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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Feira da Vergonha


Seria preciso recuar muito no tempo para recordar algo semelhante com o que se passou ontem na simpática cidade de Santa Maria da Feira. Não que não seja prática corrente sermos espoliados sem apelo nem agravo. Quem não se lembra disto? Ou disto? E claro, disto?




São muitos e maus os exemplos recentes. Em todo o caso, jogos "conduzidos" da forma que ontem presenciei no reduto do CD Feirense são (felizmente) uma raridade. Já se sabe que os nossos adversários têm sempre incentivos extra à sua espera no caso de nos "roubarem" pontos, mas o mesmo não se pode esperar nem aceitar de uma equipa de arbitragem: que vá para o campo com o propósito de nos roubar (aqui sem aspas) pontos.

Foi simplesmente indigna e intolerável a forma como Fábio Veríssimo e restante quadrilha tentaram, por todos os meios, impedir o Porto de sair da Feira com os três preciosos pontos. São tantos e tão gravosos os erros, que vou deixar o detalhe para a "secção" de arbitragem, ali mais abaixo no post.

O que não quero é falar sobre o jogo, sobre a forma como ambas as equipas se comportaram, sem antes deixar bem vincado que de mais importante aconteceu neste jogo teve a ver com a arbitragem. Perante tamanha adulteração de um jogo de futebol, o próprio torna-se - infeliz e obrigatoriamente - secundário.

Não podemos continuar a permitir que isto volte a suceder impunemente. É muito bonito (e necessário) denunciar o modus operandi deste polvo orelhudo e vigarista, mas urge agir de imediato - para que no final não nos fiquemos a lamentar, uma vez mais, de ter sido a gatunagem a impedir-nos de chegar ao título.

A certa altura do jogo, fiquei totalmente transtornado, fora de mim e quase sem controlo, ao ponto de ter admitido saltar para dentro do campo e fazer não sei bem o quê. Um estado de fúria de que não me orgulho e muito menos recomendo, mas que tem causas e causadores bem identificados.

São anos a fio a ver os outros comprarem o que não pode ser comprado, festejarem o que não mereceram conquistar, perante um silêncio comprometido das instituições que deveriam zelar pelo bom funcionamento das competições e da própria sociedade.

As coisas estão a chegar a um ponto que poderá ser sem retorno, em que algo ou alguém vai perder por completo o controlo e a razão e cometer uma loucura. Acreditem, não falo apenas pelo que senti, mas por todos os que vi à minha volta. Sim, é apenas um jogo de futebol, mas é também a dignidade de cada um que está em causa. O ser filho de boa gente.




Sobre o jogo jogado, deixo apenas algumas notas.

Num campo difícil, pelas dimensões e pela má qualidade do relvado (agravada ontem pela chuva), entrámos no jogo com um onze ofensivo, apenas com os dois médios da praxe nestes contextos. O problema é que, até que Óliver entrasse aos 57 minutos, na prática tivemos apenas um médio e um... deflector. André André fez um jogo muito, muito fraquinho, pouco eficaz a defender e uma perfeita nulidade a construir, incapaz de tentar um passe de ruptura, que desbloqueasse uma jogada. Ao invés, sempre para o lado e para trás, sem nada acrescentar.

O resultado prático foi uma grande dificuldade em furar a muralha defensiva do Feirense, muito recuada e determinada a parar-nos por todos os meios, perante a complacência da equipa de arbitragem. Faltava imaginação e ousadia para desposicionar os caceteiros entrincheirados no seu meio-campo. Ainda assim, fruto da qualidade individual dos nossos, fomos construindo algumas situações de perigo, acabando por marcar pelo inevitável Aboubakar, após recuperação na raça de Brahimi sobre a lateral.

Parecia estar finalmente desbloqueado o jogo, mas, nem cinco minutos volvidos, consentimos o golo do empate. Livre idiota provocado por AA, bola para a área e Felipe muito mal batido por Luis Rocha, o marcador. É certo que há um toque do feirense nas costas do brasileiro, mas não me parece suficiente para o isentar da responsabilidade do péssimo tempo de abordagem ao lance. Tudo empatado, outra vez.

Sentimos em demasia o golo, porque tardamos em responder à altura. Custou-nos a reactivar a máquina, o Feirense recuou ainda mais e foi sem surpresa e com muita apreensão que se chegou ao intervalo com tudo na mesma.

O aquecimento intenso de Óliver durante o descanso deixava antever uma possível entrada logo no recomeço, mas Sérgio Conceição optou por prolongar o voto de confiança aos mesmos onze. Durou 12 minutos esse prolongamento, tal era a evidência de que nada tinha mudado. Com a entrada do espanhol, passámos finalmente a jogar com "onze" jogadores, com dois médios de corpo inteiro, e foi notória a melhoria da qualidade e da variedade do nosso jogo, ainda que não tenha sido uma transformação radical.

O tempo avançava sem "novidades" e o treinador lançou Tiquinho para o lugar do apagado Corona, que oscilou entre o meio e o flanco esquerdo, missão quase espelhada à (nova) de Marega. A pressão intensificou-se e finalmente cheirava a golo. Por ironia do destino, foi o "mau-da-fita" Felipe a marcar o golo da vitória, uma cabeçada imparável após (mais um) canto de Telles.

Ainda espreitamos o terceiro golo, mas na cabeça dos jogadores já só reluzia uma ideia: defender a vantagem com todas as suas forças. Ideia que se amplificou por mil quando Felipe foi expulso aos 84 minutos. A partir daí, já com Layún a ajudar, foi fazer das tripas coração e aguentar estoicamente a vantagem. Apesar de todas as tentativas da arbitragem.

Vitória importante que, cerca de uma hora mais tarde, nos confirmou como os justíssimos e isolados líderes do campeonato. Contra tudo e contra todos, outra vez sem aspas.





Notas DPcA 


Dia de jogo: 03/01/2018, 20h15, Estádio Marcolino de Castro, CD Feirense - FC Porto (1-2)


José Sá (6): Sofreu um golo sem nada poder fazer para o evitar e quase mais nada a não ser estar atento. E foi bravo, como todos os demais.

Ricardo (6): Não se ligou da melhor forma com Corona, mais por culpa do mexicano, mas nunca desistiu de tentar perfurar, pecando essencialmente nos (maus) cruzamentos. Deve também rever a sua concentração quando se trata de "aliviar", para evitar calafrios desnecessários. E foi bravo, como todos os demais.

Alex Telles (6): Jogo menos conseguido, com várias falhas de concentração e de execução, em especial na primeira parte, o que não lhe retira a habitual importância no jogo colectivo. Mais uma assistência, outra vez de bola parada. E foi bravo, como todos os demais.

Marcano (6): Algumas falhas pouco habituais e muita luta e empenho. Soube comportar-se como capitão, assumindo a dianteira na contestação ao desvario de Veríssimo. E foi bravo, como todos os demais.

84' Felipe (5): Quase acabava como herói absoluto, ao marcar o golo da vitória. Que o foi, em certa medida, porque o resultado não mais se alterou. Mas o seu jogo fica marcado por vários erros e hesitações, a maior das quais no golo do empate. A expulsão é injusta, mas a sua abordagem foi demasiado imprudente para quem já estava amarelado. Pelos vistos, o tempo de banco não lhe serviu para amadurecer. E que tal mais umas semanas por lá?

Danilo (6): Bom jogo no capítulo defensivo, considerando que teve de fazer quase tudo sozinho durante uma hora. Talvez por isso, quase não teve oportunidade de subir, de progredir com bola como tanto gosta. Mas foi uma exibição sólida. E foi bravo, como todos os demais.

< 57' André André (4): Uma perfeita nulidade em campo, um verdadeiro discípulo de NES no jogo de ontem. A rever, com muita urgência.

< 65' Corona (5): Pouco inspiração e ainda menos concentração, deixando escapar muitas bolas ao seu alcance. Quis ajudar, quis fazer a diferença, simplesmente não o conseguiu. Mas foi bravo, como todos os demais.

Melhor em Campo Brahimi (8): Este é mesmo outro Brahimi, não tanto pelo futebol mas pela atitude. O primeiro golo é um exemplo notável, tendo ido ganhar uma bola já perdida para depois descobrir Abou dentro da área. Mas fez mais, muito mais. Foi efectivamente quem mais conseguiu assustar e desequilibrar os feirenses, tentando novo golo de antologia. E já perto do fim, tornou-se no embaixador de ocasião de todos os Portistas, ao esfregar nas fuças do árbitro que nada nos iria derrubar - muito menos ele. Foi bravo, bravíssimo: um pouco mais que todos os demais. VAMOS GANHAR CARAGO!



Marega (6): Não foi o seu dia, embora tenha feito por isso. As fintas e os passes nunca lhe saíram na perfeição, pelo que teve de se contentar com o papel secundário de ajudar no "esforço de guerra". Secundário, mas muito importante. E foi bravo, como todos os demais. 

< 80' Aboubakar (7): Mais um golo para a sua conta pessoal e mais um par deles desperdiçados. É assim o nosso Vincent, nada a fazer. No resto, lutou muito e procurou segurar e tocar, mas havia quase sempre demasiada gente "inimiga" à sua volta. E foi bravo, como todos os demais. 

> 57' Óliver (6): Entrada que imediatamente se fez sentir, tal a inoperância de quem foi substituir. Acrescenta clarividência e poder de passe ao nosso jogo e ontem isso foi importante para fazer sentir algum desconforto à acantonada equipa adversária. E foi bravo, como todos os demais.

> 65' Soares (6): Sentiu dificuldade para entrar no ritmo do jogo, mas lá o conseguiu fazer e ajudou a equipa a chegar ao golo da vitória, ao ser mais um a desbravar terreno e a desgastar os adversários perante tantas "frentes" de batalha. E foi bravo, como todos os demais.

> 80' Layún (6): Foi bravo, como todos os demais.


Sérgio Conceição (6):

Não posso estar satisfeito com o jogo que a equipa fez, mesmo descontando todo o prejuízo arbitral. Jogámos q.b. para garantir os três pontos, mas sabe-se que q.b. raramente nos chega nas competições nacionais. E foi o próprio treinador quem desafiou a sorte, ao fazer sentar Reyes que tão boa conta de si vinha dando desde que ocupou o lugar de Felipe. 

Para seu e nosso azar, Felipe esteve particularmente mal, sendo réu maior no golo sofrido, além de vários outros pecadilhos. Que tenha sido Felipe a marcar o golo da vitória é apenas coincidência - uma muito feliz, obviamente - que em nada justifica a saída de Reyes da equipa, em minha opinião. Queria fazê-lo, esperava por um jogo em casa, onde há sempre muito mais força para recuperar de resultados adversos. 

Por outro lado, cedeu e dispensou AA ainda em bom tempo, dando a Óliver a mais do que justa oportunidade. E aí "redimiu-se", dando à equipa novo fôlego para ganhar o jogo. No final, trouxemos os indispensáveis pontos para o Dragão e é isso que fica para a história do campeonato.



Outros Intervenientes:



O Feirense de Nuno Manta é um clube modesto e ontem fez-se ainda mais pequenino, pela sua forma de actuar. Quando assim é, para quê destacar algum bom jogador como Tiago Silva? Nem vale a pena.


Arbitragem miserável, aliás inqualificável, de tantos e tão gravosos os erros de Tiago Veríssimo, Paulo Soares e Paulo Brás.

Cronologia de um crime:
32' - Kakuba tem entrada violenta sobre Brahimi merecedora de cartão vermelho, mas apenas foi advertido
35' - Etebo entrou de forma violenta sobre Ricardo, novo vermelho por mostrar, desta vez nem falta foi assinalada
52' - Lance de penálti sobre Marcano, com ou sem intenção, o certo é que o defesa feirense acertou no espanhol e não na bola. Viva o VAR Paixão, já agora.
68' - Tiago Silva deveria ter sido expulso por acumulação de amarelos
78' - Soares é punido com amarelo por suposta simulação, mas na verdade foi bem "tocado" pelo adversário
85' - Felipe é imprudente na abordagem mas não acerta no adversário, jamais deveria ter sido expulso com segundo amarelo.
95' - Marcano sofre falta dura, não assinalada, e protesta com o árbitro enquanto o jogo decorre e a bola sai pela linha lateral. O árbitro, nesse momento após a saída da bola, decide advertir Marcano e... inventa uma falta no sítio do protesto, como se a bola estivesse em jogo. Um livre perigosíssimo inventado, numa derradeira tentativa de agradar ao dono.

Quem me conhece sabe que era, até ontem, defensor deste árbitro, ao contrário da maioria dos meus consócios. Depois deste jogo, e até prova em contrário, Tiago Veríssimo ou é terrivelmente incompetente ou está terrivelmente condicionado ou é vigarista. Em qualquer dos casos, não pode ser árbitro de futebol.


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Depois deste jogo, nada pode ficar como dantes.

A nossa paciência, para começar. Em todos os jogos que estão por disputar, a pressão vai ser imensa e as bancadas não vão ter contemplações perante qualquer decisão que aparente ser errada.

A postura do Clube, para continuar. Há que fazer, falar, acontecer, antes que seja tarde demais.

A tranquilidade da equipa, para terminar. Os jogadores, mais do que nós, sentem o que se passa dentro de campo e tendem a exacerbar comportamentos se os considerarem premeditados. Tenho muito receio que percam a cabeça (muito) mais vezes. É fundamental fazer um sério trabalho psicológico com o grupo.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




domingo, 11 de dezembro de 2016

Tão Fácil Que Até Parece Fácil


Vitória fácil e tranquila em Santa Maria da Feira numa estival tarde de inverno.




Demorou menos de cinco minutos a dúvida sobre o desfecho final da partida. Ao quarto, Ícaro quis voar demasiado alto e queimou-se no sol poente da Feira. Penálti, expulsão e golo. Não podia ainda sobrar espaço para qualquer tentativa fogaceira de lutar pelos pontos.

Na verdade, sobrou. Porque o Feirense ainda atirou duas bolas aos ferros, uma em cada parte. Mas mesmo que uma tivesse entrado (ou até ambas), não seria crível que o Porto não tivesse força para repor a vantagem uma vez mais. 

Os restantes 40 minutos da primeira metade foram entretidos, ainda que não especialmente bem jogados, mas o domínio era tão absoluto que dava para "tudo". Brahimi ampliou para o 2-0 com que chegou o intervalo, resultado ajustado ao que se foi fazendo dentro do campo.

A segunda metade já foi mais pachorrenta e monocórdica em largos períodos, o que não será alheio ao facto de apenas seis minutos após o recomeço Marcano ter feito o terceiro. Dúvidas totalmente desfeitas, até porque não estávamos em Istambul. Sobrou ainda tempo para AS bisar e para substituições atempadas. 

Tudo normal, nothing to see here, siga.




Notas DPcA 

Dia de jogo: 11/12/2016, 16h00, Estádio Marcolino de Castro, CD Feirense - FC Porto (0-4)


Nota 8: André Silva
Nota 7: Maxi, Marcano, Felipe, Telles, Danilo, Óliver, Brahimi
Nota 6: Casillas, Corona, Jota, André André, Herrera, Rui Pedro

NES (7): Voltou a jogar os trunfos todos logo de início e foi abençoado pela sorte. Jogo quase todo em superioridade numérica e com vantagem no marcador. Durante largos períodos percebeu-se bem que no futebol não há curas milagrosas, os problemas de "jogo" da equipa continuam lá, simplesmente agora estamos numa dinâmica de vitória e a confiança é outra. São os golos que fazem a diferença entre um modelo de jogo sem futuro e as "vitórias preciosas", ainda que na base estejam os mesmíssimos pressupostos. Mais uma boa etapa de crescimento da equipa, espero que do treinador também. Missão cumprida.





Outros Intervenientes:

A expulsão madrugadora condicionou de sobremaneira o plano de jogo de José Mota, fosse ele qual fosse. A equipa viu-se obrigada a trabalhos forçados e não consegui ver ninguém a destacar-se, apesar dos bons pormenores de Karamanos e de Platiny.

Quanto à arbitragem liderada por Luís Ferreira, a grande dúvida com que fiquei no estádio foi se Marcano teria feito falta sobre o avançado grego que se isolava face a Casillas. Em caso afirmativo, seria expulsão. Quanto ao penálti, foi de novo ligeiro, mas existiu sem margem para dúvidas. A expulsão que se seguiu será menos consensual - eu preferia que nunca se castigasse uma equipa com um homem a menos em lances desta natureza - mas perfeitamente dentro da jurisprudência do nosso campeonato.



Vitória fundamental assegurada sem sobressalto. Por pena, no dérbi lisboeta ganharam os favoritos de Jorge Sousa. Como mal menor, recuperamos o segundo lugar. E só nos falta recuperar um ponto face ao primeiro classificado para voltar a ter o nosso destino nas mãos.






Penálti(s) ou não, eis a questão.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Oportunidade desperdiçada


Além da vergonha de sair desta competição com um registo 100% perdedor, assistimos também ao desperdício de uma das poucas oportunidades para evoluir competindo.




Como sobre o jogo não há muito a dizer, vou-me debruçar sobre as curiosas opções de Peseiro.

Começando pelo onze inicial (e final...), revolução quase completa face ao último jogo. Somente Rúben, Varela e Suk defrontaram o Marítimo e certamente sem coincidência, foram os três suplentes utilizados nesse jogo. Percebe-se a intenção do treinador em continuar a avaliar em competição os jogadores que, nesta fase inicial, serão os que na sua cabeça formam o núcleo principal com que pode contar. Acrescentaria a esse lote Maicon, que me parece acabará por voltar à equipa dentro de pouco tempo e talvez Imbula, se demonstrar uma atitude condizente nos treinos. Todos os demais farão parte da segunda e terceira linha, chamados apenas por indisponibilidade dos principais ou em desespero de causa, num jogo complicado.

A segunda opção inesperada foi a de não fazer entrar nenhum dos suplentes. Ora com esta eu consigo viver. Sendo verdade que a imensa energia acumulada pelos Bs que se sentaram no banco poderia agitar e até mudar o jogo, o mais certo é que essa energia fosse rapidamente absorvida pelos anémicos companheiros e se dissipasse na atmosfera. E assim sendo, preservaram-se os jovens talentos de prováveis críticas, injustificadas e injustas.  

A outra opção curiosa foi o modelo ensaiado. E é aqui que entra a oportunidade desperdiçada e a minha reprovação.

É legítimo que o treinador queira ter a equipa preparada para jogar de formas variadas e, se bem trabalhadas, teremos uma maior riqueza táctica que nos dará maior flexibilidade para defrontar diferentes adversários ou momentos de um jogo. O problema é que Peseiro chegou a meio da época, com a equipa mentalmente destroçada e a correr atrás do prejuízo no campeonato. Não há tempo para experiências! 

"Ver-te assim abandonado..."
Na minha forma de ver, neste momento Peseiro tem que se focar em implementar um modelo de jogo, aquele que na sua opinião nos dará maiores garantias de ter sucesso no curtíssimo prazo (ou seja, no jogo seguinte). Não há tempo para trabalhar dois ou mais esquemas tácticos, pelo menos não agora. 

Hoje ficou mais uma vez evidente que este lote de jogadores continua sem rumo dentro do campo e como tal, precisa de uma solução, um modelo em que acredite e a que se dedique sem distrações. Uma luz ao fundo do imenso túnel em que se encontram perdidas e assustadas as suas psiques de meninas pequenas. Um novelo desfiado que possam seguir cegamente e que os guie para fora deste labirinto de emoções que os confunde e os faz duvidar de tudo o que são capazes. Resumindo, uma boa ideia e simples de apreender com um estalar de dedos.

Este ensaio de hoje, além de penoso de assistir e de aceitar - somos, em qualquer circunstância, o Futebol Clube do Porto -, constitui-se como um desperdício de tempo precioso e também um passo atrás na recuperação anímica do balneário (depois dos dois à frente dados contra o Marítimo). Sem menosprezo para o Feirense, que é um clube que merece tanto respeito como qualquer outro e que tem uma equipa bem montada, perder 2-0 com eles e chegar ao fim resignados pelo que (não) fizemos, é uma p*t@ duma vergonha! E já agora, metam o equipamento cacau no %/&%#%& que vos &%$!!



Notas DPcA (modo compacto):


Dia de jogo: 27/Jan/2016, 19h45, Estádio Marcolino de Castro. CD Feirense - FC Porto (2-0)

Nota 6: Chidozie

Nota 5: Hélton, Victor Garcia, Maicon, Suk

Nota 4: Angél, Rúben, Sérgio, Imbula, Varela, André Silva

Nota 3: José Peseiro


A Tabela de Pontuações DPcA - clicar para ver


Eu sei que o capital de confiança do treinador nunca estaria em risco neste jogo - pelo menos uma quantidade significativa - mas convenhamos que hoje Peseiro não foi lesto a enfrentar os 12 Trabalhos que lhe dei. E mais, colocou-se a jeito para um coro de críticas e dúvidas dos merdia do costume, em crescendo até ao difícil e decisivo jogo do próximo sábado, no Estoril. E para mais uma, de minha autoria: vir dizer no final que treinou este sistema 20 minutos é quase estúpido (quer a façanha, quer a declaração). Se pretendia escudar-se, acabou por conseguir exactamente o oposto.

Sobram agora dois dias de trabalho para implementar as novas ideias e preparar esse jogo. O árbitro já foi bem escolhido, mais uma vez (e mais uma vez na paz do senhor, no pasa nada...) e o adversário é tradicionalmente complicado em sua casa, pelo que a nossa resposta terá de ser muito forte para sairmos de lá com os três pontos. Qualquer coisa menos, será muito complicado de recuperar mais adiante.

E restam apenas 4 dias para reforçar o plantel. Espero ardentemente por um BOM central e, se possível, por um médio criativo e por um goleador.


Do Porto com Amor



quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Dia de jogo: CD Feirense - FC Porto (0-1)


Um jogo em ritmo lento, traço contínuo, monótono. E uma pequena desilusão chamada Feirense.


"Alô, Alô Ronaldinho... aquele abraço!"


Ok, confesso que sobreestimei o adversário e as dificuldades que iriamos sentir para passar a eliminatória.

Não significa isto que o Feirense não seja uma boa equipa de segunda liga nem que o jogo tenha sido fácil. Simplesmente esperava mais.

Dir-me-ão os eternos optimistas que fomos nós que não os deixámos jogar mais, mas eu discordo. É que o Feirense mostrou ser uma equipa bem organizada e com a lição bem estudada para esta partida. Nunca se desorganizou durante todo o encontro, foi combativo e certeiro nas marcações. O problema é que com tanta preocupação em bloquear o nosso jogo, quase se esqueceram de atacar. Foram pouco menos do que inofensivos.

Visto pelo nosso lado, foi um jogo que nos deu muito trabalho, obrigando os jogadores a correr muitos quilómetros. E foi desgastante também pela intensidade das marcações. Raras foram as vezes que conseguimos suplantar esse colete de forças, mérito dividido entre o adversário e a nossa habitual lentidão de processos. Passes muito previsíveis ou denunciados, excessiva lateralização e dificuldade em fazer a transição para o último terço do terreno. O costume.

Valeu-nos o regresso aos golos de Aboubakar, que aos 10' fez o golo solitário. O resto do jogo foi isso, um discurso monocórdico ocasionalmente interrompido por um "aííí" de suspense ou um "ahhhooo" de bocejo. Um jogo sem história, que rapidamente se apagará das nossas memórias, mas que valeu a passagem aos quartos de final da competição. Bem bom...



Notas DPcA: 


Hélton (7): Sempre atento, respondeu bem nas poucas vezes que foi chamado. Teve uma das suas típicas travadinhas, mas sem impacto. Ao contrário daquela defesa por instinto, no lance mais perigoso do aversário, já perto do final e que nos livrou do prolongamento.  sem

Layún (6): Sem encher o olho, foi mais uma vez dos jogadores mais influentes na manobra da equipa. É o Señor Layún.

Angel (6): Um bom regresso à equipa, contra as minhas eternas expectativas em relação a ele. Um ou outro erro menores não mancham a exibição positiva. Dos seus melhores jogos de dragão ao peito, diria.

Maicon (6): "Tenham cuidado, ele é perigoso, ele é o... Maicon Pereira Roque". Quando não está em forma, tem paragens de relógio demoradas e consecutivas, o que não raras vezes nos causa dissabores e quase sempre calafrios. Ontem pareceu estar a subir gradualmente... menos paragens e menos comprometedoras. E no resto do tempo, esteve bem a limpar a sua zona.  Nível de alerta reduzido para Defcon 3.

Martins Indi (6): Tem sido o melhor central e continuou a sê-lo ontem durante 89 minutos e 30 segundos. Nos outros 30 segundos, cometeu um erro de palmatória ao calcular mal a trajectória da bola e falhar o corte, deixando o avançado isolado na cara de Hélton. Felizmente falhou a recepção e a jogada perdeu-se pela linha de fundo. Mas poderia ter comprometido. Vamos manter a concentração, ok Bruno?

Danilo (6): Recuperou do choque que o fez sair cedo do jogo com o Nacional e manteve a titularidade, correspondendo com a habitual seriedade e acerto defensivo. É o maior músculo do nosso meio campo e ontem fez-se notar nesse capítulo. Jogo conseguido, sem brilhantismos.

<-80' Sérgio Oliveira (7): Entrou cheio de vontade e correu que se fartou até ser substituído. Não esteve tão acertado no passo como gostaria, mas compreende-se dada a falta de minutos consecutivos. Ainda assim, teve alguns bons momentos ofensivos, com destaque óbvio para o canto que marcou para a cabeça de Abou fazer o golo. Tem talento que justifica mais oportunidades. Por outro lado, não é mexicano, nem Dragão de Ouro, nem capitão...

<-90' Evandro (6): Outro que deve ter feito a meia-maratona dentro do terreno de jogo. Foi o homem dos equilíbrios, dos passes fáceis mas importantes para manter a máquina a funcionar. Continua a faltar-lhe conseguir fazer a diferença ofensivamente, mas mesmo assim é uma peça fiável com a qual se pode contar sempre. Saiu com cãibras, gosto disso.

Bueno (5): Jogo mais fraco do que os seus anteriores, provavelmente pela intensidade física que assumiu. O Alberto não gosta de encostos e por isso foge sempre ao choque. Ontem, sem isso, sobrava-lhe pouco para fazer. E além disso, não é jogador de ala. A rever, com novas oportunidades.

<-63' Tello (4): Sem comentários.

Melhor em Campo Aboubakar (7): Finalmente o golo voltou. Que bom, Abou. Mas fiquei com a sensação que foi uma visita de médico... importas-te de me desmentir já contra a Académica por favor?

->63' Corona (6): Com a sua entrada, passamos a jogar com 11, logo seria sempre uma melhoria. Não esteve tão desequilibrador como tem sido, mas o Feirense não estava para aturar espalha-brasas. Ainda assim agitou as águas e ajudou a suster a reação final do adversário.

->80' Rúben Neves (6): Dez minutos em campo para ajudar a controlar a bola e evitar que o Feirense pudesse acreditar no milagre. Cumpriu.

->90' Brahimi (-): Sem tempo útil para ser avaliado.


Lopetegui (6): Passamos a eliminatória controlando o jogo quase por inteiro, ainda que sem nunca o dominar. Aliás, fiquei com a sensação de estarmos a assistir a um jogo da segunda liga, tal a competitividade, com a intensidade física a sobrepor-se quase sempre à qualidade técnica. Deu para apostar em jogadores com poucos minutos e ainda assim chegar aos quartos nos noventa minutos. Não entusiasmou ninguém, mas cumpriram-se os objectivos mínimos. Já tenho visto bem pior.



Outros intervenientes:


Já me referi à boa organização e maturidade táctica da equipa de Pepa, falta apenas destacar o omnipresente Barge (será pelo nome?) e o talentoso Fabinho. Voltaremos a vê-los em breve, para a Taça da Liga.

Quase não dei pelo árbitro, não fossem aqueles olhares de mau que me fizerem pele de galinha. Ou então foi uma corrente de ar.


Domingo há mais, no Dragão, contra a Académica. Quem quiser DOIS BILHETES ainda pode concorrer aqui.


Nota: A seguir a este, assisti a outro, um grande jogo entre Braga e Sporting. Duas horas bem empregues e com final feliz. Que pena não terem tido tomates para jogar assim no Dragão, não é Sr. Fonseca? Deve ser SPT.



Do Porto com Amor




quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Hoje joga o Porto! (vs CD Feirense)


Mal a frágil jangada chegou a porto seguro e o périplo madeirense se deu por concluído, foi tempo de iniciar nova aventura. Desta vez, rumo a Santa Maria da Feira. 




Sem tempo de preparação. É assim que se pode definir o que antecedeu este jogo de hoje dos oitavos de final da Taça de Portugal contra o CD Feirense, que nos receberá em sua casa às 18 horas. E para cúmulo do azar, a equipa da FEira está a fazer uma grande temporada, tendo reduzido substancialmente a distÂncia que a separava do líder da segunda liga, a nossa equipa B, que aliás derrotou nesse processo. E sabendo-se que, por estes dias, os Bs jogam melhor do que os As, estão lançados os dados para um jogo de alto risco.

Sim, hoje sou eu a valorizar o adversário. Porque merece. Mas agora que já o fiz, vou colocá-lo no devido contexto. É uma equipa que joga na segunda divisão, ok? Não são papões, nem Messis, nem Guardiolas. São uma boa equipa no contexto da segunda liga. 

Portanto, dentro de todas as dificuldades que nos vão colocar, o único desfecho que antecipo e admito é a nossa passagem à próxima eliminatória. Apenas e só, sem mas. Para tal, será então avisado não abdicar de demasiados titulares, gerindo naturalmente a condição física de cada um. É para isso que lá está o treinador, não é assim?

Posto isto, vamos ao meu onze para hoje:




Pode parecer contraditório este onze com o meu pedido para não se abdicar de demasiados titulares, mas não é. Em todos os sectores mantive pelo menos um titular (Hélton para mim é co-titular) e no banco estão outros tantos para o que der e vier.

Antecipo um jogo muito complicado. Muito, mesmo. Espero que o nosso treinador também o antecipe e prepare a equipa de acordo.


Vamos a eles, carago!



Não termino sem antes deixar duas notas adicionais:


1) Continua a brilhante carreira do FC Porto B na presente temporada, desta feita aplicando chapa 4 aos leõezinhos da mais maior melhor academia do mundo. Não sou de forma alguma admirador de Luís Castro (bem pelo contrário), mas devo prestar-lhe justa homenagem pelo belíssimo trabalho que está finalmente a desenvolver (por oposição à miséria que foi a época passada). E salientar que gosto muito de ver esta equipa jogar (por oposição aos As de Lopetegui). Ainda bem que o basco ignorou esta equipa, poupando-a assim de se auto-destruir tentando aplicar o seu "estilo de jogo".


2) Um cretino será sempre um cretino e como tal, o melhor será sempre ignorá-lo, deixando-o a falar sozinho. No entanto, como há sempre alguém desesperado por disfarçar o indisfarçável, há que ir buscar o cretino à sua toca e pôr-lhe um microfone à frente. O de hoje é António Figueiredo - um dos promotores do Estoril Gate - um velho cretino já muito calejado nestas andanças de atirar areia para os olhos da sua populaça. Com a falta de pudor que caracteriza um cretino, o ex-dirigente do Benfica afirma que "Faltam ao Benfica os penáltis que têm favorecido, de uma forma ou outra, os seus rivais". Foi assim que rematou o seu vómito sobre o estado da sua equipa, começando por bater no treinador, omitindo como sempre o dono e terminando com os árbitros. Como se sabe, é a última mensagem que fica. Isto numa jornada em que ficou por marcar um penálti escandaloso a favor do Setúbal (no meu escandalómetro, fica apenas um nível abaixo do do Marcano e dois do do Naldo em Arouca). E no seguimento de uma época de benefícios vergonhosos como foi a anterior. Who let the dogs out?



Do Porto com Amor