Do Porto com Amor: Um Clássico clássico

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Um Clássico clássico


Foi mesmo um clássico, este clássico. Golos, emoção, alternância do domínio, agressividade e incerteza até final. E foi também um clássico clássico contra o Sporting: não podia faltar a arbitragem para nos atrapalhar.

 


Os primeiros bruás ouviram-se quando o nosso onze foi dado a conhecer. Apenas dois médios "verdadeiros", Corona e Bahimi no onze, juntamente com AS e o estreante Soares. Muita chicha no assador, logo a abrir a refeição. Tanta ambição contra um candidato ao título, tanta sede para ir ao pote, quando ainda na jornada anterior se optou por alinhar quatro médios eminentemente defensivos contra um adversário que apenas lutará para não descer. Mistérios de NES, que, no entanto, pareceu surpreender o Sporting.

Não entrámos a todo o gás, como eu gostaria, mas a estudar o adversário, como quase sempre acontece. Tudo bem, valeu-nos a imensa eficácia de Soares, que não desperdiçou logo na primeira oportunidade. Nem na segunda! Estreia de sonho do ex-Guimarães, que ainda na primeira parte teve uma oportunidade razoável para fazer um hat-trick histórico. O Sporting quase não se viu na primeira parte, excepto através da cobrança das muitas faltas cirúrgicas assinaladas pelo árbitro. Lances com algum perigo, mas sempre bem resolvidos pelos nossos, com maior ou menor dificuldade. Ao intervalo, ficava a sensação de estar a ser demasiado fácil. Algo não batia certo.

No regresso, percebi porquê. Jesus mexeu na equipa e com o jogo, passando a dominar pela superioridade que conseguiu em frente à nossa área, graças à entrada de Alan Ruiz. E nós não soubemos reagir. Nem NES, durante quase vinte minutos, durante os quais o adversário fez o seu golo. Mentalmente, passaram eles para cima e nós para baixo. Sempre com medo que a desgraça se abatesse sobre nós, tal como no outro clássico anteriormente disputado no Dragão. Houve vários lances onde o Sporting poderia ter empatado, mas o principal foi mesmo sobre o (suposto) apito final, onde não haveria tempo para reagir. Valeu-nos San Iker.

Três pontos, era tudo o que contava. Missão cumprida, etapa vencida. Venha a próxima, se possível com um bocadinho menos de sofrimento.





Notas DPcA 

Dia de jogo: 04/02/2017, 20h30, Estádio do Dragão, FC Porto - Sporting CP (2-1). 


Casillas (8): Uma defesa histórica, assombrosa, foi o que foi, e valeu dois pontos. Não se pode pedir muito mais a um jogador do que o ser decisivo. E outras mais (uma também espantosa, apesar de o lance já estar invalidado). Não fosse aquela sensação de que podia ter feito mais no golo sofrido e a nota seria ainda melhor.

Maxi (6): Combativo como sempre, com pouco pulmão como actualmente. Na segunda parte sofreu a bom sofrer, com as investidas de dois e três adversários pela sua zona. No final, terá sorrido, exausto.

Alex Telles (6): Menos exuberante e assertivo do que em jogos recentes, o que se esperava tendo Gélson pela frente. Mas até nas bolas paradas esteve desinspirado, pelo que foi defensivamente que mostrou o seu valor e a sua garra.

Marcano (8): Grande, grande exibição. Em parceria com Felipe, secou Bas Dost & Cª. Mesmo na segunda parte, nunca se descompôs perante a avalanche ofensiva do adversário. Volto a dar o braço a torcer, após mais uma excelente resposta num jogo de elevado grau de dificuldade. Mas atenção, Iván: voltaste a dar duas ofertas com a bola controlada... e isso tende a correr mal, uma ou outra vez. Atenção.

Felipe (7): Também em muito bom nível, mas mais discreto do que Marcano. Cumpriu com distinção. E com a língua dobrada entre os dentes, o que cai sempre bem em todos nós.




Danilo (8): Sem nenhum colega de equipa a "estorvar", exibiu-se em todo o seu esplendor, controlando uma grande zona de vigilância. E ainda fez um passe soberbo para o segundo golo. É o (meu) Super Dragão.

Óliver (7): Percebeu bem o posicionamento de Danilo e procurou complementá-lo. Bem a limitar as acções de Bryan e Adrien na primeira parte, "sem mãos a medir" na segunda pelo acrescento de Alan Ruiz. Mas disso não teve culpa alguma e, ainda por cima, resistiu até chegarem os tardios reforços. E depois até final.

< 70' Brahimi (7): Notou-se que tinha na cabeça preocupações diferentes do (seu) habitual. Desta vez, tinha uma missão secundária (principal?), para lá de pegar na bola e desequilibrar a defesa contrária. E não se deu mal, procurou ajudar a evitar inferioridade numérica no nosso meio campo defensivo. E também tentou os seus desequilíbrios, mas esteve quase sempre muito longe das zonas onde sabe ser decisivo. Saiu cedo do jogo, talvez cedo demais.

< 83' Corona (7): A primeira assistência, após várias trocas de olhos e rins ao defesa, quase valeu pela sua chamada ao onze. Mas fez bem mais, apenas sem finais tão felizes como aquele. E defendeu, mas algumas foram as vezes em que chegou atrasado, e isso poderia ter sido mais "delicado" de resolver.

Melhor em Campo Soares (9): Foram os primeiros 90 minutos seguidos em que o vi jogar e não posso dizer outra coisa que não seja um UAU! à Inácio. Aquele segundo golo diz-me que é jogador, para lá de saber jogar à bola. E é craque a ganhar espaço para dominar a bola, com o defesa nas costas. E combina bem, de seguida. Grande surpresa para mim, espero que seja para continuar. Por agora, é "apenas" o melhor em campo, com uma nota que se aproxima da perfeição. E se for (para continuar assim), desde já endereço os meus parabéns a quem o tiver trazido para o Dragão.




< 64' André Silva (7): Ficou irremediavelmente na sombra de Soares, mas na sombra também se trabalha. Muito, como é de seu timbre. Não brilhou, mas fez tudo o que pode para que outros brilhassem. E eu gosto muito de quem se "presta" a esse papel.

> 64' André André (6): Entrou para estancar a sangria que a entrada de Alan Ruiz provocou na nossa estabilidade defensiva e, em certa medida, consegui-o. O problema é que não foi além disso, porque não conseguiu também ele "pôr a bola no chão" e segurá-la em nosso poder, para depois explorar ataques organizados. Ficou-se pela tarefa de sapador e cumpriu.

> 70' Diogo Jota (6): Rendeu Brahimi e calçou-lhe os sapatos, ainda que com maior disponibilidade (e frescura) para os usar. Teve uma ou duas arrancadas pelo campo fora, mas não conseguiu incomodar Rui Patrício. "Valeu" essencialmente pelo esforço defensivo.

> 83' J.C. Teixeira (6): Foi para o campo com vontade de ser aquele jogador que iria levar o jogo para o meio campo do adversário, mas, porque muito desapoiado, rapidamente se encolheu para ajudar os companheiros a segurar a magra vantagem. E nisso foi mais um par de pernas "a atrapalhar". Mas insisto, tem futebol para justificar mais minutos de jogos.

NES (6): Ganhámos. A equipa liderada por ele ganhou. Um jogo decisivo em várias frentes, onde só a vitória servia. Não fui dos que ficaram radiantes pelo onze inicial, mas a verdade é que resultou, muito à custa do efeito-surpresa e duma raríssima eficácia. O adversário rectificou ao intervalo e mudou o jogo a seu favor. Aqui, Nuno demorou demasiado a perceber e a corrigir - e mesmo quando o fez, já com 2-1 no marcador, não conseguiu que a equipa voltasse a querer jogar para fazer o terceiro. Não digo que tenha mexido mal (só teria tirado Corona, em vez de Brahimi), mas os efeitos produzidos ficaram aquém. Foi sofrer até final. Poderia ter sido diferente o desfecho, em nosso prejuízo, tal como noutros jogos mas em sentido contrário. Não foi brilhante, mas não é isso que fica para a história. São os três pontos. É a vida.





Outros Intervenientes:


Já o tenho comentado com amigos e digo-o agora em público: fui um acérrimo defensor da contratação de Jorge Jesus (várias vezes), mas hoje já não sou. Mudei de opinião depois das inacreditáveis declarações que proferiu sobre os seus jogadores a seguir ao jogo em Madrid, contra o Real. A forma como ontem destratou Palhinha após o jogo apenas reforçou essa convicção.

Quanto ao jogo jogado, teria muito para ensinar a NES. Avaliou mal a nossa forma de jogar e com isso sofreu na primeira parte. Ao intervalo, mudou um jogador, a forma de jogar da sua equipa e o jogo por completo. É isto que espero de um treinador durante os 90 minutos, que saiba ler o jogo e (re)agir de acordo. 

Quanto a jogadores, Gélson é um craque, quase dá pena vê-lo no Sporting. Gostei também (pela primeira vez) de Schelotto, fez um belo jogo. E Alan Ruiz mudou o jogo, em nome de Jesus.


Comovente...

Tinha alertado para o senhor Macron, também conhecido por Hugo Miguel. Esqueci-me de acrescentar ao rol Ricardo Santos, um artista português das bandeiras. Por pouco não lhes sobrevivíamos. Os lampiões, mais "abastecidos", partilham o patrocinador com a liga e fazem as transmissões dos seus próprios jogos, mostrando e ocultando o que bem lhes apetece; o Sporting, com uma mão atrás e outra à frente, só consegue "chegar" a um árbitro que também vende os "seus" equipamentos. É a vida.

Não foi só (nem sobretudo) pelos lances capitais, que também os houve: a não-expulsão de Marvin é anedótica, várias que foram as vezes que deveria ter acontecido. Como muito bem lembrou o Jorge no seu Porta 19, fez-nos lembrar a mais recente exibição de Layún. No lance do segundo golo, não considerou falta de Brahimi sobre Palhinha e bem, em minha opinião. O lance da bola na mão de Corona também foi (não sei como...) bem ajuizado.


Um velho conhecido nosso e um "artista" português, bem alinhados

O problema principal destas arbitragens habilidosas é a predisposição com que o árbitro entra em campo. Em todos os pormenores se nota a diferença. Para nós, sempre ríspido e impositivo. Para eles, "tenham lá calma e um abraço". Não mata, mas mói e muito a paciência e o discernimento dos jogadores. Em concreto, mediu-se pela "eternidade" que demorou a mostrar o primeiro cartão a alguém do Sporting (dois deles a... adivinharam, Marvin). E a prontidão com que o mostrou a Corona, à "primeira oportunidade". E a forma como apitou para o intervalo, após ter assinalado uma falta que poderia dar um livre perigoso para o Sporting. Pormaiores que não enganam. Demasiada proximidade para ser coincidência - até porque há reincidência.


Espero bem que Francisco J. Marques e demais companheiros de luta não deixem passar esta arbitragem em claro. É preciso também explicar as relações que orientam a vida deste senhor árbitro e do tal assistente, um artista de longa data.

 
Primeiro prémio de montanha conquistado, continuamos colados à roda traseira do líder da prova. Venha o próximo, já em Guimarães.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




9 comentários:

  1. Tão melhor que jogámos contra os lampiões. Tão mais contentes agora! Fuck it, lets party :)

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  2. pois... ganhamos o mais importante, jogamos pouco o costume, temos uma equipa baixa e fisicamente fragil particularmente o meio campo com exceçao e danilo que nem sequer tem uma grande impulsao, JJ mostrou porque nunca sera um grande treinador, as suas equipas sao desiquilibradas, faceis de bater sem ser preciso jogar assim tanto, com a equipa dos cinco a zero tinhamos dado a este esporting 6 ou 7, criaram problemas atraves de um def central e so por ser alto. PRECISAMOS DE 2 MEDIOS A SERIO porque assim nao temos capacidade para aguentar o jogo, segurar vantagens, trocar a bola, por 20M arranja se um medio muito superior a oliver e a jota. Os arbitros agora ate podem querer dar uma ajudinha mas jamais sera tao descarado como tinha sido ate começarmos a denunciar o polvo porque sabem que sao escrutinados e que sairao ca para fora as suas simpatias.

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    1. Eu não senti ajudinha nenhuma, bem pelo contrário!

      Não creio que estejamos assim tão mal de médios, a questão é que Óliver está a sacrificar parte dos seus atributos técnicos para fazer estas funções. Gosto do plantel, só falta outro Corona e um central de grande nível.

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  3. Nuno é muito fraco a mudar a táctica inicial. Demorou uma eternidade a perceber que precisava de povoar o meio campo e quando entendeu,emendou o erro a conta gotas. O SCP não empatou, porque Casillas redimiu-se do frango, com duas defesas geniais. A vitória deve-se à garra, espírito de sacrifício e talento dos jogadores, não do treinador, pois quanto a esse estamos conversados, é mesmo muito fraquinho.
    JJ é muito melhor treinador do que NES, mas como homem é simplesmente miserável, nunca em tempo algum desejei ou desejarei este cretino para treinador do nosso Porto, aliás, teria vergonha no meu clube se o contratasse.

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    1. Frango talvez seja exagero, não?

      Creio que o problema das mexidas é mais profundo, porque apesar de tardiamente, NES mexeu bem. A questão é que apenas acrescentamos número para equilibrar com o Sporting, depois nota-se que os jogadores não sabem bem onde se posicionar ou quem marcar. E com bola, a mesma história. Vou tentar desenvolver isto no post seguinte, amanhã ou depois...

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  4. Na parte tocante ao Sporting, concordo com muito do que escreveu, sobre Jesus, em particular. Não acredito que haja bom ambiente de balneário, fruto da filosofia "eu ganho, vocês perdem". Espero que ele e o Bruno saiam daqui a um mês.
    Percebo que diga que o que se espera é que um treinador saiba ler o jogo e que o Jesus o fez, mas também se pede que saiba montar bem a equipa e não é a lançar Matheus sem ritmo de jogo para provar não sei o quê que se consegue isso.
    Quanto a reforços, não são precisos muitos, 2 laterais, um para cada lado (Schelotto corre muito, mas centra mal) que saibam centrar com "peso e medida" para Bas Dost, o melhor ponta-de-lança do campeonato, e ainda contratar um 2º avançado para jogar com o holandês. De resto, fico com a sensação que o Sporting quando quer é a melhor equipa do campeonato, mas a verdade é que lhe falta consistência e está arredada do título.
    Verde protector

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    1. Meu caro, bem pode esperar sentado, porque não vejo como o seu actual presidente não venha a ser reeleito.

      O Sporting foi claramente melhor na segunda parte, mas inferior na primeira. É certo que, desta vez, fomos muito eficazes e isso fez a diferença. Mas não acho que o Porto tenha um plantel inferior, bem pelo contrário. A questão é o que se faz com o que se tem.

      O Bas Dost é bom, não se discute, mas... neste jogo nem se viu. O que também deve explicar o motivo por que estava disponível para vir para o Sporting. Bom, não excepcional.

      Também acho que o Sporting está fora do título e do segundo lugar, pelo que só lhe faltou desejar-nos sorte :-)

      Abraço Portista

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  5. Quanto às eleições no Sporting, veremos. Não esqueçamos que o Bruno saio debaixo de escolta policial em Chaves e foi assobiado nalguns jogos com resultados mais desfavoráveis. Faz lembrar o Sócrates. As pessoas gostam de ouvir os vendedores de ilusões, até ao dia em que a realidade se sobrepõe. Poderá acontecer com mais 4 anos de Bruno, mais 4 anos a não ganhar nada, mas acaba aí o ciclo de vez.
    O Porto tem melhor plantel do que o Sporting, na minha opinião. Tem bons jogadores para todas as posições. O plantel do Sporting foi mal estruturado. Apenas referi que, quando querem, são a melhor equipa. Mérito do treinador que sabe maximizar o potencial. Talvez com Jesus no Porto fossem a melhor equipa. Mas depois o Sporting tem muitas lacunas no plantel. O Adrien lesionou-se um mês e a equipa ressentiu-se, por exemplo.
    O Bas Dost fez a assistência para o golo. Precisa é de ser bem servido, para isso é preciso laterais que saibam centrar.
    Felicidades para o título! Estão em boa posição. Até podem empatar na Luz que nós tratamos do resto no derby em Alvalade.

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