Do Porto com Amor: Outubro 2016

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Um Conto de Dois Pinheiros


Já está. Falhámos onde e quando não podíamos. De quem é a culpa? Dos dois pinheiros, evidentemente - e esta é a sua história.

O primeiro pinheiro é belga e chama-se Depoitre. A contratação cirúrgica de Pinto da Costa ao seu bom amigo D'Onófrio para atacar o play-off da Champions e que afinal não podia jogar mas era um trunfo importante para o restante da época. Era, mas já (ou ainda) não é.


Laurent, dá cá um abraço...

Empatado a zero a 16 minutos do final de um jogo onde apenas a vitória era admissível, o nosso flip-treinador achou por bem estourar as duas últimas substituições de uma vez só, dando-se ao luxo de não recorrer a um avançado centro de um metro e noventa e um de altura como último recurso para desbloquear um jogo perfeitamente encravado. É de génio, só pode, porque um idiota simplório como eu é incapaz de compreender a ciência por detrás desse golpe de asa - ainda mais quando um dos que entrou foi Rúben Neves, um médio de pouco pendor ofensivo (nada contra o jogador, obviamente, que mais uma vez foi também ele vítima de más decisões técnicas).

Fica bom de ver que a culpa não é do belga, mas sim de quem o contratou e/ou o aceitou mas não lhe encontra qualidade para justificar a sua utilização, nem mesmo em desespero de causa - ou então era só eu que já estava desesperado a 16 minutos do fim. Haverá quem pense que a diferença entre Brugge e Setúbal foi um árbitro neutro. Se calhar foi, mas não podemos deixar a resolução de um jogo para os descontos e ainda menos para a visão/disposição/inclinação de um árbitro nesse preciso momento e acreditar que vai "cair" sempre para o nosso lado. Evidentemente não vai.


A triste figura de ir reclamar quando já nada há a fazer. Somos (este) Porto?

O segundo Pinheiro é João, é lampião e é internacional. Deve ser genético na arbitragem: se é João, é lampião e não faz a coisa por menos do que embalar o seu clube no bafiento e vigarista #colinho. Já não bastava nos jogos do Benfica, agora atacam em força e sem pudor nos jogos dos adversários também. Muito se deve estar a rir o Pereira no Brasil, sabendo-se fora do alcance de uma eventual acusação, ao assistir aos bons frutos que o seu trabalhinho continua a dar. 

Desta vez nem preciso de me esforçar, porque o Dragões Diário enunciou tudo o que fazia falta: 

"O senhor João Pinheiro, um desses internacionais proveta, conseguiu a proeza de transformar um derrube a Otávio na área do Setúbal em cartão amarelo ao nosso jogador. Isto já não é só sorte ou azar, porque tal como em Alvalade, jogo também arbitrado por um desses - segundo o douto Conselho de Arbitragem - árbitros promissores, o FC Porto voltou a ser claramente prejudicado. Agora só falta mesmo pôr Fábio Veríssimo no clássico da próxima semana.

A mudança que se anunciou com o novo Conselho de Arbitragem, que garantia que as competições se voltavam a decidir exclusivamente pelo valor das equipas, está a resultar em mais do mesmo, com estes juízes que foram internacionais antes de serem árbitros a terem um peso inaceitável na classificação.

Se o pecado de João Pinheiro tivesse sido a grande penalidade não assinalada ainda se podia achar que tinha sido um caso sem exemplo, mas quem viu o jogo sabe bem a tendência do sr. árbitro, tanto a marcar faltas a todo o contacto dos jogadores do FC Porto e a aplicar um "critério largo" quando era o contacto era provocado pelo adversário. E depois temos os descontos, um assunto que por si só merecia um estudo, que neste jogo ficaram muito longe do tempo efectivamente perdido, tanto na primeira como na segunda parte
". 

Bem, nem tudo. Faltou rematar a exposição com a pergunta do milhão de vouchers: como é possível que o outrora muito perseguido por acusações bem menos fundadas presidente Pinto da Costa profira (sem se rir) declarações a desvalorizar a denúncia (com provas inequívocas) de situações ilegítimas perpetradas pelo Benfica? O que mais será preciso para o presidente se dispor a defender o clube como é sua obrigação? Ou será já pedir demasiado?


Antes do jogo, na unidade hoteleira

Ah esperem, possivelmente já delegou na descendência esse papel. 

É que apesar de não terem nenhum cargo no Clube, filho e neto pródigos vivem colados à equipa mesmo em dias de jogo. Como é que, numa estrutura blindada e altamente profissionalizada, passou a ser permitido a indivíduos sem nenhuma função no departamento de futebol ficarem com a equipa e com ela seguirem na mesma escolta policial? Não faltará quem ache que é apenas um pormenor sem interesse, mas eu afirmo precisamente o oposto: é um sinal inequívoco de que o fim deste percurso já deveria ter acontecido. E de que alguém tem a ilusão de que o Porto é uma monarquia.

Para compor o ramalhete desta curta-metragem de horror, só falta mesmo dizer que fui obrigado a ver o jogo de pé e encostado a uma grade porque os "verdadeiros dragões" entendem que a melhor maneira de apoiar é agitar bandeiras de 5 metros e impedir toda a bancada de ver o jogo. Mérito também para o clube, que teve a genialidade (é só génios nos dias que correm) de apenas disponibilizar um tipo de bilhete. Se o objectivo é ter apenas claques a apoiar o Porto nos jogos fora, mais valia assumir - é que assim eu também poderia fazer-lhes com propriedade um manguito do tamanho do Dragão e passar a comprar os bilhetes fora.


Queres ver o jogo? Isso é para pipoqueiros!


Notas DPcA 

Dia de jogo: 29/10/2016, 18h15, Estádio do Bonfim, Vitória FC - FC Porto (0-0). 


Casillas (6): Jogo sem trabalho e um golo sem hipótese mas felizmente em offside.

Layún (5): Fraco rendimento ao longo de quase todo o jogo, com enorme destaque para o péssimo aproveitamento dos muitos lances de bola parada que executou. Não haverá mais quem "bata" quando o mexicano está em dia não?

Alex Telles (6): Mais acutilante que Layún mas nada de extraordinário. Cumpriu os mínimos.

Felipe (6): Quase sempre autoritário e assertivo nas suas intervenções, com uma e outra excepção. Mal como os demais na altura de atacar a baliza.

Marcano (6): Ipsis verbis

Danilo (7): Senhor e comandante de todo o seu domínio territorial, ganhou bola atrás de bola, tanto na antecipação como "na raça". Grande jogo, dando seguimento à enorme exibição contra o Arouca. Que se mantenha assim, porque bem vamos precisar dele. 

< 62' Herrera (3): Ora fornique-se, esgotei o latim.

< 74' Óliver (5): Jogo de muita entrega e alguma clarividência mas que fica decisivamente marcado por aquele desperdício do tamanho de um roubo a favor do Benfica. Tinha que ter marcado. Tinha mesmo.

Otávio (6): A lesão ainda subsiste ou pelo menos as suas sequelas. Está com pouco ritmo e ainda menor inspiração. Deveria ter sido um dos primeiros a ser substituído. Foi tocado em falta pelo defesa no lance capital, mas para nosso azar caiu para lado errado.


Ainda sem bandeiras, um privilégio fugaz...


André Silva (6): Muito trabalho como habitualmente, mas muito menos em jogo. Pareceu até algo distante em certos momentos e nunca dispôs de uma grande ocasião para marcar (nem a conseguiu criar).

< 74' Diogo Jota (5): Jogo globalmente fraco, em grande medida pela gritante falta de aproveitamento. Dispôs de duas oportunidades flagrantes para marcar (uma delas de arrancar cabelos a um careca). Desta vez, nem parceria com AS, nem resolveu por si. Uma sombra.

> 62' Corona (5): Também não foi o Corona que tem sido e de que a equipa precisava. Deixou-se envolver por hordas de adversários até finalmente capitular a posse da bola e também por isso o um-para-um quase não existiu.

> 74' Brahimi (5): Foi o Yacine do costume, convencido de que sozinho poderia resolver o jogo. Infelizmente, "obras-de-arte" são só de longe a longe e assim teve de manter as provocações aos seus adeptos dentro dos calções. Mais uma vez.

> 74' Rúben Neves (5): Até poderia ter sido opção, mas nunca a última e nunca após as que o precederam. Foi quase o mesmo que dizer ao Setúbal que o empate estava bem. Mas disso ele não tem culpa, certo?

Nuno Espírito Santo (1): Já cansa. E já me enerva só de o ouvir com aquelas frases ocas e banais. "Não fomos Porto", "não conseguimos ser a equipa que queríamos", "sabemos que temos que corrigir".. Ó Nuno, ninguém te foi buscar para falar e muito menos para te especializares a reconhecer falhanços. É evidente que não tens ainda qualidade para justificar a aposta que fizeram em ti, mas a pergunta relevante é se tens capacidade para pelo menos "comprar tempo" para sobreviveres até que a qualidade (eventualmente) veja a luz do dia. O desnorte no banco é evidente e a sensação de não ter previstas soluções para as várias cambiantes do jogo é cada vez mais forte. Se não ganhámos em Setúbal, em boa medida foi por sua culpa. Tivemos oportunidades flagrantes, enfrentámos um árbitro do #colinho mas mesmo assim NES tinha que ter feito mais, mais cedo e melhor. Já não há tempo para rodeios, foi uma falha estrondosa que nos poderá custar o campeonato se não vencermos o clássico.

Os outros intervenientes deixaram tanto, mas tanto a desejar que me recuso a dar-lhes (mais) tempo de antena.

O título desta crónica resulta de uma adaptação da obra de Charles Dickens, mas na verdade teria sido muito mais apropriado ter recorrido a Stephen King. No final se farão as contas, mas era capaz de apostar bom dinheiro que este foi um dos momentos decisivos deste campeonato - e não em nosso benefício. A noite de ontem no Bonfim foi mesmo de verdadeiro terror, com os cumprimentos de NES e do lampião do apito.


Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor



sábado, 29 de outubro de 2016

Onde Está a Bola? #28 e #29 (e vencedor #27)


Segunda sessão dupla do Onde Está a Bola? para oferecer bilhetes duplos para os jogos contra o Club Brugge KV e o SL Benfica, que se realizam, respectivamente, às 19h45 de dia 2 de Novembro e às 18h00 de dia 6.

Assim sendo, o estimado leitor terá duas imagens para analisar e concorrer. A primeira correspondente à edição #28 (Brugge) e a segunda à #29 (Benfica). Fácil, barato e dá bilhetes a dobrar!


Onde Está a Bola? #28


Onde Está a Bola? #29

Para se habilitar a ganhar os bilhetes, o estimado leitor apenas terá que observar com atenção as imagens acima e decifrar, em cada uma delas, onde está escondida a verdadeira bola das imagens originais (ou se não está lá de todo).


Respostas possíveis #28 (Brugge):

A - Bola Azul e Branca
B - Bola Laranja
C - Bola Amarela
D - Bola Preta
E - Não há nenhuma bola escondida


Respostas possíveis #29 (Benfica):

A - Bola Azul
B - Bola Castanha
C - Bola Verde
D - Bola Púrpura
E - Não há nenhuma bola escondida


Já descobriu? Então deixe o seu palpite na caixa de comentários, tendo em atenção as seguintes regras de participação:

1 - Escrever a(s) resposta(s) que considera acertada(s) na caixa de comentários deste post, indicando igualmente um nome e um email válido para contacto em caso de vitória (atenção: comentários anónimos já não são permitidos no blogue).

Exemplo: "#28: C - Amarela; #29: B - Castanha"

2 - Entre os que acertarem, serão sorteados os vencedores através da app Lucky Raffle (iOS).

3 - Para ser elegível para receber os bilhetes, deverá fazer o obséquio de:

   a) Comprometer-se a enviar-me duas ou mais fotos da sua ida ao estádio (com pelo menos uma selfie) nas 48h seguintes ao jogo;

   b) Registar e confirmar o seu email (nas "Cartas de Amor", na lateral direita do blogue);

   c) Seguir o FB e o Twitter do DPcA (basta clicar nos links e "gostar" ou "seguir"). 
   Quem não tiver conta nesta(s) rede(s) não será excluído, mas... cuidado porque o Lápis irá investigar :-)

4 - Apenas será aceite uma participação (a primeira) por cada email válido. Pode concorrer em simultâneo a ambas as edições ou fazê-lo em separado.

5 - Cumpridos todos os critérios, o vencedor sorteado será contactado através de um email onde encontrará instruções sobre como e quando levantar os bilhetes.

6 - Se já tiver Dragon Seat ou outro tipo de acesso, poderá oferecê-los a um amigo ou familiar que não tenha a mesma sorte.

7 - A edição #28 deste passatempo termina às 15h00 de 1 de Novembro e o vencedor será anunciado até às 23h59 desse dia. A edição #29 termina às 23h00 de 4 de Novembro e o vencedor será anunciado até às 14h00 de dia 5.

8 - Se o vencedor não reclamar o prémio até à data e hora referidas no email que lhe será enviado, haverá novo sorteio entre todos os que tiverem acertado na resposta (e assim sucessivamente até se encontrar um vencedor que reclame o prémio).

E é só! Concorra e divulgue, queremos o Dragão sempre cheio!


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Na edição #27 a vencedora foi a Margarida Rocha, a feliz sorteada entre os que acertaram na resposta.
 



Compare agora a foto original com a imagem do passatempo e verifique que a resposta correcta era...

 

... A bola Laranja!

E assim chegámos à "secção" onde habitualmente apresento as fotografias tiradas pelo vencedor - um requisito obrigatório para ser elegível para os bilhetes. Infelizmente a vencedora não honrou o compromisso e nem sequer deu uma explicação, pelo que não há fotos para ninguém.

É nestas alturas que fico a pensar se vale mesmo a pena dar-me a todo este trabalho, desde a preparação de cada passatempo até à logística de entrega dos bilhetes, passando pela conferência das respostas e respectivo sorteio, para depois o vencedor não cumprir a única e simples tarefa que lhe é solicitada (e com a qual se compromete ao aceitar os bilhetes, repito).

Olhando para trás, constato de que se trata de uma (des)honrosa excepção, pelo que não seria justo penalizar todos os demais concorrentes que sempre cumpriram com o acordo. Além disso, o meu objectivo principal é o de ter o máximo de Portistas em cada jogo no Dragão.

Continuemos portanto "para bingo", mas com juizinho por favor...


Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor


 

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Orgulho e Responsabilidade


Orgulho. Azul, Branco, Indomável, Imortal.

É a única forma que encontro para expressar o que sinto por ter atingido este marco, histórico para mim. São 25 anos de sócio do Futebol Clube do Porto, mas mais (bastantes mais) de Portista - simplesmente as circunstâncias levaram a que não sentisse a "necessidade" de ser sócio antes da idade adulta.


My precious... já no devido lugar

Mas mais vale tarde do que nunca, certo? E no meu caso, o tarde já deu para receber esta belíssima Roseta de Prata que assinala o quarto de século de ligação ao clube. Espero que ainda dê para a Roseta de Ouro. Já a de Diamante, é provável que tenham de fazer o favor de a entregar no Além - ou numa câmara de sono criogénico a definir.


Mas com o orgulho vem também a responsabilidade.

Responsabilidade de assumir activamente este Portismo que me flui no sangue em prol do Clube.

Responsabilidade de não assobiar para o lado ou encolher os ombros quando o Clube não está bem.

Responsabilidade de o defender e proteger de tudo e de todos, de fora e de dentro do Clube.

Responsabilidade de contribuir para as soluções e de nunca acrescentar aos problemas - do Clube, não de quem o dirige a cada momento. Nada de confusões.

E por último, a responsabilidade - não, o prazer de apoiar as nossas equipas, sempre e em todo o lado.


A Roseta em nu integral :-)


Efemérides pessoais à parte, ontem foi noite de gala para o universo Portista, com a entrega dos Dragões de Ouro no Coliseu da Invicta cidade que nos deu o nome. Preferi ver hoje em fast-forward, concentrando-me nos momentos mais interessantes. 

Gostei de ouvir os nossos.

Em especial o atleta do ano Rui Vinhas, o dirigente Vítor Hugo, o funcionário Jorge Sousa, a recordação Luís César, o sócio Renato Barroso, o futebolista Danilo e a revelação André Silva.

E ri a bom rir com as "actuações" do Óscar Branco e da Joana Marques. Quem ainda não viu, que veja.


Mudando de assunto, termino endereçando os meus sinceros parabéns à Seleção Portuguesa de Futebol Feminino que conquistou há poucos minutos a primeira presença no EURO!


 
Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




domingo, 23 de outubro de 2016

As Aventuras do Duo Dinâmico


Faltavam cinco segundos para fim do jogo quando o Porto marcou o golo que valeu três pontos. Mesmo ali ao lado, no Mini-Dragão, os anfitriões derrotaram o Sporting em jogo do campeonato nacional de andebol. Bom prenúncio para o que se seguiria.

Pouco tempo volvido, teve que ser o reforço Campbell, no quinto minuto dos descontos, a evitar uma estrondosa derrota caseira dos de Alvalade contra o Tondela (quem puder, que atire a primeira pedra...). E agora sim, em futebol. Só ficava a faltar o Porto fazer a sua parte, logo a seguir, contra o Arouca.


Batman Silva e Diogo Robin em abraço fraterno


Fez e bem feito. 

Uma entrada em jogo como já não tinha memória, com agressividade e objectividade em busca do golo, que podia e deveria ter surgido ao minuto quinto como consequência natural da espectacular jogada individual de Corona, não fosse o seu excesso de pontaria. Só durou dez minutos, mas foi bom. A ver se no próximo conseguimos aumentar para quinze (ou manter a dezena, no mínimo).

Ah e jogámos sem aquele que está em melhor forma no plantel, o pequeno Otávio. Para o seu lugar entrou o endiabrado mexicano, um dos melhores em campo que nem a "agressividade" arouquesa conseguiu travar em definitivo. De resto, tudo normal no onze - até a relegação de Maxi para o banco tem de ser considerada normal, tendo em conta o bom desempenho dos seus companheiros de posição. Há que lutar, Maximiliano...

Após o assalto inicial, regressou em parte aquele marasmo que tanto nos incomoda. Deixámos de ter a bola controlada de frente para a baliza, as linhas afastaram-se e a falta de soluções começou a tomar conta do jogo. Do Arouca, nada.

Regressou alguma da ansiedade com o avançar do relógio. Os primeiros assobios (despropositados e contraproducentes) deram conta disso mesmo. E foi já nos últimos minutos da primeira parte que surgiu o golo, fruto de um erro defensivo e da perspicácia e concentração de Jota e de AS - uma parceria que promete dar cada vez mais alegrias aos Portistas e a NES. Pelo meio ficaram algumas tentativas menos esclarecidas e uma oportunidade flagrante de Óliver, bem parada pelo keeper adversário.

O regresso ao jogo foi também interessante, mesmo se menos intenso do que o arranque inicial. No entanto, rapidamente nos acomodámos ao jogo e o marasmo regressou. Foi preciso sacudir a equipa com as entradas de Brahimi e de Rúben para retomar o assalto rumo ao segundo golo, sempre essencial para garantir o mínimo de segurança. Foi de um passe do argelino para AS e de um corte da defesa arouquesa que a bola sobrou para Jota, de novo com muita calma e classe a assistir AS, que após uma brilhante finta de corpo ganhou espaço para cabecear (com grau de dificuldade elevado) para o fundo da baliza. Finalmente respirava-se sem ofegar no Dragão

Antes do final, tempo ainda para a entrada de Varela e para o grande golo de Brahimi. Grande golo... porque entrou - caso contrário, teria sido apenas mais uma das muitas tentativas sem critério do Yacine. Ao longo da jogada teve várias e boas oportunidades para passar a bola, mas preferiu guardá-la até ao remate vitorioso. Correu(-lhe) bem. 

Infelizmente, o pior veio logo a seguir. Demonstrando que pouco ou nada aprendeu com a "ostracização" a que foi sujeito, o argelino logo tratou de desafiar os adeptos no festejo do golo, como que dizendo "e então agora, já sou bom ou não?". Pois no que me diz respeito, não. Ou melhor, o talento é inquestionável, sempre esteve lá. Mas eu não quero apenas jogadores pelo talento, quero-os também pelo carácter. E o dele, não gosto do que vejo. Muito menos quando se atreve a desafiar os verdadeiros e únicos donos do clube que lhe paga. Eu sei o que lhe fazia, logo veremos o que fará Nuno.


Fim de festa no Dragão em perfeita comunhão


Notas DPcA 

Dia de jogo: 22/10/2016, 20h30, Estádio do Dragão, FC Porto - FC Arouca (3-0). 


Casillas (6): Espectador atento mas sem direito a lugar sentado. Não há direito!

Layún (6): Jogo regular, sem especial nota de destaque mas sempre com empenho total. E a malta gosta muito de empenho total. Muito. Não está fácil para Maxi.

Alex Telles (7): Uma das melhores exibições de hoje e de sempre no que (apenas) a ele diz respeito. Esteve bem na primeira parte e muito bem na segunda, com grande (enorme) acerto no desarme e a "desenvolver" pelo flanco fora. Não está nada fácil para Maxi... 

Felipe (6): Jogo seguro, mesmo se mais discreto e interventivo do que o do companheiro de sector. Cumpriu bem e isso é sempre bom.

Marcano (7): Fez um grande jogo em Brugge, como provavelmente nunca lhe tinha visto, e hoje deu sequência ao bom momento. Não deixa de ser Marcano, pelo que aquele passe disparatado está sempre à espreita. Mas sejamos justos, está bem e recomenda-se o Iván. E portanto aproveitemos, porque (aparentemente) não há melhor de momento.

Danilo (8): Grande exibição do Danilão, limpou o meio campo todo e não deu qualquer veleidade aos adversários. Ainda se deixa desposicionar com demasiada facilidade, mas isso hoje não teve qualquer importância dada a macieza ofensiva do Arouca. Muito bom jogo.

Herrera (5): Regressou o Héctor mais habitual, aquele que se apresenta em campo nove em cada dez jogos. Corre, luta, dá instruções mas quando lhe chega a bola ao pé (ou à cabeça) é que são elas... enfim, não foi dos seus piores (teve até um passe genial para Óliver), mas isto não é critério para nada. Há certamente no plantel quem possa fazer mais e melhor. Enfim.

< 65' Óliver (7): Não tive acesso às estatísticas, mas certamente que o pequeno Torres foi dos que mais metros percorreu neste jogo. Um verdadeiro mouro de trabalho (salvo seja) e por isso um exemplo perfeito de entrega e dedicação. Claro que neste contexto sobra pouco "tempo" para demonstrar por que tantos ansiavam pelo seu regresso. Mas tenham todos muita calma, que ele lá chegará. Muitas alegrias estão para chegar a partir dos seus pés.




< 65' Corona (8): Está de novo em grande momento de forma e NES só tem que o aproveitar. Foi o agitador-mor no primeiro assalto e quase fez um golo de antologia. Quem pagou o preço foram as suas pernas, o que lhe fez perder algum gás... temporariamente. Voltou à carga com coragem e continuou a apoquentar os defesas contrários até à (precavida) substituição. Muito bem, quero mais. 

Melhor em Campo André Silva (9): Plagiando-me (sort of): "Dois golos valem sempre "ouro", independentemente do que mais fizer em campo. E até fez muito, mais em quantidade do que e em qualidade mas fez. Sempre assim seria sempre bom. Sem "mas"."

< 80' Diogo Jota (8): Uma análise muito semelhante à de AS, com quem se entende cada vez melhor. Não foi tão omnipresente no nosso ataque como o companheiro, mas foi decisivo nas duas assistências com que o brindou. Podia também ter feito o seu golo com um pouco mais de pontaria. Cada vez mais um caso sério na equipa e (mais) uma dor de cabeça para quem terá de arranjar forma de pagar a cláusula...

> 65' Brahimi (7): Entrou bem "acordado", procurando desde logo semear o caos na defesa contrária. Como tantas vezes lhe acontece, são mais as vezes em que se perde a jogada do que as que têm sequência. Mas esteve em bom plano. E podia ter terminado em glória com aquele golaço, não fosse o seu mau carácter.

> 65' Rúben Neves (6): Um bom regresso à equipa, a pressionar bem alto e assim ajudar a equipa a ficar mais próxima do alvo. Sempre que o vejo jogar reacende-se aquela centelha de incompreensão pela utilização tão escassa e irregular, quando Herrera continua a ter exibições pouco melhores do que medíocres. Mistérios...

> 80' Varela (5): Nada de relevante ou acertado, serviu para lhe desentorpecer os músculos...

Nuno Espírito Santo (7): Uma das exibições mais consistentes do seu Porto, que deve ser devidamente valorizada. Não importa se o adversário está numa fase má, importou sim conseguir os três pontos sem margem de discussão. Depois do chumbo de Brugge, passou neste exame com facilidade (um B+, vá) e acrescentou-lhe uma conferência de imprensa sui generis (ver vídeo abaixo) Que sirva para consolidar as suas ideias e o jogo colectivo da equipa, aproveitando a semana inteirinha de treinos que têm pela frente. Vá lá Nuno, ainda não desisti de ti, apesar das dúvidas.





Outros Intervenientes: 

Fraquinho, este Arouca de Vidigal. Ou, para ser justo, bem organizado defensivamente mas sem dentes para atacar o adversário. É evidente que chouriços como o da época passada acontecem uma vez por século, mas mesmo assim esperava um pouco mais. Perdeu a crista o gaLito.

Nada a dizer de relevante sobre a arbitragem de Manuel Mota e ainda bem. Apenas fiquei com dúvidas se no lance do terceiro golo a bola não chegou a sair pela linha lateral. Em qualquer caso, em nada alteraria a distribuição final dos pontos em disputa.


Jogo bonzinho, vitória fundamental. Estamos a meio do tal ciclo de seis jogos e até agora os resultados são os melhores possíveis: três jogos, três vitórias. Segue-se uma semana de treino e a deslocação a Setúbal, onde "só" podemos vencer. Lá estarei, se tudo correr como espero.

Ah... e para terminar... que bem nos fica o azulebranco.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




sábado, 22 de outubro de 2016

Da Gafanha a Brugge em 80 Linhas


Pois é, foi uma semana complicada a vários níveis, o que me retirou a possibilidade de escrever sobre os jogos contra o GD Gafanha para a Taça e contra o Club Brugge KV na terceira jornada da Champions League.


Puooooooooooortooooooooooo!


Mas como não sou pessoa de deixar coisas por fazer, vamos a isso, em versão redux para não enjoar ninguém. Sim, porque nem servidos na hora os "petiscos" foram grande coisa, quanto mais requentados uns dias depois. É que não estamos a falar de tripas.


Dia de jogo: 15/10/2016, 20h15, Estádio Municipal de Aveiro, CD Gafanha - FC Porto (0-3)


Um jogo relativamente tranquilo se analisado globalmente, mas cujo adversário merece uma palavra de simpatia pela boa postura e futebol que conseguiu apresentar. São muitos níveis de diferença entre o Gafanha e o Porto, mas neste jogo parecerem ser menos.

Surpreendeu-me NES pela ausência de alterações no onze inicial. Sou defensor acérrimo de nunca mudar mais do que 3/4 jogadores seja qual for o adversário, mas esperava e via com bons olhos duas ou três mudanças, sobretudo para dar oportunidades a quem pouco ou nada jogou esta época. Nuno optou por incluir apenas Maxi e Boly como novidades face ao jogo anterior. Tudo bem, mas poderia ter mudado mais um médio e um avançado, por exemplo (não incluo José Sá - seja bem aparecido - nestas "contas" porque não se aplica a teoria).

Em contraste, fez uma tripla substituição ao minuto 65, quando o resultado era de apenas 1-0. E se algum jogador se lesionava? Ou era expulso? Não terá sido excesso de confiança quanto à capacidade do Gafanha fazer um golo? Corajoso, dirão uns. Imprudente, dirão outros. Eu alinho pelos outros.

Fiquei feliz com os golos de Corona e Depoitre (ufa!), só faltou o de Brahimi. E claro, o momento da noite foi a pequena masterpiece do pequeno Otávio. Golaço. Venha de lá o Chaves.


Golaço a caminho...


Notas DPcA

MeC (8): Otávio
Nota (7): Marcano, Telles, Óliver, Corona 
Nota (6): José Sá, Maxi, Boly, Danilo, Herrera, Jota, André Silva, Brahimi, Depoitre


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Dia de jogo: 18/10/2016, 19h45, Estádio Jan Breydel, Club Brugge KV - FC Porto (1-2)


Não sei a que santos o nosso Espírito Santo anda a rezar, mas é garantido que lhes anda a cobrar uns favores antigos...

Quando a miserável exibição em Tondela já quase não se vislumbrava no retrovisor, eis que voltámos as abordagens paupérrimas aos jogos, numa espécie de repetição de Leicester com as agravantes de se tratar de um jogo decisivo e de um adversário bem mais modesto. Tipo Tondela, em versão europeia.

Na Champions nunca nenhum jogo são favas contadas. Nunca. Só quando as equipas põem em campo o seu real valor (?) é que as eventuais diferenças qualitativas se fazem sentir. Nuno fala muito, com ponderação e tranquilidade, mas o que a sua equipa produz é incapaz de nos transmitir confiança.

A primeira parte foi uma absoluta miséria de exibição. Extrema dificuldade em encadear jogadas que terminassem em zonas de finalização, muito por culpa da boa opção táctica do saudoso Preud'Homme. Envolvida por um colete de forças no meio do terreno, a equipa revelou-se incapaz para se libertar dele durante quase uma hora de jogo. Demasiado pobre, para um treinador de Champions.


"Aquí se hace, aquí se paga!"
 

O Club Brugge fez um golo onde Layún facilitou (e assumiu) e o Porto não foi capaz de reagir convenientemente antes dos 60 minutos. Aliás, quem teve duas boas oportunidades para aumentar a vantagem foram os belgas... Finalmente, lá saiu o empecilho Herrera e a equipa passou a jogar com onze - parece que não, mas faz diferença. Saiu também o desaparecido em combate Jota e entraram Brahimi e Corona. Boas decisões, ainda que tardia no caso de Herrera.

O que se seguiu foi moderadamente empolgante a princípio, teve um pico de excitação no golo do empate, um coitus interruptus na terceira substituição e um clímax impróprio para cardíacos. Todos vimos, não vale a pena descrever. Destaco apenas a frieza de AS na conversão do penálti - parece fácil, mas não é.

Conseguimos o resultado de que precisávamos mesmo em cima do apito final. Sortes destas não vêm muitas vezes, espero que não a desperdicemos mais adiante. Vitórias assim valem mais do que três pontos, valem moral e confiança. Que nos sirva para alguma coisa...

Em jeito de conclusão, NES chumbou claramente neste teste. Chumbou pelo que a equipa não fez durante a primeira hora. Chumbou pela inacreditável substituição de Otávio por André André (satisfeito com o resultado?). Até nos comentários ao jogo chumbou: não sei se seria da excitação, mas deu a entender aquilo que a última substituição sugeriu: que o resultado não teria sido mau resultado. Teria sim, Nuno - teria sido muito, muito mau. E pior do que não conseguir é nem sequer tentar.


"Tem ali lugar, senhor..."


Notas DPcA
 
MeC (8): André Silva
Nota (7): Iker, Marcano, Otávio, Corona 
Nota (6): Layún, Telles, Felipe, Danilo, Óliver, Brahimi, André André
Nota (5): Herrera, Jota


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Segue-se o Arouca, já amanhã (hoje). Um daqueles jogos perigosíssimos, na ressaca da semana europeia, onde muita coisa pode correr mal se não houver concentração e um bom plano de jogo desde o primeiro até ao último apito do árbitro. Por favor, não se arrisquem a desperdiçar os ventos que nos correm de feição...

Lá estarei, como sempre. 


Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor



 

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Onde Está a Bola? #27 (e vencedor #26)


Mais uma jornada no Dragão, mais dois bilhetes para oferecer! O FC Arouca é o senhor que se segue e o primeiro para o campeonato deste importante ciclo de seis jogos. O jogo disputa-se no dia 22 de Outubro às 20h30.


Onde Está a Bola? #27


Para se habilitar a ganhar os bilhetes, o estimado leitor apenas terá que observar com atenção a imagem acima e decifrar onde está escondida a verdadeira bola da imagem original (ou se não está lá de todo).


Respostas possíveis:

A - Bola Azul
B - Bola Laranja
C - Bola Verde
D - Bola Branca
E - Não há nenhuma bola escondida


Antes de responder, tenha em atenção as seguintes regras de participação:

1 - Escrever a resposta que considera acertada na caixa de comentários deste post, indicando igualmente um nome e um email válido para contacto em caso de vitória (atenção: comentários anónimos já não são permitidos no blogue). 

2 - Entre os que acertarem, será sorteado o vencedor através da app Lucky Raffle (iOS).

3 - Para ser elegível para receber os bilhetes, deverá fazer o obséquio de:

   a) Comprometer-se a enviar-me duas ou mais fotos da sua ida ao estádio (com pelo menos uma selfie) nas 48h seguintes ao jogo;

   b) Registar e confirmar o seu email (nas "Cartas de Amor", na lateral direita do blogue);

   c) Seguir o FB e o Twitter do DPcA (basta clicar nos links e "gostar" ou "seguir"). 
   Quem não tiver conta nesta(s) rede(s) não será excluído, mas... cuidado porque o Lápis irá investigar :-)

4 - Apenas será aceite uma participação (a primeira) por cada email válido.

5 - Cumpridos todos os critérios, o vencedor sorteado será contactado através de um email onde encontrará instruções sobre como e quando levantar os bilhetes.

6 - Se já tiver Dragon Seat ou outro tipo de acesso, poderá oferecê-los a um amigo ou familiar que não tenha a mesma sorte.

7 - A edição #27 deste passatempo termina às 23h00 de 20 de Outubro e o vencedor será anunciado até às 14h00 de dia 21.

8 - Se o vencedor não reclamar o prémio até à data e hora referidas no email que lhe será enviado, haverá novo sorteio entre todos os que tiverem acertado na resposta (e assim sucessivamente até se encontrar um vencedor que reclame o prémio).

E é só! Concorra e divulgue, queremos o Dragão sempre cheio!


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Na edição anterior do Onde Está a Bola? (#26) voltou a ser uma senhora a vencer o passatempo, demonstrando que aqui (como em todo o lado...) quem manda são elas. De momento, está 3-2 para elas... senhores concorrentes, vocês são uma vergonha para o género :-)



Brincadeiras à parte, quem acertou na resposta correcta (bola púrpura) e levou os bilhetes foi a Maria Tavares, que assim pode assistir a uma boa vitória do Porto no derby da Invicta.





Parabéns à Maria e agradecido pelas imagens, um verdadeiro testemunho para a posteridade!






Do Porto com Amor



sábado, 15 de outubro de 2016

Nada Perdido, Tudo para Ganhar!


O início de época acidentado parecia sugerir que o comboio azulebranco iria descarrilar cedo, ainda mal saído da estação de partida. No entanto, percalços alheios e uma vitória robusta na Choupana voltaram a reequilibrar a locomotiva Portista, do novo embalada para alcançar todos os destinos gloriosos traçados no percurso desta época. Teremos maquinista para a conduzir sem perder gás em mais nenhum apeadeiro?


Bruno Sousa
 

A derrota em Alvalade deixou cicatrizes. Não por termos sido derrotados de forma convincente, entenda-se, mas antes porque não evidenciamos aquela pujança extra essencial para vencer adversário e arbitragem em simultâneo. Mas, lá está, como a derrota não convenceu ninguém excepto o treinador do jovem Fontelas Gomes, ficou no ar a ideia de que com mais jogos e trabalho chegaríamos ao patamar pretendido - o do topo.

O pior veio depois, com os dois empates consecutivos, fruto de exibições sombrias e errantes. Primeiro em casa contra os dinamarqueses do FC Kobenhavn e logo de enfiada em Tondela, contra o então lanterna vermelha. Foram penalizadores os resultados para as nossas ambições nas duas provas, mas mais ainda os desempenhos de jogadores e especialmente do treinador, dando mostras de não saber (ainda?) o que fazer com o imenso potencial que tinha à disposição. Alguns já temiam e anunciavam o pior, outra época penosa e "a seco", acompanhada de maus resultados financeiros. Not just yet.

A derrota em Leicester foi "normal". Sim, Leicester fica em Inglaterra, onde ainda não vencemos. Jogámos pouco de início, melhoramos já perto do final e acabámos por não ter a sorte necessária para pelo menos empatar. Mas, tal como havia antecipado, uma derrota nesse jogo em pouco ou nada alteraria as nossas possibilidades de apuramento para os oitavos. O Grupo G é realmente acessível e não me passa pela cabeça ficar pelo caminho - simplesmente o primeiro lugar deixou de depender apenas de nós.

Ainda na ressaca, fomos então à Madeira lidar com o Nacional e fantasmas recentes. E saímos de lá de barriguinha cheia, reconfortados com a certeza de termos ganho mais um argumento de peso para as batalhas que se avizinham - Diogo J.

Seguiu-se esta frustrante interrupção onde ainda nos encontrámos, ainda que apenas por mais algumas horas. Una lástima, diriam os nossos hispânicos.

Com os trambolhões do Sporting e o empate madrugador do Benfica, acabámos por não ficar em má situação no campeonato. Na Champions, deverá "bastar" vencer os dois jogos com o Club Brugge KV e na Dinamarca para seguir em frente (só não será assim se o Leicester se portar mal no duplo confronto com os nórdicos). Na Taça, temos o GD Gafanha. Céu pouco nublado a limpo, portanto. Nada perdido, tudo para ganhar.


 

Torna-se por isso essencial que NES e os jogadores tenham consciência da importância capital deste próximo ciclo de seis jogos até nova pausa para Seleções e afins. E que por sorte (nossa, digo eu) termina com o sempre muito ansiado FC Porto - SL Benfica. 

A fórmula? É simples: vencer todos os jogos até ao clássico e depois esmagar os lampiões sem dó nem piedade com um seis-a-zero (cinco já sabe a pouco e a déjà vu).

Vamos a isso, malta fixe (e que aprecia os dentes que tem)? Começando já hoje, no Municipal de Aveiro, contra os bravos da Gafanha da Nazaré.


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Agora Hélton. Tinha tudo a seu favor para sair em grande e credor de todo o carinho, simpatia e gratidão de (quase) todos os Portistas, mas não resistiu e serviu uma pequena vingança neste vídeo de despedida, referindo-se no seu agradecimento reiteradamente a todos os adeptos sem destacar os que deram sentido e projecção à sua boa carreira. Ficou-te mal, rapaz (mesmo não sabendo o que te terão feito entretanto...).


Bruno Sousa


Não será este momento menos bom que me fará mudar de opinião. Hélton era a única referência do balneário, o único que sabia o que é ganhar títulos com regularidade (Varela também, mas é diferente). Tudo tem um fim, mas convinha ter preparado a sua "rendição" neste aspecto tão importante.

Além disto, apenas ele e Quaresma se atreveram a levantar a voz quando a máquina de terraplanagem basca se lançou a todo o gás Dragão adentro. Só isso já lhe(s) daria crédito para 100 vídeos deste calibre. 

Acresce que Hélton foi mais, foi um bom guarda-redes, (é) uma excelente pessoa e fartou-se de ver (e contribuir para) a lampionagem enfardar que nem burros famintos. 

MERECIA TER SIDO TRATADO COM MAIS RESPEITO PELO CLUBE. Obrigado e até sempre, as tuas fintas viverão para sempre na minha memória (naquela zona ali ao cantinho, o da tragicomédia). 

Ponto final parágrafo.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Em que Dia Chega a Troika?


É oficial: o FC Porto falhou de forma estrondosa o cumprimento do Fair-Play Financeiro (FFP) imposto pela UEFA. E agora?


Estes croissants são uma maravilha!


Prejuízo consolidado de 58,41 milhões de euros no exercício de 2015/16, o pior de sempre - em perfeita sintonia com a época desportiva. Absolutamente miserável. 

Somando este resultado ao lucro de €19,35M de 14/15 e ao prejuízo de €40,7M de 13/14, obtemos um resultado negativo desse triénio (o que conta para a avaliação do FFP) de -€79,76M, mais do dobro do limite máximo permitido pela UEFA de €30M. Em rigor, excedemos esse limite em 165,9%. Notável(mente horrível).

Os proveitos operacionais diminuíram em 19% e os custos equivalentes aumentaram 13%. Uma gestão a todos os títulos (ou melhor, sem nenhum) brilhante. Os culpados? A opção estratégica de não enfraquecer o plantel e los bandidos Lopetegui e Peseiro. Nada a apontar ao senhor administrador responsável pela área financeira, o muy qualificado Dr. Fernando Gomes.

Curiosa foi a explicação quanto à aposta no ano zero, que segundo FG se deveu à recusa de um encaixe de €95M (!) que resultaria das vendas de Herrera, André Silva e Danilo. Não me custa acreditar que tivessem propostas pelos três, mas que totalizassem este valor... E já agora, esqueceu-se dos €40M por Brahimi? É que assim eram €135M... 

Quanto à aquisição de jogadores, manteve-se a pouca vergonha dos "encargos relacionados". Ao valor pago pelos passes (€63,25M) somou-se €15,16M em comissões, o que representa 24% do valor dos passes! Quando for grande, quero ser comissionista no Dragão... E já agora, quem é o Inácio que nos custou €3M por 50% do passe? Ah, está na equipa B, é "uma aposta de futuro". Esperemos que haja futuro.

Mais adiante, já nos descontos (anexos), podemos constatar o "colossal" aumento do pessoal de 329 para 413 colaboradores, com grande destaque para o crescimento dos "administrativos". Sem surpresa, os custos com pessoal relativos a "remunerações do pessoal" dispararam. Pela "incorporação do Porto Canal no perímetro da SAD", dizem eles.

E finalmente, a pièce de résistance, acharam por bem dar nota das "transações com membros íntimos da família do pessoal-chave da gerência (administradores)" (dito assim, ainda soa pior), esclarecendo os negócios do filho pródigo Xaninho da Costa com o clube. Quão imprescindível terá sido a sua ajuda nas vendas de Rolando e Quaresma? Pronto, então assim já ninguém se lembrará por certo de accionar o artigo 45º dos estatutos do clube. Que alívio...


-"Então e os croissants, presidente?"; -"Uma maravilha, parabéns Fernando!"


Apesar do cenário globalmente dantesco, nem tudo foi mau

A "prestação" a nível comercial foi muito positiva, destacando-se o crescimento do merchandising, direitos de transmissão e publicidade e sponsorização, entre outros, no contexto adverso dos maus resultados desportivos acumulados. Aliás, se excluirmos as receitas de participação nas provas uefeiras, constatamos que houve um crescimento de 12% dos proveitos operacionais face ao exercício anterior.  

E há uma pequena atenuante, o facto de não ter sido incluído o prémio de acesso à Champions, algo que normalmente acontecia quando de antemão havia a certeza desportiva da presença (mas também isto vai mudar, conforme se pode ler no documento). 

Saúda-se o anúncio de correcção da trajectória, apontando à obrigatória desalavancagem e diminuição da exposição dos resultados às mais-valias das vendas de jogadores, mas não passam ainda de palavras. É fundamental que passem aos actos, obrigados ou de livre vontade.

Mas estas "boas notícias" são apenas gotas de água (uns litros, vá) no imenso oceano de incompetência que são estes resultados consolidados. E nem vou entrar na análise da situação patrimonial, porque então aí o susto é ainda maior. Se quiserem pistas, procurem por "empréstimos obrigacionistas" e "adiantamento da Altice".

Já de seguida, certamente poderão contar com a análise mais detalhada no Tribunal do Dragão, onde aliás fui pescar os números do triénio. Entretanto, quem quiser ler os documentos na íntegra, pode fazê-lo aqui.


"Tenham calma que já vêm a caminho mais croissants..."


E agora, venha de lá a troika Uefeira, dizer o que podemos e o que não podemos fazer. Ainda que à força, finalmente externalizaremos parte da nossa gestão. Fico triste, mas não mais preocupado. É que ao contrário da Troika original, aqui a UEFA está apenas a zelar pelo seu negócio como um todo e não tem como lucrar directamente com a "intervenção" nos clubes. Aqui, apesar dos possíveis constrangimentos financeiros e do impacto que estes terão na gestão da equipa, as coisas só podem mesmo melhorar. A bem ou a mal, se acabarmos suspensos. Creio que por enquanto esse cenário não se coloca. Até quando, já veremos.

Termino "agradecendo", uma vez mais, a todos os meus consócios que se demitiram da sua obrigação de votar nas últimas eleições, legitimando assim, com a sua inércia, nova reeleição desta lista após o péssimo trabalho realizado no anterior mandato. E um gesto de "carinho" especial para aqueles que sonham em liderar o clube mas não tiveram a coragem de se apresentarem quando mais eram necessários. Nunca os esquecerei, obviamente.


Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor