Do Porto com Amor: Toque a reunir

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Toque a reunir


Aproveitando este curto espaço entre jogos, aqui fica uma igualmente curta reflexão sobre o estado da nação portista e dos seus "queridos inimigos".


O Porto somos todos nós! - Bruno Sousa


Começo já pelo final, o comunicado dos Super Dragões. Gostei de ler e concordo com a substância do que é dito. No fundo, é mais ou menos aquilo que tenho defendido - manter Lopetegui até final da época e não assobiar durante os jogos - ainda que com muito mais palavras a adornar. Dou obviamente de barato os exageros e incongruências que contém pelo meio e prefiro focar-me numa das frases, para mim lapidar (salvo seja):

"O Futebol Clube do Porto tem que ser maior que tudo isso, tem que ser superior a todo o resto."

Pois tem. É isso mesmo. Mas maior do que todos, mesmo todos, super dragões e dirigentes incluídos. É bom que nunca se esqueçam disso, se ou quando tiverem por obrigação confrontar quem escolhe mal os treinadores ou contrata jogadores sem nexo, mesmo que isso lhes custe abdicar das mordomias de que hoje beneficiam.


Nota: o debate sobre a relação clube/claques terá que ficar para outra altura, mas aproveito para levantar a ponta do véu sobre o meu pensamento. Não tenho nada contra o facto de que os ultras beneficiem de condições especiais, diferentes dos sócios ordinários, pelo apoio único que dão às diversas equipas das diferentes modalidades. Aliás, sou até favorável porque me parece da mais elementar justiça. No entanto, traço uma linha limite bem vincada: a relação entre os membros da claque e os dirigentes deve mover-se exclusivamente com o objectivo de maximizar o apoio ao clube. Qualquer tipo de benefício pessoal (para qualquer uma das partes), que em nada beneficie o clube, é totalmente inaceitável. Quem apoia o clube, deve fazê-lo incondicionalmente e sem esperar receber nada em troca que não seja festejar nos Aliados. Mais do que isso, já não é apoiar, é aproveitar-se de um clube que não é (apenas) seu, mas de todos os sócios. 


Regressando ao tema principal, acrescento que para mim esta é uma jogada bem concertada entre SD e direção, mas de onde só sai realmente bem a claque. O silêncio ensurdecedor de Pinto da Costa - que mal chegou à liderança se desdobrou em entrevistas - e/ou de qualquer outro membro da administração faz-se ouvir bem mais alto do que os Super a gritar slbbbbbbbbb... 

Fico contente que tenham sabido sensibilizar o núcleo duro da claque, recuperando-os para o lado bom da Força, mas só isso não chega. Quero ouvir o presidente a reconhecer que nem tudo está a correr conforme planeado, mas que mantém total confiança no treinador para liderar a equipa rumo à conquista do campeonato. E que o plantel tem espaço para ser melhorado neste mercado de inverno. É por demais evidente a falta de um central de categoria indiscutível e de um avançado, para colmatar a saída de Osvaldo. Já nem insisto num Óliver, porque não será fácil encontrar um e tenho visto muito talento a despontar na equipa B.

Janeiro vai ser absolutamente decisivo para nos mantermos firmemente na corrida ao título. Nunca o vamos ganhar neste mês, mas facilmente podemos perdê-lo. E temos a Taça em jogo também. Por isto, fico genuinamente satisfeito com esta atitude reconciliadora dos SD. Da minha parte, continuarei como sempre a apoiar nos jogos e a analisar sem mordaças aqui no blogue. Assobiar nem sei. EU ACREDITO. 

Mas se continuar a haver quem não acredite e se pretenda exprimir assobiando ou exibindo lenços brancos, que NINGUÉM ouse tentar silenciá-los. É um direito que lhes assiste. Tal como de serem criticados por isso, mas nunca impedidos de o fazer.


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Quem também parece acreditar muito na incompetência de Lopetegui é a trupe de Bruno de Carvalho, que nos últimos dias se têm desdobrado em cândidas afirmações de apoio e reconhecimento de enormes capacidades ao nosso treinador, todos sincronizados como macaquinhos amestrados ao som do realejo. Nem sei se hei-de rir ou chorar. Será mesmo possível que esta cambada de perdedores profissionais (no que ao futebol diz respeito, obviamente) acredite que nos pode influenciar a manter Lopetegui se não for esse o "nosso" desejo? Que de alguma forma conseguem condicionar qualquer decisão de Pinto da Costa?

- Respeitável público, mininos e mininas, eis o momento por que todos esperavam. O vosso forte aplauso para os PALHAÇOS!

Já não bastava o enchido regional Pedro Guerra? Ridículo.


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E lá segue o SLB, discreto e aflito, devidamente amparado pelos mesmos do costume. Estamos atentos. Pelo menos o Sporting está. Mesmo tendo ganho àquele que teoricamente será o seu maior rival na luta pelo título, não perdeu tempo a disparar para a outra banda da segunda circular. Muito justamente, diga-se. E da nossa parte, haverá quem se digne a dizer alguma coisa?



Do Porto com Amor


6 comentários:

  1. Uma vez mais, mesmo na parrachita....Parabéns, Lápis.

    Mas se continuar a haver quem não acredite e se pretenda exprimir assobiando ou exibindo lenços brancos, que NINGUÉM ouse tentar silenciá-los. É um direito que lhes assiste. Tal como de serem criticados por isso, mas nunca impedidos de o fazer.

    Quem parece acreditar muito na incompetência de Lopetegui é a trupe de Bruno de Carvalho, que nos últimos dias se têm desdobrado em cândidas afirmações de apoio e reconhecimento de enormes capacidades ao nosso treinador, todos sincronizados como macaquinhos amestrados ao som do realejo. Nem sei se hei-de rir ou chorar.

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  2. De acordo em (quase) tudo. É muito preocupante...
    PS. Oliver a cheirar a naftalina em Madrid. Podíamos desempoeirar o moço por cá...

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    1. Era bom, era... mas desta vez com opção de compra.

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  3. Caro LAeB

    1-Sobre o estado da Nação Portista está condensado no apelo ??!! que titula a sua crónica: "TOCA A REUNIR", sintomático. Contudo, não se afigura tarefa fácil tendo em conta o que para aí vai de desânimo, de descrença, de falta de perspectivas em relação ao presente, quanto mais ao futuro, de desunião numa família, a Portista, numa altura em que mais do que nunca deveria ser
    de união. E por aqui me fico sobre esta realidade, o Sr., tem sem dúvida outros argumentos e outra credibilidade para se debruçar com mais acuidade sobre o momento que nós Portistas vivemos, não só, mas sobretudo, pelo estado actual da nossa Equipa principal de futebol, afinal a mola real do Universo FC Porto. Não por não ter opinião formada, a minha opinião, sou
    apenas adepto, tão fervoroso e incondicional como (todos??!!) os Sócios, mas apenas adepto, e portanto sem qualquer interferência no presente, como não tive no passado, e não tenho no rumo que o FC Porto escolherá para o futuro. Limito-me a estar ao lado do FC Porto sempre e em qualquer circunstância.

    2- Agora um ponto de divergência, não leve a mal. Valorizava sem dúvida o comunicado dos Super Dragões se fosse espontâneo, na génese da contestação e dos assobios ao nosso Treinador, não depois daquele momento (derrota com o Sporting com negociações à mistura às 3H00 da manhã, com a Direcção do meu Clube a passar a ideia de estar refém de uma claque para pacificar as hostes), abdicando de uma responsabilidade que é dela e só dela e que porventura seria evitada, fosse outra a política de comunicação e consideração para com Associados e adeptos que, nos tempos que correm deixam muito a desejar.

    3-Quanto aos assobiadores, já deixei a minha opinião num dos comentários anteriores e não acrescento mais nada. Cada um manifesta o seu desagrado como entende da mesma maneira que me assiste o direito de lamentar o modo. Talvez seja pela minha idade, prestes a fazer 65 anos, talvez seja pelo facto da minha fé no FC Porto ter sobrevivido a 19 anos de jejum ou simplesmente pela forma como estou na vida, o que é facto é que não consigo assobiar o FC Porto. Para não ser exaustivo e a título de exemplo, a Época passada fui assistir ao BelenensesxFC Porto (1-1), numa das prestações do nosso CLube mais indigentes a que assisti. E sabe porque não saí a meio do jogo, porque aqueles 11 "profissionais" ostentavam ao peito o Emblema do FC Porto, era o FC Porto que "jogava" e por mais degradante que fosse a exibição, o amor e respeito que tenho pelo meu Clube obrigou-me a ficar até ao fim e sem assobiar.

    Peço desculpa pela extensão do meu desabafo.

    Um abraço.

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    1. Estimado Fernando

      Não tem nada por que se desculpar e ainda menos por ter opinião divergente. Como reconhecerá, neste blogue não se censuram opiniões de ninguém e muito menos as suas, que desde sempre transbordam respeito e amor ao Porto.

      Percebo o seu ponto 2, até concordo com o conteúdo, simplesmente prefiro nesta fase realçar o que sobra de positivo desta acção, remetendo-me para a tal frase que decidi destacar no texto. Porque apesar da desilusão e da consciência de que muito terá que mudar, neste momento prefiro ser mais uma voz a contribuir para a união da nossa nação.

      O seu último ponto revela-me que temos uma forma muito semelhante de sentir e viver o clube. Apesar de alguns anos de diferença (coisa pouca :-), o sentimento é o mesmo.

      Abraço portista

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