Do Porto com Amor: As Aventuras do Duo Dinâmico

domingo, 23 de outubro de 2016

As Aventuras do Duo Dinâmico


Faltavam cinco segundos para fim do jogo quando o Porto marcou o golo que valeu três pontos. Mesmo ali ao lado, no Mini-Dragão, os anfitriões derrotaram o Sporting em jogo do campeonato nacional de andebol. Bom prenúncio para o que se seguiria.

Pouco tempo volvido, teve que ser o reforço Campbell, no quinto minuto dos descontos, a evitar uma estrondosa derrota caseira dos de Alvalade contra o Tondela (quem puder, que atire a primeira pedra...). E agora sim, em futebol. Só ficava a faltar o Porto fazer a sua parte, logo a seguir, contra o Arouca.


Batman Silva e Diogo Robin em abraço fraterno


Fez e bem feito. 

Uma entrada em jogo como já não tinha memória, com agressividade e objectividade em busca do golo, que podia e deveria ter surgido ao minuto quinto como consequência natural da espectacular jogada individual de Corona, não fosse o seu excesso de pontaria. Só durou dez minutos, mas foi bom. A ver se no próximo conseguimos aumentar para quinze (ou manter a dezena, no mínimo).

Ah e jogámos sem aquele que está em melhor forma no plantel, o pequeno Otávio. Para o seu lugar entrou o endiabrado mexicano, um dos melhores em campo que nem a "agressividade" arouquesa conseguiu travar em definitivo. De resto, tudo normal no onze - até a relegação de Maxi para o banco tem de ser considerada normal, tendo em conta o bom desempenho dos seus companheiros de posição. Há que lutar, Maximiliano...

Após o assalto inicial, regressou em parte aquele marasmo que tanto nos incomoda. Deixámos de ter a bola controlada de frente para a baliza, as linhas afastaram-se e a falta de soluções começou a tomar conta do jogo. Do Arouca, nada.

Regressou alguma da ansiedade com o avançar do relógio. Os primeiros assobios (despropositados e contraproducentes) deram conta disso mesmo. E foi já nos últimos minutos da primeira parte que surgiu o golo, fruto de um erro defensivo e da perspicácia e concentração de Jota e de AS - uma parceria que promete dar cada vez mais alegrias aos Portistas e a NES. Pelo meio ficaram algumas tentativas menos esclarecidas e uma oportunidade flagrante de Óliver, bem parada pelo keeper adversário.

O regresso ao jogo foi também interessante, mesmo se menos intenso do que o arranque inicial. No entanto, rapidamente nos acomodámos ao jogo e o marasmo regressou. Foi preciso sacudir a equipa com as entradas de Brahimi e de Rúben para retomar o assalto rumo ao segundo golo, sempre essencial para garantir o mínimo de segurança. Foi de um passe do argelino para AS e de um corte da defesa arouquesa que a bola sobrou para Jota, de novo com muita calma e classe a assistir AS, que após uma brilhante finta de corpo ganhou espaço para cabecear (com grau de dificuldade elevado) para o fundo da baliza. Finalmente respirava-se sem ofegar no Dragão

Antes do final, tempo ainda para a entrada de Varela e para o grande golo de Brahimi. Grande golo... porque entrou - caso contrário, teria sido apenas mais uma das muitas tentativas sem critério do Yacine. Ao longo da jogada teve várias e boas oportunidades para passar a bola, mas preferiu guardá-la até ao remate vitorioso. Correu(-lhe) bem. 

Infelizmente, o pior veio logo a seguir. Demonstrando que pouco ou nada aprendeu com a "ostracização" a que foi sujeito, o argelino logo tratou de desafiar os adeptos no festejo do golo, como que dizendo "e então agora, já sou bom ou não?". Pois no que me diz respeito, não. Ou melhor, o talento é inquestionável, sempre esteve lá. Mas eu não quero apenas jogadores pelo talento, quero-os também pelo carácter. E o dele, não gosto do que vejo. Muito menos quando se atreve a desafiar os verdadeiros e únicos donos do clube que lhe paga. Eu sei o que lhe fazia, logo veremos o que fará Nuno.


Fim de festa no Dragão em perfeita comunhão


Notas DPcA 

Dia de jogo: 22/10/2016, 20h30, Estádio do Dragão, FC Porto - FC Arouca (3-0). 


Casillas (6): Espectador atento mas sem direito a lugar sentado. Não há direito!

Layún (6): Jogo regular, sem especial nota de destaque mas sempre com empenho total. E a malta gosta muito de empenho total. Muito. Não está fácil para Maxi.

Alex Telles (7): Uma das melhores exibições de hoje e de sempre no que (apenas) a ele diz respeito. Esteve bem na primeira parte e muito bem na segunda, com grande (enorme) acerto no desarme e a "desenvolver" pelo flanco fora. Não está nada fácil para Maxi... 

Felipe (6): Jogo seguro, mesmo se mais discreto e interventivo do que o do companheiro de sector. Cumpriu bem e isso é sempre bom.

Marcano (7): Fez um grande jogo em Brugge, como provavelmente nunca lhe tinha visto, e hoje deu sequência ao bom momento. Não deixa de ser Marcano, pelo que aquele passe disparatado está sempre à espreita. Mas sejamos justos, está bem e recomenda-se o Iván. E portanto aproveitemos, porque (aparentemente) não há melhor de momento.

Danilo (8): Grande exibição do Danilão, limpou o meio campo todo e não deu qualquer veleidade aos adversários. Ainda se deixa desposicionar com demasiada facilidade, mas isso hoje não teve qualquer importância dada a macieza ofensiva do Arouca. Muito bom jogo.

Herrera (5): Regressou o Héctor mais habitual, aquele que se apresenta em campo nove em cada dez jogos. Corre, luta, dá instruções mas quando lhe chega a bola ao pé (ou à cabeça) é que são elas... enfim, não foi dos seus piores (teve até um passe genial para Óliver), mas isto não é critério para nada. Há certamente no plantel quem possa fazer mais e melhor. Enfim.

< 65' Óliver (7): Não tive acesso às estatísticas, mas certamente que o pequeno Torres foi dos que mais metros percorreu neste jogo. Um verdadeiro mouro de trabalho (salvo seja) e por isso um exemplo perfeito de entrega e dedicação. Claro que neste contexto sobra pouco "tempo" para demonstrar por que tantos ansiavam pelo seu regresso. Mas tenham todos muita calma, que ele lá chegará. Muitas alegrias estão para chegar a partir dos seus pés.




< 65' Corona (8): Está de novo em grande momento de forma e NES só tem que o aproveitar. Foi o agitador-mor no primeiro assalto e quase fez um golo de antologia. Quem pagou o preço foram as suas pernas, o que lhe fez perder algum gás... temporariamente. Voltou à carga com coragem e continuou a apoquentar os defesas contrários até à (precavida) substituição. Muito bem, quero mais. 

Melhor em Campo André Silva (9): Plagiando-me (sort of): "Dois golos valem sempre "ouro", independentemente do que mais fizer em campo. E até fez muito, mais em quantidade do que e em qualidade mas fez. Sempre assim seria sempre bom. Sem "mas"."

< 80' Diogo Jota (8): Uma análise muito semelhante à de AS, com quem se entende cada vez melhor. Não foi tão omnipresente no nosso ataque como o companheiro, mas foi decisivo nas duas assistências com que o brindou. Podia também ter feito o seu golo com um pouco mais de pontaria. Cada vez mais um caso sério na equipa e (mais) uma dor de cabeça para quem terá de arranjar forma de pagar a cláusula...

> 65' Brahimi (7): Entrou bem "acordado", procurando desde logo semear o caos na defesa contrária. Como tantas vezes lhe acontece, são mais as vezes em que se perde a jogada do que as que têm sequência. Mas esteve em bom plano. E podia ter terminado em glória com aquele golaço, não fosse o seu mau carácter.

> 65' Rúben Neves (6): Um bom regresso à equipa, a pressionar bem alto e assim ajudar a equipa a ficar mais próxima do alvo. Sempre que o vejo jogar reacende-se aquela centelha de incompreensão pela utilização tão escassa e irregular, quando Herrera continua a ter exibições pouco melhores do que medíocres. Mistérios...

> 80' Varela (5): Nada de relevante ou acertado, serviu para lhe desentorpecer os músculos...

Nuno Espírito Santo (7): Uma das exibições mais consistentes do seu Porto, que deve ser devidamente valorizada. Não importa se o adversário está numa fase má, importou sim conseguir os três pontos sem margem de discussão. Depois do chumbo de Brugge, passou neste exame com facilidade (um B+, vá) e acrescentou-lhe uma conferência de imprensa sui generis (ver vídeo abaixo) Que sirva para consolidar as suas ideias e o jogo colectivo da equipa, aproveitando a semana inteirinha de treinos que têm pela frente. Vá lá Nuno, ainda não desisti de ti, apesar das dúvidas.





Outros Intervenientes: 

Fraquinho, este Arouca de Vidigal. Ou, para ser justo, bem organizado defensivamente mas sem dentes para atacar o adversário. É evidente que chouriços como o da época passada acontecem uma vez por século, mas mesmo assim esperava um pouco mais. Perdeu a crista o gaLito.

Nada a dizer de relevante sobre a arbitragem de Manuel Mota e ainda bem. Apenas fiquei com dúvidas se no lance do terceiro golo a bola não chegou a sair pela linha lateral. Em qualquer caso, em nada alteraria a distribuição final dos pontos em disputa.


Jogo bonzinho, vitória fundamental. Estamos a meio do tal ciclo de seis jogos e até agora os resultados são os melhores possíveis: três jogos, três vitórias. Segue-se uma semana de treino e a deslocação a Setúbal, onde "só" podemos vencer. Lá estarei, se tudo correr como espero.

Ah... e para terminar... que bem nos fica o azulebranco.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




11 comentários:

  1. melhor em campo a distancia danilo. O arbitro perdoou dois penaltis ao arouca. Jogamos bem e ganhamos.

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    1. Fez um grande jogo, mas não consigo ignorar os golos do AS. No estádio não "vi" nenhum penalti e não revi o jogo

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  2. E para que o cenário ficasse perfeito, ainda levei com uma molha á moda das Antas!!! Antes, durante - porque tocada a vento chove na Superior Sul - e depois...
    Mas quem corre por gosto não cansa.

    Vamos lá apoiar a equipa e deixar esse triste vicio de assobiar, nem que a equipa esteja a ganhar por cincazero, carago! É que depois levam com reacções á Brahimi, mesmo que André Silva tenha sido lesto a baixar-lhe os braços.

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    1. Lembro-me bem dessas gloriosas molhas das Antas que me lavavam a (jovem) alma. Em particular de uma, contra o Barça de Archibald (3-1 e fomos de vela).

      Apoiar sempre durante os jogos, o resto fica para o antes e para o depois.

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  3. Nada a apontar ao mota?
    Foram só 2 penaltis... que felizmente não fizeram falta.

    Brahimi não esteve bem, é um facto, mas há que compreender e contextualizar a situação.
    E esta não devia custar NADA a perdoar.
    E de NES espero apenas que o encaminhe cada vez mais para a união de que fala!
    Brahimi tem o talento que mais nenhum tem na nossa liga e pode fazer toda a diferença para os objectivos da época!


    A super equipa do super treinador (que eu não entendo como é desejado por tantos Portistas!!!!!!) já estaria a 8 do líder, se não fosse o ROUBO em Alvalade à nossa equipa!

    Abraço

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    1. Tenho este árbitro em boa conta, mas isso não faz dele infalível. No estádio não vi penaltis, depois num resumo vi um sobre o AS.

      Percebo o ponto sobre o Brahimi mas não consigo ignorar porque me demonstra que continua a ser o mesmo "cretino", não tendo capacidade para entender que o clube está sempre acima de qualquer jogador.

      Quanto ao talento, já se sabe, mas também não chega - tem que aprender a jogar com e para o colectivo. E sinceramente, o que de melhor podia fazer pelo Porto era ser vendido por bom dinheiro - algo difícil quando se decide exila-lo no início da época.

      O Sporting está em queda mas não caiu ainda, sejamos prudentes. No entanto, o tetra será sempre o nosso grande rival esta época.

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  4. Noite de nostalgia dum certo Porto - Anderlecht.
    Vale a pena pagar cotas para ver aquela obra de arte de Brahimi e o passe do mal amado Herrera para o anão a quem sobra pouco "tempo" para demonstrar por que tantos ansiavam pelo seu regresso, mas que tenham todos muita calma, que ele lá chegará, pois neste momento joga tanto como o Varela. Parafraseando Pedro Abrunhosa, é preciso ter calma,com alguns, nem que seja até ao próximo defeso, depois de se torrar 20 milhões, para nada.

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    1. O que vale é que isto fica aqui, registado, para consulta futura :-)

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    2. Não me diga que o caro Lápis, faz um arquivo, como o Pedro Guerra, para memória futura, só para me apanhar com o pé na poça :)
      Entretanto vá registando os lances geniais do "cretino" e apontando a exibições nulas ou inconsequentes do "anão" e depois fazemos o balanço. Penso que não será necessário uma época inteira para se verificar quem é a engrenagem que impede a transmissão de funcionar, como aconteceu com o André André. Se a pequena peça for rectificada e começar a trabalhar em pleno, tenho muito prazer em admiti-lo, como tem sido o caso do Marcano.

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  5. Conferência pós jogo!
    NES reencarnou em Abel Xavier?

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    1. Tenho dificuldade em classificar esta exibição. No entanto, goste-se ou não do estilo, o que interessa são as acções. As palavras, leva-as o vento...

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