Do Porto com Amor: Rogue One: Uma História de Inviolabilidade

sábado, 17 de dezembro de 2016

Rogue One: Uma História de Inviolabilidade


Acabou-se a conversa dos recordes e dos minutos sem sofrer golos. E num jogo em que assegurámos o essencial: vencer. Perfeito.



 
Já andava tudo numa histeria danada a propósito da sequência de jogos sem sofrer golos, em particular os media do costume - a dar eco e a rezar em simultâneo para que a bola entrasse, para finalmente poderem anunciar que a série chegou ao fim, eles são só humanos e ainda por cima não bateram os recordes do tempo da Maria Cachucha. Típico.

No que realmente nos interessava, conseguimos uma vitória justa, justíssima, que apenas se distingue pela escassez de golos face à "produção", já que mais uma vez tivemos que superar a costela de toupeira da equipa de arbitragem - mais um (pelo menos) penalti claríssimo que ficou por marcar a nosso favor com o resultado ainda em branco. 

O Marítimo apareceu no Dragão bem organizado e com uma missão perfeitamente definida: defender bem atrás, compactos, e depois procurar sair rápido nas recuperações de bola e com "bastante" gente se possível. Muito bem estiveram sempre os nossos centrais, laterais, Danilo e Óliver a pôr cobro a essas investidas.

Não estando disponível um árbitro atento para assinalar as devidas infracções dentro da área maritimista, foi preciso esperar quase até ao descanso para que a gazua argelina que dá pelo nome de Brahimi conseguisse, após um ressalto feliz "provocado" por Jota, inventar sozinho o primeiro golo.

A segunda parte não trouxe grande mudança ao cariz do jogo, pelo menos até que AS fizesse o segundo, novamente após intervenção decisiva de Brahimi que saiu cinco minutos depois, por troca com Herrera. Aí sim o nosso jogo perdeu alguma intensidade e os da Madeira sentiram-se mais confortáveis sem o argelino por perto. Dez minutos volvidos, dupla alteração e substituições esgotadas. 

Para azar dos recém-entrados, um tal de de Donald Djoussé resolveu fazer um dos golos do campeonato. Ganhou na luta com Felipe, ultrapassou Marcano e fuzilou Casillas. Um tiro de sniper mesmo ao ângulo. Indefensável. Um golo matreiro, sem princípios, vindo do nada - o verdadeiro Rogue One que deu cabo da tal inviolabilidade da nossa baliza.

Sim, este contorcionismo todo apenas para conseguir justificar o título-tributo à estreia do novo filme da saga Star Wars, desta vez em modo spin-off. Uma espécie de segunda religião, que neste caso até se sobrepôs à primeira: é que não há muitas coisas que me afastem do Dragão em dia de jogo. E sim, valeu a pena (e o culpado é do mordomo).


Directamente do escurinho do cinema...



Notas DPcA 

Dia de jogo: 15/12/2016, 20h30, Estádio do Dragão, FC Porto - CS Marítimo (2-1). 


Qui-Gon Jinn (6): Pouco mais do que um mero espectador, em perspectiva fisrt-person shooter para apreciar o golo maritimista.

Anakin Skywalker (7): Continua a sua saga de pujança ofensiva, sem descurar a defesa. Desta vez até arrancou um penalti, que lamentavelmente não foi assinalado. Está bem e recomenda-se. (nota: ao contrário do Anakin original, esteve começou pelo Mal para depois se juntar ao lado Bom da Força)

R2-D2 (6): Tal como Maxi, em bom plano a atacar e a defender. Pequeno, ágil, tecnicista e inteligente, é de facto uma aquisição muito boa (kudos para quem o trouxe). Happy birthday! 

C-3PO (6): Teve um pequeno deslize, entregando a bola a um adversário, mas fora isso manteve-se impecável. Um robot de segurança defensiva. Esperemos que não volte a sofrer mais nenhum curto-circuito como os da temporada passada.

Finn (6): Ficou a milímetros do merecido golo, de resto quase sempre bem a limpar e a entregar. Perdeu a disputa no lance que resultou no golo adversário, mas não vejo como possa ser penalizado por isso - foi um lance normal, onde ainda por cima escorregou, em que o adversário (fresquinho) foi mais possante.

Chewbacca (7): Outro jogo de qualidade, impondo a sua pujança física para manter a sua zona "limpa" de stormtroopers, mas procurando ir mais além, conduzindo a bola campo acima e procurando facturar em lances de bola parada.

< 84' Ben Obi-Wan Kenobi (7): O mestre que pensa o jogo e liga os companheiros a uma causa comum. Desta vez esteve ainda melhor nos passes "a rasgar", fazendo lembrar os que fazia aquando da primeira passagem pelo Dragão. Igualmente bem a parar as incursões adversárias.

< 84' BB-8 (7): Está numa fase endiabrada este nosso Speedy Gonzalez. Em boa forma física e carregado de confiança, atira-se para cima dos adversários sem medo de falhar e muitas vezes sai vencedor. Um caso sério, se se tornar consistente.

< 73' Melhor em Campo Han Solo (8): É um desalinhado, joga pelos seus próprios objectivos, mas quando quer é um terror para qualquer defesa. Sobretudo agora que parece ter finalmente aprendido a passar a bola e a lutar por ela quando a perde. Um golo providencial, uma assistência e muitas dores de cabeça aos da Madeira. Quem sabe se ainda vai a tempo de sentir o apelo da Força...


"Never tell me the odds!"

 
Luke Skywalker (8): Golo à matador, num momento importante do jogo (e que no final se revelou decisivo). Mas deu muito mais do que o golo, como é de seu timbre. Sempre disponível para receber a bola, ganhando tempo para os companheiros progredirem. Uma chamada de atenção para as picardias: até que foi muito bem aviado aquele encosto ao provocador Raúl Silva, mas o ponto é que não se pode deixar levar em provocações ou inevitavelmente acabará expulso e a prejudicar a equipa. Além disso, está lá o Maxi para fazer o acerto de contas de forma discreta.

Red Leader (6): Melhor do que tem sido norma, mas ainda assim pouco para o que se antecipa que pode dar (e já mostrou em alguns jogos). Falta sobretudo mais objectividade no momento da decisão, seja a passar ou finalizar. Lá chegará, suponho.

> 73' Jar Jar Binks (6): Entrou e não causou estragos. Aliás, até se integrou sem dar nas vistas. Mins very happy!

> 84' Lando Calrissian (6): Primeiros minutos no campeonato e bem interessantes. Terá mais oportunidades com a partida de Brahimi para a CAN ou rumará a Inglaterra por empréstimo? Eu ficava com ele, a ver no que poderia dar...

> 84' Poe Dameron (6): Rendeu Óliver com Danilo ainda em jogo, o que significou poder jogar um pouco mais adiantado. Sem nada de deslumbrante, também não se deu mal. Precisa de mais tempo em campo, pois claro.

Mestre Yoda (7): Vitória fundamental, como são todas por estes dias. Conseguiu que a equipa se mantivesse focada e determinada, mesmo se - tal como na Feira - aquele jogo pastoso e sem ideias se tenha manifestado a espaços. Mas o importante mesmo foi ter assegurado mais três pontos, pelo que sai daqui de bem com a Força.


Já sinto a Força, Anakin... ou então é das tripas...



Outros Intervenientes:


Uma vez mais, foi em Xavier que mais reparei na equipa maritimista. Boa técnica e velocidade pelo flanco, falta-lhe ser mais eficaz (sobretudo a cruzar). E claro, fui obrigado a aprender o nome do autor daquele golaço, o senhor Djoussé.

Quanto à equipa de arbitragem liderada por Bruno Esteves, por certo que já receberam as habituais palmadinhas nas costas pela vista grossa que fizeram. Até percebo que Maxi se tenha deixado cair, mas o contacto é indiscutível e fácil de observar pelo árbitro. Houve também uma possível mão na bola de Edgar Costa (não consegui rever o lance) e um fora de jogo mal ajuizado a Maxi (seria sina?) em situação de golo provável, mas enfim, aceita-se (que remédio). 


Missão cumprida, segue-se o Chaves e o seu execrável treinador (bilhetes grátis aqui). No mercy.



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Uma nota final para a excelente entrevista dada por Iker ao Porto Canal, conduzida por Juca Magalhães. Não sou pessoa de ter muitos ídolos (muito menos falsos), mas mesmo assim senti-me tocado (salvo seja) pelas suas palavras.

A tranquilidade que exala, a simplicidade apesar do estatuto e a ponderação de que não abdica dão-lhe credibilidade para liderar mais até do que o balneário. Não se esconde de temas menos confortáveis nem se deixa levar pelo elogio fácil mas facilmente desmascarável.

Como pessoa inteligente que parece ser, não dirá tudo o que pensa (nem pensará tudo tal qual o diz), mas consegue passar a mensagem, cativar a audiência e amealhar ainda mais simpatia entre Portistas. Um senhor. E que contraste com outras entrevistas recentes.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




4 comentários:

  1. Parti-me a rir com essa do Jar Jar Binks! ��
    Milesh

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  2. Jar Jar Binks?! Coitado! Isso devia ser reservado para o árbitro...

    E o Telles não é assim tão piqueno para ser o "Arturito"...

    Abraço

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    Respostas
    1. Por acaso até acho que são almas gêmeas: bom coração mas só sai asneira... já para não falar das semelhanças morfológicas :-)

      O Telles foi mais pelo badass em estilo compacto... tipo o rasteirinho do Fernando Rocha :-)

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