Do Porto com Amor: La Clase del Señor Comandante

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

La Clase del Señor Comandante


Que bom foi rever Luís Óscar González.



Os meus ídolos desportivos contam-se pelos dedos de uma mão e Lucho é um deles. Portanto, logo à partida a minha predisposição para o ver jogar e, agora, o rever para apenas o ouvir, está mais recheada de esteróides anabolizantes do que um atleta olímpico russo. 

Mesmo dando esse desconto (tipo últimos saldos), julgo ser relativamente pacífico até entre adeptos (pensantes e civilizados) de outros clubes, reconhecer que Lucho González é um senhor do futebol. A classe que sempre passeou, em pantufas, pelos relvados, tem justa correspondência na forma cordata e humilde com que fala sobre a sua carreira e o futebol em geral.

Evidentemente que em relação a este sentimento de idolatria que eu sinto em relação a ele, só Portistas o poderão compreender, enquanto aquele sorriso cúmplice se escapa em perfeita sintonia com um ligeiro abanar de cabeça. Sim, Lucho foi um dos maiores de sempre do Clube.

Não me parece interessante tentar verter aqui uma análise detalhada do que Lucho disse, nem sequer esboçar um resumo, porque simplesmente tudo foi prazenteiro e merece ser visto e ouvido, na íntegra e na primeira pessoa.

Vou apenas realçar a oportunidade do momento.



Como todos sabemos, Lucho teve duas passagens pelo Porto, bem diferentes na duração e no contexto. Na segunda (que não a última, espero), ajudou Vítor Pereira a sobreviver à "promoção forçada" primeiro e a subir ao Olimpo no ano seguinte. Mas vamos por partes.

Lucho regressou no mercado de janeiro da época 2011/12 (dica nº1), ainda a tempo de assistir a mais um memorável roubo do senhor Bruno Paixão ao nosso clube em Barcelos, onde acabamos derrotados por 3-1. No final dessa jornada, a 18ª, ficámos a 5 pontos do Benfica (dica nº 2). 

Lucho fez questão de abordar essa situação, devidamente propiciada por Rui Cerqueira, para passar duas mensagens fulcrais: a primeira, a de que o facto de ser prejudicado face ao clube da capital só pode servir para reforçar a garra e a união do grupo (dica nº3); a segunda, a que mesmo estando a uma distância respeitável, sabiam que o Benfica ia perder pontos, pelo que o essencial era garantir que eles (nós) não os perdessem também (dica nº4). 

E perderam mesmo, à jornada 19, ainda se lembram onde? Em Guimarães. Sabem onde o Benfica vai jogar na próxima jornada? (dica nº6)

Depois empataram em Coimbra e enfardaram 2-3 dos futuros campeões, com aquela cabeçada em offside de Maicon de que tanto gostam de se queixar (como se de um lance escandaloso se tratasse). E perderam a liderança em definitivo. A competição seguiu animada, com ambas as equipas a desperdiçarem pontos, mas a derrota dos lampiões em Alvalade ditou a sentença final, ratificada mais adiante pelo Rio Ave.



Na época seguinte, 2012/13, os três grandes começaram a Liga com empates. Na jornada que se seguiu, tudo regressou à normalidade: Porto e Benfica ganharam, o Sporting perdeu. À décima quinta jornada, ambos empatados na liderança com 39 pontos. 

Foi somente na jornada 21, aquando da nossa visita aos aflitos de Alvalade que, ao concedemos um inesperado empate, o Benfica se isolou no comando. O verdadeiro problema chegou mais adiante, perante novo empate, agora na Madeira. Quatro pontos de atraso (dica nº7) e apenas sobravam sete jornadas. 

Nas quatro seguintes ninguém cedeu, eles "foram à Madeira festejar" mas deixaram-se empatar em casa com o Estoril, antes de vir ao Dragão... e o resto é história, a mais bela história de sempre do mundo do futebol. Kelvin e seis milhões de joelhos.

Claro que esse minuto 92 foi recordado por Rui Cerqueira, e Lucho não se fez rogado. Deu conta de toda a emoção, da explosão de alegria, dum festejar ímpar nas bancadas. E de que tudo é possível quando se acredita... e se faz por isso. (dica nº8)

Mais do que uma entrevista para os Portistas, esta foi uma lição para dentro, uma aula motivacional para o nosso plantel actual. Certamente por obra e graça de um inusitado sentido de oportunidade da comunicação do Clube, que importa elogiar.

O senhor comandante transformou-se, por uma hora, em senhor professor. E que bem lhe assentou o fato.

Foi um prazer, hasta pronto Lucho González.


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Ao presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, endereço votos de que tenha passado um feliz septuagésimo nono aniversário e que continue a desfrutar de saúde, alegria e bem-estar durante muitos e bons anos.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




4 comentários:

  1. Subscrevo com todas as letras e tenho que fazer dois acrescentos:

    - Esta não me parece mesmo nada ser a atitude de quem tenha saído atrás de guita. Ficou bem claro na forma como o Lucho falou de Paulo Fonseca do erro gigante que foi o primeiro sair antes do segundo.

    - Alguém que diz que quer jogar mais dois meses de borla para pisar o relvado do Dragão não se está a fazer ao piso. Está, isso sim, a mostrar todo o Amor que sente pelo Nosso Grande Clube! Ainda assim, e ressalvo que este é o meu ídolo futebolístico e o jogador que mais gostei de ver jogar na minha vida, mas não destoaria mesmo nada no banco de suplentes, a orientar a juventude e a passar os valores Portistas a quem viesse. O Totti também está no Roma...

    Soube bem. Soube a pouco. Quero mais. Mas há-de vir. Seja de que maneira for!

    Lucho, Lucho, Lucho Gon zález!

    Abraço

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    1. Luuuuuuuchoooooo... GON ZA LEEEEZ!

      (De acordo com tudo)

      Abraço e um grande 2017!

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  2. haverá uma parte III certamente. tal está implícito no brilho dos olhos de Rui Cerqueira quando a aborda na entrevista

    Miguel Lima | Tomo III

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    1. Também acho que haverá, mas não deveria ser a qualquer preço nem de qualquer maneira. Se o forem buscar para ornamento ou trunfo eleitoral, mais vale estarem quietos - Lucho merece mais respeito. E claro, ele próprio tem que ser útil ao clube.

      Mas por agora, vai continuar a jogar...

      Abraço e um grande 2017!

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