Do Porto com Amor: Five-a-nil (Smith's way) e o Homus Bipolaris

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Five-a-nil (Smith's way) e o Homus Bipolaris


Resultado perfeito no Dragão. Como se não bastasse apresentarem-se com as segundas linhas, os amigos do Leicester City FC resolveram também jogar de vermelho? É no que dá. Cincazero up theirs.


Até os comemos, caraaaago!


E fico a pensar por que raio não vencemos o grupo. A resposta chega rápida e determinada: porque jogámos pouco, muito pouco até. O acento no "a" é decisivo aqui - e espero que esteja bem aplicado. De facto, nos cinco jogos anteriores desta fase de grupos mostrámos muito pouco (outra vez o acento, repararam?), sobretudo tendo em conta a pouca-valia dos adversários. 

Sim, o Leicester é o campeão inglês e com todo o mérito, tem um orçamento várias vezes superior ao nosso e essa coisa toda: mas a realidade é que esta época são uma sombra do que foram naquela que os coroou como campeões. Aliás, todos nós ficámos com um amargo de boca no jogo de ida, não é verdade? Estavam perfeitamente ao nosso alcance... jogássemos nós o que seria expectável.

Esta conversa toda para chegar ao ponto que já lancei ao comentar no Porto Universal: vive-se uma espécie de esquizofrenia Portista pela bluegosfera adentro (ou será afora?),  dada a incoerência e inconstância de posições e crenças em função de um resultado (neste caso, dois). Ou talvez seja um transtorno bipolar draconiano, não sei. 

O que sei (ou acho que sei) é que termos ganho estes dois jogos não significa termos resolvidos todos os problemas com um passe de mágica - quem me dera. Esses são estruturais e mais profundos. Nem mesmo quanto ao problema conjuntural (leia-se treinador) há qualquer garantia de que se tenha esfumado no bafo do Dragão. 


Sai golaço em dois, um...


As contas são simples de fazer: cumprimos o objectivo na Champions, falhámos na Taça, estamos em situação delicada na Liga e começamos mal a outra taça - tudo isto sob o signo de um futebol incoerente, ultra-ineficaz e não raras vezes mal jogado. Exceptuando estes dois últimos jogos. Que, vá lá, são isso mesmo - os últimos. Mas nada que a bola dentro da baliza não consiga reescrever a tinta invisível, não é verdade, meus caros bipolares?

Mas sei também que estas duas vitórias nos trouxeram um ingrediente fundamental sobre o qual se alicerça um crescimento colectivo e individual saudável e sustentado: a confiança. Por isso, espero que não se atrevam a deitá-la fora, no mínimo até que as doze passas estejam devidamente deglutidas e desejadas.

Quanto ao jogo, foi bom e bonito de ser ver. Tudo pareceu fácil, simples, divinal. Os golos sucederam-se a bom ritmo e foram para todos os gostos e feitios. Grandes golos, alguns deles. Todo o ataque marcou. E continuámos com a baliza fechada a sete chaves. Um sonho de partida. 

Claro que o adversário deu o mote, mas soubemos aproveitar. Parecendo que não, é meritório. Objectivo cumprido, portanto. Segunda-feira, que venha quem vier! (menos o Barça, Dortmund, Arsenal, Atlético e Juventus...)


A meio da triunfal caminhada para a "little hand"



Notas DPcA 

Dia de jogo: 7/12/2016, 19h45, Estádio do Dragão, FC Porto - Leicester City FC (5-0). 


Casillas (7): Um mero espectador na primeira parte, um par de boas intervenções na segunda.

Maxi (8): Outra grande partida, de princípio a fim. Sempre muito (e bem) envolvido no ataque e atento e astuto a defender. E uma boa assistência para um golo de classe. Está em clara subida, que seja para manter.

Alex Telles (8): Em boa hora recuperou a titularidade, porque voltou a ser dos mais importantes na manobre ofensiva. Bela assistência para o melhor golo da noite.

Felipe (7): Outro bom jogo, quase sempre atento e implacável. Calma com a dureza fora de tempo e lugar...

Marcano (7): Outra boa exibição, ao nível do seu companheiro de sector.

< 76' Danilo (7): Oposição de menor qualidade face ao jogo anterior, mas a resposta foi a mesma. Sempre ligado ao jogo, sempre presente. E, aparentemente, também indestrutível (e não é que não tenham tentado - saiu por precaução, suponho). Like.

Óliver (7): Primeira parte de grande nível, naquele seu trabalho duplo habitual de defesa-e-ataque. Quebrou um pouco na segunda mas acabou o jogo (coisa rara) tranquilamente.

Brahimi (8): Regresso de sonho à titularidade, coroado com um golo à Madjcão (meio Madjer, meio Falcao). Nem tudo lhe saiu bem, mas tal nunca será expectável, tendo em conta a quantidade de vezes que arrisca para fazer o "impossível". Que se aguente assim, humilde e inspirado, até que a CAN o leve.

< 76' Corona (9): Está num grande momento de forma, facilmente comprovado pela desfaçatez com que arrisca a finta mais improvável e humilhante para o adversário que se atreve a marcá-lo. Com espaço e inspirado, é um jogador terrível. Golaço e assistência para o primeiro. Hesitei por ele na atribuição do MeC, mas a produtividade de AS acabou por levar a melhor.


O sorriso, que bem que te fica...
 

Melhor em Campo André Silva (9): Está quebrado o mini-enguiço e logo com golpe duplo (e assistência). A resposta ideal a Rui Pedro, o herói do jogo anterior. Como que a colocar cada um no seu sítio. Jogo típico de grande avançado, contribuindo decisivamente para o resultado final. Pimba!

< 75' Diogo Jota (8): Bem melhor do que nos últimos jogos, sobretudo ao nível da confiança e da eficácia das suas acções. Durou até final e acabou presenteado com o último golo da noite (e nós também). Mais um passo no seu desenvolvimento.

> 76' Rúben Neves (6): Não entrou da melhor forma, com um e outro passe mal medido, sem que nada o pressionasse desta vez. Recuperou e entrou no (bom) ritmo da equipa, sem nunca se destacar.

> 76' Herrera (6): Pois, sim, e coisa e tal. Dia de festa, só contei três passes menos bem medidos, não provocou a recuperação do Leicester, seis como os outros... (só por ser dia de festa).

> 78' Rui Pedro (6): Um e outro pormenor, sem nada a relevar que não seja a sua estreia na competição aos dezoito aninhos. E a nota segue nesse preceito.

Nuno Espírito Santo (8): Cinco-a-zero ao campeão inglês. Futebol solto, atraente e golos espectaculares. Uau, este mister é um... mister! Bem, pelo menos ontem foi. Porque nada mais se poderia pedir à sua equipa. Ganhou por muitos e com estilo. Convém não desvalorizar o facto de que estávamos com o apuramento em risco, havia (uma grande) pressão com a qual havia que saber lidar. Evidentemente que Leicesters destes há poucos, provavelmente mais nenhum até final da época. Equipa sem rotinas, sem confiança, sem motivação... mas... nada a ver com Nuno, que o seu trabalho o fez impecavelmente. O "nove" fugiu-lhe pela incompreensível demora nas substituições.


Nada a declarar sobre os demais intervenientes no jogo.


Para a posteridade, o registo de um resultado histórico


Agora interessa-me mesmo (mas mesmo, mesmo... mesmo!) ir à Feira ganhar. Esse feito sim, é que será por mim trovado, sem ponta de escárnio ou mal-dizer. O de ontem foi notável, chorudo e ficará sempre muito bem nos livros de história (e da contabilidade da SAD) - mas já passou. O que eu quero mesmo é engolir este meu post no final da época - e prometo comê-lo até ao último bit... no que ao treinador diz respeito.


P.S. - caso alguém tenha perdido tempo a meditar sobre quem é esse tal de Smith, que siga por aqui...



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




19 comentários:

  1. Algo que a mim me deixou satisfeito foi ver as nossas gentes (a maioria vá) a não embandeirar em arco. Este jogo na Feira adivinha-se difícil porque já sabemos como são os adversários contra o FC Porto. É ganhar ou ganhar.

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    1. Será mesmo a maioria? Tomara que sim.

      Todos à Feira (treinador e jogadores inclusive)!

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  2. Sem as lesões de Otavio e Layun seria a mesma coisa?

    Lápis corajoso, mas isso já se sabia.

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    1. A sério que não sei se está a ser sarcástico... tem que detalhar um pouco mais.

      A mesma coisa nunca seria, fica por saber se não seriam titulares em vez dos que jogaram e as implicações que teria. Mas sim, são dois dos jogadores em pior forma" dos que jogam regularmente.

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    2. Não estou a ser sarcástico, estou apenas a levantar uma dúvida, que subentendo pela crónica que escreveu, também equacionou.
      Se Otavio e Layun estivessem operacionais, NES tê-los-ia colocado a titulares? Brahimi e Corona chegariam a ir a jogo?
      Não sou dos dá já Depoitre como um barrete, nem faz de Rui Pedro uma supervedeta, embora a finalização com o Braga e aquela contemporização e depois o toque que isola, salvo erro o Maxi, não seja para qualquer meco. Como também não acho que o plantel tenha sido assim tão mal formado.Os jogadores colocados à disposição do técnico, mostraram que podem ser criativos, intensos, ter segurança no passe e que podem tomar boas decisões.
      Falta saber se o técnico tem esta pretensão e para isso precisamos de consistência;modelo de jogo, de futebol e resultados.
      Sobre a crónica do jogo, vi exactamente o que o Lápis viu.
      Nos melhores em campo, dando de barato que o puto tem uns "tomates" do caraças e energia duracel, Brahimi encheu-me uma vez mais as medidas, allez, pelo golo à Madger), mas em minha opinião, os melhores foram mesmo Corona e Maxi e...pois claro, ajudei como pude no...Pinto da Costa...:))))

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  3. Vá, vou responder aqui à tua resposta :) E ao post, se me permites.

    Embandeirar em arco, como com o Rui Pedro na semana passada? Passa. Embandeirar em arco é só o balão esvaziar quando a normalidade bater à porta.

    Tipo com a nomeação do senhor Luís "trigger happy" Ferreira para a Feira. E o anti-jogo, cuja alteração sabemos que não é para nós.

    Mas fica a dúvida: não jogamos mais porque não sabemos ou porque não nos deixam? É que, se juntasses os pontos de metade dos penaltis que nos gamaram, estaríamos muito mais à frente.

    E sim, claro, o facto da bola entrar muda a percepção das coisas, mas não é esse o propósito do futebol? Quantos jogos não ganharam AVB, VP ou Mourinho por 1-0 à rasquinha?

    Pôr uma fase negra atrás das costas e ganhar confiança é uma escolha. Entre o optimismo e o pessimismo. Prefiro a primeira à segunda. Digamos que pagar o happy meal ao Silva me deixou Happy.

    Abraço

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    1. Mas a grande questão, meu caro, é saber se a fase negra está mesmo ultrapassada. Com apenas 2 bons jogos e resultados, digo que não. Se ganharmos os próximos 3, começo a pensar que talvez.

      O que me faz confusão são os picos de optimismo e pessimismo, assim tão seguidos e sem justificação aparente. E não confundir com a alegria de ganhar, que essa está sempre justificada por natureza.

      Abraço

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  4. Bahahahahah, Smith. Só percebi no link mesmo. Ca burro, credo.

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  5. Não sabia que Silva em inglês é Smith!!!
    Como também não sabia que Felisberto em spiquingles é Happybert...

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    1. E que grandes momentos passei ao som d'Os Silvas... "Namorada em coma, eu sei, sei, é séeeerioooo..." :-)

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  6. Caro Fernando Pinto, que tudo se resolva a contento e com brevidade!

    Aqui fica o seu comentário, para a posteridade:

    "Que o nosso FC Porto tenha encontrado em definitivo a estabilidade exibicional com resultados a condizer, para bem do nosso Clube e nossa alegria. Um abraço e... FC PORTO SEMPRE"

    Sempre. Um abraço

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  7. Não se admire com a bipolaridade e cambalhotas. Profissionais do sector já haviam garantido que por cá, era no sentido inverso, para a demolição do clube.


    "que existem nesses e noutros blogues, como o nosso, vários assalariados indirectos do Carvalho a comentar) e que 90% estão a fazer aquilo que já se previa depois do escândalo de Varsóvia: culpar Jesus e desculpar Bruno Carvalho."
    "Sim, sem dúvida... o 1º afazer isso foi o SLV. Ee depois no SCP começaram também a ter profissionais a comentar nos Sites e Blogues. É verdade. E o FCP mais uma vez ficou de fora dessas modernices. o FCP nem tem profissionais Bloggers nem tem Paineleiros nomeados, indicados pelas SADs. No FCP não souberam acompanhar os tempos. Só mais tarde aparecerem com a newsletter do dragões diários."

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    1. É melhor enrolar o Expresso nessa lista de demolidores também, a não ser que...

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  8. Quer os profissionais, quer os assalariados estão bem instalados. Não é surpresa nenhuma.

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