Do Porto com Amor: 2016

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A Pregar no Deserto


Mais uma escuta exclusiva DPcA, recolhida por alturas da nomeação dos árbitros para a 2ª jornada da Taça da Liga:


Escuta #5

- 'Tou João?
- Fontelas... como vai o meu amigo?
- Tudo jóia... olha, vais reencontrar os teus "amigos" na Taça da Liga...
- Ui, vou eu ao Dragão? Boa...
- Sim pá, o homem achou que estiveste muito bem em Setúbal (risinho cínico) e quer mais do mesmo!
- Oh pá, até fico corado assim... mas claro, contem comigo, vou fazer o meu melhor... tu sabes...
- Sei pois, por isso te escolhi...lhemos hehe...
- Ok, fica tranquilo, a final four acaba de ficar muito mais distante para uma certa criatura mitológica (risada parva, interrompida por um engasganço salivar)
- Ó Pinheiro, estás bem pá?
- Sim, sim, foi da emoção... eles bem podem pregar no deserto... hahaha...


Travar Brahimi? É fácil...


À segunda jornada da Taça da Liga, novo e comprometedor empate caseiro, desta vez com o insuspeito Feirense.

Início da partida a baixa rotação, acelerado pelo espectacular lance de Brahimi que morreu na trave. Nuns campos a bola entra às três tabelas, noutros só após meter requerimento selado e carimbado.

Seguiu-se um jogo morno, sempre de sentido único, mas com o Feirense relativamente confortável pela falta de intensidade (sempre ela...) e caudal ofensivo que levasse real perigo para a sua baliza. Tivemos um par de possibilidades de marcar até ao intervalo, mas quase se adivinhava que o nulo se iria manter - até porque o apitador de serviço resolveu, uma vez mais, aplicar leis "diferentes" para os lances que envolvem o Porto

Sem absorver os sinais, regressámos do balneário apáticos, descansadinhos da vida, como se o golo acabasse por surgir, nem que fosse aos noventa e dois. Pois até chegou bem mais cedo (tolada oportuna de Marcano ao minuto 49'), pelo que mais descansadinhos ficamos. Erro crasso. Já o havia escrito: "esta sequência de vitórias assenta em momentos de superação, raros e caros. Não se pode contar sempre com eles para ganhar jogos, há que estabilizar a produção da equipa.". Detesto ter razão, mas... eu avisei. Não quisemos o segundo golo "o suficiente" e acabámos por sofrer o empate num lance de bola parada. E depois, não houve superação que nos safasse.

Registo com muito agrado a excelente moldura humana (41.350 alminhas) que esteve presente no Dragão nesta quinta-feira, demonstrando uma vez mais que as pessoas reagem bem a estímulos positivos - e que, a bem do ambiente no estádio, mais vale vender 40.000 bilhetes a €5 do que 10.000 a €20.


Excelente casa, considerando que se tratava da Taça da Liga, do Feirense e de uma 5ª feira



Notas DPcA 

Dia de jogo: 29/12/2016, 19h15, Estádio do Dragão, FC Porto - CD Feirense (1-1). 


José Sá (7): Pelo menos duas grandes defesas e sem hipótese no lance do golo. Saldo final bem positivo, relevando ainda a dificuldade de estar muito tempo sem competir.

Maxi (6): Sempre muito ligado ao jogo, deu tudo o que tinha... que, a espaços, já se revela não ser assim tanto, sobretudo quando a palavra-chave é "velocidade". Em todos os outros domínios está já doutorado e dificilmente recebe lições de alguém dentro de campo.

Alex Telles (6): Foi um dos que me pareceu menos concentrado do que seria exigível, mas não se poupou a esforços em todo o caso. Tentou apoiar Brahimi mas nunca chegou a envolver-se a sério nas nossas ofensivas. Apenas q.b.

Marcano (6): Muito desconcentrado, falhou passes e cortes e foi um dos réus (talvez o principal) no golo sofrido. Só fica em "positivos" graças ao golo que marcou.

Boly (6): Procurou evidenciar calma e qualidade técnica, mas não foi especialmente feliz. Em alguns lances mediu mal o tempo de "intervenção" e acabou ultrapassado. Suficientezinho e nada mais.

Rúben (6): Pronto, lá o puseram atrás outra vez. Mas enfim, pelo menos "calçou". A produção é que não foi brilhante, apenas foi cumprindo sem nada de especial registo. Hoje não ganhou pontos, digo eu. 

< 79' Herrera (5): Apesar da nota, não foi o pior dos nossos. Foi o segundo pior. Consegue alternar passes decentes e um ou outro de qualidade com disparates. Faz uma trivela vistosa que sai a rasar a baliza e logo a seguir "recusa" meter o pé para ganhar o lance. É isto. Sobe, desce, sobe, desce. É isto.

< 79' JC Teixeira (7): Mesmo sem ter sido dos que mais participou no jogo, foi dos que melhor fez quando teve a oportunidade, particularmente na primeira parte. Na segunda, escondeu-se ou o jogo fugiu-lhe, não sei, mas saiu bem, precisamente pela inoperância que crescia com o avançar do cronómetro. Em todo o caso, mostrou que podemos contar com ele. O que não é pouco.


A ilusão da vitória

Brahimi (7): Foi o primeiro a criar perigo e merecia ter visto a bola entrar naquele lance com o seu selo de qualidade. A motivação que daí possa ter resultado não foi suficiente para repetir a graça, mas, à sua maneira, foi dos que mais jogo desbloqueou. Pena que não houvesse em campo um árbitro sério para punir adequadamente as constantes faltas de que foi vítima - assim, não adianta ter jogadores melhores que os outros em campo, basta que saibam bater mais forte.

Corona (6): Outro jogo de pouca inspiração, salvou-se pela quantidade de jogo que assegurou, não pela qualidade. Precisa realmente de maior concentração competitiva e regularidade exibicional, seja contra que adversário for.

Depoitre (5): Foi o "velho" pinheiro, trapalhão e perdulário, quem subiu ao relvado hoje e não aquele avançado oportuno e decisivo que apareceu contra o Chaves. Qual deles prevalecerá?

> 79' Óliver (5): Entrou tarde, com a equipa sobre brasas e já não conseguiu fazer a diferença. 

> 79' Rui Pedro (5): Também entrou tardiamente e demonstrou por que motivo ainda é júnior e não se deve privá-lo de cumprir todo o processo formativo. Está verde, verdinho e Natal é só uma vez por ano. Chegará o seu tempo, desde que continue no bom caminho que o trouxe até aqui.


Nuno Espírito Santo (4): Começo já por dizer que hoje fomos infelizes muito por culpa de hiper-eficácia do adversário e da cegueira selectiva. Digamos que metade da coisa escapou ao controlo do treinador. No entanto, a sua metade deveria ter sido cumprida com distinção, para impor voto de qualidade na resolução do empate técnico. E não foi. Não tenho nada a apontar ao onze escolhido, nem às consequentes dificuldades de ligação que dele resultaram, mas custa-me entender como se demora tanto tempo a mexer na equipa. O golo de Marcano veio na altura certa para dar tranquilidade à equipa mas acabou por adormecê-la, pelo que cabia a Nuno dar-lhe um safanão e avisá-la de que um golo de avança não garante nada... como veio a acontecer. É isso que se espera de um treinador durante um jogo, que consiga exercer influência (positiva) sobre a forma como a sua equipa se comporta. E Nuno não conseguiu - uma vez mais, as substituições foram incompreensivelmente tardias e desta feita nem sequer as esgotou. Empatado em casa...



Outros Intervenientes:


No Feirense chamou-me a atenção um nigeriano de seu nome Peter Etebo, uma gazela esbaforida mas com propósito, e o guarda-redes Vaná que teve um conjunto muito bom de defesas, alternadas com a já habitual ronha vigarista que consta do cardápio de habilidades de qualquer guardião que não se preze. E a sorte que hoje os protegeu, ao contrário do que se passou no jogo da Feira a contar para o campeonato.


Quanto ao senhor João Pinheiro e seus comparsas, assistimos a mais uma digressão do Circo Benfiquense, onde só actuam artistas do mais alto gabarito e sempre com o propósito único de agradar ao homem que mais influencia o seu futuro na arbitragem. 

Claro que houve lances capitais, como pelo menos uma grande penalidade evidente sobre Herrera - o Porto já se queixou de três, todas defensáveis à luz do que tem sido apitado a favor do Benfica - mas o que irrita realmente é a arrogância e o desprezo com que apitam cada lance contra nós, muitas vezes em gritante conflito com uma decisão imediatamente anterior (ou posterior) num outro lance em tudo semelhante.


Os dragões nem sequer existem... amarelo por mentir!

Este estado de coisas dá-me a volta ao estômago e um dia não sei o que poderá acontecer. O "facto" é que, muito provavelmente, amanhã o senhor João Pinheiro seguirá alegremente na sua vidinha, sem que nada ou ninguém o importune por mais este "infortúnio". E eu pergunto: até quando?

Um dia, pode mesmo correr mal para um destes artistas, se um de nós perder a cabeça surgindo a oportunidade. Mas, quem sabe, se não será a partir desse dia que o infeliz e todos os seus comparsas começarão a ser mais ponderados e "felizes" nas suas arbitragens?

O Clube continua a denunciar em cima do acontecimento, mas parece que está mesmo a pregar no deserto, porque nenhum dos camelos da arbitragem lhe liga puto. Se não tomar uma posição de força em breve, muito dificilmente conseguiremos ganhar o que quer que seja em Portugal. 



Daqui a cinco dias vamos a Moreira de Cónegos com o credo na boca, porque além de ser obrigatório ganhar, teremos de o fazer por uma margem superior à do Belenenses, caso estes também vençam o seu jogo. Amaldiçoada competição de um raio, algum dia haveremos de a vencer - mas de forma limpa, não à Benfica. Nunca à Benfica. Que seja já esta época - apetecia-me ir molhar os pés ao Algarve.




Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

La Clase del Señor Comandante


Que bom foi rever Luís Óscar González.



Os meus ídolos desportivos contam-se pelos dedos de uma mão e Lucho é um deles. Portanto, logo à partida a minha predisposição para o ver jogar e, agora, o rever para apenas o ouvir, está mais recheada de esteróides anabolizantes do que um atleta olímpico russo. 

Mesmo dando esse desconto (tipo últimos saldos), julgo ser relativamente pacífico até entre adeptos (pensantes e civilizados) de outros clubes, reconhecer que Lucho González é um senhor do futebol. A classe que sempre passeou, em pantufas, pelos relvados, tem justa correspondência na forma cordata e humilde com que fala sobre a sua carreira e o futebol em geral.

Evidentemente que em relação a este sentimento de idolatria que eu sinto em relação a ele, só Portistas o poderão compreender, enquanto aquele sorriso cúmplice se escapa em perfeita sintonia com um ligeiro abanar de cabeça. Sim, Lucho foi um dos maiores de sempre do Clube.

Não me parece interessante tentar verter aqui uma análise detalhada do que Lucho disse, nem sequer esboçar um resumo, porque simplesmente tudo foi prazenteiro e merece ser visto e ouvido, na íntegra e na primeira pessoa.

Vou apenas realçar a oportunidade do momento.



Como todos sabemos, Lucho teve duas passagens pelo Porto, bem diferentes na duração e no contexto. Na segunda (que não a última, espero), ajudou Vítor Pereira a sobreviver à "promoção forçada" primeiro e a subir ao Olimpo no ano seguinte. Mas vamos por partes.

Lucho regressou no mercado de janeiro da época 2011/12 (dica nº1), ainda a tempo de assistir a mais um memorável roubo do senhor Bruno Paixão ao nosso clube em Barcelos, onde acabamos derrotados por 3-1. No final dessa jornada, a 18ª, ficámos a 5 pontos do Benfica (dica nº 2). 

Lucho fez questão de abordar essa situação, devidamente propiciada por Rui Cerqueira, para passar duas mensagens fulcrais: a primeira, a de que o facto de ser prejudicado face ao clube da capital só pode servir para reforçar a garra e a união do grupo (dica nº3); a segunda, a que mesmo estando a uma distância respeitável, sabiam que o Benfica ia perder pontos, pelo que o essencial era garantir que eles (nós) não os perdessem também (dica nº4). 

E perderam mesmo, à jornada 19, ainda se lembram onde? Em Guimarães. Sabem onde o Benfica vai jogar na próxima jornada? (dica nº6)

Depois empataram em Coimbra e enfardaram 2-3 dos futuros campeões, com aquela cabeçada em offside de Maicon de que tanto gostam de se queixar (como se de um lance escandaloso se tratasse). E perderam a liderança em definitivo. A competição seguiu animada, com ambas as equipas a desperdiçarem pontos, mas a derrota dos lampiões em Alvalade ditou a sentença final, ratificada mais adiante pelo Rio Ave.



Na época seguinte, 2012/13, os três grandes começaram a Liga com empates. Na jornada que se seguiu, tudo regressou à normalidade: Porto e Benfica ganharam, o Sporting perdeu. À décima quinta jornada, ambos empatados na liderança com 39 pontos. 

Foi somente na jornada 21, aquando da nossa visita aos aflitos de Alvalade que, ao concedemos um inesperado empate, o Benfica se isolou no comando. O verdadeiro problema chegou mais adiante, perante novo empate, agora na Madeira. Quatro pontos de atraso (dica nº7) e apenas sobravam sete jornadas. 

Nas quatro seguintes ninguém cedeu, eles "foram à Madeira festejar" mas deixaram-se empatar em casa com o Estoril, antes de vir ao Dragão... e o resto é história, a mais bela história de sempre do mundo do futebol. Kelvin e seis milhões de joelhos.

Claro que esse minuto 92 foi recordado por Rui Cerqueira, e Lucho não se fez rogado. Deu conta de toda a emoção, da explosão de alegria, dum festejar ímpar nas bancadas. E de que tudo é possível quando se acredita... e se faz por isso. (dica nº8)

Mais do que uma entrevista para os Portistas, esta foi uma lição para dentro, uma aula motivacional para o nosso plantel actual. Certamente por obra e graça de um inusitado sentido de oportunidade da comunicação do Clube, que importa elogiar.

O senhor comandante transformou-se, por uma hora, em senhor professor. E que bem lhe assentou o fato.

Foi um prazer, hasta pronto Lucho González.


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Ao presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, endereço votos de que tenha passado um feliz septuagésimo nono aniversário e que continue a desfrutar de saúde, alegria e bem-estar durante muitos e bons anos.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




terça-feira, 27 de dezembro de 2016

De NEStum a NESpresso a... What Else?


Espírito Santo, Nuno. Trazido pelo pai, assombrado pela presença do filho.



O começo foi auspicioso.

Uma pré-época relativamente tranquila, com exibições aceitáveis e muito benefício da dúvida, apenas perturbada por uma estapafúrdia gestão de activos, em particular de Aboubakar, Adrian e Brahimi. Adivinhar até que ponto vai a responsabilidade de Nuno nesse conjunto de imbróglios nunca será fácil, embora imagine que não lhe caiba a fatia maior.

O sorteio da pré-eliminatória da Champions deixou o reino do Dragão em sobressalto, afinal era a poderosa AS Roma quem se colocava entre nós e a fase de grupos. Missão cumprida com total êxito e Nuno em alta - mesmo considerando as peculiaridades de ambos os confrontos, até porque pelo meio foram asseguradas duas vitórias em dois jogos do campeonato. 

Primeira fase: NESpresso


À terceira jornada da liga, a primeira derrota marcante. Fomos, uma vez mais, espoliados sem espinhas em Alvalade por uma arbitragem muitíssimo caseira e tendenciosa, factor que acabou por ser o mais decisivo no resultado final. Mas, no restante jogo jogado, houve também um largo período de indecisão e incapacidade. Seguiu-se uma boa vitória caseira contra o Vitória de Guimarães, mas logo ensombrada por dois empates inesperados e comprometedores: em casa com o Copenhaga e fora com o Tondela.

Seguiram-se algumas vitórias, quase todas "obrigatórias", com a frustrante derrota em Leicester de entremeio. A desilusão regressou no empate de Setúbal (uma vez mais "decidido" pela cegueira selectiva do árbitro, mas uma vez mais mal jogado durante largos períodos), que antecedeu o injusto mas efectivo empate caseiro com o Benfica.

Como dois males nunca vêm sós, seguiram-se mais quatro. Empates (embora um deles se tenha transformado em derrota, em Chaves, após as grande penalidades e mais uma inacreditável arbitragem). Tudo muito cinzento, por esta altura, com os defeitos e insuficiências de Nuno a sobressaírem a par e passo com os roubos arbitrais.

Segunda fase: NEStum


Quando o sexto empate consecutivo parecia já inevitável, eis que um júnior milagreiro resolve entrar em cena e mudar o destino que parecia já traçado sem possibilidade de recurso: Rui Pedro marcou aos 95' contra o Braga e devolveu esperança e (alguma) confiança ao universo azul e branco.

Desde então, quatro vitórias. Desde sofridas a folgadas, houve de tudo, mas sempre vitórias - e assim chegámos à pausa natalícia. Em segundo na liga, a quatro roubados pontos do primeiro; apurados para os oitavos da Champions, onde nos espera a campioníssima Juve; com um preocupante empate na Taça CTT; eliminados à Capela e nos penaltis da Taça de Portugal. 

Não sendo brilhante, é bem menos sombrio do que se adivinhava há algumas semanas atrás. Mais relevante, é a força anímica e a crença que o grupo revela ter conquistado neste processo. É nelas que pode e deve residir a nossa fé.

Terceira fase: NESpresso.


NESpresso -> NEStum -> NESpresso - > What Else?...


Na prolongada fase NEStum, escrevi que Nuno chegou ao Porto sem currículo que o justificasse.  Defendi que Nuno não tinha (à época da contratação) argumentos (técnicos, tácticos, psicológicos, etc.) que recomendassem a sua escolha para nosso treinador principal, sobretudo numa altura tão importante e decisiva da nossa história. Obviamente mantenho, porque o passado não se altera.

Escrevi também que continuava a não ter esses atributos (à época da escrita do texto), confirmando-o como uma quarta má escolha consecutiva do presidente Pinto da Costa, algo calamitoso e que por si só deveria ser suficiente para levar os sócios a clamar por alternativas para a gestão do clube.

No entanto, não deixei de acrescentar que estava (ainda) nas mãos de Nuno o poder de se reinventar, melhorando todos os seus skills (a grande velocidade) a tempo de inverter o rumo que a equipa estava a seguir, e, com isso, mudar as cartas negras que o Destino parecia ter reservado para o Dragão 2016/17.




Felizmente para todos nós, Nuno soube capitalizar a imensa fortuna em que se constituiu aquele golo aos noventa e cinco. Melhor ainda, a equipa enfrentou posteriormente vários desafios de onde saiu vencedora, reforçando cada vez mais a coesão e a crença em que nada estava decidido, apesar das constantes deturpações arbitrais nas competições internas.

A equipa partiu para as férias natalícias de consciência tranquila e com a mentalidade reforçada por ter superados todos os obstáculos recentes. 

E Nuno

Será que podemos mesmo contar com uma nova versão dele próprio?
Terá feito uma séria e profunda introspecção quanto à sua forma de estar enquanto figura mediática?
Terá feito um trabalho aturado de revisão da matéria dada, identificando de forma clara os erros cometidos?
Terá visto jogos, muitos jogos, de muitas equipas e treinadores, e com isso desenvolvido a sua estrutura mental sobre a forma como mexe na equipa durante os jogos?

Ou estará simplesmente a saborear os ventos favoráveis de vão soprando por estes dias, sem se preparar para as possíveis tempestades que se avizinham?

Com honestidade, devo dizer que não sei. Adorava acreditar piamente que sim, que soube dar o salto e está agora melhor preparado para conduzir a equipa ao título contra ventos, marés e arbitragens - mas, honestamente, não tenho essa convicção. Nem a sua contrária, tão pouco. Simplesmente, não sei.

O que eu sei, também os soldados que Monsieur de La Palice comandava sabiam: é que o que ainda não foi feito, está ainda por fazer. 

Nuno Espírito Santo tem quinze jogos para justificar finalmente uma aposta que à partida se revelou imprudente e errada. Está nas suas mãos antecipar o São João para Maio, como tantos outros, tantas vezes o fizeram. 

É certo que sozinho nada pode. 

Precisa de um plantel com qualidade e que acredite nas suas ideias. A primeira parte aconselha a alguns certeiros ajustes em Janeiro, a segunda só depende de si.

Precisa também de uma direcção que o apoie e o proteja, em todos os momentos e nos diversos tabuleiros. Não podemos permitir que este escândalo de benefícios e prejuízos sempre em favor do Benfica continue, esperando que a equipa de Nuno consiga supera-los em vários campos em simultâneo. Não, já chega de empurrar para o treinador responsabilidades que não lhe competem: um presidente e uma mão cheia de administradores têm de fazer muito mais para assegurar que todos beneficiam das mesmas condições para lutar pelo título. 

E precisa, por último e em menor grau de importância, que os Portistas se unam em torno da equipa, mesmo quando o presidente der a entender que os verdadeiros são os das claques, mesmo que isso lhes possa valer um conflito interno por não se reverem nesta direcção moribunda. Nunca se esqueçam que em primeiro está o Clube e é por ele que nos devemos mover. 

Se sermos campeões significar a protelação de mudanças directivas, pois que assim seja! Sem hesitar, digo eu (embora, para mim, as duas coisas devam ser analisadas em separado).

Se todos fizerem a sua parte, vamos ser campeões. Nisso consigo acreditar, sem qualquer esforço. Porque sou do Porto e é assim que nós somos, convictos porque invictos e trabalhadores, mas nunca arrogantes.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




sábado, 24 de dezembro de 2016

Votos Natalícios


A partir do Porto, desejo aos leitores DPcA espalhados pelos quatro cantos do mundo, um Natal em paz de espírito, com alegria e muito, muito Amor.




A inspiração para fazer este postal fui buscá-la a uma única palavra: ESPERANÇA.

Em que este nosso planeta humano, este nosso país, o meu vizinho e também o nosso Porto possam ter pela frente dias melhores do que os que passaram.

Em que, no mínimo, este Natal seja o melhor que cada um puder fazer dele - e nem um bocadinho menos.


Um fraterno abraço Portista,


Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Sleazy Pizzi e o Circo de Anões


Não vi o Benfica - Rio Ave, tal como na maior parte das vezes em que eles jogam. Primeiro, porque não gosto deles. Segundo, porque não aprecio resultados tendencialmente viciados, seja pelos árbitros ou pelos próprios adversários.


 

Vi sim, como quase sempre, o resumo que alguém achou por bem construir como a amostra representativa desse mesmo jogo. E já pelo resumo (da BTV!) fiquei com a pulga atrás da orelha, porque dos da casa vi os dois golos (o primeiro típico, aos repelões; o segundo, um grande golo) e mais uma série de ataques - tudo na primeira parte. Na segunda... quase nada, e ainda assim quase tudo ataques (inócuos) do Rio Ave. Então não quiseram mostrar as inúmeras oportunidades desperdiçadas pelo "justíssimo" líder do nosso campeonato na segunda metade do jogo? Hum...

Logo de seguida, fez-se luz, ao ler as declarações pós-jogo do insuspeito Tarantini:

"Os primeiros 15 minutos marcaram a diferença. Depois veio o melhor do Rio Ave, na última meia hora da primeira parte. Na segunda parte batemo-nos de igual para igual, mas já estava 2-0. 
(...) 
Nem diria que o Benfica entrou forte, nós é que não entrámos como queríamos. O jogo ficou pior porque o Benfica controlou de uma forma… Muitas vezes ficam preocupados que as equipas pequenas fazem aquele tipo de jogo, mas hoje o Benfica agiu dessa forma também. Não valoriza nada o futebol."


Pois, o Benfica é isto. Um grande clube com uma equipa de mentalidade pequena, uma espécie de circo de anões amestrados que fazem sempre os mesmos truques, devidamente amparados, em cada terra onde montam a tenda.

Já se sabia que sempre que vêm ao Dragão (tirando uma ou outra história excepção - e não me refiro ao resultado final, mas sim à forma de jogar) não passam de um Salgueiros pós-dissolução, encolhidos, fechados, a espreitar o contra-ataque e a queimar tempo logo na primeira parte. 

Já se sabia também que na Europa jogam como equipa pequena. Ganharam dois jogos ao Dynamo como equipa pequena, perderam dois jogos com o Napoli como equipa pequena e deixaram-se empatar nos dois jogos contra o Besiktas como a equipa de mentalidade pequena que realmente são.

Nada de novo.

O que surpreende é um jogador do Rio Ave acusa-los de jogarem assim, pequeninos, após os ter defrontado no seu Estádio da Luz. Caramba, estão a exagerar, não?

Então como se explica estarem confortavelmente instalados no primeiro lugar após 15 jornadas?

Vejamos a receita:

- 3/10 Mérito
- 2/10 Sorte
- 2/10 Favorecimentos arbitrais
- 3/10 Prejuízos arbitrais aos rivais

Contra os dois primeiros ingredientes, nada. Contra os últimos dois, tudo. Vivemos o período mais negro do futebol em Portugal desde que vejo futebol, tal é a desvirtuação da competição sempre em favor do mesmo. É factual, não se trata de especulação. Até no Record o reconhecem, pelo amor da Santa!




Bem podem os carneiros lampiões vomitar frutas e cafés com leite como justificação do injustificável. Aliás, é tão ridículo que, se parassem um pouco para pensar, tomariam consciência de que agora aplaudem o que antes criticavam, ainda que apenas baseados em suposições e nas magnânimas "escutas" - pena não terem assistido à superioridade que o Porto passeava dentro de campo, ano após ano, campeonato após campeonato;  bem como a rebaldaria que reinou dentro da sua própria casa durante tantos anos a fio.

Mas a gravidade está em que muitos lampiões já pararam para pensar e ainda assim se vangloriam das suas "conquistas" actuais. Só assim se explica essa "moda" que actualmente os trespassa, onde fazem circular de uns para os outros memes de situações negativas e/ou ilegais que logo passam para segundo plano porque "vão ser campeões". O verdadeiro "não importa como, o que interessa é ganhar". Tenho esperança que não seja a maioria deles a pensar assim, mas não apostaria nem um euro nisso.

Em resumo, a pequenez de espírito é o maior elo de ligação entre o benfiquista-tipo e a sua equipa. Lovely.

Regressando à pequenez da equipa, importa salientar que não começou este ano: desde que nos apagaram a luz após conquistarmos o campeonato no sítio onde mais lhes dói (e continua a doer, eu sei que sim) que passou a reinar naquela "instituição" esta forma de estar que em nada faz jus à grandeza histórica do clube. Mas enfim, o que lhes interessa é ganhar, mesmo sabendo que ninguém fora do benfiquismo lhes reconhece mérito na vitória.

E também, quando se tem o caminho tão bem iluminado pelos comparsas do apito e por alguns adversários, ao passo que aos rivais são montadas toda a espécie de artimanhas, bastam duas perninhas de anão para chegar à meta em primeiro, não é?



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Agora, Sleazy Pizzi.
Ou melhor, a expulsão sleazy de Pizzi.

Até quando se vai permitir que esta vigarice continue?





Aponto o dedo a Pizzi e ao seu mentor Rui Vitória, como aponto a qualquer outro jogador e treinador que se sirvam deste expediente. Sendo os dois em causa dá mais gozo, mas só isso.

Um jogador é punido com um jogo de suspensão ao fim de um conjunto pré-definido de advertências (5, 9, 12, etc.). Faz sentido, pretende-se punir a persistência na infracção das leis do jogo.

Por outro lado, sempre que um jogador é expulso, fica automaticamente suspenso de participar no jogo seguinte (no mínimo, e salvo despenalização posterior). Também me parece lógico, embora defenda que apenas um jogo é pouco como castigo mínimo.

Onde está a lacuna? No "seguinte". É que enquanto que o castigo resultante da acumulação de amarelos é sempre cumprido na competição que lhe deu origem, o da expulsão é cumprido no jogo seguinte, seja qual for a competição a que diz respeito. 

O chico-espertismo humano rapidamente concluiu que após ver o amarelo que dá a tal suspensão, é preferível forçar a expulsão se o jogo seguinte for de outra competição menos importante, como agora aconteceu. Ridículo, anti-desportivo e insultuoso para quem paga bilhete.

Seria realmente simples acabar com isto e são variadas as soluções possíveis.

Uma delas seria o cúmulo de penas. Atinge o quinto amarelo, fica irremediavelmente suspenso do próximo jogo da competição respectiva. É posteriormente expulso no decorrer do mesmo jogo, acrescenta a punição que dela advier à suspensão em que já incorreu. 

Mas importante mesmo seria acabar com esta palhaçada, que por definição será sempre mais apetecível por quem, semana após semana, monta o seu circo de anões amestrados.
 


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Já que estamos a falar de desonestidade e menoridade intelectual, aproveito para destacar a postura bolorenta e corporativa do Sindicato dos Jornalistas - seja lá o que isso for nos dias que correm.

Sou capaz de apostar que a cada dez indivíduos que hoje "assinam" textos como jornalistas, nove não o são. Não passam de malta com um curso feito à pressão (ou nem isso), cujas valências maiores são as do copy/paste e do elevado domínio do Google Translator (traduzam lá isto, vá, vocês conseguem).

Se nos circunscrevermos à imprensa desportiva nacional, o rácio passa a um jornalista em cada vinte (com sorte). É que à falta de formação e conhecimento sobre o que significa ser jornalista, somam a doença clubista que, em muitos casos "capitais", deve ser mesmo a porta de acesso à redacção.

É este tipo de gente que hoje domina o jornalismo, se não por deter o poder da classe, pela mera contagem de números. E isso é que interessa ao sindicato.

Sem conhecer os dois "jornalistas" em causa - a que festejou o golo do Chaves e o que entrou em "diálogo" com adeptos, não me vou alongar em comentários sobre ambos. Pode até ser que sejam jornalistas dignos do nome, que tenham tido um momento mau.

Mas tal não invalida que esse momento mau tenha existido. Ou melhor, esses dois momentos. Pelo que o tal Sindicato (só a definição já me faz comichão) deveria era apurar os factos primeiro, relatá-los e emitir opinião depois, mas nem isso foi feito. Felizmente o Porto respondeu à altura e pouco mais se me oferece dizer, a não ser: cresçam e apareçam, anõezinhos.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Tentativa de Homicídio Qualificado


Extra! Extra! Escutas exclusivas DPcA sobre o Apito Encarnado, captadas horas antes de serem anunciados os árbitros nomeados para os jogos desta jornada 14:


Escuta #1

- 'Tou Vasco?
- Olá Zé, então... falaste com ele?
- Falei Vasco, acabei de falar com o homem... 
- E então, o que disse o padrinho?
- Pá, tenho boas notícias para ti... ainda te podes redimir, ele achou por bem dar-te mais uma hipótese...
- Oh pá, obrigado Zé! Já me estava a ver a acabar como o Marco... e então, está resolvido?
- Resolvido... não... mas podes redimir-te... vou-te pôr no jogo do Dragão, a pedido do homem... agora vê lá o que fazes, ele só quer que não te precipites, não apites nada a favor deles que não tenhas a certeza absoluta de estar certo, vê lá...
- No Dragão? Oh carago, à porta de casa... ó pá, se eu os prejudico, estou tramado, não me deixam em paz no dia seguinte...
- Pois... tu é que sabes... mas para continuares a ser nomeado, já sabes.  E essa malta agora só ladra mas não morde, vai tranquilo...
- Ok, eu vou falar com a minha malta... pá, agradece ao padrinho por mim, ok? E diz-lhe que aquilo na Madeira não foi por mal... 
- Ok Vasco, até logo...


Escuta #2

- 'Tou Bruno?
- Oh Zé, então... vou ser eu o escolhido? Diz-me que sim...
- Vais pá, ele pediu especificamente para seres tu... já viste a honra? 
- Oh Zé, que alegria... sabes que me emociono sempre que tenho o privilégio de os apitar...
- Agora vê lá, Bruno, que corra tudo bem, ah?
- Tranquilo, já sabes que comigo não brincam... eles que joguem tranquilos, comigo não se passa nada. O costume, estás a ver?
- Sim pá, bom trabalho então...


Escuta #3

- 'Tou Hugo? É o Zé...
- Olá Zé, então a que horas é para estar em Alvalade? (ligeira gargalhada)
- Parece que és bruxo! (devolve a ligeira gargalhada) O homem autorizou, diz que é preciso acalmá-los, depois da semana passada e tal...
- Oh pá, eu não quero nada a ver com isso... vou lá fazer o meu trabalho e mais nada... 
- Onde, à Macron? (outra gargalhada, mais sonora)
- Não brinques, esse filme já passou, já acertei o saldo... agora nada, vou lá fazer o meu trabalho... mas diz ao homem que não se esqueça de mim na altura das classificações, ok? Preciso de subir a média...
- Ok, vai lá descansado, mas não vás contra a tua natureza, percebes?...
- Ok pá.


Escuta #4

- 'Tou? Presidente? Daqui fala o Diamantino...
- Diamantino... Ó Diamantino, há quanto tempo... então o que contas?
- Ó presidente, o homem pediu-me para lhe ligar... diz que vocês são uma grande equipa, que é um prazer vê-los jogar...
- O homem?...
- Sim... você sabe, O homem...
- Ah, o seu presidente...
- Isso... dizia eu que ele me pediu para lhe ligar, para o felicitar pela rica equipa que têm... e que tem pena de o Simão se ter ido embora, que ficou preocupado...
- Ficou? Não tem por que se preocupar, a vida continua, e em breve cá teremos outro bom treinador!
- Pois, eu sei, mas ainda assim... o homem quer ajudá-los a ultrapassar este momento mais difícil... e então sugeriu que eu vos oferecesse uma prendinha de Natal, para distribuir pelos jogadores e assim... se conseguirem fazer um bom resultado no próximo jogo...
- ...
- 'Tou? 
- Sim, estou aqui... isso é pouco habitual, sabe?
- Sim, sim, mas não se preocupe, não tem nada de mal... é só um incentivo para que não desmoralizem com a saída do Simão...
- Eu percebo, mas não me parece boa ideia. Mas agradeça ao homem por mim, pode ser?
- Ok... olhe, já agora, dá-me o número do Luís Alberto por favor?



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Mais de 300 quilómetros chegaram para apaziguar a minha escrita. Saí do Dragão com vontade de escrever um incentivo à violência contra todos estes bandalhos que nos prejudicam e ainda gozam por cima. Já no outro lado desses quilómetros, estou mais calmo - mas não menos revoltado.

Que importa dizer que a nossa primeira parte foi fraquinha, pela falta de intensidade primeiro e discernimento depois?

Que importa dizer que o GD Chaves tem uma equipa que joga muito bem à bola, quer a fechar os caminhos da sua baliza, quer a atacar a do adversário?

Que importa dizer que Casillas e Danilo foram Dragões de Ouro? E que Depoitre já brilha que nem um pinheiro enfeitado para as festividades?

Que importa acrescentar ainda que a nossa segunda parte foi de uma alma imensa, como já há muito não se via em nossa casa?

Quando há um grupelho de bandalhos, empossados como juízes do jogo, determinados a falsear o seu resultado, quase tudo o resto perde a importância de ser dito. Porque objectivamente o que eu vi hoje no Dragão foi uma equipa de arbitragem totalmente condicionada pelo Marítimo-Benfica, de tal forma que no seu consciente (já nem é sub) pairava apenas uma certeza: não podiam arriscar favorecer o Porto. Tudo, mas tudo, foi apitado in dubio pro Chaves. E não me venham com a suposta penalidade já perto do final, é quase tão ridículo como o Vieira no balneário de cuecas.  

Até Pinto da Costa se viu obrigado a falar no final do jogo, para que se veja bem ao que isto chegou. Duas vezes! Parece "que já começa a ser demais" e estão "a ficar fartos" - eles vivem, afinal. Estamos a ser prejudicados em quase todos os jogos com erros graves, potencialmente causadores de diferentes atribuições dos pontos em disputa face ao que as equipas produzem em campo. Mas hoje, senhores, hoje passaram o limite. Hoje foi tão descarado o condicionamento desta equipa de arbitragem, cirurgicamente escolhida, que quem melhor o define é mesmo Rodolfo Reis: mete nojo!

Porque hoje, senhores, as aspirações do nosso Porto à conquista deste campeonato foram vítimas de uma emboscada, uma tentativa de homicídio qualificado, perpetrada por um grupelho de imbecis armados de paus, bandeiras e um apito. 

Contra todas as probabilidades, sobrevivemos

Graças à única coisa que importa mesmo dizer, para lá do próprio crime intentado: os nossos foram de uma grandeza extraordinária, souberam resistir às muitas provocações de árbitros e adversários, não perderam a cabeça e foram ao fundo da alma buscar uma resistência heróica, que os trouxe de volta à vida e nos manteve na luta por aquilo que merecíamos liderar - e já com considerável vantagem. Grandes, grandes homens equiparam hoje de azul e branco no Dragão.


Olha... é o Luís Alberto! E como o Dragão gosta dele...



Notas DPcA 

Dia de jogo: 19/12/2016, 20h00, Estádio do Dragão, FC Porto - GD Chaves (2-1). 


Casillas (9): Três grandes paradas e uma defesa extraordinária. E sem falhas no demais. É isto um guarda-redes de um clube grande. É a isto que se chama passar das palavras aos actos. Bravo!

Maxi (6): Começou o jogo muito desinspirado, trapalhão, frio como a noite portuense. Foi pela quebra de rendimento do seu lado que o nosso jogo mais se ressentiu. Voltou forte e decidido do intervalo e contribui também para a reviravolta.

Alex Telles (7): Tal como Maxi, primeira parte fraca, segunda bem melhor. A diferença foi que também fez uma primorosa assistência para o fundamental golo do empate.

Marcano (6): Lá tivemos um vislumbre do Marcano mau - passes perigosos falhados, cortes esdrúxulos, ultrapassado num canto e quase nos enterrava - mas recompôs-se antes que os danos fossem maiores e também ele mordeu a língua perante as duas equipas adversárias. Ok, que volte o Marcano bom pf.

Felipe (6): Menos inspirado do que habitualmente, mal batido no golo (apesar de escorregar - uma vez mais), compensou com o que tinha à mão: uma garra imensa que alimentou o espírito da equipa na sua hora mais sombria. Um lutador nato (mas convém não descurar a parte do futebol, também).

Melhor em Campo Danilo (9): Juro que não é pelo golo (nem tem ponto extra porque atingiria o perfeito 10), mas Danilo é o verdadeiro Dragão desta equipa. Toda a sua revolta, toda a sua preocupação, toda a sua perseverança, toda a sua explosão de raiva e alegria... e todo o seu talento. Caramba, ser do Porto é isto. Ponto. 





< 82' Óliver (7): Foi sempre dos melhores na fase pior da equipa, ajudando a aguentar até que chegasse o momento de virar a mesa. E depois juntou-se "à festa" (diz que assistiu para Danilo, embora eu ache que o golo não teve assistência) até ser substituído. É o único que equilibra as duas missões da equipa a partir do posto de comando. Captain on the bridge!

Corona (5): Uma sombra do que tem sido, trapalhão, desconcentrado, muito fraca a sua primeira parte. Melhorou mas apenas ligeiramente na segunda, pelo que deveria ter sido o primeiro a sair, ou então o segundo, no máximo o terceiro. Mas acabou o jogo com ele ainda em campo, vá-se lá saber porquê.

< 85' Brahimi (7): Foi dos nossos quem melhor começou, quase marcando num remate em arco. Sempre irrequieto mas muito marcado - legal e ilegalmente, não conseguiu fazer a diferença.

André Silva (6): A entrega foi a mesma, mas voltou à falta de eficácia de há uns jogos atrás. Teve pelo menos três boas ocasiões para facturar de cabeça, mas rematou à figura em duas e assistiu a uma boa defesa na outra. E voltou a ceder à tentação de se picar com os lenhadores de trás-os-montes: não pode ser, André - vai acabar mal, um dia destes. 

< 64' Diogo Jota (5): Também entrou no jogo em ponto morto e depois teve sempre dificuldade em engatar até a primeira, quanto mais a quinta ou a sexta. Provavelmente esta curta paragem vai ajudá-lo, esperemos que sim.

> 64' Depoitre (7): Entrou e marcou à primeira oportunidade. Bom golo e fundamental, a propósito. Boa! Pinheirinho, pequenino, láláláláláááá...


 

> 82' Rúben Neves (6): Entrou após a cambalhota, para estancar o jogo. Não foi especialmente feliz nesse propósito, mas não por sua (exclusiva) culpa. E ainda deu uns amassos a uns lenhadores, pelo que está bem.

> 85' J.C. Teixeira (6): Segunda aparição, desta vez sem muito para mostras que não fosse entrega total e compromisso com o jogo - que era o mais importante naquela altura.

Nuno Espírito Santo (7): Vitória contra o Chaves e a arbitragem, pelo que tem duplo mérito na façanha. Claro que nem tudo foram rosas e voltamos ao tempo em que oferecíamos uma parte de avanço. A rever, já. E não se percebe porque não tirou Corona do jogo, de todo. E tirar Brahimi foi convidar o adversário a assaltar a nossa baliza com tudo nos minutos finais. Mas o fundamental foi conseguido, de forma épica, e sendo ele o timoneiro, mérito a quem o merece. No entanto, volto a repetir: esta sequência de vitórias assenta em momentos de superação, raros e caros. Não se pode contar sempre com eles para ganhar jogos, há que estabilizar a produção da equipa.
 




Outros Intervenientes:


Ponto prévio: tenho enorme consideração e até alguma estima pelo clube GD Chaves (já o expliquei aquando do roubo da taça). Consideração essa que até se reforçou um pouco mais ao ver a mui respeitável falange de apoio que trouxe até ao Dragão num dia de semana.

No entanto, tenho que falar da equipa que actualmente representa o clube: e essa é composta por um grande número de bandalhos batoteiros, de que são belos espécimes Paulinho, Freire, Lenho, Perdigão, Fábio Martins (traidor) e sobretudo Rafael Assis, o candongueiro-mor. Todos mereciam levar com o Depoitre pelas nalgas acima - e de chuteiras calçadas.

Uma coisa é defender com unhas e dentes, outras é fazer tudo para que o jogo não se jogue. O execrável Simão partiu, mas o seu veneno ficou bem presente na equipa. A moda Marafona pegou, infelizmente. Nem quero imaginar como será, agora que Simão e Matrafona se juntaram na mesma equipa. No final deu realmente gosto vê-los provar do próprio veneno.


"E agora, quem me dá outro incentivo de Natal?"



Quanto à equipa de arbitragem liderada por Vasco Santos, vou-me conter e abster-me de usar a palavra premeditação. Vou continuar com condicionamento, acrescentando "prévio" para ficar mais bonito. Sempre a deixar jogar quando a falta era sobre os nossos, quase sempre a interromper quando era sobre os deles. Total complacência com todo o tipo de anti-jogo flaviense. E houve um penalti claro, muito mais penalti do que qualquer um possível e imaginário na Amoreira no sábado passado. O erro maior - lance do golo mal anulado - é simplesmente lapidar: mal a bola entrou, desviei de imediato o olhar para o senhor da bandeira e apercebi-me que ainda não estava levantada. É evidente que foi um segundo reflexo, ou melhor, a reflexão após o reflexo da jogada que o fez levantar o pequeno pau. Condicionados. Todos. #colinho  


Estou exausto, emocionalmente falando. O resto fica para depois.



Grande vitória, carago. Bandalhos... Vou dormir. Aliviado e feliz.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor