O FC Porto com superioridade numérica em campo, empatado em casa, na primeira mão do confronto mais decisivo desta ainda jovem época (e quem sabe se das próximas também). Decorridos 20 minutos da segunda parte, o jogo não ata nem desata, o nosso também jovem treinador olha para o banco e quem lá tem?
 |
| Tanto Porto resumido numa só imagem |
- Corona (que devia estar em campo desde o minuto zero, mas já lá vou)
- Varela
- Rúben Neves
- Evandro
- JC Teixeira
- Layún
- José Sá
Nem um avançado. Nem Aboubakar, nem Gonçalo e muito menos o "pinheiro belga" que veio à pressa para jogar... o playoff.
Foi contra este
impensável amadorismo que me insurgi há uns
posts atrás, quando foi tornada pública a impossibilidade de
Depoitre participar, a que se soma esta incompreensível gestão de activos que empurra
Aboubakar para a equipa B e nem sequer dá uma hipótese ao igualmente jovem
Gonçalo,
sem ter alternativas válidas para a equipa principal.
O jogo desta noite até nos correu de feição. Muito mesmo. Duvido que tal se possa repetir na segunda mão se não formos nós a fazer muito mais por isso.
Aos 20 minutos de jogos poderíamos facilmente estar a perder por 2 ou 3. Entrada absolutamente frouxa, temerosa e desconfiada do Porto, contrastando com uma afirmação de carácter e de estatuto da AS Roma. Entre a ameaça madrugadora e o remate colocado (porque sem oposição) de Salah, a recarga salva por Telles depois da paragem cerebral de Casillas, qualquer uma poderia ter acabado nas nossas redes. Felizmente não foi assim, foi preciso Felipe mostrar aos romanos como se faz, perante o olhar atento da múmia espanhola.
Pouco mudou depois do golo (de nossa parte), quem reduziu o passo foi o adversário. O que lhe acabou por estragar um jogo até então perfeitamente controlado, perdendo Vermaelen com segundo amarelo, por falta clara sobre AS na entrada da área. A forma como esse livre foi marcado é mais um momento caricato, digno de malta que se encontra uma vez por mês para dar uns toques. Insuportável.
A segunda parte foi bem melhor, como seria expectável pela superioridade numérica. A Roma teve como lance mais perigoso o último lance do jogo, um livre também perigoso proporcionado pela generosa falta de classe de Marcano. Até aí, foram praticamente 45 minutos de sentido único, ainda que nem sempre com a intensidade necessária. Muitos cantos desaproveitados e uma grande oportunidade de AS, para lá do golo bem invalidado a Adrián e do penálti que nos deu o empate. Deveríamos ter conseguido a reviravolta, mas não conseguimos. E agora teremos que marcar em Roma e não perder.
 |
| Mininos e mininas, os... |
Notas DPcA:
Dia de jogo: 17/Ago/2016, 19h45, Estádio do Dragão. FC Porto - AS Roma (1-1).
Casillas (4): Num jogo decisivo, voltou a comprometer. Desta vez não resultou em golo, mas por pouco - largou uma bola "impossível" de bandeja para Dzeko. E depois, pormenores como a colocação imediata da bola em jogo quando estávamos a ser pressionados, não dando tempo nem calma aos companheiros, antes obrigando-os a correr de nova atrás da bola. É para isto que serve aquela experiência toda? José Sá deve ser considerado seriamente como candidato à baliza, a bem de todos (incluindo do próprio Iker).
Maxi (7): O bom velho Pereira regressou hoje. E reparem que disse o "bom velho", não o "bom novo". Porque Maxi hoje é "todo" raça e querer. A disponibilidade física e a velocidade de ponta moram no passado. Mas com esta entrega total, quase nem se nota. Fosse sempre assim.
Telles (7):
Recuperou bem da expulsão e apresentou-se de cabeça limpa. Fraquejou menos do que a média no início e esteve acima dela quando passámos a comandar o jogo. Razoável a defender e bem a atacar. Está no bom caminho.
Marcano (6): O lance mesmo à beirinha do final define-o, mais do que a sua exibição certinha até então. Sem pressão, faz um alívio estapafúrdio que devolve a bola ao adversário numa zona perigosa e que obriga um companheiro a cometer uma falta ainda mais perigosa. Já o escrevi muitas vezes e faço-o uma vez mais: não tem qualidade para jogar no Porto. Quem o mantiver que assuma a responsabilidade.
Felipe (5): Nova exibição de extremos, sendo dos piores na fase má da equipa e melhorando muito no momento em que precisávamos de matar "na fonte" as tentativas de contra-ataque romanas perante um Porto balanceado para o ataque. O autogolo só se explica por falta de confiança ou por medo de errar. Tem qualidade mas também tem defeitos assinaláveis, falta saber que uns se vão acabar por impor a que outros.
Danilo (6):
Entrada muito desastrada na partida, não só por "estar perdido" (pouca culpa própria) mas porque com bola custou-lhe acertar um passe. Tal como Felipe, foi importante mais adiante quando se impunha arrancar pela raiz qualquer assomo do adversário. Globalmente abaixo do que se exigia.
Herrera (5): Foi hoje, cansei-me. A indecisão acumulada ao longo de meses deu finalmente lugar a uma opinião clara e definitiva: este senhor atrapalha sempre mais do que ajuda. Não importa quantas coisas boas faça, porque acaba sempre por superá-las com coisas más, irritantes, displicentes e negligentes. Nunca porei em causa a sua boa postura, mas chega. Nápoles, Pachuca ou Casa Pia, o importante é que vá, sem olhar para trás. Para que possa dizer enquanto lhe aceno ao vê-lo desaparecer no horizonte "sem ressentimentos, Héctor!".
< 66' André André (6): Como a maioria dos companheiros, esteve francamente mal na primeira parte. Também ele perdido do jogo e das marcações aos adversários, sem convicção nas bolas disputadas e sem saber o que fazer com ela no pé. Subiu muito no regresso do balneário, fazendo uso das suas melhores qualidades: raça, pulmão e crença. Saiu no pico da sua exibição, só Nuno saberá porquê...
 |
| Ui, também "usas disso" coño? É bom saber! |
< 76' Adrián (6): Foi a surpresa dispensável de NES para um jogo decisivo e correspondeu bem. Também melhorou com o passar do tempo, sendo dos primeiros a tocar a rebate no assalto da segunda parte. Chegou a marcar e eu a festejar, mas não foi validado afinal (nem nisso tem sorte). Mas custou-me vê-lo ser substituído, o que só pode ser positivo.
< 85' Otávio (8): Muito bem, dos poucos que se manteve à tona durante toda a partida. Na maioria do tempo foi o único com capacidade para levantar a cabeça e descobrir companheiros em zonas mais privilegiadas para galgar terreno rumo à baliza adversária, mesmo que a espaços se tenha notado a falta de experiência (e de andamento) a este nível máximo de exigência - nada que não se resolva, naturalmente. Não sei porque saiu, mas NES saberá.
Melhor em Campo André Silva (8): Mais uma grande partida, num jogo muito difícil para qualquer avançado. Foi duplamente decisivo ao forçar Vermaelen a cometer a falta que lhe valeu o segundo amarelo e ao marcar de forma irrepreensível o penálti. E deu muito, muito trabalho a toda a defesa romana, contribuindo decisivamente para os assustar e os remeter "lá para atrás". Só faltou ter feito aquele golo...
> 66' Layún (5): Não tem culpa de ser "fruto" de uma substituição sem nexo, mas de certa forma pagou por isso ao não ter condições para ser o que a equipa precisava naquele momento. Entrou com vontade de ajudar, mas não era o homem certo no momento certo. Passou pelo jogo sem deixar grande marca.
> 76' Corona (5):
Pondo-me no lugar dele (e no meu), não entendo como não foi titular. Um dos melhores em Vila do Conde (e na pré-época) e zás, banco com ele no jogo mais importante. Rica gestão psicológica. Entrou tarde e certamente pressionado, não conseguindo trazer aquele fôlego adicional de que a equipa tanto precisava para o último quarto de hora.
> 85' Evandro (5): Uma substituição oca, vazia de conteúdo e significado. O máximo que produziu foi as lágrimas de Rúben, mas disso o brasileiro não tem nenhuma culpa. Tentou aumentar a pressão mas sem surtir efeito.
Nuno Espírito Santo (3): Há uma zona cinzenta sobre a qual um adepto normal como eu não pode opinar por simples falta de conhecimento dos factos. Não sei sobre que ombros assentam as responsabilidades de exilar Aboubakar e Brahimi, de não querer Gonçalo e de ressuscitar Adrián a três dias do final do estágio. São todas decisões difíceis de compreender, na sua origem ou no seu desfecho. E portanto vou optar por isentar delas o treinador, tal como da argolada Depoitre.
Mas não o posso absolver da decisão de mudar a forma de jogar de uma equipa que ainda se está a tentar construir. Mesmo quando as equipas já estão consolidadas, nos processos e nos intervenientes, custa-me vê-las mudar drasticamente em função dos adversários - mas pronto, admito-o. Numa fase ainda tão embrionária, em que os jogadores só sabem fazer em conjunto meia dúzia de coisas bem feitas, que lógica tem subverter tudo só porque o adversário joga de uma determinada forma? Vamos para o jogo para o jogar ou para impedir que os outros joguem? Mais um Lorpa? Por favor não!
E depois, não soube tirar partido do que o jogo lhe foi dando de mão beijada. As substituições foram francamente más, mesmo considerando o reduzido leque de opções ("mete o pinheiro, carago!"). Herrera ficar em campo até final deve ser por decreto (só pode). Layún, para quê e porque não logo Corona (só entrar a 14 minutos do fim deve ter sido distracção)? Infelizmente, Nuno confirmou hoje um dos motivos porque nem constava na minha shortlist: falta de currículo relevante (e correspondente experiência). Afinal foi Spalletti quem acrescentou à sua equipa. E o Jardim.
Uma nota final para as lágrimas de Rúben Neves: obrigado menino portista! Azul e Branco é o coração. A biltragem bem pode voltar para as suas tocas putrefactas, que daqui não levam nada.
 |
| Um vislumbre de Champions - que não seja o último desta temporada... |
Outros intervenientes:
A AS Roma confirmou em campo, enquanto 11 para 11, o porquê do seu ligeiro favoritismo na eliminatória. Um plantel globalmente superior e um onze melhor trabalhado, com bons executantes espalhados por todo o campo. Gostei de ver Salah, Nainggolan, Florenzi e sobretudo o senhor De Rossi. Só faltou o maestro, mas não houve espaço para recital. Mas mostrou também porque é apenas uma boa equipa e não uma das maiores da Europa. Tem lacunas visíveis, pontos fracos exploráveis. Por bons adversários, obviamente. Que hoje não soubemos ser, nem mesmo com mais um homem.
Falar do árbitro holandês Bjorn Kuipers enquanto responsável pelo nosso insucesso é ridículo. É verdade que não viu um penálti mesmo a acabar a primeira parte e que deveria ter expulsado Vermaelen com vermelho directo, para lá de um estilo muito, muito irritante. Mas, analisando pelo outro lado, expulsou Vermaelen aos 41', "dando-nos" 49' de superioridade numérica. E marcou um penálti a nosso favor, como era sua obrigação. O golo foi bem invalidado, ainda que por um dos auxiliares - e é para isso que lá estão.
Estou naturalmente apreensivo quanto ao desfecho do playoff, mas é obviamente possível e nem sequer requer um pequeno milagre. Se tivermos outra atitude desde o início (e até ao fim), alicerçada numa melhor estratégia, é perfeitamente possível. E se por acaso cairmos, que seja de pé. Outro Dortmund é que não! Tem a palavra Nuno Espírito Santo.
Do Porto com Amor