Definitivamente, José Peseiro ainda não percebeu onde caiu de paraquedas. Em todo o caso, é bom que seja perspicaz e lesto a fazê-lo, caso contrário terá vida ainda mais curta do que muitos vaticinaram aquando do anúncio da sua contratação.
![]() |
| Impotentes à partida e à chegada. Ou então alguém perdeu o anel. |
E pronto. Com esta horrível eliminatória europeia o mister Peseiro fez questão de explicar a todos por que motivo vinha tendo a carreira que todos conhecemos. Por ser pequenino, neste caso concreto demasiado pequeno para estar no FC Porto.
Peseiro, sozinho, perdeu 1/3 desta eliminatória.
Logo na abordagem que fez na antevisão da primeira mão, mostrou-se subserviente, temeroso e não conseguiu descortinar nada mais ousado do que apelar aos jogadores para não se deixarem derrotar por muitos. Disse e cumpriu, com a equipa que apresentou em campo mas principalmente com a forma de encarar o jogo. Mas esse jogo já foi devidamente escalpelizado.
Após um resultado que até se poderia considerar lisonjeiro face à exibição, sobrava esta segunda mão para demonstrar que a primeira tinha sido uma pálida amostra da capacidade desta equipa e, mais importante - muito mais importante do que isso, mostrar aos filhos da Merckel e a todos os que seguiram com infundado entusiasmo este duelo de champions (um sorriso amarelo) que o Porto é, ou melhor, continua a ser um clube especial.
Especial porque não sendo o que tem mais adeptos no país, é o que tem os melhores adeptos.
Especial porque não tendo tido nunca orçamentos que se equiparem aos "rivais" europeus - onde se enquadra este Borussia Dortmund, nunca deixou de fazer das fraquezas força e minimizar essa décalage financeira com uma atitude insuperável. Sobretudo em casa.
Especial porque tinha o melhor presidente do mundo, que sabia escolher bem com quem se rodear, não hesitando em reparar um erro se assim o identificasse.
Mais uma vez, Peseiro preocupou-me na abordagem pré-jogo. Vamos ter calma, dizia ele. Um jogo de paciência, insistiu. Poderia até ser uma mensagem positiva, se nas entrelinhas não estivesse já o que eu mais temia: uma segunda dose de temor e subserviência. O que se confirmou em pleno.
E depois, entrou em jogo aquela dualidade tão típica do treinadorzinho português: ora encara o papão cheio de medo, ora, em acto de pura loucura, enche o peito de ar e a cabeça de minhocas e desata a reinventar o futebol mundial, promovendo alterações sem fim na equipa base para mostrar a todos quão genial sabe ser.
![]() |
| "Que merd@ é esta?" pergunto eu... |
Tantas foram as vezes a que já assisti a este filme que deveria ser-lhe indiferente. Mas não consigo. E suspeito que nunca conseguirei. Porquê? Porque sou do Porto. E ser do Porto não tolera nunca a cobardia disfarçada de prudência nem a palermice mascarada de genialidade.
Ainda no carro e a queimar etapas para chegar ao Dragão a horas, eis que de repente perco a pressa. Tomei conhecimento do onze inicial. Nem vou perder muito tempo com isto, apenas fazer uma afirmação: não estando Herrera e Brahimi lesionados, não há NADA que possa justificar a sua relegação para o banco. Nada. Fim de conversa.
Excepto, claro, a tal genialidade do portuguesinho, que para evitar que se notem as cuecas borradas decide vestir-se todo de castanho. O problema é que ainda assim tresandava... a medo. E a parvoíce, já o disse?
O jogo foi o que desde então se esperava, pois claro.
E nem me venham acenar com o golo deles em fora-de-jogo ou qualquer outro erro de arbitragem. O grande erro, o colossal erro foi do nosso treinador. Ponto. Tivessem eles marcado ou não, tivesse o golo sido invalidado como deveria, não acredito que o desfecho fosse diferente. Porque na cabeça dos jogadores já estava bem estampado o carimbo da pequenez e da impossibilidade.
E reparem que por desfecho refiro-me ao deste jogo, nem sequer vou à eliminatória. Essa estava perfeitamente à mercê de ser perdida depois do resultado de Dortmund. O que nunca poderia ter acontecido foi este triste espectáculo de não sermos Porto. De não respeitarmos, uma vez mais, a nossa identidade. E de, enfim, passarmos mais uma triste figura para o palco europeu.
E já agora, mister, os aplausos no final não foram para reconhecer o "vosso" esforço. Aliás, aos 75 minutos começou a debandada do público que, tendo ficado até final, provavelmente não teria aplaudido. Depois, aquela cantoria autista das claques deve ter mais a ver com a recém-descoberta de que poderiam brilhar no Festival Eurovisão de Cânticos do que com satisfação propriamente dita. E por último, se houvesse esforço a reconhecer seria exclusivamente dos jogadores. Tivesse ficado sozinho no relvado e logo veria o que muitos pensaram da sua "exibição".
Lembram-se que comecei por dizer que Peseiro perdeu 1/3 da eliminatória sozinho? Pois, faltam os outros dois terços.
O segundo terço terá de ser evidentemente atribuído, qual medalha cavaca, à SAD na pessoa de Antero Henrique, o arquitecto-mor do nosso futebol profissional. E a Pinto da Costa, pois claro. As ridículas insuficiências de que padece o plantel são de um amadorismo que até há bem pouco tempo se julgaria impossível no Porto.
Mas, por outro lado, até há bem pouco tempo a SAD não era nem uma sucursal das Doyens desta vida nem um palco de batalha entre Antero Henrique e Alexandre Pinto da Costa, o primeiro a distrair-se das suas responsabilidades para contrariar o regresso do filho pródigo (em disparates), o segundo a fazer um jogo sujo de guerrilha e a minar o mais possível o terreno que o primeiro pisa. Quem permite que isto aconteça é o mesmo de sempre, que também foi responsável pela imensa obra que todos conhecemos. E com tudo isto, perde o clube e perdemos nós, os que sofremos com ele.
![]() |
| Ide em paz e que o senhor dos futebóis vos acompanhe... |
O último terço pertence justamente ao Borussia Dortmund, que além de ter uma boa equipa e um bom plantel, é um clube verdadeiramente especial. Como nós costumávamos ser, aliás. Também não são os maiores do seu país (há vários clubes com mais adeptos e mais museu e depois há o colosso Bayern a anos-luz de distância), mas estão seguramente entre os melhores.
Tive a oportunidade de constatar na Alemanha como o clube está organizado para os seus adeptos nos mais variados pormenores. E claro, nada estranhamente, eles correspondem em campo. Com a maior média de assistências da Europa e com um apoio notável à equipa. E sabem que mais? Não há pipocas mas há pretzels e salsichas. E não é por isso que deixam de estar com a equipa de princípio a fim. E culminando com aquela comunhão entre jogadores e adeptos a que hoje todos (os que ficaram até final) puderam assistir. Não é exclusivo deles, já tinha assistido ao mesmo na derrocada da Munique, mas também não é isso que interessa, pois não?
Até o seu jovem mas brilhante treinador foi de uma enorme delicadeza no final, não chamando a si ou à sua equipa todos os créditos deste sucesso. Por tudo isto, deixo-lhes os meus sinceros votos de sucesso para o que resta da competição.
Vamos a notas em modo compacto, mas com uma ressalva: quando tudo já estava condicionado
pela estratégia, não seria justo penalizar em demasia os jogadores.
Notas DPcA:
Dia de jogo: 25/Fev/2016, 20h05, Estádio do Dragão. FC Porto - BVB Dortmund (0-1).
Nota (7): Danilo
Nota (6): Casillas, Layún, Maxi, Marcano, Evandro, Marega, Suk
Nota (5): Ángel, Varela, Rúben, Abou, Brahimi, Herrera
Nota (1): Peseiro
Acabo como comecei. Peseiro teve um comportamento absolutamente deplorável na forma como encarou a eliminatória e cada um dos seus jogos. Apesar do primeiro erro, teve hoje uma oportunidade para se redimir. Mas atirou-a pela janela sem hesitar.
Relembro que desde meados de Dezembro que defendo que a nossa única prioridade deve ser o campeonato (a que posteriormente juntei a taça, pela sequência de resultados). Portanto, nunca lhe iria cobrar o que quer que fosse na Liga Europa... excepto isto! Ser eliminado seria sempre mau, mas nunca dramático - contra qualquer adversário e ainda menos com o favorito dos bookies para vencer a competição. Mas sair de cena enxovalhado e diminuído é que nunca poderia esperar nem aceitar. E foi precisamente o que aconteceu. E isso não lhe perdoo. Caso ainda não tenha percebido, isto não é o Sporting. Isto é o Porto!
Para terminar em beleza, mais uma nota negativa para a política de preços definida para este jogo. A segunda desilusão da noite foi chegar finalmente ao estádio e reparar na grande quantidade de cadeiras vazias. Aparentemente, apostou-se em fazer muito com poucos, em vez de se apostar em encher o estádio através de preços acessíveis. Duplo erro: além de não ter o Dragão em plena força, a receita acabaria por ser a mesma ou até superior. Tanta asneirada num só dia...
Do Porto com Amor







