Passagem de Ano (no) Top

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Passagem de Ano (no) Top


Noite fria no Dragão, que nem a boa onda do Mar Azul conseguiu disfarçar, perante um sempre incómodo CS Marítimo, que desde o apito inicial mostrou ao que vinha: evitar que o Porto jogasse, quer através de um posicionamento muito baixo e marcações apertadas no último terço, quer através de constantes interrupções de jogo.


A nós, custou-nos um pouco "arrancar", talvez devido ao frio. Nem percebendo o (anti-)jogo do adversário, tivemos grande capacidade para alterar a habitual forma de assaltar o castelo. Resultado, mais de metade da equipa encostada na frente, invariavelmente a receber a bola de costas para a baliza e sem possibilidade (ou vontade, ou capacidade) imediata para "tocar e virar", criando o indispensável desequilíbrio.

Rotações de um lado para outro (as famosas basculações), lentas e previsíveis, que dificilmente desposicionavam a compacta muralha maritimista. Assim se percebe que o primeiro remate só tenha chegado aos dez minutos e que o golo inaugural tenha nascido num canto. Bem a aproveitar esteve Reyes, devolvendo com juros a aposta que SC fez nele. 

O que não estava no "guião" é que, meia-dúzia de minutos volvidos, o Porto estendesse a passadeira para o Marítimo marcar, à segunda, o golo do empate. Muito má "decisão" colectiva na forma de abordar todo o lance, com a sorte a decidir penalizar-nos no ressalto final. Tudo se voltava a complicar, não fosse pela generosidade de João Gamboa, que se expôs a um justo segundo amarelo e assim deixou a sua equipa reduzida a dez. Lance decisivo no jogo, que nos atiçou ainda mais na busca dos três pontos. 

Ainda assim, foi preciso esperar quase pelo intervalo para que Marega desfizesse a igualdade, num lance pleno de oportunidade mas também de qualidade (na finalização e na assistência de Brahimi). Timing perfeito, tudo em paz para os balneários.

O que a mim mais me desiludiu foi mesmo a segunda parte, de tão morna e amarrada que foi quase até final. Mesmo perante um adversário ainda mais recuado, esperava mais criatividade, mais soluções para criar perigo e fazer rapidamente o terceiro e definitivo golo. Nada disso.

A entrada de Corona foi tardia dadas as circunstâncias da partida, mas lá chegou, o que deu um pouco de vida àquele jogo empastado e sem soluções. Foi já perto dos oitenta minutos que Marega sentenciou, finalmente, o desfecho final. Poderia ter acontecido mais cedo, é verdade, até pelo próprio maliano, mas soube realmente a pouco em termos de jogo jogado. O que soube mesmo, mas mesmo bem, foram os três pontos e manutenção do primeiro lugar. Que seja sempre assim...





Notas DPcA 


Dia de jogo: 18/12/2017, 21h00, Estádio do Dragão, FC Porto - CS Marítimo (3-1)


José Sá (6): Sofreu um golo fruto de um desvio num companheiro, na sequência de uma defesa de recurso para o lado e... nada mais a registar. Fez bem em optar pelos collants...

< 65' Maxi (6): Bem na ajuda ofensiva, foi um dos réus no golo sofrido, não só por estar fora de posição, mas sobretudo porque não travou o lance quando teve oportunidade (em falta, se necessário). Saiu naturalmente, embora o pudesse ter feito logo ao intervalo, dada a vantagem numérica.

Alex Telles (7): Mais uma batelada de lances de bola parada, um com destino feliz e alguns outros que mereciam mais acerto por parte dos destinatários. Pelo seu lado, não deu grandes baldas a ninguém. Um jogo completo do titular mais indiscutível desta equipa...

Marcano (6): Outro dos "fofinhos" no lance do golo sofrido, limitando-se a marcar com os olhos e a deixar rolar. Teve boa oportunidade para se redimir, mas o cabeceamento saiu ao lado.

Reyes (7): Abriu o marcador, depois de conseguir aparecer isolado a finalizar o canto de Telles, o que por certo lhe aumentará a confiança e talvez até a vontade de continuar depois de Junho... Quase sempre seguro e eficaz, prepara-se para fazer a vida negra às aspirações de Felipe.

Danilo (7): Outra vez o Senhor Porto dentro de campo; luta muito, joga bem e não leva desaforos para casa. Precisamos de mais assim. Bem mais.

Herrera (6): O início foi prometedor, mas depois andou mais próximo do Errera do que do Herrera, embora com saldo final ainda positivo, pelo que foi ajudando a equipa a ligar-se na fase de construção.

Ricardo (6): Recentemente, quando ocupa esta posição mais avançada, acaba por flectir em demasia para o centro. Percebo que sejam ordens para permitir a entrada do lateral, mas parece-me que leva demasiado à letra e acaba por se atrapalhar ao coincidir com outros companheiros no mesmo espaço. Em todo o caso, foi importante na manobra ofensiva e merece ser lembrado por uma actuação positiva.

< 83' Brahimi (7): Sentiu muitas dificuldades na fase inicial para conseguir expor o seu jogo, facto que não é alheio à marcação cerrada de que foi alvo. Mas mesmo quando se conseguia libertar, não estava fácil dar o melhor seguimento. Até que, em cima do intervalo, fez uma bela assistência para Marega repor a vantagem. E gostou tanto, que replicou a dose na segunda parte. No final, saldo claramente positivo e diferenciador, mesmo sem grande exibição.



Melhor em Campo Marega (7): Quero começar já pela sua finalização no 2-1, que foi de muito bom nível e num momento em que era realmente importante que não falhasse. Isso denota alguma "variação" face à sua norma, o que é bom. Mas fez muito mais, sempre muito disponível para acorrer e lutar por todas as bolas, acabando mesmo por bisar nesse seu movimento diagonal característico. Jogo muito interessante.

< 72' Aboubakar (6): Hoje não foi dia de Abou, foi dia de ver o seu companheiro de ataque brilhar. E contribuir para isso, entenda-se. Sempre muito envolvido no jogo colectivo, não teve a felicidade de as bolas de golo passarem por ele.

> 65' Corona (6): Conseguiu sacudir um pouco a equipa daquela letargia em que estava mergulhada, acabando por ser relevante mesmo sem se evidenciar inter pares.

> 72' Soares (5): Está ainda à procura de ritmo, após o regresso da lesão. Mais do que isso, parece ter alguma dificuldade em ligar-se à forma de jogar actual da equipa, mas admito que tal se possa dever à tal falta de ritmo.

> 83' André André (-): Nada a relevar.

Sérgio Conceição (6): A vitória por si só talvez justificasse nota melhor, mas confesso que me angustiou um pouco aquela incapacidade de matar o jogo durante quase toda a segunda metade, deixando-nos assim vulneráveis a qualquer outro lance fortuito, tal como o do golo sofrido. Podia e devia ter trocado Maxi por Corona logo ao intervalo, dada a superioridade numérica em campo. E, mais importante, esperava que conseguisse alterar as pedras no tabuleiro para conseguir tirar real partido dessa superioridade. Repetindo-me: percebo da dificuldade de enfrentar equipas que se encostam atrás, mas queria ter visto um pouco mais, um pouco mais cedo. No final do dia, parabéns ao mister, que assegurou mais uma importante vitória nesta longa caminhada.


Outros Intervenientes:



Tenho sido admirador de Daniel Ramos, precisamente pelo bom (muito bom) trabalho que fez no Marítimo, mas esta época confesso que me desilude a forma como coloca a equipa a jogar. Os resultados dão-lhe razão (tal como deram muitas vezes a Mourinho), mas a mim não me agrada. Espero que seja apenas uma estratégia temporária para combater as muitas mudanças face à última temporada. Caso contrário, estará ele próprio a definir os seus limites - bem modestos. Hoje nem a expulsão explica aquela forma de (não querer) jogar. Sabe a pouco e ninguém se consegue evidenciar...


Quanto a Manuel Mota e companhia, nada de grave a registar, apesar de demasiados erros sem que nada o justificasse. E então aquele tiquezinho de autoritarismo, quando se lembra de ir para a linha conversar com os treinadores sem que nada o justifique, e impede o jogo de prosseguir? Um predestinado para a coisa... (ámen). 
Quanto ao lance mais relevante, a expulsão de João Gamboa, tendo a concordar com a análise de Daniel Ramos, mas reforçando o que aqui mais interessa: o jogador foi bem expulso. Se noutros campos e jogos outros são perdoados, isso é outra conversa.



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Peço desculpa por não ter escrito a crónica do jogo anterior, mas não tive possibilidade de o fazer em tempo útil. Fica, no entanto, o registo do encontro e as notas em versão redux.


Dia de jogo: 14/12/2017, 20h15, Estádio do Dragão, FC Porto - Vitória SC (3-1)

Nota (7): Telles, Danilo, Herrera <79'Aboubakar <72', André André >62', SC
Nota (6): Iker, Maxi, Marcano, Reyes, Corona, Ricardo <62', Marega, Soares >72'
Nota (-): Óliver >79'



Seguem-se dois jogos que decidirão o nosso destino na Taça da Liga. Bem sei que muitos se estão a borrifar para esta prova (ou dizem que estão), mas eu não. Aliás, já me enerva solenemente que ainda não more no Museu. Já fomos "maltratados" de todas as formas nesta taça, na maior parte das vezes fruto de auto-mutilações, pelo que já é hora de a vencer. Podem tratar disso, por favor? Agradecido.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



6 comentários:

  1. Apenas duas notas caro Lápis:

    - O nosso FC Porto venceu bem, com justiça, bem instalado na liderança, logo, nós Portistas já temos para já a nossa prenda no sapatinho. Esperemos que lá para Maio o Santa Claus faça uma vigem extra e nos traga o presente maior, o título de Campeão.

    - Agora mais importante, aproveito para lhe desejar e a todos os que lhe são queridos, umas Festas Felizes e que o novo ano corresponda a todas as suas expectativas, particulares, profissionais e familiares não esquecendo obviamente o nosso FC Porto.

    Um grande abraço Azul e Branco

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    1. Agradeço e devolvo os votos, caro Fernando. Um abraço Portista.

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  2. Se voltar a ver o jogo, talvez mude de opinião.
    Dos melhores jogos da época do F. C. do Porto.
    Ainda lhe custa dizer pra caraças que o Herrera joga e faz jogar. :)))

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    1. Não creio, mas admito que pense diferente. Viva a democracia!

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  3. Democracia!?!?!....amordaçada que dá um jeito tremendo ao polvo nojento das sete colinas.

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