Do Porto com Amor: CTF - Castelo Conquistado

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

CTF - Castelo Conquistado


Mais um prémio de montanha conquistado, mais uma etapa cumprida com total sucesso. Bem posso continuar a discordar das opções de Nuno Espírito Santo, desde que o Porto continue a ganhar.




Outro onze que não indiciava nada de bom. Desta vez, até o recém-contratado Óliver foi para o banco, para que a dupla infernal André André e Herrera pudesse mostrar todo o seu potencial. Uma espécie de novo Estoril, com essa e outra variante: Brahimi de início, para que Jota não tivesse de ser substituído à meia hora de jogo.

Pasmo com o entusiasmo dos que se orgulham deste Porto ser uma equipa que "não dá nada a ninguém", que exibe uma "defesa de betão", ao nível das "melhores da Europa", como se isso só por si fosse um feito notável.

Uma coisa são os números, e esses nunca permitem ser desmentidos, embora contemplem variadas interpretações. Temos, de facto, uma das equipas menos batidas dos principais campeonatos europeus. Mas esse feito só tem algum valor se e quando conseguirmos fazer golos, em concreto, pelo menos um a mais do que cada adversário que defrontámos. E temo-lo conseguido, nestes últimos cinco jogos.

Outra coisa é o plano que se tem para cada jogo, e o que se espera que dele resulte. Aí é que eu - um simples adepto, que pouco percebe de futebol - tenho muita dificuldade em acompanhar o brilhantismo táctico e estratégico de NES. 

Se a ideia do treinador passa por garantir, num primeiro momento, a "incapacidade" do adversário para criar lances de perigo, à custa da nossa própria capacidade para o fazer, discordo em absoluto dele. 

Primeiro, porque vejo o futebol como um jogo positivo, em que o propósito deve ser o de marcar e não o de não sofrer golos. Segundo, porque nada garante que, mesmo a tentar controlar o adversário, ele não acabe por marcar num lance qualquer. E nesse momento, estaremos ainda menos preparados para voltar ao jogo e tentar a reviravolta, quer táctica, quer psicologicamente.


Vitória, uma ilha de fervor clubístico no mar dos três grandes

Dirão os defensores de Nuno que, do mesmo modo, também nós "estamos sujeitos" a fazer golo "num lance qualquer", mesmo assim dispostos em campo - verdade, aliás comprovada neste jogo, dada a inatacável eficácia que voltamos a ter na primeira parte. Só que, por princípio, não me parece bem. Prefiro jogar para fazer golos desde o primeiro minuto, fazê-los em quantidade suficiente e então, mais adiante, dar tréguas aos mais desgastados e optar por baixar o ritmo de jogo. Ideias.

A nossa primeira parte foi então... o golo de Soares. O resto, muita bola disputada, muita marcação, mas clara incapacidade para construir lances de perigo (surprise, surprise) de forma sistemática. E sim, o Vitória também não os conseguiu flagrantes, apenas lances de bola parada, em tudo semelhantes aos nossos. Mas, uma vez mais, ficou bem patente a falta de soluções que acossava o portador da bola, desta feita por não haver quem alargasse (com qualidade) o jogo pelas faixas.

A vencer pela margem mínima, esperava que o recomeço trouxesse uma equipa bem acordada desde o primeiro apito. Na realidade, foi uma equipa apática e algo desconcentrada que se viu nos primeiros cinco a dez minutos após o intervalo. Valeu que o Vitória não conseguiu concretizar nenhuma das oportunidades razoáveis que criou nessa altura.

No entanto, ficava claro que sem um segundo golo, os da casa nunca baixariam os braços e os três pontos estariam sempre em risco. Foi então que se fez sentir a (boa) presença do treinador no banco, quando acrescentou um ala (o único, eu diria) ao jogo, por troca com um dos avançados. Foi o suficiente para reter mais adversários atrás, em especial no corredor de Corona. Mesmo sem brilhar muito, foi suficiente para impor respeito - que é muito lindo, como se sabe. Depois refrescou, saindo Brahimi e entrando Jota, que por felicidade, acabou por ser decisivo. Logo após a entrada de Óliver, que vinha com a clara missão de por água na fervura vimaranense.

Com o segundo golo, o jogo ficou fechado. Os últimos 10 minutos foram apenas para cumprir calendário. Boa e fundamental vitória no Castelo, com dedo do treinador. Viva ele.

Os festejos do segundo golo




Notas DPcA 

Dia de jogo: 10/02/2017, 20h30, Estádio D. Afonso Henriques, Vitória SC - FC Porto (0-2)


Casillas (6): Jogo bem mais calmo do que seria esperado, com uma defesa monstruosa num lance já invalidado.

Maxi (6): Voltou a ter liberdade (e talvez pernas) para se aventurar flanco acima e disso resultou uma boa exibição, a fazer lembrar o melhor Maxi que ataca e defende. Por agora, apenas lembrar, mas quem sabe...

Telles (8): Segundo jogo com oposição difícil pela frente, a limitar-lhe a investidas ofensivas, mas nem por isso deixou de as fazer, quase sempre com critério acertado, com destaque para a assistência para Jota.

Marcano (7): Aqueles passes despropositados, directos para o avançado perder a bola, são o ponto mais baixo de uma exibição defensiva de qualidade. Globalmente muito positivo, claro.

Felipe (7): Ao nível do companheiro, sem os passes despropositados. Quase marcavam em dueto.

Danilo (7): Outro jogo muito conseguido, nesta forma parece não saber jogar mal. Dominador no seu espaço e normalmente rápido a ele regressar, quando se aventura noutros terrenos. E entrega bem a bola, quase sempre de forma simples. Por pouco não repetiu a assistência contra o Sporting. 

Herrera (6): Primeiro lance, primeiro passe falhado - parece sina. Felizmente muitos dos que se seguiram acabaram melhor, com destaque para as coberturas defensivas, naturalmente. Não deixou de ser Herrera, mas já vi pior, bem pior. Ah, e marcou bem os cantos!

< 83' André André (6): Primeira parte de fraca qualidade, destacando-se apenas pela destruição de jogo. Aqui, isso não chega - nem o "6" se limita a isso. Melhorou com a entrada de Corona e respectiva alteração do esquema, mas soube a pouco. Cumpriu os mínimos no regresso a uma casa que já foi sua.

< 75' Brahimi (7): Não se destacou pela qualidade técnica ou por lances de golo, mas brilhou muito em termos de atitude (quem diria), entregando-se à batalha de corpo e alma, ao ponto de pretender também enfrentar os adeptos locais (soube bem, mas dispensável). Foi importante a fazer o que eu jamais imaginaria que fosse: ser um jogador de e para a equipa.

< 65' André Silva (6): Jogo complicado, pela opção táctica de Nuno e pelo adversário, mas não se escondeu e trabalhou muito, como é seu hábito. Acabou por ficar, de forma feliz, ligado ao primeiro golo - e ainda bem, porque esforçou-se para merecer essa felicidade. Saiu bem, porque o jogo precisava de outra disposição táctica.

Soares marcou mas conteve a alegria

Melhor em Campo Soares (8): Claro que ter aberto o marcador pesou na decisão, mas seria tremenda injustiça não acrescentar o imenso trabalho que deu à defesa contrária e o muito jogo que "inventou" para o nosso lado. Tem muitos pormenores de jogador, desde a recepção ao passe que lhe sucede, e procura jogar simples e com objectividade. Que seja para durar. Segundo jogo, segunda vez homem do jogo. Hum... talvez seja.

> 65' Corona (6): A grande ausência do onze inicial, entrou com vontade mas sem grande inspiração. Teve, ainda assim, alguns lances típicos que nos valeram cantos e livres, no fundo, tempo para respirar e acalmar o ímpeto dos da casa.

> 75' Diogo Jota (7): Entrou desatento (ou mal informado) sobre a marcação, fundamental, que deveria fazer ao lateral adversário, o que permitiu alguns lances de algum perigo. Foi rápido a acertar o passo e acabou por sentenciar o jogo na segunda tentativa de que dispôs na cara de Douglas.

> 83' Óliver (6): Foi a jogo para ajudar a fechar a porta, mas apenas dois minutos volvidos aconteceu o segundo golo, o que permitiu que a equipa se limitasse a gerir até final. Esteve regular.

NES (7): Já fui claro quanto a não ter gostado do plano inicial, mas - talvez pela primeira vez - creio que o treinador leu bem o jogo e mexeu na equipa de acordo! Parece pouco, mas não é. Penso que a troca de AS por Corona foi decisiva para colocar o Vitória em sentido e refrear as suas intenções ofensivas. E depois, acertou com a entrada de Jota. E finalmente, optou bem por Óliver (face a Otávio) para segurar o jogo. Portanto, mau plano inicial (digo eu), bem rectificado e o melhor resultado. Siga...
 
É assim que o Pizzi vê o mundo...


Outros Intervenientes:


A envolvência ofensiva foi o que mais gostei de ver na equipa de Pedro Martins, que até ao segundo golo (a cinco minutos dos noventa) fez pairar a incerteza quanto ao resultado final. Individualmente, gostei de Raphinha na primeira parte e do central Henrique durante todo o jogo.

Pela primeira vez em muitos jogos, não tenho nada a registar sobre a arbitragem. E logo uma liderada por Carlos Xistra, quem diria?... Teve falhas, como têm todos, mas nada que me parecesse relevante para o resultado final. Não revi o jogo na televisão, pelo que admito que me possa ter passado algum erro cabeludo.


Poortooooooooooo! Poortoooooooooo!


Bem resolvidos os dois ossos duros, desta e da jornada anterior, falta agora vencer o Tondela para encerrar este mini-ciclo pré-Juve de forma 100% vitoriosa. Vamos a isso, equipa? Bilhetes já a seguir.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




7 comentários:

  1. Escapou sim senhor. Mas deixa lá, mesmo na TV, muito se esforçaram pra que escapasse...
    Viva o Soares :))))

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    1. Pelos resumos não vi mesmo nada, o mais complicado seria a suposta mão na bola de Maxi, mas foi claramente bola na mão, pelo que bem assinalado. Viva!!

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  2. Mais uma vez - e infelizmente - estou tão de acordo contigo! (salvo Marcano, a sério, meu!)

    Infelizmente, não porque não queira contigo concordar, mas porque não acredito nesta receita!

    Bem, mas NES é que sabe - acho.. - e, quando formos campeões, lá estaremos todos a festejar com ele.

    Estamos hiper-realistas. Acho bem que estejamos.

    Abraço.

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    1. Marcano? Porquê? Não esteve bem no jogo?

      Se as nossas divergências de opinião significassem títulos do Porto, passava a vida a discordar de V .Exa. Como não influencia, mais vale que nenhum de nós tenha razão neste caso, e que NES seja realmente um visionário... campeão.

      Já veremos com a Juve o quão realistas estamos...

      Abraço

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    2. Acho a nota..curtazinha! :)

      E faço minhas as tuas palavras.

      Abraço

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    3. Ah bom, entendo. Por norma, para se ter 8 ou mais é preciso estar directamente envolvido em golos: marcar, assistir ou... evitar, como Iker com o SCP. Não é "lei", é tendência... pode acontecer.

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  3. Percebo os pontos de vista. Mas a mudança de paradigma é real, e se calhar espectável.
    A chuva de críticas, quer de adeptos, quer da "crítica", ao futebol de lopetegui, aquele futebol de posse posse posse chegou a ser trágicómica, agora chovem críticas pela falta de posse. É a vida. Há gente que quer sol na eira e chuva no nabal:)

    Abraço
    Pedro Santos

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