e Dzeko, bem coadjuvados por outros bons jogadores como Rudiger (que já esteve nos nossos planos), De Rossi, Salah e El Shaarawy. Ah... e um tal de Iturbe, se é que já ouviram falar dele...

Um plantel muito competitivo e equilibrado, mas longe de ser perfeito. Um grande desafio para este novo Porto. Para ser completamente honesto, a minha maior esperança reside em ambos os bancos. Explicando, conto que Nuno seja capaz de acrescentar aquilo que me parece que Spalletti subtrai (ou pelo menos não acrescenta).

Vamos a eles, com inteligência e coragem. Provar que o "Somos Porto" é mais do que um chavão desnatado.

O meu prognóstico (travestido de desejo)? Dá-lhe Mario: Arrivederci, Roma!


Do Porto com Amore